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Dia do trigo: data celebra o progresso da cultura do campo à mesa
Diferentes segmentos do setor tritícola comentam os maiores desafios e celebram avanços em qualidade e produtividade nos últimos anos

Campo. Prateleira. Mesa. Nessa ordem, poderíamos descrever o alimento no mundo todo – e o trigo não é exceção. No entanto, a trajetória da cultura é muito mais extensa. Se olharmos para o presente, encontramos diversos setores da sociedade envolvidos no processo de levar o trigo para a mesa do consumidor. Se olharmos para o passado, nos deparamos com cerca de 10 mil anos que contam a história do que se tornou o símbolo da alimentação. Parafraseando o historiador israelense, Yuval Noah Harari, “nós não domesticamos o trigo; o trigo nos domesticou”. Não à toa, o local do surgimento do grão foi denominado Crescente Fértil, conhecida também como o ‘berço da civilização’.
Mas nos atenhamos ao presente. Antes de chegar à sua mesa, os produtos derivados do trigo percorrem uma série de etapas, algumas centenas de quilômetros rodados e um tempo de produção que pode levar até uma década. Tudo isso começa no laboratório. É lá que os melhoristas se encarregam de planejar e executar todos os processos – alguns em colaboração com outros profissionais – desde a concepção de uma nova cultivar até chegar ao mercado. “A primeira etapa é o planejamento de um cruzamento, em que deve se conhecer o ambiente e as variedades adaptadas para aquele local”. É o que explica o melhorista e diretor da Biotrigo Genética, Ottoni Rosa Filho. Em seguida, vem a execução do cruzamento, chamada de melhoramento subjetivo. Nela, são plantadas e colhidas diversas gerações da planta em que a seleção das melhores características é feita visualmente. “O trabalho visual é feito até a sexta ou sétima geração, buscando atribuir notas e escolher bem o que se quer levar para o próximo ano. Após essa geração, podemos dizer que o genótipo está fixo e não muda mais”, aponta.
Entre quatro e sete anos após o cruzamento, esse material é colhido em uma pequena parcela, com aproximadamente 500 gramas de sementes e se torna uma linhagem, a qual passará por testes de rendimento. Em um ano, são formadas quase mil linhagens no programa da Biotrigo, das quais poucas devem representar um novo material comercial ao final do ciclo do melhoramento. Em seguida, a experimentação realiza ensaios de primeiro e segundo ano, além do ensaio de Valor de Cultivo e Uso (VCU). Nesse processo, é feito o registro no Ministério da Agricultura e decidido se a cultivar será lançada comercialmente. Em paralelo, é executada a etapa de produção de sementes, que garante, em caso de lançamento, que o produtor de sementes atenda as demandas provindas do mercado, visando a entrega aos agricultores e consumidor final. “O maior desafio da pesquisa é lançar uma cultivar melhor que as anteriores. Precisamos estar sempre progredindo geneticamente”, conta Ottoni. Junto ao constante aperfeiçoamento genético das cultivares de trigo, a pesquisa tem a tarefa de se antecipar às demandas do futuro. “Se planeja uma cultivar em 2021 para chegar ao agricultor em 2030. Mas qual será a demanda em 2030? Temos que fazer o cruzamento hoje e pensar bastante sobre isso”, afirma o melhorista.
Pesquisa: evolução na estabilidade produtiva e na qualidade industrial

