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Destinação de animais mortos ainda é um dos grandes desafios da avicultura

A remoção dos animais mortos do local de criação deve ser realizada de forma a minimizar os riscos sanitários ao rebanho e de acordo com normas de segurança do trabalho.

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Foto: Arquivo/OP Rural

A correta destinação de animais mortos que atendam aos aspectos sanitários, ambientais e econômicos continua sendo um dos grandes desafios para os diversos setores da cadeia produtiva animal no Brasil. Afim de auxiliar produtores e órgãos regulamentadores, a Embrapa Suínos e Aves, de Chapecó (SC), desenvolve há alguns anos estudos e avaliações de algumas práticas apontadas como rotas tecnológicas, entre elas compostagem acelerada, biodigestão anaeróbia, desidratação, incineração e reciclagem industrial de carcaças (rendering) para a produção de farinhas, gorduras, fertilizantes e outros coprodutos de valor agregado.

Estudos realizados pela Embrapa Suínos e Aves apontam que a taxa média de mortalidade em aves de 3% com peso vivo do frango de corte de 3kg, de perus com 5kg e de poedeiras com 1kg. Enquanto projeta-se um índice médio de mortalidade de matrizes suínas de 6% considerando o peso vivo médio de 250 kg e um volume de parição de 9,2kg/parto; para a creche foi ponderada uma mortalidade de 1,5% com um peso vivo médio de 12kg; e na terminação, a porcentagem de mortalidade foi estimada de 1,75% com um peso vivo médio de 60kg. Considerando todo o ciclo produtivo, somente o volume de suínos mortos ao longo da cadeia é superior a 110 mil toneladas/ano.

Já em gado de leite previu-se uma taxa de mortalidade de 2,5%, considerando uma média de 200 kg de peso vivo; e do gado de corte uma mortalidade média de 2,5% com animais de até 150 kg.

Chefe da Embrapa Suínos e Aves, Everton Luis Krabbe: “Quase não vejo composteiras com sistemas de aspersão, essencial para promover a umidade. Se estiver tudo seco não vai compostar, já se umedecer vai funcionar perfeitamente” – Fotos: Divulgação/Embrapa Suínos e Aves

Estima-se que no Brasil o problema com a destinação de carcaças de suínos, aves e bovinos ultrapasse 1,5 milhão de toneladas todos os anos. “Esse número pode ser muito maior do que isso, porque há muitos animais em produção na região Sul do Brasil, em uma área proporcionalmente pequena, e isso faz com que essa região tenha mais de 500 quilos de animais mortos por quilômetro quadrado todos os anos. No Oeste do Paraná, onde tem uma intensa produção animal, esse volume pode ser muito maior, porque o volume de animais mortos por dia é proporcional ao número da produção de animais. Então, é um problema muito sério e precisa ser trabalhado. Nós não vamos ter, além da biosseguridade, sustentabilidade ambiental se continuarmos, de certa forma, negligenciando essa questão da destinação de animais mortos”, expõe o chefe da Embrapa Suínos e Aves, Everton Luis Krabbe.

Parados no tempo

Outro grande problema apontado por Krabbe está no manuseio e processamento destes animais mortos através das tecnologias disponíveis, o que tem gerado causas trabalhistas no meio rural. “Há mais de sete anos começamos a trabalhar com tecnologias para destinação de animais mortos. A Embrapa dispõe de um galpão com uma série de máquinas que são produzidas no Brasil para testarmos essas novas tecnologias”, relata, reforçando que a mortalidade animal acontece no mundo inteiro e o que diferencia os países são os métodos empregados para diminuir os impactos gerados no descarte das carcaças. “O que tem de diferente é que alguns países estão muito mais avançados do que outros em relação a isso. O Brasil ficou praticamente 30 anos em cima daquelas composteiras de células enquanto as produções foram crescendo, as granjas aumentando e nada novo foi criado para sanar o problema da destinação dos animais mortos. Chegou um momento que já não dava mais”, analisa Krabbe.

