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Doenças respiratórias na produção de suínos durante o inverno: desafios, impactos e estratégias de prevenção

Implementação de estratégias preventivas integradas, com ênfase no manejo ambiental, controle da ventilação, imunização e manejo nutricional, é fundamental para minimizar os riscos sanitários e as perdas econômicas associadas.

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Fotos: Shuttertsock

Artigo escrito Huillian Zecchin, Médico Veterinário, mestre em Produção e Nutrição de Não Ruminantes e pós-graduado em Sanidade Suína, Consultor técnico- Sanitarista na Vaccinar

As condições ambientais do inverno em diversas regiões do país, caracterizadas por temperaturas mais baixas, aumento da umidade relativa do ar e ventilação frequentemente insuficiente em algumas instalações de produção, favorecem o surgimento e a intensificação de enfermidades respiratórias em suínos. Esses fatores, somados ao estresse térmico e a práticas inadequadas de manejo, aumentam a vulnerabilidade dos animais a agentes patogênicos, comprometendo sua saúde e desempenho produtivo. As consequências desse quadro incluem prejuízos econômicos como o aumento da taxa de mortalidade, redução no desempenho zootécnico e elevação nas taxas de condenação em frigoríficos.

Durante o inverno, a preocupação de muitos produtores em proteger os suínos do frio frequentemente resulta no fechamento excessivo das instalações, o que reduz a ventilação adequada e eleva a concentração de gases, como amônia, além de aumentar os níveis de poeira e umidade. Esse ambiente desfavorável compromete a qualidade do ar e favorece a proliferação de vírus e bactérias respiratórias. Além disso, as variações térmicas acentuadas também prejudicam a resposta imunológica dos animais, tornando-os mais suscetíveis às infecções.

Entre as principais enfermidades respiratórias observadas neste período, destaca-se a influenza suína, que se manifesta por sintomas como tosse, febre e secreção nasal, levando à redução do desempenho dos animais e ao enfraquecimento do sistema imunológico. A infecção por influenza frequentemente abre caminho para coinfecções com outros agentes patogênicos, como Mycoplasma hyopneumoniae, Pasteurella multocida e Actinobacillus pleuropneumoniae, cujas incidências se agravam em ambientes frios e mal ventilados. Esses patógenos se beneficiam do comprometimento da resposta imunológica, agravando os quadros clínicos e ampliando o desafio sanitário no rebanho.

Fatores que contribuem para o agravamento das doenças respiratórias

Temperaturas extremas e variações térmicas abruptas: Exposição ao frio intenso e mudanças rápidas de temperatura induzem estresse térmico nos suínos, comprometendo a imunocompetência dos animais e tornando-os mais susceptíveis a infecções respiratórias.

Alta umidade: Níveis elevados de umidade favorecem a proliferação de micro-organismos patogênicos, além de dificultar a renovação do ar, aumentando a concentração de agentes infecciosos no ambiente e agravando os riscos respiratórios.

Ventilação inadequada: A ventilação insuficiente e a utilização de aquecedores associado ao fechamento inadequado das cortinas compromete a renovação do ar, resultando no acúmulo de gases e partículas suspensas no ambiente interno das instalações, o que agrava as condições respiratórias dos suínos.

Estresse ambiental e nutricional: Dietas desbalanceadas, movimentações excessivas dos animais e superlotação também desempenham papel relevante na redução da resistência imunológica dos suínos, tornando-os mais vulneráveis a doenças respiratórias.

Estratégias de prevenção e controle

Ventilação eficiente: O ajuste adequado da ventilação é essencial para garantir a renovação do ar sem a criação de correntes frias que possam causar desconforto térmico nos animais e principalmente, sem o acúmulo de gases dentro das instalações. O manejo correto das cortinas e a implementação de sensores ambientais ajudam a otimizar o conforto térmico e reduzir a carga de patógenos no ambiente, mantendo condições ideais para a saúde respiratória dos animais.

Ambiente limpo: A remoção contínua das sujidades contribui para a diminuição da produção de gases dentro da instalação.

Vacinação estratégica: A imunização contra patógenos respiratórios circulantes no plantel é uma ferramenta indispensável para a manutenção da saúde coletiva dos animais e para o controle eficaz das doenças respiratórias, contribuindo para a redução dos surtos infecciosos.

É fundamental destacar que a vacinação contra a influenza é crucial não apenas para os suínos, mas também para produtores, técnicos e trabalhadores da suinocultura. A imunização desses profissionais visa prevenir a transmissão cruzada do vírus entre humanos e animais, contribuindo para o controle de surtos da enfermidade.

