Suínos
Distorções no manejo amplificam uso de antibióticos
Doutora em Medicina Veterinária, consultora do agronegócio e palestrante Djane Dallanora fala a O Presente Rural sobre os desafios que a suinocultura tem para reduzir o uso de antimicrobianos na suinocultura
“Em alguns momentos dos últimos dez anos, o foco real da produção de suínos foi distorcido, onde os manejos são discutidos no sentido de facilitar o trabalho das pessoas, muitas vezes em detrimento ao que é sabidamente melhor para o suíno”, revela a doutora em Medicina Veterinária, consultora do agronegócio e palestrante Djane Dallanora. Em entrevista exclusiva para O Presente Rural, a especialista defende um novo modelo de produção para reduzir o uso de antibióticos, com maturidade nos debates e uma mudança de ótica dentro da granja.
Dallanora diz que vários atores interferem no equilíbrio entre saúde e doença e que impactam em uso maior ou menor de antimicrobianos, mas que alguns conceitos básicos precisam ser respeitados antes de debater sobre sua redução. “A discussão a respeito do uso de antimicrobianos em suínos deve considerar inicialmente quatro aspectos: antimicrobianos são prerrogativas de bem estar animal, pois curam doenças evitando o sofrimento animal; os profissionais envolvidos na assistência técnica e no processo de indicação dos antimicrobianos são peças-chave para o uso adequado destas substâncias, por isso deve ser iniciada uma discussão imediata de como o tema vem sendo tratado nas faculdades; as condições de criação impostas aos suínos (instalações, ambiência, manejos, qualidade da matéria-prima nutricional, segurança sanitária, entre outros) são determinantes para a necessidade de uso maior ou menor; quando consideramos um abate anual de mais de 40 milhões de suínos, a criação de animais livres de patógenos neste volume é uma utopia, ou seja, antimicrobianos são necessários.
Diante destas premissas, na opinião da profissional, quando o tema é tratado de forma séria, baseando-se em argumentos científicos, técnicos e em uma esfera realista (não considerando fanatismo e modismos), fica evidente que não é possível abolir completamente o uso destas substâncias no processo de criação de suínos. No entanto, ela cita espaço para melhorar. “Porém, quando avaliada a sua utilização ao longo da cadeia produtora, também é evidente que há lacunas importantes a serem trabalhadas”.
Djane lembra que os antimicrobianos são potenciais ferramentas de preservação da vida, tanto humana como animal, e que “o assunto tornou-se polêmico principalmente quando o uso veterinário passou a ser apontado como origem de casos de resistência bacteriana em humanos, muitas vezes sem bases científicas que confirmem este fato”.
A consultora diz que o Brasil já tem exemplos concretos de redução do uso de antibióticos sem predas na saúde animal e produtividade, usando apenas manejo adequado. “A discussão que o meio veterinário vem promovendo há alguns anos é a respeito do uso racional de antimicrobianos em animais. Neste sentido, há exemplos nacionais já bastante consistentes, em granjas de todos os tamanhos, onde a adequação de manejos e procedimentos permitiu minimizar o uso de forma significativa, sem prejuízos ao desempenho zootécnico”, assinala.
Na produção de suínos, explica Dallanora, os antimicrobianos podem ser utilizados de forma curativa ou preventiva, direcionados para doenças bacterianas de todos os sistemas orgânicos, principalmente geniturinário, respiratório, entérico, locomotor e nervoso. Além disso, emenda, o uso em doses baixas, como promotor de crescimento, acontece há décadas, desde que foi descoberta a melhoria de desempenho que ocorre mesmo em animais aparentemente saudáveis, principalmente em conversão alimentar e ganho de peso.
Conforme a especialista, “a necessidade de uso de antimicrobianos poderá ser reduzida em situações de alta saúde, onde as granjas sejam livres de determinados patógenos, o ambiente de criação dos suínos respeite as necessidades biológicas dos animais e a nutrição seja adequada, permitindo o devido equilíbrio entre fatores promotores de saúde e fatores promotores de doenças”.