O melhoramento genético é a primeira etapa da cadeia produtiva do trigo – Foto : Divulgação Biotrigo/Diogo Zanatta
Em uma década, o cenário nacional do trigo pode mudar consideravelmente. Ao olhar para o passado, Ottoni destaca a estabilidade produtiva e a qualidade industrial como as principais evoluções da cultura nos últimos dez anos. “Essas mudanças contribuíram para a rentabilidade do agricultor, pois atualmente o trigo brasileiro possui um valor agregado muito bom”, destaca. Ao encarar o futuro, o melhorista crê em uma maior estabilidade produtiva e resistência à doenças. “Penso que também haverá uma maior regionalização em comparação com os dias atuais, em que diferentes variedades terão melhor performance em regiões distintas, em função das diferenças de solo e clima de cada local”, antecipa Ottoni.
Triticultor: produção dobrou em duas décadas
Tais diferenças ficam em evidência quando comparadas as realidades de triticultores gaúchos com paranaenses, por exemplo. Se por um lado, no Rio Grande do Sul, a incidência de doenças como a giberela é maior, na região de transição e norte do Paraná, as atenções se voltam para a presença da brusone. Para Pedro Bovo, agricultor de uma família que semeia trigo na cidade paranaense de Apucarana desde a década de 1970, essa é uma das principais adversidades em torno da cultura. “A cultura do trigo é bem delicada na região norte do Paraná. Tem se tornado frequente o clima seco em abril, então temos problemas com germinação na espiga. E, se for um ano quente, a brusone pode gerar prejuízos”, relata. Contudo, a realidade da produção não se compara àquela vivenciada por seu pai no início da relação da família com o trigo. “Na época as cultivares eram mais arcaicas. Hoje estão melhores. Isso ampliou a produtividade consideravelmente. Em um passado breve, de 15 a 20 anos para cá, quase dobramos a nossa produção”, conta o agricultor.
Cerealista: armazenagem com qualidade e segregada

