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Dia do trigo: data celebra o progresso da cultura do campo à mesa
Diferentes segmentos do setor tritícola comentam os maiores desafios e celebram avanços em qualidade e produtividade nos últimos anos

Campo. Prateleira. Mesa. Nessa ordem, poderíamos descrever o alimento no mundo todo – e o trigo não é exceção. No entanto, a trajetória da cultura é muito mais extensa. Se olharmos para o presente, encontramos diversos setores da sociedade envolvidos no processo de levar o trigo para a mesa do consumidor. Se olharmos para o passado, nos deparamos com cerca de 10 mil anos que contam a história do que se tornou o símbolo da alimentação. Parafraseando o historiador israelense, Yuval Noah Harari, “nós não domesticamos o trigo; o trigo nos domesticou”. Não à toa, o local do surgimento do grão foi denominado Crescente Fértil, conhecida também como o ‘berço da civilização’.
Mas nos atenhamos ao presente. Antes de chegar à sua mesa, os produtos derivados do trigo percorrem uma série de etapas, algumas centenas de quilômetros rodados e um tempo de produção que pode levar até uma década. Tudo isso começa no laboratório. É lá que os melhoristas se encarregam de planejar e executar todos os processos – alguns em colaboração com outros profissionais – desde a concepção de uma nova cultivar até chegar ao mercado. “A primeira etapa é o planejamento de um cruzamento, em que deve se conhecer o ambiente e as variedades adaptadas para aquele local”. É o que explica o melhorista e diretor da Biotrigo Genética, Ottoni Rosa Filho. Em seguida, vem a execução do cruzamento, chamada de melhoramento subjetivo. Nela, são plantadas e colhidas diversas gerações da planta em que a seleção das melhores características é feita visualmente. “O trabalho visual é feito até a sexta ou sétima geração, buscando atribuir notas e escolher bem o que se quer levar para o próximo ano. Após essa geração, podemos dizer que o genótipo está fixo e não muda mais”, aponta.
Entre quatro e sete anos após o cruzamento, esse material é colhido em uma pequena parcela, com aproximadamente 500 gramas de sementes e se torna uma linhagem, a qual passará por testes de rendimento. Em um ano, são formadas quase mil linhagens no programa da Biotrigo, das quais poucas devem representar um novo material comercial ao final do ciclo do melhoramento. Em seguida, a experimentação realiza ensaios de primeiro e segundo ano, além do ensaio de Valor de Cultivo e Uso (VCU). Nesse processo, é feito o registro no Ministério da Agricultura e decidido se a cultivar será lançada comercialmente. Em paralelo, é executada a etapa de produção de sementes, que garante, em caso de lançamento, que o produtor de sementes atenda as demandas provindas do mercado, visando a entrega aos agricultores e consumidor final. “O maior desafio da pesquisa é lançar uma cultivar melhor que as anteriores. Precisamos estar sempre progredindo geneticamente”, conta Ottoni. Junto ao constante aperfeiçoamento genético das cultivares de trigo, a pesquisa tem a tarefa de se antecipar às demandas do futuro. “Se planeja uma cultivar em 2021 para chegar ao agricultor em 2030. Mas qual será a demanda em 2030? Temos que fazer o cruzamento hoje e pensar bastante sobre isso”, afirma o melhorista.
Pesquisa: evolução na estabilidade produtiva e na qualidade industrial

O melhoramento genético é a primeira etapa da cadeia produtiva do trigo – Foto : Divulgação Biotrigo/Diogo Zanatta
Em uma década, o cenário nacional do trigo pode mudar consideravelmente. Ao olhar para o passado, Ottoni destaca a estabilidade produtiva e a qualidade industrial como as principais evoluções da cultura nos últimos dez anos. “Essas mudanças contribuíram para a rentabilidade do agricultor, pois atualmente o trigo brasileiro possui um valor agregado muito bom”, destaca. Ao encarar o futuro, o melhorista crê em uma maior estabilidade produtiva e resistência à doenças. “Penso que também haverá uma maior regionalização em comparação com os dias atuais, em que diferentes variedades terão melhor performance em regiões distintas, em função das diferenças de solo e clima de cada local”, antecipa Ottoni.
Triticultor: produção dobrou em duas décadas
Tais diferenças ficam em evidência quando comparadas as realidades de triticultores gaúchos com paranaenses, por exemplo. Se por um lado, no Rio Grande do Sul, a incidência de doenças como a giberela é maior, na região de transição e norte do Paraná, as atenções se voltam para a presença da brusone. Para Pedro Bovo, agricultor de uma família que semeia trigo na cidade paranaense de Apucarana desde a década de 1970, essa é uma das principais adversidades em torno da cultura. “A cultura do trigo é bem delicada na região norte do Paraná. Tem se tornado frequente o clima seco em abril, então temos problemas com germinação na espiga. E, se for um ano quente, a brusone pode gerar prejuízos”, relata. Contudo, a realidade da produção não se compara àquela vivenciada por seu pai no início da relação da família com o trigo. “Na época as cultivares eram mais arcaicas. Hoje estão melhores. Isso ampliou a produtividade consideravelmente. Em um passado breve, de 15 a 20 anos para cá, quase dobramos a nossa produção”, conta o agricultor.
Cerealista: armazenagem com qualidade e segregada

