Suínos
Desmamar mais leitões que o número de tetos: realidade ou marketing?
Com a alta produtividade das matrizes, o manejo de mães de leite passou então a ser uma opção para o produtor, para a integração e para a indústria, permitindo uma adaptação inteligente e eficaz, aumentando a produtividade e lucratividade de maneira consistente.

Quando a DB Agricultura e Pecuária, iniciou sua parceria com a dinamarquesa DanBred, em 1995, desde as primeiras impressões até a sua afirmação no mercado, poucos anos depois, como a matriz suína hiperprolífica com maior número de nascidos e nascidos vivos do mercado, muitos questionamentos e paradigmas vem sendo quebrados e novos conceitos consolidados de maneira irrefutável.
Naquela época, quando se falava em 30 desmamados fêmea ano, muitas vezes soava leviano. Era muito distante da realidade que se vivia nas granjas brasileiras. No entanto, este discurso era embasado no potencial genético dos animais que fora observado na Dinamarca e entendia-se que, embora as condições de produção não fossem as mesmas do Brasil, seja em aspectos tecnológicos ou nutricionais, disponibilidade de matérias primas, ambiência, etc., seria possível alcançar os mesmos patamares observados naquele país.
Desde então, testemunhou-se o crescimento da produção destes animais na DB, assim como sua atuação dentro dos mercados mais importantes do país. A fêmea DB-DanBred, conquistou seu espaço e consolidou-se através de diferenciais únicos das suas características reprodutivas, fruto de um trabalho de melhoramento genético exclusivo, como a metodologia LV-5® (leitões vivos ao 5® dia) ou LP-5®(live piglets on 5th day).
O progresso genético DB-DanBred segue avançando e observa-se incrementos significativos em nascidos vivos a cada geração, como pode ser observado na Figura 1, que mostra os dados das Granjas Tivoli e Ibicuí, com plantel 100% importado.

Um novo conceito
Com a alta produtividade das matrizes, o manejo de mães de leite passou então a ser uma opção para o produtor, para a integração e para a indústria, permitindo uma adaptação inteligente e eficaz, aumentando a produtividade e lucratividade de maneira consistente. No entanto, com o incremento constante de nascidos nas gerações subsequentes (LV5®®/LP5®), há um novo desafio: existe um limite para se trabalhar o percentual de mães de leite? O que fazer?
Surge assim um novo conceito, uma nova forma de se trabalhar e quebrar paradigmas! A DB-DanBred, está trazendo ao mercado brasileiro, um manejo inovador e que vem apresentando resultados surpreendentes: trabalhar e desmamar 1 ou mais leitões, em relação ao número de tetos viáveis da matriz. Esse manejo visa aproveitar todo o potencial genético das matrizes DB, como prolificidade, habilidade materna e produção de leite. Lembrando que, possuir um aparelho mamário com inúmeros tetos, não é sinônimo de maior produção leiteira, nem tampouco maior número de desmamados.
O manejo, denominado “Desmame + DB”, consiste em permitir que a matriz DB tenha condições de desmamar de 15 a 16 leitões “ao pé”, atingindo médias superiores a 35 DFA. Mas, como surgiu este conceito? Realidade ou marketing?
No ano de 2018, a DanBred apresentou a impressionante média de 17,2 leitões nascidos vivos na Dinamarca e, durante o mesmo período, os relatórios revelaram que cerca de 12 leitões foram desmamados por fêmea nos rebanhos dinamarqueses. Desde então surgiu a dúvida: As fêmeas DanBred seriam capazes de amamentar mais leitões do que o número de tetos?
Empenhados em responder este questionamento, o Danish Pig Research Centre (DPRC), realizou um estudo em 2020, no qual as porcas foram divididas em dois grupos, de acordo com o número de tetos: um grupo de fêmeas de 14 e outro de 15 tetos funcionais (Moustsen & Nielsen, 2020). Durante a lactação, todas as leitegadas destas fêmeas foram equalizadas em 15 leitões, independentemente do número de tetos funcionais. Os leitões tiveram acesso à ração seca desde a primeira semana de vida, mas nenhum tipo de sucedâneo lácteo foi adicionado. Os leitões foram destinados às fêmeas no primeiro dia após o parto e desmamados aos 21 dias de idade.
Os resultados deste estudo foram surpreendentes. Não houve diferença estatística (p=0,61) no número de leitões desmamados ou no peso da leitegada ao desmame (p=0,31), quando foram adicionados 15 leitões lactentes “ao pé” nas matrizes que possuíam 14 ou 15 tetos viáveis; com a média de peso ao desmame por leitão de 6,5 kg para os dois grupos testados. Sabe-se que o ganho de peso diário da leitegada é influenciado diretamente pela produção de leite da matriz e neste estudo, confirmou-se que além de ser possível desmamar mais leitões do que o número de tetos, o manejo, no Brasil denominado “Desmame + DB”, também não altera o peso ao desmame.
Onde Começamos
Trazidos ao Brasil, os dados dinamarqueses foram a base sólida para implantação desta nova forma de trabalhar. Com o povoamento da nova granja núcleo DB-DanBred (Granja Tivoli), com 100% do rebanho importado, o número de leitões das 50% melhores porcas ao primeiro parto atingiu a média de 20,23 nascidos vivos. Por ser uma nova instalação, que aloja apenas animais importados e com o alto número de leitões nascidos vivos, apresentava-se ali o desafio, pois não haveria mães de leite, mas também a oportunidade de se trabalhar o que fora apresentado na Dinamarca. Os resultados foram também surpreendentes, 14,8 desmamados “ao pé”.
Entre 2019/2020, em uma visita técnica realizada à Granja Folhados (Patrocínio-MG), sob gerência de Luiz Carlos Crestani e consultoria técnica do Eduardo Raele de Oliveira, e referência em produtividade com animais DB, apresentou-se o trabalho que se praticava na Dinamarca, onde o número de leitões desmamados “ao pé” era superior ao número de tetos, com desempenhos de leitegada semelhantes ou superiores ao manejo tradicional.
Prontamente o desafio foi aceito, readequações de manejo e treinamentos internos realizados e dentro de um ano, começaram a surgir os primeiros resultados em granjas comerciais DB-DanBred. Na Figura 2, pode-se observar o número de leitões desmamados da Granja Folhados (linha preta tracejada) sobre o percentual de matrizes avaliadas (barras em escala de cinza). Nota-se que em relação ao número de desmamados “ao pé”, 48,08% das matrizes avaliadas desmamaram com 15 leitões, 34,62% com 16 leitões, 11,54% matrizes com 17 e 3,85% com 19 leitões, enquanto apenas 1,92% das fêmeas avaliadas desmamaram 13 leitões. Na Tabela 1 foi apresentado o desempenho reprodutivo destas matrizes submetidas a avaliação.


