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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Desmama racional diminui estresse e melhora bem-estar

Essa forma de desmama, chamada de racional, diminui o estresse causado pela separação e melhora o bem-estar

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Arquivo/OP Rural

Avaliações de temperamento realizadas na Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos, SP, apresentaram resultados satisfatórios em bezerros desmamados de forma menos estressante. A reatividade foi menor do que a dos bovinos desmamados pelo método tradicional. Os bezerros de corte, com cerca de oito meses de idade, são separados da vaca apenas por um corredor, em pastos diferentes, onde a mãe e o filho mantêm contato visual, auditivo e olfativo. Essa forma de desmama, chamada de racional, diminui o estresse causado pela separação e melhora o bem-estar.

Segundo a pesquisadora Cíntia Marcondes, existem diversos métodos de desmama. No tradicional, o bezerro é apartado da mãe e levado a locais distantes, para que não haja nenhum tipo de contato. Para minimizar o estresse, é comum o pecuarista colocar algumas vacas (que não são suas mães) junto aos bezerros para servirem de “madrinhas”. No entanto, os problemas causados pela separação continuam.

Na desmama tradicional é comum que tanto as vacas como os bezerros permaneçam vocalizando durante dias. Muitos animais, ao ouvirem o berro dos filhos, arrebentam cercas para irem ao seu encontro. Nesse percurso, há grandes chances de sofrerem acidentes. Além disso, os animais passam mais tempo caminhando e estressados. Com isso, deixam de se alimentar, ruminar e descansar, causando prejuízos econômicos ao produtor. O estresse reduz o ganho de peso do bezerro e afeta sua imunidade, deixando-o mais vulnerável a doenças.

Para confirmar os benefícios da desmama racional, são realizadas avaliações de temperamento. No teste são analisadas informações de reatividade animal em ambiente de contenção móvel. Os animais submetidos a desmama racional foram menos reativos que o grupo da tradicional. Bovinos reativos têm menor ganho de peso diário, desempenho reprodutivo inferior, resistência mais baixa a ecto e endoparasitas que animais mansos. Além disso, o manejo é mais difícil e os riscos de acidentes de trabalho são mais altos.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2019 ou online.

Fonte: Embrapa Pecuária Sudeste
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Bovinos / Grãos / Máquinas Tecnologia

Forrageiras adaptadas evitam desmatamento de 23 milhões de hectares na Amazônia

Tecnologias permitiram mais do que triplicar a taxa de lotação dos pastos, possibilitando aumentar a produtividade sem precisar expandir a área de pastagem

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Carlos Maurício de Andrade

Cultivares de gramíneas desenvolvidas pela Embrapa têm ajudado produtores rurais da Amazônia a manter a atividade pecuária produtiva mesmo em áreas com encharcamento, problema que causa a degradação e morte de pastagens na região. Adaptadas a solos com baixa capacidade de drenagem, essas gramíneas apresentam boa resistência no pasto e elevada produção de forragem de qualidade, características que proporcionam vida longa às pastagens e aumentam a sua capacidade de suporte. Em propriedades rurais do Acre, essas tecnologias mais que triplicaram a taxa de lotação do pasto, que subiu de uma para 3,6 Unidades Animal (UA) por hectare, com ganhos para as famílias rurais e para o meio ambiente. Esse aumento de produtividade evitou a abertura de novas áreas para a formação de pastagens. Estima-se que foram poupados 23 milhões de hectares de floresta, que não precisaram ser desmatados.

Estudos sobre a degradação de pastagens, com foco no desenvolvimento de soluções tecnológicas, são realizados pela Embrapa desde 1990, por meio de diferentes projetos executados em diversos estados, em parceria com a Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras (Unipasto) e outras instituições do setor produtivo. Como resultado desse esforço integrado de pesquisa, nos últimos 20 anos foram disponibilizadas para o mercado 14 cultivares de forrageiras dos gêneros ArachisBrachiaria, Cynodon e Panicum, recomendadas para cultivo em solos encharcados, característicos da Amazônia. Entre essas tecnologias estão a grama-estrela-roxa e os capins BRS Xaraés, BRS Piatã, BRS Zuri, Humidícola e Tangola, que integram a lista das gramíneas mais cultivadas na região.

