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Documentário celebra 105 anos da pesquisa agropecuária gaúcha
Lançado no último sábado (24), durante a 47ª Expointer, foram oito meses desde a concepção até a realização.

O que era para ser um simples “videozinho” transformou-se em um documentário de 47 minutos: “105 anos da Pesquisa Agropecuária Gaúcha”. Lançado no último sábado (24), durante a 47ª Expointer, foram oito meses desde a concepção até a realização. Pesquisa, entrevistas, viagens, surpresas e desafios. E muita união entre as equipes da Assessoria de Comunicação Social (Ascom), principalmente do setor de Criação; e do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA) da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).
Segundo a chefe da Divisão de Pesquisa do DDPA, engenheira agrônoma Maria Helena Fermino, a ideia surgiu em outubro do ano passado, quando estavam organizando o canal do Departamento no Youtube com todas as apresentações, reportagens e eventos. “Então, o pesquisador Rodrigo Favreto sugeriu fazer um vídeo para atualizar o conteúdo. Levei a demanda para a Ascom, pedindo um videozinho. Mas, como somos apaixonados pelo que fazemos, começamos a contar a história da pesquisa agropecuária, que completou 105 anos dia 30 de maio deste ano. Os colegas da Ascom também se apaixonaram pelo assunto e pediram um prazo para apresentar uma proposta”, relembra Maria Helena.
Nascia então a ideia do documentário. “Quando nos mostraram, ficamos emocionados com a delicadeza e sensibilidade dos colegas de entenderem a grandeza da pesquisa agropecuária oficial do Estado”, relembra Maria Helena. A partir daí, em conjunto, começaram a fazer o roteiro, que inclui os homens e mulheres pioneiros na pesquisa, que iniciou em 1919, em Veranópolis. “Nessa época, havia pouquíssimas instituições de pesquisa. Para termos uma ideia, a Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) tem 125 anos”, explica a engenheira agrônoma.
“Então, fomos resgatando aqueles nomes, as pesquisas que faziam desde 1919 até os dias atuais. Hoje somos detentores de um legado muito rico”, comenta Mara Helena. “Demos continuidade à maioria dos estudos desses pioneiros. Ainda pesquisamos trigo, mandioca, soja; temos coleções maravilhosas de árvores frutíferas e florestais, coleções muito grandes de insetos, de exsicatas (banco de informações para identificar plantas, por estudo e por comparação), de sementes. Temos ainda áreas com bioma Pampa, às quais protegemos e pesquisamos a respeito”, conta com orgulho.
Conforme Maria Helena, existem hoje no DDPA 12 áreas de pesquisa (em 12 centros), com 140 projetos. “É claro que o impacto que aquelas pesquisas lá atrás causavam era proporcionalmente maior do que as que realizamos hoje, porque atualmente somos muitas instituições a fazer pesquisa no Estado”. De acordo com a engenheira agrônoma, o Rio Grande do Sul é um dos estados do Brasil que mais possui instituições de pesquisas agropecuárias.
Quando Maria Helena assistiu ao documentário pela primeira vez, não conteve as lágrimas. “Fiquei muito emocionada. Porque quando a gente conversou para fazer o roteiro, sobre quem seria entrevistado, pensamos que seria bom se tivesse alguém de antigamente para dar entrevista, e aquilo foi crescendo e se transformou no seu Desi, ou Desidério Anacreonte Jardim Beckman da Silva, o personagem que narra a história e que interpreta um pesquisador viajante no tempo. O nome é a composição de nomes de alguns pesquisadores pioneiros e que muito contribuíram para os resultados nas primeiras décadas da pesquisa agropecuária oficial. E quando o vi na tela e o ouvi, fique muito emocionada, porque tudo ficou muito lindo”, disse com a voz embargada.
“Como detentores desse legado e apaixonados pelo que fazemos, sabemos o valor que isso tem. Quando vi o documentário, imaginei aqueles pioneiros chegando aos centros de pesquisas, começando do nada, enfrentando todas as dificuldades que, em tese, são semelhantes às que ainda enfrentamos hoje”, destacou Maria Helena. “Também me emocionei com a fala dos colegas porque eu os conheço e sei da paixão e dedicação que eles carregam pela profissão. E a gente sente que eles falam com amor, respeito, responsabilidade. E isso é impagável”.
