Conectado com

Notícias

Diversificar e/ou Integrar – uma opção ou uma necessidade?

A diversificação somente será interessante se entre as diferentes atividades, existir alguma coisa em comum

Publicado em

em

Artigo escrito por Fernando Mendes Lamas, pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste

Muitas vezes, recomendamos a diversificação das atividades, especialmente em uma propriedade rural. Será esta uma recomendação das mais acertadas? Eis ai, a grande questão.

Não temos a menor dúvida da importância da diversificação das atividades para a sobrevivência de uma empresa. No entanto, a diversificação somente será interessante se entre as diferentes atividades, existir alguma coisa em comum. Principalmente, se uma das atividades contribuir para a redução do custo médio de outra atividade. A isto se denomina economia de escopo.

Até bem recentemente, nos preocupávamos mais com a economia de escala “que é aquela que organiza o processo produtivo de maneira que se alcance a máxima utilização dos fatores produtivos envolvidos no processo, buscando como resultado baixos custos de produção e o incremento de bens e serviços”. Em muitos casos, quando se busca aumentar a escala com o objetivo de reduzir o custo de cada unidade produzida, pode haver redução de produtividade em função da dificuldade na gestão do processo.

No entanto, para qualquer atividade humana, haverá um ponto onde, abaixo ou acima dele, identifica-se estrangulamento no processo produtivo, especialmente em função da elevação dos custos de produção.

Mais recentemente surge a economia circular “é o modelo econômico no qual o planejamento, suprimento, produção e reprocessamento são desenhados e gerenciados, tanto enquanto processo quanto resultado, para maximizar o funcionamento de ecossistemas e o bem-estar humano”. Neste novo conceito precisa ser considerado, tanto por quem produz, como por aquele que consome.

Em resposta à pergunta formulada no primeiro parágrafo desse artigo, após esses breves conceitos, entendo não haver dúvida da importância da diversificação. No entanto, os conceitos ora apresentados precisam ser considerados.

A sustentabilidade passa necessariamente pela integração e intensificação, termos que guardam entre si alguma similaridade.

Aqui, vamos considerar a integração como o conjunto de atividades onde os fundamentos da "economia de escopo” são considerados, mais do que isso, são exercitados. Pense numa propriedade rural qualquer, onde o produtor combina a avicultura de corte com a cultura de milho, ou seja, existe algum tipo de relação entre as atividades. No exemplo presente, os resíduos da avicultura são utilizados como fertilizantes para a cultura de milho. Considerando que uma tonelada do resíduo da avicultura tem valor menor do que o equivalente em fertilizante químico, a utilização do resíduo vai contribuir para a redução do custo de produção. Considerando que o resíduo além de fornecer nutrientes para as plantas de milho proporciona melhoria nos atributos biológicos do solo, a produtividade física de milho com o uso do resíduo pode ser maior do que aquela que seria obtida com fertilizante químico. Neste caso, a avicultura contribui para redução do custo de produção e na melhoria da produtividade do milho e melhora também o potencial produtivo do solo. Ao retirar o fertilizante químico e introduzir o resíduo da avicultura no sistema. Portanto, se o milho é o principal componente da ração a ser fornecida às aves, esta terá um menor custo, por conseguinte deverá ser mais lucrativa.

Outro exemplo de diversificação é o sistema onde após a colheita da soja, em parte da área sem implanta o consórcio de milho com braquiária. Assim que o milho é colhido, a forrageira será utilizada para fornecer volumoso para bovinos. Tem-se aí uma integração e intensificação (soja, milho e carne), um modelo que é sustentável. A intensificação também poderá ser dar através da irrigação, onde em uma mesma área, é possível a colheita, por exemplo, de soja, milho, trigo, feijão; grão de bico, dentre outras espécies.

A intensificação tecnológica é considerada por vários autores como sendo uma das principais vias para o crescimento da produção agropecuária brasileira. Da mesma forma, a pluralidade de atividades, desde que realizada de forma planejada, considerando todos os fundamentos necessários, também se constitui numa estratégia significativa para o aumento da produção agropecuária.

Concluindo, podemos afirmar que, diversificar e/ou integrar é uma decisão que, se tomada com base nas informações necessárias, vai sim contribuir para a sustentabilidade de uma propriedade rural, independentemente de seu tamanho. Podendo, inclusive, ser uma estratégia para o pequeno agricultor se proteger das imperfeições do mercado. Para isto, é preciso que, no processo de diversificação/integração, as atividades sejam planejadas para que se diminua a dependência externa, ou seja, que o produtor passe a produzir parte daquilo que, em outras condições, ele teria que buscar no mercado, muitas vezes a preços aviltados. 

