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Dólar alto encarece insumos, mas relação de troca por grãos mantém vantagem para o produtor

Do mesmo modo que a desvalorização do real vem permitindo ganhos expressivos com a exportação de soja e milho em dólar, também onera na hora de adquirir produtos importados

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Com os produtos da safra de inverno já adquiridos e prontos para ir a campo, o produtor que tem ido às compras planejando a próxima safra de verão (2021/22) tem se surpreendido com o aumento do preço dos insumos, em especial de fertilizantes e agroquímicos. Do mesmo modo que a desvalorização do real vem permitindo ganhos expressivos com a exportação de soja e milho em dólar, também onera na hora de adquirir produtos importados.

“Tinha um produto para algodão que assustou. Fiz uma compra em fevereiro que paguei R$ 50 o litro. Um mês depois estava R$ 58, deu quase 20% de aumento. No geral, os aumentos são meio repicados, não tem aquela alta generalizada, mas aos poucos”, observa o produtor e presidente do Sindicato Rural de Cambará, na região do Norte Pioneiro do Paraná, Aristeu Sakamoto.

A percepção do dirigente reflete os números do mercado. Segundo o analista de insumos agrícolas do Rabobank Brasil Matheus Almeida, no caso dos agroquímicos, a desvalorização do câmbio foi a responsável pela alta nas prateleiras. “De modo geral, o que se viu no mercado de defensivos foi uma queda no custo em dólar de 16%, mas, em real, um aumento na casa de 15% a 20%”, afirma.

Segundo Almeida, a queda no preço destes produtos em dólar se explica por alguns fatores. “Entramos em 2020 com estoques um pouco elevados. Também temos a forte concorrência interna e a entrada de novos players neste mercado. Só no ano passado, 493 produtos novos foram registrados no Brasil. Então isso acabou restringindo e limitando os reajustes dos preços em dólar”, observa.

Quando analisados os dados da produção paranaense coletados por meio do Projeto Campo Futuro, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), é possível notar até um certo recuo no custo dos defensivos. Na região de Guarapuava, Centro-Sul, a soma dos gastos com herbicidas, inseticidas e fungicidas em uma propriedade modal de soja foi de R$ 900,70 por hectare em janeiro de 2021. O custo dos mesmos produtos no mesmo mês de 2020 foi de R$ 916,45.

Adubação

No que se refere aos fertilizantes, a conta ficou ainda mais cara para o produtor. De acordo com o levantamento do Projeto Campo Futuro, em janeiro deste ano, em uma propriedade modal no município de Cascavel, Oeste, o custo estimado de adubação da safrinha de milho foi 42% superior ao ano anterior, passando de R$ 641 por hectare em 2020 para R$ 910 em 2021. No caso da propriedade modal de Cascavel, o fertilizante tem peso de 28% no custo operacional do produtor. Nesse caso, o custo operacional da safrinha de milho este ano foi 8% maior que o anterior.

Segundo a técnica Ana Paula Kowalski, do Departamento Técnico e Econômico (DTE) da FAEP, isso não é exclusividade do Paraná, pois o Brasil é dependente da importação das matérias-primas para fabricação dos fertilizantes e defensivos agrícolas que utiliza em sua produção. “Se por um lado o nosso real desvalorizado e a conjuntura favorável têm mantido os preços dos grãos elevados, por outro, o valor de importação dos insumos também teve aumento expressivo. Portanto, a margem líquida de cada produtor depende dos preços, das tendências de mercado e do planejamento da comercialização e aquisição de insumos”, afirma.

Esta estratégia ganha relevo adicional quando observados os recentes movimentos de mercado. “Quando olhamos para frente, o produtor que não travou sua compra de fertilizantes tende a sofrer um impacto maior, pois os preços no mercado internacional subiram muito em janeiro e fevereiro, na ordem de 50%”, afirma o analista do Rabobank Brasil.