Maria Helena espera que o documentário seja assistido pela população em geral, para que conheçam todo esse legado da pesquisa agropecuária gaúcha. “Porque a pesquisa ainda está longe do cidadão comum. Ele não tem percepção de onde vem e como é feito quase tudo que chega à sua casa e à sua mesa. E somos nós que estamos na raiz disso. Nós contribuímos muito com isso”, ressalta. “E também espero que os demais colegas da Seapi, da Emater/RS-Ascar, e os governantes assistam e se sensibilizem com o assunto”.
Para o diretor do DDPA, Caio Efrom, o documentário é uma pequena parte da história desses 105 anos de pesquisa agropecuária estadual e também da continuação
deste legado, executado atualmente pelos servidores do DDPA/Seapi. “É um trabalho muito bem editorado pela equipe de Comunicação, que nos emociona, pois somos sabedores dos diversos desafios enfrentados e que até hoje são vencidos com muita dedicação, resiliência e perseverança”, define.
Sobre o documentário
O audiovisual “105 anos da Pesquisa Agropecuária Gaúcha” tem direção e roteiro do jornalista Rodrigo “dMart” Martins; edição e pós-edição do publicitário Eduardo Patron; produção do repórter fotográfico Fernando Dias, junto com Martins e Patron. A apresentação é feita pelo ator Deodoro Gomes, que interpreta o seu Desi.
De acordo com Martins, sua atuação nesse trabalho mescla o jornalismo e a produção cultural. “Quando recebemos a demanda do DDPA, em outubro de 2023, começamos a tecer ideias a respeito. Pensamos em transformar um assunto técnico, como a pesquisa científica, em uma comunicação mais popular, lúdica, de fácil entendimento para a sociedade. Foi então que nasceu a ideia de ter um narrador para o documentário, um pesquisador viajante no tempo, para contar a história desde 1919, em Veranópolis, até os dias atuais. Para fazer essa costura na narrativa desse vídeo institucional, mas que traz elementos ficcionais”, explica. “Ele representa uma amálgama de vários pesquisadores inovadores que fomos encontrando na hora de pesquisar o material para fazer o roteiro e tecer o argumento para essa história”.
Martins relembra que, depois de aprovada a ideia, era hora de pensar no roteiro, que foi finalizado entre novembro e dezembro do ano passado. A partir disso iniciou a pré-produção. “Alinhavamos os lugares em que iríamos gravar, elaboramos um cronograma de atividades, pensamos no figurino para a gravação. E definimos, junto com o DDPA, os municípios nos quais iríamos gravar”, conta o diretor. “Eles foram escolhidos por causa de sua relevância histórica para a pesquisa agropecuária. As gravações externas ocorreram, então, no Centro de Hulha Negra, perto de Bagé, onde foi o início da Trigolândia (pesquisa com trigo); Veranópolis, onde nasce a pesquisa gaúcha, em 30 de maio de 1919, hoje Centro de Fruticultura; e Eldorado do Sul, no IPVDF, pela relevância de suas vacinas contra a febre aftosa, entre outros estudos, desde 1940”.
Segundo Martins, também foi montado no Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa Agronômica (Ceagro), em Porto Alegre, prédio da antiga Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), um cenário que serviu para as entrevistas. “De janeiro a meados de abril de 2024, ocorreram as gravações, primeiro as externas, no interior do Estado, depois na Capital”.
Foram realizadas 45 entrevistas, com oito horas e trinta minutos de duração; mais de 10 horas de imagens brutas, feitas com drone, duas câmeras fotográficas, celulares, GoPro (câmera de ação); além de imagens de acervo; fotografias do repórter fotográfico da Ascom/Seapi, Fernando Dias; imagens cedidas pela neta do pesquisador Ivar Beckman, Heloisa Beckman, pelo Museu Dom Diogo de Souza, de Bagé, da “Primeira Festa do Trigo”, realizada em 1951.
