Avicultura
Do Sul ao Norte: veja onde estão os casos suspeitos de gripe aviária no Brasil
Cinco estados têm investigações em andamento após confirmação da doença em duas cidades do Rio Grande do Sul.

Após a confirmação de dois focos da Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) no Rio Grande do Sul – um deles em uma granja comercial em Montenegro e outro em aves silvestres em Sapucaia do Sul – o Brasil está em estado de alerta com o avanço das investigações sobre possíveis novos casos da doença.
Até esta terça-feira (20), o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) monitora cinco suspeitas em diferentes regiões do país. As ocorrências investigadas envolvem tanto criações comerciais quanto domésticas, refletindo a necessidade de uma vigilância abrangente diante de um vírus que já causou impactos econômicos devastadores em diversos países produtores de proteína animal.
A ameaça de um terceiro foco em granja surgiu em Ipumirim, no interior de Santa Catarina, um dos estados líderes na exportação de carne de frango. A suspeita chegou pouco depois de outro caso ser sinalizado em Aguiarnópolis, no Tocantins, elevando a preocupação de autoridades sanitárias e do setor produtivo com a possibilidade de disseminação do vírus para regiões com alta densidade avícola.
Outras três investigações seguem em andamento, todas relacionadas a criações de subsistência: em Salitre (CE), Estância Velha (RS) e Eldorado do Carajás (PA). Embora essas propriedades não possuam impacto comercial direto, o risco de contaminação de aves silvestres ou migração do vírus para granjas é levado em consideração nos protocolos de biosseguridade.
Na segunda-feira (19), o Mapa descartou suspeitas em três localidades: Triunfo (RS), Nova Brasilândia (MT) e Gracho Cardoso (SE). No caso de Triunfo, a propriedade está dentro do raio de 10 quilômetros de Montenegro, já sob medidas de controle sanitário, mas não configura um novo foco.
O avanço das investigações ocorre em meio ao endurecimento de restrições comerciais impostas por países importadores. Com a confirmação dos primeiros casos, mercados como China, União Europeia, Japão e outros já suspenderam parcial ou totalmente a compra de aves brasileiras, destacando a sensibilidade do comércio internacional frente a surtos sanitários, mesmo quando isolados.
A situação ainda está em curso, mas reforça a importância do monitoramento contínuo, da comunicação transparente e da aplicação rigorosa dos protocolos de contenção. Para o Brasil, maior exportador mundial de carne de frango, cada nova confirmação representa não apenas um desafio sanitário, mas também uma ameaça ao prestígio e à confiança conquistados junto aos mercados globais.

Avicultura No Rio Grande do Sul
2ª Conbrasfran será realizada de 23 a 25 de novembro em Gramado
Evento vai reunir especialistas, agroindústria e representantes de todos os elos da cadeia avícola no Wish Serrano Resort & Convention.

A 2ª Conbrasfran, a Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Carne de Frango, vai reunir os principais especialistas da cadeia produtiva em Gramado, entre os dias 23 e 25 de novembro, durante o Natal Luz de Gramado. Em sua segunda edição, o evento se consolida como um dos encontros estratégicos do setor avícola por reunir programações magnas, programações técnicas sobre sanidade avícola, qualidade industrial, assuntos jurídicos e tributários, mercados, logísticas, suprimentos e atividades sociais com as principais lideranças, especialistas, empresas, entidades representativas e órgãos governamentais em um mesmo espaço.
Para este ano, uma das novidades é que a conferência terá novo local: o Wish Serrano Resort & Convention, em Gramado (RS), anunciou o presidente executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) e organizador do evento, José Eduardo dos Santos. “Estamos de casa nova e teremos ainda mais novidades. Para esta edição, vamos manter o elevado nível dos debates e debatedores, a união de todos os elos da cadeia produtiva e uma área ainda maior para a central de negócios”, afirmou Santos. “Por ser realizada durante o período do Natal Luz de Gramado, os participantes que desejaram podem, de forma opcional, aproveitar as atrações e o ambiente de Gramado durante sua estadia”, enfatizou.
Entre as empresas já confirmadas como expositoras desta edição, ele destaca a Avioeste, Bambozzi, Cumberland Agromarau, Dimel, Mebrafe, Plena Segurança em Alimentos, Silveira Industrial, Solufrigo, Vaccinar e Avimig. “A central de negócios foi ampliada. Será um espaço estratégico para apresentar soluções, tecnologias, produtos e serviços voltados à indústria avícola. As empresas interessadas em fortalecer sua marca e ampliar sua presença no setor já podem adquirir cotas de patrocínio ou estandes”, afirma.
As inscrições para o evento serão abertas em abril. Outras informações sobre a 2ª Conbrasfran podem ser encontradas no site oficial, acesse clicando aqui, ou através do Instagram @conbrasfran, WhatsApp (51) 9 8600.9684 e do e-mail conbrasfran@asgav.com.br.
Avicultura
Asgav reforça consumo de ovos no verão com campanha nutricional
Ação destaca os ovos como fonte de proteína, vitaminas e energia para os dias quentes e orienta o consumidor a procurar o Selo Ovos RS nas embalagens.

A Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) promove desde 05 de janeiro a campanha “Verão com vitamina e proteína”, iniciativa que reforça o consumo de ovos como uma alternativa leve, nutritiva e adequada para uma alimentação equilibrada durante os meses de temperaturas mais elevadas.
Leves, versáteis e acessíveis, os ovos são destacados pela entidade como grandes aliados da alimentação no verão. Fonte de proteínas de alto valor biológico, além de vitaminas e minerais essenciais, o alimento contribui para a saciedade, a manutenção da massa muscular e o fornecimento de energia adequada para a rotina diária, mesmo em períodos de altas temperaturas.
A campanha também orienta os consumidores a priorizarem preparos mais frescos e práticos, que combinam com o clima da estação. Entre as sugestões estão omeletes com legumes, ovos cozidos ou pochê acompanhando saladas, sanduíches naturais, wraps e bowls leves, alternativas que unem sabor, praticidade e valor nutricional.
Outro ponto central da ação é o estímulo ao consumo consciente e à valorização da produção local. A Asgav reforça a importância de buscar o Selo Ovos RS nas embalagens, que identifica produtos oriundos de sistemas produtivos que seguem critérios de qualidade e cuidado em todas as etapas da produção.
Com a campanha, a entidade busca ampliar a informação ao consumidor e fortalecer a imagem do ovo como alimento completo, saudável e adequado para todas as épocas do ano, especialmente no verão, quando escolhas leves e nutritivas ganham ainda mais relevância.
Avicultura Editorial
2026 no radar: otimismo com método e vigilância
Setor avícola projeta demanda firme e espaço no mercado externo, mas mantém atenção aos custos de produção e às exigências regulatórias.

O início de um novo ano costuma trazer duas tentações recorrentes ao setor produtivo: o excesso de confiança e a pressa em transformar expectativa em decisão irreversível. Para a avicultura brasileira, 2026 se desenha como um ano de boas perspectivas, mas que exige algo mais sofisticado do que entusiasmo – exige leitura fina de mercado, disciplina operacional e cautela estratégica.
Os sinais são, em grande parte, positivos. A demanda interna segue resiliente, sustentada pelo papel central da carne de frango e dos ovos na mesa do consumidor brasileiro. No mercado externo, o Brasil mantém posição consolidada como fornecedor confiável, com vantagem competitiva construída ao longo de décadas em sanidade, escala produtiva e capacidade industrial. Em um cenário global ainda marcado por instabilidade geopolítica e restrições sanitárias em países concorrentes, esse ativo não é pequeno.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
Mas o cenário não é linear. Custos de produção continuam no radar – especialmente grãos, energia, logística e mão de obra. A volatilidade cambial, embora possa favorecer exportações em determinados momentos, também impõe desafios à previsibilidade de caixa e ao planejamento de investimentos. Soma-se a isso um ambiente regulatório cada vez mais exigente, com avanços em bem-estar animal, rastreabilidade e sustentabilidade que não admitem improviso.
É justamente nesse ponto que o otimismo precisa vir acompanhado de método. Crescer, em 2026, não será apenas produzir mais. Será produzir melhor, com eficiência técnica, controle rigoroso de processos e decisões ancoradas em dados. A margem não estará na expansão desordenada, mas na gestão fina da granja ao frigorífico, da nutrição à ambiência, da biosseguridade à logística.
A avicultura brasileira já provou que sabe atravessar ciclos. Os anos mais desafiadores ensinaram que desempenho consistente não nasce de apostas isoladas, mas da repetição disciplinada do que funciona. O ano de 2026 oferece oportunidades reais, mas elas não recompensarão quem confundir expectativa com garantia. O sentimento que deve guiar o setor é claro: confiança, sim. Relaxamento, não.
A versão digital está disponível gratuitamente no site de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.












