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Avicultura Mercado de carnes

Diretor do Sindiavipar exalta Brasil como referência global em biosseguridade na avicultura

Investir em biosseguridade e biossegurança continua sendo a melhor estratégia para manter nossos produtos competitivos no mercado global.

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O mercado de carnes no Brasil constantemente atravessa períodos de transformações e desafios, impulsionados por fatores econômicos, sociais e ambientais. Em meio a este cenário dinâmico, a avicultura se destaca como um dos setores mais resilientes e promissores do agronegócio brasileiro. Com a crescente demanda por proteína animal e as contínuas inovações tecnológicas, a avicultura brasileira reafirma sua importância no mercado global.

Durante o Congresso de Avicultores e Suinocultores O Presente Rural, realizado de forma híbrida em meados de junho, o diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), Paulo Sérgio Cândido, tratou sobre o cenário atual do mercado de carnes e as perspectivas para a avicultura. O evento, voltado para os produtores, destacou a importância e os desafios enfrentados pelo setor avícola no País.
Principal produtor e exportador de carne de frango do Brasil, o estado paranaense foi responsável, em 2023, por 34,6% de toda a carne de frango produzida em território nacional, além de representar 41,7% das exportações brasileiras do setor.

Diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), Paulo Sérgio Cândido: “O principal ativo da cadeia alimentar da avicultura são as pessoas”. Foto: Sandro Mesquita/OP Rural

Com 17.259 aviários distribuídos por 7.190 propriedades em 320 municípios, a avicultura paranaense além de dominar a produção nacional é também um pilar fundamental da economia local, gerando mais de um milhão de empregos diretos e indiretos. O Valor Bruto da Produção (VBP) do setor avícola no Paraná superou a marca de R$ 30 milhões no último ano, evidenciando sua relevância econômica. “A concentração da produção de aves no estado ocorre predominantemente nas regiões Oeste e Norte, devido a infraestrutura adequada para a atividade. Esse cenário favorece não apenas o crescimento contínuo da produção, mas também a competitividade do estado no mercado internacional de carne de frango”, reforça Paulo.

Segundo o diretor do Sindiavipar, apesar dos desafios econômicos e logísticos, o setor avícola tem um potencial significativo de crescimento, impulsionado pela qualidade e pela eficiência produtiva dos produtores paranaenses.

Grandiosidade da agricultura brasileira e sua relevância na avicultura nacional

Paulo ressalta que não há como discutir as perspectivas da avicultura sem abordar a magnitude da agricultura brasileira. Frequentemente denominado de supermercado do mundo, o Brasil desempenha um papel vital na alimentação global, produzindo alimentos para aproximadamente 900 milhões de pessoas ao redor do planeta. “A cadeia avícola é um dos setores mais prósperos para atender essa demanda”, salienta o profissional, enfatizando: “Hoje a participação do Brasil na alimentação mundial atinge 11%. Com uma área cultivada de 8%, o agronegócio brasileiro tem uma participação expressiva na pauta exportadora do país, que, somente em 2023, correspondeu a 49% do total das vendas externas, gerando um faturamento de US$ 166,55 bilhões”.

O Brasil é protagonista global na exportação de sete alimentos-chave: soja (56%), milho (31%), café (27%), açúcar (44%), suco de laranja (76%), carne bovina (24 %) e carne de frango (33%). Além disso, ocupa a segunda posição na exportação de etanol e algodão. “Esses números destacam a grandiosidade e a eficiência da agricultura brasileira, que é essencial para o abastecimento alimentar global e uma força motriz da economia nacional”, enaltece Paulo.

Evolução da produção de grãos no Brasil

A produção de grãos brasileira tem mostrado um crescimento expressivo ao longo das últimas décadas. Em 1977, o país produzia 47 milhões de toneladas de grãos, saltando para 312 milhões de toneladas em 2022, demonstrando a vultuosa capacidade produtiva brasileira. O Mato Grosso lidera a geração de Valor Bruto da Produção agropecuária, representando 15,8% do faturamento nacional. São Paulo responde por 12,40% e o Paraná por 12,27%, fechando o ranking dos três principais estados produtores.