“Com tudo isso, fizemos a edição e pós-produção de todo o material, finalizado em maio e junho para entregar o documentário de 47 minutos de duração. Esse
trabalho foi criado, produzido e realizado internamente pelas equipes da Ascom e do DDPA da Seapi, feito com equipamentos próprios e a experiência dos profissionais envolvidos”, pontua Martins. “Além de equipamentos próprios, pois vestimos a camiseta e apostamos na importância da pesquisa agropecuária gaúcha, de mostrar e promover esse legado, tanto no aspecto histórico, quanto no educativo”.
Martins explica que era importante cumprir o cronograma estabelecido e conseguir o melhor resultado possível. “Ele atrasou um pouco, principalmente por causa da tragédia climática de maio. Era para ter sido finalizado entre maio e início de junho, mas ficou pronto no final de junho. Enfrentamos chuva e sol. Mas houve muita colaboração de todos os colegas de todos os centros. Apoios de amigos em Veranópolis, de empresa de turismo de Bento Gonçalves, onde gravamos cenas na Maria Fumaça no espaço gentilmente cedido. Foi uma soma de esforços para obter o conteúdo final, uma melhor entrega possível”, conta.
Para o diretor, o documentário “é uma fundamental peça de resistência, de promoção, divulgação e resgate histórico da pesquisa agropecuária do Rio Grande do Sul, além de ser um material educativo, de resiliência e de renovação de um olhar da comunidade gaúcha, nacional e até internacional e científica sobre o que foi, está sendo e pode ser feito em termos de pesquisa, educação e cultura no Estado”.
Martins destaca ainda a importante participação do médico-veterinário e escritor gaúcho, Alcy Cheuiche, que foi Patrono da 52ª Feira do Livro de Porto Alegre, em 2006. “Ele tem trabalhos sobre a literatura gaúcha, livros sobre a história agropecuária do Estado, sobre os Sete Povos das Missões, editou, de 1981 a 2014, durante 33 anos, a revista de ensino pós-universitário ‘A Hora Veterinária’, com ampla penetração em todo o Brasil. Ele colaborou com o olhar da cultura, para que a gente enriquecesse o conteúdo desse trabalho. Isso agrega uma faceta multidisciplinar e multicultural a esse documentário”, acredita.
“Para mim foi um grande desafio fazer esse documentário. Foi um dos melhores trabalhos que já fiz na área pública como comunicador, artista, e diretor de documentários em mais de 22 anos de carreira. Produzir audiovisual não faz parte da nossa rotina na Ascom. É uma jornada, um desfio bem maior que necessitou persistência, organização, planejamento e, mais do que tudo, um trabalho de equipe. Se todos não tivessem concordado com a ideia, esse trabalho não seria realizado”, afirma Martins.
Ele informa que o documentário deve ser veiculado em redes de televisão abertas, em plataformas de vídeo como o Youtube e nos centros de pesquisa do DDPA/Seapi, entre outros espaços e instituições. “O importante é que a sociedade gaúcha veja com outro olhar o trabalho de pesquisa, ciência e educação feita na área pública. Que saibam a qualidade imensa e inovadora que há na área e que, muitas vezes, estimula e gera indústrias e mercados”.
Para o publicitário Eduardo Patron, também foi um desafio “enorme” participar desse documentário. “Foi o maior trabalho de audiovisual que eu já fiz até hoje em 25 anos de profissão. O material inicial foi de duas horas, transformado em 47 minutos. Aprendi muito, tanto na área publicitária e de produção, quanto sobre a pesquisa agropecuária gaúcha”, comenta. “Acredito que a maioria das pessoas não faz ideia da diversidade da pesquisa aqui no Estado. Comecei a perceber a importância de uma área que até então era desconhecida. E que são pesquisas de vanguarda dentro de uma secretaria de Estado”, define;
Patron também fez questão de destacar o envolvimento da equipe dos servidores da Seapi. “Contamos com os pesquisadores para nos orientar e com os colegas da Ascom, além do ator e colega Deodoro Gomes, um decano das artes cênicas do Rio Grande do Sul. Uma equipe ajustada, que foi primordial para chegarmos ao resultado final”.
