Avicultura
Dia de Campo da BRF destaca manejo de inverno e prevenção da Influenza aviária
Segurança, Influenza aviária, bem-estar animal, meio ambiente, intervalo sanitário, pré e pós-alojamento, condenações e ambiência foram os temas debatidos.

Com o objetivo de treinar integrados com as melhores técnicas de manejo e práticas para a conquista de um melhor desempenho zootécnico e automaticamente uma melhor produtividade e lucratividade, a BRF de Toledo, PR, promoveu, no dia 15 de junho, o Dia de Campo sobre manejo de inverno. Diferente das edições anteriores, quando a programação era realizada em propriedades dos integrados, neste ano o evento foi promovido no Centro de Eventos Ismael Sperafico e reuniu centenas de pessoas que acompanharam apresentações com extensionistas, bem como novidades em maquinários e produtos para a avicultura. A programação contou com apresentação técnica das temáticas segurança, Influenza aviária, bem-estar animal, meio ambiente, intervalo sanitário, pré e pós-alojamento, condenações e ambiência.

Supervisor de Integração de Aves da BRF, Josnei Hinselmann
A BRF de Toledo conta com 217 produtores integrados e abate 290 mil aves por dia, totalizando 6 milhões por mês. Conforme o supervisor de Integração de Aves da BRF, Josnei Hinselmann, o Dia de Campo foi um grande sucesso porque a participação dos integrados foi excelente. “Estamos muito satisfeitos com a adesão dos nossos integrados e com o apoio de inúmeros parceiros que vieram para somar as nossas atividades, trazendo novas tecnologias e as novidades que estão disponíveis para a nossa integração”, comenta.
O profissional destaca que o evento foi pensado para os integrados, para que eles recebessem informações pertinentes para melhorar a sua produção. “Nossa avicultura já conta com muita tecnologia, mas sempre é possível incrementar algo novo e que vai ajudar na produtividade. Nossos integrados estão sempre bem atentos às novidades e trabalham com muita consciência. Para se ter uma ideia de como são empreendedores, mais de 60% dos nossos integrados já aderiram as placas fotovoltaicas e estão sendo beneficiados com a produção própria de energia”, pontua.
Produtores atentos à influenza

Produtores Valmir e Eliane do Nascimento estão otimistas com o setor
O produtor rural Valmir do Nascimento trabalha com frangos, soja e milho e possui duas propriedades. Uma localizada na Linha Mandarina, em Toledo, e a outra na Linha Volta Gaúcha, em Entre Rios do Oeste. Com um plantel de 270 mil aves, ele está confiante no setor e está executando a construção de mais quatro aviários. Ele conta que participou do evento para ter mais informações sobre a Influenza aviária, já que esta doença vem acendendo uma preocupação constante para ele.
“Vim aqui para verificar o que podemos fazer para proteger o nosso plantel e estou saindo muito surpreendido. Verifiquei que estamos no caminho certo, porque a biosseguridade está presente no nosso dia-a-dia. Depois das recomendações que recebemos aqui, o que faremos é intensificar ainda mais os cuidados, restringindo ao máximo as visitas e seguindo tudo o que nos foi passado. As explicações do Dia de Campo foram muito válidas e usaremos no nosso plantel. Penso que o negócio correto é cada produtor fazer a sua parte porque assim evitaremos que este vírus atinja as nossas granjas”, opina.

