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Desinformação nas redes sociais amplia desafios para o agronegócio brasileiro
Com alto consumo de plataformas digitais no país, especialistas alertam que fake news afetam a imagem da agropecuária e reforçam a importância do senso crítico, da pluralidade de fontes e da educação midiática para um debate mais justo sobre o setor.

Com mais de 150 milhões de usuários conectados, o Brasil é o terceiro maior país em consumo de redes sociais no mundo. Dados da empresa Comscore apontam que, em média, as pessoas passam mais de 46 horas por mês conectadas a redes como YouTube, Facebook e Instagram. Esse cenário ajuda a entender o motivo de as informações circularem tão rápido entre as pessoas. Porém, esse movimento traz um ponto de alerta, já que a desinformação também se espalha nessa mesma velocidade.
Com uma enxurrada de conteúdo disponível a um toque, se torna cada vez mais difícil separar fato e manipulação. Desinformação, fake news, deepfakes e discursos ideológicos são obstáculos diários à formação de uma sociedade bem-informada. Afinal, as redes sociais se tornaram uma das principais fontes para consulta de notícias para milhões de pessoas ao redor do mundo.

Foto: Freepik
“Cultivar o senso crítico e a pluralidade de fontes é o antídoto mais eficaz contra a manipulação e a desinformação”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “A agropecuária e os produtores rurais são muito penalizados com as fake news. Por isso, precisamos que a população realmente conheça o nosso setor, para poder fazer um julgamento justo, diante dos fatos, do qual contribuímos para preservação do meio ambiente e geração de renda e emprego em milhares de municípios do país”, complementa.
Segundo o professor na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e pesquisador da área, Renan Colombo, para compreender esse fenômeno é preciso entender a intencionalidade por parte de quem promove as campanhas de desinformação. “A reação de aversão a um meio de comunicação consagrado, por exemplo, é fruto de uma estratégia que visa minar a credibilidade da imprensa tradicional para obter alguma vantagem com isso”, alerta.
Diante desse cenário, Colombo aponta que as redes sociais têm avançado no lançamento de ferramentas que sinalizam conteúdos enganosos. Porém, esses dispositivos ainda são insuficientes. “Muita coisa não é sinalizada. Por isso, é fundamental priorizar buscas em ferramentas como o Google e consultar fontes confiáveis, como veículos tradicionais ou agências de checagem”, orienta.

Foto: Ilutrativa/Shutterstock
Outra frente de combate à desinformação tem sido a educação midiática, afirma Bruno Ferreira, coordenador pedagógico do Instituto Palavra Aberta, organização sem fins lucrativos que promove a liberdade de expressão e informação como pilar de sociedade avançada e sustentável. Para o especialista, essa é uma estratégia crucial para enfrentar o problema. “Não se trata apenas de ensinar a usar a tecnologia desde a escola básica, mas formar cidadãos críticos, capazes de usar a informação de forma responsável”, explica.
Ferreira acredita que o letramento midiático precisa ir além da simples verificação de fatos. “A melhor forma de reduzir a dependência da checagem constante é garantir acesso cotidiano a uma pluralidade de fontes. Quem se informa por canais diversos e confiáveis desenvolve uma compreensão mais sólida da realidade”, afirma. Isso inclui, segundo ele, até acompanhar veículos com os quais se discorda ideologicamente. “É importante ouvir todos os lados, desde que sejam fontes responsáveis e éticas”, recomenda.

A emoção como isca
Atualmente, a principal estratégia das fake news para prender a atenção do usuário é despertar emoções intensas. “Se você tiver acesso a um conteúdo e sentir raiva, medo, indignação ou euforia, esses são gatilhos de alerta. Se um conteúdo causa impacto emocional imediato e intenso, desconfie”, alerta Colombo.
E os sinais não param por aí: erros de ortografia, falta de fontes, e imagens manipuladas (como os famosos deepfakes) são pistas de que a informação pode ser falsa. Apesar da sofisticação crescente das tecnologias de desinformação, como a inteligência artificial generativa, é possível detectar falsificações com um olhar atento. “Vídeos com dessincronia entre voz e imagem, fotos com elementos mal inseridos ou rostos estranhamente artificiais ainda denunciam a falsidade do conteúdo”, observa Colombo.
O enfrentamento da desinformação não é tarefa para um único projeto ou ciclo político. Ao contrário, é preciso um movimento abrangente e contínuo, para garantir que as informações corretas sejam veiculadas, passando pelo debate sobre informação responsável e pensamento crítico se torne parte do cotidiano, nas escolas, nas famílias e na esfera pública como um todo.
“A educação midiática é um trabalho de gerações. Formar leitores e consumidores de informação críticos da mídia exige consistência, permanência e o entendimento de que vivemos num mundo cada vez mais veloz e complexo”, avalia o coordenador pedagógico do Instituto Palavra Aberta.