Por sua vez, o fotógrafo Fernando Dias afirmou que as ideias de todos se complementaram para a construção do documentário. “Como trabalhei 14 anos na
pesquisa, principalmente no campo e em laboratórios, sei bem quais são as dificuldades. Eu me senti bem-recebido e honrado em participar dessa jornada”.
Ele ressaltou que, como repórter fotográfico, sempre esteve em contato com os pesquisadores, sabendo que era muito importante a fotografia dentro de uma pesquisa. “E isso facilitou esse trabalho, porque a gente conseguiu, através da nossa visão junto aos pesquisadores, ajudar na produção do audiovisual a identificar algumas imagens. A pesquisa precisa muito da documentação de imagem. E nós necessitamos de ciência e de pesquisa”.
Para o ator, produtor cultural e assessor da Ascom/Seapi, Deodoro Gomes, foi um prazer muito grande e uma surpresa poder participar desse documentário. “Faço teatro há quase 50 anos em Porto Alegre e fazia mais de 30 anos que não atuava. Então, foi um desafio muito grande para mim. Mas a insistência dos colegas da Criação me instigaram a aceitar o papel. Acho que o resultado foi bom”, acredita.
Ele comenta que andaram por vários lugares antes de gravar. “Fiquei surpreso com o que tem sido feito nos centros de pesquisa do DDPA.É fantástico o que conseguem fazer com um número pequeno de servidores, o entusiasmo dessa gente é uma loucura. Foi um desafio maior mostrar a importância da ciência para nossa agricultura. Esse documentário me deixou animado para participar de um outro desafio que terei logo em seguida: participar, junto com uma comissão, da criação do Museu da Agricultura do Rio Grande do Sul”.

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Dia de Campo da Copacol conecta pesquisa, manejo e mercado ao produtor
Estudos do CPA mostraram, na prática, soluções para solo, soja e milho, além de análises de mercado para apoiar a tomada de decisão do produtor.

Com o objetivo de potencializar a produção e preparar cada vez mais os cooperados, o 35° Dia de Campo de Verão Copacol apresentou estudos exclusivos realizados pelo CPA (Centro de Pesquisa Agrícola), e contou com a participação de 1,5 mil visitantes. “É muito bom receber nossos cooperados para compartilhar novidades e apresentar tecnologias que, se aplicadas nas propriedades, trarão uma melhor produtividade. Além de preparar nossos cooperados para bons resultados no campo, aqui também queremos trazer uma visão comercial, afinal, essas duas coisas precisam estar alinhadas na busca de melhores resultados”, afirma o diretor-presidente, Valter Pitol.

Cooperados que já acompanham de perto o trabalho do CPA garantem que eventos como esse fazem a diferença, como comenta o produtor de Joetaesse, Cássio Henrique Moeller. “O CPA sempre nos ajuda a alcançar melhores resultados e potencializar nossa produtividade e eventos como o Dia de Campo agregam muito conhecimento e traz novidades que nos ajudam a crescer nas propriedades”.
Além da presença dos cooperados e cooperadas, colaboradores e pesquisadores do CPA, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Márcio Nunes, também prestigiou o evento. “A Copacol é uma das cooperativas mais importantes do mundo com produtos exportados para muitos países. E ela faz um trabalho sensacional com os produtores, um exemplo é esse Dia de Campo. A Copacol treina, adapta e coloca o produtor em situações de competitividade, tudo isso visando a melhoria da qualidade de vida através do aumento da renda do produtor, estimulando que as famílias fiquem no campo”, completa o secretário.
Na prática
Um dos assuntos abordados nas palestras em campo foi a compactação do solo e seus feitos sobre o sistema de produção. Essa compactação consiste na incapacidade de o solo absorver a água, o que muitas vezes pode gerar o aumento da umidade na superfície, tornando o ambiente propício para o desenvolvimento de doenças. “Nós utilizamos o método Dres [Diagnóstico rápido de estrutura de solo] onde podemos avaliar o nível de compactação do solo para saber qual técnica deve ser aplicada em cada propriedade, seja com plantas de cobertura, ou utilização de maquinários. É um processo muito importante, que impacta diretamente no desenvolvimento das culturas e na produtividade delas”, explica o engenheiro agrônomo e pesquisador do CPA, Andrei Regis Sulzbach.

