Suínos
Desempenho reprodutivo das matrizes define a rentabilidade da suinocultura
Eficiência na cobertura, altas taxas de parição e manejo preciso são decisivos para maximizar o número de leitões desmamados por fêmea ao ano.

O desempenho reprodutivo das fêmeas é um dos principais pilares da lucratividade na suinocultura. Mais do que números em planilhas, ele representa a eficiência de todo o sistema de produção, desde a maternidade até o abate. A capacidade de uma granja manter taxas de parição elevadas, alcançar metas de cobertura e assegurar o nascimento de leitões viáveis determina, em última instância, o retorno econômico do investimento. Mas atingir esse equilíbrio é um desafio complexo, que exige precisão técnica, disciplina operacional e uma compreensão profunda da fisiologia e das necessidades das matrizes suínas.
Em um setor cada vez mais competitivo, no qual cada leitão desmamado representa o resultado de uma cadeia de decisões técnicas, a reprodução deixou de ser apenas uma etapa do ciclo produtivo para se tornar uma engrenagem estratégica. “O sucesso no desempenho do plantel de matrizes é fundamental para a lucratividade da suinocultura”, afirma o médico-veterinário e doutor em Reprodução Animal Fernando Pandolfo Bortolozzo, professor titular do Departamento de Medicina Animal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Médico-veterinário e doutor em Reprodução Animal Fernando Pandolfo Bortolozzo, professor titular do Departamento de Medicina Animal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS): “A atenção individual às matrizes é essencial. Intervenções corretas no parto, redução de brigas e manejo higiênico de injetáveis reduzem doenças e mortalidade” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
Em sua participação no 21º Congresso Nacional da Abraves, realizado em meados de outubro em Belo Horizonte (MG), Bortolozzo destacou que existem múltiplos fatores que podem comprometer o sucesso reprodutivo, reduzindo o número de leitões entregues por fêmea ao longo do ano. Segundo o especialista, dados levantados em estudos conduzidos pelo grupo de pesquisa da UFRGS mostram que o número de leitões desmamados por lote no Sítio 1, etapa da produção onde estão alojadas as matrizes e ocorre o nascimento dos leitões, depende essencialmente de quatro variáveis: alcançar a meta de cobertura, taxa de parição, número de leitões nascidos vivos e mortalidade pré-desmame.
Embora o Sítio 1 funcione de forma independente em termos de estrutura, o professor ressalta que, dentro do modelo produtivo da suinocultura, o desempenho dos leitões nas fases seguintes – Sítio 2 (creche) e Sítio 3 (terminação) – é determinante para o sucesso econômico do sistema como um todo. “O leitão produzido no Sítio 1 precisa desenvolver bem nas fases subsequentes. Caso contrário, se perde parte do retorno do investimento feito na reprodutora”, explica o médico-veterinário, apontando dois fatores como decisivos para o sucesso reprodutivo das granjas: atingir a meta de cobertura dos lotes e assegurar altas taxas de parição.
Meta de cobertura
Na rotina das granjas, alcançar a meta de cobertura parece uma meta básica, mas representa um dos maiores desafios práticos. “Se não inseminarmos o número de matrizes pré-definido no lote, dificilmente atingiremos o alvo de leitões a desmamar”, observa Bortolozzo.
As fêmeas que compõem o lote de cobertura incluem as matrizes desmamadas, as leitoas de reposição e, eventualmente, as chamadas fêmeas de oportunidade, aquelas que, por algum motivo, não faziam parte do lote original, mas estão aptas à inseminação. “A manutenção de uma política rigorosa de descartes e o controle da mortalidade pré-inseminação são determinantes para preservar a qualidade do grupo”, pondera, ressaltando: “A reposição é outro ponto-chave. Precisamos garantir não só a qualidade das leitoas, mas também o fluxo contínuo e equilibrado de reposição, respeitando o número de fêmeas necessário em cada lote. Quando as metas de cobertura são atingidas respeitando critérios técnicos e de qualidade, a taxa de parição tende a alcançar ou até superar as metas definidas”.
Por outro lado, quando as metas quantitativas forçam o uso de fêmeas fora do padrão desejado, os riscos aumentam. “Se baixamos o rigor de seleção para atingir o número planejado de inseminações, acabamos utilizando matrizes com maior probabilidade de falhas reprodutivas”, alerta.
Produtividade ao longo da vida

