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Disparada nos preços do boi gordo pressiona margens dos frigoríficos
Preços do boi gordo mantiveram sua escalada na semana, desacelerando apenas a partir da quinta-feira

Os preços do boi gordo mantiveram sua escalada na semana, desacelerando apenas a partir da quinta-feira. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o ritmo de negócios apresentou mudança no final da semana, com os frigoríficos buscando efetivar compras abaixo das referências médias de preços. Algumas empresas sinalizam com férias coletivas, enquanto a estratégia de reduzir a capacidade de abate vai sendo tomada em praticamente todas as unidades, uma consequência do encarecimento da matéria-prima nos últimos meses.
“Em linhas gerais, mesmo com o agressivo movimento de alta dos preços da carne, não houve o repasse necessário para mitigar o efeito dos avanços do preço do boi gordo, fazendo com que muitos frigoríficos passassem a operar com margens negativas. Resta saber como o pecuarista vai assimilar essa mudança de comportamento. A oferta permanecerá restrita daqui até o final do ano, avaliando que há grande dependência da oferta de confinados, uma vez que a estiagem prolongada vai atrasar a entrada de animais de safra, que devem estar aptos ao abate apenas no primeiro trimestre de 2021, assinalou Iglesias.
Em São Paulo, principal centro consumidor de carne bovina do país, poucos negócios foram realizados acima da linha de R$ 290,00 por arroba, e muitos frigoríficos se mantiveram ausentes, sinalizando para novos testes junto aos pecuaristas na próxima semana.
“Os frigoríficos parecem próximos do limite, com margens encolhendo, principalmente para aqueles que operam apenas no mercado doméstico. O preço da carne bovina subiu de forma muito acentuada, mas mesmo assim não foi o suficiente para cobrir os custos”, apontou o analista.
Em São Paulo, Capital, os preços do mercado à vista ficaram em R$ 294,00 a arroba, estáveis na comparação com a quarta-feira. Em Uberaba, Minas Gerais, os preços ficaram em R$ 285,00 – R$ 286,00 a arroba, ante R$ 285,00 a arroba. Em Dourados, no Mato Grosso do Sul, os preços ficaram em R$ 285,00 a arroba, contra R$ 286,00 a arroba ontem. Em Goiânia, Goiás, o preço indicado foi de R$ 280,00 a arroba, inalterado. Já em Cuiabá, no Mato Grosso, o preço ficou em R$ 276,00 a arroba, ante R$ 271,00 a arroba.
Com isso, os preços a arroba do boi gordo na modalidade à prazo nas principais praças de comercialização do País estavam assim no dia 12 novembro:
- São Paulo (Capital) – R$ 295,00 a arroba, contra R$ 282,00 a arroba em 05 de novembro (+4,6%).
- Goiás (Goiânia) – R$ 280,00 a arroba, contra R$ 270,00 a arroba (3,7%).
- Minas Gerais (Uberaba) – R$ 286,00 a arroba, ante R$ 276,00 a arroba, subindo 3,62%.
- Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 285,00 a arroba, ante R$ 275,00 a arroba (3,64%).
- Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 280,00 a arroba, contra R$ 265,00 a arroba (5,66%).
Exportação
As exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada do Brasil renderam US$ 184,554 milhões em novembro (4 dias úteis), com média diária de US$ 46,138 milhões. A quantidade total exportada pelo país chegou a 42,009 mil toneladas, com média diária de 10,502 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 4.393,20.
Na comparação com novembro de 2019, houve alta de 22,61% no valor médio diário, ganho de 35,05% na quantidade média diária e queda de 9,21% no preço médio. Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços e foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.

Notícias
Aletéia Balestrin inicia gestão do Nucleovet com foco em capacitação e protagonismo profissional
Médica-veterinária assume a presidência do Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas para o biênio 2026/2027.

Fortalecer o Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), estimular a formação de novas lideranças, ampliar capacitações, promover o conceito de saúde única e inovar na realização dos Simpósios Brasil Sul de Avicultura, Suinocultura e Bovinocultura de Leite estão entre os principais objetivos da nova diretoria da entidade, que projeta uma atuação ainda mais próxima e alinhada às demandas atuais da comunidade veterinária e zootécnica.