“Além de proporcionar longevidade às pastagens, as forrageiras resistentes ao encharcamento também sãotolerantes a pragas e doenças e se destacam pela qualidade nutricional da forragem, devido ao elevado teor de proteína bruta. Esses fatores melhoram a dieta animal e influenciam positivamente a produção e a rentabilidade dos sistemas pecuários da região”, afirma o pesquisador da Embrapa Acre, Carlos Maurício de Andrade.

Resultados na produção

As forrageiras adaptadas desenvolvidas pela Embrapa atendem a diferentes particularidades dos solos de propriedades rurais amazônicas, desde áreas relativamente úmidas até aquelas em condições extremas de encharcamento. Na busca por alternativas para tornar o pasto mais produtivo em solos sujeitos ao encharcamento, pecuaristas da região apostaram no uso dessas forrageiras tanto para recuperação de pastos degradados como para formação de novas áreas de pastagem.

Um desses capins resistentes, o BRS Piatã, conquistou a preferência do produtor Edmar Cordeiro, proprietário da Fazenda Paloma, localizada a 100 quilômetros de Rio Branco (AC). Em 2007, ele elegeu a forrageira para substituir os quatro mil hectares de pastagem de capim-braquiarão, existentes. Para diversificar a alimentação do rebanho, há três anos também cultiva a grama-estrela-roxa e o capim BRS Zuri, gramíneas com boa adaptação a solos com capacidade intermediária de drenagem, predominantes na propriedade.

“Durante muitos anos convivemos com prejuízos na atividade, devido à degradação e morte das pastagens. Testamos inúmeras variedades de capins disponíveis no mercado, até chegar às gramíneas adaptadas. Com essas forrageiras, ampliamos a oferta de alimento para o gado, que passou a engordar mais, em menos tempo, e dispomos de pasto de qualidade por longos períodos. Outro ganho proporcionado por essas tecnologias foi o aumento da taxa de lotação das pastagens, de uma para duas Unidades Animal (UA)/hectare, sem adubação, e para 3,7 UA/ha em solo adubado”, destaca o pecuarista.

Na fazenda Batista, localizada no quilômetro 90 da Estrada Transacreana (Rio Branco/AC), o produtor Edilson Alves de Araújo encontrou no capim Xaraés a solução para obter pasto de qualidade em solos extremamente encharcados. Há 13 anos investe na substituição de antigas pastagens de capim-braquiarão por essa forrageira resistente, e a tecnologia já ocupa 60% dos 1.700 hectares destinados à atividade pecuária. Na área restante também plantou o capim BRS Zuri e o capim Mombaça, entre outras variedades de gramíneas adaptadas.

“Optamos por fazer um trabalho preventivo, associando diferentes tipos de forrageiras recomendadas pela pesquisa, para diversificar o pasto e evitar a degradação. Com essa estratégia, saímos de um processo de regressão e perdas constantes na atividade pecuária, devido à morte do capim-braquiarão, para vivenciar uma situação de excelência na qualidade e desempenho das pastagens”, ressalta Araújo.

Degradação de pastagens

A pecuária bovina brasileira é praticada predominantemente à pasto. Segundo dados do Mapbiomas, entre 1985 e 2018, a área de pastagens no País cresceu 43%, passando de 128 para 183 milhões de hectares. Estima-se que 70% dessa área, cerca de 130 milhões de hectares de pastagens, apresentem algum grau de degradação, situação que causa perdas na produção e prejuízos para os produtores rurais, nas diferentes regiões.

Pesquisas da Embrapa indicam que no contexto amazônico existem, aproximadamente, 15 milhões de hectares de pastagens degradadas. A principal causa do problema é a Síndrome da morte capim-braquiarão (cultivar marandu), doença que ocorre no Acre, Amazonas, Pará, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão, em áreas com solos mal drenados.

De acordo com Andrade, em condições de encharcamento, o capim-braquiarão fica vulnerável à ação de fungos presentes no solo, que atacam as suas raízes e reduzem a capacidade de oxigenação, resultando na morte da pastagem e na infestação de plantas invasoras. A forma mais eficiente de lidar com a degradação do pasto causada pela morte do capim-braquiarão é substituir a gramínea, nas áreas afetadas ou em risco, por forrageiras tolerantes ao encharcamento do solo, recomendadas pela pesquisa.

