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Documentário celebra 105 anos da pesquisa agropecuária gaúcha
Lançado no último sábado (24), durante a 47ª Expointer, foram oito meses desde a concepção até a realização.

O que era para ser um simples “videozinho” transformou-se em um documentário de 47 minutos: “105 anos da Pesquisa Agropecuária Gaúcha”. Lançado no último sábado (24), durante a 47ª Expointer, foram oito meses desde a concepção até a realização. Pesquisa, entrevistas, viagens, surpresas e desafios. E muita união entre as equipes da Assessoria de Comunicação Social (Ascom), principalmente do setor de Criação; e do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA) da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).
Segundo a chefe da Divisão de Pesquisa do DDPA, engenheira agrônoma Maria Helena Fermino, a ideia surgiu em outubro do ano passado, quando estavam organizando o canal do Departamento no Youtube com todas as apresentações, reportagens e eventos. “Então, o pesquisador Rodrigo Favreto sugeriu fazer um vídeo para atualizar o conteúdo. Levei a demanda para a Ascom, pedindo um videozinho. Mas, como somos apaixonados pelo que fazemos, começamos a contar a história da pesquisa agropecuária, que completou 105 anos dia 30 de maio deste ano. Os colegas da Ascom também se apaixonaram pelo assunto e pediram um prazo para apresentar uma proposta”, relembra Maria Helena.
Nascia então a ideia do documentário. “Quando nos mostraram, ficamos emocionados com a delicadeza e sensibilidade dos colegas de entenderem a grandeza da pesquisa agropecuária oficial do Estado”, relembra Maria Helena. A partir daí, em conjunto, começaram a fazer o roteiro, que inclui os homens e mulheres pioneiros na pesquisa, que iniciou em 1919, em Veranópolis. “Nessa época, havia pouquíssimas instituições de pesquisa. Para termos uma ideia, a Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) tem 125 anos”, explica a engenheira agrônoma.
“Então, fomos resgatando aqueles nomes, as pesquisas que faziam desde 1919 até os dias atuais. Hoje somos detentores de um legado muito rico”, comenta Mara Helena. “Demos continuidade à maioria dos estudos desses pioneiros. Ainda pesquisamos trigo, mandioca, soja; temos coleções maravilhosas de árvores frutíferas e florestais, coleções muito grandes de insetos, de exsicatas (banco de informações para identificar plantas, por estudo e por comparação), de sementes. Temos ainda áreas com bioma Pampa, às quais protegemos e pesquisamos a respeito”, conta com orgulho.
Conforme Maria Helena, existem hoje no DDPA 12 áreas de pesquisa (em 12 centros), com 140 projetos. “É claro que o impacto que aquelas pesquisas lá atrás causavam era proporcionalmente maior do que as que realizamos hoje, porque atualmente somos muitas instituições a fazer pesquisa no Estado”. De acordo com a engenheira agrônoma, o Rio Grande do Sul é um dos estados do Brasil que mais possui instituições de pesquisas agropecuárias.
Quando Maria Helena assistiu ao documentário pela primeira vez, não conteve as lágrimas. “Fiquei muito emocionada. Porque quando a gente conversou para fazer o roteiro, sobre quem seria entrevistado, pensamos que seria bom se tivesse alguém de antigamente para dar entrevista, e aquilo foi crescendo e se transformou no seu Desi, ou Desidério Anacreonte Jardim Beckman da Silva, o personagem que narra a história e que interpreta um pesquisador viajante no tempo. O nome é a composição de nomes de alguns pesquisadores pioneiros e que muito contribuíram para os resultados nas primeiras décadas da pesquisa agropecuária oficial. E quando o vi na tela e o ouvi, fique muito emocionada, porque tudo ficou muito lindo”, disse com a voz embargada.
“Como detentores desse legado e apaixonados pelo que fazemos, sabemos o valor que isso tem. Quando vi o documentário, imaginei aqueles pioneiros chegando aos centros de pesquisas, começando do nada, enfrentando todas as dificuldades que, em tese, são semelhantes às que ainda enfrentamos hoje”, destacou Maria Helena. “Também me emocionei com a fala dos colegas porque eu os conheço e sei da paixão e dedicação que eles carregam pela profissão. E a gente sente que eles falam com amor, respeito, responsabilidade. E isso é impagável”.
Maria Helena espera que o documentário seja assistido pela população em geral, para que conheçam todo esse legado da pesquisa agropecuária gaúcha. “Porque a pesquisa ainda está longe do cidadão comum. Ele não tem percepção de onde vem e como é feito quase tudo que chega à sua casa e à sua mesa. E somos nós que estamos na raiz disso. Nós contribuímos muito com isso”, ressalta. “E também espero que os demais colegas da Seapi, da Emater/RS-Ascar, e os governantes assistam e se sensibilizem com o assunto”.
