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Dia Internacional das Mulheres Rurais: vamos celebrar a força feminina na agropecuária brasileira
Elas desempenham um papel fundamental na agricultura familiar, que produz 70% dos alimentos consumidos no Brasil.

A força que move o campo brasileiro muitas vezes tem um nome feminino. São mulheres que, em meio à terra, ao sol e às adversidades do dia a dia, cultivam não apenas alimentos, mas também sonhos e esperanças. Elas lideram propriedades rurais, inovam com práticas sustentáveis e garantem a segurança alimentar do país.
Em um setor historicamente dominado por homens, essas agricultoras, engenheiras e empresárias estão transformando a agropecuária com sua visão de futuro e dedicação. Em 16 de outubro o Brasil celebra o Dia Internacional das Mulheres Rurais, uma data que vai além da simples homenagem às trabalhadoras rurais. É uma ocasião para destacar a contribuição essencial das mulheres na agropecuária, um setor que hoje é transformado por lideranças femininas que desafiam barreiras e constroem um futuro mais sustentável e inovador para o campo brasileiro.
As mulheres estão à frente de 19% dos estabelecimentos agropecuários do país, segundo o Censo Agropecuário de 2017 do IBGE, o que representa cerca de 947 mil propriedades. Elas desempenham um papel crucial na agricultura familiar, que produz 70% dos alimentos consumidos no Brasil, comprometidas com práticas de produção que preservam o meio ambiente e a eficiência produtiva no campo.

Deputada Marussa Boldrin (MDB-GO): “Precisamos de mais mulheres conquistando espaço na agricultura de forma competente” – Fotos: Divulgação/FPA
A presença feminina no setor agropecuário vai além das porteiras das fazendas. Elas também têm conquistado espaço em áreas de conhecimento técnico, como agronomia, veterinária e engenharia agrícola, onde já representam mais de 50% das matrículas nos cursos superiores. Esta qualificação, somada à experiência prática, prepara as mulheres para enfrentar desafios e liderar com inovação.
Liderança feminina no parlamento e no campo
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) é uma aliada importante dessas mulheres. Composta por 44 parlamentares entre deputadas e senadoras que atuam em defesa das pautas do setor agropecuário, a FPA busca garantir a igualdade de oportunidades para as agricultoras, promovendo políticas públicas que ampliem o acesso ao crédito, à capacitação e a direitos previdenciários, como aposentadorias dignas para as trabalhadoras rurais.
A deputada Marussa Boldrin (MDB-GO) que integra a FPA e preside a bancada na região Centro-Oeste, destaca a importância de ampliar o protagonismo feminino no setor agrícola. Segundo a parlamentar, o avanço das mulheres no campo já é uma realidade visível. “Precisamos de mais mulheres conquistando espaço na agricultura de forma competente. Sentir pertencimento e fazer parte do local contribui para um trabalho mais eficaz. Quando se fala do espaço da mulher no campo, ele já está bem avançado comparado a outros setores, como a indústria e o comércio.”

Deputada Gisela Simona (União-MT): “Cursos como Medicina Veterinária, Engenharia Agrícola e Agronomia já têm metade das cadeiras ocupadas por mulheres”
Marussa também aborda um tema essencial: a aposentadoria das mulheres rurais. Ela destaca a dificuldade que muitas enfrentam ao tentar comprovar os anos de trabalho no campo, devido à falta de registros em seus nomes, já que, historicamente, a produção rural era documentada em nome de seus maridos ou pais. “Nós temos um projeto de aposentadoria da mulher do campo, está tramitando na Câmara e já foi aprovado na Comissão das Mulheres. Quem faz pelo campo faz pela cidade. E a gente sabe que o olhar feminino traz um diferencial”, afirmou a parlamentar.
Já a deputada Gisela Simona (União-MT), destacou a crescente participação feminina no setor. Ela aponta que, além de liderarem a produção de alimentos, as mulheres têm ampliado sua presença nas universidades e cursos técnicos. “O último censo do IBGE já revela isso. Cursos como Medicina Veterinária, Engenharia Agrícola e Agronomia já têm metade das cadeiras ocupadas por mulheres”, revela.