Biossegurança
Para a profissional, medidas de biossegurança devem ser rígidas e permanentes para iniciar uma retirada de antimicrobianos da suinocultura sem perdas. “A ocorrência de doenças é causa conhecida de perda de desempenho, de condenações no frigorífico e de mortalidade, além de um indicador de bem estar animal pobre. “Por isso, reduzir o uso de antimicrobianos passa obrigatoriamente por um trabalho de redução de riscos de entrada de novas doenças nos rebanhos – biossegurança externa – e de redução da manifestação clínica das que estejam presentes no rebanho – biossegurança interna”.
A profissional explica que, em sua maioria, são medidas de baixa complexidade, “que podem ser aplicadas em todos os sistemas de produção com níveis de maior ou menor ajuste, porém, sempre possíveis e aplicáveis”. “De forma geral, a definição pelo trabalho em unidades com níveis mínimos de biossegurança depende apenas da atitude das pessoas envolvidas em todas as esferas do processo”, observa.
Dellanora comenta que entre os principais requisitos de biosseguridade interna, o estabelecimento de uma imunidade robusta de rebanho é crucial para uma menor ocorrência de doenças, com atenção especial às matrizes. “Ao mesmo tempo em que as mães são as provedoras de imunidade passiva, células de defesa e probióticos via colostro, também serão a principal fonte de agentes que colonizarão os leitões lactentes. O plantel de matrizes é um ponto de intervenção visceral do sistema de produção com baixo uso de antimicrobianos e todos os procedimentos de vacinação e mamada de colostro são tratados como prioritários nestas granjas”, destaca.
“Além dos aspectos de biossegurança interna e externa, a implantação de sistemas de produção que considerem as exigências de conforto térmico, qualidade de ar, densidade animal e redução do contato fecal-oral são importantes estratégias de promoção de saúde”, considera. Para a especialista, que fez palestra para mais de 300 profissionais do setor durante o 13º Encontro Regional da Abraves-PR, em 16 de março, em Toledo, PR, nos últimos anos o manejo voltou os olhos mais para o trabalhador do que para o suíno, causando vícios que desvirtuaram o sistema produtivo. “O desafio que o confinamento impõe aos animais deve ser compensado com condições que permitam baixo nível de estresse físico e imunológico. Muitos estudos dos últimos 30 anos dão as diretrizes a respeito da situação ideal de alojamento e manejo de suínos. Não é mais admissível que sistemas de produção novos ou reformas em granjas já existentes tenham seus projetos concebidos sem levá-las em consideração. Em alguns momentos dos últimos dez anos, o foco real da produção de suínos foi distorcido, onde os manejos são discutidos no sentido de facilitar o trabalho das pessoas, muitas vezes em detrimento ao que é sabidamente melhor para o suíno”, garante Dallanora.
Instalações
Conforme a consultora, outro viés importante é a discussão da forma como tem sido definidos os modelos de instalações e equipamentos. “É comum que se faça a opção pelo menor custo ao invés de uma avaliação adequada de retorno sobre o investimento.
Exemplos frequentes são identificados no momento de definir pela compra de equipamentos para lavagem e desinfeção das granjas, a implantação de sistemas de nebulização, a definição pelo uso de pisos ripados e os equipamentos de climatização. Todos estes estão relacionados para minimizar o aparecimento de doenças, consequentemente, possibilidade de redução da necessidade de medicamentos, porém são avaliados pelo seu custo de implantação e não pelo custo de oportunidade que carregam consigo”, pontua. “Há infindáveis exemplos de “barato que custa caro” e também de “caro que não dá resultado” em nossos sistemas de produção e precisamos aprender com isso”, emenda.