Lucas Andrei Kaefer
Pioneira na região, a família de Lucas Andrei Kaefer, de Toledo, trabalha há mais de 35 anos com aviários. O plantel de 30 mil aves ajuda a diversificar a renda, composta também pela produção com soja e milho. Lucas conta que esteve há pouco tempo nos Estados Unidos, onde passou por uma especialização sobre técnicas de agricultura. Ele afirma que acredita na competência da avicultura brasileira para conseguir controlar possíveis surtos de Influenza aviária no País, a exemplo do controle americano. “Caso a Influenza aviária venha a atingir os planteis comerciais do Brasil eu penso que temos competência de lidar com a doença, conforme o exemplo dos americanos”, opina.
O produtor avalia que participar do evento da BRF foi muito produtivo e que ficou muito satisfeito de confirmar que a sua granja conta com muitas das boas práticas que foram evidenciadas pelos extensionistas da BRF. “Nosso aviário é nosso ganha pão, temos que cuidar e trabalhar com muito profissionalismo. Foi muito rico participar deste evento porque recebemos informações valiosas a respeito do protocolos da IA, bem como ficamos bem atualizados com novas técnicas e equipamentos que estão disponíveis para a avicultura. Também fiquei bastante entusiasmado de saber que nossa granja está muito bem nos quesitos de biosseguridade”, discorre.
Na estação sobre a Influenza aviária, técnicos da Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) alertaram aos produtores sobre a importância dos cuidados de biossegurança. Conforme o médico-veterinário, fiscal da Adapar Gilmar Jorge Vieira, a Influenza está percorrendo o Brasil e “isso mostra que é momento de os produtores redobraram os cuidados para que não venhamos a ser atingidos pelo gripe aviária”.
Vieira discorreu sobre a importância de manter um bom controle das granjas, prestando atenção nos possíveis sinais clínicos da gripe aviária, como sintomas respiratórios, neurológicos, animais caídos e animais se debatendo. “Caso um produtor verifique um destes sinais ele deve, imediatamente, contatar a Adapar e o seu extensionista. Porque quanto antes a Adapar for notificada ela poderá agir com mais agilidade para resolver o problema”, menciona.

