Bovinos / Grãos / Máquinas
Diarreia viral bovina e os animais persistentemente infectados
Ela causa grandes prejuízos econômicos por ocasionar um impacto direto na performance dos animais, uma vez que ao causar a imunossupressão permite que outros patógenos se manifestem
Artigo escrito por Andrea Carneiro, gerente de Aves, Suínos e Bovinos da Idexx Brasil e Fernando Pardo, especialista em Gestão Reprodutiva da Idexx Brasil
A diarreia viral bovina (BVD) é causada por um vírus que pertence à família Flaviviridae, gênero Pestivirus, que abriga outros dois vírus antigenicamente relacionados: o vírus da Peste Suína Clássica e o vírus da Doença da Fronteira, de ovinos. Ele é conhecido por sua alta complexidade patogênica, estando presente em grande parte dos países. Esta enfermidade está relacionada com transtornos do sistema reprodutivo, além de afetar os sistemas respiratório, digestório, circulatório, imunológico, linfático e outros. Seus sintomas são difíceis de serem percebidos devido aos poucos sinais clínicos que são apresentados. Ela causa grandes prejuízos econômicos por ocasionar um impacto direto na performance dos animais, uma vez que ao causar a imunossupressão permite que outros patógenos se manifestem.
A principal característica do vírus da diarreia viral bovina (BVDV) é a capacidade de induzir infecção fetal persistente, que ocorre até o primeiro terço da gestação, vindo a gerar um animal persistentemente infectado (PI). Nessa fase da gestação, o sistema imunológico do feto é imaturo e as proteínas virais são reconhecidas erroneamente como próprias. O animal PI torna-se imunologicamente tolerante ao BVDV, e por meio deste o vírus é mantido na população bovina. A rota mais comum é quando a fêmea gestante entra em contato com o vírus nos primeiros 125 dias de gestação e a menos comum são bezerros PIs oriundos de suas mães PIs.
Num rebanho infectado pelo BVDV, existem duas fontes potenciais de infecção: o bovino PI e o bovino que está na fase aguda da enfermidade, denominado transitoriamente infectado (TI). No aspecto epidemiológico, os bovinos PI são considerados a principal fonte de infecção porque eliminam por toda sua vida uma grande quantidade de vírus em secreções e excreções. A eliminação do vírus pelos animais TI geralmente dura poucos dias ou eventualmente semanas, porém esses animais podem promover a permanência do vírus no rebanho na ausência de animais PI interferindo, assim, nas estratégias para o controle da enfermidade.
Prevalência
A prevalência de bovinos PI nos rebanhos infectados pode variar de 0,5% a 2%, e entre os bovinos jovens, pode ser até o dobro. A taxa de letalidade dos bezerros PI é maior que 50% no primeiro ano de vida, principalmente porque muitos deles nascem prematuros , fracos, letárgicos ou apresentam algum tipo de malformação congênita. Alguns bezerros morrem após poucos dias ou até mesmo algumas horas após o nascimento. Aqueles que sobrevivem podem apresentar atraso no crescimento e baixa resistência a outras enfermidades, advinda de alterações funcionais de linfócitos e neutrófilos, que causam a imunossupressão.
Muitos animais PI podem ser clinicamente saudáveis, embora a expectativa de vida seja baixa, pois todos apresentam o risco de desenvolver a doença das mucosas. Alguns podem até alcançar a idade adulta, e caso isso ocorra com fêmeas PI, a sua progênie também será PI. Desta forma, famílias de animais PI podem desenvolver-se dentro do rebanho pela transmissão do vírus nos estágios iniciais de gestação.
Outra forma de se introduzir ou manter constante a presença de animais PIs no rebanho é através da aquisição de animais de terceiros originários de fazendas positivas para PIs. Dado ao não uso do diagnostico como prática de rotina, existe uma probabilidade maior ou menor de se ter um PI no rebanho que está diretamente relacionada ao número de bezerros ou outros animais adquiridos versus o nível de prevalência de PI na propriedade de origem.
Patogênia
A patogenia do BVDV sobre a reprodução não se limita apenas a abortos ou malformações congênitas,
mas também está associada a perda embrionária precoce, nos primeiros dias de vida do embrião e até mesmo durante a fecundação. Os efeitos do BVDV são verificados nas alterações da dinâmica ovariana e no comprometimento transitório da fertilidade, podendo infectar o ovário e permanecer nele por até 60 dias, ocasionando ovarite e, consequentemente, ausência de ovulação, principalmente em novilhas. Alterações inflamatórias também são encontradas no oviduto e na mucosa uterina. Nos touros, os efeitos da infecção estão relacionados aos defeitos morfológicos dos espermatozóides, à baixa qualidade do sêmen, com diminuição da mobilidade e da concentração espermática.
O que fazer?
Diante destes aspectos é de extrema importância a associação de ferramentas de diagnóstico com programas de vacinação no processo de erradicação e controle da BVD. É esta a estratégia que países da Europa e Estados Unidos têm adotado e conseguido ótimos resultados sanitários e econômicos, como melhorias quanto à fertilidade, saúde dos bezerros, ganho de peso, aumeto na produção de leite, redução de tratamentos, menor incidência de problemas respiratórios, uniformidade do lote, eficiência alimentar, diminuição de infecções secundárias e melhor resposta aos programas de vacinação e bem estar animal.
Os programas de uma maneira geral contemplam algumas fases que são a determinação do perfil sorológico da propriedade, usando o teste de BVD Ac (anticorpo), seja por amostras do tanque de leite ou do sangue das diferentes categorias de animais. Posteriormente, caso haja indicativos de desafio de campo, inicia-se o teste de BVD Ag (antígeno) para a identificação do (s) animal (ais) PIs, iniciando por todos os recém-nascidos, bezerros mortos e introduções de animais e posteriormente as demais categorias. Estes, uma vez identificados, deverão ser eliminados da propriedade. Paralelo a este procedimento deve-se estabalecer um progama de vacinaçao a fim de que se minimize os riscos de nascimento de novos animais PIs e também prover uma redução das sintomatologias clínicas.
Uma vez implantado o programa este deve ser contínuo e ter por base a vigilância e a biossegurança, a
fim de impedir que se adentre na propriedade animais potencialmente positivos oriundos de propriedades que não fazem o uso desta prática.
O BVD é causa de várias perdas em qualquer sistema produtivo, seja ele de corte, leite e confinamento. Estima-se que um animal PI seja capaz de contaminar cerca de 60-70% do rebanho. Ter um PI em um rebanho é como vacinar os mesmos diariamente. No entanto, estes animais terão que responder imunologicamente e isto requer uma energia a mais, o que gerará uma diminuição na produção de carne, leite, ou seja, perda na eficiência.
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2016 ou online.
Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações
Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.
As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso
Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.
Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.
Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais
Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).
O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.
O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.
O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.
A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.
O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira
Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.
O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.
De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.
A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.
O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.