O armazenamento é um fator importante para a manutenção da qualidade do trigo – Foto: Divulgação/Sementes Roos
Com o notável aumento de produção nas lavouras, cresceu também a demanda pelo armazenamento dos grãos. Foi nesse espaço que os cerealistas, sejam eles cooperativas ou privados, preencheram uma importante lacuna dentro da cadeia produtiva do trigo. Pelo cereal possuir características que tornam sua armazenagem mais técnica, os silos tiveram que se adaptar à cultura. “Houve o investimento em silos de concreto deslizado, que garantem a qualidade do trigo desde a chegada até a saída do local”, aponta o gestor de grãos da Sementes Roos, Olmar Lanius. Segundo o profissional, que conta com cerca de duas décadas de experiência no ramo, um setor em específico foi importante para tornar o foco na qualidade do grão cada vez maior: os moinhos. “A demanda dos moinhos foi decisiva para melhorarmos a qualidade de armazenamento. Para atendermos a demanda, criamos o programa de segregação de grãos, que conta com dois grupos de variedades, melhorador e pão”, salienta.
Indústria: qualidade transformou o trigo nacional
A separação das cultivares de acordo com o perfil e uso é uma etapa fundamental na rotina de produção dos moinhos. Entretanto, antes disso, o trigo passa por alguns outros processos desde sua chegada no local. Para se constatar critérios como a impureza, umidade, peso hectolítrico (PH) e micotoxinas, o trigo começa sua trajetória na etapa de calagem. Na sequência, os grãos seguem para as análises reológicas, como força de glúten (W) e falling number, que apontam a cor e a classificação do trigo para o moinho. “Nosso principal teste é no pão, com o intuito de selecionar trigos que nos deem a qualidade do pão que queremos entregar e que os nossos clientes precisam”, explica a controller do Moinho Vacaria, Marta Accorsi. Para a profissional, que mantém contato próximo com o trigo gaúcho há mais de dez anos, os avanços em qualidade foram significativos e transformadores para o ramo da indústria. “Hoje, se eu tivesse que escolher entre um trigo argentino e um trigo das últimas safras do Rio Grande do Sul, ficaria com o gaúcho”, declara.
A caminho da autossuficiência
A crescente confiança dos moinhos no trigo nacional evidencia o patamar gradativamente maior da cultura em termos de qualidade. Por consequência, ela também traz maior segurança financeira para o mercado brasileiro do trigo, que ainda possui um caminho desafiador a percorrer na quantidade de produção do grão no país. “Produzimos pouco mais da metade do consumo interno no Brasil. Isso faz com que tenhamos que importar trigo e ficar expostos às variações de preços internacionais, como o dólar”, cita o analista de trigo do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral/PR), Carlos Hugo Godinho. Para o profissional, um importante objetivo é o aumento da produção nacional da cultura e a redução dos custos, para que o produto se torne mais rentável e consiga suprir da melhor forma o abastecimento do país. “Temos uma importação que chega a 10 milhões de toneladas. A cada 500 mil toneladas que produzimos a mais, meio milhão de toneladas a menos precisam ser compradas em dólar, especialmente no momento em que o preço do trigo chega aos 8 pontos o bushel em Chicago”, comenta Godinho.
Consumidor: trigo nacional quebra paradigmas
“Com o dólar lá em cima, o valor da farinha acaba subindo também e reflete no preço final que vai para o consumidor”, elucida Carla Carnevali Gomes, presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria e de Massas Alimentícias e Biscoitos do Rio Grande do Sul (Sindipan/RS). Porém, em sintonia com a indústria do trigo, Carla comenta que o consumidor tem tido uma aceitação cada vez melhor com os produtos feitos com o trigo brasileiro. “Há alguns meses, identificamos produtos preparados a partir do trigo nacional com etiquetas. Desde então, a repercussão foi muito boa, pois os consumidores desconheciam que usávamos farinha produzida no país”. De acordo com o proprietário de uma padaria em Canoas (RS), Fabiano Soares, o pão produzido atualmente possui maior aceitação do cliente. “Isso é resultado de uma qualidade de sabor, aroma, casca, duração e cor de pão maiores em comparação a antigamente, o que me gera maior confiança nos trigos nacionais”, conta.
Números da safra
Essa confiança se traduz em um aumento nos números de produção do grão no país. Segundo o último levantamento da safra 2020/21, realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o trigo apresentou um expressivo crescimento de área plantada, com cerca de 15% a mais em relação à safra anterior – atingindo 2,69 milhões de hectares. Para esta safra, o órgão estima um crescimento de 3,71% no consumo interno de trigo. Enquanto a colheita de trigo no Cerrado já foi finalizada, nos três estados do Sul, ela se encaminha para a reta final, com mais da metade da área já colhida.
Uma cultura presente em todos os momentos
A evolução do trigo nacional, tanto em qualidade, quanto em termos mercadológicos, é notável. Se o passado nos conta os registros de um grão milenar, o futuro traz perspectivas de uma história que promete perdurar. Com as etapas da cadeia produtiva do trigo em meio a um constante esforço por crescimento e superação, ainda restam muitas páginas a serem escritas para a cultura no Brasil. A certeza de quem faz parte desse ciclo que garante o pão nosso de cada dia é a gratidão pelo progresso da cultura. “O trigo está presente em todas as casas e em todos os momentos especiais das famílias brasileiras. De aniversários a casamentos, o trigo marca a presença na vida das pessoas. É muito gratificante. Essa é a palavra que resume o dia a dia de quem trabalha com o trigo”, finaliza Carla Gomes, traduzindo um sentimento mútuo de quem leva a cultura do campo, para a prateleira e às mesas.

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Paraná será polo de produção de insumos para a saúde animal do Brasil
Previsão é que até o início de 2027 sejam disponibilizados os lotes-piloto fabricados no Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários do Tecpar, que está em construção. A unidade produzirá insumos para o diagnóstico de brucelose, tuberculose e leucose bovina.

O Paraná caminha para se consolidar como um polo estratégico na produção de insumos para a saúde animal no Brasil. Isso porque avançam as obras do Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários (CIV) do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). A unidade, que está em construção em Curitiba, produzirá insumos para o diagnóstico de brucelose, tuberculose e leucose bovina, doenças infecciosas que afetam o gado e são um risco à saúde pública e ao agronegócio.