Fiscal da Adapar, Gilmar Jorge Vieira
Vieira destacou que os principais agentes que devem trabalhar para que a Influenza não alcance os planteis comerciais do Brasil são os próprios produtores rurais. “Eles precisam ter um cuidado redobrado de excelência com os aviários. É momento de ficar atento às telas, aos arcos de desinfecção, bem como ao próprio produtor e funcionários, pois eles próprios podem acabar trazendo a doença, caso não realizem os cuidados básicos necessários, como lavar as mãos, usar botas, trocar de roupa antes de entrar no aviário e evitar que pessoas de fora também entrem nas granjas. É momento de evitar a presença de vizinhos, além de manter os portões de acesso fechados”, adverte.
Brasil está pronto
O técnico reiterou que o Brasil está pronto para agir, caso a doença seja confirmada em um plantel comercial, porque os protocolos e plano de contingência já foram elaborados e muitas equipes foram treinadas para atender as possíveis solicitações. “Aqui no Paraná, em casos positivos, a Adapar vai interditar o aviário, irá coletar os materiais e fazer as análises necessárias para confirmar ou não a doença. Essa apuração será feita em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e deve levar menos de 24 horas para sair o resultado”, informa.
De acordo com o supervisor Josnei, a BRF vem trabalhando e se preparando com relação a Influenza aviária há bastante tempo. “A BRF vem promovendo treinamento periódicos sobre o plano de contingência. Durante as visitas, os extensionistas têm focado bastante a questão da biosseguridade, que nada mais é do que blindar as propriedades para que a doença não chegue nos nossos planteis. Nossos produtores estão muito cientes dos perigos do vírus e estão cuidando muito nas granjas”, expõe.
Intervalo sanitário
O intervalo sanitário foi um dos principais temas técnicos apresentados. De acordo com a médica-veterinária, extensionista da BRF, Laura Didone Larramendi, os intervalos sanitários são procedimentos necessários para assegurar a produção eficiente de um novo plantel. “É importante que os produtores sigam bem o diagrama de intervalo porque cada etapa tem a sua importância. Na BRF temos dois procedimentos, um para as granjas que estão positivadas para a salmonela e outro para as não positivadas”, declara.
A extensionista da BRF, médica-veterinária Vanessa Stori Turquetti, chama a atenção ainda para o controle dos roedores. “Durante o intervalo sanitário, os produtores não devem deixar de lado o controle de roedores. As vistorias semanais são estratégias importantes para este controle. Gosto sempre de lembrar aos produtores a respeito da importância de seguir os protocolos, porque um bom manejo de intervalo garante uma cama e um bom ambiente para as aves, sendo que a qualidade da cama vai ajudar na produtividade do lote”, afirma.
Intervalo de matrizes
O zootecnista da BRF, Magdiel Antonio Reghelin, destacou que o intervalo sanitário das matrizes possui procedimentos diferentes das outras aves. “No protocolo da BRF as matrizes passam por 5 desinfecções.
Nosso trabalho é treinar os funcionários de todas as granjas para que consigam fazer estes procedimentos corretamente, além de fiscalizar o uso de EPI’s para garantir que tenhamos um aviário limpo e seguro para receber um novo lote”, conta.
De acordo com ele, o objetivo do intervalo é deixar tudo preparado para ter a melhor eficiência do plantel, isso porque a não higienização correta pode acarretar problemas sanitários no lote, o que pode trazer prejuízos para toda a cadeia. O profissional reforçou a importância de seguir os padrões estabelecidos pela integradora, haja vista que os mesmos baseiam-se na ciência e têm o objetivo de melhorar a eficiência dos planteis. “Cada protocolo é produzido por muitos profissionais que estudaram e continuam estudando para melhorar as técnicas. Nosso trabalho é mostrar isso aos produtores, para que as granjas sejam cada vez mais bem sucedidas”, comenta.
Alojamento de pintinhos
Os cuidados com o alojamento foram destacados pela médica-veterinária, extensionista da BRF Lucieli Oro Kleuska. Ela chamou a atenção sobre a necessidade dos cuidados iniciarem antes da chegada do lote. “A preparação inicia com a formação de uma boa cama para receber um novo lote. É preciso planejar a execução do fornecimento de ração, da estimulação para o consumo, aferir a qualidade da água. Todos estes pontos farão muita diferença para que o lote tenha um desempenho ideal, de acordo com o padrão da genética das aves”, destaca.
Ambiência
Na apresentação sobre ambiência, o médico veterinário, extensionista da BRF Edson Luis Centenaro, enalteceu que cuidar da ambiência dos aviários é necessário em todas as etapas da produção. Ele alertou aos produtores sobre pequenos cuidados como a vedação, a pressão do aviário e a utilização de equipamentos como os circuladores de ar. “Estes três itens são de extrema importância para que os aviários tenham condições de ter uma boa produção. Eles envolvem baixo investimento financeiro e fazem muita diferença na produtividade”, afirmou.
O supervisor da BRF Josnei adiantou que a empresa deve fazer mais um Dia de Campo, entre os meses de agosto e setembro, quando vai focar na importância e nos cuidados especiais com o manejo de verão. “Esses dois eventos, o Dia de Campo edição inverno e a edição de verão são oportunidades de ofertar as práticas mais eficientes, as novidades em equipamentos e as melhores técnicas que estão disponíveis no mercado para que os nossos integrados tenham, cada vez mais, sucesso nas suas produções”, finaliza.
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Avicultura
Conflito no Oriente Médio pressiona exportações brasileiras de frango
Risco sobre rotas marítimas estratégicas pode elevar fretes, seguros e custos de energia, com impacto nas margens do setor.