De acordo com o chefe da Embrapa Suínos e Aves, na pecuária leiteira paranaense muitos produtores estão trabalhando com a compostagem de inteiros em duas pilhas, enquanto uma fica compostando, a segunda é montada. Depois de cerca de oito meses, o material da primeira pilha vira fertilizante para a lavoura, recomeçando todo o processo. “Granjas com 700 vacas estão trabalhando assim, isso mostra que é possível”, ressalta.

Escolha de tecnologias

Outro grande problema elencado por Krabbe é em relação a ociosidade no uso das tecnologias, uma vez que quando o produtor opta por tecnologias caras para pouca produção acaba onerando o seu custo. “Para quem trabalha com unidade reprodutora de leitões desmamados tem um custo bem elevado por quilo de animal processado, agora o produtor que tem uma unidade reprodutora de leitões com outro sistema de produção esse custo baixa pela metade. Quando o produtor tem uma matriz em um ciclo completo esse custo se divide de novo pela metade. Então a mesma tecnologia, dependendo do processo da granja, pode custar quatro vezes mais. Por isso é tão importante fazer uma boa escolha das tecnologias, que vai resultar em redução de custos em torno de R$ 0,03, R$ 0,04 e até R$ 0,05, dependendo do sistema de produção”, menciona, acrescentando que em frango de corte esse custo pode ser abaixo de R$ 0,02 e no caso de suínos em creches ou suínos em terminação esses valores podem ser em torno de R$ 0,02 a R$ 0,03. “São tecnologias que precisam ser implantadas, mais com cuidado na escolha”, alerta.

Compostagem

Estudos técnicos apontam que a compostagem é a proposta ambientalmente correta para o destino dos animais mortos sem doença. Trata-se de um processo controlado de decomposição, onde as carcaças são depositadas sobre matéria vegetal (podendo ser silagem, palha ou serragem, por exemplo) por um período de 180 a 240 dias. No entanto, Krabbe alerta que a compostagem não é um sistema milagroso, é preciso oferecer condições para a decomposição acontecer, como aeração e teor de umidade em torno de 50 a 60%.

Compostagem é um sistema eficiente, que funciona muito bem e a um custo baixo

Conforme Krabbe, na Embrapa foi montada uma composteira com uma área cercada, isolada em um espaço onde não tem grande trânsito de animais e em local afastado de fontes ou de cursos de água, forrada com serragem. “Não tem uma mosca, não tem cheiro e funciona muito bem”, diz, acrescentando: “Quase não vejo composteiras com sistemas de aspersão, essencial para promover a umidade. Se estiver tudo seco não vai compostar, já se umedecer vai funcionar perfeitamente”, relata.

Com o local da composteira delimitado e cercado, o aspersor pode ser instalado no teto da composteira, deixando o registro ligado entre dez e 15 minutos jorrando água, de duas a três vezes por semana. “Isso muda totalmente a dinâmica da composteira, é outra realidade, a eficiência será muito maior”, salienta o chefe da Embrapa Suínos e Aves.

A compostagem é um sistema eficiente, que funciona muito bem e a um custo baixo, mas para fazer uso desta rota segura o produtor precisa verificar junto aos órgãos fiscalizadores se essa tecnologia para destinação de animais mortos é aceita em sua região.

Outras tecnologias

Entre as tecnologias para pré-processamento das carcaças está o uso do triturador, utilizado para reduzir o volume do material, aumentando a eficiência dos sistemas de tratamento e diminuindo a mão de obra com o esquartejamento manual das carcaças.

O material triturado deve ser obrigatoriamente processado em sistema de tratamento de carcaças de animais mortos por biodigestão, compostagem tradicional ou acelerada.

Outro equipamento que possibilita controlar as variáveis do processo de compostagem, proporcionando segurança sanitária e ambiental, além de um composto final de elevado valor agronômico, é o rotoacelerador. Com as carcaças trituradas, o material é misturado à serragem ou outra matéria vegetal seca dentro do equipamento, que possui um reator cilíndrico com isolamento térmico, sistema automatizado para controle de rotação, de aeração e com possibilidade de tratamento dos gases de exaustão, podendo operar em sistema de batelada ou contínuo. O tempo médio de compostagem varia entre 21 a 28 dias.