Foto: Hedeson Alves/Tecpar
O mercado veterinário brasileiro aguarda com expectativa a inauguração da nova planta que já está em contagem regressiva para iniciar as operações. A previsão é que os lotes-piloto sejam produzidos até o início de 2027. A entrega da obra atende a uma antiga solicitação do segmento. Atualmente, parte da demanda brasileira pelos insumos é atendida com importação.
O diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, enfatiza que o instituto pretende suprir essa necessidade do mercado, fornecendo produtos com qualidade e em quantidade para todo o Brasil, a um custo menor. “A retomada da produção de insumos veterinários vai beneficiar toda a cadeia produtiva da pecuária brasileira, contribuindo para o fim da dependência dos insumos importados, e promovendo a independência tecnológica do país. Além disso, os consumidores de produtos de origem animal também serão beneficiados, já que o custo da importação é repassado para o valor final do produto na prateleira”, ressalta Marafon.
Referência em saúde animal desde a sua fundação, o Tecpar produziu testes sorológicos que abasteceram a demanda nacional por três

Foto: Hedeson Alves/Tecpar
décadas, porém, para atender a novos requisitos de biossegurança, a planta iniciou um projeto de atualização das práticas de fabricação.
A conclusão da obra é aguardada por representantes de toda a cadeia de usuários de insumos para diagnóstico de brucelose e tuberculose, evidenciando como cada segmento contribui para a eficácia dos diagnósticos e fortalecimento das ações de controle sanitário no País.
Segundo o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, os diagnósticos de brucelose e tuberculose serão o próximo desafio para a sanidade animal no Brasil, e isso exige a produção dos antígenos para o diagnóstico dos rebanhos. “Esse novo laboratório vai trazer para todos nós, que trabalhamos com sanidade animal, uma tranquilidade em relação à produção de antígenos, que estarão à disposição dos profissionais que fazem o diagnóstico em todo o Paraná”, menciona.

Foto: Hedeson Alves/Tecpar
“Estamos ansiosos para que essa produção aconteça, e que possamos dizer para todo o Brasil que aqui temos antígeno suficiente para atender todo o rebanho bovino do País”, salienta Martins. “É um momento muito importante em que o Governo do Estado, investindo esse recurso junto ao Tecpar, que é um órgão de excelência, vai poder fornecer os insumos necessários à pecuária bovina brasileira e, quiçá, também à pecuária bovina do Exterior”, complementa.
Leiteira
O médico-veterinário e superintendente da Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH), Altair Valloto, confirma que existe uma grande expectativa do setor pecuário, principalmente da cadeia produtiva do leite, para a retomada da produção dos insumos para kit diagnóstico.
O Paraná é o segundo maior produtor de leite do Brasil, com uma produção anual de 4,5 bilhões de litros, além de possuir uma grande população de animais da pecuária leiteira e ser um grande exportador de genética para os outros estados.
Para Valotto, os kits diagnósticos são a base para animais saudáveis, para que produzam alimentos seguros e de qualidade. “A retomada da

Foto: Hedeson Alves/Tecpar
produção pelo Tecpar é muito importante, porque temos uma necessidade muito grande, e precisamos exportar leite e animais para os outros países. E como vamos exportar se não tivermos como comprovar sanidade de nossos rebanhos? A associação tem trabalhado intensamente, monitorando a tuberculose e a brucelose, duas doenças que têm um impacto significativo na produção. Sem os kits, isso não é possível, por isso eles são o grande pilar da sanidade animal”, ressalta.
Sem atraso
A produção dos insumos veterinários no Paraná também vai facilitar o trabalho do médico veterinário Pedro Paulo Benyunes Vieira, sócio-proprietário de uma clínica especializada em reprodução e produção de bovinos do município de Carambeí, que atende toda a região dos Campos Gerais.