Para termos uma noção do que a avicultura representa no agro, Paulo menciona que ao somar as commodities milho, soja e frango totaliza 68,8% do Valor Bruto de Produção agropecuária do Paraná. “Não existe frango sem falar de milho e soja”, reafirma Paulo, ressaltando a interdependência entre esses setores.

Produção e exportação de frango

A produção de frango no Brasil subiu 6% em 2023 em relação a 2022, com o Paraná sendo responsável por 34,6% da produção brasileira.

O peso médio do frango brasileiro é de 2,21 quilos em estabelecimentos inspecionados pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF). Em todo país, 91,4% da produção brasileira tem SIF, o que garante qualidade e segurança do produto que chega à mesa do consumidor. “Ao compararmos todos os estados que possuem estabelecimentos inspecionados pelo Serviço de Inspeção Federal, o Paraná tem 99,88% da produção com SIF”, destaca Paulo, orgulhoso.
Se o Paraná fosse um país, seria o sexto maior produtor mundial de frango e o terceiro maior exportador. O estado produziu mais de 2 milhões de toneladas de carne de frango em 2023, exportando para mais de 150 mercados. “Do total produzido no Paraná, 43,57% é destinado ao mercado externo, enquanto 56,43% é consumido internamente. Este equilíbrio reflete a robustez do mercado interno e a competitividade do Brasil no mercado global de carne de frango”, evidencia Paulo.

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de carne de frango, com 14,8 milhões de toneladas produzidas em 2023, representando 14% da produção global. É também o maior exportador mundial, com 5,1 milhões de toneladas exportadas no ano passado, o que equivale a 37,9% das exportações globais. Este setor gera mais de 4 milhões de empregos no país.

Cotações e perspectivas do mercado de frango

A média diária de cotação do frango inteiro congelado na região Oeste do Paraná, medida em Toledo, ficou estável no primeiro semestre de 2023, em R$ 8,93/Kg. Em outras regiões do Brasil, os preços variam: em São Paulo, o preço médio é de R$ 6,74/Kg, no Rio Grande do Sul, R$ 10,91/Kg, em Santa Catarina, R$ 9,54 /Kg, e para exportação, R$ 8,76/Kg.

Para o frango resfriado, a média diária de cotação apresentou variações, com o preço do quilo no Rio Grande do Sul de R$ 10,91, enquanto em São Paulo está em R$ 7,36. No Paraná, o valor segue estável, em R$ 9,18/Kg.

Em maio, os preços dos cortes de frango no mercado atacadista de São Paulo eram: coxa de frango a R$ 9,89/Kg, frango resfriado a R$ 7,77/Kg, peito sem osso a R$ 18,35/Kg, e sobrecoxa a R$ 10,09/Kg.

De acordo com Paulo, a cotação do dólar é um fator chave para estabilizar a produção nacional. Em 2023, o Brasil exportou mais frango do que em 2022, mas arrecadou menos. “A cotação do dólar influencia diretamente as negociações com compradores internacionais, que buscam sempre adquirir o produto brasileiro a preços mais baixos e em maiores volumes. Além disso, a taxa mensal de juros, que vem caindo recentemente, também impacta os investimentos no setor, sendo um fator de grande interesse para os produtores”, expõe.

Em 2023, a produção global de carne de frango foi de 102.389 milhões de toneladas, com as exportações mundiais totalizando 13.559 milhões de toneladas. Os Estados Unidos lideram a produção, enquanto o Brasil é o maior exportador mundial. “Se comparássemos a produção do Paraná com a produção global, o estado ocuparia o sexto lugar, com 4,7% da produção mundial. No cenário global de exportação, o Paraná ficaria atrás apenas do Brasil e dos Estados Unidos”, aponta Paulo.

O Brasil tem ampliado sua presença no mercado global, com a abertura recente de novos mercados para a avicultura brasileira na Polinésia Francesa, Vanuatu, Israel, Argélia, Taiwan e Chile. Além disso, houve expansões de mercado para México, Chile, Reino Unido, Cuba e Singapura.

