Conectado com

Suínos Suinocultura

Diagnóstico de cio e o uso de feromônios

Falha em detectar o cio, ou erros no manejo de diagnóstico de cio, são duas principais causas de mau desempenho reprodutivo na suinocultura tecnificada

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por André Buzato, médico veterinário/M.Sc e gerente de Serviços Técnicos Suínos da Vetoquinol

O diagnóstico de cio ou estro é um dos manejos mais importantes em qualquer sistema de criação de suínos. É através deste manejo que determinamos o intervalo-desmame-cio (IDC) que já foi identificado como o fator chave da duração do estro (DE) e do intervalo estro-ovulação (IEO).

O manejo deficiente em estimulação sexual, combinado com uma avaliação inadequada da reposta de imobilização da fêmea, resulta num baixo nível de detecção do cio e consequentemente em momento inadequado de inseminação artificial. A falha em detectar o cio, ou os erros no manejo de diagnóstico de cio, são as duas principais causas de mau desempenho reprodutivo na suinocultura tecnificada.

O diagnóstico de cio requer a presença de um macho que proporcione adequados estímulos sexuais para a fêmea. Os principais aspectos que trazem êxito no manejo de diagnóstico de cio são: macho sexualmente maduro, macho que apresente salivação abundante com alto nível de feromônios para estimulação olfatória; manejo que permita um adequado contato entre focinho-focinho entre macho e fêmea; equipe treinada e capacitada para observar os comportamentos de cio.

Os procedimentos de rotina para a detecção do estro envolvem o teste de pressão dorsal ou teste de monta na presença de um macho. As fêmeas que reagem à pressão em seu dorso exibindo o reflexo de imobilidade ou a resposta de lordose por, pelo menos, 10 segundos são, em geral, classificadas como sexualmente receptivas.

Fatores de risco na detecção do cio

Certos fatores podem levar à falha na detecção do estro:

  • Níveis reduzidos de feromônios liberados pelo macho por conta de imaturidade sexual ou variações individuais.
  • Dimuição da libido, cansaço ou interesse pelo alimento.

Por que é imprescindível melhorar o desempenho da detecção do cio?

O melhor desempenho da detecção do cio diminui o risco de perdas reprodutivas que podem representar enormes prejuízos financeiros ao sistema de produção:

Nem todos os estímulos são iguais

A importância do odor 

Um macho sexualmente maduro produz uma ampla variedade de estímulos. Dentre eles, os estímulos olfatórios desempenham um papel importante no comportamento do estro.

Nos casos em que há o risco de comprometimento dos estímulos olfatórios, análogos sintéticos de feromônios da saliva do macho podem ajudar a garantir o máximo nível de estimulação.

Por muitas décadas, havia a crença de que o sinal das moléculas olfatórias do macho, capazes de estimular os sinais comportamentais de estro em fêmeas da espécie suína, era produzido apenas por dois feromônios salivares: androstenol e androstenona.

Pesquisas recentes revelaram que uma terceira molécula volátil denominada quinolina também está presente na saliva do macho e exerce um efeito de feromônio, atuando de forma sinérgica com o androstenol e a androstenona para obter o máximo comportamento sexual em fêmeas no cio.

O gatilho olfatório

O macho sexualmente maduro emite três moléculas de feromônios em sua saliva.

Essas moléculas são transferidas para a fêmea por meio de contato próximo.

Os feromônios alcançam o epitélio olfatório principal, um conjunto de células sensoriais dentro da cavidade nasal, onde são reconhecidos por receptores específicos.

Os neurônios sensoriais olfatórios transformam os sinais químicos em um sinal elétrico que é rapidamente transmitido para o sistema nervoso central.

Cada receptor reconhece especificamente uma determinada estrutura química. Desse modo, a mensagem sexual máxima é transmitida ao cérebro se todos os três tipos de receptor forem estimulados.