Novo Olhar
Para Dallanora, “a adequação do uso de antimicrobianos na produção de suínos é uma necessidade e passará sem dúvida por uma mudança de posicionamento de toda a cadeia produtora, porém, iniciará na sua base”. “Um modelo de pensamento preventivo deve ser cultivado. O ângulo sob o qual avaliamos a ocorrência de doenças dentro das granjas deve mudar: ao invés de procurar exclusivamente tratamentos, procuremos formas de evitar que as mesmas doenças aconteçam nos próximos lotes e se cronifiquem”, orienta.
De acordo com ela, há dezenas de ferramentas baseadas em conhecimento técnico, entre elas medidas de biossegurança, manejos sanitários de limpeza, desinfecção, vazio sanitário, protocolos de vacinação, organização da ingestão de colostro, produtos alternativos, como probióticos e acidificantes, manejo de ambiência, entre outros, que ajudam nesse processo.
Notadamente uma apaixonada pela profissão, a doutora Djane Dallanora defende uma suinocultura segura e viável, que gera resultados na produção de alimentos e na vida dos profissionais. “O caminho a ser percorrido é longo, porém só depende de atitude. A parte mais prazerosa é a sensação do dever cumprido com responsabilidade”.
Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2017.
Fonte: O Presente Rural

Suínos
Preços do suíno vivo recuam nos principais estados em janeiro
Indicador CEPEA/ESALQ mostra quedas diárias e mensais em todas as praças acompanhadas em 19 de janeiro, com maior retração em São Paulo e Santa Catarina.

Os preços do suíno vivo apresentaram novas quedas nos principais estados produtores do país em 19 de janeiro de 2026, conforme o Indicador do Suíno Vivo CEPEA/ESALQ.
Em São Paulo, na modalidade posto, o valor médio foi de R$ 8,15 por quilo, registrando a maior retração diária entre as praças acompanhadas, com recuo de 5,12%. No acumulado do mês, a desvalorização chega a 8,53%. Em Minas Gerais, também na modalidade posto, o preço ficou em R$ 7,96/kg, com baixa diária de 2,45% e queda mensal de 5,58%.
No Paraná, o suíno vivo a retirar foi cotado a R$ 7,79/kg, após recuo de 3,95% no dia e de 5,80% no comparativo mensal. No Rio Grande do Sul, o valor chegou a R$ 7,85/kg, com diminuição diária de 1,88% e variação negativa de 5,42% no mês.
Santa Catarina apresentou cotação de R$ 7,74/kg, também a retirar, com queda de 2,40% no dia e a maior retração mensal entre os estados analisados, de 7,31%.
De acordo com o Cepea, o movimento de baixa reflete o cenário de pressão sobre os preços do suíno vivo, observado desde o início do mês, com perdas acumuladas em todas as regiões monitoradas.
Suínos
Suinocultura encerra o ano com margens positivas
Conjunto de resultados fez de 2025 um dos anos mais positivos para a suinocultura brasileira, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

Os preços do suíno vivo fecharam o ano em patamar estável, enquanto abates, produção, exportações e consumo alcançaram níveis recordes. O conjunto de resultados fez de 2025 um dos anos mais positivos para a suinocultura brasileira, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.
No mercado interno, o suíno vivo encerrou o ano cotado em torno de R$ 8,90 por quilo no estado de São Paulo, referência nacional. A estabilidade marcou praticamente todo o quarto trimestre. Mesmo com o aumento do volume abatido, o mercado seguiu equilibrado, sustentado pela demanda externa aquecida e por um período mais favorável ao consumo no mercado doméstico. A firmeza nos preços das demais proteínas também contribuiu para esse cenário.

Foto: Ari Dias/AEN
Nas exportações, após um desempenho mais moderado em novembro, quando os embarques somaram 92 mil toneladas, dezembro apresentou forte reação, com 118,6 mil toneladas exportadas, alta de 25,6% na comparação com dezembro de 2024. Com isso, o quarto trimestre fechou com crescimento de 5,8% frente ao mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2025, as exportações de carne suína avançaram 12% em relação a 2024, atingindo volume recorde de 1,5 milhão de toneladas.