Segundo ele, esse movimento tem explicação adicional além da desvalorização do câmbio. “É o mercado internacional que está ditando esse movimento. O preço em dólar [dos fertilizantes] está subindo no mercado, pois é o momento dos Estados Unidos e da Europa irem às compras. Além disso, o produtor está mais capitalizado e disposto a investir um pouco mais na lavoura”, analisa Almeida.

Em face desse cenário, é fundamental que o produtor tenha planejamento e antecipe suas compras para não ficar exposto às variações bruscas do mercado. “Aqui na região vejo que o pessoal já comprou os insumos de forma antecipada. Além da questão do preço, você precisa garantir a disponibilidade do produto, para quando chegar a hora do plantio estar no barracão”, observa o presidente do Sindicato Rural de Toledo e da Comissão Técnica (CT) de Cereais, Fibras e Oleaginosas da FAEP, Nelson Paludo.

NPK

Dentre os fertilizantes, o grupo dos fosfatados foi o que mais subiu, relata o analista de insumos do Rabobank Brasil. “No cenário externo, a demanda apareceu mais forte que o esperado. Os Estados Unidos estão com tarifa de importação para os produtos fosfatados do Marrocos e da Rússia. Isso fez com que que eles entrassem muito fortes comprando no mercado. Os preços saíram de US$ 390 a tonelada em dezembro de 2020 para US$ 620 na primeira semana de março de 2021”, afirma Almeida.

Para o cloreto de potássio, segundo ele, o aumento nos dois primeiros meses do ano foi na casa de 20%, saindo de US$ 245 a tonelada em dezembro de 2020 para cerca de US$ 300 em março de 2021. A ureia experimentou recuperação de preço de 40% nesse período, passando de US$ 280 a tonelada para US$ 395.

Apesar das altas, troca ainda é favorável para o produtor

Apesar do aumento do preço dos fertilizantes e agroquímicos, a relação de troca por sacas de soja e de milho se mostra bastante favorável para o agricultor. De acordo com o Campo Futuro, hoje a relação está em torno de 28 sacas de milho por tonelada de KCl (cloreto de potássio) e 31,5 sacas por tonelada de ureia. Para efeito de comparação, em janeiro de 2020, essa relação estava por volta de 45 e 42 sacas, respectivamente.

Do lado dos agroquímicos, a conta também está boa para quem produz. Em janeiro deste ano, a relação de troca do Glifosato, um dos herbicidas mais utilizados nas lavouras paranaenses, era de 0,23 saca de milho por uma unidade do produto. Em janeiro de 2020, essa relação era de 0,36 saca por unidade. Da mesma forma, inseticidas como Cipermetrina e Tiametoxam, que eram trocadas na proporção de 1,14 e 11,15 sacas de cereal por unidade do produto no início de 2020, hoje são trocadas por metade desta quantidade, 0,51 e 5,44 sacas por unidade, respectivamente. Ou seja, menos sacas compram muito mais produtos atualmente.

“O preço do milho subiu bastante, acredito que um pouco mais que os insumos. Mas sabemos que quando o milho quanto a soja sobem, tendem a estabilizar e já caem de preço. Mas os insumos sobem e não caem de preço na mesma velocidade”, observa Nelson Paludo, produtor de Toledo.

Segundo ele, é fundamental que o produtor conheça os números do seu negócio. “A estratégia é sempre verificar quantas sacas de soja você precisa para pagar o custo do hectare. Então, o produtor precisa estar atento às possibilidades de fazer uma boa troca do insumo pelo produto da venda. A administração de uma propriedade se faz com resultados. E para ter resultado tem que vender bem e comprar bem também”, finaliza Paludo.

Fonte: Sistema FAEP
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Notícias Comemoração

Aos 48 anos, Embrapa contabiliza entregas e investe em garantir o protagonismo

Na próxima segunda-feira (26), a Embrapa completa 48 anos

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Na próxima segunda-feira (26), a Embrapa completa 48 anos, construindo a ciência que se reinventa para estar à frente e alinhada aos desafios, especialmente durante um dos episódios mais desafiadores da história, com a pandemia da covid-19.