Para o diretor do DDPA, Caio Efrom, o documentário é uma pequena parte da história desses 105 anos de pesquisa agropecuária estadual e também da continuação
deste legado, executado atualmente pelos servidores do DDPA/Seapi. “É um trabalho muito bem editorado pela equipe de Comunicação, que nos emociona, pois somos sabedores dos diversos desafios enfrentados e que até hoje são vencidos com muita dedicação, resiliência e perseverança”, define.
Sobre o documentário
O audiovisual “105 anos da Pesquisa Agropecuária Gaúcha” tem direção e roteiro do jornalista Rodrigo “dMart” Martins; edição e pós-edição do publicitário Eduardo Patron; produção do repórter fotográfico Fernando Dias, junto com Martins e Patron. A apresentação é feita pelo ator Deodoro Gomes, que interpreta o seu Desi.
De acordo com Martins, sua atuação nesse trabalho mescla o jornalismo e a produção cultural. “Quando recebemos a demanda do DDPA, em outubro de 2023, começamos a tecer ideias a respeito. Pensamos em transformar um assunto técnico, como a pesquisa científica, em uma comunicação mais popular, lúdica, de fácil entendimento para a sociedade. Foi então que nasceu a ideia de ter um narrador para o documentário, um pesquisador viajante no tempo, para contar a história desde 1919, em Veranópolis, até os dias atuais. Para fazer essa costura na narrativa desse vídeo institucional, mas que traz elementos ficcionais”, explica. “Ele representa uma amálgama de vários pesquisadores inovadores que fomos encontrando na hora de pesquisar o material para fazer o roteiro e tecer o argumento para essa história”.
Martins relembra que, depois de aprovada a ideia, era hora de pensar no roteiro, que foi finalizado entre novembro e dezembro do ano passado. A partir disso iniciou a pré-produção. “Alinhavamos os lugares em que iríamos gravar, elaboramos um cronograma de atividades, pensamos no figurino para a gravação. E definimos, junto com o DDPA, os municípios nos quais iríamos gravar”, conta o diretor. “Eles foram escolhidos por causa de sua relevância histórica para a pesquisa agropecuária. As gravações externas ocorreram, então, no Centro de Hulha Negra, perto de Bagé, onde foi o início da Trigolândia (pesquisa com trigo); Veranópolis, onde nasce a pesquisa gaúcha, em 30 de maio de 1919, hoje Centro de Fruticultura; e Eldorado do Sul, no IPVDF, pela relevância de suas vacinas contra a febre aftosa, entre outros estudos, desde 1940”.
Segundo Martins, também foi montado no Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa Agronômica (Ceagro), em Porto Alegre, prédio da antiga Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), um cenário que serviu para as entrevistas. “De janeiro a meados de abril de 2024, ocorreram as gravações, primeiro as externas, no interior do Estado, depois na Capital”.
Foram realizadas 45 entrevistas, com oito horas e trinta minutos de duração; mais de 10 horas de imagens brutas, feitas com drone, duas câmeras fotográficas, celulares, GoPro (câmera de ação); além de imagens de acervo; fotografias do repórter fotográfico da Ascom/Seapi, Fernando Dias; imagens cedidas pela neta do pesquisador Ivar Beckman, Heloisa Beckman, pelo Museu Dom Diogo de Souza, de Bagé, da “Primeira Festa do Trigo”, realizada em 1951.
“Com tudo isso, fizemos a edição e pós-produção de todo o material, finalizado em maio e junho para entregar o documentário de 47 minutos de duração. Esse
trabalho foi criado, produzido e realizado internamente pelas equipes da Ascom e do DDPA da Seapi, feito com equipamentos próprios e a experiência dos profissionais envolvidos”, pontua Martins. “Além de equipamentos próprios, pois vestimos a camiseta e apostamos na importância da pesquisa agropecuária gaúcha, de mostrar e promover esse legado, tanto no aspecto histórico, quanto no educativo”.
Martins explica que era importante cumprir o cronograma estabelecido e conseguir o melhor resultado possível. “Ele atrasou um pouco, principalmente por causa da tragédia climática de maio. Era para ter sido finalizado entre maio e início de junho, mas ficou pronto no final de junho. Enfrentamos chuva e sol. Mas houve muita colaboração de todos os colegas de todos os centros. Apoios de amigos em Veranópolis, de empresa de turismo de Bento Gonçalves, onde gravamos cenas na Maria Fumaça no espaço gentilmente cedido. Foi uma soma de esforços para obter o conteúdo final, uma melhor entrega possível”, conta.
