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Documentário celebra 105 anos da pesquisa agropecuária gaúcha
Lançado no último sábado (24), durante a 47ª Expointer, foram oito meses desde a concepção até a realização.

O que era para ser um simples “videozinho” transformou-se em um documentário de 47 minutos: “105 anos da Pesquisa Agropecuária Gaúcha”. Lançado no último sábado (24), durante a 47ª Expointer, foram oito meses desde a concepção até a realização. Pesquisa, entrevistas, viagens, surpresas e desafios. E muita união entre as equipes da Assessoria de Comunicação Social (Ascom), principalmente do setor de Criação; e do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA) da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).
Segundo a chefe da Divisão de Pesquisa do DDPA, engenheira agrônoma Maria Helena Fermino, a ideia surgiu em outubro do ano passado, quando estavam organizando o canal do Departamento no Youtube com todas as apresentações, reportagens e eventos. “Então, o pesquisador Rodrigo Favreto sugeriu fazer um vídeo para atualizar o conteúdo. Levei a demanda para a Ascom, pedindo um videozinho. Mas, como somos apaixonados pelo que fazemos, começamos a contar a história da pesquisa agropecuária, que completou 105 anos dia 30 de maio deste ano. Os colegas da Ascom também se apaixonaram pelo assunto e pediram um prazo para apresentar uma proposta”, relembra Maria Helena.
Nascia então a ideia do documentário. “Quando nos mostraram, ficamos emocionados com a delicadeza e sensibilidade dos colegas de entenderem a grandeza da pesquisa agropecuária oficial do Estado”, relembra Maria Helena. A partir daí, em conjunto, começaram a fazer o roteiro, que inclui os homens e mulheres pioneiros na pesquisa, que iniciou em 1919, em Veranópolis. “Nessa época, havia pouquíssimas instituições de pesquisa. Para termos uma ideia, a Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) tem 125 anos”, explica a engenheira agrônoma.
“Então, fomos resgatando aqueles nomes, as pesquisas que faziam desde 1919 até os dias atuais. Hoje somos detentores de um legado muito rico”, comenta Mara Helena. “Demos continuidade à maioria dos estudos desses pioneiros. Ainda pesquisamos trigo, mandioca, soja; temos coleções maravilhosas de árvores frutíferas e florestais, coleções muito grandes de insetos, de exsicatas (banco de informações para identificar plantas, por estudo e por comparação), de sementes. Temos ainda áreas com bioma Pampa, às quais protegemos e pesquisamos a respeito”, conta com orgulho.
Conforme Maria Helena, existem hoje no DDPA 12 áreas de pesquisa (em 12 centros), com 140 projetos. “É claro que o impacto que aquelas pesquisas lá atrás causavam era proporcionalmente maior do que as que realizamos hoje, porque atualmente somos muitas instituições a fazer pesquisa no Estado”. De acordo com a engenheira agrônoma, o Rio Grande do Sul é um dos estados do Brasil que mais possui instituições de pesquisas agropecuárias.
Quando Maria Helena assistiu ao documentário pela primeira vez, não conteve as lágrimas. “Fiquei muito emocionada. Porque quando a gente conversou para fazer o roteiro, sobre quem seria entrevistado, pensamos que seria bom se tivesse alguém de antigamente para dar entrevista, e aquilo foi crescendo e se transformou no seu Desi, ou Desidério Anacreonte Jardim Beckman da Silva, o personagem que narra a história e que interpreta um pesquisador viajante no tempo. O nome é a composição de nomes de alguns pesquisadores pioneiros e que muito contribuíram para os resultados nas primeiras décadas da pesquisa agropecuária oficial. E quando o vi na tela e o ouvi, fique muito emocionada, porque tudo ficou muito lindo”, disse com a voz embargada.
“Como detentores desse legado e apaixonados pelo que fazemos, sabemos o valor que isso tem. Quando vi o documentário, imaginei aqueles pioneiros chegando aos centros de pesquisas, começando do nada, enfrentando todas as dificuldades que, em tese, são semelhantes às que ainda enfrentamos hoje”, destacou Maria Helena. “Também me emocionei com a fala dos colegas porque eu os conheço e sei da paixão e dedicação que eles carregam pela profissão. E a gente sente que eles falam com amor, respeito, responsabilidade. E isso é impagável”.
Maria Helena espera que o documentário seja assistido pela população em geral, para que conheçam todo esse legado da pesquisa agropecuária gaúcha. “Porque a pesquisa ainda está longe do cidadão comum. Ele não tem percepção de onde vem e como é feito quase tudo que chega à sua casa e à sua mesa. E somos nós que estamos na raiz disso. Nós contribuímos muito com isso”, ressalta. “E também espero que os demais colegas da Seapi, da Emater/RS-Ascar, e os governantes assistam e se sensibilizem com o assunto”.
