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Avicultura

Dietas pré-iniciais com plasma ajudam na retirada de promotores

Essa retirada também está sendo realizada voluntariamente por empresas avícolas integradoras

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Artigo escrito por Luís Rangel, Joy Campbell, Joe Crenshaw, Carmen Rodríguez e Javier Polo – APC Europa, APC Inc., APC, Inc – Brasil

Tradicionalmente, os antibióticos (ATB) vêm sendo utilizados na alimentação de frangos de corte como promotores de crescimento (promotores) para reduzir os efeitos nocivos de bactérias entéricas patogênicas. Mesmo assim, os promotores foram proibidos na União Europeia em 2006 devido à preocupação de que seu fornecimento na alimentação animal pudesse contribuir para o desenvolvimento de resistência microbiana a ATB utilizados tanto em animais como na medicina humana. Cada vez mais países ao redor do mundo estão revisando suas legislações com respeito aos promotores e, dessa forma, o Brasil e outros países latino-americanos proibiram ou restringiram diversas moléculas ou associações nos últimos tempos. Espera-se que nos próximos anos outros países desenvolvam iniciativas nesse sentido. Além disso, os maiores varejistas estão impondo atualmente graus variáveis de redução de utilização de promotores. Essa retirada também está sendo realizada voluntariamente por empresas avícolas integradoras.

O papel dos promotores de crescimento somente ficou claro quando estes foram retirados das dietas de frangos de corte na Europa. Foi percebido então que sua principal ação era o controle de desafios bacterianos subclínicos no trato digestório. Um aumento significativo na incidência de enterite necrótica (EN) na Europa e em outras áreas ocorreu após a remoção dos antibióticos promotores de crescimento e anticoccidianos ionóforos. Portanto, as alternativas à utilização de promotores são cada vez mais necessárias para a nutrição animal.

A fisiologia dos pintinhos recém-eclodidos

A eclosão do pintinho e a transição de uma dieta composta por albumina e gema para uma dieta constituída basicamente por milho, soja, minerais e vitaminas, caracteriza-se por ser um período estressante para as aves. O pintinho de corte nos primeiros 7 a 10 dias de vida não tem um complexo de enzimas digestivas “maduro” e, por isso, a digestão dos alimentos é limitada na primeira semana de vida. Essa situação é ainda mais complicada pela mudança no substrato nutricional, passando da gema e do albúmen do ovo, para carboidratos complexos, proteínas e lipídios das dietas iniciais convencionais do frango de corte. Ainda que os pintos cresçam rapidamente nos primeiros dias de vida, muitas vezes alcançando mais de 180 g aos 7 dias de idade, o crescimento e desenvolvimento iniciais podem ser intensificados pelo uso de dietas pré-iniciais especializadas e com uma seleção criteriosa dos ingredientes. Essas dietas podem ajudar a dar suporte à saúde intestinal. Também podem proporcionar um pré-condicionamento ao pintinho, de tal forma que possa digerir substratos complexos mais facilmente e assim proporcionar substratos mais digestíveis até que a produção de enzimas da ave tenha “amadurecido”.

Dietas pré-iniciais especiais

A seleção de ingredientes altamente digestíveis (proteínas de origem animal), isentos de toxinas, é importante para o rápido desenvolvimento inicial do intestino. Ainda que as dietas à base de milho e farelo de soja sejam a referência padrão para os frangos de corte, há evidências de que sua digestibilidade fica abaixo do ótimo no pintinho jovem. Há uma redução de até 10% na EMAn e na digestão de aminoácidos nos pintos com menos do que 7-10 dias de idade em comparação com a expectativa dos manuais de nutrição. No período crítico, de 2 a 5 dias de idade, a digestão pode de fato ser 15% menor do que o esperado. Estes nutrientes não digeridos podem potencialmente alimentar o crescimento microbiano excessivo indesejável.