O uso de feromônios: uma nova tecnologia para a detecção do cio

Uma nova tecnologia contém uma combinação de análogos sintéticos das três moléculas de feromônios presentes na saliva do macho suíno (Androstenona, Androstenol e Quinolina). A atuação sinérgica dessas moléculas desencadeia o comportamento sexual máximo em fêmeas no cio mimetizando o efeito do macho (cachaço). Esta tecnologia incorpora um corante azul para fácil aplicação e já vem pronto para uso até a manifestação do cio na fêmea. Um recente estudo demonstrou que a combinação dos três feromônios presentes na tecnologia desencadeou uma resposta comportamental sexual máxima em fêmeas no estro quando comparação com a aplicação isolada de cada feromônio, sendo 64% mais eficiente que os demais.

Como a tecnologia pode beneficiar seu rebanho 

Resultados de um estudo a campo em uma granja comercial, comparando o desempenho de combinação de análogos sintéticos das três moléculas de feromônios presentes na saliva do macho suíno (Androstenona, Androstenol e Quinolina)  + áudio de grunhido e um macho sexualmente maduro para a detecção do cio.

O uso da tecnologia foi capaz de detectar 9 em cada 10 fêmeas no cio sem o auxílio de um macho sexualmente maduro, isto traz novas perspectivas para o manejo de diagnóstico de cio; mais rapidez, otimização e maximização através de uma exposição consistente e confiável aos feromônios sexuais na rotina de detecção do cio.

A tecnologia pode auxiliar nos protocols de inseminação artificial, pois ajuda a identificar a melhor janela de fertilização (> 90% de fertilização), ou seja, durante um período de 24 horas antes da ovulação.

Ajuda a detectar o estro nos locais onde o macho não pode estar

Os atuais modelos de produção, a eficiência do trabalho ou as regras de biossegurança podem impedir que os machos sejam levados até as fêmeas; no entanto, a produtividade da granja certamente se beneficiaria do diagnóstico do cio. Os exemplos de benefícios da tecnologia incluem diagnóstico do cio pós-inseminação, diagnóstico do cio em casos de quarentena e rápido diagnóstico do cio quando há pouco tempo disponível.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Mercado do suíno vivo segue firme, com ajustes pontuais nas cotações

Dados do Cepea indicam variações discretas no início do mês, sem mudanças expressivas nas principais regiões produtoras.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

O Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq, divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, apresentou estabilidade em parte das praças e leves altas em outras nesta segunda-feira (02).

Em Minas Gerais (posto), a cotação ficou em R$ 6,76/kg, sem variação no dia nem no mês. Em Santa Catarina (a retirar), o valor foi de R$ 6,51/kg, também estável.

Já no Paraná (a retirar), o preço atingiu R$ 6,60/kg, com alta de 0,15% no dia e no acumulado do mês. No Rio Grande do Sul (a retirar), a cotação ficou em R$ 6,74/kg, com avanço de 0,15%. Em São Paulo (posto), o indicador registrou R$ 6,91/kg, elevação de 0,14%.

Os dados têm como base levantamento do Cepea.

Fonte: Assessoria Cepea
Continue Lendo

Suínos

Carne suína encontra espaço para reposicionamento diante do consumidor híbrido

Para a Associação Brasileira de Criadores de Suínos, comunicação segmentada, conteúdo digital e valorização do perfil nutricional da proteína são caminhos para fortalecer a conexão com o novo comprador.

Publicado em

em

carne suína

O consumidor brasileiro entra em 2026 vivendo uma combinação inédita de sofisticação digital, pressão econômica e forte carga emocional nas decisões de compra, é o que revela o novo relatório “O Consumidor Brasileiro em 2026”, da MiQ, uma empresa global de tecnologia especializada em publicidade e inteligência de dados. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) entende a importância de acompanhar as novas tendências de consumo, além de compartilhar esses aprendizados com toda a cadeia de produção, já que o novo perfil de consumo no país revela um comprador atento, comparativo e cada vez menos tolerante a atritos, alguém que decide com a mente, o bolso e o sentimento ao mesmo tempo, tornando-se essencial adequar a carne suína a este novo contexto. Veja os destaques da pesquisa!

