Suínos
Doença do Edema amplia impactos silenciosos na suinocultura e exige estratégias preventivas
Presença da Verotoxina pode comprometer desempenho produtivo mesmo sem sinais clínicos, elevando perdas econômicas nas granjas.

Artigo escrito por Daniela Bruna Ferrandin, global Product Manager Latam Hipra; Rafael Cé Viott, technical Services Hipra
A Doença do Edema (DE) é tradicionalmente reconhecida como uma enfermidade que acomete leitões após o desmame, sendo causada por cepas patogênicas de Escherichia coli (E. coli) que colonizam o intestino delgado e possuem a capacidade de produzir a toxina Shiga 2e, também conhecida como Verotoxina 2e (Vt2e). Essas cepas são transmitidas principalmente pela via fecal-oral, a partir de um ambiente previamente contaminado, por meio de água, alimento ou equipamentos, o que torna sua disseminação dentro das granjas um desafio constante.
Uma vez produzida, a Verotoxina tem a capacidade de atravessar a barreira intestinal e alcançar a corrente sanguínea, onde se liga a receptores específicos presentes nas células endoteliais dos vasos sanguíneos. Essa ligação desencadeia uma série de lesões que resultam em extravasamento de líquidos e formação de edemas em diferentes tecidos e órgãos. Os sinais clínicos clássicos da Doença do Edema incluem inchaço das pálpebras e da face, espirros, dificuldade respiratória, incoordenação motora e, em muitos casos, morte súbita de leitões, com ou sem manifestação prévia de sinais clínicos.

Figura1 : Graduação de necrose de orelha presente em leitões vacinados.
A enfermidade ocorre com maior frequência entre 3 e 10 dias pós-desmame, podendo também afetar animais nas semanas finais da fase de creche e início de terminação. A mortalidade pode variar de 10% a 30% nos surtos clínicos, podendo ultrapassar 50% em casos agudos não controlados. Essas perdas diretas, somadas à redução no ganho de peso e ao aumento da variabilidade entre lotes, geram impactos econômicos expressivos sobre a rentabilidade da produção.
No entanto, a manifestação clínica representa apenas a face mais visível de uma condição muito mais complexa. A Verotoxina também pode desencadear uma enterotoxemia subclínica, atualmente reconhecida como Síndrome Associada à Verotoxina (SAV). Nessa forma, os animais aparentam estar saudáveis, mas sofrem com alterações intestinais e vasculares silenciosas, resultando em perdas produtivas significativas. Estudos demonstram que baixas concentrações da toxina são capazes de comprometer a permeabilidade e a integridade da mucosa intestinal, reduzindo a absorção de nutrientes, a eficiência alimentar e o ganho de peso.
Além disso, as lesões vasculares e intestinais provocadas pela Verotoxina aumentam a suscetibilidade a infecções bacterianas secundárias, devido à perda da barreira epitelial intestinal. Em nível vascular, a toxina pode induzir microangiopatia trombótica, interferindo na coagulação sanguínea e resultando em isquemia e necrose de extremidades como cauda e orelhas — sinais de causas multifatoriais, frequentemente subestimados, mas que refletem o dano sistêmico provocado pela toxina.

Tabela1 : Peso de abate de leitões vacinados.
Detecção e controle
A detecção da Verotoxina pode ser realizada de maneira prática e não invasiva, por meio da coleta de fluido oral ou amostras de fezes, permitindo identificar lotes sob risco mesmo na ausência de sinais clínicos. A confirmação da presença da toxina é um indicador direto da circulação de cepas patogênicas de E. coli, orientando a necessidade de adoção de medidas de controle específicas e direcionadas.
Entre as estratégias disponíveis, a vacinação específica contra a Verotoxina tem se mostrado a ferramenta mais eficaz para prevenir tanto a formas clínica da DE quanto as manifestações da síndrome. Diversos estudos comprovam o efeito positivo da vacina inativada e altamente segura, desenvolvida especificamente para proteger os suínos contra os efeitos da Verotoxina 2e. Além da redução direta na mortalidade associada à DE durante a fase de creche, pesquisas recentes demonstraram que a vacinação tem reflexos positivos também na fase de terminação.
Leitões vacinados e desafiados pela Verotoxina apresentaram melhor desempenho produtivo, com 3,05 kg a mais de peso de abate em comparação aos animais não vacinados. Ainda, a incidência de lesões de necrose de orelha foi significativamente menor nos animais vacinados (15,74%) em relação ao grupo controle (36,12%), evidenciando o impacto sistêmico positivo da imunização.

Figura 2 : Diagnóstico da presença de Verotoxina em fluído oral.
Esses resultados reforçam que a Doença do Edema deve ser compreendida não apenas como uma condição clínica isolada, mas como parte de uma síndrome multifatorial associada à Verotoxina, capaz de comprometer simultaneamente a saúde intestinal, o equilíbrio vascular e o desempenho zootécnico dos suínos. O controle efetivo dessa síndrome só é possível com a vacinação específica para a Verotoxina, que atua prevenindo tanto os efeitos clínicos quanto os subclínicos da enterotoxemia, proporcionando uma produção mais estável, saudável e rentável.
Mais do que tratar sintomas, a vacinação representa a base de uma estratégia preventiva moderna, científica e eficaz contra a Síndrome Associada à Verotoxina.

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Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso
Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.
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Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores
Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.
A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”
Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.
A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.
Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.
Recomeço em outro país
Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.
O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”
A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.
A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.
Escola, trabalho e novas oportunidades
Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.
A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida
Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.
Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.
A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.
Reconhecimento e qualidade de vida
Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.
A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.
O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.
Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.
Integração além da porteira
Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.
Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.
O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.
Planos para ficar
Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.
Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.
Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.
A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.
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Da creche à sustentabilidade, 6º Encontro Técnico Abraves-SP apresenta estratégias para aumentar eficiência das granjas
Evento em Pirassununga (SP) vai discutir manejo de leitões leves, sanidade, nutrição e sistemas de produção para apoiar decisões técnicas na suinocultura.

Melhorar a produtividade sem comprometer a sanidade do rebanho exige decisões técnicas em todas as etapas da produção. Manejo de leitões, nutrição, biosseguridade e gestão dos sistemas de criação estão entre os fatores que determinam o desempenho das granjas e influenciam diretamente os custos e os resultados da atividade.
Diante desse cenário, a atualização técnica tornou-se uma ferramenta cada vez mais importante para médicos-veterinários, zootecnistas, consultores e produtores, que precisam incorporar novos conhecimentos à rotina das granjas.
Esses temas estarão em debate no 6º Encontro Técnico Abraves-SP, que será realizado em 09 de setembro, no campus da Universidade de São Paulo (USP), reunindo profissionais da cadeia suinícola para discutir soluções aplicáveis aos sistemas de produção.
Entre os destaques da programação está a palestra do médico-veterinário Vinícius Cantarelli, que abordará estratégias de manejo de leitões leves na fase de creche, uma etapa decisiva para o desempenho dos animais ao longo do ciclo produtivo.
O médico-veterinário Caio Abércio da Silva discutirá a sustentabilidade dos sistemas de produção, apresentando abordagens voltadas à eficiência técnica, econômica e ambiental da suinocultura.
Promovido pela regional paulista da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (ABRAVES), o encontro busca aproximar pesquisa científica e prática de campo, oferecendo aos participantes ferramentas para aprimorar a tomada de decisão nas granjas.
A programação completa e as inscrições estão disponíveis aqui.