Na formulação de dietas pré-iniciais especializadas, a ideia é corrigir qualquer deficiência na digestão, limitar o suprimento de nutrientes, particularmente proteína/aminoácidos que escapam da digestão/absorção, e assim aumentar a taxa de crescimento inicial e/ou melhorar a uniformidade deste crescimento inicial. Uma abordagem alternativa é usar ingredientes mais digestíveis, com pouca alteração no nível de nutrientes. Ingredientes como o plasma sanguíneo spray dried (sigla do inglês SDP) são usados nestas formulações. A característica mais crítica das dietas pré-iniciais especializadas é substituir proteínas vegetais menos digestíveis por proteínas animais mais digestíveis. O SDP é rotineiramente utilizado em dietas para leitões desmamados precocemente e pode ser uma alternativa interessante ao farelo de soja nos primeiros dias de vida do frango de corte.

Plasma Spray Dried como Ferramenta Alternativa

Numerosos trabalhos científicos demonstraram os benefícios do uso do SDP como alternativa aos promotores na alimentação de leitões. Nesses trabalhos foi demonstrado que a inclusão de plasma resulta em melhoras no peso vivo, no ganho de peso diário, no consumo médio diário, na conversão, no epitélio intestinal e também redução de citosinas pró-inflamatórias em comparação com os grupos sem promotores e em geral não observou-se diferenças nos parâmetros produtivos quando comparou-se os grupos com plasma com os grupos tratados com promotores. Por outro lado, quando o SDP é associado aos promotores ocorre um efeito aditivo.

Como em leitões desmamados, trabalhos recentes demonstraram que a nutrição fornecida pela adição do SDP em dietas pré-iniciais de frangos melhora o ganho de peso, o consumo de alimento e a conversão, assim como contribui para que os produtores de frangos maximizem o potencial genético inicial de seus rebanhos.

Modo de Ação

Ainda não são conhecidos integralmente os mecanismos através dos quais os animais alimentados com SDP têm seu bem-estar melhorado, mas os estudos realizados sugerem que os anticorpos de origem natural presentes no SDP poderiam prover proteção local no intestino contra patógenos típicos de granjas. Além disso, trabalhos indicam que a inclusão SDP nas dietas auxiliam na manutenção da função de barreira intestinal durante uma inflamação intestinal induzida através da administração intraperitoneal de uma toxina bacteriana. Autores concluíram que o efeito preventivo do SDP na inflamação intestinal se deu devido a modulação da ativação do sistema imune. Posteriormente, outros trabalhos demonstraram que a inclusão do SDP na dieta também produziu uma modulação similar nos pulmões, quando induziu-se uma inflamação pulmonar aguda através de inalação de lipopolissacarídeos bacterianos. Estes resultados, de forma conjunta, sugerem que a inclusão do SDP na dieta tem um efeito sistêmico e não somente na mucosa intestinal.

Outros trabalhos também sugerem que as dietas suplementadas com SDP são provavelmente uma das melhores alternativas para prevenir transtornos intestinais que ocorrem após a desmama e que o SDP pode ser utilizado de forma segura como alternativa aos promotores sem risco de ocorrer algum tipo de desenvolvimento de bactérias resistentes a ATB. No Brasil, recentemente plasma suíno spray dried foi adicionado a dietas para suínos criados sem antibióticos promotores de crescimento.

Menos desafios entéricos e respiratórios

Benefícios mais dramáticos com o uso de SDP em dietas de frangos de corte foram observados quando as aves eram infectadas natural ou artificialmente com diversos patógenos. Autores avaliaram o PSD funcional em frangos de corte que tiveram a ocorrência natural de enterite necrótica grave. As aves foram alimentadas de forma contínua com 1% de SDP de 1-14 dias, 0,5% de 15-28 dias e 0,25% de 29-35dias, ou de forma não contínua, com apenas 1% de SDP na dieta inicial de 1-14 dias. A administração de SDP teve um efeito dramático sobre a mortalidade causada pela enterite necrótica. É interessante observar que as aves no grupo de administração não contínua estavam protegidas depois de 14 dias, ainda que tivessem consumido dieta de crescimento não suplementada neste período.

O SDP teve um impacto não só sobre a viabilidade, uma vez que as aves consumiram significativamente mais ração. O efeito do SDP pode ter ocorrido por contribuir para uma melhor estrutura na vilosidade intestinal, juntamente com a capacidade do SDP de combater patógenos, como descrito anteriormente.

