Avicultura
Dor: um parâmetro pouco monitorado no bem-estar animal
Por ser uma expressão sensorial e emocional, a mensuração da dor é muito desafiadora e de difícil aplicabilidade na rotina das granjas.

Artigo escrito por Célio Batista da Silva, Médico-veterinário, Gerente Técnico da Alivira Saúde Animal
No Brasil, uma das primeiras sinalizações relativas ao bem-estar animal foi o Decreto 24.645 de julho de 1934, que estabeleceu medidas de proteção e proibiu práticas de abuso e crueldade contra animais. Recentemente, o governo brasileiro, por meio da Portaria 365/2021, atualizada pela Portaria 864/2023, estabeleceu práticas humanitárias para o abate e o bem-estar animal, a serem implementadas desde a granja até o momento pré-abate. O conceito de bem-estar animal ganhou novas fronteiras e atualmente não representa somente um apelo humanitário com os animais de produção, mas uma real demanda pelo mercado consumidor de produtos de origem animal, um diferencial ou até mesmo uma exigência para mercados compradores internos e externos e uma condição obrigatória para permitir a expressão integral do potencial genético dos animais.
Considerando todos os aspectos envolvidos no bem-estar animal, um dos parâmetros mais negligenciados é a dor. Os animais de produção são influenciados positiva e negativamente por sentimentos e sensações que interferem diretamente na expressão de seu comportamento e consequentemente, na sua produtividade.
Por ser uma expressão sensorial e emocional, a mensuração da dor é muito desafiadora e de difícil aplicabilidade na rotina das granjas. Estabelecer um programa de monitoramento é essencial para aprimorar o bem-estar animal e ele deve englobar a avaliação dos animais na granja, a avaliação de lesões na granja e no frigorífico, além da avaliação sanitária e comportamental.
Postura
Na postura comercial observamos alguns momentos onde a dor pode interferir não somente no percentual de produção, mas também na qualidade dos ovos. Operações como a debicagem, mesmo quando realizada pelo método infravermelho no incubatório, e a aplicação de vacinas oleosas requerem o uso de analgésico para alívio da dor e estresse para impedir que o animal permaneça em sofrimento, com a consequente redução de apetite e consequentemente a produtividade. Na vacinação, deve-se observar a não utilização de produtos com poder anti-inflamatório em função do potencial comprometimento da resposta vacinal, devendo-se optar sempre por antitérmicos com baixo ou nulo poder anti-inflamatório, como a dipirona.
Frangos de corte
Em se tratando de frangos de corte, os principais desafios que envolvem a dor estão relacionados ao aparelho locomotor. Desiquilíbrios ligados a fatores nutricionais, ambientais, manejo e qualidade de cama podem gerar lesões que comprometem à qualidade de vida dos frangos e consequentemente seu desempenho. A utilização de outros terapêuticos, como os antimicrobianos, deve ser sempre associada à terapia de suporte da dor para preservar o comportamento natural dos animais e abreviar o reestabelecimento da saúde.
Terapia de suporte
O fornecimento de antimicrobianos e anti-inflamatórios é uma prática comum na avicultura, porém muitas vezes o controle de quadros de dor é negligenciado. Sem a devida terapia de suporte para o controle da dor, boa parte dos animais responderão tardiamente ao tratamento devido ao comprometimento clínico e fisiológico pela letargia e não ingestão de alimento e água. A visão sobre o bem-estar animal deve ser holística e englobar todos os seus aspectos, pois o Brasil é um grande player do mercado global de produtos de origem animal e as exigências com este foco tendem a aumentar e serem cada vez mais restritivas.

Avicultura Editorial
O Nordeste avícola já não cabe no rodapé
Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.
Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.
A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.
Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock
A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock
A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock
que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.