Para Bortolozzo, a produtividade da matriz deve ser compreendida ao longo de todo o seu ciclo de vida. “O desempenho produtivo e a viabilidade econômica caminham juntos. Uma fêmea só começa a gerar retorno financeiro real a partir do terceiro parto”, destaca.
O desenvolvimento corporal das leitoas é o ponto de partida. O peso ao nascer e a qualidade fenotípica das leitegadas influenciam o desempenho futuro. “O bom crescimento nas fases de maternidade e creche é essencial para que a leitoa atinja o peso ideal na primeira inseminação. Isso impacta diretamente a longevidade produtiva”, pontua.
Outro aspecto decisivo é a indução adequada da puberdade, que permite o fluxo contínuo de leitoas de reposição. “Falhas nesse processo comprometem a taxa de cobertura e a estrutura etária do plantel”, diz.
Eficiência na inseminação
A eficiência reprodutiva também depende da precisão nos manejos de inseminação artificial. “A detecção de estro é um ponto crítico. A inseminação deve ocorrer no momento certo, com técnica adequada e sob condições de higiene rigorosa”, enfatiza.
Segundo o professor da UFRGS, a qualidade das doses de sêmen, desde a produção até o armazenamento e transporte, deve ser monitorada de forma constante. “Uma falha no controle da temperatura ou no tempo de uso da dose pode comprometer todo o lote”, reforça.
Equilíbrio que sustenta a fêmea

A manutenção de um escore de condição corporal adequado é outro fator determinante para a longevidade e o desempenho das fêmeas. A avaliação deve ser periódica, especialmente no desmame e a cada 30 dias durante a gestação. “Ajustar o plano nutricional conforme a condição da fêmea é essencial para equilibrar desempenho, bem-estar e produtividade”, menciona, acrescentado: “O uso de ferramentas como o Caliper, que reduz a subjetividade da avaliação visual, é recomendado. Sistemas automatizados de pesagem também podem ser aliados na gestão individualizada do rebanho”.
O aspecto nutricional, segundo o doutor em Reprodução Animal, é um dos mais desafiadores na atual genética suína, que exige altíssimo desempenho. “As matrizes representam uma fração pequena do plantel em número, mas consomem grande parte da ração total. É indispensável calibrar equipamentos de alimentação e garantir que todas as fêmeas recebam a quantidade e a qualidade de ração adequadas”, observa.
Além da ração, a água desempenha papel essencial. “Temperatura, fluxo e limpeza dos bebedouros precisam ser monitorados. O consumo de água está diretamente ligado ao consumo de ração e à produção de leite. Isso é ainda mais crítico na lactação”, salienta Bortolozzo.
Lactação

Durante a lactação, as fêmeas, especialmente as primíparas, enfrentam um grande desafio energético. “O principal meio de minimizar o catabolismo é maximizar o consumo de ração e água. Isso depende de uma boa ambiência, de ingredientes de qualidade e, em períodos quentes, de dietas formuladas com maior teor de gordura”, aponta o especialista.
A perda excessiva de peso nessa fase compromete não apenas o retorno ao cio, mas também a longevidade da fêmea. “O cuidado com as primíparas define muito do que será o futuro reprodutivo do plantel”, reforça.
Descarte
Manter uma política de descarte bem definida é outro pilar da sustentabilidade econômica. “A fêmea precisa permanecer no rebanho até pelo menos o terceiro parto para começar a dar retorno. Descartes excessivos ou mal direcionados alteram a estrutura etária e reduzem a produtividade”, explica Bortolozzo.
Segundo ele, a decisão deve ser técnica, embasada em indicadores de desempenho e condição corporal. “Nem toda fêmea com baixa produção deve ser descartada imediatamente. É preciso avaliar se a causa é transitória ou permanente”, pondera.
Saúde e bem-estar

Nenhum plano reprodutivo tem sucesso sem saúde e bem-estar. “A atenção individual às matrizes é essencial. Intervenções corretas no parto, redução de brigas e manejo higiênico de injetáveis reduzem doenças e mortalidade”, salienta, destacando a importância da aclimatação das leitoas à microbiota da granja de destino. “Essa adaptação prepara o sistema imune e reduz riscos sanitários no início da vida reprodutiva”.
Além disso, a observação diária é indispensável. “A equipe precisa ser treinada para identificar rapidamente as fêmeas que reduzem o consumo ou não se levantam. Designar um funcionário responsável pelo monitoramento e medicação das matrizes enfermas faz diferença direta no desempenho reprodutivo”, afirma.
Integração de fatores
Para Bortolozzo, o sucesso reprodutivo é resultado da soma de ações bem executadas. “Não existe um único ponto de virada. A eficiência vem da integração entre manejo, nutrição, sanidade e ambiente”, sintetiza.
Garantir a sustentabilidade econômica da granja exige atingir metas de cobertura e altas taxas de parição, sem abrir mão de critérios de seleção. “O desafio é fazer isso de forma consistente, com base em dados, treinamento e comprometimento da equipe”, enaltece.

Suínos
Alta do milho reduz poder de compra do suinocultor pelo sexto mês seguido
Cereal sobe 4,6% em março e chega a R$ 70,96/sc em Campinas. Com suíno a R$ 6,94/kg, produtor compra 5,87 kg de milho por kg vendido.

O avanço dos preços do milho voltou a pressionar a relação de troca da suinocultura paulista em março. Dados do Cepea mostram que, na parcial até o dia 17, o poder de compra do produtor caiu pelo sexto mês consecutivo, refletindo a valorização do insumo frente à estabilidade do preço do animal.