Cenário positivo

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A tendência global para a avicultura é positiva, avalia Paulo, com mercados ainda a serem explorados. “O Brasil tem se destacado pela capacidade de atender à crescente demanda global por proteína animal. A carne de frango é um produto de custo relativamente baixo, saudável e conveniente. Ela é versátil na culinária, de preparo rápido, fácil armazenamento e acessível”, constatou o diretor do Sindiavipar.

Brasil dá exemplo em defesa sanitária animal

Em 2023, as agências de defesa agropecuária do país realizaram diversas ações preventivas, de vigilância e monitoramento para mitigar os riscos da entrada da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) na avicultura comercial brasileira, dando exemplo e sendo referência em defesa sanitária animal ao mundo. “Precisamos estar sempre vigilantes, não podemos relaxar. Cada um de nós deve trabalhar na proteção do nosso plantel para garantir a continuidade da produção de alimentos de qualidade, em quantidade suficiente e acessível para o mundo”, enfatizou Paulo, chamando a responsabilidade para todos os elos da cadeia produtiva, ressaltando que a doença é uma ameaça constante, exigindo atenção permanente.

O profissional reforça ainda a importância de o setor alinhar ações com a legislação sanitária, pois o IAAP é um desafio constante para o comércio global. “Investir em biosseguridade e biossegurança continua sendo a melhor estratégia para manter nossos produtos competitivos no mercado global”, salienta.

A colaboração entre produtores, empresas, municípios e estados é essencial para manter os mercados abertos. “O principal ativo da cadeia alimentar da avicultura são as pessoas. Desde a produção até o consumo, as pessoas são fundamentais. Embora a automação de processos e a inteligência artificial sejam avanços tecnológicos importantes, que continuarão a influenciar a produção de alimentos e outros setores, elas nunca substituirão o papel das pessoas. O sentimento, a dedicação à atividade, a paixão pelo trabalho bem feito e o carinho com os animais jamais serão substituídos”, ressalta Paulo.

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Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Escassez de mão de obra expõe falhas de liderança e gestão na avicultura

Painel no 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura defendeu integração entre tecnologia, propósito e método para reduzir turnover e sustentar a produtividade nas granjas e na indústria.

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Durante o painel, os palestrantes abordaram os impactos da escassez de profissionais no campo e na indústria, destacando a necessidade de repensar estratégias de atração, formação e retenção de talentos na avicultura - Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

A escassez de mão de obra e os desafios relacionados à gestão de pessoas na cadeia produtiva pautaram o debate do painel “Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura” durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que contou com a participação dos especialistas Delair Bolis, Joanita Maestri Karoleski e Vilto Meurer, além da coordenação de Luciana Dalmagro, na última terça-feira (07), no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

Os palestrantes abordaram os impactos da carência de profissionais no campo e na indústria, destacando a necessidade de repensar estratégias de atração, formação e retenção de talentos na avicultura. O debate também trouxe reflexões sobre as transformações tecnológicas e a necessidade de integração entre gestão de pessoas e inovação como caminho para manter a competitividade do setor.

A executiva Joanita Maestri Karoleski, conselheira, mentora e ex-CEO da Seara, iniciou o Painel Gestão de Pessoas com uma análise estratégica sobre as transformações estruturais que impactam a disponibilidade e o perfil da mão de obra na avicultura e no agronegócio. Segundo ela, o cenário atual vai além da escassez de profissionais. “Nós estamos vivendo uma mudança estrutural. Não é um fenômeno pontual. Temos o envelhecimento da população, a queda nas taxas de natalidade e, ao mesmo tempo, uma transformação profunda na forma como as novas gerações enxergam o trabalho”, destacou.

A palestrante explicou que os profissionais mais jovens chegam ao mercado com expectativas diferentes, valorizando propósito, desenvolvimento e flexibilidade. “As novas gerações não estão apenas buscando emprego, mas sim significado no que fazem. Isso exige adaptação das empresas e, principalmente, das lideranças”, afirmou.