Na busca pela superação que a pesquisa tem provado ser capaz em todas as áreas e a produtividade de alimentos de qualidade e com sustentabilidade, a Empresa tem direcionado os investimentos no dia a dia, norteada pelos recursos da inteligência estratégica, prospecção, observação de sinais e tendências e avaliação de riscos e oportunidades.

É a agricultura movida a ciência, que usa cérebros e não tratores, como diz o pesquisador Eliseu Alves, um dos fundadores e ex-presidente da Embrapa. Entre dezenas de indicadores, é a responsável por dobrar a produção de café nos últimos vinte anos, e nos últimos quarenta anos: aumento de 509% na produção de grãos com elevação de duas vezes na área plantada; sete vezes a produção de leite; 60 vezes a produção de carne de frango; 100% o rebanho bovino (com diminuição relativa da área de pastagem); 140% a produtividade do setor florestal; 240% a produção de trigo e milho; e 315% a produção de arroz.

Esses números mostram por que o Brasil é referência em ciência, tecnologia e inovação e um dos líderes mundiais na produção de alimentos, com exportações para cerca de 170 países. Mais de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) tem origem no esforço que vem da pesquisa e do campo.

Live para o público externo

Em decorrência da pandemia, os 48 anos  da Embrapa serão lembrados de forma virtual, com transmissão pelo canal da Empresa no YouTube.

Na quarta-feira (28), às 10h, a live “Embrapa 48 anos” será aberta ao público externo. Na ocasião serão lançados o Balanço Social 2020 e diversas soluções tecnológicas, publicações e cursos. Também será anunciada a assinatura de algumas parcerias.

Parlamentares, parceiros e a ministra Tereza Cristina falarão sobre a importância da Embrapa. Além disso, a Empresa entregará homenagens a seis atores relevantes do setor produtivo, do poder público e do universo da pesquisa.

Manter foco nas metas

No momento em que a trajetória de quase cinco décadas de ciência agropecuária é marcada por um cenário incerto, o presidente Celso Moretti reforça a importância do foco nas metas. “Será necessário investir mais do que nunca em estratégias sustentáveis que contribuam com a garantia de produção de mais alimentos, usando menos energia e água, para alimentar 8,5 bilhões de pessoas no planeta”, diz.

“No mundo pós-pandemia, para que haja saúde e segurança alimentar para a população dos países, serão necessários novos conceitos na produção de alimentos, baseados na sanidade animal, na saúde humana, na segurança dos alimentos e na sustentabilidade”, destaca. “Estaremos diante de uma realidade nova em termos populacionais, de urbanização, de longevidade e de padrões de consumo – a Embrapa precisa estar pronta para fazer sua parte. Os últimos 48 anos a prepararam para esse protagonismo”, afirma Moretti.

Referindo-se ao VII Plano Diretor da Embrapa (PDE), pela primeira vez definido em metas quantificáveis, o presidente lembra as oito áreas prioritárias da pesquisa e as três na gestão organizacional e estratégica. “Serão ampliados os esforços nas áreas de bioeconomia, inteligência territorial, agricultura digital, mudança do clima, sanidade agropecuária, desenvolvimento territorial com inclusão produtiva, sustentabilidade com competitividade, consumo e agregação de valor aos produtos do agronegócio”, cita. “Na gestão organizacional, nosso foco será ainda mais a modernização, com o aumento da eficiência e a racionalização de custos”.

Entre os compromissos do PDE estão:

  • a ampliação em mais de 10 milhões de hectares das áreas com plantios de sistemas integrados até 2025 (hoje a área estimada com ILPF é de 17 milhões);
  • o aumento em 1 milhão de hectares da área de florestas plantadas com sistemas de produção até 2030;
  • e o aumento em 10% dos benefícios econômicos de produtores que utilizam o Zoneamento de Risco Climático (Zarc) para o plantio.

“Até 2025, queremos dobrar o número de usuários dos aplicativos da Embrapa, e em 20% o benefício econômico gerado por práticas agropecuárias e tecnologias sustentáveis capazes de reduzir os custos de produção”, completa.