A ação das proteínas plasmáticas, além dos desafios entéricos, foi observada por Campbell et. al, (2004b). No referido estudo, perus com 5 semanas de idade foram desafiados com 3,0 x 108 UFC de pasteurella multocida tipo III através de suabe nas tonsilas. Duas semanas (14 dias) após o desafio, a administração de soro sanguíneo solúvel em água (SDP sem fibrinogênio) resultou em redução da mortalidade associada ao desafio respiratório. A sobrevivência do grupo controle foi de 65%, enquanto a sobrevivência do grupo consumindo soro sanguíneo solúvel, na diluição de 1,3% em água, foi de 95%.

Avaliação em Frangos de Corte

Um sumário de 13 trabalhos conduzidos ao redor do mundo em várias instalações de pesquisa, incluindo a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a Universidade Federal de Viçosa, a Universidade Federal de Uberlândia e a Universidade Federal da Paraíba, demonstraram que a inclusão do SDP em dietas de frangos melhorou o peso final (média de 75 g) e melhorou a conversão alimentar (em 5 pontos) quando comparado com as dietas controle.

Experimentos em condições comerciais conduzidos recentemente corroboram com os resultados de trabalhos científicos demonstrando os efeitos benéficos do SDP em dietas pré-iniciais.

Um experimento de campo conduzido em granja com manejo regular para os padrões do Norte da Europa demonstrou melhora no peso final de 60 g e melhora na conversão de mais de 7 pontos. Ocorreu melhora de produtividade de 1,7 kg/ m2, o que representou uma melhor lucratividade de 7 centavos de euro por ave. Outra avaliação em uma granja comercial nos Estados Unidos observou melhoras no peso final de 64 g e uma melhor conversão alimentar (3 pontos) a favor dos programas pré-iniciais contendo SDP. Na Ásia, um experimento de campo foi conduzido com frangos de corte, no qual as aves foram alimentadas com 1% de SDP durante 1 a 9 dias de idade. O peso final médio aos 35 dias foi de 1.933 g para as aves alimentadas com SDP versus 1.878 g para os aviários com dietas controle, a melhora a favor do SDP foi de 55 g no peso final para as aves com SDP na pré-inicial.

No Brasil, diversos estudos foram desenvolvidos em granjas comerciais e instituições de pesquisa. Na maioria dos estudos foram observados benefícios favoráveis, comparáveis aos resultados apresentados nas Tabelas 1 e 2, com respeito a desempenho e lucratividade para as aves alimentadas com o SDP. Além disso, nesses experimentos de campo, é comum observarmos melhoras significativas na viabilidade, o que valoriza ainda mais o uso dessa tecnologia.

Conclusão

Em sistemas de produção avícola que optem por atuar com restrições ao uso de promotores e suas associações é muito interessante considerar a adoção de dietas pré-iniciais altamente digestíveis. Também podemos indicar a utilização do SDP como ingrediente para essas dietas, uma vez que os resultados de estudos em condições experimentais e comercias demonstram que a nutrição fornecida através da inclusão do SDP promove melhoras no peso final, na conversão e na viabilidade de frangos de corte, tanto em sistemas tradicionais de produção quanto em sistemas de produção com restrição de uso de promotores.

As referências estão disponíveis com os autores. Contato com Luís Rangel – luis.rangel@functionalproteins.com

 

Mais informações você encontra na edição de Aves de junho/julho de 2016 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Avicultura Mercado

ABPA celebra viabilização de vendas de ovos in natura para Argentina e Chile

As exportações brasileiras de ovos do Brasil têm obtido bons resultados em 2021

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Divulgação/AENPr

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) celebrou a dupla autorização de exportações ocorrida na última quinta-feira (08), com a publicação de Certificados Sanitários Internacionais (CSI’s) para a exportação de ovos in natura para a Argentina e o Chile.

Os CSI’s foram publicados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento brasileiro, e são válidos para todos os estados, no caso da Argentina;  e para todos os estabelecimentos localizados no Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e São Paulo, no caso do Chile.

As exportações brasileiras de ovos do Brasil têm obtido bons resultados em 2021. No primeiro bimestre, o setor acumulou alta superior a 150%, índice que deve se manter com os resultados de março, conforme dados preliminares calculados pela ABPA.  Com a abertura da Argentina e do Chile – mercados geograficamente mais próximos que o atual principal destino do setor, os Emirados Árabes Unidos – há boas expectativas quanto ao incremento ainda maior das vendas do setor.

