Notícias
Distribuição de sobras: o modelo cooperativista que injeta renda direta no campo
Lar e Copacol mostram como a participação nos resultados fortalece a agricultura familiar e movimenta economias regionais.

No fim de cada safra, enquanto muitos produtores do mercado convencional ainda enfrentam incertezas sobre preços e escoamento da produção, milhares de cooperados da Lar Cooperativa Agroindustrial e da Cooperativa Agroindustrial Consolata (Copacol) veem outro cenário: o retorno direto daquilo que produziram, comercializaram e movimentaram ao longo do ano. É a chamada distribuição de sobras, um dos pilares do modelo cooperativista e também uma das maiores provas de que a organização coletiva da produção rural pode significar muito mais do que escala: pode significar estabilidade, previsibilidade e renda compartilhada.

Diretor-presidente da Copacol, Valter Pitol: “A distribuição de sobras é uma tradição na Copacol e todo o ano o produtor já espera por esse retorno que é proporcionado” – Fotos: Divulgação/Copacol
Em 2024, a Copacol (Cafelândia-PR) destinou R$ 270 milhões em sobras aos seus cooperados, um crescimento de 64% em relação ao ano anterior. Já a Lar Cooperativa Agroindustrial (Medianeira-PR) distribuiu valor superior a R$ 330 milhões em benefícios aos associados, incluindo mais de R$ 100 milhões em sobras de balanço, mais que o dobro do ano anterior. Os números não são apenas robustos, eles são parte concreta da estratégia das cooperativas para garantir a permanência das famílias no campo com dignidade econômica. “O faturamento da Copacol em 2024 teve um aumento de 8% na comparação com o exercício anterior, chegando a R$ 10,6 bilhões: resultado que proporciona oportunidades para cooperados, colaboradores e toda a comunidade, por meio da preservação das riquezas naturais, profissionalização da mão de obra e projetos culturais e educacionais”, evidencia o diretor-presidente da Copacol, Valter Pitol.
Segundo ele, a cooperativa estruturou um modelo de distribuição proporcional, que valoriza a produtividade individual. “A Copacol tem em sua essência a cooperação e, com esse faturamento recorde, possibilitou a distribuição de R$ 270 milhões em sobras e complementações, valores que impulsionam investimentos aos cooperados em suas atividades, seja na produção de grãos ou na diversificação em avicultura, piscicultura, suinocultura e bovinocultura de leite. Com safras recordes, a produção atingiu dois milhões de toneladas de grãos (soja e milho) recebidos nas Unidades em 2024”, ressalta o executivo, orgulhoso.
Participação proporcional que gera pertencimento
No cooperativismo, a diferença está na lógica: os resultados positivos do exercício não são apropriados por acionistas, mas repartidos entre os próprios cooperados, proporcionalmente à movimentação de cada um com a cooperativa. Isso significa que quanto mais o produtor entrega, compra, participa mais ele retorna.
Na Copacol, a distribuição de sobras é calculada com base na movimentação do cooperado ao longo do ano, seja na entrega de produção, na aquisição de insumos ou na participação nas atividades da cooperativa. “A distribuição de sobras é uma tradição na Copacol e todo o ano o produtor já espera por esse retorno que é proporcionado. Após o levantamento do faturamento do ano em todas as atividades, são destinados parte do lucro ao produtor de forma proporcional à produtividade dele na cooperativa no período de 12 meses”, explica Pitol.
Para muitos agricultores familiares, especialmente os integrados às cadeias de aves, peixes e leite, esse retorno representa um reforço no orçamento que permite planejar investimentos, quitar dívidas ou melhorar a estrutura da propriedade.

Presidente da Lar, Irineo da Costa Rodrigues: “Esse círculo virtuoso – participação que gera resultado, que volta em novas melhorias – sustenta nosso crescimento anual de dois dígitos e comprova, na prática, que cooperar é melhorar a vida das pessoas” – Foto: Divulgação/Lar
A Lar adota modelo semelhante, com retorno financeiro baseado no desempenho das unidades agrícolas e industriais. Em 2024, mesmo com redução no faturamento devido à quebra de safra, a cooperativa conseguiu bater recorde de lucro e ampliar significativamente os valores distribuídos. A injeção direta nas propriedades impulsiona a compra de insumos, manutenção de maquinário e investimentos em infraestrutura, além de ajudar no custeio familiar, educação e saúde. “Hoje, mesmo com uma safra de soja menor, colhemos a maior safra de milho da nossa história, e a pecuária, já livre do choque da gripe aviária, volta a operar em margens mais altas. Resultado: receita crescendo em dois dígitos e recorde de sobras para o cooperado”, afirma o presidente da Lar, Irineo da Costa Rodrigues.
Renda que gira nas comunidades
Em municípios onde a cooperativa tem forte presença, a distribuição de sobras tem um efeito multiplicador. Boa parte dos valores recebidos pelos cooperados permanece na economia local: movimenta o comércio, sustenta empresas de serviços e aquece setores como construção civil e educação privada. Em muitos casos, os pagamentos ocorrem no início do ano seguinte, funcionando como um 13º salário rural, mas com base em produtividade, cooperação e resultado coletivo. “Estou muito feliz com o resultado, não esperava um valor tão bom”, comemorou o suinocultor Edgar Vogt junto com a filha Gisele, contando que parte do recurso será destinada a melhorias na granja e outra parte a uma viagem em família. “Temos muita confiança na diretoria, que sempre pensa no cooperado. Imagina o que seria da nossa região sem a Copacol. Ela é a base de tudo”, destacou
As sobras também representam um instrumento importante de planejamento financeiro e desenvolvimento regional. “No dia a dia, cada lote de frango ou cada quilo de suíno já é remunerado com valor competitivo, acrescido de um adicional para quem investiu em novas estruturas a partir de 2020, compensando juros mais altos. No fim do exercício, ocorre a distribuição anual de sobras proporcional ao volume de negócios do cooperado. Esse valor extra é decisivo para amortizar dívidas, embutir tecnologia e ainda constituir poupança familiar”, explica Rodrigues.