Após a remoção do material compostado, o produto é depositado em leiras, onde será revolvido semanalmente até a sua maturação completa. Esse composto orgânico pode ser utilizado como fertilizante para adubação de culturas agrícolas e florestais. “O rotoacelerador é uma tecnologia de baixo custo, por exemplo, para a compostagem do frango o custo gira em torno de R$ 0,02 a R$ 0,03 por ave, porém tudo é uma questão de uso. Se o equipamento está muito ocioso, o custo sobe bastante, ou seja, é preciso dimensionar bem o uso do equipamento para a realidade da granja”, expõe Krabbe.

O tratamento térmico e redução do volume de carcaças por desidratação não ocorre por queima ou incineração das carcaças, o que não gera emissão de gases, apenas vapor d’água e gases provenientes da queima da lenha ou biogás utilizado como fonte de energia.

Esse equipamento por chegar até 120º graus e dependendo do tamanho pode comportar até 1000 kg de carcaças (suínos ou aves). O tempo de operação leva de duas a três horas para descontaminação completa. Dentro do equipamento existem “dentes” que cortam o produto e no fim do processo, o material está completamente triturado, como se fosse uma farinha.

Ao término do processo, o material desidratado deve ser encaminhado para tratamento por compostagem ou biodigestão anaeróbia. “Se você tiver uma baixa ociosidade, essa tecnologia para as aves vai custar em torno de R$ 0,01, por vezes até menos de R$ 0,01 para processar. E na suinocultura, o produtor consegue chegar entre R$ 0,01 e R$ 0,02. Então é uma tecnologia bastante eficiente e útil, que ajuda demais na biosseguridade e a custos muito competitivos”, frisa Krabbe.

Realidades diferentes no Brasil

Para todos os processos apresentados existem medidas estabelecidas por órgãos competentes em cada Estado e que devem ser respeitadas. Por exemplo, cita Krabbe, no caso de bovinos mortos é feito o recolhimento dos brincos, que funcionam como uma espécie de documento de trânsito de animais mortos, como se fosse uma GTA.

A remoção dos animais mortos do local de criação deve ser realizada de forma a minimizar os riscos sanitários ao rebanho e de acordo com normas de segurança do trabalho. No caso dos suínos, é preciso tirar os animais da granja, colocar na divisa da propriedade, onde deverá ser recolhido. A IRN de 2019/48 estabelece todas as regras do recolhimento da transformação. Os veículos devem ser higienizados e desinfetados para evitar o acúmulo de resíduos.

“Nós temos várias opções do ponto de vista da pesquisa, mas obviamente os produtores precisam respeitar o que os órgãos que fazem o licenciamento das granjas aceitam e consideram como validado dentro da região de competência desse órgão. Então existe tecnologia como o rotoacelerador, que funciona muito bem, é seguro; existe desidratadores, hidrólise – onde você transforma o animal inteiro em líquido. E você tem outras opções, inclusive o uso de carcaças em biodigestores é possível, com um ganho significativo em produção de gás”, afirma, dizendo que todas essas alternativas devem estar muito sintonizadas com a realidade de cada local. “E a depender do sistema usado tem uma grande possibilidade de uso como fertilizantes, de condicionantes do solo, gás etc., têm muitas tecnologias que podem sair destes processos, no entanto, a carcaça é um grande risco do ponto de vista de biosseguridade, por isso é necessário que se faça um trabalho muito sério com relação a isso”, enfatiza Krabbe.

As pesquisas da Embrapa Suínos e Aves são feitas no âmbito do projeto Tecnologias para destinação de carcaças (TEC-DAM) e contam ainda com a participação da Embrapa Gado de Leite (MG) e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Fonte: O Presente Rural

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Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano debate momento histórico de progresso para o setor

Evento em Foz do Iguaçu (PR), de 14 a 16 de abril, destaca novo patamar para o biocombustível, a partir das oportunidades e desafios das recentes conquistas regulatórias.