“A proximidade dos mercados são facilitadores para as vendas do setor.  O Brasil se consolidou como grande produtor e agora busca novas fronteiras para as vendas de ovos produzidos no país.  Com estes dois mercados viabilizados ontem, há boas expectativas de expansão dos negócios”, avalia Ricardo Santin, presidente da ABPA.

Fonte: Assessoria ABPA
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Avicultura Saúde Animal

O que fazer quando a salmonella se torna uma realidade no plantel?

Além do conhecimento dos vírus e bactérias que podem afetar a criação, saber como evitar esses patógenos é de extrema importância

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Artigo escrito por Rafael Soares, médico veterinário, mestrando em Produção Animal e coordenador Técnico da Divisão Animal da BTA Aditivos

A primeira preocupação dos criadores de frangos de corte, antes mesmo do alojamento, é combater os problemas sanitários do lote futuro. Além do conhecimento dos vírus e bactérias que podem afetar a criação, saber como evitar esses patógenos é de extrema importância.

A Salmonelose é uma das principais doenças das aves, causada por bactérias de um gênero de duas espécies, a Salmonella bongori e a Salmonella entérica. Esta última apresenta seis subespécies: salamae, arizonae, diarizonae, indica, houtenae e enterica.

Dos mais de 1.500 sorovares da espécie entérica está a Salmonella Gallinarum (Tifo aviária) que causa anemia e deixa a ave com cristas e barbelas pálidas ou arroxeadas e penas arrepiadas. Além disso provoca apatia, anorexia, diarreia amarelo-esverdeada e febre. Já a Salmonella Pullorum (Pulorose) pode apresentar sinais subclínicos como diarreia, desidratação, queda de consumo de ração, perda de peso e diminuição da produção de ovos. Tanto a S. Gallinarum como a S. Pullorum causam doenças clínicas nas aves, mas sem impacto sobre seres humanos.

A subespécie Enterica ainda tem maior importância para a saúde pública. Isso porque a Salmonella enteritidis e a Salmonella typhimurium, presentes nesta subespécie, estão entre as doenças mais prevalentes em aves e que podem contaminar os humanos caso haja o consumo de alimentos de origem animal. Os sintomas mais comuns são diarreia, vômito, dor abdominal, cansaço e perda de apetite nas pessoas.

Barreiras para evitar contaminação externa

Ciente deste desafio, o produtor deve estar municiado de barreiras para diminuir a presença de salmonella atuando já no momento do recebimento de pintinhos que devem estar livres de salmonelas. A garantia da sanidade destas aves vai depender de como está o processo de biosseguridade tanto nas granjas matrizeiras como no incubatório.

O primeiro ponto a ser avaliado pelos produtores é o isolamento das granjas. O ideal é ter um único portão de acesso, evitando desta forma, o livre trânsito de pessoas, veículos e animais no interior do núcleo de produção. As construções devem ser sempre protegidas por barreiras naturais e físicas, tendo o conhecimento da direção do vento no momento da construção. Isso é importante para que haja diminuição de contaminações por vias aéreas.

O cuidado com o ambiente de produção é muito importante. Para isso, é preciso observar as ações de higienização no local. Logo após a saída do último lote é preciso entrar com a limpeza e a desinfecção das instalações, que visam diminuir os riscos de infecções e realizar a quebra do ciclo de agentes infecciosos. Nesta fase, a limpeza é tão importante quanto a desinfecção. A remoção de detritos e gorduras dos lotes passados é imprescindível para o sucesso da desinfecção.

É importante destacar que o vazio sanitário ideal é de, no mínimo, 15 dias após concluídos todos os procedimentos de limpeza e desinfecção. Um controle da biosseguridade adequado nas granjas deve abranger o controle de tráfego e fluxo, ou seja, a observação de tudo que venha de fora e que entrará na granja para eliminar todo risco de contaminação.