Foto: Hedeson Alves/Tecpar
Segundo ele, a produção local favorece a questão logística, fazendo que os produtos cheguem ao usuário final com mais rapidez do que se viessem de outros lugares, principalmente quando o insumo é importado. “Nossa expectativa em relação ao retorno da produção de insumos para kits diagnósticos pelo Tecpar é que possamos ter uma constância maior de produtos nas lojas e cooperativas onde compramos os insumos, para que possamos atender à demanda e não fiquem exames em atraso”, ressalta o médico-veterinário, que está entre os profissionais habilitados no Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal.
Produtos
Ao todo, sete insumos serão produzidos pelo Tecpar: tuberculina PPD bovina, tuberculina PPD aviária, antígeno acidificado tamponado (AAT), prova lenta (PL) em tubos, anel do leite Ring Test (RT), kit para diagnóstico da brucelose ovina e kit para diagnóstico da leucose bovina.
Esses produtos integram o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT), vinculado ao

Foto: Hedeson Alves/Tecpar
Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Além de abastecer o Paraná, o foco é a comercialização destes insumos junto aos demais estados que possuem maior rebanho leiteiro do País: Minas Gerais, Goiás, Bahia, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
“O Tecpar vem atualizando o seu processo produtivo frequentemente, alcançando novos patamares de qualidade. O conhecimento e a expertise adquiridos em mais de sete décadas de atuação capacitam o instituto para tratar de um projeto de elevada complexidade. Esse investimento terá reflexos diretos na exportação agropecuária, que precisa atender às exigências sanitárias cada vez mais altas por parte dos países importadores”, destaca a gerente do Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários, Giselle Almeida Nocera Espírito Santo.
A área total do CIV será de 3 mil metros quadrados e a capacidade produtiva prevista da planta é de 40 milhões de doses ao ano. O investimento do Governo do Estado na construção é de R$ 41,5 milhões, e mais R$ 30 milhões em equipamentos técnicos. Os recursos são do Fundo Paraná, dotação de fomento científico gerida pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).
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Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano debate momento histórico de progresso para o setor
Evento em Foz do Iguaçu (PR), de 14 a 16 de abril, destaca novo patamar para o biocombustível, a partir das oportunidades e desafios das recentes conquistas regulatórias.

Foz do Iguaçu (PR) será palco do 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano (FSBBB) entre terça (14) e quinta-feira (16). Serão 48 horas de programação. Em nove painéis, sendo o primeiro “Biogás, Biometano e Políticas Públicas”, especialistas apresentarão contribuições para o debate sobre o futuro do setor. Inscrições podem ser feitas clicando aqui.

Foto: Divulgação/UQ Eventos
No Espaço de Negócios, mais de 60 expositores vão mostrar produtos, serviços, equipamentos e resultados de projetos para a cadeia do biogás. Nas visitas técnicas, os participantes irão conhecer de perto sete unidades geradoras de biogás, instaladas em seis municípios do Oeste do Paraná.
Recentes avanços na legislação, especialmente a Lei do Combustível do Futuro, abrem mercado, atendem demandas históricas do setor e dão ao biometano a oportunidade de protagonismo na transição energética brasileira. Na mesma intensidade das oportunidades, essas mudanças também propõem desafios.
Para o biometano atingir seu potencial de ser um dos combustíveis dessa nova era energética, vai precisar investir na qualidade do produto e dos processos, na capacidade produtiva para atender à demanda e na estrutura para aumentar a sua abrangência em um país de proporção continental. E esse “futuro” proposto pela legislação tem a urgência do “presente”. É com foco nos desafios que o 8° FSBBB define o tema central da edição: Biometano: bem feito, suficiente, bem distribuído.
São mais de 800 participantes inscritos nesta edição, que tem confirmada a presença de público de 16 países. O evento, no Bourbon