Do lado da oferta, os abates no quarto trimestre cresceram cerca de 3%, com dezembro em nível semelhante ao do ano anterior. No total de 2025, a alta estimada é de 3,5%. O maior peso das carcaças impulsionou a produção de carne suína, que cresceu 4,7% e alcançou um novo recorde próximo de 5,6 milhões de toneladas.
Esse volume permitiu que o consumo doméstico também atingisse o maior nível da série histórica, com aproximadamente 4,1 milhões de toneladas absorvidas pelos consumidores brasileiros ao longo do ano.
Com margens médias de produção em torno de 25% em 2025, o maior nível registrado em cerca de 20 anos, o desempenho do setor confirma 2025 como um dos melhores anos da história da suinocultura no Brasil.
Suínos
Consumo acima de 20 kg per capita e salto para 3º lugar nas exportações globais impulsionam otimismo da suinocultura para 2026
Números confirmam a leitura otimista. Entre julho e setembro de 2025, o Brasil abateu 15,8 milhões de suínos, gerando 1,488 milhão de toneladas de carcaças.

A suinocultura brasileira encerrou 2025 com desempenho acima das projeções iniciais e crescimento simultâneo em produção, exportação, consumo interno e rentabilidade. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes. “Antes do ano terminar já era possível afirmar que 2025, em relação a 2024, foi de crescimento em todas as áreas para o setor. Depois de uma crise prolongada, o setor consolida uma recuperação consistente”, disse em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural.
Os números confirmam a leitura otimista. Entre julho e setembro de 2025, o Brasil abateu 15,8 milhões de suínos, gerando 1,488 milhão de toneladas de carcaças. Os volumes representam, respectivamente, alta de 5,26% e 6,07% frente ao mesmo período de 2024, ritmo mais que duas vezes superior ao observado no terceiro trimestre de 2024 em comparação a 2023.
No acumulado de janeiro a setembro, o avanço também surpreendeu o setor. O país abateu pouco mais de 1,5 milhão de cabeças adicionais em relação ao ano anterior, o que representa um aumento de 3,43%, correspondendo a quase 200 mil toneladas extras de carcaças.
Consumo interno ultrapassa marca histórica
O avanço da produção ocorreu em paralelo ao aumento do consumo interno de carne suína. A ABCS estima que, em 2025, o país deve superar a barreira dos 20 kg per capita ao ano, patamar considerado estratégico para consolidar a proteína como escolha cotidiana do brasileiro. “É um nível de consumo que coloca a carne suína como opção real e rotineira na mesa do consumidor”, afirmou Lopes.
A combinação entre preços estáveis ao produtor, oferta ajustada e maior competitividade frente às demais proteínas impulsionou o mercado ao longo do ano. O presidente reforça que, em 2026, a tendência é de espaço ainda maior para crescimento, especialmente diante da expectativa de alta na carne bovina.
O aumento da produção, somado ao forte ritmo das exportações, não impediu a ampliação da oferta doméstica e 2025 deve finalizar com crescimento superior a 2% na disponibilidade interna de carne suína. “Essa pequena sobreoferta certamente contribuiu para a estabilidade nas cotações do suíno na maioria das praças”, avaliou Lopes.
Exportações crescem e se diversificam
As exportações foram um dos pilares da sustentação do mercado em 2025. Além de registrar novos recordes, o setor ampliou a pulverização dos destinos, reduzindo a dependência da China.
Após o recorde observado em setembro, outubro encerrou o ano como o segundo melhor mês da história, com 125,6 mil toneladas de carne suína in natura exportada, alta de 8% frente a outubro de 2024. De janeiro a outubro, os embarques totalizaram 1.110.636 milhão toneladas, aumento de 13,53% ante o mesmo intervalo do ano anterior.
