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Desmame é uma questão de estratégia

Protocolo promete desmama precoce aos 90 dias. Medida melhora índices de fertilidade e natalidade no rebanho

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O Brasil é uma grande fazenda com um rebanho de 218 milhões de cabeças de bovinos, sendo pelo menos 70 milhões de vacas e 45 milhões de bezerros. Mas está faltando bezerro no mercado e, consequentemente, de boi gordo. No Brasil, menciona o diretor Técnico da Trouw Nutrition, Marco Antônio Balsalobre, se abate pouco bovino até dois anos, que hoje representa 21 milhões de animais. Por outro lado, há 18 milhões de novilhas de 2 a 3 anos, 14 milhões de bois de 2 a 3 anos, 10 milhões de novilhas de 3 a 4 anos, 8 milhões de bois de 3 a 4 anos e 7 milhões de 4 anos, além de cerca de dois milhões de touros.

Os números que parecem não ser tão bons com relação à distribuição da faixa etária dos animais são inerentes ao sistema. Assim, o desafio é melhorar a distribuição do rebanho. Basalobre ressalta que é preciso focar no fato que das 70 milhões de vacas, há uma taxa de aproximadamente 60% de desmame, 64% de natalidade e 70% de fertilidade. Porém a fertilidade não reflete a natalidade porque há perdas durante a gestação. “É possível melhorar a taxa de desmama e com isso a fertilidade”, acredita Balsalabore.

Se analisar a eficiência reprodutiva entre as idades das vacas, a taxa de desmama é maior em novilhas e em vacas a partir da terceira cria. Há uma taxa alta de prenhez de novilhas, cerca de 80%, enquanto em primíparas é de 35%. Em segunda cria aumenta para 55%. Os números refletem a necessidade de fazer um melhoramento. Nesse contexto, ele cita que há alguns pontos críticos: pressão de seleção baixa, tanto para vacas quanto touros; baixa oferta de forragem e variação climática, baixo nível de suplementação e longo período de gestação (no caso dos zebuínos). No mesmo sentido, ele apresenta algumas sugestões de manejo para ajudar no impasse. O primeiro é melhorar a seleção de rebanho, depois aumentar a oferta de forragem e, ainda, suplementar adequadamente a nutrição das matrizes.

Fertilidade

Cuidar bem da matriz tem um foco, que é gerar bezerros mais saudáveis. E é possível ser melhor ainda. Hoje em dia há protocolo tecnológico que possibilita desmame em 90 dias e não em 180 ou 210 dias. O sistema não apenas permite o desmame precoce com bezerros de alta viabilidade, como também apura o desempenho das vacas com baixas taxas de fertilidade, principalmente as com índices menores que 50%. O raciocínio é lógico, explica Basalobre: com a remoção do bezerro aos 90 dias, a energia que a fêmea destina à produção de leite é redirecionada para a reprodução. Com isso, a vaca supera o balanço energético negativo com mais rapidez e reduz a perda de massa corporal no pós-parto. Em consequência, os índices de fertilidade do rebanho melhoram. “Se o bezerro sai do pé da vaca antes, a recuperação da matriz será adiantada e ela chegará com mais vitalidade para a estação de monta”, acrescenta.

A zootecnista e mestre em Ciência Animal, Josiane Lage, que é Supervisora de Pesquisa e Desenvolvimento da Trouw Nutrition, também explica que, para uma vaca ciclar e emprenhar, ela precisa atender, através dos nutrientes ingeridos, uma escala de importância em sua exigência nutricional, que são: manutenção, lactação, crescimento e, por fim, reprodução. A lactação é um dos principais drenos energéticos e um dos maiores causadores da baixa taxa reprodutiva dos rebanhos. Isso porque, muitas vezes, os animais são mantidos com dietas de baixa concentração energética, que impacta em tempos maiores de balanço energético negativo e redução na condição corporal para valores abaixo dos considerados limitantes (de 4 para baixo em uma escala de 1 a 9). “Assim, enquanto está em lactação, parte das energias é destinada para manter o processo. Se estivesse seca antes, chegaria à estação de monta em melhor estado físico e fisiológico”, ressalta.

Desmame

O desmame precoce, então, visa, entre outros aspectos, diminuir o intervalo entre o parto e a concepção. O protocolo desenvolvido para o Brasil pela Bellman, que permite o desmame completo do bezerro aos 90 dias prevê o suplemento alimentar com rações específicas, conforme a fase do animal. “É preciso seguir um protocolo específico. A ração vai garantir todos os nutrientes ao bezerro”, explica.

Além da nutrição ideal para o bezerro, a desmama precoce vai exigir que o pecuarista implante estrutura de creep-feeding atendendo a exigência de pelo menos 30 centímetros de cocho por bezerro. Como a desmama acontece justamente no período das águas, a recomendação é para a implantação de cobertura nos cochos, ou cuidado redobrado por parte dos manejadores. O importante é que o produto não fermente no cocho para não ser refugado pelo bezerro.

Josiane alerta que para o resultado ser satisfatório, o protocolo deve ser seguido rigorosamente, com o fornecimento da ração adequada em cada fase, tendo em vista que o leite será retirado da dieta do bezerro. A intenção é adaptar o animal com o consumo de concentrado, antes que o leite seja retirado. “Embora o leite atenda às exigências do bezerro para determinado crescimento, os nutrientes ingeridos estão abaixo do potencial de ganho desses animais”, explica.

 

Mais informações você pode encontrar na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2015 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações

Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

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Foto: Ana Maio

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.

As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso

Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.

Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.

Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.

Fonte: O Presente Rural com informações Consultoria Agro Itaú BBA Agro
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais

Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

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Foto: Carlos Eduardo Santos

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).

O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.

O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.

O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.

A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.

Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.

O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira

Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

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Foto: Julio Palhares

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.

O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.

De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.

A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.

O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sudeste
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