“Quando essa variedade de Brachiaria brizantha, também conhecida como brizantão, chegou ao mercado, em 1984, havia poucas opções de forrageiras disponíveis. Por ser resistente a diferentes espécies de cigarrinha-das-pastagens e apresentar outros atributos, como boa produção de forragem e de sementes de qualidade, além de excelentes características nutricionais, em pouco tempo se tornou a forrageira mais plantada no Brasil. Entretanto, em função da baixa resistência a solos com pouca capacidade de drenagem, a partir de 1994 começaram a surgir os primeiros casos de morte dessas pastagens na Amazônia e o problema se espalhou pela região”, conta o pesquisador.

Zoneamento de risco das pastagens

Para mensurar a gravidade da degradação de pastagens na Amazônia, pesquisadores da Embrapa desenvolveram uma metodologia de Zoneamento de Risco da Síndrome da morte do capim-braquiarão. O estudo mostrou que emlocalidades com predominância de solos sujeitos ao encharcamento e intenso regime de chuvas por longos períodos do ano, a degradação de pastagens devido à morte do capim-braquiarão se acentua.

“No Acre, primeiro estado a contar com esse mapeamento de solos, a doença está presente em 100% das fazendas pecuárias, em função do cultivo do capim-braquiarão em larga escala durante as décadas de 1980 e 1990. 71,8% dos solos acreanos apresentam alto risco para a Síndrome da morte do capim-braquiarão, em 8,6% os riscos são medianos e 19,6% das áreas são de baixo risco para a doença”, diz Andrade.

Replicada para outras localidades, a metodologia de zoneamento de risco de morte de pastagens indica as áreas com solos susceptíveis ao encharcamento, fator que tem contribuído para orientar a tomada de decisão dos produtores rurais. No Mato Grosso, estado detentor do maior rebanho bovino do País, com 29 milhões de cabeças, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estudo da Embrapa identificou mais de dois milhões de hectares de pastagem com algum estágio de degradação e indicou alto risco de ocorrência da Síndrome da morte do capim-braquiarão em 27,2% dos solos.

Consórcio com leguminosa melhora desempenho do rebanho 

A predominância da pecuária bovina à pasto no território nacional impõe a necessidade de adoção de tecnologias para manter as áreas produtivas. Além de bem adaptadas às condições de clima e solos da região amazônica, as gramíneas resistentes podem ser cultivadas com diferentes leguminosas, especialmente com o amendoim forrageiro. A planta é persistente em solos com baixa capacidade de drenagem, rica em proteína bruta (entre 18% e 25%) e tem capacidade de capturar do ar e fixar na pastagem até 150 quilos de nitrogênio, por hectare, o correspondente a 330 quilos de ureia, em função da sua associação com bactérias que vivem na terra.

Estudos realizados com pastagens consorciadas com essa leguminosa, em sistema de cria e engorda, em propriedades rurais do Acre, confirmaram aumento de até 46% na produtividade do rebanho, em relação ao desempenho animal em pastos puros. “O consórcio com amendoim forrageiro ajuda a tornar o pasto mais produtivo e melhora a sua qualidade nutricional, em função da adubação natural e do aporte proteico, resultando em ganhos na produtividade do rebanho e economia para o produtor rural. No entanto, para garantir resultados eficientes na pastagem, essa prática deve ser aliada a procedimentos adequados de manejo, como o pastejo do gado sob rotação, para descanso e recuperação das forrageiras”, explica o pesquisador da Embrapa, Judson Valentim.

Tecnologias evitaram desmatamento de 23 milhões de hectares

Na opinião de Andrade, as forrageiras resistentes ao encharcamento do solo, desenvolvidas pela pesquisa, representam a principal inovação tecnológica da pecuária na Amazônia, por permitirem desenvolver a atividade de forma sustentável na região. Além de reduzir riscos na atividade e garantir retorno econômico para os produtores rurais, a adoção de variedades de capins adaptadas a solos de baixa permeabilidade proporciona ganhos ambientais. “O uso crescente dessas gramíneas tem possibilitado o reaproveitamento de áreas desmatadas e improdutivas na região”, afirma.

Valentim complementa que além da incorporação de áreas alteradas, o aumento da capacidade de suporte das pastagens, viabilizado pelo uso de forrageiras adaptadas, também tem contribuído para reduzir a pressão sobre a floresta amazônica por evitar a abertura de novas áreas aos sistemas pecuários da região. O uso dessas tecnologiasem larga escala permitiu evitar o desmatamento adicional de 23 milhões de hectares de floresta, em atendimento a preceitos de sustentabilidade.