O programa de vacinação é outro ponto de atenção. É necessária a elaboração de um programa de vacinação com foco no controle dos desafios sanitários da região e basear-se em resultados técnicos e laboratoriais. A vacinação deve dar proteção suficiente contra doenças intercorrentes na região, além da vacinação obrigatória em pintos de um dia contra a doença de Marek.

A vacinação nos programas de controle de S.enteritidis tem um grande efeito para redução da contaminação dentro dos lotes de matrizes e contribui eficazmente para eliminar a transmissão vertical. Para o êxito da vacinação é necessário:

  • Seguir o cronograma proposto
  • Respeitar os prazos de validade das vacinas, as vias de aplicação e as diluições indicadas
  • Realizar treinamento sistemático e educação contínua da equipe sobre boas práticas de vacinação
  • Manusear e conservar as vacinas de forma adequada
  • Manter a qualidade da água na vacinação (T °C e pH)
  • Limpar e desinfetar os utensílios utilizados pelos vacinadores

O programa de biosseguridade precisa ser averiguado e monitorado para que ocorra a identificação dos pontos críticos e dos níveis de contaminação. Assim, será possível estabelecer as estratégias de controle e as monitorias que devem ser feitas nos animais, no ambiente e nos insumos que são utilizados no sistema de produção. A água e as rações oferecidas as aves devem ser enviadas para laboratórios de patologia animal credenciados pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento (MAPA), com o acompanhamento do Médico Veterinário Oficial do Ministério da Agricultura. O principal objetivo desta análise deve ser a identificação de Salmonella spp. e outras enterobactérias patogênicas.

Além das monitorias oficiais são utilizados métodos de swabs estéreis e plaqueamentos para avaliação dos desafios e avaliação da eficiência de um programa de limpeza e desinfecção. Esses monitoramentos podem analisar a carga microbiológica de enterobactérias e presença de salmonela. Com esses resultados é possível fazer um plano de ação para erradicação dessas doenças.

A aplicação de programas de 5S e auditorias são fundamentais para checar o programa de biosseguridade e, se existirem erros, agir rapidamente realizando planos de ações e ajustes nos procedimentos. O 5S auxilia na obtenção de padrões operacionais que contribuem para maior eficiência e excelência na realização das tarefas de biosseguridade. Aliado a isso, as auditorias constantes, com uma frequência mensal ou bimestral, permitem identificar quais os processos ou pontos que necessitam de ajustes ou correções.

A educação continuada deve fazer da produção desde o momento da admissão dos funcionários. É indicada a aplicação das instruções já no processo de integração, mostrando uma visão geral das políticas da empresa, englobando neste momento, a importância da biosseguridade para o setor de produção avícola.

Aditivos para o controle da salmonella

A ração utilizada na granja também pode servir como meio de disseminação de contaminação, pois possui em sua formulação matérias-primas de origem animal e vegetal que servem de atrativos para aves e roedores intrusos, que podem trazer contaminações externas para a fábrica, e consequentemente, para a ração. Por este motivo, atualmente as fábricas de ração utilizam a associação de três pontos principais para controle de contaminantes em sua produção e controle do produto final: através de sistemas de segurança alimentar (BPF e APPCC), tratamentos térmicos como extrusão e peletização (atendendo os parâmetros de umidade, temperatura e tempo de condicionamento) e utilização de aditivos antissalmonelas.

Os aditivos mais utilizados nas formulações de rações para o controle microbiológico são os ácidos orgânicos, sais orgânicos e o formaldeído, que atuam na diminuição do pH intracelular. Com isso, podem causar alteração na permeabilidade da membrana microbiana com o bloqueio do substrato do sistema de transporte de elétrons, eliminando bactérias patogênicas como a Salmonella. A ação dos ácidos orgânicos nas aves ocorre de diversas formas, como na alteração da microbiota intestinal por ação bactericida ou bacteriostática, na melhora das atividades das enzimas digestivas e na redução do pH do trato gastrintestinal que reduz a presença de Salmonella no papo e no ceco. Observa-se ainda um benefício na flora intestinal que leva ao equilíbrio da imunidade, onde os nutrientes e a energia da fórmula da ração serão aproveitadas pelas aves, levando a melhora dos índices zootécnicos.