As Filipinas lideraram as compras ao longo de 2025, seguidas por China, Chile, Japão, Hong Kong, México, Singapura, Vietnã, Uruguai e Argentina. “Filipinas consolidou a liderança, mas mercados importantes como Japão, México e Chile tiveram crescimento significativo. Para 2026 esperamos um crescimento ainda concentrado no continente asiático, com participação proporcional da China cada vez menor”, relatou Lopes.
Oferta ajustada e margens positivas
Com crescimento de produção acima de 4% e exportações superiores 14%, o setor conseguiu manter um equilíbrio favorável entre oferta e demanda ao longo de 2025. Para Lopes, esse alinhamento foi essencial para sustentar a rentabilidade dos produtores. “O ano foi relativamente bem ajustado no quesito oferta e procura, com margem financeira positiva também em função da boa oferta de insumos”, expôs o presidente da ABCS.
Segundo ele, a combinação entre mais carne disponível, mercado interno aquecido e exportações firmes favoreceu a fluidez da cadeia e a formação de preços compatíveis com os custos. “O desempenho de 2025 consolida um ciclo de recuperação após anos de forte pressão econômica, abrindo espaço para perspectivas mais favoráveis em 2026, especialmente no consumo interno e na expansão da presença brasileira no mercado asiático”, avaliou.
Mão de obra pressiona margens ao produtor
Apesar do avanço da produção e da melhora no fluxo de mercado, 2025 não foi um ano livre de desafios, especialmente no que diz respeito aos custos operacionais. Lopes explica que os principais insumos da alimentação (milho e farelo de soja) tiveram comportamento favorável ao produtor ao longo do ano. “Os principais custos relacionados à alimentação dos suínos se mantiveram bastante estáveis ao longo do ano, com destaque para o farelo de soja, que apresentou cotações bastante baixas em relação aos anos anteriores, e o milho que voltou a um patamar mais acessível graças à safra recorde”, analisou.
O item que mais pressionou as contas das granjas brasileiras, segundo ele, foi a mão de obra. “A dificuldade de encontrar pessoas interessadas em trabalhar no setor ampliou os custos e reforçou um problema estrutural conhecido da cadeia. Energia, sanidade e manejo também continuaram compondo uma parcela significativa das despesas, mas sem grandes oscilações ao longo do ano”, evidenciou.
Sul registra recuperação consistente de margens

Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes: “Temos um setor tecnificado, competitivo e com enorme potencial de expansão, mas precisamos agir com responsabilidade para que o ciclo positivo se mantenha. Crescimento sustentável é aquele que respeita a lógica de mercado e garante longevidade para toda a cadeia” – Foto: Divulgação/ABCS
Com base nos custos calculados pela Embrapa e nas cotações do suíno vivo levantadas pelo Cepea, a suinocultura de ciclo completo nos três estados do Sul registrou uma recuperação expressiva de rentabilidade entre janeiro e outubro de 2025. “Embora os custos tenham avançado em relação a 2024, o movimento de alta nos preços pagos ao produtor foi ainda mais intenso, o que resultou em margens ampliadas e melhora consistente em todas as regiões”, apontou Lopes.
No Paraná, o custo médio subiu de R$ 5,74/kg em 2024 para R$ 6,02/kg em 2025. No mesmo intervalo, o preço de venda passou de R$ 7,39/kg para R$ 8,20/kg. O movimento elevou a margem de R$ 1,64/kg para R$ 2,19/kg, configurando o maior ganho absoluto entre os estados do Sul. “O resultado é reflexo da valorização do suíno vivo no mercado regional e interestadual”, ponderou o presidente da ABCS.