Para cooperado de Jesuítas, Renato da Silva Tonelli, é importante acompanhar o trabalho do CPA, e saber que problemas que eles enfrentam no dia a dia, já estão sendo estudados e soluções já podem ser aplicadas na propriedade. “No último ano tivemos problema com relação a compactação de solo, e hoje vi que há um trabalho de pesquisa já sendo feito para desenvolver novas formas de manejo, melhorar nossas condições e minimizar esses problemas que nós que vivemos do campo temos”, comenta o cooperado.
Outro assunto que chamou atenção dos participantes foi o painel de cultivares de soja recomendadas pelo CPA, que são apresentadas com duas datas de semeadura, adubação em quantidades de acordo com a época e orientação de acordo com a região plantada, também foram apresentados manejos de doença e controle de pragas. “Apresentamos um demonstrativo com as épocas de semeadura diferentes com o mesmo manejo, onde fica visível a diferença de comportamento de cada planta, para mostrar a importância de se atentar as recomendações do CPA, de acordo com testes feitos na prática”, conta o engenheiro agrônomo André Luiz Borsoi.
Para o cooperado Lucas Antunes Jasper, de Cafelândia, essa é uma oportunidade imperdível para quem produz no campo. “Aqui no evento podemos ver o comparativo das cultivares que depois vamos levar para dentro das nossas lavouras. Conseguimos ver lado a lado todos os testes e tudo fica bem claro para nós. O CPA consegue nos orientar sobre os melhores manejos e isso faz com a que ganhemos tempo e estejamos sempre a frente com a nossa produtividade”, comenta o produtor.
Além disso, também foram apresentados resultados sobre plantas daninhas: o custo oculto no sistema de produção; milho safrinha: os desafios para altas produtividades e manejo de doenças da soja: estratégias de aplicação para preservar o potencial produtivo.
Comercialização
O mercado também faz parte do processo produtivo, e entender como e quando comercializar os grãos, é fundamental para o cooperado. Pensando nisso, a abertura do Dia de Campo contou com uma palestra sobre tendências no mercado de commodities, com o consultor da StoneX Brasil, Étore Baroni. “O objetivo é trazer mais informações para os cooperados. São muitos fatores que influenciam nos preços, então, é preciso preparar o produtor para aproveitar as melhores oportunidades ao longo do ano. Tivemos mudanças muito fortes nos preços nos últimos anos e o CPA consegue trazer esse ganho de produtividade contínua. Por isso, é preciso alinhar a produtividade boa, com níveis de preços bons, mantendo uma rentabilidade para o produtor”, completa o consultor.
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Proteínas animais ganham novas oportunidades com acordo UE-Mercosul, celebra ABPA
Entidade vê avanço em previsibilidade comercial e reforço do Brasil como fornecedor global, com impactos graduais e cotas bem delimitadas para aves, suínos e ovos

Após mais de duas décadas de negociações e sucessivos impasses políticos, a confirmação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia começa a ser destrinchada. Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o entendimento representa um avanço relevante em previsibilidade comercial e no fortalecimento das relações entre os dois blocos, com efeitos graduais e tecnicamente delimitados para a cadeia de proteínas animais.

Foto: Jonathan Campos
Em nota setorial, a entidade destaca que o acordo é resultado de um processo longo e de elevada complexidade técnica, e que seus impactos não devem ser interpretados como uma abertura irrestrita de mercado, mas como a construção de oportunidades progressivas, condicionadas a regras sanitárias, cotas e salvaguardas já previstas no texto negociado.
No caso da carne de frango, principal item da pauta exportadora brasileira de proteínas, a ABPA é enfática ao afirmar que o acordo não altera o sistema de cotas atualmente em vigor entre Brasil e União Europeia. “Essas regras permanecem intactas. A novidade está na criação de um contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa”, informa na nota.