Para o diretor do DDPA, Caio Efrom, o documentário é uma pequena parte da história desses 105 anos de pesquisa agropecuária estadual e também da continuação
deste legado, executado atualmente pelos servidores do DDPA/Seapi. “É um trabalho muito bem editorado pela equipe de Comunicação, que nos emociona, pois somos sabedores dos diversos desafios enfrentados e que até hoje são vencidos com muita dedicação, resiliência e perseverança”, define.
Sobre o documentário
O audiovisual “105 anos da Pesquisa Agropecuária Gaúcha” tem direção e roteiro do jornalista Rodrigo “dMart” Martins; edição e pós-edição do publicitário Eduardo Patron; produção do repórter fotográfico Fernando Dias, junto com Martins e Patron. A apresentação é feita pelo ator Deodoro Gomes, que interpreta o seu Desi.
De acordo com Martins, sua atuação nesse trabalho mescla o jornalismo e a produção cultural. “Quando recebemos a demanda do DDPA, em outubro de 2023, começamos a tecer ideias a respeito. Pensamos em transformar um assunto técnico, como a pesquisa científica, em uma comunicação mais popular, lúdica, de fácil entendimento para a sociedade. Foi então que nasceu a ideia de ter um narrador para o documentário, um pesquisador viajante no tempo, para contar a história desde 1919, em Veranópolis, até os dias atuais. Para fazer essa costura na narrativa desse vídeo institucional, mas que traz elementos ficcionais”, explica. “Ele representa uma amálgama de vários pesquisadores inovadores que fomos encontrando na hora de pesquisar o material para fazer o roteiro e tecer o argumento para essa história”.
Martins relembra que, depois de aprovada a ideia, era hora de pensar no roteiro, que foi finalizado entre novembro e dezembro do ano passado. A partir disso iniciou a pré-produção. “Alinhavamos os lugares em que iríamos gravar, elaboramos um cronograma de atividades, pensamos no figurino para a gravação. E definimos, junto com o DDPA, os municípios nos quais iríamos gravar”, conta o diretor. “Eles foram escolhidos por causa de sua relevância histórica para a pesquisa agropecuária. As gravações externas ocorreram, então, no Centro de Hulha Negra, perto de Bagé, onde foi o início da Trigolândia (pesquisa com trigo); Veranópolis, onde nasce a pesquisa gaúcha, em 30 de maio de 1919, hoje Centro de Fruticultura; e Eldorado do Sul, no IPVDF, pela relevância de suas vacinas contra a febre aftosa, entre outros estudos, desde 1940”.
Segundo Martins, também foi montado no Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa Agronômica (Ceagro), em Porto Alegre, prédio da antiga Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), um cenário que serviu para as entrevistas. “De janeiro a meados de abril de 2024, ocorreram as gravações, primeiro as externas, no interior do Estado, depois na Capital”.
Foram realizadas 45 entrevistas, com oito horas e trinta minutos de duração; mais de 10 horas de imagens brutas, feitas com drone, duas câmeras fotográficas, celulares, GoPro (câmera de ação); além de imagens de acervo; fotografias do repórter fotográfico da Ascom/Seapi, Fernando Dias; imagens cedidas pela neta do pesquisador Ivar Beckman, Heloisa Beckman, pelo Museu Dom Diogo de Souza, de Bagé, da “Primeira Festa do Trigo”, realizada em 1951.
“Com tudo isso, fizemos a edição e pós-produção de todo o material, finalizado em maio e junho para entregar o documentário de 47 minutos de duração. Esse
trabalho foi criado, produzido e realizado internamente pelas equipes da Ascom e do DDPA da Seapi, feito com equipamentos próprios e a experiência dos profissionais envolvidos”, pontua Martins. “Além de equipamentos próprios, pois vestimos a camiseta e apostamos na importância da pesquisa agropecuária gaúcha, de mostrar e promover esse legado, tanto no aspecto histórico, quanto no educativo”.
Martins explica que era importante cumprir o cronograma estabelecido e conseguir o melhor resultado possível. “Ele atrasou um pouco, principalmente por causa da tragédia climática de maio. Era para ter sido finalizado entre maio e início de junho, mas ficou pronto no final de junho. Enfrentamos chuva e sol. Mas houve muita colaboração de todos os colegas de todos os centros. Apoios de amigos em Veranópolis, de empresa de turismo de Bento Gonçalves, onde gravamos cenas na Maria Fumaça no espaço gentilmente cedido. Foi uma soma de esforços para obter o conteúdo final, uma melhor entrega possível”, conta.