A eficiência da fêmea DB DanBred, também dentro das condições brasileiras, se mostra mais uma vez instigante e motivadora, onde se busca produzir mais e com o menor custo por animal produzido, pela sua capacidade de entregar um maior número de leitões ao desmame, com desempenhos em fases subsequentes que evoluem ano após ano.
O método de trabalho, as inovações em manejo e resultados mais recentes, sobre o Manejo Desmame + DB, serão apresentados, em breve, em um novo material técnico DB DanBred.
Referência: Moustsen, V. A. & Nielsen, M. B. F. Udnyt potentialet: søer kan passe 15 grise. SEGES, n. 1197, 2020. editorial editorial.

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Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso
Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.
Suínos
Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores
Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.
A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”
Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.
A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.
Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.
Recomeço em outro país
Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.
O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”
A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.
A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.
Escola, trabalho e novas oportunidades
Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.
A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida
Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.
Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.
A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.
Reconhecimento e qualidade de vida
Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.
A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.
O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.
Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.
Integração além da porteira
Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.
Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.
O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.
Planos para ficar
Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.
Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.
Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.
A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.
Suínos
Da creche à sustentabilidade, 6º Encontro Técnico Abraves-SP apresenta estratégias para aumentar eficiência das granjas
Evento em Pirassununga (SP) vai discutir manejo de leitões leves, sanidade, nutrição e sistemas de produção para apoiar decisões técnicas na suinocultura.

Melhorar a produtividade sem comprometer a sanidade do rebanho exige decisões técnicas em todas as etapas da produção. Manejo de leitões, nutrição, biosseguridade e gestão dos sistemas de criação estão entre os fatores que determinam o desempenho das granjas e influenciam diretamente os custos e os resultados da atividade.
Diante desse cenário, a atualização técnica tornou-se uma ferramenta cada vez mais importante para médicos-veterinários, zootecnistas, consultores e produtores, que precisam incorporar novos conhecimentos à rotina das granjas.
Esses temas estarão em debate no 6º Encontro Técnico Abraves-SP, que será realizado em 09 de setembro, no campus da Universidade de São Paulo (USP), reunindo profissionais da cadeia suinícola para discutir soluções aplicáveis aos sistemas de produção.
Entre os destaques da programação está a palestra do médico-veterinário Vinícius Cantarelli, que abordará estratégias de manejo de leitões leves na fase de creche, uma etapa decisiva para o desempenho dos animais ao longo do ciclo produtivo.
O médico-veterinário Caio Abércio da Silva discutirá a sustentabilidade dos sistemas de produção, apresentando abordagens voltadas à eficiência técnica, econômica e ambiental da suinocultura.
Promovido pela regional paulista da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (ABRAVES), o encontro busca aproximar pesquisa científica e prática de campo, oferecendo aos participantes ferramentas para aprimorar a tomada de decisão nas granjas.
A programação completa e as inscrições estão disponíveis aqui.