O Rio Grande do Sul também registrou avanço significativo. Os custos aumentaram de R$ 5,75/kg para R$ 6,29/kg, enquanto o preço subiu de R$ 7,17/kg para R$ 8,17/kg. A margem média passou de R$ 1,41/kg para R$ 1,89/kg. “Mesmo com pressão dos insumos, o produtor gaúcho operou com resultados positivos ao longo do ano, mantendo estabilidade financeira”, salientou Lopes.
Em Santa Catarina, principal polo nacional de produção e exportação, os custos foram de R$ 5,90/kg para R$ 6,31/kg. O preço médio avançou de R$ 7,22/kg para R$ 8,18/kg, elevando a margem de R$ 1,33/kg para R$ 1,87/kg. “A demanda externa, que sustentou boa parte da fluidez do mercado, teve papel decisivo nesse desempenho”, expôs o dirigente.
A média regional do Sul confirma o movimento de recuperação. O custo, que era de R$ 5,80/kg em 2024, chegou a R$ 6,21/kg em 2025, enquanto o preço ao produtor avançou de R$ 7,26/kg para R$ 8,19/kg. Com isso, a margem média subiu para R$ 1,98/kg, acima dos R$ 1,46/kg registrados no ano anterior. Na prática, os números mostram que a dinâmica de mercado em 2025, marcada por preços firmes, oferta ajustada e demanda aquecida, favoreceu de forma consistente o produtor.
Crédito caro e logística limitada
Apesar do bom desempenho do ano, a competitividade da cadeia enfrenta gargalos importantes. Para Lopes, o maior obstáculo atualmente é o acesso ao crédito. “Do ponto de vista do produtor, o grande gargalo hoje é acesso a crédito para investimento e custeio. Com juros muito elevados e valores limitados, o produtor encontra extrema dificuldade de expandir ou melhorar sua estrutura”, analisou.
A logística também aparece como um desafio permanente. A concentração da produção no Sul contrasta com a localização da maior parte da oferta de grãos no Centro-Oeste, ampliando custos de transporte. “Nossa malha ferroviária está muito mais voltada para atender as exportações do que a demanda interna, e ainda há o crescimento das usinas de etanol de milho, que acabam concorrendo com vantagens logísticas pelo cereal”, destacou Lopes.
Na área sanitária, a preocupação se intensificou em 2025. A biosseguridade tem ganhado peso nas estratégias de produção, especialmente diante do quadro descontrolado da Peste Suína Africana na Europa.
Brasil deve assumir terceira posição global nas exportações

A performance brasileira no mercado internacional segue em ascensão. Embora os números finais de 2025 ainda não tenham sido fechados, Lopes afirma que o país deve consolidar um avanço histórico. “É muito provável que o Brasil, em 2025, ultrapasse o Canadá e assuma a terceira posição nas exportações de carne suína, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da União Europeia”, adiantou.
O presidente ressalta que, entre os grandes exportadores, o Brasil deve ser o que mais cresceu proporcionalmente no mercado internacional ao longo de 2025. A competitividade de custos e a qualidade do produto sustentam a expansão, e o principal limitador agora é a demanda global. “O que limita nossa expansão é uma maior demanda externa, pois já conseguimos acessar os mercados mais exigentes em termos de qualidade e sanidade”, explicou.
Exigências internacionais pressionam investimentos
Com mercados cada vez mais atentos à rastreabilidade, sustentabilidade e bem-estar animal, o setor deve intensificar ajustes em 2026. A avaliação de Lopes é de que a suinocultura brasileira avance, mas de forma heterogênea. “Há sistemas de produção e empresas bastante avançadas na rastreabilidade e certificação, mas também existem outras com carências nestes quesitos”, afirmou.
Ainda assim, o dirigente reforça que o progresso é contínuo. “Toda suinocultura brasileira tem evoluído muito nos últimos anos, incorporando vários conceitos relativos a bem-estar animal, sustentabilidade e economia circular, numa maior ou menor velocidade conforme o mercado que acessam ou nível de tecnificação e capacidade de investimento de cada um”, menciona.