Para o diretor, o documentário “é uma fundamental peça de resistência, de promoção, divulgação e resgate histórico da pesquisa agropecuária do Rio Grande do Sul, além de ser um material educativo, de resiliência e de renovação de um olhar da comunidade gaúcha, nacional e até internacional e científica sobre o que foi, está sendo e pode ser feito em termos de pesquisa, educação e cultura no Estado”.
Martins destaca ainda a importante participação do médico-veterinário e escritor gaúcho, Alcy Cheuiche, que foi Patrono da 52ª Feira do Livro de Porto Alegre, em 2006. “Ele tem trabalhos sobre a literatura gaúcha, livros sobre a história agropecuária do Estado, sobre os Sete Povos das Missões, editou, de 1981 a 2014, durante 33 anos, a revista de ensino pós-universitário ‘A Hora Veterinária’, com ampla penetração em todo o Brasil. Ele colaborou com o olhar da cultura, para que a gente enriquecesse o conteúdo desse trabalho. Isso agrega uma faceta multidisciplinar e multicultural a esse documentário”, acredita.
“Para mim foi um grande desafio fazer esse documentário. Foi um dos melhores trabalhos que já fiz na área pública como comunicador, artista, e diretor de documentários em mais de 22 anos de carreira. Produzir audiovisual não faz parte da nossa rotina na Ascom. É uma jornada, um desfio bem maior que necessitou persistência, organização, planejamento e, mais do que tudo, um trabalho de equipe. Se todos não tivessem concordado com a ideia, esse trabalho não seria realizado”, afirma Martins.
Ele informa que o documentário deve ser veiculado em redes de televisão abertas, em plataformas de vídeo como o Youtube e nos centros de pesquisa do DDPA/Seapi, entre outros espaços e instituições. “O importante é que a sociedade gaúcha veja com outro olhar o trabalho de pesquisa, ciência e educação feita na área pública. Que saibam a qualidade imensa e inovadora que há na área e que, muitas vezes, estimula e gera indústrias e mercados”.
Para o publicitário Eduardo Patron, também foi um desafio “enorme” participar desse documentário. “Foi o maior trabalho de audiovisual que eu já fiz até hoje em 25 anos de profissão. O material inicial foi de duas horas, transformado em 47 minutos. Aprendi muito, tanto na área publicitária e de produção, quanto sobre a pesquisa agropecuária gaúcha”, comenta. “Acredito que a maioria das pessoas não faz ideia da diversidade da pesquisa aqui no Estado. Comecei a perceber a importância de uma área que até então era desconhecida. E que são pesquisas de vanguarda dentro de uma secretaria de Estado”, define;
Patron também fez questão de destacar o envolvimento da equipe dos servidores da Seapi. “Contamos com os pesquisadores para nos orientar e com os colegas da Ascom, além do ator e colega Deodoro Gomes, um decano das artes cênicas do Rio Grande do Sul. Uma equipe ajustada, que foi primordial para chegarmos ao resultado final”.
Por sua vez, o fotógrafo Fernando Dias afirmou que as ideias de todos se complementaram para a construção do documentário. “Como trabalhei 14 anos na
pesquisa, principalmente no campo e em laboratórios, sei bem quais são as dificuldades. Eu me senti bem-recebido e honrado em participar dessa jornada”.
Ele ressaltou que, como repórter fotográfico, sempre esteve em contato com os pesquisadores, sabendo que era muito importante a fotografia dentro de uma pesquisa. “E isso facilitou esse trabalho, porque a gente conseguiu, através da nossa visão junto aos pesquisadores, ajudar na produção do audiovisual a identificar algumas imagens. A pesquisa precisa muito da documentação de imagem. E nós necessitamos de ciência e de pesquisa”.
Para o ator, produtor cultural e assessor da Ascom/Seapi, Deodoro Gomes, foi um prazer muito grande e uma surpresa poder participar desse documentário. “Faço teatro há quase 50 anos em Porto Alegre e fazia mais de 30 anos que não atuava. Então, foi um desafio muito grande para mim. Mas a insistência dos colegas da Criação me instigaram a aceitar o papel. Acho que o resultado foi bom”, acredita.
Ele comenta que andaram por vários lugares antes de gravar. “Fiquei surpreso com o que tem sido feito nos centros de pesquisa do DDPA.É fantástico o que conseguem fazer com um número pequeno de servidores, o entusiasmo dessa gente é uma loucura. Foi um desafio maior mostrar a importância da ciência para nossa agricultura. Esse documentário me deixou animado para participar de um outro desafio que terei logo em seguida: participar, junto com uma comissão, da criação do Museu da Agricultura do Rio Grande do Sul”.

