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Dilma Rousseff e homenagens marcam abertura oficial da ExpoZebu 80 anos
A Presidente da República, Dilma Rousseff, abriu oficialmente na manhã de sábado (03/05), no Parque Fernando Costa, em Uberaba/MG, a 80ª ExpoZebu (Exposição Internacional das Raças Zebuínas). A solenidade marcou o anúncio presidencial do início da vigência do novo Cadastro Ambiental Rural (CAR) para hoje(05), além da confecção do Plano Agrícola 2014/2015 ainda em maio.
O evento contou com as presenças do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Neri Geller; ministro de Minas e Energia, Edson Lobão; ministro do Esporte, Aldo Rebelo; ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel; da senadora Kátia Abreu; do governador de Minas Gerais, Alberto Pinto Coelho; o prefeito de Uberaba, Paulo Piau, e diversas autoridades, dentre embaixadores, senadores, deputados federais e estaduais, vereadores, entre outros representantes de órgãos públicos.
A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) foi representada pelo seu presidente, Luiz Claudio Paranhos, pelo presidente de honra da ExpoZebu 80 anos, Jonas Barcellos, e pelos diretores da entidade.
A solenidade foi iniciada com a entrega da comenda Mérito ABCZ, que homenageou dezesseis personalidades que contribuem para a pecuária brasileira: José Coelho Vitor (Criador de Gir Leiteiro e Tabapuã do Grupo Cabo Verde), Vicente Rodrigues da Cunha (Criador de Nelore da Fazenda Pontal), Patrícia Zancaner Caro (Criadora de Nelore da Fazenda Bonsucesso), Felipe Carneiro Monteiro Picciani (Criador de Nelore e Gir Leiteiro do Grupo Monte Verde), Udelson Nunes Franco (Criador de Nelore e Nelore Mocho da Fazenda Angico), Ricardo Goulart Carvalho (Criador de Nelore da Fazenda Ribalta), Haroldo Brunow Fontenelle da Silveira (Criador de Guzerá e Fazenda Fontenelle), Manoel Dantas Vilar Filho (Criador de Sindi e Guzerá e Fazenda Carnaúba), Luiz Antônio Felippe (Responsável pela seleção de Nelore do Grupo Camargo), Dom Ciro Añez Ruiz (Criador de Nelore na Bolívia) e Alejo Hernández (Criador de Nelore na Venezuela), José Aldo Rebelo Figueiredo (Ministro dos Esportes e relator, em 2009, da Comissão Especial do Código Florestal Brasileiro e da Lei da Biossegurança), Marcos Montes Cordeiro (Deputado Federal que apoiou à reforma do Código Florestal e também atuação na renegociação da dívida agrícola), Paulo Piau Nogueira (Prefeito de Uberaba e relator do projeto de lei do novo Código Florestal em 2012), Ronaldo Ramos Caiado (Deputado Federal e defensor da agropecuária brasileira no Congresso. Foi presidente da Comissão de Agricultura, quando colocou em pauta o endividamento do produtor rural brasileiro. É também criador de Nelore) e Jerônimo Pio (Colaborador da ABCZ há 36 anos no Departamento de Genealogia).