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Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano é anual e itinerante nos três estados do Sul - Foto: César Silvestro

Foz do Iguaçu (PR) será palco do 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano (FSBBB) entre terça (14) e quinta-feira (16). Serão 48 horas de programação. Em nove painéis, sendo o primeiro “Biogás, Biometano e Políticas Públicas”, especialistas apresentarão contribuições para o debate sobre o futuro do setor. Inscrições podem ser feitas clicando aqui.

Foto: Divulgação/UQ Eventos

No Espaço de Negócios, mais de 60 expositores vão mostrar produtos, serviços, equipamentos e resultados de projetos para a cadeia do biogás. Nas visitas técnicas, os participantes irão conhecer de perto sete unidades geradoras de biogás, instaladas em seis municípios do Oeste do Paraná.

Recentes avanços na legislação, especialmente a Lei do Combustível do Futuro, abrem mercado, atendem demandas históricas do setor e dão ao biometano a oportunidade de protagonismo na transição energética brasileira. Na mesma intensidade das oportunidades, essas mudanças também propõem desafios.

Para o biometano atingir seu potencial de ser um dos combustíveis dessa nova era energética, vai precisar investir na qualidade do produto e dos processos, na capacidade produtiva para atender à demanda e na estrutura para aumentar a sua abrangência em um país de proporção continental. E esse “futuro” proposto pela legislação tem a urgência do “presente”. É com foco nos desafios que o 8° FSBBB define o tema central da edição: Biometano: bem feito, suficiente, bem distribuído.

São mais de 800 participantes inscritos nesta edição, que tem confirmada a presença de público de 16 países. O evento, no Bourbon

Foto: César Silvestro

Thermas Eco Resort Cataratas do Iguaçu, reunirá especialistas, produtores de biogás, pesquisadores e representantes dos setores público e privado.

O coordenador-geral do Fórum, Felipe Souza Marques, diretor-presidente do Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), de Foz do Iguaçu, destaca que o debate é fundamental, levando-se em conta as novas oportunidades para o setor. “Estamos vivendo um momento decisivo para o biometano. A demanda que virá é uma conquista de muito esforço do setor, que agora precisa responder à altura, com produtividade, qualidade e estratégia de distribuição. Temos muito a crescer se soubermos aproveitar essa oportunidade”, afirma Felipe.

Mais unidades produtoras
Em 2024, houve um acréscimo de 248 novas unidades de produção de biogás no Brasil, de acordo com o Panorama do Biogás, elaborado pelo Centro Internacional de Energias Renováveis (CiBiogás). No total, são 1.633 plantas. O setor se amplia principalmente a partir de unidades produtoras de pequeno e médio porte, embora as grandes plantas concentrem a maior parte da produção. O biogás está presente em 611 municípios e 24 estados. Os três estados do Sul do Brasil estão entre os 10 mais representativos em número de plantas de biogás: PR (490), SC (130) e RS (81).

Foto: Leonardo Leite

O setor representa uma solução energética eficiente e sustentável e constitui alternativa segura para a disponibilidade de combustível e de biofertilizantes ao País. “Os conflitos mundo afora e seus impactos colocam o biogás, o biometano e o digestato em um novo patamar. Disponibilidade regional passa a ser questão-chave. Dependência de importação é um risco ao qual o Brasil deve estar atento, especialmente no que se refere aos transportes e ao agronegócio”, destaca Felipe Marques.

Dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás) indicam que há potencial no país para a produção de 120MMm³/dia de biometano, principalmente a partir dos segmentos sucroenergético, de proteína animal e agrícola.

Potencial do setor na programação
Além de painéis, o Fórum contará com um Espaço de Negócios, a premiação Melhores do Biogás Brasil e o Momento Startups. O último dia será reservado às visitas técnicas.