Nesta entrevista, a presidente da gestão 2026/2027, médica-veterinária Aletéia Britto da Silveira Balestrin, destaca alguns objetivos da entidade para os próximos anos.
O que a motivou a assumir a presidência de uma das entidades mais atuantes de SC?
Antes de tudo, o carinho e o sentimento de pertencimento que construí com a entidade ao longo dos anos. Sempre acompanhei de perto o trabalho do Núcleo e vi de dentro o quanto ele transforma pessoas, fortalece profissionais e faz diferença real no nosso setor. Em muitos momentos da minha trajetória o Nucleovet foi inspiração, aprendizado e ponto de apoio.
Assumir a presidência nasceu desse vínculo. Senti que era o momento de retribuir tudo o que recebi, de colocar minha energia e minha experiência a serviço de algo maior. É uma mistura de orgulho, responsabilidade e entusiasmo. Eu acredito profundamente no potencial do nosso grupo, na força da união e na capacidade que temos de continuar crescendo, inovando e representando a classe e Santa Catarina com excelência. No fundo, o que realmente me motivou foi a vontade genuína de contribuir com pessoas que admiro, por uma causa em que acredito, num lugar que considero uma extensão da minha própria caminhada profissional.
Quais são as metas e os objetivos para esses dois anos de mandato?
Minhas metas e objetivos estão muito conectados ao propósito que me trouxe até aqui: fortalecer o Nucleovet como uma entidade cada vez mais relevante, humana e presente na vida dos profissionais e das instituições que fazem parte do nosso setor.
Quero, primeiro, consolidar e ampliar o que já funciona bem, nossos eventos, capacitações e ações técnicas, mantendo o alto nível que sempre marcou o Nucleovet, mas trazendo também novas abordagens, temas atuais e formatos que aproximem ainda mais a comunidade veterinária.
Outra meta importante é intensificar o diálogo e as parcerias. Acredito no poder da cooperação, seja com órgãos públicos, universidades, empresas ou outras entidades. Abrir portas, criar pontes e trabalhar de forma integrada é essencial para que possamos evoluir como classe e como setor.
Também quero olhar com atenção para as pessoas: apoiar a formação contínua, estimular a participação de novos profissionais, dar espaço a diferentes perfis e incentivar a construção de lideranças. Meu objetivo é que o Nucleovet seja, cada vez mais, um ambiente acolhedor, moderno e inspirador.
Desejo deixar um legado de continuidade, fortalecer a instituição para que siga crescendo muito além da minha gestão, com processos mais estruturados, comunicação eficiente e uma visão estratégica que acompanhe as transformações do agro e da Medicina Veterinária.
Na sua avaliação, quais as principais aspirações da classe de médicos veterinários e zootecnistas?
Elas estão ligadas ao reconhecimento, ao desenvolvimento e às condições para exercerem seu trabalho com dignidade e impacto. Somos profissionais que carregam uma enorme responsabilidade com a saúde animal, com a produção de alimentos, com o meio ambiente e, no fim das contas, com a sociedade como um todo, e isso faz com que algumas demandas sejam muito claras.
Acredito que a primeira grande aspiração da classe é ter valorização profissional real. Reconhecimento técnico, remuneração justa, respeito às atribuições e espaço para atuar com autonomia são pontos frequentemente mencionados e sentidos no dia a dia.
Outra aspiração importante é acesso a atualização constante. Nosso setor evolui rapidamente, seja em tecnologia, sanidade, bem-estar animal ou sistemas produtivos. Por isso, muitos profissionais buscam oportunidades de capacitação de qualidade, que sejam práticas e que realmente façam diferença na rotina.
Também percebo um desejo crescente de pertencimento e representatividade. A classe quer sentir que tem voz, que é ouvida, que suas preocupações são levadas adiante por entidades comprometidas e atuantes. Participar de espaços onde decisões são construídas de forma coletiva é algo que fortalece muito o sentimento de união.
E, por fim, existe uma aspiração muito humana: ter condições de trabalho que permitam exercer a profissão com propósito, com ética, com segurança, com estrutura e com orgulho da trajetória escolhida. No fundo, todos querem contribuir de maneira positiva e deixar um legado no setor.
Como os profissionais vinculados ao Nucleovet podem atuar junto à entidade em busca de conhecimentos, tecnologias e inovações?