Logo após, o presidente da ABCZ, Luiz Claudio Paranhos, abriu a sessão de discursos resgatando a memória dos pioneiros da chegada do zebu ao Brasil, mencionando o início da ABCZ e agradecendo aos homenageados pelos 80 anos da entidade. Paranhos também destacou números e fatores importantes da pecuária nacional. Poucos em nosso País conhecem a dimensão da pecuária brasileira e sua importância vital para a nossa economia. No primeiro trimestre de 2014 já exportamos US$ 1,652 bilhões com a carne bovina. A balança comercial da pecuária bovina de carne é quase 100% superavitária e o Brasil é hoje o maior exportador de carne bovina do mundo, dedicando 80% de sua produção ao mercado interno, enfatizou.
O dirigente fez questão de ressaltar que tais índices ainda podem ser melhorados. Podemos garantir que não necessitamos de milagres, nem de novas invenções, disse. Queremos o investimento em políticas para ampliação da segurança jurídica ao produtor, infraestrutura e facilitando o acesso de médios e pequenos produtores a tecnologias, conhecimentos e linhas de financiamento, completou Paranhos.
Após os discursos do prefeito de Uberaba, Paulo Piau, do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Neri Geller, e do governador de Minas Gerais, Alberto Pinto Coelho, Dilma Rousseff subiu ao palanque com o anúncio de medidas como o novo CAR, a duplicação da rodovia BR-262 entre os municípios mineiros de Uberaba e Campo Florido -, a finalização do Plano Agrícola 2014/15 em curto prazo e a ampliação do incentivo ao acesso de pequenos e médios produtores a tecnologias e financiamentos.
Não há nenhum país no mundo que possua água, solo, Embrapa e ABCZ. Porque a ABCZ, venho aqui reconhecer, é um fator constituinte da produtividade em nosso País. A Associação empenhada na qualificação do seu setor é elemento de alta produtividade. Parabéns, ABCZ, discorreu a Presidente da República para fechar seu discurso.
Dilma ainda assinou o decreto que regulamenta a Lei 4.716, que dispõe sobre a organização, funcionamento e execução dos registros genealógicos de animais domésticos no Brasil. Por fim, participou de ato simbólico para marcar o início da Campanha Nacional de Vacinação Contra Aftosa.
Durante a solenidade, foram assinados outros dois importantes documentos: o contrato de comodato entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) e a Associação Brasileira de Criadores de Zebu. O documento foi assinado pelo presidente da ABCZ e pela presidente da CNA, senadora Kátia Abreu e prevê a cessão de uma área no interior do Parque Fernando Costa para construção da sede do Senar no local, de forma a disponibilizar cursos periódicos para qualificação profissional dos trabalhadores rurais.
Outra assinatura realizada no evento foi do termo de cooperação técnica do Pro-Genética entre o Governo do Estado de Minas Gerais e a ABCZ. O termo foi assinado pelo presidente Luiz Cláudio Paranhos e pelo Governo de Minas Gerais, representado pelo Secretário de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (seapa), André Merlo, e o Governador de Minas Gerais, Alberto Pinto Coelho.
A abertura oficial da ExpoZebu foi acompanhada por cerca de 2 mil convidados da ABCZ, que receberam homenagem pela contribuição a pecuária zebuína nos últimos 80 anos.
A ExpoZebu 80 anos segue com sua programação até o próximo dia 10
Fonte: Ass. Imprensa da ExpoZebu