Fonte: Embrapa Agropecuária Oeste

Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

cinco + 4 =

Notícias Do Sul para o mundo:

BRF movimenta uma cadeia viva que alimenta quatro continentes

Maior exportadora de frango do mundo e uma das maiores produtoras de carne suína do Brasil, a BRF tem entre o coração do Rio Grande do Sul e o oeste do Paraná um de seus principais polos de produção para o mercado externo

Publicado em

em

De suínos, a Companhia é responsável por 22% da produção brasileira. Foto: O Presente Rural

A BRF, uma das maiores companhias de alimentos do mundo, tem como propósito oferecer produtos de qualidade, cada vez mais saborosos e práticos, para seus consumidores. Para cumprir esse compromisso, conecta o trabalho de milhares de produtores integrados, profissionais nas fábricas e equipes de logística. Maior exportadora de frango do mundo e uma das maiores produtoras de carne suína do Brasil, a BRF concentra nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná um de seus principais polos de produção para o mercado externo.

As unidades da BRF, além de abastecer as famílias brasileiras, alimentaram, em 2019, consumidores de 99 países, de quatro continentes. Esse número de destinos de exportações procedentes da Região Sul pode alcançar uma centena em 2020, considerando que recentemente a planta de Concórdia (SC), que já exportava suínos para Hong Kong, Filipinas e África do Sul, recebeu habilitação para exportar também para o Vietnã.

De municípios como Concórdia, no Oeste catarinense, Lajeado, no coração do Rio Grande do Sul, e Toledo, no Oeste paranaense, são embarcados mais de duas dezenas de tipos de produto, incluindo diferentes cortes de carne e embutidos, rumo a nações de culturas e regiões diversas, tendo o Japão, a 17.360 quilômetros, como o ponto mais distante. O roteiro apresenta uma diversidade de destinos, como Angola (África), Omã e Emirados Árabes (Península Arábica) e México (América do Norte).

De suínos, a Companhia é responsável por 22% da produção brasileira. No caso da proteína de frango, a BRF representa cerca de 12% do comércio global. Se a BRF fosse um país, seria o sétimo maior produtor de carne de frango do planeta, uma nação movida pela gestão sustentável de uma cadeia viva, longa e complexa voltada a proporcionar vida melhor a todos, do campo à mesa.

Fonte: Assessoria
Continue Lendo

Notícias PIB

Ipea eleva previsão de aumento do PIB agropecuário do Brasil para 1,9% este ano

Revisões positivas de culturas importantes como milho, soja e café vão impactar no desempenho do PIB agro este ano

Publicado em

em

Divulgação/AENPr

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) reviu para 1,9% a estimativa de crescimento do PIB agropecuário brasileiro em 2020, ante uma previsão anterior de 1,6%, informou o órgão nesta quinta-feira (22). O Grupo de Conjuntura do Ipea ainda revisou a projeção de crescimento do PIB Agropecuário do próximo ano de 2,4% para 2,1%, por conta do aumento da base de comparação – com o melhor resultado esperado para 2020.

A estimativa maior para o PIB agropecuário se deve a melhora nas previsões do IBGE para componentes importantes da lavoura e por números mais positivos também para a pecuária, “em especial decorrentes das revisões dos resultados observados de produção nos últimos meses”.

Como algumas das culturas mais relevantes da lavoura têm a produção concentrada nos dois primeiros trimestres, mudanças significativas nas estimativas do IBGE, depois da divulgação dos dados trimestrais do PIB, podem resultar em maiores revisões dos resultados trimestrais do PIB Agropecuário.

Segundo o grupo de conjuntura do Ipea, as revisões positivas de culturas importantes como milho, soja e café vão impactar no desempenho do PIB agro este ano.

A soja teve crescimento revisado de 6,6% para 7% e segue como o produto com maior peso no valor adicionado da lavoura brasileira.

Fonte: Reuters
Continue Lendo

Notícias Segundo Cepea

Suíno vivo segue valorizando em todas as regiões

Oferta de animais para abate ainda é reduzida, ao passo que a demanda da indústria por novos lotes de suínos para abate continua aquecida

Publicado em

em

Monalisa Pereira

As cotações do suíno vivo seguem em alta em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. A oferta de animais para abate ainda é reduzida, ao passo que a demanda da indústria por novos lotes de suínos para abate continua aquecida. Com elevações no vivo, novos reajustes também são verificados nas cotações da carcaça.

Do lado dos custos, os preços internos do milho e do farelo de soja seguem renovando as máximas nominais, e as altas são mais intensas que as verificadas para o suíno vivo.

Esse cenário acabou interrompendo o movimento de avanço no poder de compra de suinocultores frente a esses insumos de alimentação, que vinha sendo observado desde maio deste ano.

Fonte: Cepea
Continue Lendo
Dia Estadual do Porco – ACSURS

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.