“É possível tornar a atividade pecuária mais produtiva e atender a exigências legais especificas do setor. A adoção de alternativas tecnológicas para intensificação sustentável desses sistemas gera benefícios em cadeia. Ganham os produtores, com o aumento da produtividade e lucratividade dos rebanhos; ganham as regiões, com o desenvolvimento econômico proporcionado pelos investimentos no segmento pecuário; e a população global, com uma produção mais limpa que favorece a manutenção e conservação de áreas nativas”, destaca o pesquisador.

Estudos científicos também comprovam que em pastagens implantadas e manejadas adequadamente, as cultivares de forrageiras adaptadas possibilitam o sequestro de carbono no solo e diminuem as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) na atmosfera. Tais benefícios podem contribuir para o cumprimento do compromisso voluntário brasileiro, assumido durante a COP-15 e oficializado pela Política Nacional sobre Mudanças do Clima (PNMC), de reduzir entre 36,1% e 38,9% o volume dessas emissões.

Fonte: Embrapa Acre
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Bovinos / Grãos / Máquinas Safra 20/21

Colheita de soja tem início e produção deve atingir 133,7 milhões de toneladas

Produção total deve registrar um crescimento de 7,9 milhões de toneladas se comparado com a safra 2019/20

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Arquivo/OP Rural

Com um aumento de área em 3,4%, a produção de soja na safra 2020/21 pode chegar a 133,7 milhões de toneladas no país.  A oleaginosa é a principal cultura cultivada e representa cerca de 50% da colheita de grãos no Brasil, estimada em 264,8 milhões de toneladas, como indica o 4º Levantamento da Safra de Grãos. Divulgado nesta quarta-feira (13) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o boletim ainda revela que a produção total deve registrar um crescimento de 7,9 milhões de toneladas se comparado com a safra 2019/20, quando a colheita foi de 256,94.

A colheita da oleaginosa já teve início em Mato Grosso, conforme foi divulgado pela Companhia no Progresso de Safra desta semana. Principal estado produtor de soja, a produção poderá chegar a 35,43 milhões de toneladas, com uma ligeira queda com o estimado na safra anterior, mesmo com a expectativa de aumento na área plantada. O resultado é reflexo da estimativa de menor produtividade, uma vez que as condições climáticas de 2019 não se repetiram até então.

Outro grão de destaque é o milho. Com produção total estimada em 102,3 milhões de toneladas, a primeira safra do cereal deve apresentar uma queda de 6,9%.  As condições climáticas desfavoráveis no momento do cultivo da primeira safra influenciaram a produtividade, principalmente no Sul do país. No Rio Grande do Sul, a diminuição neste índice foi estimada em 11%. Com isso, a produção tende a ser 9,3% menor. Em Santa Catarina, os percentuais de queda na produtividade e na colheita da primeira safra são ainda maiores, chegando a 14% e 12,7% respectivamente. Em ambos os estados, a área destinada ao plantio do grão deve crescer, o que reduz um pouco a queda no volume de produção.

No caso do arroz, o aumento de área foi menor do que o esperado, principalmente pelo fato de as chuvas não abastecerem satisfatoriamente as barragens que fornecem água para as lavouras irrigadas na região Sul. Além do menor aumento de área, as condições climáticas também impactaram a produtividade. Assim, a produção deve atingir 10,9 milhões de toneladas, queda de 2,5% em comparação com a safra anterior.

Quadro de oferta e demanda

Neste 4a levantamento, houve uma revisão da periodicidade e metodologia do quadro de oferta e demanda de arroz. A Conab alterou a janela de análise anual de cada safra, passando do período de março a fevereiro para janeiro a dezembro.

Esta mudança já era solicitada pelo setor e visa trazer maior transparência e precisão nas estimativas de estoques, uma vez que, ao estimar o estoque de passagem em fevereiro, era preciso desconsiderar o produto novo colhido nos primeiros meses do ano. Isto gerava dificuldade na extração de tal informação, além de poder levar a uma interpretação equivocada do quadro de suprimento, em vista que o estoque físico real, ao final de fevereiro, é sempre maior do que o publicado como estoque de passagem.

Com esta mudança, o estoque físico real, ao final de dezembro, será igual ao publicado como estoque de passagem no fim do mesmo mês, pois a colheita do arroz inicia-se apenas em janeiro de cada ano.