O armazenamento é um fator importante para a manutenção da qualidade do trigo – Foto: Divulgação/Sementes Roos
Com o notável aumento de produção nas lavouras, cresceu também a demanda pelo armazenamento dos grãos. Foi nesse espaço que os cerealistas, sejam eles cooperativas ou privados, preencheram uma importante lacuna dentro da cadeia produtiva do trigo. Pelo cereal possuir características que tornam sua armazenagem mais técnica, os silos tiveram que se adaptar à cultura. “Houve o investimento em silos de concreto deslizado, que garantem a qualidade do trigo desde a chegada até a saída do local”, aponta o gestor de grãos da Sementes Roos, Olmar Lanius. Segundo o profissional, que conta com cerca de duas décadas de experiência no ramo, um setor em específico foi importante para tornar o foco na qualidade do grão cada vez maior: os moinhos. “A demanda dos moinhos foi decisiva para melhorarmos a qualidade de armazenamento. Para atendermos a demanda, criamos o programa de segregação de grãos, que conta com dois grupos de variedades, melhorador e pão”, salienta.
Indústria: qualidade transformou o trigo nacional
A separação das cultivares de acordo com o perfil e uso é uma etapa fundamental na rotina de produção dos moinhos. Entretanto, antes disso, o trigo passa por alguns outros processos desde sua chegada no local. Para se constatar critérios como a impureza, umidade, peso hectolítrico (PH) e micotoxinas, o trigo começa sua trajetória na etapa de calagem. Na sequência, os grãos seguem para as análises reológicas, como força de glúten (W) e falling number, que apontam a cor e a classificação do trigo para o moinho. “Nosso principal teste é no pão, com o intuito de selecionar trigos que nos deem a qualidade do pão que queremos entregar e que os nossos clientes precisam”, explica a controller do Moinho Vacaria, Marta Accorsi. Para a profissional, que mantém contato próximo com o trigo gaúcho há mais de dez anos, os avanços em qualidade foram significativos e transformadores para o ramo da indústria. “Hoje, se eu tivesse que escolher entre um trigo argentino e um trigo das últimas safras do Rio Grande do Sul, ficaria com o gaúcho”, declara.
A caminho da autossuficiência
A crescente confiança dos moinhos no trigo nacional evidencia o patamar gradativamente maior da cultura em termos de qualidade. Por consequência, ela também traz maior segurança financeira para o mercado brasileiro do trigo, que ainda possui um caminho desafiador a percorrer na quantidade de produção do grão no país. “Produzimos pouco mais da metade do consumo interno no Brasil. Isso faz com que tenhamos que importar trigo e ficar expostos às variações de preços internacionais, como o dólar”, cita o analista de trigo do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral/PR), Carlos Hugo Godinho. Para o profissional, um importante objetivo é o aumento da produção nacional da cultura e a redução dos custos, para que o produto se torne mais rentável e consiga suprir da melhor forma o abastecimento do país. “Temos uma importação que chega a 10 milhões de toneladas. A cada 500 mil toneladas que produzimos a mais, meio milhão de toneladas a menos precisam ser compradas em dólar, especialmente no momento em que o preço do trigo chega aos 8 pontos o bushel em Chicago”, comenta Godinho.
Consumidor: trigo nacional quebra paradigmas
“Com o dólar lá em cima, o valor da farinha acaba subindo também e reflete no preço final que vai para o consumidor”, elucida Carla Carnevali Gomes, presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria e de Massas Alimentícias e Biscoitos do Rio Grande do Sul (Sindipan/RS). Porém, em sintonia com a indústria do trigo, Carla comenta que o consumidor tem tido uma aceitação cada vez melhor com os produtos feitos com o trigo brasileiro. “Há alguns meses, identificamos produtos preparados a partir do trigo nacional com etiquetas. Desde então, a repercussão foi muito boa, pois os consumidores desconheciam que usávamos farinha produzida no país”. De acordo com o proprietário de uma padaria em Canoas (RS), Fabiano Soares, o pão produzido atualmente possui maior aceitação do cliente. “Isso é resultado de uma qualidade de sabor, aroma, casca, duração e cor de pão maiores em comparação a antigamente, o que me gera maior confiança nos trigos nacionais”, conta.
Números da safra
Essa confiança se traduz em um aumento nos números de produção do grão no país. Segundo o último levantamento da safra 2020/21, realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o trigo apresentou um expressivo crescimento de área plantada, com cerca de 15% a mais em relação à safra anterior – atingindo 2,69 milhões de hectares. Para esta safra, o órgão estima um crescimento de 3,71% no consumo interno de trigo. Enquanto a colheita de trigo no Cerrado já foi finalizada, nos três estados do Sul, ela se encaminha para a reta final, com mais da metade da área já colhida.
Uma cultura presente em todos os momentos
A evolução do trigo nacional, tanto em qualidade, quanto em termos mercadológicos, é notável. Se o passado nos conta os registros de um grão milenar, o futuro traz perspectivas de uma história que promete perdurar. Com as etapas da cadeia produtiva do trigo em meio a um constante esforço por crescimento e superação, ainda restam muitas páginas a serem escritas para a cultura no Brasil. A certeza de quem faz parte desse ciclo que garante o pão nosso de cada dia é a gratidão pelo progresso da cultura. “O trigo está presente em todas as casas e em todos os momentos especiais das famílias brasileiras. De aniversários a casamentos, o trigo marca a presença na vida das pessoas. É muito gratificante. Essa é a palavra que resume o dia a dia de quem trabalha com o trigo”, finaliza Carla Gomes, traduzindo um sentimento mútuo de quem leva a cultura do campo, para a prateleira e às mesas.

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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo
Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação
A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.
“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.
Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.
Como acessar
O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.
“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.
Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.
“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.
A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras
Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.
“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.
Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay.
Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.
Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.
O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.
Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil
Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação
A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.
Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.
Brasil entre os países com maior alíquota proposta
Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.
A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação
dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.
Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.
Instrumento de pressão comercial
A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.
A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.
Consulta pública antes da decisão final
As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.
As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.
Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.