Foto: César Silvestro
Thermas Eco Resort Cataratas do Iguaçu, reunirá especialistas, produtores de biogás, pesquisadores e representantes dos setores público e privado.
O coordenador-geral do Fórum, Felipe Souza Marques, diretor-presidente do Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), de Foz do Iguaçu, destaca que o debate é fundamental, levando-se em conta as novas oportunidades para o setor. “Estamos vivendo um momento decisivo para o biometano. A demanda que virá é uma conquista de muito esforço do setor, que agora precisa responder à altura, com produtividade, qualidade e estratégia de distribuição. Temos muito a crescer se soubermos aproveitar essa oportunidade”, afirma Felipe.
Mais unidades produtoras
Em 2024, houve um acréscimo de 248 novas unidades de produção de biogás no Brasil, de acordo com o Panorama do Biogás, elaborado pelo Centro Internacional de Energias Renováveis (CiBiogás). No total, são 1.633 plantas. O setor se amplia principalmente a partir de unidades produtoras de pequeno e médio porte, embora as grandes plantas concentrem a maior parte da produção. O biogás está presente em 611 municípios e 24 estados. Os três estados do Sul do Brasil estão entre os 10 mais representativos em número de plantas de biogás: PR (490), SC (130) e RS (81).

Foto: Leonardo Leite
O setor representa uma solução energética eficiente e sustentável e constitui alternativa segura para a disponibilidade de combustível e de biofertilizantes ao País. “Os conflitos mundo afora e seus impactos colocam o biogás, o biometano e o digestato em um novo patamar. Disponibilidade regional passa a ser questão-chave. Dependência de importação é um risco ao qual o Brasil deve estar atento, especialmente no que se refere aos transportes e ao agronegócio”, destaca Felipe Marques.
Dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás) indicam que há potencial no país para a produção de 120MMm³/dia de biometano, principalmente a partir dos segmentos sucroenergético, de proteína animal e agrícola.
Potencial do setor na programação
Além de painéis, o Fórum contará com um Espaço de Negócios, a premiação Melhores do Biogás Brasil e o Momento Startups. O último dia será reservado às visitas técnicas.

Foto: Leonardo Leite
Realizado pelo CIBiogás, pela Embrapa Suínos e Aves, e pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), o Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano é organizado pela Sociedade Brasileira dos Especialistas em Resíduos das Produções Agropecuária e Agroindustrial (SBERA). O Fórum é anual e itinerante nos três estados do Sul.
Por dentro da programação do 8º FSBBB
Painéis temáticos:
– Biogás, Biometano e Políticas Públicas
– O Mercado dos Certificados
– Mobilidade a Biometano
– Energia Elétrica – Novas Abordagens
– O negócio dos Substratos e as Culturas Energéticas
– Investimentos na Cadeia de Biogás e Biometano
– Indústria do Biogás
– Biometano e Gás Natural
– Biogás na Prática
– Oportunidades e Desafios Setoriais
Prêmio Melhores do Biogás Brasil – Nesta edição haverá entrega do prêmio em cinco categorias, sendo duas inéditas: Consumidor de Biogás/Biometano e Mobilidade com Biometano, além de Profissional, Organização e Plantas/Unidades Geradoras de Biogás (incluindo as subcategorias Saneamento, Pecuária e Indústria).

Foto: Leonardo Leite
Startups de Biogás – O Momento Startups, uma iniciativa do Fórum em parceria com o Pollen – Parque Científico e Tecnológico de Chapecó (SC), da Unochapecó, e Agência de Inovação da Universidade de Caxias do Sul (RS), terá três startups apresentando soluções inovadoras para a cadeia do biogás.
Espaço de Negócios – Destinado para expositores apresentarem suas marcas, produtos, serviços, equipamentos e resultados de projetos. Acontece entre as plenárias e permite a troca de ideias, além de oportunizar negócios e parcerias.
Visitas Técnicas – Na quinta-feira (16) será dedicado às visitas técnicas, em quatro roteiros na região: nas unidades de biogás nas cooperativas Frimesa e Copacol, nos municípios de Medianeira e Jesuítas, respectivamente; em Toledo, nas plantas Biokohler/Biograss e Central Bioenergia de Toledo; em Santa Helena, na Granja Haacke e em Itaipulândia, na Usina Rui; e na UD Itaipu, em Foz do Iguaçu.
Pré-eventos – Na segunda-feira (13) está programada uma agenda de reuniões, encontros e workshop, reunindo agentes da cadeia do biogás sobre energia elétrica, transporte com biometano no agronegócio, laboratórios e o Encontro Mulheres do Biogás.