Para Moretti, o que pode ser considerado “ousadia” é, na verdade, o reflexo da maturidade alcançada pela Empresa e que justifica os marcos científicos comemorados a cada ano. “São tempos de dificuldades, perdas e adaptações, mas que, ao mesmo tempo, provam o quanto a Empresa se preparou e busca estar cada vez mais apta a promover as entregas que a sociedade demanda da ciência”, completa.

Diversidade de conquistas

Desde a tecnologia que transformou os solos ácidos do Cerrado em uma das regiões mais produtivas do País, a ciência da Embrapa e parceiros acumula uma sucessão de marcos para a agropecuária. O mesmo bioma um dia considerado infértil, graças à pesquisa, hoje tem o potencial de dobrar a área cultivada com trigo no Brasil.  “Temos desenvolvido variedades adaptadas ao Cerrado, com teor de proteína quase duas vezes maior do que o do trigo produzido em outras regiões”, diz Moretti. O Brasil tem 2 milhões de hectares cultivados com o cereal, dos quais 200 mil hectares no Cerrado.

“Às vésperas de completar cinco décadas de pesquisa, outras contribuições merecem destaque, como a economia de base biológica, que representa o futuro e a garantia de sustentabilidade aliada ao desenvolvimento e à geração de emprego e renda”, comenta o presidente. “A fixação biológica de nitrogênio, o Biomaphos (primeiro inoculante nacional para fósforo), o Aprinza (inoculante para fixação biológica de nitrogênio na cana-de-açúcar), o controle biológico da vespa-da-madeira, o óleo essencial de manjericão-de-folha-larga para o controle de pragas, além dos bioinsumos desenvolvidos a partir de resíduos da cadeia de biocombustíveis, fazem parte desse rol de resultados que já chama a atenção de outros países, interessados em compartilhar o conhecimento brasileiro”.

Impactos continuam significativos

Segundo Moretti, a trajetória da pesquisa agropecuária vai além da lista de soluções tecnológicas. “A contabilização dos impactos também é alta”, diz. Um exemplo: em 2020, a fixação biológica de nitrogênio (FBN) foi a responsável por uma economia de R$ 22 bilhões em adubos nitrogenados não gastos. “Sem contar que deixaram de ser emitidas cerca de 150 milhões de toneladas de CO2 equivalente”, resume.

Na área dos sistemas integrados, a pesquisa da Embrapa também se consolidou como referência para os novos rumos do agro, com a adoção da ILPF. “Para compreender o impacto, basta considerar que, se a ILPF for implantada em apenas 15% da área de produção, já seria o suficiente para compensar as emissões de gases de efeito estufa produzidos pelos animais e pela pastagem”, comenta.

Na evolução do agro, a Empresa também vem contribuindo fortemente com a necessidade de modernização dos recursos para os produtores. A agricultura digital, a rastreabilidade e a logística, associadas aos sistemas produtivos agrícolas, estão entre os temas prioritários da programação. “O universo de inovações e soluções tecnológicas é vasto, mas não há como prescindir da urgência da conectividade à disposição dos produtores rurais”, destaca o presidente.

“Quase todos os centros de pesquisa têm se dedicado ao desenvolvimento de tecnologias digitais, como sensores que medem a temperatura do animal e avaliam o conforto térmico nos sistemas ILPF, detecção de doenças, recontagem de frutos, medição de características em animais, simulação de fenômenos, previsão de safras, monitoramento de logística e transporte, rastreabilidade e suporte à tomada de decisão nas propriedades, mas o produtor precisa ter condições de acesso”, diz Moretti.

Ano difícil e muitos avanços

Passados mais de 13 meses desde a declaração de pandemia no País, a Embrapa permanece com mais da metade dos empregados trabalhando remotamente. Para que projetos não fossem inviabilizados, pesquisadores e suas equipes, mesmo com o isolamento social e a necessidade de implantação das escalas de revezamento, criaram formas de preservar o trabalho no campo e nos laboratórios. Experimentos necessitavam de acompanhamento muitas vezes diário, sob o risco de serem perdidos anos de dedicação.