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Geopolítica, clima e logística entram no centro do debate da cadeia da soja
Seminário em Londrina (PR) vai reunir especialistas para discutir os desafios que podem definir a competitividade da soja brasileira nos próximos anos. As inscrições são gratuitas.

A relação comercial entre Brasil e China, os impactos das mudanças climáticas, os gargalos logísticos e a descarbonização da produção estarão entre os principais temas do 8º Seminário Desafios da Liderança Brasileira no Mercado Mundial de Soja, que será realizado nos dias 04 e 05 de agosto, na Embrapa Soja, em Londrina (PR).

Foto: R.R.Rufino/Embrapa Soja
O evento vai reunir cerca de 150 participantes, entre pesquisadores, técnicos, representantes da indústria, produtores rurais e especialistas da cadeia da soja. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site do seminário, enquanto houver vagas.
Segundo o pesquisador Marcelo Álvares de Oliveira, da Embrapa Soja, a programação foi estruturada para discutir fatores que influenciam diretamente a competitividade do setor. “Vamos debater a geopolítica e a relação comercial entre Brasil e China, além dos desafios e oportunidades da cadeia da soja brasileira. Também teremos discussões sobre cultivares adaptadas às mudanças climáticas, logística, descarbonização e o papel do biodiesel na sustentabilidade da produção”, afirma.
Para Daniel Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, manter a liderança brasileira no mercado internacional depende não apenas do volume produzido, mas também da qualidade do produto.”Preservar nossa liderança exige um debate técnico constante sobre a qualidade da soja brasileira. Garantir um produto de alto

Foto: Shutterstock
padrão para as indústrias nacional e internacional de óleos e farelos é o que realmente define a competitividade do setor”, destaca.
O seminário é promovido pela Embrapa Soja em parceria com entidades representativas da produção, da indústria e da exportação de grãos, entre elas Abiove, Anec, Aprosoja Brasil, CNA, Sistema OCB e Sindirações.
Brasil amplia liderança
O encontro ocorre em um momento de expansão da produção brasileira. Na safra 2025/26, o país colheu 180 milhões de toneladas de soja, em uma área próxima de 48 milhões de hectares, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No mesmo período, os Estados Unidos produziram 116 milhões de toneladas.
Além da produção recorde, o processamento industrial também segue em crescimento. A Abiove estima que o Brasil processe 63 milhões de toneladas de soja em 2026, com produção de 48,6 milhões de toneladas de farelo e 12,65 milhões de toneladas de óleo de soja.
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El Niño pode encher os silos e esvaziar as margens
Pesquisa aponta que o clima deve favorecer a produção agrícola, enquanto a maior oferta tende a pressionar as cotações das commodities.