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ABPA abre inscrições para prêmio de pesquisa aplicada durante o SIAVS 2026
Reconhecimento valoriza estudos com impacto prático na avicultura e suinocultura e prevê experiência internacional aos vencedores.

Estão abertas as inscrições para o Mérito ABPA de Pesquisa Aplicável, reconhecimento científico que a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) promoverá durante o SIAVS 2026 – Salão Internacional de Proteína Animal, maior evento da avicultura e da suinocultura do Brasil, que será realizado entre os dias 04 e 06 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo (SP).
A iniciativa contempla duas distinções, voltadas à valorização de pesquisas com efetiva aplicabilidade prática para a cadeia produtiva da proteína animal:
- Mérito ABPA de Pesquisa Aplicável – Grandes Áreas, destinado a trabalhos científicos com impacto nas áreas de produção, manejo e ambiência; nutrição; tecnologia e processos; sanidade; sustentabilidade; e saúde pública.
- Mérito ABPA de Pesquisa Aplicável – RAM (Resistência aos Antimicrobianos), voltado exclusivamente a estudos que abordem estratégias, ferramentas, indicadores e práticas relacionadas ao uso responsável de antimicrobianos e ao enfrentamento da resistência microbiana na produção animal, tema estratégico para o setor e alinhado aos princípios internacionais de One Health – no âmbito da campanha “Uso Consciente, Futuro Responsável”, mantida pela ABPA.
O objetivo do Mérito é estimular pesquisas que extrapolem o ambiente acadêmico e apresentem aplicabilidade concreta, contribuindo para ganhos de eficiência, segurança sanitária, sustentabilidade e competitividade internacional da avicultura e da suinocultura brasileiras.
Os trabalhos inscritos serão avaliados por comissão julgadora composta por especialistas com reconhecida atuação técnica e acadêmica. Entre os critérios considerados estão:
- Relevância estratégica para o setor
- Grau de inovação
- Consistência metodológica
- Aplicabilidade prática
- Potencial de impacto na cadeia produtiva
Após a etapa de avaliação, os trabalhos selecionados serão apresentados durante a programação oficial do SIAVS, ampliando sua visibilidade junto a empresários, pesquisadores, autoridades sanitárias e representantes nacionais e internacionais.
Como forma de reconhecimento, o primeiro autor do trabalho vencedor em cada uma das duas distinções participará, com apoio da organização, de uma experiência internacional em uma das principais feiras globais de alimentos, podendo escolher entre a SIAL Paris 2026, em Paris, ou a Gulfood 2027, em Dubai. A iniciativa proporciona imersão no ambiente internacional de negócios e inovação, fortalecendo a formação estratégica dos pesquisadores.
As inscrições devem ser realizadas conforme as orientações disponíveis no site oficial do evento, onde também constam regulamento completo, prazos, formato de submissão e demais informações, acesse clicando aqui.
Colunistas
Abertura de 525 mercados para o agro gera oportunidade histórica ou risco de expansão sem margem?
Diversificação de destinos pode gerar até US$ 375 bilhões em exportações, mas exige gestão de custos e precificação para garantir rentabilidade.

A abertura de 525 novos mercados internacionais para o agronegócio brasileiro, com potencial estimado de até US$ 375 bilhões por ano em exportações, consolida o país como um dos principais fornecedores globais de alimentos e reforça sua relevância estratégica no comércio internacional. Do ponto de vista institucional e geopolítico, trata-se de um avanço inegável. Do ponto de vista empresarial, no entanto, o aumento do acesso não pode ser confundido com geração automática de valor econômico.

A experiência mostra que expansão de mercado, quando não acompanhada por gestão rigorosa de custos e precificação adequada, tende a pressionar margens e aumentar a exposição financeira das empresas.
Exportar implica estruturas logísticas mais complexas, exigências sanitárias específicas, custos regulatórios adicionais, riscos cambiais, prazos de recebimento mais longos e maior dependência de capital de giro. Esses fatores alteram substancialmente o custo total da operação e não podem ser tratados como extensões do mercado doméstico.
Um dos erros mais recorrentes nas estratégias de internacionalização do agro é a ausência de segregação clara entre custos locais e custos de exportação. Quando a empresa utiliza uma estrutura de custos média para formar preços em diferentes mercados, acaba diluindo despesas específicas de cada canal e comprometendo a leitura real da rentabilidade por contrato, por produto e por país. O resultado é a celebração de volumes crescentes de vendas acompanhada por deterioração gradual das margens operacionais, muitas vezes percebida apenas quando o caixa

Foto: Divulgação
começa a ficar mais pressionado.
Outro ponto crítico é a formação de preços em ambientes de maior volatilidade. Oscilações cambiais, variações nos custos de frete internacional, alterações em tarifas e mudanças nos prazos de pagamento impactam diretamente a margem final, especialmente em contratos de médio e longo prazo. Sem mecanismos de proteção financeira e sem modelos de precificação que incorporem cenários de risco, a empresa transfere parte significativa da incerteza para dentro do próprio resultado.
Também é preciso considerar o efeito financeiro do crescimento acelerado. A ampliação das exportações exige maior investimento em estoques, transporte, certificações e estrutura comercial, elevando a necessidade de capital de giro. Em um ambiente de juros estruturalmente mais altos, esse custo financeiro passa a ser componente relevante da margem e precisa ser tratado como parte integrante da estratégia de preço, não como despesa posterior absorvida pelo resultado.