Fonte: Conab
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Bovinos / Grãos / Máquinas Segundo INMET

Chuvas devem ficar acima da média na maior parte do Brasil no primeiro trimestre de 2021

Chuvas devem ficar acima da média na maioria das regiões nos três primeiros meses do ano, exceto na região Sul

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Divulgação/MAPA

O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) divulgou na sexta-feira (08) o primeiro Boletim Agroclimatológico Mensal de 2021. De acordo com os dados divulgados, as chuvas devem ficar acima da média na maioria das regiões nos três primeiros meses do ano, exceto na região Sul.

Para a Região Norte, a previsão climática do INMET indica maior probabilidade de que as chuvas durante o trimestre janeiro, fevereiro e março deverão ocorrer acima da média climatológica em praticamente toda a região, podendo ficar abaixo no sul do Pará e do Amazonas, em Rondônia e no sul do Tocantins. A temperatura do ar próximo a superfície deverá prevalecer um pouco acima da média em grande parte da região. A previsão do balanço hídrico no solo indica predomínio de excedentes hídricos em grande parte da Região Norte, durante os meses de janeiro fevereiro e março, exceto em Roraima onde tem-se a previsão de ocorrência de déficit hídrico no solo.

Já na Região Nordeste a previsão indica chuvas dentro da faixa normal ou acima na parte mais ao norte que vai do Maranhão ao Rio Grande do Norte. Em Alagoas, Sergipe, Bahia e em algumas localidades de Pernambuco, as previsões de chuvas apontam para uma maior probabilidade de volumes abaixo da média. As temperaturas do ar devem variar em torno da média ou acima principalmente em Alagoas, Sergipe e Bahia. No norte da Região Nordeste, as temperaturas devem ficar próximas da média ou ligeiramente abaixo. Os mapas das variáveis do balanço hídrico no solo indicam para os meses de janeiro e fevereiro uma área com deficiência hídrica sobre a Bahia, sudeste do Piauí e toda a faixa leste da região. Há, porém, probabilidade de condições hídricas no solo mais satisfatórias no Maranhão, norte do Piauí e no Ceará.

A previsão do INMET para a Região Centro-Oeste indica que as chuvas deverão ocorrer acima da média sobre a maior parte do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, nas demais áreas a previsão indica chuvas abaixo da média. As previsões de temperaturas indicam que deverão predominar valores acima da média durante o trimestre. O balanço hídrico previsto pelo modelo do INMET indica o predomínio de excedente hídrico em grande parte da Região Centro-Oeste, durante os três meses, exceto no oeste do Mato Grosso do Sul, onde há probabilidade de déficit hídrico.

A previsão do modelo do INMET indica que as chuvas permanecerão acima da média em São Paulo e faixa litorânea da Região Sudeste. Em Minas Gerais, a previsão indica chuvas abaixo da média, principalmente no noroeste mineiro. A temperatura do ar próximo a superfície deverá prevalecer um pouco acima da média em grande parte da região. A condição prevista para os primeiros meses de 2021 indica um excedente na quantidade de água no solo em praticamente toda a Região Sudeste, com exceção do norte de Minas Gerais e Espírito Santo, onde são previstos déficits hídricos nos meses de janeiro e fevereiro.

E para a Região Sul as previsões climáticas indicam que o trimestre deve ficar com chuvas próximas ou abaixo da média climatológica no Rio Grande do Sul e parte de Santa Catarina. No Paraná e leste de Santa Catarina, devem predominar áreas dentro da faixa normal do período ou ligeiramente acima. A temperatura do ar próximo a superfície deverá prevalecer um pouco acima da média em grande parte da região. Para o mês de janeiro, o modelo de previsão do balanço hídrico do INMET indica o predomínio de áreas com condições hídricas regulares na Região Sul, principalmente no Paraná e em Santa Catarina. Já nos meses de fevereiro e março existe uma tendência de expansão das áreas de déficit hídrico nos três Estados.

Condições oceânicas

O Boletim monstra que a interação entre a superfície dos oceanos e a atmosfera interfere nas condições do tempo e do clima em diversas localidades no mundo. No Brasil, fenômenos como El Niño-Oscilação Sul (ENOS), no Oceano Pacífico Equatorial, e o gradiente térmico do Oceano Atlântico Tropical, também chamado de Dipolo do Atlântico, são exemplos dessa interação oceano-atmosfera que influenciam o clima no Brasil.