Deputada Coronel Fernanda: “Tem mulheres batalhadoras que lutam de sol a sol para produzir e levar alimento para nossas mesas”
A deputada Coronel Fernanda (PL-MT), outra integrante da FPA, reforça o valor das mulheres do campo em sua luta diária pela produção de alimentos e pelo desenvolvimento do país. “Lá nas fazendas, nas pequenas propriedades, tem mulheres batalhadoras que lutam de sol a sol para produzir e levar alimento para nossas mesas. Quero parabenizar essas mulheres e dizer que, com sua capacidade e coragem, o nosso país vai se desenvolver muito mais”, pontuou a parlamentar.

Deputada Silvia Waiãpi (PL-AP): “As mulheres do campo estão de parabéns, pois resistiram a todas as pressões e hoje dominam também esse setor”
A deputada Silvia Waiãpi (PL-AP), também envolvida na defesa das pautas do setor agropecuário, reforçou o papel histórico de superação das mulheres no campo. “Com a mecanização e a industrialização da agricultura, essa atividade começou a ser dominada pelos homens. Porém, ao introduzir as mulheres nesse mercado, estamos recuperando toda uma história de resistência e sobrevivência da humanidade. As mulheres do campo estão de parabéns, pois resistiram a todas as pressões e hoje dominam também esse setor”, ressaltou

Deputada Daniela Reinehr (PL-SC): “Investir na qualificação e no acesso ao crédito para as mulheres do campo é garantir que elas continuem à frente da revolução agrícola”
A deputada Daniela Reinehr (PL-SC) acrescenta que, além da força e determinação, as mulheres do campo têm buscado cada vez mais qualificação profissional e acesso ao crédito, fatores fundamentais para o sucesso de suas atividades.
Ela reforça que o apoio a essas trabalhadoras é essencial para garantir sua autonomia e capacidade de inovação, possibilitando o desenvolvimento sustentável e o aumento da competitividade do agronegócio brasileiro. “Investir na qualificação e no acesso ao crédito para as mulheres do campo é garantir que elas continuem à frente da revolução agrícola. Com isso, fortalecemos toda a cadeia produtiva e asseguramos um futuro de crescimento para o Brasil.”

Colunistas
Desperdício pode custar US$ 540 bilhões ao setor de alimentos em 2026
Estudo mostra que perdas começam antes do consumidor e estão ligadas à falta de visibilidade e método de gestão.

O mundo pode perder US$ 540 bilhões com desperdício de alimentos em 2026, como aponta o relatório da Avery Dennison. Esse número não é apenas grande. Ele é revelador porque mostra algo que o varejo ainda evita encarar: o desperdício não é exceção, é estrutural. E mais do que isso, não é um problema de sustentabilidade. É, antes de tudo, um problema de negócio.
Ao longo da cadeia ou ciclo de vida do produto – da produção ao ponto de venda – o desperdício continua sendo tratado como parte do jogo. Perde-se na colheita, no transporte, no armazenamento e na loja. E no final, essa perda é diluída no resultado, como se fosse inevitável. Mas não é.