Esse volume será compartilhado entre os países do bloco sul-americano e dividido igualmente entre produtos com osso e sem osso. A implantação será gradual, em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total no sexto ano de vigência. A partir daí, a cota passa a se repetir anualmente, dentro das regras estabelecidas.
Carne suína
Para a carne suína, o acordo inaugura uma nova possibilidade. Pela primeira vez, o Mercosul contará com um contingente tarifário

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
preferencial específico para o produto, inexistente até então para o Brasil. “A cota final prevista é de 25 mil toneladas por ano, com tarifa intra-cota de € 83 por tonelada, valor significativamente inferior ao praticado fora do contingente”, diz a nota.
Aves
Assim como no caso das aves, a implementação será escalonada ao longo de seis anos. No entanto, a ABPA ressalta que a efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional, condição essencial para a abertura do mercado.
O segmento de ovos também aparece como um dos beneficiados pelo acordo. Estão previstos contingentes tarifários específicos, isentos de tarifa intra-cota, de 3 mil toneladas anuais para ovos processados e outras três mil toneladas para albuminas. Segundo a entidade, trata-se de uma oportunidade concreta para ampliar as exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado, especialmente em nichos industriais e alimentícios.
Cotas do acordo
Apesar das oportunidades, a ABPA chama atenção para um ponto central: todas as cotas criadas pelo acordo são do Mercosul, e não exclusivas do Brasil. Isso exigirá coordenação intrabloco para definir critérios de alocação entre os países-membros, além de atenção permanente às exigências regulatórias e sanitárias impostas pelo mercado europeu.

Foto: Jonathan Campos
A entidade reforça ainda que os impactos econômicos positivos tendem a ser graduais, acompanhando o cronograma de implantação do acordo e condicionados ao cumprimento rigoroso das normas técnicas. As salvaguardas previstas devem ser aplicadas de forma estritamente excepcional e baseada em critérios técnicos, evitando distorções comerciais.
Para a ABPA, a concretização do acordo UE-Mercosul fortalece o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais no mercado internacional, atuando de forma complementar à produção europeia. Sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva seguem como pilares centrais para o aproveitamento das oportunidades abertas pelo pacto. “O pleno potencial do acordo dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global”, afirma a entidade.
Confira a Nota Setorial na íntegra:
NOTA SETORIAL– ACORDO MERCOSUL–UNIÃO EUROPEIA
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) celebra o aceite do Bloco Europeu e a concretização do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, resultado de um processo de negociação de longo prazo e de elevada complexidade técnica.
O acordo representa um avanço relevante para a previsibilidade comercial e para o fortalecimento das relações entre os blocos, com impactos graduais e bem delimitados para o setor de proteínas animais.
No caso da carne de frango, é importante destacar que o acordo não interfere, não altera e não substitui o sistema de cotas já em vigor entre o Brasil e a União Europeia, que permanece plenamente válido. O que o acordo acrescenta é a criação de um novo contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa, a ser compartilhado entre os países do bloco. Esse volume será composto por 50% de produtos com osso e 50% de produtos sem osso e terá implantação gradual em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total anual no sexto ano de vigência. A partir desse momento, o contingente passa a se repetir anualmente.
Para a carne suína, o acordo cria, pela primeira vez, um contingente tarifário preferencial específico para o Mercosul, inexistente até então para o Brasil. A cota final prevista é de 25 mil toneladas anuais, com tarifa intracota de € 83 por tonelada, substancialmente inferior à tarifa aplicada fora da cota. Assim como na carne de frango, a implantação ocorrerá em seis etapas anuais iguais, com crescimento progressivo do volume até o atingimento do teto anual. A efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia para a abertura do mercado, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional.
No segmento de ovos, o acordo estabelece contingentes tarifários específicos, também no âmbito do Mercosul, isento de tarifa intra-cota. Estão previstos 3 mil toneladas anuais para ovos processados e 3 mil toneladas anuais para albuminas, criando uma oportunidade concreta para a ampliação das exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado.