Nebulização com atomizadores/termonebulizadores: A aplicação de desinfetantes e/ou óleos essenciais por meio de atomizadores ou termonebulizadores permite a atuação direta nas vias respiratórias dos suínos. A termonebulização tem se mostrado particularmente mais eficaz na inativação de vírus como o da influenza, além de melhorar o controle de infecções bacterianas respiratórias.

Monitoramento sanitário contínuo: A vigilância constante realizada por profissionais especializados permite a detecção precoce de doenças respiratórias, possibilitando uma resposta rápida e eficaz, evitando a disseminação de surtos e minimizando o impacto sanitário.

Manejo nutricional: Dietas balanceadas, ricas em nutrientes de alta biodisponibilidade, associadas ao uso de aditivos funcionais, como probióticos e prebióticos, desempenham papel crucial no fortalecimento do sistema imunológico e na melhoria da resistência dos suínos às infecções respiratórias.

Considerações

As doenças respiratórias são um dos maiores desafios sanitários da suinocultura, especialmente durante o inverno, impactando diretamente a produtividade e o bem-estar dos animais. A implementação de estratégias preventivas integradas, com ênfase no manejo ambiental, controle da ventilação, imunização e manejo nutricional, é fundamental para minimizar os riscos sanitários e as perdas econômicas associadas. O investimento contínuo em biosseguridade, aliado ao monitoramento constante, é imprescindível para garantir a sustentabilidade e a eficiência dos sistemas de produção.

As referências bibliográficas estão com o autor. Contato: huillian.zecchin@vaccinar.com.br.

O acesso à edição digital do jornal Suínos é gratuita. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Mato Grosso consolida protagonismo na suinocultura com recordes de exportação em 2025

Estado acompanha desempenho histórico do Brasil, amplia presença em mercados internacionais e reforça sua força produtiva mesmo sem expansão do plantel.

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Foto: Divulgação

O ano de 2025 foi marcado por resultados expressivos para a suinocultura brasileira, impulsionados principalmente pelos recordes de exportação alcançados pelo país. Mato Grosso acompanha esse desempenho positivo e registra números históricos tanto em exportações quanto em abates, evidenciando a força de recuperação da atividade após os desafios enfrentados em 2022 e 2023.

Um dos marcos mais relevantes de 2025 foi o reconhecimento do Brasil como zona livre de febre aftosa sem vacinação. A conquista amplia as expectativas de abertura de novos mercados e reforça o trabalho sério e contínuo realizado pelo país, especialmente por Mato Grosso, na manutenção de um elevado status sanitário.

Outro destaque do ano foi a mudança no perfil dos compradores da carne suína brasileira. Tradicionalmente lideradas por China e Hong Kong, as exportações passaram a contar com maior protagonismo das Filipinas, além do fortalecimento de mercados exigentes como Japão, México e outros países.

Presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho: “Mesmo com o crescimento das exportações, o mercado interno não enfrentou desabastecimento. A produção seguiu equilibrada e acompanhou a expansão da demanda externa”

Segundo a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a produção nacional deve atingir 5,47 milhões de toneladas em 2025, alta de 2,0% em relação a 2024.

Mesmo com a expansão da oferta, os preços pagos ao produtor reagiram positivamente. Dados do Cepea mostram que, até o terceiro trimestre, as cotações ao produtor independente subiram 10,8% na comparação anual, sustentadas pela boa demanda.

No acumulado de janeiro a novembro, as exportações brasileiras de carne suína cresceram 10,8%, superando o volume de 2024 — que já havia sido um ano recorde. As Filipinas consolidaram-se como o principal destino, representando 24,5% da receita, seguidas por Japão, China e Chile.

De acordo com os dados compilados pelo Data Hub da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), as exportações de carne suína passaram de US$ 59,97 milhões entre janeiro e novembro de 2024 para US$ 68,55 milhões no mesmo intervalo de 2025. O setor manteve crescimento impulsionado pela ampliação de mercados compradores, sobretudo na Ásia.

“Mesmo com o crescimento das exportações, o mercado interno não enfrentou desabastecimento. A produção seguiu equilibrada e acompanhou a expansão da demanda externa. O cenário demonstra a capacidade produtiva do país: sempre que desafiado, o produtor brasileiro responde com eficiência, qualidade e volume, garantindo o atendimento dos mercados interno e internacional”, pontua o presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho.

Para 2026, o principal ponto de atenção do setor está relacionado aos custos de produção. O plantio da safra 2025/2026 ocorre de forma atrasada em função de problemas climáticos e da falta de chuvas, o que gera preocupação quanto à safrinha de milho no Centro-Oeste. O risco de menor produtividade e qualidade do grão acende um alerta, já que o milho representa um dos principais componentes do custo da suinocultura.

