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Digital deixou de ser diferencial competitivo para se tornar infraestrutura básica
No Congresso Andav 2025, especialistas destacam como inteligência artificial, conectividade e cultura organizacional estão moldando um setor mais estratégico, eficiente e comunicativo.

A Inteligência Artificial (IA) está transformando a criação de vídeos, identidade visual, textos e peças publicitárias, potencializando a produtividade e automatizando tarefas antes consideradas exclusivamente humanas. “Estamos vivendo um tempo em que o digital é premissa, ou seja, deixou de ser diferencial competitivo para se tornar infraestrutura básica”, afirmou o publicitário e administrador de Empresas, Walter Longo, durante o Congresso Andav 2025, uma realização da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), organizada pela Zest Eventos.

Publicitário e administrador de Empresas, Walter Longo: “A IA é o copiloto com capacidade para ver o que não enxergamos. São os supervisores digitais silenciosos”
O impacto mais profundo da IA está na mudança de paradigma da tomada de decisão e na otimização dos processos. “Antes, os líderes se apoiavam na experiência. Agora, precisam se apoiar na inteligência de dados para transformar despesas fixas em variáveis e desintermediar as operações. A IA é o copiloto com capacidade para ver o que não enxergamos. São os supervisores digitais silenciosos”, definiu Longo.
Em sua avaliação, é preciso repensar comportamentos, mentalidades e modelos de liderança. “O futuro não é digital, é mental, com a intuição como a nova habilidade. Quem não mudar a forma de pensar, não conseguirá acompanhar a velocidade das transformações que estão por vir”, frisou.
Tecnologia e Inovação
A agricultura digital e a agricultura de precisão garantem uma economia de R$ 10 milhões ao ano em diesel, resultante apenas de informações sobre a rotação de motores, segundo Frederico Logemann, head de estratégia de inovação da SLC Agrícola, debatedor do Painel sobre Inovação e Tecnologia, no Congresso Andav 2025. “Tendo a fazenda conectada vemos o uso, os equipamentos e os softwares que podem ser aplicados. São gerados indicadores e mensurados ganhos, por exemplo, mas é fundamental vencer algumas resistências e investir em pessoas, treinamento e testes antes de escalar as soluções”, explicou Logemann.
O gargalo da conectividade é um dos responsáveis pela dificuldade de aproveitamento pleno da tecnologia embarcada em máquinas e equipamentos agrícolas, limitando também o acesso à agricultura digital e de precisão. Renato Coutinho, gerente sênior de Desenvolvimento de Negócios da TIM Brasil, informou que a empresa conectou 23 milhões de hectares via associação entre fabricantes e a operadora (ConectarAgro). Para isso, foi necessário detectar os pontos convergentes entre os lados envolvidos.

Jornalista, publicitário e relações públicas Enio Campoi foi homenageado com o Prêmio Andav de Reconhecimento na categoria Educação e Comunicação
Responsável pelo desenvolvimento e pela aplicação da Ciência na agropecuária, a Embrapa Territorial leva tecnologia para o produtor, tendo como meta disponibilizar aos pequenos e médios produtores, e aos agricultores familiares, as tecnologias utilizadas apenas pelos de grande porte. “A questão é como escalar tecnologia e, nesse ponto, a conectividade ainda é um dificultador”, explicou o chefe-geral da Embrapa Territorial, Gustavo Spadotti.
Entre os serviços disponibilizados pela Embrapa Territorial está o aplicativo desenvolvido para os produtores de algodão na Bahia, que gera relatórios e coleta dados em estações de capturas de esporos, avisando os proprietários da região sobre a necessidade de adotar práticas de manejo para evitar pragas como o bicudo.
Homenagem Andav
Durante o Congresso Andav 2025, a jornalista Bianca Barbis, gerente de Comunicação da Andav, e Marcos Chaves, vice-presidente do Conselho Diretor da Andav, entregaram o Prêmio Andav de Reconhecimento na categoria Educação e Comunicação, para o jornalista, publicitário e relações públicas Enio Campoi, por sua fundamental contribuição para o agronegócio brasileiro, ao desenvolver iniciativas pioneiras, ações inovadoras e ideias criativas para a divulgação e comunicação do setor em nível nacional e internacional.