O primeiro passo é participar dos eventos, cursos e comissões promovidos pela entidade, que são justamente pensados para oferecer atualização constante e atuação nos nossos eventos. Outra forma importante é contribuir com sugestões, demandas e experiências práticas, ajudando a direcionar temas, identificar necessidades e construir agendas relevantes para a classe. Essa troca direta fortalece todo o ecossistema. Também é fundamental engajar-se nos projetos, comissões e iniciativas internas, abrindo espaço para networking, acesso a diferentes realidades e interação com especialistas, empresas e instituições parceiras. Por fim, a participação ativa, seja compartilhando informações, seja aproximando novos profissionais, cria um ambiente fértil para que o Nucleovet siga sendo um polo de inovação, aprendizado e referência técnica.
Quais as novidades para os Simpósios de Avicultura, Suinocultura e Bovinocultura de Leite?
O Nucleovet está estruturando um conjunto de novidades que reforçam o posicionamento técnico da entidade e a relevância desses eventos no cenário nacional. O ano de 2026 é muito especial porque além de estarmos completando 55 anos como entidade, comemoraremos 15 anos de edições do SBSBL.
Podemos citar de maneira prática: qualificação da programação científica, com curadoria ainda mais criteriosa, priorizando temas emergentes, pesquisas recentes e especialistas reconhecidos no Brasil e no exterior. Ampliação dos espaços dedicados à inovação e tecnologia, permitindo maior aproximação entre profissionais, empresas e centros de pesquisa. Melhoria na estrutura dos eventos, com ambientes planejados para favorecer interação e troca de experiências entre diferentes elos da cadeia produtiva. Novos formatos de conteúdo, como painéis temáticos e debates orientados por dados, fortalecendo a discussão técnica e a aplicação prática do conhecimento. Integração entre educação continuada e desenvolvimento profissional, reforçando o compromisso do Nucleovet com a formação de lideranças e a valorização da classe.
Essas iniciativas têm como objetivo elevar ainda mais o nível técnico dos simpósios, consolidando-os como plataformas estratégicas para disseminação de conhecimento, atualização profissional e fortalecimento das cadeias produtivas.
Em 2026 o Nucleovet completa 55 anos. Como você visualiza os próximos anos da entidade?
Quando penso nos próximos anos do Nucleovet, especialmente ao celebrarmos 55 anos em 2026, vejo uma entidade que não apenas honra sua história, mas que se projeta com força para o futuro. Nosso legado nos dá base, mas é o nosso propósito que nos impulsiona. Visualizo um Nucleovet ainda mais aberto, inovador e conectado. Um espaço onde profissionais se encontram para aprender, trocar experiências e construir soluções que realmente transformem o nosso setor. Uma entidade capaz de unir tradição e modernidade, mantendo a essência que sempre nos guiou, mas com energia renovada para enfrentar os desafios de um mundo em constante evolução. Acredito que os próximos anos serão marcados por mais participação, mais colaboração e mais protagonismo. Vejo o Nucleovet liderando diálogos importantes, aproximando gerações, estimulando novas lideranças e ampliando sua presença como referência técnica e humana. Mais do que acompanhar as mudanças, queremos ser parte delas. E construir, junto com todos os profissionais, um futuro em que a Medicina Veterinária e a Zootecnia sigam avançando com conhecimento, ética, união e propósito.
Que mensagem você deixa para os associados e parceiros do Nucleovet?
Quero deixar uma mensagem do coração: obrigada por caminharem conosco. Cada um de vocês faz parte da história, da força e do propósito do Nucleovet. É a confiança de vocês que nos move, que nos desafia e que nos inspira a buscar sempre mais. Quando olhamos para tudo o que já construímos juntos, vemos muito mais do que eventos e projetos. Vemos pessoas comprometidas, profissionais apaixonados pelo que fazem, relações que se fortalecem e um sentimento genuíno de pertencimento. É isso que nos torna especiais. Quero que cada associado e parceiro saiba que são essenciais. Que suas ideias importam, que sua presença faz diferença e que o Nucleovet é, antes de tudo, uma casa construída por muitos e para muitos. Sigamos juntos, com entusiasmo, união e confiança no futuro. Ainda há muito para realizar, e é uma alegria saber que podemos contar uns com os outros para ir ainda mais longe. Meu mais sincero obrigada.