Para o diretor, o documentário “é uma fundamental peça de resistência, de promoção, divulgação e resgate histórico da pesquisa agropecuária do Rio Grande do Sul, além de ser um material educativo, de resiliência e de renovação de um olhar da comunidade gaúcha, nacional e até internacional e científica sobre o que foi, está sendo e pode ser feito em termos de pesquisa, educação e cultura no Estado”.
Martins destaca ainda a importante participação do médico-veterinário e escritor gaúcho, Alcy Cheuiche, que foi Patrono da 52ª Feira do Livro de Porto Alegre, em 2006. “Ele tem trabalhos sobre a literatura gaúcha, livros sobre a história agropecuária do Estado, sobre os Sete Povos das Missões, editou, de 1981 a 2014, durante 33 anos, a revista de ensino pós-universitário ‘A Hora Veterinária’, com ampla penetração em todo o Brasil. Ele colaborou com o olhar da cultura, para que a gente enriquecesse o conteúdo desse trabalho. Isso agrega uma faceta multidisciplinar e multicultural a esse documentário”, acredita.
“Para mim foi um grande desafio fazer esse documentário. Foi um dos melhores trabalhos que já fiz na área pública como comunicador, artista, e diretor de documentários em mais de 22 anos de carreira. Produzir audiovisual não faz parte da nossa rotina na Ascom. É uma jornada, um desfio bem maior que necessitou persistência, organização, planejamento e, mais do que tudo, um trabalho de equipe. Se todos não tivessem concordado com a ideia, esse trabalho não seria realizado”, afirma Martins.
Ele informa que o documentário deve ser veiculado em redes de televisão abertas, em plataformas de vídeo como o Youtube e nos centros de pesquisa do DDPA/Seapi, entre outros espaços e instituições. “O importante é que a sociedade gaúcha veja com outro olhar o trabalho de pesquisa, ciência e educação feita na área pública. Que saibam a qualidade imensa e inovadora que há na área e que, muitas vezes, estimula e gera indústrias e mercados”.
Para o publicitário Eduardo Patron, também foi um desafio “enorme” participar desse documentário. “Foi o maior trabalho de audiovisual que eu já fiz até hoje em 25 anos de profissão. O material inicial foi de duas horas, transformado em 47 minutos. Aprendi muito, tanto na área publicitária e de produção, quanto sobre a pesquisa agropecuária gaúcha”, comenta. “Acredito que a maioria das pessoas não faz ideia da diversidade da pesquisa aqui no Estado. Comecei a perceber a importância de uma área que até então era desconhecida. E que são pesquisas de vanguarda dentro de uma secretaria de Estado”, define;
Patron também fez questão de destacar o envolvimento da equipe dos servidores da Seapi. “Contamos com os pesquisadores para nos orientar e com os colegas da Ascom, além do ator e colega Deodoro Gomes, um decano das artes cênicas do Rio Grande do Sul. Uma equipe ajustada, que foi primordial para chegarmos ao resultado final”.
Por sua vez, o fotógrafo Fernando Dias afirmou que as ideias de todos se complementaram para a construção do documentário. “Como trabalhei 14 anos na
pesquisa, principalmente no campo e em laboratórios, sei bem quais são as dificuldades. Eu me senti bem-recebido e honrado em participar dessa jornada”.
Ele ressaltou que, como repórter fotográfico, sempre esteve em contato com os pesquisadores, sabendo que era muito importante a fotografia dentro de uma pesquisa. “E isso facilitou esse trabalho, porque a gente conseguiu, através da nossa visão junto aos pesquisadores, ajudar na produção do audiovisual a identificar algumas imagens. A pesquisa precisa muito da documentação de imagem. E nós necessitamos de ciência e de pesquisa”.
Para o ator, produtor cultural e assessor da Ascom/Seapi, Deodoro Gomes, foi um prazer muito grande e uma surpresa poder participar desse documentário. “Faço teatro há quase 50 anos em Porto Alegre e fazia mais de 30 anos que não atuava. Então, foi um desafio muito grande para mim. Mas a insistência dos colegas da Criação me instigaram a aceitar o papel. Acho que o resultado foi bom”, acredita.
Ele comenta que andaram por vários lugares antes de gravar. “Fiquei surpreso com o que tem sido feito nos centros de pesquisa do DDPA.É fantástico o que conseguem fazer com um número pequeno de servidores, o entusiasmo dessa gente é uma loucura. Foi um desafio maior mostrar a importância da ciência para nossa agricultura. Esse documentário me deixou animado para participar de um outro desafio que terei logo em seguida: participar, junto com uma comissão, da criação do Museu da Agricultura do Rio Grande do Sul”.