Artigo escrito pelo Anderson Ozawa, especialista em Prevenção de Perdas e Governança, consultor com mais de 40 programas de prevenção de perdas implantados com sucesso, palestrante, professor da FIA Business School e autor do livro Pentágono de Perdas: Transformando Perdas em Lucros.
Quando um setor chega ao ponto de ter custos de desperdício equivalentes a até 32% da receita no Brasil, não estamos falando de exceção operacional. Estamos falando de falta de governança. O problema não é falta de tecnologia. É falta de visibilidade
Um dado chama atenção: 61% das empresas ainda não têm clareza sobre onde o desperdício acontece. Esse é o ponto central. Não se gerencia o que não se mede e, no varejo alimentar, grande parte das perdas continua invisível (produtos que vencem no estoque, erros de armazenagem, falhas de reposição, excesso de compra, quebra operacional e perda no transporte).
Tudo isso acontece todos os dias, mas raramente é tratado como prioridade estratégica. O desperdício não dói quando acontece: dói no resultado, quando já é tarde.
A maior parte das perdas não acontece no consumidor, mas antes. A logística e a gestão de estoque concentram alguns dos principais gargalos: transporte sem controle adequado, armazenagem inadequada, previsão de demanda imprecisa e processos ainda manuais (67% das empresas ainda operam assim).
Existe um comportamento recorrente no varejo alimentar: quanto mais vende, mais perde, especialmente em períodos de alta demanda, promoções e sazonalidade. O aumento de volume traz mais ruptura, mais avaria, mais erro e mais desperdício.
E o mais perigoso: isso acontece enquanto o faturamento cresce, porque o volume mascara a ineficiência. Em uma operação supermercadista onde atuamos, o aumento de vendas em perecíveis foi comemorado como avanço de performance. Mas ao analisar o resultado consolidado, ficou evidente que a margem não acompanhou o crescimento. Parte do ganho foi consumida por excesso de compra sem ajuste fino de demanda, perda por vencimento e falhas no giro de estoque. Ou seja, o crescimento existiu, mas, o resultado não.
Existe um discurso crescente sobre sustentabilidade, muito importante. No varejo, a mudança não virá por consciência ambiental, mas pela pressão de resultado.
A provocação que o setor precisa ouvir é: enquanto o desperdício for tratado como efeito colateral, ele continuará existindo. Enquanto não houver visibilidade, não haverá controle. Enquanto não houver controle, não haverá margem.
O problema não é o alimento que se perde. É o modelo de gestão que permite que ele se perca. O desperdício global de alimentos não é apenas um número de US$ 540 bilhões. É um retrato claro de um sistema que ainda opera com baixa disciplina e pouca visibilidade.
A oportunidade não está apenas em reduzir perdas: está em transformar perda em resultado. E isso não exige revolução tecnológica. Exige algo mais simples e mais difícil: governança, método e execução.
Notícias
Mapa lança projeto para ampliar mercado de pequenas agroindústrias
Iniciativa busca facilitar acesso ao Sisbi-POA e fortalecer negócios rurais.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apresentou, durante a Feira Brasil na Mesa, o projeto SIMples AsSIM, iniciativa desenvolvida em parceria com o Sebrae para ampliar a inserção de pequenas agroindústrias no mercado nacional e fortalecer os pequenos negócios rurais.
Durante a palestra, a coordenadora-geral do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa), Claudia Valéria, destacou que os avanços do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA) abriram caminho para a criação do projeto. Segundo ela, a modernização dos processos foi essencial para ampliar a adesão ao sistema.
O projeto busca ampliar o acesso de produtos de origem animal ao mercado nacional por meio de qualificação técnica, modernização da inspeção, apoio à adequação sanitária, entre outras ações. A proposta também prevê identificar os principais desafios enfrentados pelos empreendedores e apoiar a integração ao Sisbi-POA.
A regularização de agroindústrias de pequeno porte é considerada estratégica para promover a inclusão produtiva, reforçar a segurança alimentar e impulsionar o desenvolvimento econômico local.
Durante a apresentação, Cláudia também ressaltou a importância de outras iniciativas, como o Projeto ConSIM, que contribuiu para a integração de consórcios públicos ao sistema. “Entre 2020 e 2025, 68 consórcios públicos no Brasil se integraram ao sistema, permitindo que muitos municípios ampliassem a comercialização de seus produtos”, afirmou.
Apesar dos avanços, o número de estabelecimentos ainda não acompanha o crescimento dos serviços de inspeção integrados. “Observamos um grande número de serviços integrados, mas os estabelecimentos não cresceram na mesma proporção. Por isso, surgiu a necessidade de fortalecer esses produtores e capacitá-los para acessar o mercado nacional”, pontuou.
O projeto está estruturado em três eixos: inclusão de agroindústrias no Sisbi-POA; fortalecimento dos Serviços de Inspeção Municipal com base em análise de risco; e apoio técnico à estruturação de agroindústrias de pequeno porte.
O projeto-piloto será iniciado em Santa Catarina, estado com grande número de agroindústrias e potencial de expansão. A iniciativa prevê diagnósticos in loco e planos de ação personalizados para apoiar a adequação dos estabelecimentos. “Mais de 80% das agroindústrias demonstraram interesse em expandir seus mercados. Isso mostra que há demanda e que precisamos criar condições para que esses produtores avancem”, concluiu a coordenadora-geral.
O analista do Sebrae Warley Henrique também apresentou os resultados iniciais do projeto. Entre eles, o diagnóstico on-line que identificou as principais dificuldades relacionadas à estrutura dos serviços de inspeção que limitam a integração dos estabelecimentos ao Sisbi, com 217 respondentes.
Também foi realizada pesquisa com técnicos dos estabelecimentos, que reuniu 114 participantes, sobre os principais entraves para obtenção do selo Sisbi, além do levantamento das orientações técnicas necessárias para cada estabelecimento.
Após a fase de levantamento, o projeto avança para a estruturação da metodologia de atendimento e para a implementação das ações em campo, com início previsto para maio de 2026, em Santa Catarina.
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Copacol recebe Prêmio de Melhor do Biogás pelo segundo ano consecutivo
Projeto premiado destaca eficiência na geração de energia a partir de resíduos e reforça liderança da cooperativa em sustentabilidade.