Notícias Em Minas Gerais
Zootec 2026 acontece em maio e reúne os principais debates da Zootecnia brasileira
Congresso reúne profissionais de todo o país em Viçosa, com 12 eventos simultâneos e foco em inovação, sustentabilidade e futuro da produção animal.

O 35º Congresso Brasileiro de Zootecnia (Zootec 2026) será realizado entre os dias 20 e 23 de maio, na Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais. O evento deve reunir estudantes, profissionais, pesquisadores e empresas de todo o país em um dos mais tradicionais fóruns de discussão e atualização da Zootecnia brasileira.
Com o tema “A Zootecnia dos Próximos 100 Anos”, o congresso integra a programação comemorativa do centenário da UFV, instituição reconhecida nacional e internacionalmente pela excelência no ensino, na pesquisa e na extensão em ciências agrárias. A realização é conjunta com a Associação Brasileira de Zootecnistas (ABZ), reforçando o caráter técnico-científico e a representatividade do evento no setor.
Reconhecida pela organização de grandes encontros na área, a UFV traz em 2026 uma proposta inédita: a realização simultânea de todos os seus simpósios periódicos dentro da programação do XXXV ZOOTEC. A iniciativa amplia a integração entre áreas e concentra, em um único ambiente, diferentes fóruns especializados da Zootecnia.
Ao todo, serão 12 eventos realizados de forma simultânea, contemplando todas as áreas da profissão. Estão previstos o XIV SIMCORTE (Produção de Bovinos de Corte), XII SIMBRAS (Agropecuária Sustentável), XII SIMFOR (Manejo Estratégico de Pastagens), XI SIMLEITE (Bovinocultura Leiteira), IV SIMMELHOR (Genética e Melhoramento Animal), III Workshop de Produção e Nutrição de Aves e Suínos, II SIMCCARNE (Ciência da Carne), IV SIMEQ (Equideocultura), II Workshop de Inteligência Artificial Aplicada à Pecuária, IV Simpósio de Ambiência e Bem-estar Animal, além do I Simpósio de Aquicultura e do I Simpósio de Produção de Pequenos Ruminantes.
A programação contará com palestras, mesas-redondas, workshops, apresentações de trabalhos científicos e atividades técnicas, promovendo a troca de conhecimento entre a academia, o setor produtivo e o mercado. Temas como sustentabilidade, inovação tecnológica, inteligência artificial, bem-estar animal e valorização profissional estarão no centro dos debates.
Consolidado como um dos maiores eventos da área no país, o Zootec 2026 reforça seu papel estratégico no desenvolvimento da Zootecnia brasileira e na construção de soluções para os desafios atuais e futuros da produção animal.
Mais informações estão disponíveis no site oficial, acesse clicando aqui, e no Instagram @zootec.oficial.
Colunistas
Inovação biológica desafia a dependência de fósseis na indústria
Avanços em biocombustíveis, biopolímeros e engenharia genética reforçam o papel da pesquisa científica na construção de uma economia de baixo carbono.

Materiais fósseis como carvão, petróleo e gás são os maiores emissores de gases de efeito estufa, os grandes responsáveis pelo flagelo das mudanças climáticas que estão abalando o mundo. Os fósseis não são usados apenas como combustíveis, mas também como matéria-prima para a indústria química.
Há décadas buscam-se substitutos para gás e petróleo como fonte de insumos industriais, com vistas a uma produção sustentável. A pesquisa científica tem sido frutífera em encontrar soluções para produtos de maior valor intrínseco e para outros que são difíceis ou caros de obter pela petroquímica, porém possíveis através da agricultura.
Enquanto aguardamos os impactos das discussões na COP-30, a conclusão da COP29 (Baku, Azerbaijão), apontando para a necessidade imperiosa de transição para fontes renováveis de energia e de matérias-primas para a química verde, traz em seu bojo o incentivo à substituição da petroquímica por alternativas sustentáveis. Nesta linha, diversos avanços foram introduzidos recentemente no mercado. Sem almejar ser exaustivo, vamos referir alguns:
Pesquisadores da Universidade Macquarie desenvolveram um novo método de síntese microbiana para produzir enzimas que degradam polietileno utilizando traças, fungos e/ou bactérias. Usando essa tecnologia, é possível produzir biocombustíveis, fertilizantes ou outros produtos químicos, destarte reduzindo a poluição por plásticos.