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Governo atualiza regras de fiscalização de fertilizantes e cria nova faixa de infração
Decreto 12.858 regulamenta sanções previstas na Lei do Autocontrole, exige programas obrigatórios de autocontrole na cadeia de insumos e estabelece prazo de dois anos para adequação do setor.

O Governo Federal publicou, no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (25), o Decreto 12.858 que trata da alteração do Anexo do Decreto nº 4.954/2004, que regulamenta a Lei nº 6.894/80, que dispõe sobre a inspeção e fiscalização da produção e do comércio de fertilizantes, corretivos, inoculantes, ou biofertilizantes, remineralizadores e substratos para plantas destinados à agricultura.

Foto: Claudio Neves
A atualização tem como objetivo compatibilizar o regulamento com a Lei nº 14.515/22 (Lei do Autocontrole), além de promover adequações ao rito processual previstas no Decreto nº 12.502/2025.
A principal alteração refere-se à regulamentação das sanções administrativas aplicáveis no âmbito da fiscalização de insumos agrícolas conduzida pela Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (SDA/Mapa) como medidas cautelares, infrações e penalidades, conforme previsto na Lei nº 14.515/2022.
Entre as mudanças, destaca-se a inclusão da classificação de infração de natureza moderada, que se soma às já existentes naturezas leve, grave e gravíssima. As faixas de multas passam a seguir os valores estabelecidos no Anexo da Lei nº 14.515/2022, considerando a classificação do agente administrado de acordo com seu porte econômico.
No que se refere aos programas de autocontrole, estes deverão ser implementados e executados pelos agentes das cadeias produtivas

Foto: Divulgação/SAA SP
abrangidas pelo Decreto. Os programas deverão conter procedimentos e controles sistematizados que permitam monitorar, verificar e corrigir as etapas do processo produtivo, desde a aquisição das matérias primas até a distribuição dos produtos.
O Decreto também regulamenta o Programa de Incentivo à Conformidade em Defesa Agropecuária, conforme previsto na Lei do Autocontrole. Enquanto o programa de autocontrole é obrigatório, o programa de incentivo será de adesão voluntária e concederá benefícios aos participantes, como a possibilidade de regularização por notificação nos casos de infrações classificadas como de natureza leve ou moderada. O regulamento estabelece ainda os objetivos do programa, os critérios de adesão, as obrigações para permanência e as hipóteses de suspensão e exclusão.
Os agentes registrados, cadastrados ou credenciados antes da regulamentação dos programas de autocontrole terão prazo de dois anos para se adequar às novas exigências.
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Com nova tarifa dos EUA, 46% das exportações brasileiras ficam livres de sobretaxa
Ordem executiva substitui alíquotas de até 50% por taxa uniforme, beneficia pescados, mel, tabaco e café solúvel e preserva quase metade da pauta embarcada ao mercado americano.