Produtora rural Camila Telles: “O problema não é o que fazemos, mas o que não contamos, e não apenas nas redes sociais, mas também nos posicionamentos sempre que o agro é criticado”
No painel que sucedeu a homenagem, a produtora rural Camila Telles afirmou que romper mitos e fazer correções em opiniões sobre o agro é uma tarefa que desempenha desde seus nove anos de idade, quando, na escola, defendeu a soja transgênica. Essa tarefa ganhou mais força nos últimos 10 anos, período em que comprovou seu amor pelo agro e sua história como bisneta de agricultores.
Como influenciadora do agro em redes sociais, Camila reforça seu posicionamento e o trabalho que realiza, buscando contribuir com a difusão do agro. “Se eu pudesse resumir o maior desafio do agro hoje em uma palavra, ainda seria Comunicação”, salientou, reforçando: “O problema não é o que fazemos, mas o que não contamos, e não apenas nas redes sociais, mas também nos posicionamentos sempre que o agro é criticado”.
Cultura organizacional, gestão de pessoas e inclusão
Em um cenário cada vez mais competitivo, a cultura organizacional e a gestão de pessoas são pilares estratégicos para o crescimento sustentável das empresas. Segundo Tatiane Tiemi, CEO do Great Place to Work, em palestra do Congresso Andav 2025, colocar as pessoas no centro do negócio é o caminho para a alta performance e as organizações que priorizam a maximização do potencial humano, a inclusão, a equidade e as boas práticas de gestão de pessoas são também as que melhor performam no mercado.

CEO do Great Place to Work, Tatiane Tiemi: “Melhorar a performance das empresas começa por contratar bem, de acordo com a estratégia da empresa, com foco na cultura organizacional”
“Melhorar a performance das empresas começa por contratar bem, de acordo com a estratégia da empresa, com foco na cultura organizacional”, destacou Tatiane, que reiterou que cultura organizacional é construída diariamente por líderes conscientes, com políticas justas e ações coerentes baseados nos valores que a empresa deseja promover.
As empresas que integram esses princípios à sua estratégia não apenas atraem e retêm talentos, como também inovam mais e são mais resilientes em tempos de crise, assegurou Tatiane, que reforçou que existem empresas boas para se trabalhar e que é importante entender que ambiente de trabalho saudável, diverso e acolhedor impacta diretamente nos resultados do negócio.

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Armazenamento correto garante qualidade e previne perdas de produtos pecuários
Boas práticas são essenciais para a produtividade da fazenda e envolvem higiene, controle de temperatura e organização física do espaço.