Nesse contexto, Joanita trouxe uma provocação central do painel: o problema pode não estar na falta de pessoas, mas na forma como as

Conselheira, mentora e investidora, com mais de 30 anos de experiência em posições de alta liderança, Joanita Maestri Karoleski: “Talvez não estejamos diante de um apagão de mão de obra, mas de um apagão de liderança. As pessoas não desapareceram, elas estão menos dispostas a trabalhar em ambientes mal estruturados, com gestão fraca ou sem uma proposta clara de valor” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

organizações estão estruturadas. “Talvez não estejamos diante de um apagão de mão de obra, mas de um apagão de liderança. As pessoas não desapareceram, elas estão menos dispostas a trabalhar em ambientes mal estruturados, com gestão fraca ou sem uma proposta clara de valor”, pontuou.

Ela destacou ainda que um dos principais desafios está na capacidade de integrar diferentes gerações dentro das organizações. “Pela primeira vez, temos três ou até quatro gerações convivendo simultaneamente dentro das mesmas empresas, com expectativas e formas de trabalhar muito distintas entre si. Isso exige líderes preparados para lidar com essa complexidade”, explicou.

Outro ponto abordado foi a necessidade de reposicionar o capital humano como elemento central da estratégia empresarial. “Ainda vemos empresas que dão mais atenção à compra de equipamentos do que ao desenvolvimento das pessoas. O capital humano precisa estar na agenda estratégica, inclusive nos conselhos administrativos, porque é ele que sustenta o crescimento no longo prazo”, afirmou.

Joanita também apresentou caminhos para enfrentar o desafio, estruturados em diferentes níveis organizacionais, desde o conselho até a operação. Segundo ela, o desenvolvimento de lideranças, especialmente na média gestão, é um dos fatores mais críticos para transformar a realidade das empresas.

A mentora também deixou uma reflexão sobre o futuro do trabalho na avicultura. “A pergunta não é mais onde estão as pessoas. A

Com 39 anos de experiência na agropecuária, Vilto Meurer, deu sequência ao Painel: “O grande desafio está na captura e retenção dessas pessoas. Precisamos entender o que as empresas, os gestores e os próprios profissionais podem fazer para reduzir o turnover e tornar o ambiente de trabalho mais atrativo” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

pergunta é: por que alguém escolheria trabalhar aqui e não em outro lugar? Quando conseguimos responder isso, começamos a resolver o problema de forma consistente”, salientou.

Relacionamento empresa x profissionais

Com 39 anos de experiência na agropecuária e trajetória de longa data na BRF, onde encerrou sua carreira como diretor de produção agropecuária, Vilto Meurer, deu sequência ao Painel, demonstrando práticas voltadas à realidade do campo e da indústria, com foco em estratégias de captação e retenção de pessoas.

Segundo o palestrante, o enfrentamento da escassez de mão de obra passa pela forma como as empresas se relacionam com seus profissionais. “O grande desafio está na captura e retenção dessas pessoas. Precisamos entender o que as empresas, os gestores e os próprios profissionais podem fazer para reduzir o turnover e tornar o ambiente de trabalho mais atrativo”, afirmou.

Vilto destacou que, diante da escassez de mão de obra, o papel da liderança ganha ainda mais relevância dentro das organizações. Segundo ele, o gestor precisa ir além do conhecimento técnico e assumir uma atuação estratégica na condução das equipes. De acordo com o especialista, três pilares sustentam a atuação de um bom gestor: liderança, conhecimento técnico e método de gestão. “Não basta conhecer o processo produtivo. É preciso saber liderar pessoas, construir confiança, mobilizar equipes e estabelecer uma comunicação clara e eficiente”, enfatizou.

Entre os principais atributos da liderança, Vilto destacou a capacidade de engajar pessoas e gerar senso de pertencimento. “O profissional precisa sentir que faz parte do resultado, desenvolver o sentimento de dono e entender a importância do seu trabalho dentro do sistema produtivo”, explicou.

No campo da motivação, o especialista ressaltou que o engajamento está diretamente ligado a três fatores fundamentais: saber, poder e querer. “Para executar bem uma função, o profissional precisa ter conhecimento, condições adequadas de trabalho e, principalmente, vontade de fazer. É essa combinação que gera engajamento”, afirmou.