Foto: Leonardo Leite

Realizado pelo CIBiogás, pela Embrapa Suínos e Aves, e pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), o Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano é organizado pela Sociedade Brasileira dos Especialistas em Resíduos das Produções Agropecuária e Agroindustrial (SBERA). O Fórum é anual e itinerante nos três estados do Sul.

Por dentro da programação do 8º FSBBB

Painéis temáticos:

– Biogás, Biometano e Políticas Públicas
– O Mercado dos Certificados
– Mobilidade a Biometano
– Energia Elétrica – Novas Abordagens
– O negócio dos Substratos e as Culturas Energéticas
– Investimentos na Cadeia de Biogás e Biometano
– Indústria do Biogás
– Biometano e Gás Natural
– Biogás na Prática
– Oportunidades e Desafios Setoriais

Prêmio Melhores do Biogás Brasil – Nesta edição haverá entrega do prêmio em cinco categorias, sendo duas inéditas: Consumidor de Biogás/Biometano e Mobilidade com Biometano, além de Profissional, Organização e Plantas/Unidades Geradoras de Biogás (incluindo as subcategorias Saneamento, Pecuária e Indústria).

Foto: Leonardo Leite

Startups de Biogás – O Momento Startups, uma iniciativa do Fórum em parceria com o Pollen – Parque Científico e Tecnológico de Chapecó (SC), da Unochapecó, e Agência de Inovação da Universidade de Caxias do Sul (RS), terá três startups apresentando soluções inovadoras para a cadeia do biogás.

Espaço de Negócios – Destinado para expositores apresentarem suas marcas, produtos, serviços, equipamentos e resultados de projetos. Acontece entre as plenárias e permite a troca de ideias, além de oportunizar negócios e parcerias.

Visitas Técnicas – Na quinta-feira (16) será dedicado às visitas técnicas, em quatro roteiros na região: nas unidades de biogás nas cooperativas Frimesa e Copacol, nos municípios de Medianeira e Jesuítas, respectivamente; em Toledo, nas plantas Biokohler/Biograss e Central Bioenergia de Toledo; em Santa Helena, na Granja Haacke e em Itaipulândia, na Usina Rui; e na UD Itaipu, em Foz do Iguaçu.

Pré-eventos – Na segunda-feira (13) está programada uma agenda de reuniões, encontros e workshop, reunindo agentes da cadeia do biogás sobre energia elétrica, transporte com biometano no agronegócio, laboratórios e o Encontro Mulheres do Biogás.

Foto: Leonardo Leite

Panorama do Biogás – Na quarta-feira (15) vai ocorrer o lançamento do Panorama do Biogás no Brasil 2025, documento elaborado pelo CIBiogás que apresenta os dados sobre a produção e aproveitamento energético.

Para saber mais:

O que é biogás

O biogás é formado a partir da decomposição da matéria orgânica, por microrganismos, gerando uma mistura gasosa rica em gás metano, que pode ser usado em substituição aos compostos de origem fóssil e não renovável. Pode ser usado como fonte de calor (ex: aquecimento da água, em caldeiras industriais) ou mesmo na produção de energia elétrica renovável, distribuída na rede. 

Foto: Divulgação

Em paralelo, o biogás pode ser purificado e usado diretamente como combustível veicular em substituição ao GNV. Atualmente, pesquisas mostram potenciais ainda maiores do biogás, podendo ser matéria-prima para produzir hidrogênio e amônia verde ou mesmo precursor de SAF (Combustível  Sustentável de Aviação).

A produção do biogás ocorre no biodigestor e o material digerido, chamado de digestato, possui valor agronômico e torna o processo circular, o que amplia a sustentabilidade das cadeias produtivas envolvidas.

Quem pode produzir biogás

Os substratos utilizados para produção de biogás no Brasil estão divididos em três categorias:

Agropecuária – Envolve as atividades de criação de animais como avicultura, bovinocultura, suinocultura, ovinocultura, dentre outros.

Indústria – Contempla abatedouros e frigoríficos, usinas de açúcar e etanol, fecularias e amidonarias, cervejarias, indústrias de óleo vegetal, gelatina, entre outros.