“Graças à solidez da Empresa, o desafio tem sido enfrentado com serenidade neste momento tão novo e incerto”, afirma o presidente. Ele lembra que as pesquisas no campo e nos laboratórios não foram paralisadas. “A pandemia funcionou como um acelerador de futuro, nos obrigando a antecipar iniciativas que estavam sendo estudadas ou iniciadas, como o teletrabalho, o investimento maior em capacitações on-line, as transmissões por internet para conversar com técnicos e produtores, o desenvolvimento de sistemas de planejamento e o monitoramento de safras por satélite”, explica. Foram realizados mais de 40 cursos a distância, oferecidos por 25 UDs, que registraram mais de 400 mil inscrições.

Integração de esforços 

No balanço dos 48 anos, cada área da Embrapa também precisou se adaptar em seu planejamento. “Nosso maior desafio tem sido preparar a Empresa para manter seu protagonismo nos próximos anos, o que implica em ganhos de eficiência operacional, maior transparência e redução da dependência do Tesouro Nacional”, avalia o diretor-executivo de Gestão Institucional, Tiago Ferreira, ressaltando a consolidação fiscal e a pandemia como os dois principais condicionantes.

Segundo ele, a Embrapa será convocada a contribuir com o ajuste das contas públicas e precisará racionalizar o uso de recursos e obter ganhos de eficiência para preservar suas operações. “A transformação digital e os centros de serviços compartilhados são as principais frentes de ação, mas precisamos também explorar as vantagens associadas ao ERP-SAP, uma plataforma organizacional robusta, que contribui com a integração e o compartilhamento de processos administrativos”, explica.

Sobre a pandemia, o diretor diz acreditar no efeito transformador das relações, inclusive de trabalho. “Estão sendo estudadas alternativas para a organização do trabalho, sendo importante ressaltar nossas restrições, em especial a financeira”, comenta. “O fato é que não devemos temer a mudança, porque as transformações trazem desafios que, se encarados adequadamente, representam grandes oportunidades – o Brasil precisa da Embrapa”, conclui.

Dinamismo

Já a diretora-executiva de Inovação e Tecnologia, Adriana Regina Martin, destaca como prioridades a aproximação com o setor produtivo e o maior dinamismo na busca por novos modelos de financiamento de projetos de PD&I para incrementar o orçamento. “Diretoria e Unidades Centrais e Descentralizadas estão engajadas em melhorar esse cenário”, diz.

De acordo com a gestora, no ano passado, dos R$ 168,1 milhões investidos em projetos de PD&I, mais de R$ 32 milhões vieram da iniciativa privada, o que significa um salto de 11,2% em 2019 para 17,3% em 2020. Nesse sentido, Adriana Martin destaca os esforços para que seja atingida a meta de mais 40% dos projetos com parceiros até 2023, em alinhamento aos temas do VII PDE e às megatendências da agricultura brasileira.

Quanto às alternativas de financiamento, ela dá como exemplo a estruturação de fundos privados com grandes players do agronegócio. Cita ainda o trabalho da Secretaria de Inovação e Negócios (SIN), como Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), na busca de novos modelos de negócio para transferir as tecnologias ao setor produtivo e à sociedade, gerando maior valor agregado. “Estão sendo fundamentadas as bases para que a Embrapa seja sócia de empreendimentos para o desenvolvimento de produtos, processos e serviços inovadores e o lançamento de ativos, com melhor posicionamento de mercado e visibilidade”, completa.

Aumentar a visibilidade da Empresa no ecossistema de inovação nacional é outra linha de ação relevante para a agenda institucional, como forma de promover o desenvolvimento de novos mercados e o fortalecimento do empreendedorismo. “Quase todos os centros de pesquisa da Embrapa têm parcerias com empresas de base tecnológica digital e iniciativas para impulsionar o mercado de startups”, diz. “São oportunidades para embarcar ativos tecnológicos e pré-tecnológicos da Empresa em soluções digitais, de biotecnologia e de nanotecnologia, dentre outros segmentos possíveis”, conclui.