Retenção de talentos

Vilto também chamou atenção para a importância do propósito como elemento central na retenção de talentos. “Propósito é o significado do trabalho. Quando a pessoa entende o impacto daquilo que faz no resultado final, ela se envolve mais e permanece na atividade”, destacou.

Outro ponto abordado foi a necessidade de adaptação das estratégias de gestão ao perfil das diferentes gerações presentes nas empresas. Segundo ele, cada geração possui comportamentos, expectativas e formas de relacionamento com o trabalho distintas, o que exige uma liderança mais flexível e preparada para lidar com essa diversidade.

O palestrante enfatizou que a capacitação contínua é essencial para o desenvolvimento das equipes. Ele apresentou práticas como integração estruturada, programas de mentoria, treinamentos progressivos e trilhas de carreira como ferramentas importantes para alinhar aprendizado, produtividade e crescimento profissional.

Vilto também reforçou que a formação de adultos exige metodologia adequada. “O adulto aprende de forma diferente. É necessário utilizar métodos que conectem teoria e prática”, explicou.

O especialista sintetizou que a retenção de pessoas está diretamente ligada à combinação entre gestão eficiente e propósito. “Pessoas motivadas, com clareza de propósito e inseridas em um modelo de gestão simples e bem estruturado, geram melhores resultados e reduzem significativamente o turnover”, concluiu. Vilto também apresentou ferramentas práticas para formação e desenvolvimento de equipes, destacando metodologias utilizadas na extensão rural que podem ser aplicadas na agroindústria. “Existem métodos que funcionam muito bem para capacitação de pessoas, como o método do arco e técnicas de transferência de tecnologia. São ferramentas que ajudam a desenvolver profissionais de forma mais eficiente e que podem ser utilizadas dentro das empresas”, explicou.

Médico-veterinário Delair Bolis: “A diminuição da mão de obra é uma realidade que tende a escalar. Não é um problema que vai passar, exige mudanças estruturais na forma como trabalhamos” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

Ele reforçou, ainda, que a combinação entre pessoas, propósito e gestão é determinante para o futuro do setor. “Pessoas motivadas, com propósito claro e inseridas em um modelo de gestão eficiente geram melhores resultados. Esse é o caminho para aumentar a produtividade e reduzir os impactos da escassez de mão de obra”, destacou.

Uso estratégico da tecnologia

O médico-veterinário Delair Bolis, presidente da MSD Saúde Animal no Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia, com mais de 25 anos de atuação na indústria de saúde animal, seguiu o debate salientando que a escassez de mão de obra é uma realidade estrutural e crescente na avicultura, tanto do ponto de vista quantitativo quanto qualitativo. De acordo com Bolis, o setor precisa compreender que esse não é um problema temporário. “A diminuição da mão de obra é uma realidade que tende a escalar. Não é um problema que vai passar, exige mudanças estruturais na forma como trabalhamos”, afirmou.

Bolis chamou atenção para a defasagem dos modelos de trabalho frente às transformações do mercado. “Nós ainda operamos, muitas vezes, com estruturas que não acompanharam a evolução do setor. A questão não é só falta de pessoas, mas se o modelo de trabalho ainda é competitivo e atrativo para elas”, destacou.

Diante desse cenário, o especialista reforçou que as principais ferramentas de transformação estão no uso estratégico da tecnologia e no desenvolvimento de lideranças. “O que está sob nosso controle é como tecnificar os processos e preparar pessoas com maior capacidade de utilizar essa tecnificação para melhorar sistemas, processos e a própria liderança”, pontuou.

O palestrante alertou que a tecnificação precisa ser aplicada com critério. “Não se trata de tecnificar tudo que é possível, mas sim aquilo que precisa ser modernizado. A tecnologia precisa estar conectada à estratégia e às pessoas, não apenas à automação indiscriminada”, explicou.

Outro ponto comentado foi a mudança no perfil das funções dentro da cadeia produtiva. “Com menos pessoas no campo, cada profissional passa a ser responsável por mais processos. Não é mais sobre executar tarefas isoladas, mas sobre entender e gerir o processo como um todo”, ressaltou.

