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Dois brasileiros são convidados a participarem do 14º Fórum Global para Alimentação e Agricultura; um é de Marechal Rondon (PR)

Apenas 20 jovens do mundo todo foram selecionados para participar do evento. Segundo Lucas Dierings, potencial agropecuário do Oeste paranaense será propagado mundo afora.

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O 14º Fórum Global para Alimentação e Agricultura (Global Forum for Food and Agriculture, GFFA) vai acontecer de 24 a 28 de janeiro de 2022, em Berlim, na Alemanha, mas desde já tem espaço na agenda do rondonense Lucas Dierings: ele e a brasiliense Ana Zimmermann foram os dois brasileiros selecionados para participar do seleto grupo de 20 jovens do mundo todo convidados para o evento.

A convocação foi anunciada na última quinta-feira (11) e, após indicação do governo federal, os brasileiros foram escolhidos por meio de uma seleção que identificou os currículos mais preparados. Dierings, por exemplo, foi destaque individual no programa Jovens Líderes do Agro em nível federal, acumula participações em eventos e tem experiências com gestão e tecnologia na área rural.

Oeste paranaense como exemplo
A partir do projeto próprio intitulado Agro Jovem, podcast disponível no Spotify, o rondonense desembaraça a visão do agro brasileiro e, ao O Presente, destaca que o Oeste paranaense é, particularmente, frutífero em exemplos de atividades rurais bem-sucedidas.

“A expectativa é mostrar o Brasil como celeiro do mundo em produção de alimentos, juntamente por nosso sistema agroalimentar, que é um dos mais eficientes do planeta. Além disso, vou compartilhar a visão do Oeste do Paraná, onde há atividades rurais diversificadas que garantem a prosperidade do pequeno produtor no agronegócio. Ao invés de exportar os grãos para fora, nós conseguimos aproveitá-los fazendo ração para a cadeia do frango, suíno e peixe. Tudo isso no Oeste do Paraná”, enaltece.

Segundo ele, esse é um dos pontos fortes que merecem ser partilhados mundo afora. “É possível produzir muito em pequenas áreas de terra, sem depender de grandes fazendas. E o melhor, isso acontece de maneira sustentável devido às áreas de preservação permanente”, enfatiza.

Posição do Brasil
Reunindo ministros da Agricultura de diversos países, especialistas e personalidades envolvidas com a política agrícola global e segurança alimentar, os jovens representarão o Brasil no Fórum Internacional de Jovens do Agro (International Young Farmers’ Forum), que acontecerá em formato on-line em decorrência da pandemia. Para tanto, estão alinhados com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A 14ª edição do GFFA tem como tema “Uso sustentável da terra: a segurança alimentar começa com o solo” e os brasileiros compartilharão a experiência do Brasil com a temática. “O que acontece no mundo? Os solos estão se deteriorando por causa da extração descontrolada sem a devida reposição de nutrientes. Aqui, por outro lado, trabalha-se com atenção à adubação”, menciona o rondonense, indicando novamente que o Oeste do Paraná personifica grandes experiências no assunto.

Água residuária da suinocultura e cama de aviário depositadas no solo, aponta Dierings, são exemplos que acontecem por aqui e contribuem com a qualidade do solo. “Vale lembrar que fomos pioneiros também no plantio direto, que revolucionou a agricultura. Essa é uma das frentes que teremos no Fórum Mundial. Outra é o direito à propriedade, visto que no Brasil ainda há problemas relacionados a índios e invasões, porém é possível ‘tocar’ uma propriedade. Mundo afora isso não é possível”, compara.

O rondonense diz que para alimentar o mundo é preciso reconhecer a importância de todos os processos que antecedem o alimento, igualmente importantes. “Fala-se em produção de alimentos e se pensa no arroz, no feijão e na carne, por exemplo, mas não é só isso. Todo animal consome ração antes de tornar-se um alimento. Aqui, produzimos muita soja, direcionada para produção de ração e, depois, para a nutrição animal. O mundo precisa entender um pouquinho dessa visão, porque a gente faz isso de maneira sustentável”, ressalta, enfatizando que o Brasil é um dos países com mais floresta nativa e os produtores brasileiros são os que mais preservam por causa da área de preservação permanente que existe em cada propriedade rural.

Por fim, unindo agro e tecnologia, Dierings destaca o potencial brasileiro para digitalizar o campo mundo afora. “O Brasil tem mais de 1,5 mil startups envolvidas com o agronegócio, criando soluções em todas as categorias. Isso tem que ser levado ao mundo. São iniciativas que estão dando certo”, evidencia.

Evento internacional
O Fórum Global para Alimentação e Agricultura acontece anualmente em Berlim, é organizado pelo Ministério Federal da Alimentação e Agricultura (Federal Ministry of Food and Agriculture, BMEL) e tem como objetivo reunir a comunidade internacional na discussão das políticas agrícolas e alimentares globais.

António Guterres, Josefa Sacko, Angela Merkel, Ban Ki-moon e Prince Charles são personalidades que já marcaram presença no GFFA ao longo das edições.
No evento, entre falas de especialistas sobre o tema do evento, acontecerá o Fórum Internacional de Jovens do Agro, o Science Slam e um Mercado de Inovação Digital. Em decorrência da pandemia, o evento ocorrerá em formato híbrido, com algumas celebrações presenciais e a maioria on-line.

Em especial, a Confederação dos Ministros da Agricultura de Berlim se destaca como ponto alto da programação e deve reunir representantes de 83 países, além de órgãos como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Banco Mundial.

Fonte: O Presente

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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo

Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

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Foto: Shutterstock

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação

A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.

“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.

Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.

Como acessar

O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.

“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.

Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.

“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.

A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras

Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

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Fotos: Claudio Neves

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.

“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.

Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay. 

Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.

“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.

Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.

O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.

Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.

Fonte: Agência Brasil
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil

Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

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Foto: Allan Santos/PR

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação

A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.

Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.

Brasil entre os países com maior alíquota proposta

Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.

A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação

dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.

Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.

Instrumento de pressão comercial

A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.

A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.

Consulta pública antes da decisão final

As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.

As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.

Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.

Fonte: O Presente Rural
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