Treinamentos e planos de contingência

É necessário oferecer treinamentos aos funcionários das normas de biosseguridade pertinentes às suas atividades. E outras atualizações também precisam ser repassadas com periodicidade semestral no tocante às normas de biosseguridade, de acordo com a matriz de treinamento. Quando identificada uma oportunidade ou necessidade o ideal é realizar treinamentos extras com o intuito de oferecer capacitação adicional aos interessados.

É indicado que as empresas avícolas onde o produtor entrega seu produto tenham um plano de contingência para as possíveis emergências nos lotes. Este plano deve contemplar procedimentos extras a serem realizados, até que se tenham os resultados de laboratório se o lote está positivo ou negativo. Com este plano, pode-se bloquear a disseminação da doença para outros lotes até que se elimine as aves, se for o caso.

Em caso de positividade em qualquer uma das análises, oficial ou de rotina da empresa, devem ser adotadas medidas mínimas que incluem:

  • Isolamento do galpão
  • Isolamento dos funcionários por aviário
  • Controle rígido de tráfego e fluxo de veículos e caminhões (deve ser sempre o último a entregar insumos)
  • Fluxo de pessoas deve ser proibido
  • Calçados e roupas devem ser lavados e desinfectados diariamente
  • Adotar a inclusão de pedilúvios extras
  • Controle especial de destino das aves mortas

A prevenção e o controle sanitário são condições fundamentais para diminuir os problemas sanitários nos lotes, tendo em vista que a salmonelose é um desafio para a saúde pública e para a indústria avícola. Portanto, colocar em prática todos os procedimentos de biosseguridade nas granjas é essencial para que se tenha maiores garantias de efetividade.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Produção de destaque

Mãe e filha cantam de galo na avicultura brasileira

Dona Dalair e a filha Jheynifer são avicultoras raiz, apaixonadas pelo que fazem

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Giuliano De Luca/OP Rural

Consertar o cano d’água que estourou, providenciar a manutenção dos equipamentos da granja, carregar toras e toras de lenha para manter o aquecedor funcionando, acordar três vezes por noite para observar a criação, no frio congelante ou no calor escaldante do Sul do país. Rotina pesada, encarada de frente por dona Dalair, viúva, chefe de família, produtora rural, e por sua filha Jheynifer, que por trás do título de Miss Marechal Cândido Rondon e das unhas bem pintadas se revela uma guerreira do agronegócio.

Mãe e filha são avicultoras raiz, apaixonadas pelo que fazem. São as responsáveis pelos dois aviários que a família tem no interior de Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná. A região, uma das que mais produz frangos no Brasil, baseado na presença marcante de cooperativas agropecuárias, apresenta exemplos de mulheres que atuam na linha de frente da avicultura, dentro do galpão, no dia a dia das propriedades rurais.

Mas granjas exclusivamente dirigidas por mulheres são mais raras. Para não dizer exclusivamente, o filho de Dalair, Jonathan, moderadamente, ajuda com a lenha nos aquecedores, mas ela já reclama. “Ele até vai colocar lenha nos fornos, só que tem muita força. Coloca aquela lenha com uma vontade que detona aqueles fornos. Eu digo, coloca com carinho”, brinca a avicultora.

Dalair Allebrandt Boroski trabalha na avicultura há cerca de 40 anos. Uma das pioneiras da atividade no Oeste paranaense, casou-se com Haribert Boroski e teve dois filhos, Jheynifer e Jonathan. Depois de 37 anos casados, o destino levou Boroski mais precocemente, há pouco mais de dez anos. Desde então, Dalair e Jheynifer são as responsáveis pelos aviários. Jonathan ajuda, mas trabalha com caminhão, para terceiros, especialmente nas safras. “É o que ele gosta”, diz a produtora.

“Trabalho com avicultura desde que eu tinha 16 para 17 anos. Construímos o primeiro aviário na época da Sadia. Há cerca de 20 anos, quando entrou o frigorífico da Copagril (hoje Lar), colocamos aquele aviário no chão. Começamos tudo de novo. Hoje são dois galpões”, conta. “Eu e meu marido trabalhávamos juntos, até que ele teve um problema no coração. Ele acabou morrendo há cerca de dez anos, quando assumi sozinha os aviários. Foi por necessidade”, lembra Dalair.