A Copacol consolidou mais uma vez sua posição de referência nacional em energias renováveis ao conquistar, pelo segundo ano consecutivo, o Prêmio Melhores do Biogás Brasil 2026, na categoria Melhor Planta Indústria.
O reconhecimento apresentado no 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Foz do Iguaçu, destaca o desempenho da Usina de Biogás instalada na UPL (Unidade de Produção de Leitões), em Jesuítas, e evidencia o compromisso da Cooperativa com inovação, eficiência energética e preservação ambiental. “É uma satisfação imensa receber o Prêmio de Melhor do Biogás, que reconhece o desempenho desse importante investimento em sustentabilidade. O respeito ao meio ambiente é uma prática em nossas atividades, por isso, buscamos alternativas que consolidem esse comportamento e preservem ainda mais nossas riquezas”, complementa o diretor-presidente da Copacol, Valter Pitol.
A premiação reforça os resultados obtidos pela cooperativa ao longo dos últimos anos, especialmente no aproveitamento de resíduos agroindustriais para geração de energia limpa. Somente em 2025, a usina produziu 6.813.437 kWh de energia a partir dos resíduos gerados pela Unidade de Produção de Leitões e pela Unidade de Produção de Desmamados, resultado que representou economia em energia elétrica e aproveitamento de resíduos equivalentes a R$ 6,4 milhões. “O Prêmio de Melhor do Biogás demonstra o compromisso da Copacol com a sustentabilidade, a destinação correta de resíduos, principalmente com e uso de energia renovável”, afirma o gerente de Meio Ambiente da Copacol, Celso Brasil.
O modelo premiado de geração de energias renováveis recebeu a visita de empresários do ramo do Brasil e do exterior. A programação contou com apresentação técnica e um passeio guiado às instalações, mostrando a realidade operacional da planta e os processos utilizados para transformar resíduos em energia. A Copacol foi escolhida como destino técnico pelo reconhecimento do projeto como modelo de sucesso no setor. “Existe muito estudo no desenvolvimento do projeto da Copacol e isso é fundamental. A operação leva em consideração dados diários de composição dos substratos, concentração de material orgânico e existe um monitoramento contínuo da planta. As tomadas de decisão são baseadas nos dados gerados. Isso dá segurança e impressiona bastante”, afirma a analista da Embrapa, Fabiane Goldschnidt, que atua em projetos de gerenciamento de resíduos, produção de biogás e biometano.
A usina também chamou a atenção de representantes da área acadêmica. Rosiany de Vasconcelos Vieira Lopes, professora da Universidade de Brasília, natural de Campina Grande e atualmente residente em Brasília, participou da visita técnica. “Fiquei muito surpresa com a estrutura. Percebemos na prática a utilização de resíduos aproveitados de uma maneira renovável e sustentável para a produção de energia.”