Colunistas
Desperdício pode custar US$ 540 bilhões ao setor de alimentos em 2026
Estudo mostra que perdas começam antes do consumidor e estão ligadas à falta de visibilidade e método de gestão.

O mundo pode perder US$ 540 bilhões com desperdício de alimentos em 2026, como aponta o relatório da Avery Dennison. Esse número não é apenas grande. Ele é revelador porque mostra algo que o varejo ainda evita encarar: o desperdício não é exceção, é estrutural. E mais do que isso, não é um problema de sustentabilidade. É, antes de tudo, um problema de negócio.
Ao longo da cadeia ou ciclo de vida do produto – da produção ao ponto de venda – o desperdício continua sendo tratado como parte do jogo. Perde-se na colheita, no transporte, no armazenamento e na loja. E no final, essa perda é diluída no resultado, como se fosse inevitável. Mas não é.

Artigo escrito pelo Anderson Ozawa, especialista em Prevenção de Perdas e Governança, consultor com mais de 40 programas de prevenção de perdas implantados com sucesso, palestrante, professor da FIA Business School e autor do livro Pentágono de Perdas: Transformando Perdas em Lucros.
Quando um setor chega ao ponto de ter custos de desperdício equivalentes a até 32% da receita no Brasil, não estamos falando de exceção operacional. Estamos falando de falta de governança. O problema não é falta de tecnologia. É falta de visibilidade
Um dado chama atenção: 61% das empresas ainda não têm clareza sobre onde o desperdício acontece. Esse é o ponto central. Não se gerencia o que não se mede e, no varejo alimentar, grande parte das perdas continua invisível (produtos que vencem no estoque, erros de armazenagem, falhas de reposição, excesso de compra, quebra operacional e perda no transporte).
Tudo isso acontece todos os dias, mas raramente é tratado como prioridade estratégica. O desperdício não dói quando acontece: dói no resultado, quando já é tarde.
A maior parte das perdas não acontece no consumidor, mas antes. A logística e a gestão de estoque concentram alguns dos principais gargalos: transporte sem controle adequado, armazenagem inadequada, previsão de demanda imprecisa e processos ainda manuais (67% das empresas ainda operam assim).
Existe um comportamento recorrente no varejo alimentar: quanto mais vende, mais perde, especialmente em períodos de alta demanda, promoções e sazonalidade. O aumento de volume traz mais ruptura, mais avaria, mais erro e mais desperdício.
E o mais perigoso: isso acontece enquanto o faturamento cresce, porque o volume mascara a ineficiência. Em uma operação supermercadista onde atuamos, o aumento de vendas em perecíveis foi comemorado como avanço de performance. Mas ao analisar o resultado consolidado, ficou evidente que a margem não acompanhou o crescimento. Parte do ganho foi consumida por excesso de compra sem ajuste fino de demanda, perda por vencimento e falhas no giro de estoque. Ou seja, o crescimento existiu, mas, o resultado não.
Existe um discurso crescente sobre sustentabilidade, muito importante. No varejo, a mudança não virá por consciência ambiental, mas pela pressão de resultado.
A provocação que o setor precisa ouvir é: enquanto o desperdício for tratado como efeito colateral, ele continuará existindo. Enquanto não houver visibilidade, não haverá controle. Enquanto não houver controle, não haverá margem.
O problema não é o alimento que se perde. É o modelo de gestão que permite que ele se perca. O desperdício global de alimentos não é apenas um número de US$ 540 bilhões. É um retrato claro de um sistema que ainda opera com baixa disciplina e pouca visibilidade.
A oportunidade não está apenas em reduzir perdas: está em transformar perda em resultado. E isso não exige revolução tecnológica. Exige algo mais simples e mais difícil: governança, método e execução.
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Mapa lança projeto para ampliar mercado de pequenas agroindústrias
Iniciativa busca facilitar acesso ao Sisbi-POA e fortalecer negócios rurais.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apresentou, durante a Feira Brasil na Mesa, o projeto SIMples AsSIM, iniciativa desenvolvida em parceria com o Sebrae para ampliar a inserção de pequenas agroindústrias no mercado nacional e fortalecer os pequenos negócios rurais.
Durante a palestra, a coordenadora-geral do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa), Claudia Valéria, destacou que os avanços do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA) abriram caminho para a criação do projeto. Segundo ela, a modernização dos processos foi essencial para ampliar a adesão ao sistema.
O projeto busca ampliar o acesso de produtos de origem animal ao mercado nacional por meio de qualificação técnica, modernização da inspeção, apoio à adequação sanitária, entre outras ações. A proposta também prevê identificar os principais desafios enfrentados pelos empreendedores e apoiar a integração ao Sisbi-POA.
A regularização de agroindústrias de pequeno porte é considerada estratégica para promover a inclusão produtiva, reforçar a segurança alimentar e impulsionar o desenvolvimento econômico local.
Durante a apresentação, Cláudia também ressaltou a importância de outras iniciativas, como o Projeto ConSIM, que contribuiu para a integração de consórcios públicos ao sistema. “Entre 2020 e 2025, 68 consórcios públicos no Brasil se integraram ao sistema, permitindo que muitos municípios ampliassem a comercialização de seus produtos”, afirmou.
Apesar dos avanços, o número de estabelecimentos ainda não acompanha o crescimento dos serviços de inspeção integrados. “Observamos um grande número de serviços integrados, mas os estabelecimentos não cresceram na mesma proporção. Por isso, surgiu a necessidade de fortalecer esses produtores e capacitá-los para acessar o mercado nacional”, pontuou.
O projeto está estruturado em três eixos: inclusão de agroindústrias no Sisbi-POA; fortalecimento dos Serviços de Inspeção Municipal com base em análise de risco; e apoio técnico à estruturação de agroindústrias de pequeno porte.
O projeto-piloto será iniciado em Santa Catarina, estado com grande número de agroindústrias e potencial de expansão. A iniciativa prevê diagnósticos in loco e planos de ação personalizados para apoiar a adequação dos estabelecimentos. “Mais de 80% das agroindústrias demonstraram interesse em expandir seus mercados. Isso mostra que há demanda e que precisamos criar condições para que esses produtores avancem”, concluiu a coordenadora-geral.
O analista do Sebrae Warley Henrique também apresentou os resultados iniciais do projeto. Entre eles, o diagnóstico on-line que identificou as principais dificuldades relacionadas à estrutura dos serviços de inspeção que limitam a integração dos estabelecimentos ao Sisbi, com 217 respondentes.
Também foi realizada pesquisa com técnicos dos estabelecimentos, que reuniu 114 participantes, sobre os principais entraves para obtenção do selo Sisbi, além do levantamento das orientações técnicas necessárias para cada estabelecimento.
Após a fase de levantamento, o projeto avança para a estruturação da metodologia de atendimento e para a implementação das ações em campo, com início previsto para maio de 2026, em Santa Catarina.
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Copacol recebe Prêmio de Melhor do Biogás pelo segundo ano consecutivo
Projeto premiado destaca eficiência na geração de energia a partir de resíduos e reforça liderança da cooperativa em sustentabilidade.