Bolis também abordou a importância do fator humano na eficiência operacional. “Quem entende de pessoas melhora processos. A liderança passa a ter um papel ainda mais decisivo, porque ela conecta tecnologia, pessoas e resultados. O futuro não será definido pela disponibilidade de mão de obra, mas pela nossa capacidade de reinventar o trabalho dentro da avicultura”, evidenciou.

A mediação do painel foi conduzida pela produtora rural, empreendedora e referência em liderança e sustentabilidade no agronegócio, Luciana Dalmagro, que contribuiu para integrar diferentes visões sobre o tema. “Foram grandes ensinamentos, falando de aspectos de liderança, habilidades que as pessoas que estão iniciando no mercado precisam desenvolver e, para quem está há mais tempo, os profissionais mostraram a importância do olhar humanizado para os colaboradores”, acrescentou.

Fonte: Assessoria Nucleovet
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Avicultura

“Conhecimento técnico só gera valor quando entra na rotina de quem executa”, apontam especialistas no SBSA

Kali Simioni e João Nelson Tolfo detalharam durante o evento como diagnóstico, comunicação e liderança técnica determinam a adoção de boas práticas nas granjas.

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Com mais de 18 anos de experiência na avicultura industrial, João Nelson Tolfo destacou o papel estratégico dos profissionais que atuam diretamente no campo - Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

O Bloco “Conexões que Sustentam o Futuro” colocou em pauta a conversão do conhecimento técnico em resultados práticos no campo durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura. O encontro integrou a programação do evento promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas, realizado no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

A palestra “Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura”, reuniu os especialistas Kali Simioni e João Nelson Tolfo, com reflexões sobre gestão, comportamento e eficiência na produção.

Com mais de 18 anos de experiência na avicultura industrial, Tolfo destacou o papel estratégico dos profissionais que atuam diretamente no campo. “Quem leva orientação para o campo faz extensão do conhecimento. Esse trabalho exige conexão, engajamento e capacidade de gerar significado para o produtor, para que as orientações realmente se transformem em resultado”, afirmou.

Engenheira agrônoma Kali Simioni: “Não basta levar métodos ou padrões. É preciso entender a realidade de cada propriedade” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

A engenheira agrônoma Kali, com mais de 22 anos de atuação no setor, reforçou que a chave está na conexão entre pessoas. “Não basta levar métodos ou padrões. É preciso entender a realidade de cada propriedade, o processo de decisão e conectar-se com o produtor para que a orientação se torne prática no dia a dia”, explicou.

Segundo os palestrantes, um dos principais gargalos da produção está na falta de conexão e comunicação assertiva, o que dificulta a adoção de tecnologias e boas práticas. Cada propriedade deve ser entendida como um sistema único. “Resultados diferentes acontecem porque as pessoas fazem de formas diferentes. Onde existe variabilidade, existem oportunidades de melhoria”, destacaram.

A palestra também trouxe uma abordagem prática sobre como transformar teoria em ação, destacando a importância de diagnósticos estruturados, identificação de gargalos e intervenções direcionadas. Métodos de extensão rural, como o arco, foram apresentados como ferramentas para acelerar a tomada de decisão e gerar mudanças efetivas no campo.

Outro ponto central foi o papel do profissional de alta performance. “Para gerar resultado, é preciso desenvolver três pilares: conhecimento técnico, domínio de método e liderança. O profissional precisa se tornar interessante e isso começa sendo interessado, ouvindo e entendendo o processo”, reforçaram.

Os especialistas também destacaram que toda decisão no campo é influenciada por fatores como experiência, cultura, histórico produtivo e percepção de risco, exigindo uma abordagem individualizada e focada na realidade de cada produtor. “Conhecimento técnico só gera valor quando entra na rotina de quem executa”, ressaltaram os profissionais.

Fonte: Assessoria Nucleovet
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Avicultura

SBSA reúne mais de 2,5 mil profissionais e reforça debate técnico sobre sanidade, nutrição e mercado avícola

Evento do Nucleovet teve público recorde, feira com mais de 70 empresas e programação focada em biosseguridade, gestão e competitividade internacional do frango brasileiro.