Hiperconectividade e decisão de compra

Dados reunidos pela MiQ mostram que 74% das decisões de compra começam no smartphone, mesmo quando a transação final acontece no ambiente físico. O celular deixou de ser apenas um canal de acesso e passou a atuar como assistente pessoal, comparador de preços, carteira digital e principal mediador da jornada de consumo no Brasil. Não por acaso, o país se consolida como o ecossistema digital mais avançado da América Latina.

A pressão inflacionária e o cenário econômico instável mudaram a lógica de priorização de gastos. Segundo o levantamento, 72% dos consumidores latino-americanos comparam preços em pelo menos duas plataformas antes de comprar, e mais da metade afirma ter reorganizado seus hábitos de consumo nos últimos 12 meses. No Brasil, essa racionalidade não elimina o impulso, mas o torna mais calculado: promoções, cashback, pontos e benefícios imediatos funcionam como gatilhos decisivos.

Ao mesmo tempo, o entretenimento ocupa um papel central no comportamento do consumidor. Plataformas como YouTube, TikTok e Instagram deixaram de ser apenas espaços de lazer e passaram a moldar a descoberta, a validação e a decisão de compra. Seis em cada dez compras digitais na América Latina começam em uma rede social, e no Brasil o consumo de vídeo por hora é o mais alto da região. O conteúdo, especialmente em vídeo, tornou-se a principal ponte entre marcas e consumidores.

Esse movimento também redefine a confiança. A pesquisa mostra que o consumidor brasileiro de 2026 é desconfiado e exige provas reais. Avaliações, tutoriais, vídeos explicativos e recomendações de criadores têm mais peso do que a publicidade tradicional. A reputação da marca, a clareza das informações e a fluidez da experiência são fatores tão importantes quanto o preço.

Rapidez e personalização

Outro traço marcante é a intolerância ao atrito. Checkouts longos, processos confusos, falta de transparência ou opções limitadas de pagamento afastam o consumidor imediatamente. A popularização do PIX, utilizado semanalmente por mais de 80% dos brasileiros, elevou o padrão de expectativa por rapidez e simplicidade. Em um contexto de incerteza, reduzir o esforço tornou-se tão valioso quanto reduzir o custo.

O Brasil também se destaca pelo apetite por experiências personalizadas, desde que acompanhadas de práticas claras de privacidade. O consumidor quer relevância, mas exige controle e transparência no uso de seus dados. Esse equilíbrio entre personalização e confiança será decisivo para marcas que desejam manter competitividade.

Em síntese, o consumidor brasileiro que chega a 2026 é híbrido: impulsivo e estratégico, emocional e racional, exigente e aberto à experimentação. A gerente de marketing da ABCS, Danielle Sousa, explica que o consumidor transita entre o físico e o digital com naturalidade, consome entretenimento como parte da rotina e espera que as marcas entendam seu contexto, respeitem seu tempo e entreguem valor imediato.

“Diante desse novo consumidor que é estratégico, digital e exigente,  carne suína encontra uma grande oportunidade de reposicionamento. A personalização pode acontecer desde a comunicação segmentada nas redes sociais até a oferta de cortes, porções e receitas adaptadas a diferentes perfis e momentos de consumo”, explica ela, que também destaca o potencial nutricional da proteína suína. “O alto teor de proteína, vitaminas do complexo B e excelente relação custo-benefício dialogam diretamente com quem busca saúde, praticidade e inteligência financeira na hora da compra. Iniciativas digitais como o @maiscarnesuina já exemplificam esse movimento, ao levar conteúdo relevante e informativo ao público, fortalecendo a conexão entre produto, confiança e decisão de compra.”

Fonte: Assessoria ABCS
Continue Lendo

Suínos

Paraná consolida liderança na exportação de suínos de raça; colheita de soja alcança 37%

Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material.

Publicado em

em

Fotos: Ari Dias/AEN

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (26) o Boletim Conjuntural com dados atualizados da última semana de fevereiro. Nos assuntos em destaque, o levantamento aponta que o Paraná consolidou sua posição, entre os estados brasileiros, como o maior exportador de suínos reprodutores de raça pura.

Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material. Esse desempenho reforça a sanidade e o padrão tecnológico do rebanho paranaense, que atende mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia. “Essa escolha pelo Paraná mostra, mais uma vez, que o Estado tem genética de ponta e sanidade do rebanho”, destaca a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Marcenovicz.

Fotos: Geraldo Bubniak/AEN

Ainda dentro da área da pecuária, o boletim destaca as exportações de carne bovina brasileira, que atingiram 258,94 mil toneladas, um aumento de mais de 25% em comparação ao mesmo mês do ano passado.

Há uma preocupação com a cota de importação chinesa, estabelecida em 1,1 milhão de toneladas. Só em janeiro, mais de 10% dessa cota já foi utilizada, o que pode causar variações no preço ao longo do ano. Mas outros mercados importantes continuam aumentando as aquisições de carne brasileira. No mercado interno, a maioria dos cortes bovinos pesquisados pelo Deral subiu de preço, com destaque para o filé mignon, que acumula alta de 17% em um ano.

Na avicultura de corte, o cenário é de margens positivas para o produtor paranaense. O custo de produção do frango vivo encerrou 2025 em R$ 4,65/kg, uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo recuo nos preços da ração (-8,92%). No fechamento do ano, o preço médio recebido pelo produtor (R$ 4,92/kg) ficou 4,2% acima do custo médio anual, preservando a rentabilidade em um setor que lidera as exportações de carne no Brasil.

Safra

O boletim trata ainda dos números da estimativa de safra, com base no relatório de Previsão de Safra Subjetiva, que tem como destaque a atualização da área de plantio do milho.

No setor de grãos, a soja caminha para uma colheita robusta, mantendo a estimativa de 22,12 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. Até o momento, os trabalhos de campo atingiram 37% dos 5,77 milhões de hectares plantados, um ritmo considerado dentro da normalidade histórica. A manutenção da projeção traz segurança ao setor produtivo, embora o avanço da colheita da oleaginosa seja monitorado de perto, já que dita o ritmo de plantio do milho segunda safra e ajuda a mitigar riscos climáticos na janela de semeadura.

O milho também desempenha papel central no balanço mensal, com previsão de alcançar 21,1 milhões de toneladas no somatório das duas safras. A primeira safra já está com 42% da área colhida, enquanto o plantio da segunda safra atingiu 45% dos 2,86 milhões de hectares previstos. A ampla área destinada ao cereal no segundo ciclo sustenta a perspectiva de produção elevada, garantindo o suprimento para a cadeia de proteína animal, apesar da concorrência direta com a soja pelo cronograma de uso das áreas agrícolas.

Foto: Jaelson Lucas / AEN

Para o analista do Deral, Edmar Gervasio, o momento é bom. “Estamos tendo uma recuperação de área de plantio. Comparando com o período anterior, tivemos uma alta de mais de 20% em termos de área. Há muito tempo não se via um ganho de área na primeira safra porque a soja sempre é a principal cultura no primeiro ciclo de verão. Nesse ano, teve uma inversão. O milho ganhou espaço, principalmente, na primeira safra. E a produtividade tem sido muito boa. Devemos colher em torno de 3,6 milhões de toneladas na primeira safra e esse número pode melhorar”, disse.

Em contraste com a estabilidade da soja, a cultura do feijão acende um alerta devido à forte redução de área. O levantamento de fevereiro aponta uma retração na área da segunda safra em relação ao ano anterior. Segundo Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral, a redução é um movimento de cautela do produtor, que busca culturas com custos de manejo mais previsíveis neste momento.

“Para quem produz, o cenário é de preços firmes, o que pode compensar o menor volume colhido. Já para o consumidor, mesmo com oscilação de preços a subida tem ocorrido de forma gradual e o varejo ainda possui estoques que amortecem o repasse imediato. A recomendação é que o consumidor pesquise, pois o feijão preto, por exemplo, ainda apresenta valores bem mais acessíveis que no mesmo período do ano passado”, diz.

Fonte: AEN-PR
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.