Nesse contexto, cresce a importância da análise de margem real, e não apenas do faturamento ou da participação em novos mercados. Empresas que operam com foco exclusivo em volume tendem a mascarar ineficiências operacionais e decisões comerciais mal calibradas, sustentadas temporariamente por crescimento de receita, mas estruturalmente frágeis do ponto de vista financeiro. Crescer sem margem é, na prática, uma forma de destruição de valor em escala ampliada.
Para que a abertura de mercados se traduza em resultado sustentável, é indispensável avançar em três frentes: modelos de custeio mais precisos, que permitam identificar com clareza a rentabilidade por mercado e por canal; políticas de precificação que considerem riscos financeiros, fiscais e logísticos específicos de cada operação; e integração efetiva entre áreas comercial, financeira e operacional na tomada de decisão. Sem essa visão sistêmica, a empresa passa a competir apenas por preço, abrindo mão de margem para ganhar contratos que não se sustentam no médio prazo.

Foto: Divulgação/Porto de Santos
O ano de 2026 tende a ser decisivo nesse processo. A ampliação do acesso a mercados cria oportunidades relevantes, mas também eleva o grau de exigência na gestão. Empresas que dominarem seus custos, entenderem sua estrutura de margem e tomarem decisões baseadas em dados terão condições de transformar expansão em rentabilidade. As demais correm o risco de crescer em complexidade, exposição financeira e dependência de crédito, sem a correspondente geração de valor econômico.
A abertura de 525 mercados é, sem dúvida, uma conquista estratégica para o país. Para as empresas do agro, porém, o verdadeiro diferencial competitivo não estará apenas na capacidade de vender mais, mas na competência de vender com margem, previsibilidade e sustentabilidade financeira. Em um cenário global cada vez mais competitivo, não será o tamanho da operação que definirá a perenidade dos negócios, mas a qualidade das decisões econômicas que sustentam essa expansão.
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Exportações agropecuárias ganham alternativa para evitar gargalos no Golfo Pérsico
Exigência sanitária turca levou à criação de certificado específico para cargas em trânsito, permitindo passagem e armazenagem temporária de produtos de origem animal sem interrupção do fluxo ao Oriente Médio e à Ásia Central, mesmo com as restrições no Estreito de Ormuz.

O Brasil garantiu a continuidade de uma rota alternativa via Turquia para o envio de exportações agropecuárias, diante das restrições no Estreito de Ormuz. A solução foi negociada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Com isso, a estrutura portuária turca segue como opção importante para cargas brasileiras com destino ao Oriente Médio e à Ásia Central, permitindo que as mercadorias sigam viagem sem a necessidade de passar pelo Golfo Pérsico.

Foto: Vosmar Rosa/MPOR
Essa rota já era utilizada por exportadores brasileiros. No entanto, a Turquia passou a exigir novas regras sanitárias para produtos sujeitos ao controle veterinário oficial, como os de origem animal. Para evitar prejuízos ao fluxo das exportações, foi negociado o Certificado Veterinário Sanitário para Produtos Sujeitos a Controles Veterinários em Trânsito Direto pela República da Turquia ou para Armazenamento Temporário com Destino à Expedição para outro País/Navio.
Na prática, o documento permite que mercadorias brasileiras, especialmente produtos de origem animal, atravessem o território turco ou fiquem armazenadas temporariamente no país antes de seguirem para o destino final.
A medida confere mais segurança e previsibilidade aos exportadores brasileiros em um momento de instabilidade nas rotas internacionais e reforça a atuação do Mapa para manter o comércio agropecuário brasileiro em funcionamento.