Projeções para 2026
Ao projetar o desempenho da suinocultura para 2026, Lopes reforça que o momento é positivo, mas exige prudência. Ele observa que o setor entrou em trajetória sustentável de recuperação ao longo de 2025, mas adverte para o risco de excessos. “Precisamos estar atentos para que o aumento demasiado da produção não provoque um descompasso entre oferta e procura, o que poderia gerar uma nova crise”, advertiu.
Apesar da melhora da rentabilidade em todas as regiões produtoras, Lopes destaca que o setor deve evitar movimentos de expansão acelerada e priorizar investimentos estruturais. “É fundamental que o produtor aproveite as sobras financeiras para aperfeiçoar processos, elevar produtividade e reforçar atributos de qualidade exigidos pelos mercados consumidores”, recomendou.
As oportunidades para o próximo ano seguem concentradas em três eixos: abertura ou ampliação de mercados, diversificação de produtos e agregação de valor. Lopes avalia que o Brasil entra em 2026 com posição fortalecida no comércio internacional e com potencial para novas demandas específicas, especialmente cortes premium, produtos processados e itens com atributos de sustentabilidade e rastreabilidade. “O consumo doméstico também pode agregar ganhos, ainda que o crescimento seja gradual. A continuidade da recomposição da renda das famílias e a competitividade relativa da carne suína frente à bovina tendem a favorecer esse movimento”, estimou Lopes.
Crescimento moderado

As estimativas da ABCS indicam que 2026 tende a ser um ano de crescimento moderado, influenciado pelas condições de mercado e pela evolução dos custos. A entidade projeta uma expansão de até 5% na produção em relação a 2025, ritmo considerado saudável e capaz de evitar desequilíbrios mais significativos entre oferta e demanda. Também prevê avanço próximo de 3% nas exportações, sustentado por uma demanda internacional mais firme e pela perda de competitividade da União Europeia, que enfrenta custos crescentes, redução de capacidade produtiva e entraves regulatórios. E no mercado interno, a disponibilidade deve aumentar pouco acima de 4%. “Isoladamente, esse movimento poderia pressionar os preços, mas a dinâmica da pecuária de corte tende a mitigar esse impacto”, prevê Lopes.
O presidente da ABCS explica que o cenário de carnes precisa ser observado de forma integrada. “Enquanto a oferta de carne suína tende a crescer, a bovinocultura deve passar por uma virada de ciclo, com redução no abate e possível aumento das cotações do boi gordo. Esse movimento pode sustentar o preço do suíno em 2026”, analisa.
Custos de produção

A evolução dos custos de produção, especialmente milho e farelo de soja, ainda é incerta. As primeiras indicações apontam para uma colheita de milho menor na safra 2025/26, influenciada pelo La Niña e pela descapitalização de agricultores após um ciclo de margens comprimidas. Além disso, o avanço acelerado das usinas de etanol de milho amplia a competição pelo cereal no mercado interno.
Segundo Lopes, esse conjunto de fatores pode pressionar os preços dos insumos ao longo de 2026. “O suinocultor deve acompanhar de perto a evolução da safra brasileira e buscar o melhor momento para antecipar a compra dos insumos”, orienta.
A suinocultura brasileira encerra 2025 renovada, mais resiliente e com perspectivas favoráveis. Contudo, o avanço em 2026 vai depender da capacidade do setor de equilibrar crescimento, investimento e prudência. A competitividade internacional ampliada, os ganhos de eficiência e a crescente profissionalização são fatores que fortalecem o país, mas não eliminam riscos. “Temos um setor tecnificado, competitivo e com enorme potencial de expansão, mas precisamos agir com responsabilidade para que o ciclo positivo se mantenha. Crescimento sustentável é aquele que respeita a lógica de mercado e garante longevidade para toda a cadeia”, exaltou Lopes.
O Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.