Artigo escrito por Décio Luiz Gazzoni, engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa e membro Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e da Academia Brasileira de Ciência Agronômica.
Os avanços foram publicados no livro Biowaste and Biomass in Biofuel Applications, editado pelo professor Yashvir Singh, que propõe uma nova dimensão da produção de biocombustíveis, desde seus princípios introdutórios até os avanços de uma perspectiva futura.
Ele resume a justificativa para mudanças na utilização de combustível líquido e a seleção de novas tecnologias para tornar o biocombustível rentável e avançar em direção a uma abordagem neutra em carbono.
Também fornece um esboço baseado em evidências de como aditivos e nanotecnologia alteram quimicamente a qualidade e a eficácia dos biocombustíveis, incluindo abordagens novas e inovadoras, como nanomateriais e vários nanoaditivos.
Os genes da nodulina precoce (ENOD) são essenciais para a formação de nódulos fixadores de nitrogênio. No entanto, sua atividade carecia de elucidação, até o estudo conduzido na Universidade da Austrália Ocidental, que abre perspectivas para o ajuste e a manipulação direcionados do gene ENOD93, aumentando a eficiência na utilização de nitrogênio e ajustes de outras características desejáveis nas plantas. O texto completo do artigo de Chun Pong Lee e colaboradores, Early nodulin93 acts via cytochrome c oxidase to alter respiratory ATP production and root growth in plants.
Materiais condutores de prótons são essenciais para tecnologias de energia renovável e bioeletrônica. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Irvine, fabricaram um material condutor de prótons biocompatível e versátil, a partir de proteínas. Eles suportam calor e acidez e podem ser modificados usando técnicas de engenharia genética para ajustar as propriedades elétricas, permitindo facilidade de integração em sistemas de fluxo protônico.
Uma estratégia de produção sintética tripla para reguladores de transcrição, utilizando elementos-chave de leveduras e espécies de plantas, foi desenvolvida pelo Laboratório Lawrence Berkeley. O processo cobre uma biblioteca diversificada de reguladores para controlar a transcrição eucariótica. Esta tecnologia permitirá coordenar a expressão de múltiplos genes de uma forma responsiva e específica, abrindo caminho para o desenvolvimento de novos produtos alimentares.
As fibras vegetais, uma importante fonte de biopolímeros para a indústria têxtil, absorvem umidade, afetando a qualidade do tecido. Pesquisadores do Instituto de Ciência e Tecnologia de Luxemburgo desenvolveram um método de culturas de fibras que expressam proteínas anfipáticas, moléculas que possuem uma parte hidrofílica (solúvel em água) e outra hidrofóbica (insolúvel em água), que podem formar camadas em interfaces hidrofílicas-hidrofóbicas, solucionando o problema da umidade.
Em fungos filamentosos, as hidrofobinas são pequenas proteínas ativas de superfície secretadas que desempenham um papel importante na sua fisiologia, patogenicidade e resposta imune do hospedeiro. A tecnologia propõe uma estratégia de engenharia de plantas baseada na expressão heteróloga de um gene de um fungo, responsável por produzir a hidrofobina.
Essas proteínas anfipáticas e têm a capacidade de formar monocamadas em interfaces hidrofílicas-hidrofóbicas. As hidrofobinas são usadas em biotecnologia para diferentes propósitos, abrangendo desde a indústria alimentícia até a nanotecnologia e aplicações médicas.
A tecnologia propõe usar Aspergillus nidulans como um biorecurso para o fornecimento do gene da hidrofobina (rodA), que é indispensável para o tratamento da biomassa, produzindo fibrilas estáveis semelhantes a amiloides, formando uma monocamada.
As hidrofobinas não ocorrem naturalmente em plantas e, ao projetar plantas para expressá-las em fibras er, suas propriedades de superfície serão alteradas. O objetivo final é fornecer uma abordagem alternativa às abordagens químicas atualmente utilizadas, para tornar as fibras liberianas mais compatíveis com as necessidades da indústria de biocompósitos.
A listagem acima está muito distante de incluir todas as inovações geradas no último ano. Mas servem como um exemplo claro de que o caminho para o desenvolvimento com sustentabilidade e oportunidades, base de uma sociedade igualitária, depende diretamente dos investimentos maciços e contínuos em pesquisa e desenvolvimento.



