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Diretor da Epagri é eleito para a presidência do Conselho Brasileiro de Qualidade do Leite
Vagner Miranda Portes conduz a CBGL na gestão 2023/24.

O diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Epagri, Vagner Miranda Portes, foi eleito presidente do Conselho Brasileiro de Qualidade do Leite (CBQL). A eleição se deu em assembleia geral da instituição, realizada na última quarta-feira (28). Ele assume o cargo para o mandato 2023/24.
O CBQL é uma entidade civil, de âmbito nacional, sem fins lucrativos, de caráter representativo e não governamental. Congrega pessoas físicas e jurídicas que trabalham ou têm interesse pelo setor de leite e derivados no Brasil. Foi fundado em 1999 por pesquisadores, representantes da indústria, professores universitários e outros profissionais interessados em promover a qualidade dos lácteos produzidos no território nacional.
Portes explica que a missão do CBQL é promover a qualidade do leite e derivados no Brasil, “dentro de um rigor científico, com muita responsabilidade social”. Assim, a entidade se propõe a ser um fórum permanente para fornecer e motivar o estabelecimento de mecanismos para promoção da qualidade do leite e derivados no país, sempre zelando pela sanidade dos alimentos lácteos e pela sustentabilidade da cadeia produtiva.
Ao compor a chapa que concorreu à diretoria 2023/23 do CBQL, Portes afirma que primou pela representatividade, tanto em termos de distribuição geográfica, como em termos dos elos da cadeia produtiva do leite. Assim, a nominata da nova diretoria, que pode ser conferida ao final desta matéria, dispõe de representantes de vários Estados, bem como de membros da indústria, de empresas, de universidades e pesquisadores. “Tentamos trazer todos os elos da cadeia produtiva do leite, com representatividade dentro dessa nova gestão”, declara.
Além de Vagner, a nova diretoria do CBQL conta com outros nomes de Santa Catarina. André Thaler Neto, diretor da Udesc/CAV, vai assumir a vice-presidência. Para o cargo de primeiro diretor de apoio à gestão foi indicado Leonardo Cardozo Leite. E ainda Tiago Celso Baldissera, pesquisador da Epagri, é um dos novos conselheiros suplentes da instituição.
Importância
Portes avalia que ter novamente o CBQL sob a presidência de um catarinense representa muito para o Estado, já que Santa Catarina tem uma das maiores bacias leiteiras do país, além de o alimento ser o quarto em importância na composição do nosso Valor Bruto de Produção (VBP).
O novo presidente lembra ainda da importância social do leite para Santa Catarina, cujo meio rural é composto basicamente por pequenas propriedades. “Então, o leite promove distribuição de renda para a maioria dos municípios”, descreve, acrescentando: “Também será um momento crucial para o Estado discutir assuntos importantes e pertinentes em relação à qualidade do leite”.
Ele lembra que Santa Catarina vende leite para outros estados do País, então, é fundamental que esteja à frente nas discussões, mas que também operacionalize a qualidade do leite a nível estadual. “A exportação de lácteos é sempre presente nas discussões do setor em Santa Catarina, porém, a base para que se possa pensar nisso é a qualidade do leite”, declara o diretor da Epagri.
Ele entende que ter a gestão do CBQL no estado vai propiciar ações para operacionalizar a qualidade do leite catarinense, para que, num futuro próximo, possamos pensar em exportar leite para outros países. Santa Catarina já vende para outros estados do Brasil entre 40% a 50% de sua produção. “Temos leite disponível para exportação, porém, precisamos evoluir na qualidade, para que possamos ser competitivos no comércio mundial”, evidencia.
Comitês técnicos
Portes relata que a gestão 2023/24 do CBQL tem o intuito de retomar os comitês técnicos. “Um comité técnico que será instalado o mais breve possível será o de equipamentos e acessórios”, coloca. Ele disse que sua diretoria também vai trabalhar a sustentabilidade dessa cadeia produtiva, pensando em trabalhar o balanço de carbono como indicador da qualidade do leite, por exemplo. Mas, na opinião do novo presidente, o grande desafio da gestão será a realização do X Congresso Brasileiro de Qualidade do Leite, que acontece no ano de 2024, em Santa Catarina. “Vamos fazer um grande evento”, conclui.
Compõem ainda a diretoria executiva o segundo diretor de Apoio à Gestão, José Carlos de Figueiredo Pantoja, da Unesp/FMVZ (SP); o primeiro tesoureiro José Augusto Horst, da Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH – PR), o segundo tesoureiro Alessandro de Sá Guimarães,da Embrapa Gado de Leite (MG), o primeiro diretor secretário Altair Antônio Valloto, da APCBRH (PR), e da segunda diretora secretária Vivian Fischer, da UFRGS (RS).
Integram o Conselho Fiscal Efetivo Clarice Gebara Cordeiro, da EVZ/UFG (GO); Mônica Maria Oliveira Pinho,da Cerqueira – UFMG (MG); e Rodrigo de Almeida, da UFPR (PR). Enquanto que os suplentes são Selvino Giesel, da Aurora/presidente do Sindileite (SC); além de Tiago Celso Baldissera, da Epagri (SC); e Adriano Henrique do Nascimento Rangel, da UFRN (RN).