Na pecuária, o bom desempenho do rebanho está ligado a fatores como alimentação, controle de doenças e parasitas, cuidado com o bem-estar animal e monitoramento constante do gado. Além desses critérios, as boas práticas no armazenamento de produtos destinados aos animais também devem ser consideradas essenciais, uma vez que previnem perdas e garantem a produtividade da fazenda.
As boas práticas visam garantir a qualidade, segurança e valor dos produtos, prevenindo contaminações e perdas. Os procedimentos envolvem higiene, controle de temperatura e organização física do espaço, e variam conforme o tipo de produto (ração, suplementos, medicamentos). “Esses princípios mantêm a boa qualidade desses itens, evitando, além das perdas ligadas ao seu valor financeiro, chance de contaminar outros artigos ou provocar doenças no rebanho”, explica o zootecnista Bruno Marson.
Antes de armazenar os produtos, é importante observar qual tipo de espaço ele deve ser guardado. Rações e suplementos precisam ser armazenados em locais secos e arejados, preferencialmente em suas embalagens originais ou em recipientes herméticos, sobre paletes e afastados das paredes para evitar umidade e acesso de pragas. “No caso de medicamentos e vacinas veterinárias é preciso seguir rigorosamente as instruções do fabricante quanto à temperatura, uma vez que muitos desses produtos requerem refrigeração e condições de armazenamento em local seguro e separado de outros produtos químicos”, destaca Marson.
No caso de defensivos agrícolas e químicos, o armazenamento deve ser feito em local isolado, com ventilação adequada, piso impermeável e sinalização de perigo. A legislação brasileira dispõe sobre o sistema de armazenagem dos produtos agropecuários, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fornece cartilhas de boas práticas para serviços de alimentação que são relevantes para produtos de origem animal.
Princípios fundamentais
Marson enfatiza que a higiene rigorosa é essencial, por isso é necessário manter as instalações, equipamentos e utensílios sempre limpos e sanitizados, e que a higiene pessoal dos colaboradores também é crucial. Os locais de armazenamento devem ser limpos, organizados, bem ventilados e protegidos da luz solar direta, umidade, insetos, roedores e outros animais.
No caso da temperatura, seu controle é vital, especialmente para insumos como vacinas e medicamentos. Câmaras frias e refrigeradores devem ser usados conforme as especificações do fabricante. “As embalagens devem proteger o produto da umidade e de contaminações externas. No caso de rações e grãos a granel, deve-se prevenir o ataque de pragas através de iscas, evitar acesso livre ao material e bloquear possíveis abrigos”, orienta.
Outra dica de Marson é organizar os produtos de forma a permitir a fácil inspeção e limpeza e implementar a rotação de estoque (primeiro a entrar, primeiro a sair – PEPS) para garantir que os produtos mais antigos sejam usados antes de vencerem. Além disso, implementar um plano eficaz para a gestão de resíduos e controle de pragas para evitar a infestação das instalações. “Seguindo essas orientações, os produtos ficarão bem armazenados, garantindo assim a produtividade do rebanho e a rentabilidade da fazenda”, menciona Marson.
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Sobretaxas dos Estados Unidos derrubam exportações brasileiras em vários setores
Estudo mostra que apenas seis dos 21 segmentos conseguiram compensar, em outros mercados, a queda nas vendas ao mercado americano.

As sobretaxas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros tiveram impacto amplo e negativo sobre as exportações do país. Um estudo da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) mostra que apenas seis dos 21 setores exportadores conseguiram compensar, em outros mercados, as perdas registradas nas vendas ao mercado americano.
Entre agosto e novembro de 2025, todos os setores analisados venderam menos para os Estados Unidos na comparação com o mesmo período de 2024. A queda somada alcançou US$ 1,5 bilhão. Em praticamente todos os segmentos, a retração das exportações para os EUA foi mais intensa do que a variação das vendas globais, o que evidencia o peso do mercado americano para a pauta exportadora brasileira.

Foto: Vosmar Rosa/MPOR
A tentativa de redirecionar exportações para outros países não foi suficiente para a maioria dos setores. Em 15 dos 21 segmentos avaliados, o crescimento das vendas ao restante do mundo não conseguiu compensar as perdas nos Estados Unidos. Juntas, essas áreas acumularam redução de US$ 1,2 bilhão.
Os impactos mais expressivos foram registrados nos setores de alimentos, como mel e pescados, além de plástico e borracha, madeira, metais e material de transporte. Apenas seis setores conseguiram equilibrar as perdas com vendas em outros mercados: produtos vegetais; gorduras e óleos; químicos; pedras preciosas; máquinas e aparelhos elétricos; e máquinas e instrumentos mecânicos.
Mesmo nesses casos, a compensação foi limitada. O estudo aponta que, muitas vezes, os produtos exportados para outros destinos não são os mesmos que tradicionalmente têm os Estados Unidos como principal mercado. Isso indica que a substituição do mercado americano ocorre de forma incompleta, tanto em valor quanto em perfil de produtos.
No setor de máquinas e aparelhos elétricos, por exemplo, as exportações para os Estados Unidos recuaram US$ 104,5 milhões no período analisado. Já as vendas para outros mercados cresceram US$ 650 milhões. Apesar do saldo positivo, itens específicos de maior valor agregado, como transformadores e geradores, também tiveram desempenho fraco fora dos EUA. As exportações de transformadores caíram tanto para o mercado americano quanto para o restante do mundo, enquanto os geradores registraram queda acentuada nos EUA e avanço modesto nos demais destinos.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
O levantamento reforça que o mercado dos Estados Unidos segue difícil de substituir. Além do volume, o país importa produtos mais diversificados e com maior valor agregado, o que limita a capacidade de redirecionamento das exportações brasileiras no curto prazo.
Para a Amcham, os dados mostram que a diversificação de mercados ajuda, mas não resolve. A entidade avalia que, para grande parte da indústria brasileira, as perdas provocadas pelas sobretaxas não podem ser plenamente revertidas sem avanços nas negociações comerciais com os Estados Unidos.
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Preços dos grãos terminam 2025 sob pressão e incerteza no mercado
Soja, milho e trigo enfrentaram um ano de ajustes ao longo da cadeia global.