Foto: Ari Dias
No período, o suíno vivo posto na indústria foi negociado à média de R$ 6,94 por quilo no estado de São Paulo (SP-5), leve alta de 0,5% em relação a fevereiro. Já o milho, principal componente da ração, registrou aumento mais expressivo: no mercado de lotes de Campinas (SP), a saca de 60 quilos foi cotada a R$ 70,96, avanço de 4,6% no mesmo comparativo e a maior variação mensal desde março de 2025.
Com isso, a relação de troca se deteriorou. Neste mês, a venda de um quilo de suíno vivo permite a aquisição de 5,87 quilos de milho, queda de 3,9% frente ao mês anterior.
Apesar da piora no curto prazo, o indicador ainda mostra leve recuperação na comparação anual, com ganho de 2%. Segundo o Cepea, a valorização do milho está associada à oferta restrita no mercado spot e à demanda aquecida para formação de estoques, em um ambiente de incertezas no mercado internacional.
Suínos
Brasil abre mercado para carne suína resfriada em Singapura
Acesso ao país asiático amplia valor agregado das exportações do setor.

O governo brasileiro concluiu negociações que ampliam o acesso da carne suína ao mercado internacional. O principal avanço é a autorização para exportação de carne suína resfriada para Singapura, um mercado considerado estratégico por demandar produtos de maior valor agregado.
Em 2025, Singapura importou mais de US$ 710 milhões em produtos agropecuários do Brasil, com destaque para carnes, café e itens de origem vegetal. A abertura para a carne suína resfriada tende a fortalecer a presença brasileira no país asiático e ampliar as oportunidades para o setor produtivo.
Além disso, o Brasil também garantiu a liberação para exportação de macadâmia e castanha de caju para a Turquia, que está entre os dez maiores importadores mundiais de castanha de caju. No último ano, as exportações brasileiras para o país superaram US$ 3,2 bilhões, com destaque para soja, algodão e café.
Com os novos acordos, o agronegócio brasileiro soma 548 aberturas de mercado desde o início de 2023. Os resultados são fruto da atuação conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Suínos
Nova ferramenta da Embrapa amplia inteligência e gestão na suinocultura brasileira
Aplicativo atualizado permite acompanhar custos, gerar relatórios detalhados e tomar decisões mais precisas sobre granjas de suínos e frangos.

A Embrapa Suínos e Aves, em parceria com a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), reforça o apoio à gestão econômica da suinocultura com a atualização do aplicativo Custo Fácil. Agora em sua quarta versão, a ferramenta está disponível para Android e iPhone (iOS), com novo desenho de interface e funcionalidades ampliadas, tornando ainda mais prática a organização e análise dos dados das granjas.
Voltado a produtores, gestores, assistência técnica e estudantes, o aplicativo permite estimar o custo de produção, a rentabilidade e a geração de caixa de granjas de suínos e frangos de corte em sistemas de integração. A proposta é oferecer uma visão clara e estruturada da atividade, facilitando a tomada de decisão em diferentes horizontes de curto e longo prazo.

Entre as funcionalidades, o usuário pode cadastrar múltiplas granjas e lotes, inserir informações detalhadas sobre alojamento, desempenho produtivo, investimentos, mão de obra, receitas e despesas. A partir desses dados, o sistema gera indicadores de desempenho, gráficos e relatórios completos, que podem ser compartilhados por e-mail ou aplicativos de mensagens.
O aplicativo também permite o acompanhamento detalhado dos custos, com possibilidade de ajustes e correções, além de oferecer análises e orientações que auxiliam na negociação e na gestão financeira da produção. Todos os cálculos seguem metodologias desenvolvidas pela Embrapa e por institutos de pesquisa em economia agropecuária do Brasil e do exterior, garantindo consistência técnica às informações.
Outro diferencial é o acesso a estatísticas anônimas de custos de outros usuários e a integração com o Repositório de Dados de Pesquisa da Embrapa, o Redape, ampliando o repertório de informações disponíveis para análise. A ferramenta ainda conta com uma biblioteca de conteúdos sobre gestão, custos de produção, custo da mão de obra familiar e capital investido, baseada em cursos gratuitos oferecidos pela instituição.

Foto: Jaelson Lucas/AEN
De acordo com o pesquisador da Embrapa, Marcelo Miele, a crescente demanda por soluções acessíveis e metodologicamente consistentes têm impulsionado o desenvolvimento dessas ferramentas, contribuindo para maior precisão nas análises econômicas do setor. “A ferramenta permite a formação de uma base de dados com o desempenho dessas granjas, precisamos agora mobilizar os produtores e associações para que a gente consiga acompanhar um número significativo de granjas, que permita montar essa base de dados que vai trazer um retrato com informações úteis para o setor”. explica.
Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, com a evolução do aplicativo e a ampliação das ferramentas de estimativa, Embrapa e ABCS fortalecem a geração de inteligência para a suinocultura brasileira, promovendo eficiência, transparência e sustentabilidade em toda a cadeia produtiva.
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