Ao mesmo tempo, a ABPA ressalta que os contingentes criados pelo acordo são cotas do Mercosul, e não exclusivas do Brasil, o que demandará coordenação intrabloco para definição dos critérios de alocação entre os países membros. Os impactos econômicos positivos serão graduais, acompanhando o cronograma de implantação e condicionados ao cumprimento rigoroso dos requisitos sanitários, regulatórios e às regras de aplicação de salvaguardas, que devem permanecer estritamente técnicas e excepcionais.
Por fim, a ABPA ressalta que a concretização do acordo Mercosul–União Europeia reforça o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais, em complementariedade à produção local, com base em sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva. O pleno aproveitamento das oportunidades abertas dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global.
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União Europeia aprova assinatura de acordo comercial com Mercosul
Decisão envolve um mercado de mais de 700 milhões de consumidores e um PIB combinado próximo de US$ 22 trilhões. Apesar da resistência de alguns países, o acordo é tratado como estratégico para o futuro do comércio global.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou há pouco a aprovação, por ampla maioria dos países que integram a União Europeia (UE), do acordo de livre comércio com o Mercosul, bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. “A decisão do Conselho de apoiar o acordo UE-Mercosul é histórica”, escreveu Ursula em sua conta na rede social X. “Estamos empenhados em criar crescimento, empregos e em garantir os interesses dos consumidores e das empresas europeias”, acrescentou a presidente da comissão responsável por elaborar propostas de leis para todo o bloco e por executar as decisões do Parlamento e do Conselho europeu.

Foto: Divulgação
Com o resultado confirmado, a presidente da Comissão Europeia poderá viajar para o Paraguai, já na próxima semana, para ratificar o acordo com os países-membros do Mercosul. O Paraguai assumiu em dezembro de 2025 a presidência rotativa pro-tempore do bloco.
Em um comunicado mais extenso, divulgado na página da Comissão, Ursula disse esperar ansiosamente pela assinatura do acordo que, para entrar em vigor, ainda terá que ser aprovado no Parlamento Europeu. “Em um momento em que o comércio e as dependências [comerciais e econômicas] estão sendo usadas como armas, e a natureza perigosa e transacional da realidade em que vivemos se torna cada vez mais evidente, este acordo comercial histórico é mais uma prova de que a Europa traça seu próprio curso e se mantém como uma parceira confiável”, diz no documento.
Mais cedo, o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Polônia, Stefan Krajewski, comentou, em sua conta no X, que além de seu país, votaram contra o acordo Áustria, França, Hungria e Irlanda. Pelas regras do bloco, para ser aprovada, a proposta tinha que obter o aval de ao menos 15 dos 27 Estados-Membros que, juntos, representem ao menos 65% da população total do bloco.
Repercussão
No Brasil, a decisão foi comemorada por lideranças políticas e empresariais. Responsável por promover os produtos e serviços brasileiros

Foto: Marcos Oliveira/Agência Brasil
no exterior, a Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil) afirma que o acordo estabelece um mercado de quase US$ 22 trilhões, com o potencial de incrementar as exportações brasileiras para a União Europeia em cerca de US$ 7 bilhões. “Estamos falando de uma população de mais de 700 milhões de habitantes e de um PIB de perto de US$ 22 trilhões. Só perde para o dos Estados Unidos, em torno de US$ 29 trilhões, e supera o da China, que gira em torno de US$ 19 trilhões”, comentou o presidente da agência, Jorge Viana, em nota.
Viana também destacou a qualidade da pauta exportadora brasileira com o bloco europeu: “Mais de um terço daquilo que o Brasil exporta para a região é composto de produtos da indústria de processamento.”
O acordo prevê redução imediata de tarifas para máquinas e equipamentos de transporte como motores e geradores para energia elétrica, motores de pistão (autopeças) e aviões. Todos representam áreas estratégicas para inserção competitiva do Brasil.
Também haverá oportunidade positiva para couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas e produtos químicos. Haverá redução gradativa das tarifas, até zerá-las, sobre diversas commodities (sujeitos a cotas).