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Comissão Europeia anuncia aplicação provisória do acordo Mercosul-UE e enfrenta reação da França
Medida pode antecipar redução de tarifas enquanto ratificação completa segue sob contestação judicial no bloco europeu.

A União Europeia anunciou que aplicará provisoriamente o acordo de livre comércio firmado com o Mercosul, numa tentativa de antecipar os efeitos comerciais do tratado enquanto o processo formal de ratificação segue em curso nos países-membros.

Foto: Divulgação
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a medida busca assegurar ao bloco a “vantagem do pioneirismo”. “Já disse antes, quando eles estiverem prontos, nós estaremos prontos. Nessa base, a Comissão irá agora prosseguir com a aplicação provisória”, declarou.
Pelas regras europeias, acordos comerciais precisam ser aprovados pelos governos nacionais e pelo Parlamento Europeu. A aplicação provisória, no entanto, permite que parte das disposições comerciais — como a redução de tarifas — entre em vigor antes da conclusão de todo o trâmite legislativo. Segundo a Comissão, o acordo poderá começar a valer provisoriamente dois meses após a troca formal de notificações entre as partes.
A decisão ocorre em meio a resistências políticas dentro da própria União Europeia. Parlamentares liderados por deputados franceses aprovaram no mês passado a contestação do acordo no tribunal superior do bloco, movimento que pode atrasar sua implementação integral em até dois anos.
A França tem se posicionado como principal foco de oposição. O presidente Emmanuel Macron afirmou que a iniciativa foi “uma surpresa

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
ruim” e classificou como “desrespeitoso” o encaminhamento do tema. O governo francês argumenta que o acordo pode ampliar as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, pressionando produtores locais que já realizaram protestos recentes.
Em janeiro, 21 países da UE votaram a favor do tratado, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia se posicionaram contra, e a Bélgica se absteve. Defensores do acordo, como Alemanha e Espanha, sustentam que a ampliação de acesso ao mercado sul-americano é estratégica para compensar perdas comerciais decorrentes de tarifas impostas pelos Estados Unidos e para reduzir dependências externas em cadeias de insumos considerados críticos.
Concluído após 25 anos de negociações, o acordo prevê a eliminação de cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias, sendo apontado pela Comissão como o maior pacto comercial do bloco em termos de potencial de redução tarifária.
No Mercosul, Argentina e Uruguai ratificaram o texto nesta semana. No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o acordo, que ainda depende de aval do Senado para concluir o processo interno de ratificação.
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Acordo Mercosul-UE pode entrar em vigor até o fim de maio
Texto aguarda votação no Senado, enquanto União Europeia sinaliza aplicação provisória e governo prepara regulamentação de salvaguardas comerciais.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta sexta-feira (27), em São Paulo, que o acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia pode entrar em vigor até o fim de maio.

Vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin: “Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência” – Foto: Divulgação
Segundo Alckmin, a expectativa do governo é que o texto seja aprovado pelo Senado Federal nas próximas duas semanas. O acordo já passou pela Câmara dos Deputados nesta semana e, se confirmado pelos senadores, seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Agora foi para o Senado e nós temos expectativa de que aprove em uma ou duas semanas. Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência. Esse é o plano. Então, se a gente conseguir resolver em março, até o fim de maio já pode entrar em vigência o acordo”, declarou o vice-presidente.
No âmbito regional, o Parlamento da Argentina ratificou o texto na quinta-feira (26), movimento já acompanhado pelo Uruguai, ampliando o alinhamento interno no bloco sul-americano.
União Europeia
Do lado europeu, a Comissão Europeia informou nesta sexta-feira que pretende aplicar provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul. A medida busca assegurar ao bloco europeu a chamada “vantagem do pioneirismo”, permitindo a implementação de dispositivos comerciais antes da conclusão de todo o processo legislativo.
Em regra, a União Europeia aguarda a aprovação formal dos acordos de livre comércio tanto pelos governos nacionais quanto pelo