Suinocultor Edgar Vogt e a filha Gisele comemoram o resultado das da distribuição de sobras da Copacol: com o valor recebido pretendem investir na granja e realizar uma viagem em família
“O efeito multiplicador é visível nas comunidades: o dinheiro gira no comércio, nos serviços e na indústria, reforçando arrecadação municipal e atraindo investimentos. Diversos municípios do Oeste do Paraná exibem hoje alguns dos melhores índices de renda per capita e IDH do interior do Brasil. E há um indicador que todo visitante enxerga: as residências modernizadas nas propriedades, resultado direto dessa renda compartilhada”, acrescenta.
A estratégia das cooperativas vai além da distribuição. Copacol e Lar reforçam a valorização do cooperado por meio de assistência técnica, bonificações por qualidade, fidelidade e programas de desenvolvimento rural. Em ambos os casos, o cooperado não é cliente, mas dono. Ele decide em assembleia, participa dos conselhos e ajuda a moldar os rumos da organização. “Mesmo figurando entre as maiores do país, cerca de 14.500 associados e 25 mil funcionários, a Lar mantém a cultura de cooperativa raiz. São 35 comitês de líderes rurais que dialogam com a diretoria; todas as grandes decisões passam por esse crivo”, destaca o executivo, enfatizando: “Quanto mais o associado entende a gestão, mais investe, mais eficiente se torna e maior retorno recebe. Esse círculo virtuoso – participação que gera resultado, que volta em novas melhorias – sustenta nosso crescimento anual de dois dígitos e comprova, na prática, que cooperar é melhorar a vida das pessoas”, salienta o presidente da Lar.
Investimento em capacitação técnica e na diversificação da produção
Além da distribuição de sobras, a Copacol tem investido fortemente na capacitação técnica e na diversificação da produção como forma de fortalecer a renda e a autonomia das famílias rurais. “Com 10 mil cooperados, a Copacol é pioneira no sistema de diversificação, pensando em oferecer mais oportunidades de renda ao produtor e incentivá-lo a produzir cada vez mais. Dessa forma, promove treinamentos e cursos voltados para cada área”, afirma Pitol.
Segundo ele, o trabalho é sustentado por estrutura técnica e pesquisa. “A cooperativa possui o Centro de Pesquisa Agrícola, uma área de 84 hectares, que com uma equipe conceituada de pesquisadores realiza estudos atestando e validando informações e tecnologias para que o produtor tenha mais assertividade no campo, aumentando a produtividade e rentabilidade a cada safra. Na agricultura, além de toda a assistência técnica, há ainda Dias de Campo e Seminários Técnicos que são realizados anualmente nas unidades da cooperativa, com informações que ajudam os cooperados a buscarem a cada safra o incremento de produtividade”, detalha.
Estabilidade em tempos incertos

Foto: Shutterstock
O modelo de sobras funciona também como colchão de proteção contra crises, especialmente para os pequenos produtores. Ao ter previsibilidade de que parte dos lucros retornará ao seu bolso, o cooperado consegue planejar melhor, enfrentar sazonalidades e manter a atividade rural viável mesmo em anos difíceis – como foi 2024, com perdas no milho e preços abaixo do esperado em algumas cadeias.
Na avaliação de analistas do setor, a redistribuição de resultados é um dos grandes diferenciais do sistema cooperativo brasileiro, sobretudo na agricultura familiar. Enquanto muitos agricultores independentes ficam sujeitos à volatilidade do mercado, o cooperado conta com contratos de integração, estrutura de apoio técnico, acesso a crédito facilitado e, no fim, uma remuneração adicional que muitas vezes faz a diferença entre estagnar ou crescer.
Acesse, compartilhe, valorize! E faça parte desta história. Clique aqui para ter acesso a versão digital do Especial Cooperativismo.

Notícias
Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo
Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação
A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.
“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.
Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.
Como acessar
O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.
“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.
Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.
“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.
A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo
Notícias
Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras
Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.
“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.
Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay.
Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.
Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.
O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.
Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.
Notícias
EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil
Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação
A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.
Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.
Brasil entre os países com maior alíquota proposta
Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.
A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação
dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.
Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.
Instrumento de pressão comercial
A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.
A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.
Consulta pública antes da decisão final
As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.
As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.
Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.



