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Detoxificação de micotoxinas: ciência x marketing

Alguns fatores fizeram com que aumentasse a consciência do risco das micotoxinas para a saúde e desempenho dos animais

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Artigo escrito por Elise Nacer Khodja, engenheira agrônoma e gerente do Serviço Técnico da Olmix – América do Sul

Tem se tornado frequente o uso da palavra micotoxina em artigos relacionados à produção animal. Neste contexto, as micotoxinas são metabólitos secundários produzidos por variedades especificas de fungos, que são potencialmente tóxicas e podem ser nocivas para a saúde quando ingeridas. Os efeitos nos animais podem variar em função das diferentes estruturas químicas, concentrações, tempo de exposição, espécie, condições zoosanitárias e possíveis interações com outras micotoxinas.

Alguns fatores, como a variação climática, o aprimoramento de técnicas e metodologias para identificação do perfil das micotoxinas, bem como as mudanças relacionadas à segurança alimentar, fizeram com que aumentasse a consciência do risco das micotoxinas para a saúde e desempenho dos animais. Em um relatório publicado, foram estudados os perfis e a prevalência das contaminações por micotoxinas em matérias primas, rações e outros ingredientes utilizados na nutrição animal, sendo que a maior parte das 4.327 amostras estavam contaminadas. Aproximadamente 40% das amostras continham zearalenona (ZEA), 50% apresentaram deoxinivalenol (DON), e 51% tinha presença de fumonisinas (FUM).

Segundo outro autor, a probabilidade de ocorrer policontaminação em amostras de matéria prima é elevada. De fato, muitas vezes as condições de crescimento de um fungo permitem o crescimento de outros fungos, que produzem diferentes tipos de micotoxinas. Vários estudos demonstram que as policontaminações causam efeitos nocivos mesmo em concentrações menores que as mencionadas na literatura científica, pois trata-se de um efeito sinérgico entre as diferentes micotoxinas.

Outro estudo científico demonstrou o efeito sinérgico do DON com a FUM em nível intestinal. De acordo com o este trabalho, as fumonisinas impedem a renovação das células epiteliais que podem já ter sido danificadas pelo DON, ou seja, potencializando os problemas no campo.

Em estudos realizados com bovinos leiteiros, Johanna Fink-Gremmels, da Universidade de Utrecht, demonstrou que a habilidade do rúmen para detoxificar as micotoxinas é menor do que se acredita. Além disso, as micotoxinas podem ter efeitos nocivos sobre a microbiota ruminal, ocasionando doenças crônicas, problemas digestivos e até mesmo quadros de acidoses. Tais informações foram confirmadas por outro estudo que, ao adicionar concentrações de DON em 5,3 mg/kg de matéria seca, apresentou alterações nas fermentações ruminais, alteração no equilíbrio dos ácidos graxos voláteis, seguido de redução do pH, que é um aspecto importante para ocasionar acidoses ruminais.

Eficácia

As demonstrações de eficácia dos diferentes agentes de detoxificação de micotoxinas são conduzidas prioritariamente em condições in vitro. No entanto, esta metodologia pode ser simples e distante das condições naturais in vivo. Isto se dá, pois, nesses testes não são considerados fatores muito importantes, como por exemplo a digestão e transformação do alimento durante sua passagem no trato digestivo, o pH do conteúdo gástrico, a atividade das enzimas, assim como a microflora no trato intestinal. Estes processos são muito dinâmicos e não podem ser imitados em um modelo in vitro estático. Para demonstrar o efeito de materiais quelantes ou adsorventes, a maneira mais confiável e replicável é o modelo gastrointestinal in vitro dinâmico TNO TIM-1 (www.tno.nl).

O inovador modelo do TNO reproduz de maneira consecutiva os processos dinâmicos do estômago e do intestino delgado (TIM-1) e do intestino grosso (TIM-2) de um suíno. Esses modelos são as únicas ferramentas disponíveis para estudar a utilização dos compostos dos alimentos durante sua passagem pelo trato gastrointestinal. O maior local de absorção das micotoxinas é a parte proximal do intestino delgado, deste modo, o modelo TIM-1 (o sistema multi-compartimental do estômago e do intestino delgado) é o modelo mais eficaz para mensurar este fator.