O mercado global de commodities encerrou 2025 marcado por preços pressionados, oferta elevada em várias cadeias e forte influência de fatores externos. Para 2026, o cenário segue condicionado a decisões políticas, tensões comerciais, clima e ajustes entre oferta e demanda, aponta a análise da Hedgepoint Global Markets.
No plano internacional, as políticas tarifárias dos Estados Unidos continuam no radar, com potencial para alterar fluxos comerciais, especialmente na relação com a China. A disputa entre as duas potências segue como um dos principais focos de atenção dos mercados. Em países emergentes, eleições também devem influenciar o ambiente econômico. No Brasil, o processo eleitoral previsto para outubro tende a aumentar a volatilidade ao longo do ano.
Na política monetária, a expectativa é de um período de maior equilíbrio. Após cortes de juros em 2025, bancos centrais como o Federal Reserve e o Banco Central Europeu se aproximam de uma fase de estabilização. No Brasil, há espaço para redução da taxa Selic ao longo de 2026, desde que as expectativas de inflação permaneçam controladas, com projeção de encerrar o ano em torno de 12%.
Esse pano de fundo macroeconômico e geopolítico se soma aos desafios específicos de cada mercado agrícola, especialmente ligados ao clima, à produção e ao consumo.
Complexo soja
O mercado de soja viveu em 2025 um cenário de forças opostas. A safra recorde da América do Sul contrastou com a redução de área nos Estados Unidos. A guerra comercial reduziu a demanda pela soja americana, ao mesmo tempo em que o crescimento do esmagamento e a perspectiva de maior uso de biocombustíveis ajudaram a sustentar o mercado. Uma trégua nas tensões entre EUA e China deu algum fôlego aos preços no fim do ano.
Em 2026, quatro pontos concentram as atenções. O primeiro é o volume de compras da China de soja norte-americana, após o compromisso de aquisição de pelo menos 25 milhões de toneladas. O segundo envolve o biodiesel nos Estados Unidos, cujas definições adiadas em 2025 devem impactar óleos vegetais e farelo no próximo ano. O terceiro fator é o clima na América do Sul, com incertezas sobre o potencial produtivo de Brasil e Argentina. Por fim, a decisão sobre a área de plantio nos EUA para a safra 26/27 dependerá do comportamento dos preços, com possibilidade de migração de área do milho para a soja.
Milho e trigo
No milho, 2025 foi marcado por produção recorde nos Estados Unidos, resultado da combinação entre aumento de área e condições climáticas favoráveis. As exportações surpreenderam positivamente, sustentadas pela competitividade dos preços. No trigo, grandes produtores também ampliaram a oferta, levando a produção global a níveis elevados.
Para 2026, o clima na América do Sul será determinante. Brasil e Argentina podem elevar a produção se as condições forem favoráveis, embora o fenômeno La Niña traga riscos, especialmente para a safra argentina. No Brasil, atrasos no plantio da soja podem comprometer o calendário do milho safrinha, elevando a exposição a riscos climáticos. Ainda assim, há tendência de aumento de área, impulsionada pela demanda crescente por etanol de milho, com novas plantas previstas para entrar em operação.
Nos Estados Unidos, a definição da área entre milho e soja dependerá da relação de preços no primeiro trimestre de 2026. Apesar da possibilidade de redução de área do milho, a demanda aquecida pode limitar cortes mais significativos. No trigo, as atenções se voltam ao clima no desenvolvimento da safra de inverno do Hemisfério Norte, em um contexto de transição do La Niña para condições neutras ao longo do primeiro semestre.