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Promovido pelo Nucleovet, o Simpósio reuniu profissionais de diferentes regiões do Brasil e do exterior em uma programação intensa - Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

Chapecó, no Oeste catarinense, foi ponto de encontro de debates que movimentam a avicultura no Brasil e no mundo. Durante três dias, conhecimento, inovação e conexões movimentaram o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que encerrou na quinta-feira (09), no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, com um público recorde de mais de 2,5 mil participantes.

Durante três dias, conhecimento, inovação e conexões movimentaram o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), o Simpósio reuniu profissionais de diferentes regiões do Brasil e do exterior em uma programação intensa, que percorreu temas estratégicos como gestão e mercado, sanidade, nutrição, abatedouro e sustentabilidade. Em paralelo, a 17ª Brasil Sul Poultry Fair ampliou o ambiente de negócios e relacionamento, reunindo mais de 70 empresas em um espaço voltado à apresentação de tecnologias, lançamento de soluções e troca de experiências, fortalecendo a integração entre indústria, pesquisa e campo.

Na avaliação da presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o evento superou as expectativas – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

Foram três dias de debates técnicos, painéis estratégicos e momentos de interação que aproximaram ciência, campo e indústria, promovendo um ambiente de construção coletiva do conhecimento. Na avaliação da presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o evento superou as expectativas. “Encerramos a 26ª edição do SBSA com um público recorde de mais de 2.500 pessoas. Tivemos discussões relevantes e muitas conexões importantes, tanto na feira quanto na programação científica. Isso mostra a força do setor e a importância do Simpósio como espaço de atualização e relacionamento”, afirmou.

Ela também destacou que o evento acompanha um setor em constante transformação. Ao longo da programação, temas como sanidade, inovação nutricional, gestão de pessoas e cenários globais evidenciaram que a avicultura vai além da produção, exigindo cada vez mais estratégia, tecnologia e qualificação profissional.

Programação científica

Em paralelo, a 17ª Brasil Sul Poultry Fair ampliou o ambiente de negócios e relacionamento, reunindo mais de 70 empresas em um espaço voltado à apresentação de tecnologias – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

A programação científica percorreu os principais desafios e avanços da avicultura moderna, reunindo especialistas em debates que conectaram teoria e prática. Temas como sanidade avícola, controle de doenças emergentes, nutrição de precisão e saúde intestinal evidenciaram a importância do monitoramento constante, do uso de tecnologias e da evolução das estratégias produtivas para garantir desempenho, biosseguridade e sustentabilidade no setor.

Além dos aspectos técnicos, o Simpósio também ampliou a discussão para temas estratégicos, como gestão de pessoas, cenário global e aplicação do conhecimento no campo. As palestras reforçaram que a competitividade da avicultura passa pela qualificação profissional, pela capacidade de adaptação às transformações do mercado e, principalmente, pela conexão entre pessoas, processos e inovação. “O SBSA também mostrou o papel do Brasil no cenário internacional, como maior exportador mundial de carne de frango, com presença em mais de 150 mercados. Isso demonstra a responsabilidade do setor e a necessidade de estarmos sempre atualizados e preparados para os desafios globais”, completou Aletéia.

Ação social

Parte das inscrições será revertida à Rede Feminina de Combate ao Câncer de Chapecó – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

O SBSA também teve espaço para ações sociais. Nesta edição, o lucro da NúcleoStore (loja de artigos personalizados que, a cada Simpósio, beneficia uma instituição de Chapecó. Os participantes puderam adquirir bótons, camisetas de diferentes estampas com uma comunicação mais lúdica sobre o setor, meias, lixocar e mousepads), será destinado à Associação de Voluntários do Hospital Regional do Oeste (Avhro), enquanto parte das inscrições será revertida à Rede Feminina de Combate ao Câncer de Chapecó. A iniciativa destaca o compromisso do Nucleovet em transformar seus eventos em plataformas de impacto social, aproximando os participantes da realidade das instituições e incentivando novas formas de contribuição. “Essas ações mostram que o nosso trabalho vai além da técnica. Queremos contribuir com a comunidade e fortalecer o papel social da entidade, conectando conhecimento com propósito”, enalteceu a presidente.

Fonte: Assessoria Nucleovet
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