Foto: Leonardo Leite
Panorama do Biogás – Na quarta-feira (15) vai ocorrer o lançamento do Panorama do Biogás no Brasil 2025, documento elaborado pelo CIBiogás que apresenta os dados sobre a produção e aproveitamento energético.
Para saber mais:
O que é biogás
O biogás é formado a partir da decomposição da matéria orgânica, por microrganismos, gerando uma mistura gasosa rica em gás metano, que pode ser usado em substituição aos compostos de origem fóssil e não renovável. Pode ser usado como fonte de calor (ex: aquecimento da água, em caldeiras industriais) ou mesmo na produção de energia elétrica renovável, distribuída na rede.

Foto: Divulgação
Em paralelo, o biogás pode ser purificado e usado diretamente como combustível veicular em substituição ao GNV. Atualmente, pesquisas mostram potenciais ainda maiores do biogás, podendo ser matéria-prima para produzir hidrogênio e amônia verde ou mesmo precursor de SAF (Combustível Sustentável de Aviação).
A produção do biogás ocorre no biodigestor e o material digerido, chamado de digestato, possui valor agronômico e torna o processo circular, o que amplia a sustentabilidade das cadeias produtivas envolvidas.
Quem pode produzir biogás
Os substratos utilizados para produção de biogás no Brasil estão divididos em três categorias:
Agropecuária – Envolve as atividades de criação de animais como avicultura, bovinocultura, suinocultura, ovinocultura, dentre outros.
Indústria – Contempla abatedouros e frigoríficos, usinas de açúcar e etanol, fecularias e amidonarias, cervejarias, indústrias de óleo vegetal, gelatina, entre outros.
Saneamento – Contempla os aterros sanitários (RSU), as usinas de tratamento de resíduos orgânicos e as estações de tratamento de esgoto (ETE).
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Reforma tributária passa a taxar insumos do agro e pressiona custos no campo
Tributação de até 10% sobre fertilizantes, sementes e defensivos preocupa setor produtivo.

Desde 1º de abril, insumos essenciais à produção agropecuária, como fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas, deixaram de contar com a isenção dos impostos Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). A mudança faz parte da reforma tributária, em vigor desde o início do ano. Diante do início da tributação, o Sistema Faep pede que o governo federal prorrogue o prazo para cobrança.
“O momento de iniciar a cobrança é totalmente descabido. Há diversos fatores geopolíticos que estão influenciando negativamente o fornecimento dos insumos, gerando transtornos no meio rural e alta dos custos ao produtor rural. Por isso, é necessária a revisão dessa medida e a prorrogação do prazo para a tributação”, diz o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Com o fim da isenção, esses insumos passaram a ser tributados em 0,925%, podendo chegar a até 10%, dependendo do regime tributário adotado pelo produtor. Na prática, a medida encarece diretamente o custo de produção, especialmente em culturas intensivas em tecnologia, como soja, milho e algodão.
Esse aumento do imposto sobre fertilizantes ocorre em um momento em que Rússia e China, maiores fornecedores do produto no mundo, estão restringindo as exportações. O Brasil é diretamente impactado por esse cenário global. Atualmente, 85% dos fertilizantes utilizados no país são importados, o que torna o setor vulnerável a oscilações de preços e restrições de oferta causadas por fatores geopolíticos, como conflitos internacionais.
Meneguette atenta para o fato de que, do ponto de vista econômico, tributar insumos estratégicos equivale a tributar a produção antes mesmo do plantio. Além disso, o resultado é um aumento do custo marginal da produção agrícola, que tende a se propagar ao longo de toda a cadeia, resultando em inflação e alta dos alimentos a população.
“É fundamental a suspensão temporária ou a prorrogação da cobrança de PIS e Cofins sobre fertilizantes e insumos estratégicos, enquanto persistirem condições adversas no mercado internacional. Isso é uma decisão estratégica para o setor continuar produzindo com qualidade e eficiência”, complementa o presidente do Sistema Faep.