A Copacol consolidou mais uma vez sua posição de referência nacional em energias renováveis ao conquistar, pelo segundo ano consecutivo, o Prêmio Melhores do Biogás Brasil 2026, na categoria Melhor Planta Indústria.
O reconhecimento apresentado no 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Foz do Iguaçu, destaca o desempenho da Usina de Biogás instalada na UPL (Unidade de Produção de Leitões), em Jesuítas, e evidencia o compromisso da Cooperativa com inovação, eficiência energética e preservação ambiental. “É uma satisfação imensa receber o Prêmio de Melhor do Biogás, que reconhece o desempenho desse importante investimento em sustentabilidade. O respeito ao meio ambiente é uma prática em nossas atividades, por isso, buscamos alternativas que consolidem esse comportamento e preservem ainda mais nossas riquezas”, complementa o diretor-presidente da Copacol, Valter Pitol.
A premiação reforça os resultados obtidos pela cooperativa ao longo dos últimos anos, especialmente no aproveitamento de resíduos agroindustriais para geração de energia limpa. Somente em 2025, a usina produziu 6.813.437 kWh de energia a partir dos resíduos gerados pela Unidade de Produção de Leitões e pela Unidade de Produção de Desmamados, resultado que representou economia em energia elétrica e aproveitamento de resíduos equivalentes a R$ 6,4 milhões. “O Prêmio de Melhor do Biogás demonstra o compromisso da Copacol com a sustentabilidade, a destinação correta de resíduos, principalmente com e uso de energia renovável”, afirma o gerente de Meio Ambiente da Copacol, Celso Brasil.
O modelo premiado de geração de energias renováveis recebeu a visita de empresários do ramo do Brasil e do exterior. A programação contou com apresentação técnica e um passeio guiado às instalações, mostrando a realidade operacional da planta e os processos utilizados para transformar resíduos em energia. A Copacol foi escolhida como destino técnico pelo reconhecimento do projeto como modelo de sucesso no setor. “Existe muito estudo no desenvolvimento do projeto da Copacol e isso é fundamental. A operação leva em consideração dados diários de composição dos substratos, concentração de material orgânico e existe um monitoramento contínuo da planta. As tomadas de decisão são baseadas nos dados gerados. Isso dá segurança e impressiona bastante”, afirma a analista da Embrapa, Fabiane Goldschnidt, que atua em projetos de gerenciamento de resíduos, produção de biogás e biometano.
A usina também chamou a atenção de representantes da área acadêmica. Rosiany de Vasconcelos Vieira Lopes, professora da Universidade de Brasília, natural de Campina Grande e atualmente residente em Brasília, participou da visita técnica. “Fiquei muito surpresa com a estrutura. Percebemos na prática a utilização de resíduos aproveitados de uma maneira renovável e sustentável para a produção de energia.”