O El Niño previsto para o ciclo 2026/2027 tem potencial para se tornar um dos eventos climáticos mais intensos da última década. Para a agricultura da América Latina, especialmente no Brasil e na Argentina, o fenômeno pode favorecer a produção de grãos e oleaginosas, mas também trazer um efeito colateral: mais oferta no mercado e menor rentabilidade para o produtor.

Foto: Fernando Dias
A avaliação é da Allianz Research, divisão de pesquisa macroeconômica da Allianz Trade, que analisou os impactos econômicos do fenômeno climático sobre diferentes regiões do mundo. Confira aqui o estudo completo.
Com base em episódios anteriores de El Niño, o estudo mostra que a produção agrícola brasileira tende a superar a média histórica. Em 2015, por exemplo, a safra de soja ficou cerca de 4% acima da tendência dos cinco anos anteriores, enquanto a produção de café arábica registrou desempenho aproximadamente 5% superior ao esperado.
Segundo os pesquisadores, o aumento das chuvas no Sul da América do Sul favorece o desenvolvimento das lavouras e amplia a oferta de alimentos. No entanto, esse crescimento da produção pode pressionar as cotações das commodities agrícolas, reduzindo a margem dos produtores.
Outro desafio apontado pelo levantamento é a capacidade de armazenagem. Em anos de safra cheia, a oferta elevada

Foto: Shutterstock
tende a ocupar rapidamente os silos, elevando os custos de estocagem tanto para produtores quanto para tradings.
Efeitos diferentes dentro do Brasil
Embora o El Niño favoreça boa parte das áreas agrícolas do Centro-Sul, seus efeitos não são uniformes. O estudo destaca que a Região Norte e a Amazônia podem enfrentar períodos de seca mais severos, com reflexos sobre a navegação fluvial, a geração de energia hidrelétrica e o abastecimento de alimentos.
Esse cenário também pode exercer pressão sobre a inflação em países como Brasil, Colômbia e Peru, principalmente por impactos na logística e nos custos de produção.
Oferta maior e preços menores
No mercado internacional, a expectativa é que o aumento da produção de soja e milho na América Latina contribua para ampliar a oferta global de alimentos e aliviar parte das pressões inflacionárias observadas em outras regiões.
Por outro lado, exportadores brasileiros podem se beneficiar do maior volume embarcado, enquanto indústrias processadoras e empresas expostas à volatilidade das commodities agrícolas tendem a enfrentar um ambiente mais desafiador diante da possibilidade de queda nos preços.
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Frete rodoviário terá novas regras, mas sem piso nacional para caminhoneiros
Proposta amplia as penalidades para quem descumprir o piso do frete, altera as regras de fiscalização e prevê atualização semestral da tabela de preços.

O piso salarial nacional de R$ 5 mil para caminhoneiros de longa distância ficou fora da versão final da Medida Provisória nº 1343/2026 que atualiza as regras do frete rodoviário. Aprovado pelo Senado, o texto segue para sanção presidencial com mudanças no cálculo do piso mínimo do frete, na fiscalização do transporte de cargas e nas penalidades aplicadas ao setor.

Foto: Geraldo Bubniak
A previsão de uma remuneração mínima mensal não fazia parte da proposta original do governo. O dispositivo foi incluído durante a tramitação na Câmara dos Deputados, mas acabou retirado pelo Senado sob o entendimento de que o tema não tinha relação direta com o conteúdo da medida provisória.
Com isso, a remuneração dos motoristas profissionais de longa distância continuará sendo definida por acordos e convenções coletivas de trabalho.
Anistia a multas
Além das mudanças nas regras do frete, a proposta concede anistia a caminhoneiros multados por bloqueios em rodovias durante as manifestações de 2022. O perdão das penalidades foi incluído durante a tramitação da medida provisória no Congresso.
O texto também transforma em advertência as multas aplicadas até a publicação da futura lei por descumprimento

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das regras do piso mínimo do frete, como o pagamento abaixo dos valores previstos na Lei nº 13.703/2018. A medida vale para processos ainda em andamento, penalidades sem decisão definitiva e multas que ainda não foram quitadas.
A conversão não se aplica a casos de fraude, uso de documentos falsos ou omissão deliberada de informações. Também não haverá devolução de valores já pagos. O direito dos transportadores de cobrar diferenças de frete e indenizações previstas em lei permanece assegurado.
Além das anistias, a proposta promove uma ampla atualização da legislação do transporte rodoviário de cargas. Entre as principais mudanças estão novos critérios para o cálculo do piso mínimo do frete, atualização semestral da tabela de referência, reforço da fiscalização, endurecimento das penalidades para quem pagar abaixo do piso, novas regras para o cadastro de transportadores e alterações na fiscalização do peso dos caminhões.