A ordem executiva publicada pelo governo dos Estados Unidos na última sexta-feira (20) alterou de forma significativa o regime tarifário aplicado às importações, com efeitos diretos sobre a pauta brasileira. Segundo nota técnica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 46% das exportações brasileiras ao mercado norte-americano, equivalentes a US$ 17,5 bilhões em 2025, deixam de estar sujeitas a qualquer sobretaxa adicional.

Foto: Divulgação
A medida revoga expressamente as ordens anteriores que impunham tarifas específicas de até 40% contra produtos brasileiros e também substitui as chamadas tarifas recíprocas por uma alíquota global de 10%, aplicável a todos os parceiros comerciais, com exceções pontuais. O governo norte-americano indicou a possibilidade de elevar esse percentual para 15%, mas o ato formal ainda não foi publicado.
Pelos cálculos do MDIC, cerca de 25% das exportações brasileiras para os EUA, o equivalente a US$ 9,3 bilhões,passam a estar sujeitas à nova tarifa uniforme de 10% (ou 15%, caso confirmada a elevação). Antes da mudança, aproximadamente 22% das vendas brasileiras enfrentavam sobretaxas que variavam de 40% a 50%.
Outros 29% das exportações, ou US$ 10,9 bilhões, permanecem submetidos às tarifas setoriais previstas na Seção 232 da legislação comercial norte-americana, instrumento aplicado com base em argumentos de segurança nacional e que incide de forma linear entre países, a depender do produto.
Ganho de competitividade
Na avaliação do ministério, o novo regime amplia a competitividade de segmentos industriais brasileiros no mercado norte-americano.

Foto: Allan Santos/PR
Entre os setores beneficiados estão máquinas e equipamentos, calçados, móveis, confecções, madeira, produtos químicos e rochas ornamentais, que deixam de enfrentar alíquotas de até 50% e passam a competir sob tarifa isonômica de 10%.
No agronegócio, pescados, mel, tabaco e café solúvel também passam da alíquota de 50% para 10%, reduzindo a desvantagem frente a outros fornecedores internacionais.
Uma das mudanças mais relevantes envolve o setor aeronáutico. As aeronaves foram excluídas da incidência das novas tarifas e passam a contar com alíquota zero para ingresso no mercado norte-americano, antes sujeitas a 10%. O MDIC ressalta que o produto foi o terceiro principal item da pauta exportadora brasileira para os EUA em 2024 e 2025, com elevado valor agregado e conteúdo tecnológico.
Relação comercial e ressalvas técnicas
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos somou US$ 82,8 bilhões, alta de 2,2% em relação ao ano anterior. As exportações brasileiras totalizaram US$ 37,7 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 45,1 bilhões, resultando em déficit de US$ 7,5 bilhões para o Brasil.

Foto: Divulgação
O ministério observa que os números são estimativos, uma vez que os códigos tarifários foram divulgados na nomenclatura HTS (Harmonized Tariff Schedule) e posteriormente consolidados ao nível de seis díígitos do Sistema Harmonizado (SH6), o que pode gerar variações nos valores apurados. Além disso, a aplicação efetiva das tarifas nos EUA pode depender de critérios adicionais, como destinação específica ou uso final do produto.
Em manifestação recente, o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, afirmou que a redução das sobretaxas abre espaço para ampliar a parceria comercial com os Estados Unidos, destacando o peso do mercado norte-americano para produtos manufaturados brasileiros.
A nova configuração tarifária elimina o tarifaço direcionado ao Brasil, mas consolida um modelo de tributação uniforme que mantém parte relevante da pauta exportadora sob incidência adicional. Para o governo, o saldo é de recomposição de competitividade relativa, sobretudo na indústria de maior valor agregado.
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O que prevê o acordo Mercosul-União Europeia
Tratado cria área de livre comércio entre os blocos, estabelece cronograma de até 30 anos para cortes de impostos de importação e inclui capítulos sobre sustentabilidade, propriedade intelectual e solução de controvérsias.