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
Parlamento Europeu. No entanto, parlamentares europeus,liderados por deputados franceses, aprovaram no mês passado uma contestação judicial ao acordo no tribunal superior do bloco, o que pode retardar sua implementação integral em até dois anos.
Mesmo com a necessidade de aprovação pela assembleia europeia, o mecanismo de aplicação provisória permite que União Europeia e Mercosul iniciem a redução de tarifas e coloquem em prática outros compromissos comerciais enquanto o processo de ratificação completa seu curso institucional.
Salvaguardas
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo encaminhou nesta sexta-feira proposta à Casa Civil para regulamentar as salvaguardas previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia. Esses mecanismos permitem suspender a redução de tarifas caso haja aumento expressivo das importações que provoque desequilíbrios no mercado interno.
Após a análise da Casa Civil, o texto ainda deverá passar pelos ministérios da Fazenda e das Relações Exteriores antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A expectativa, segundo Alckmin, é concluir essa regulamentação nos próximos dias, antes mesmo da votação do acordo pelo Senado. “O acordo prevê um capítulo sobre salvaguarda. A gente espera que nos próximos dias, antes ainda da votação do Senado [sobre o acordo], que a salvaguarda seja regulamentada”, disse.

Foto: Divulgação
Ele afirmou que a abertura comercial prevista no tratado parte da premissa de ganhos para consumidores e empresas, com acesso a produtos de melhor qualidade e preços mais baixos. Ressaltou, contudo, que o instrumento de salvaguarda funcionará como mecanismo de proteção em caso de desequilíbrio. “Agora, se tiver um surto de importação, você precisa de uma salvaguarda, que suspende aquela redução de impostos. Isso está previsto para os europeus também e é isso que será regulamentado.”
Sobre o acordo
Pelo cronograma negociado, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. A União Europeia, por sua vez, zerará tarifas sobre 95% dos bens exportados pelo bloco sul-americano em até 12 anos.
O tratado abrange um mercado de mais de 720 milhões de habitantes. A ApexBrasil estima que a implementação do acordo pode elevar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, além de ampliar a diversificação da pauta externa, com potencial impacto também sobre segmentos industriais.
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Mercosul e Canadá realizam oitava rodada de negociação para acordo comercial em Brasília
Blocos avançam em capítulos técnicos e preparam nova etapa em abril. Comércio bilateral Brasil-Canadá somou US$ 10,4 bilhões em 2025.

O Mercosul e o Canadá concluíram nesta sexta-feira (27), em Brasília, a oitava rodada de negociações do acordo de livre comércio entre as partes. As tratativas, retomadas em outubro de 2025 após período de menor dinamismo, sinalizam a intenção de ambos os lados de acelerar a construção de um marco jurídico para ampliar o fluxo de comércio e investimentos.

Foto: Divulgação
De acordo com nota conjunta divulgada pelos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Agricultura, a rodada reuniu os negociadores-chefes e promoveu encontros presenciais dos grupos técnicos responsáveis pelos capítulos de comércio de bens, serviços, serviços financeiros, comércio transfronteiriço de serviços, comércio e desenvolvimento sustentável, propriedade intelectual e solução de controvérsias.
A estratégia brasileira é avançar simultaneamente na consolidação de textos e na troca de ofertas, etapa considerada sensível em acordos dessa natureza por envolver redução tarifária, regras de acesso a mercados e compromissos regulatórios. Uma nova rodada está prevista para abril, quando os grupos técnicos deverão aprofundar a convergência em áreas ainda pendentes.
Para o governo, o acordo com o Canadá se insere no esforço de diversificação de parceiros comerciais em um cenário internacional
marcado por maior fragmentação geoeconômica e disputas tarifárias. A avaliação é que a integração produtiva com a economia canadense pode ampliar oportunidades em setores como agroindústria, mineração, energia e serviços.
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Canadá alcançou US$ 10,4 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 4,1 bilhões, segundo dados oficiais. O saldo favorável reforça o interesse do país em consolidar acesso preferencial ao mercado canadense, ao mesmo tempo em que busca ampliar a previsibilidade regulatória para empresas dos dois lados.