Entregas mais direcionadas

Ajustes na programação e nos programas, tornando-os mais focados e com entregas claras e escalonadas estão entre as principais metas da área de P&D, uma das mais estratégicas e essenciais da Empresa. De acordo com o diretor Guy de Capdeville, as dificuldades devido às restrições orçamentárias exigem que a Embrapa continue se adaptando para seguir entregando à sociedade as soluções que precisa, em especial aos agricultores.

“Precisamos fortalecer nossa atuação em redes regionais e nacionais, atuando cada vez mais transversalmente e multidisciplinarmente para acelerar nossa capacidade de produzir, entregar e subsidiar o Estado brasileiro no estabelecimento das políticas públicas que farão o País avançar”, diz.

Destacando o papel da Empresa no contexto do agro, o diretor lembra as cobranças constantes por entregas mais direcionadas pelo setor produtivo. “Detemos um volume de informações e ferramentas que orienta e ajuda nossas UDs a direcionar o avanço científico para atender as inovações que precisamos produzir”, comenta. “E não se trata de obliteração da criatividade, mas sim de dar orientação e pragmatismo. Ciência pode e deve ser lucrativa, principalmente em uma empresa como a Embrapa”.

Fonte: Assessoria
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Notícias Aquicultura e Pesca

Brasil adere à Blue Justice, iniciativa internacional de combate a crimes organizados na indústria pesqueira

País é o 34º integrante da ação global, liderada pelo governo da Noruega e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNDP)

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Guilherme Martimon/Mapa

O Brasil é o mais novo membro da iniciativa Blue Justice. Ao assinar a Declaração de Copenhague na quinta-feira (22), o país passa a cooperar com uma política global de combate ao crime organizado na indústria pesqueira. O documento foi assinado pelo secretário de Aquicultura e Pesca do Mapa, Jorge Seif Júnior, que representou o governo brasileiro na cerimônia de assinatura on-line, realizada pelo governo da Noruega e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNDP, sigla em inglês), que lideram a iniciativa.

No mundo, as águas cobrem mais de dois terços da superfície da Terra, contribuindo diretamente com cerca de US$ 1,5 trilhão para a economia, sendo que apenas o setor de alimentos gera em torno de 237 milhões de empregos. A carne de peixe responde por aproximadamente 17% do consumo mundial de proteína animal. Em países menos desenvolvidos, esse número pode chegar a 50%.

“Sabemos que a pesca, além de sua extrema importância social e nutricional para as populações do mundo, é um negócio internacional multibilionário. Nós, gestores e tomadores de decisão, devemos empregar as melhores práticas de governança e gestão da pesca. Práticas inteligentes, estratégicas, coordenadas e baseadas em evidências científicas e informações qualificadas”, iniciou o secretário Seif Júnior em seu discurso.

O Brasil tem o maior litoral do Oceano Atlântico Sul, com um total de 8,5 mil quilômetros de extensão, sendo a pesca importante atividade comercial praticada ao longo de todo o litoral do país. Essa vasta área litorânea é chamada de Amazônia Azul, que, junto com a Zona Econômica Exclusiva, soma aproximadamente 5,7 milhões km2.

O secretário destacou a importância de o país endossar a iniciativa Blue Justice num contexto em que a demanda por produtos pesqueiros é grande e continuará a crescer, o que gera pressão sobre os recursos naturais, podendo criar brechas para comportamentos gananciosos que “pegam carona” na indústria pesqueira.

Jorge Seif citou ações em andamento no país, como processo de ratificação do Acordo da FAO sobre medidas nos Estados do Porto (PSMA); modernização e ampliação do sistema de rastreamento de embarcações, por meio da parceria com a Global Fisching Watch, o que trará mais agilidade de transparência na gestão; reestruturação do sistema de cadastramento dos pescadores artesanais e industriais no combate à fraudes, além da criação e atualização dos sistemas de distribuição de cotas e revisão de atos normativos.