Em 2004, uma pesquisa demonstrou que a ZEA não é a micotoxina de Fusarium com a maior complexidade para adsorção. Assim, o desafio para um adsorvente de micotoxinas não é somente captar ZEA, mas, sobretudo, de ser eficaz contra outras micotoxinas de Fusarium, como os tricotecenos ou as fumonisinas. A Instituição de Ciências para Produção de Alimentos (ISPA) na Itália, conduziu vários testes utilizando o modelo TNO TIM-1 para avaliar a eficácia de produtos comerciais e potenciais agentes quelantes para adsorver micotoxinas. Em um destes testes realizado em 2004, foram avaliados 14 produtos comerciais primeiramente em condições in vitro convencionais. Estes agentes foram testados em condições de pH de 3 até 8 para testar a adsorção de deoxinivalenol (DON) e nivalenol (NIV). Dentre todos os agentes, apenas o carvão ativado demonstrou uma capacidade de adsorção de 35,1 µmol até 8,8 µmol respectivamente para cada grama de adsorvente, de acordo com as condições de adsorção.

Na segunda parte do estudo, a pesquisa utilizou o modelo dinâmico do TNO (TIM 1) para avaliar a absorção do DON e do NIV no intestino delgado. Nesta condição dinâmica, a eficácia do carvão ativado para reduzir essa absorção foi de 51% para DON e 21% para o NIV. A maior parte da absorção aconteceu no compartimento jejunal para ambas micotoxinas. A inclusão do carvão ativado resultou numa redução significativa da absorção intestinal de micotoxinas. Com uma inclusão de 0,5% e 2% de carvão ativado, a redução foi de 29% até 45% para o DON com relação ao controle e de 23% até 41% para o NIV.

Estes resultados, combinados com estudos anteriores, podem servir para concluir que o carvão ativado parece ser uma das soluções mais eficazes para adsorver as micotoxinas, pois todos os outros produtos comerciais demonstraram uma baixa capacidade para adsorver micotoxinas de tipo Fusarium. No entanto, o uso de carvão ativado para alimentação animal tem suas limitações. As concentrações elevadas (> 0.5%) de carvão ativado tem que ser evitadas para minimizar o risco de adsorção de nutrientes, levando a um prejuízo dos valores calóricos e nutricionais do alimento.

Novas Tecnologias, Materiais Modificados

Novas tecnologias atualmente disponíveis permitem a modificação de materiais que podem ser utilizados na nutrição animal para a adsorção de micotoxinas. Algumas tecnologias específicas conseguem modificar a estrutura das argilas em escala nanométrica, aumentando o espaço interlaminar e, assim, modificando sua capacidade de adsorção. Estes tipos de modificações permitem o acesso a 100% da superfície da argila, aumentando sua capacidade de adsorção ao mesmo tempo que reduz o tempo necessário para adsorver as micotoxinas. Este processo é patenteado e 100% ecológico. Para testar a eficácia deste novo material, foi utilizado novamente o modelo do TNO, cujos resultados obtidos foram ainda melhores que os observados na passagem do carvão ativado. Este novo produto demonstrou uma capacidade de reduzir a absorção intestinal do DON em 40% quando comparado com o grupo controle, porém utilizando apenas 0,1% de produto. Se for comparado com o carvão ativado, este necessitou 2% de inclusão para reduzir a absorção em 45%. O teste com o TIM-1 demonstrou também a eficácia deste novo material contra a fumonisina, reduzindo sua absorção em 60%. Além disso, o uso desse produto não interferiu na biodigestibilidade das proteínas e dos carboidratos, assim como das vitaminas B1 e B2.

Escolha Importante

O preço elevado das matérias primas e demais custos de produção implicam na obtenção de níveis ótimos de produtividade nas granjas para manter as margens de ganho. O equilíbrio e a eficiência da dieta são fatores essenciais para o sucesso da produção. No entanto, o aproveitamento ótimo da nutrição pode ser afetado pela presença de micotoxinas, sendo essencial adotar mecanismos adequados para a proteção dos animais e garantir a valorização nutricional das dietas. Os métodos existentes para reduzir as contaminações por micotoxinas podem ser através do manejo e tratamento das matérias primas, bem como utilizando um adsorvente de micotoxinas na ração. Os resultados obtidos no teste detalhado neste artigo demonstram que a escolha de um adsorvente de micotoxinas é uma etapa muito importante, que deve ser feita com base em critérios científicos para a otimização dos resultados, da performance zootécnica e econômica da produção animal.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de novembro/dezembro de 2016 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações

Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

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Foto: Ana Maio

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.

As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso

Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.

Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.

Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.

Fonte: O Presente Rural com informações Consultoria Agro Itaú BBA Agro
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais

Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

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Foto: Carlos Eduardo Santos

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).

O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.

O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.

O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.

A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.

Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.

O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira

Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

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Foto: Julio Palhares

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.

O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.

De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.

A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.

O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sudeste
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