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Frete mínimo
O projeto altera as regras de cálculo dos pisos mínimos do transporte rodoviário de cargas. A tabela deverá considerar os custos operacionais da atividade, como os relacionados a combustível, manutenção, pneus, seguros, tributos, salários e tempo de carga e descarga.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) poderá firmar parceria com a Infra S.A. para elaborar os cálculos dos pisos. O texto também atualiza conceitos da legislação e cria a definição de veículo de carga de pequeno porte (com capacidade útil superior a 500 quilos e peso bruto total de até 3,5 toneladas) e a de carga a granel pressurizada (categoria utilizada para determinados tipos de transporte especializado).
A atualização da tabela de frete deverá ser semestral. Quando houver variação igual ou superior a 5% no preço dos combustíveis, a ANTT deverá publicar os novos valores em até três dias úteis.
Fiscalização
O texto aprovado também altera regras de fiscalização, cadastro e penalidades no transporte de cargas. Empresas que

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pagarem frete abaixo do piso mínimo poderão ter o registro suspenso em caso de descumprimento reiterado (com mais de quatro infrações em seis meses). As multas para reincidentes poderão variar de R$ 100 mil a R$ 1 milhão e, em caso de nova reincidência, poderão ser aplicadas em dobro. Nos casos mais graves, o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) poderá ser cancelado por até 24 meses.
A proposta mantém a obrigatoriedade do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), estabelece prazo de até 30 dias úteis para pagamento do frete e prevê adiantamento mínimo de 70% para transportadores autônomos. O texto também determina a revalidação anual do RNTRC e permite que inscrição, atualização e manutenção do cadastro sejam feitas gratuitamente por plataforma digital do governo federal.

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A medida também altera as regras de fiscalização do peso dos veículos de carga. Para caminhões com peso bruto total regulamentar (definido pela regulamentação) de até 74 toneladas, a verificação deverá considerar inicialmente apenas o peso total do veículo. A medição por eixo será feita quando houver excesso acima da tolerância de 5% no peso bruto total ou em situações específicas definidas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). O limite de tolerância para o peso por eixo permanece em 12,5% acima do permitido.
Segundo o texto, a regra busca adequar a verificação às características das operações de transporte, preservando a segurança nas rodovias e a conservação do pavimento. A proposta também prevê inspeções periódicas dos registradores de velocidade e tempo, e permite o uso dos dados do tacógrafo como prova de infrações por excesso de velocidade.
Além disso, o texto transforma em advertência as infrações administrativas relacionadas ao excesso de peso por eixo cometidas até a publicação da lei resultante da proposta. A medida alcança processos em andamento, penalidades sem decisão definitiva e multas aplicadas que ainda não tenham sido pagas. Valores já quitados não serão devolvidos.
Outros pontos
Na área previdenciária, o transportador autônomo poderá optar por recolher diretamente sua contribuição ao

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Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), desde que formalize a escolha. Com a adesão ao modelo, o próprio profissional passa a ser responsável pelo recolhimento, sem alteração das demais obrigações previdenciárias das empresas contratantes.
A MP amplia os objetivos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Transporte de Cargas Nacional (Procargas), que poderá apoiar iniciativas de renovação de caminhões e implementos rodoviários, capacitação de motoristas, adoção de tecnologias e ações de saúde e segurança. O texto também cria uma Política Nacional Permanente de Renovação da Frota, com prioridade para transportadores autônomos e cooperativas.
As novas regras terão período de transição. Sistemas, registros e autorizações atuais continuarão válidos até a regulamentação das mudanças, que deverá ser feita em até 180 dias. Empresas e transportadores terão prazo mínimo de 60 dias para adaptação às novas obrigações.