Saneamento – Contempla os aterros sanitários (RSU), as usinas de tratamento de resíduos orgânicos e as estações de tratamento de esgoto (ETE).

Fonte: Assessoria FSBBB
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Reforma tributária passa a taxar insumos do agro e pressiona custos no campo

Tributação de até 10% sobre fertilizantes, sementes e defensivos preocupa setor produtivo.

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Desde 1º de abril, insumos essenciais à produção agropecuária, como fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas, deixaram de contar com a isenção dos impostos Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). A mudança faz parte da reforma tributária, em vigor desde o início do ano. Diante do início da tributação, o Sistema Faep pede que o governo federal prorrogue o prazo para cobrança.

“O momento de iniciar a cobrança é totalmente descabido. Há diversos fatores geopolíticos que estão influenciando negativamente o fornecimento dos insumos, gerando transtornos no meio rural e alta dos custos ao produtor rural. Por isso, é necessária a revisão dessa medida e a prorrogação do prazo para a tributação”, diz o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Com o fim da isenção, esses insumos passaram a ser tributados em 0,925%, podendo chegar a até 10%, dependendo do regime tributário adotado pelo produtor. Na prática, a medida encarece diretamente o custo de produção, especialmente em culturas intensivas em tecnologia, como soja, milho e algodão.

Esse aumento do imposto sobre fertilizantes ocorre em um momento em que Rússia e China, maiores fornecedores do produto no mundo, estão restringindo as exportações. O Brasil é diretamente impactado por esse cenário global. Atualmente, 85% dos fertilizantes utilizados no país são importados, o que torna o setor vulnerável a oscilações de preços e restrições de oferta causadas por fatores geopolíticos, como conflitos internacionais.

Meneguette atenta para o fato de que, do ponto de vista econômico, tributar insumos estratégicos equivale a tributar a produção antes mesmo do plantio. Além disso, o resultado é um aumento do custo marginal da produção agrícola, que tende a se propagar ao longo de toda a cadeia, resultando em inflação e alta dos alimentos a população.

“É fundamental a suspensão temporária ou a prorrogação da cobrança de PIS e Cofins sobre fertilizantes e insumos estratégicos, enquanto persistirem condições adversas no mercado internacional. Isso é uma decisão estratégica para o setor continuar produzindo com qualidade e eficiência”, complementa o presidente do Sistema Faep.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Copel cria canal exclusivo para produtor rural após articulação do Sistema Faep

Agricultores e pecuaristas relatam atendimento mais ágil, que permite reduzir impactos das quedas de energia e prejuízos no campo.

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Desde 6 de abril, os produtores rurais do Paraná têm um canal exclusivo de comunicação com aCopel. O Copel Agro faz parte de um plano de ações da empresa voltado à redução dessas ocorrências no campo. A iniciativa atende a reivindicação do Sistema Faep, diante dos recorrentes episódios de queda de energia em áreas rurais do Paraná e dos prejuízos milionários dentro da porteira.

A expectativa é que, com o Copel Agro, as respostas aos produtores rurais sejam rápidas com atendimento das demandas com mais eficiência. O canal conta com 30 especialistas disponíveis 24 horas por dia para atender os agricultores. O contato pode ser feito pelo telefone 0800 643 76 76 ou pelo WhatsApp (41) 3013-8970. O atendimento é exclusivo para produtores rurais, especialmente aqueles que atuam com proteína animal, como frango, suíno, leite e peixe.

“Nos últimos meses, as quedas de energia causaram prejuízos enormes aos nossos produtores rurais. Diante dos relatos constantes desses problemas, o Sistema Faep buscou a Copel para a construção de um plano com ações que ajudem o agricultor e pecuarista no momento de queda de energia. Esse canal faz parte desse trabalho, com perspectiva de facilitar e dar agilidade no contato, principalmente na hora de notificar problemas”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Essa é uma conquista importante para os nossos produtores rurais, pois a energia é um insumo fundamental nas atividades dentro da porteira. Vamos continuar acompanhando o cenário, para garantir mais investimentos no meio rural”, complementa.