“Diante desse cenário, a orientação é para que os produtores estejam preparados para enfrentar possíveis elevações nos custos ao longo do ano. No mercado, a expectativa é de estabilidade tanto nos preços do suíno quanto no consumo interno e nas exportações, que devem permanecer firmes. Assim, o ambiente comercial tende a ser equilibrado, embora com atenção redobrada aos impactos dos custos de produção”, ressalta, Tannure.

Em Mato Grosso, mesmo sem crescimento significativo do plantel, a produção estadual continua em expansão, acompanhando a demanda e evitando desabastecimento. O desempenho reforça a resiliência e a força do produtor mato-grossense.

Fonte: Assessoria Acrismat
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Mercado do suíno inicia janeiro com variações moderadas

Cotações do suíno vivo registram altas e quedas pontuais entre estados, sem movimentos bruscos, segundo o Cepea.

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Foto: Freepik

Os preços do suíno vivo apresentaram comportamento misto nesta segunda-feira (05), conforme o Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq. Entre os principais estados produtores, as variações diárias foram moderadas, refletindo ajustes pontuais do mercado no início de janeiro.

Em Minas Gerais, na modalidade posto, o suíno foi cotado a R$ 8,44/kg, com queda de 0,24% no dia e leve alta acumulada de 0,12% no mês. No Paraná, na modalidade a retirar, o preço subiu 0,36% frente ao dia anterior, alcançando R$ 8,26/kg, embora ainda acumule recuo de 0,12% em janeiro.

No Rio Grande do Sul, a cotação recuou 0,60% no dia, para R$ 8,24/kg, registrando também a maior queda mensal entre os estados acompanhados, com baixa acumulada de 0,72%. Em Santa Catarina, o preço ficou em R$ 8,32/kg, com retração diária de 0,12% e queda de 0,36% no acumulado do mês.

Já em São Paulo, na modalidade posto, o suíno vivo foi negociado a R$ 8,91/kg, com recuo de 0,45% no dia e estabilidade no resultado mensal até o momento. Segundo o Cepea, o cenário indica um mercado ainda ajustando oferta e demanda no início do ano, sem movimentos bruscos nas cotações.

Fonte: Assessoria Cepea
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Suinocultura projeta 2026 com exportações em alta e margens sustentadas

Com demanda externa aquecida, preços firmes no mercado interno e crescimento moderado da produção, o setor deve ampliar embarques e manter rentabilidade ao produtor, segundo projeções do Cepea.

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Foto: Shutterstock

Após o bom desempenho registrado em 2025, a suinocultura brasileira mantém projeções otimistas para 2026. A ampliação da demanda externa somada ao crescimento moderado da produção e à manutenção de preços firmes devem assegurar margens atrativas ao longo do ciclo.

Cálculos do Cepea indicam cerca de 1,44 milhão de toneladas de carne suína embarcadas no próximo ano, o que representaria um crescimento de 6,3% sobre 2025.

Esses números podem, inclusive, melhorar a posição do Brasil no ranking dos maiores exportadores mundiais da proteína, desde 2023, o País ocupa o 3º lugar, conforme dados do USDA.

Foto: O Presente Rural

Segundo pesquisadores do Cepea, a expectativa é de abertura e consolidação de novos mercados, além da expansão do valor total exportado. Entre os parceiros comerciais do Brasil, as Filipinas devem continuar sendo o principal, adquirindo 7% a mais da carne suína nacional em 2026.

Já para a China, o 2º maior destino, o total embarcado deve seguir em queda, dada a demanda decrescente do país nos últimos anos – entre 2021 e a parcial de 2025, o total enviado ao país caiu mais de 70%.

Nas Américas, o México deve continuar ampliando a demanda por carne brasileira. No mercado doméstico, os preços podem seguir em patamares elevados no próximo ano. Ao mesmo tempo, estimativas do Cepea apontam que a dinâmica de menor volatilidade deve ser mantida – em 2025, as cotações permaneceram praticamente estáveis em algumas praças por quatro ou até seis semanas ininterruptas.

A expectativa de preços firmes se sustenta na continuidade da demanda aquecida. Segundo a ABPA, o consumo per capita da proteína suinícola é projetada em 19,5 quilos em 2026, incremento de 2,5% frente ao ano anterior.

Do lado da produção de carne suína, o Cepea estima aumento de 4%, chegando a 5,88 milhões de toneladas. Assim como em 2025, o Cepea projeta um bom ano ao produtor, favorecido pelos preços firmes do animal.

Fonte: Assessoria Cepea
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