No Oceano Pacífico Equatorial, as médias mensais da área de referência para definição do evento ENOS, denominada região de Niño 3.4 (entre 170°W-120°W), começaram a apresentar valores médios negativos a partir de maio, iniciando um processo de resfriamento anômalo que caracteriza o fenômeno La Niña. Durante o mês de novembro, as águas do Pacífico Equatorial permanecem frias em toda sua extensão, com valores de até -3,0ºC. Ainda neste mês, o valor médio sobre a região do Niño 3.4 registrado foi de -1,0°C, ainda com intensidade classificada como moderada.

O multimodelo de previsão de ENOS do APEC Climate Center (APCC), centro de pesquisa sediado na Coréia do Sul, aponta para uma probabilidade acima de 70% que o fenômeno La Niña vai atuar durante o verão 2020/2021 até o início do outono/2021, perdendo intensidade gradativamente até abril. Diante deste cenário, é importante observar os possíveis impactos da La Niña sobre o clima e agricultura do Brasil.

De forma geral, este fenômeno favorece a agricultura sobre a parte norte das regiões Norte e Nordeste, devido ao aumento no volume das chuvas, enquanto na Região Sul ocorre o oposto. Além disso, este não é o único fenômeno determinante para o comportamento do clima, pois existem outros fatores naturais que podem intensificar ou atenuar os potenciais efeitos de uma La Niña, como por exemplo a temperatura do oceano Atlântico na faixa tropical ou no sudeste da América do Sul.

Análise das condições climáticas em dezembro de 2020

O Boletim do INMET traz ainda o cenário de contrastes na distribuição das chuvas no Brasil marcou o último mês de 2020. As cinco regiões do país fecharam o ano apresentando áreas com déficit e excesso ao mesmo tempo.

Na Região Norte, os maiores volumes de chuva no mês de dezembro ocorreram sobre os estados do Amazonas, Acre, Rondônia, Tocantins e Pará, com acumulados entre 120 e 450 mm. Em Roraima e Amapá, os acumulados registrados ficaram na faixa entre 70 e 130 mm.

No Nordeste, o mês de dezembro na maior parte do semiárido e das faixas litorâneas norte e leste é um período naturalmente seco ou baixa pluviosidade, e os totais observados foram inferiores à 40 mm, como mostra o mapa de chuva acumulada. Porém, no sul do Maranhão e do Piauí e no leste da Bahia, os volumes acumulados em dezembro foram entre 60 e 200 mm.

No Centro-Oeste, os volumes de dezembro foram significativamente superiores aos do mês anterior, contudo ainda houve irregularidade acentuada na precipitação em toda a região. No Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, os totais variaram entre 70 e 330 mm. No Estado de Goiás e no Distrito Federal, as chuvas ficaram na faixa entre 80 e 300 mm.

No Sudeste, os contrastes na distribuição das chuvas foram ainda mais acentuados. Os menores volumes ocorreram nas mesorregiões mineiras, norte de Minas, Jequitinhonha e Vale do Mucuri, com totais entre 30 e 90 m, e norte do Espírito Santo, com totais na faixa entre 50 e 100 mm. Nas demais regiões de Minas Gerais, sul do Espírito Santo, Rio de Janeiro e em São Paulo, os totais ficaram, predominantemente, na faixa entre 130 e 400 mm, mas algumas localidades ficaram além desse limite, como observado, por exemplo, nas estações meteorológicas do INMET Patrocínio (MG), com 421 mm, e em Duque de Caxias-Xerém (RJ), com 559 mm.

Na Região Sul, os totais de chuva em Santa Catarina e no Paraná ficaram próximos ou acima da média em diversas localidades, com volumes entre 90 e 230 mm. Contudo, no Rio Grande do Sul, as chuvas foram mais irregulares e resultaram em volumes mais modestos, com acumulados variando na faixa entre 40 e 120 mm.

Quanto as temperaturas, a média mensal das temperaturas máximas no ficou entre 26 e 36°C. No semiárido nordestino, a temperatura máxima ficou, em média, entre 34 e 36ºC, porém em algumas localidades do Piauí e do Ceará, as temperaturas máximas em alguns dias ficaram acima dos 38 °C, como em Piripiri-PI, que chegou a registrar 38,6°C. Temperaturas mais amenas foram observadas no leste das regiões Sul e Sudeste, com temperaturas máximas entre 22 e 28°C, em média.

Fonte: O Presente Rural
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Dia Estadual do Porco – ACSURS

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