A intensificação das tensões entre Irã, Israel e Estados Unidos reposiciona o risco geopolítico no radar do agronegócio brasileiro. Embora não haja, até o momento, interrupção formal de contratos, o setor avalia que o impacto pode se materializar por meio de custos logísticos mais elevados, volatilidade cambial e pressão sobre insumos energéticos.
O Oriente Médio é destino relevante para a pauta agropecuária do Brasil. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que milho, açúcar e carnes de aves figuram entre os principais produtos embarcados para a região. As carnes de frango e miúdos comestíveis respondem por 14,5% das exportações brasileiras destinadas a esses mercados, atrás apenas de milho e açúcar.
A dependência regional de importações de proteína animal mantém a demanda estruturalmente ativa. A preocupação, segundo representantes do setor, não está na absorção do produto, mas na previsibilidade operacional.
Logística no centro da incerteza

Foto: Claudio Neves
O foco das atenções recai sobre corredores marítimos estratégicos, como o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho, por onde transita parcela expressiva do comércio global de energia e mercadorias. Qualquer instabilidade nessas rotas tende a encarecer o frete marítimo, elevar prêmios de seguro e alongar prazos de entrega.
Em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal afirmou que acompanha a evolução do cenário. “A ABPA e suas associadas estão mapeando e monitorando os pontos críticos à logística na área influenciada pelo conflito. Neste momento, o setor analisa rotas alternativas que foram utilizadas em outras ocasiões de crises na região”, informou a entidade.
A associação ressalta que “não há embarques significativos de carne de frango para o Irã”, o que reduz o risco de impacto direto sobre contratos bilaterais com o país. O efeito esperado, portanto, é indireto e sistêmico.
Petróleo e frete como vetores de transmissão
A região é peça central na oferta global de petróleo. Em momentos de escalada militar, o preço da commodity tende a reagir, influenciando tanto o custo do bunker, combustível utilizado por navios, quanto despesas com transporte terrestre e produção industrial.

Foto: Ari Dias
Análise publicada pela Farmnews aponta que a principal via de transmissão da crise para o agro brasileiro deve ocorrer por meio da energia e dos fertilizantes. “Crises geopolíticas na região não necessariamente derrubam a demanda por alimentos, mas aumentam a imprevisibilidade operacional”, destaca o estudo.
Para o frango brasileiro, que opera em ambiente de forte concorrência internacional e margens ajustadas, qualquer elevação de frete ou atraso logístico pode comprimir resultados. O mesmo raciocínio vale para milho e açúcar, que lideram a pauta regional.
No curto prazo, exportadores avaliam rotas alternativas e monitoram contratos de frete. No médio prazo, a trajetória do petróleo e o comportamento do transporte marítimo devem definir a extensão dos impactos sobre custos e competitividade.
Até aqui, o fluxo comercial segue sem ruptura formal. O ponto de atenção está no custo de manter esse fluxo em um ambiente de risco elevado.
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Queda do frango vivo reduz poder de compra do avicultor paulista
Após quatro meses consecutivos de perdas, produtor consegue adquirir menos milho e farelo de soja, apesar do ritmo recorde das exportações brasileiras.

Os recuos nos preços do frango vivo ao longo de fevereiro devem consolidar o quarto mês consecutivo de perda no poder de compra do avicultor paulista frente ao milho e ao farelo de soja, conforme apontam pesquisadores do Cepea.
Até o dia 25, o frango registra o menor patamar real desde maio de 2024, considerando série deflacionada pelo IGP-DI de janeiro de 2026. No mesmo período, os preços médios do milho permanecem praticamente estáveis, enquanto os do farelo de soja apresentam leve alta.
Em São Paulo, a média do frango vivo está em R$ 5,04 por quilo nesta parcial de fevereiro, recuo de 2,1% frente a janeiro. Segundo o Cepea, o ritmo recorde das exportações da proteína brasileira tem ajudado a conter uma desvalorização mais intensa no mercado interno.
Com a atual relação de troca, o produtor paulista consegue adquirir 4,47 quilos de milho com a venda de um quilo de frango, volume 1,9% inferior ao de janeiro. No caso do farelo de soja, a compra possível é de 2,73 quilos por quilo de ave comercializada, queda de 2,6% na mesma comparação.
Avicultura
Ovos sobem mais de 36% e fortalecem relação de troca com milho e soja
Com a venda de uma caixa, produtor passa a adquirir até 147 quilos de milho e mais de 90 quilos de farelo em São Paulo.