Max Alberto Cancian, produtor de tilápias de Marechal Cândido Rondon

Max Cancian aprovou o novo canal de comunicação da Copel, com resultados rápidos e atendimento humanizado

Apesar de estar disponível há poucos dias, o serviço já tem registrado resultados positivos. O produtor de tilápias Max Alberto Cancian, de Marechal Cândido Rondon, na região Oeste do Paraná, utilizou o novo canal e aprovou a iniciativa, principalmente o atendimento humanizado. “Um profissional entende melhor o que estamos passando. Conseguimos explicar a gravidade da situação. Na minha experiência, a resposta foi rápida”, conta.

Cancian relata que as quedas de energia ocorrem de duas a três vezes por semana na região, gerando prejuízos. “Já tive muitos equipamentos queimados por causa da oscilação. Esse tipo de perda até é ressarcido pela Copel, mas o gasto com diesel para manter o gerador ligado é alto e não é reembolsado, o que acaba sendo repassado ao consumidor final”, afirma. “Esse novo canal é uma ferramenta importante, mas o ideal é melhorar o serviço para que o produtor não precise acioná-la”, completa.

Rosimeri Draghetti, piscicultora de Santa Helena

Depois de acumular prejuízos, Rosimeri Draghetti identificou melhoras no atendimento da Copel com o novo canal

A piscicultora Rosimeri Draghetti, de Santa Helena, também percebeu melhora no atendimento. Antes de adquirir um gerador, ela acumulou prejuízos com a mortalidade de peixes causada pela falta de energia. “A comunicação antes era muito ruim. Na propriedade não temos sinal de telefone, só internet, e o atendimento pelo WhatsApp demorava bastante. Já ficamos até três dias sem energia. Agora, ao entrar em contato, fui direcionada para esse canal específico do produtor rural”, afirma.

Rosimeri lembra que as longas interrupções sempre geraram preocupação, mesmo com o uso de gerador. “A última queda foi às 22h30 e a energia só voltou às 7h43 do dia seguinte. Desta vez, voltou em duas horas. Isso é importante, pois o gerador é para emergência, não para sustentar a produção por mais de 24 horas”, relata.

Mais ações previstas

O plano elaborado pela Copel em parceria com o Sistema Faep e outras entidades do setor produtivo prevê um conjunto de ações voltadas à melhoria do atendimento e do fornecimento de energia no meio rural. Desde o início do ano, Sistema Faep, Ocepar e Fiep realizam reuniões semanais com a Copel para estruturar um plano alinhado às demandas.

De acordo com Luiz Eliezer, técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estabelece limite médio de oito horas sem energia por ano no Paraná. No entanto, nas propriedades rurais, esse número pode chegar a 40 horas anuais.

“As principais reclamações dos sindicatos rurais envolvem quedas de energia, oscilações e demora no religamento. Levamos essas demandas para as reuniões para que o plano atenda, de fato, às necessidades do produtor. A energia é um insumo essencial ao agricultor, que representa cerca de 25% dos custos de produção”, destaca Eliezer.

As ações previstas serão implementadas a curto, médio e longo prazos e foram estruturadas com base em temas considerados prioritários: poda de vegetação, financiamento, reforço de equipe, comunicação, cadastro, capacitação técnica, tecnologia, geração distribuída, investimentos em subestações e cronograma.

Outro avanço envolve um projeto de lei que retira dos produtores rurais a responsabilidade pelo manejo da vegetação próxima às redes de energia elétrica. O projeto de Lei 189/2026, de autoria dos deputados estaduais Hussein Bakri, Alexandre Curi, Fábio Oliveira, Moacyr Fadel e Evandro Araújo, altera a Lei Estadual 20.081/2019 e estabelece que a poda, manejo e supressão de árvores, em um raio de até 15 metros das redes de distribuição passem a ser responsabilidade das concessionárias. O projeto já está em tramitação na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e deve ser aprovado ainda neste mês.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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