Jheynifer, então com 18 anos, encarou a responsabilidade e acompanha a mãe até hoje. De dia, é dona Dalair que cuida das aves. À noite, quando Jheynifer volta do trabalho de uma cooperativa de crédito na cidade, é ela quem se responsabiliza pelas duas granjas. “Ela me ajuda muito, ela é meu braço direito”, orgulha-se Dalair.

Todo o funcionamento da granja é de responsabilidade delas. Fazer parte das atividades adequar as instalações, receber os pintinhos, fornecer água e alimento, estimular os animais, recolher e destinar as aves mortas, manusear os equipamentos da granja, entregar os lotes, administrar os recursos financeiros, decidir por investimentos. Tudo é feito por elas.

A produção atual comandada por mãe e filha é de 34 mil aves por lote. São seis lotes ao ano, somando mais de 200 mil frangos anuais. Números que fazem aflorar o brio de Jheynifer. “Pra mim é um prazer enorme trabalhar na avicultura. Saber que estou contribuindo com a produção de alimentos do Brasil, contribuindo com o crescimento do Brasil, colocando alimento nas mesas das famílias, é muito gratificante”, diz a jovem produtora de 28 anos. “Ela ama isso”, retruca dona Dalair, pautada em seus 57 anos de sabedoria.

Rotina dura

O sucesso na produção é marcado por trabalho árduo. “Acordo às 5h30 da manhã. Minha primeira viagem é para os aviários. Vou lá ver se está tudo certo. É tudo automático, mas sempre pode dar algum problema”, diz a produtora. Na primeira passada do dia pelos galpões, conta Dalair, checa temperatura do ambiente, o funcionamento do sistemas de água e ventilação, observa a saúde dos animais, entre outras situações.

Quando um novo lote chega, o trabalho é intensificado. “Até os sete dias a gente vai aos aviários de hora em hora para estimular os pintinhos a comer, beber e se movimentar”, conta Jheynifer. “Se você não cuidar dos primeiros sete dias, pode abandonar o lote”, justifica a avicultora, destacando que na avicultura de corte esse período de desenvolvimento dos animais é fundamental para o resultado final da atividade, na hora de entregar ao frigorífico.

E não para por aí. “À noite, até os 20 dias do pintinho, a gente vai no aviário às 9 horas, à meia-noite, às 3 da manhã e às 5h30”, cita Dalair. O objetivo é saber se tudo está funcionando corretamente, como ventiladores e sistemas de água. “Ser avicultora é bem trabalhoso”, menciona.

Trabalho, aliás, em tempo integral. Durante a criação dos lotes, dona Dalair conta que sai do sítio raramente, desde que o filho esteja na retaguarda. “Quando recebo um novo lote eu saio muito pouco. Praticamente são 45 dias dentro de casa. Saio só para ir ao mercado quando o Jonathan está na propriedade. Não largo (a produção) sozinha, pode acontecer uma pane na luz, por exemplo, e alguém precisa estar em casa para ligar o gerador”, comenta.

“O pintinho é tão meigo”

O trabalho, que exige esforço físico, capacidade técnica e uma boa dose de vocação, é feito com graciosidade por mãe e filha paranaenses. “Cuido melhor dos pintinhos do que dos meus filhos”, diz a divertida avicultora. Em sua opinião, mulheres são mais sensíveis que homens no trato com os animais. “Conversando com minhas amigas que também são avicultoras, sempre digo que como a gente cuida dos filhos, a gente cuida dos pintinhos. Mas também, o pintinho é tão meigo”, confidencia Dalair.

A dedicação de mãe e filha é tamanha que no intervalo entre os lotes, quando as granjas estão despovoadas, elas sentem falta da rotina. “Chego até escutar o alarme da granja disparando. A gente dorme e acorda para ir nas granjas, mas lembra que não tem pintinho”, dizem aos risos as produtoras do Oeste paranaense. Mãe e filha são exemplo de como a força de trabalho da mulher está diretamente ligada aos sucessivos bons resultados da avicultura e do agronegócio brasileiro.

Outras notícias você encontra na edição de Avicultura de abril/maio de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Dia Estadual do Porco – ACSURS

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