Os países signatários da Declaração de Copenhague reconhecem a importância da cadeia da pesca para o mundo e buscam combater a prática de crimes como pesca ilegal, corrupção, fraudes tarifárias, lavagem de dinheiro, tráfico moderno nas atividades dessa indústria. É o que pontuou Odd Emil Ingebrigtsen, ministro da Pesca e Frutos do Mar da Noruega.

Por ser uma atividade que ultrapassa os limites continentais e avança mar adentro, a cooperação deve se dar em um contexto global com a participação de agências governamentais em nível nacional, regional e internacional, a fim de prevenir, combater e erradicar o crime organizado transnacional na indústria pesqueira.

A participação da UNDP nesta iniciativa destaca a força da cooperação com o apoio para sua efetiva implementação: “É um problema que existe e é global, no qual temos que atuar encorajando os países a desenvolver uma solução conjunta”, destacou Emma Witbooi, representante do organismo internacional.

Participaram da cerimônia a o secretário do Ministério das Relações Exteriores da Noruega e representante da primeira-ministra para o Painel de Alto Nível para uma Economia do Mar Sustentável, Jens Frolich Holte; o ministro-conselheiro da Embaixada do Brasil na Noruega, Paulo Roberto Ribeiro Guimarães; e o embaixador da Noruega no Brasil, Nils Martin Gunneng.

Blue Justice 

A Blue Justice contribui para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, particularmente em relação ao ODS 14 “Vida na água” e ao ODS 16 “Paz, Justiça e Instituições Eficazes”. Além do Brasil, outros 33 países são signatários da Declaração de Copenhague.

Fonte: MAPA
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Notícias Pecuária

Associação Capixaba dos Criadores de Nelore elege virtualmente nova diretoria para o biênio 2021/2023

Carlos Tadeu Bastos da Rosa foi reeleito para a presidência do próximo período

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A Associação Capixaba dos Criadores de Nelore (ACCN), elegeu no dia 15 de março, de forma virtual, a nova diretoria para o biênio 2021/2023. Carlos Tadeu Bastos da Rosa foi reeleito para a presidência do próximo período, tendo como vice presidente, Carlos Alberto Macedo.

“O nosso foco será fortalecer cada vez mais os pequenos, médios e grandes criadores da raça. Estaremos sempre envolvidos com a finalidade de melhorar o intercâmbio entre os criadores, para que o melhoramento genético da raça permaneça sempre como prioridade, desta forma, continuaremos contribuindo com a evolução do Nelore no estado do Espirito Santo”, ressalta Carlos Tadeu Bastos da Rosa, presidente da ACCN.

A formação da diretoria para o próximo mandato será composta por 1 presidente, 1 vice-presidente, 8 diretores e 4 conselheiros. O presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), Dr. Nabih Amin El Aouar, assumiu a diretoria técnica.

“A ACCN é uma das associações regionais mais proativas entre as organizações dos criadores de nelore do país, e realiza ações fundamentais para o fomento da raça e para o crescimento e valorização do nelorista no estado do Espirito Santo e no Brasil. A ACNB espera que nessa gestão atual, a Nelore Capixaba mantenha a mesma proatividade de sempre, colocando a ACCN no mais alto ponto de representatividade da raça nelore e do setor pecuário no estado”, afirma Nabih Amin El Aouar, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB).

Confira a nova composição:

  • Presidente: Carlos Tadeu Bastos da Rosa
  • Vice presidente: Carlos Alberto Macedo
  • Diretor administrativo: José Wallace de Tassis
  • Diretor financeiro: Eduardo Lima Bortolini
  • Diretor técnico: Nabih Amin El Aouar
  • Diretor comercial: Dailson Laranja
  • Diretor patrimonial: José Canal
  • Diretor social e marketing: Victor Paulo Silva Miranda
  • Diretores científicos: Diogo Vivacqua de Lima e Humberto Luiz Wernesbach Filho
  • Conselheiros consultivos: Rivelino Rovetta e Eduardo Antônio Santos Sampaio
  • Conselheiros fiscais: Wendius Henrique Lucas e Celcino Junior Martins Barros

Fonte: Assessoria
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CONBRASUL/ASGAV

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