Avicultura
Descarbonização e bem-estar animal ditam o novo padrão da avicultura brasileira
Sens Júnior menciona que cinco novas doenças humanas surgem a cada ano e alerta que 60% das doenças humanas têm origem animal, enquanto 20% das perdas na produção animal são causadas por enfermidades globais.

A sustentabilidade na produção de aves tem se consolidado como um pilar estratégico para as empresas do setor, evoluindo de um conceito essencialmente ligado à licença ambiental e gestão de resíduos para uma abordagem mais ampla e integrada, que envolve desde a eficiência de custos até a responsabilidade social e ambiental.

Nos dias atuais, a sustentabilidade não é mais uma escolha, mas uma exigência de mercado. As empresas adotam práticas que vão além da eficiência econômica, abrangendo também rastreabilidade, segurança alimentar e maior transparência em suas ações. “Para atender a essas demandas, as empresas são incentivadas a adotar compromissos públicos. Relatórios de sustentabilidade, questionários de investidores e a interação com ONGs, redes sociais e a imprensa se tornaram fundamentais para comunicar suas iniciativas”, afirma o médico-veterinário, mestre em Bem-Estar Animal e gerente executivo de Sustentabilidade Agropecuária da Seara, Vamiré Luiz Sens Júnior.
Os índices de sustentabilidade também ganharam relevância no mercado financeiro. A adoção de boas práticas ESG (ambientais, sociais e de governança) é vista como um diferencial competitivo, impactando diretamente a confiança, a reputação, a credibilidade e o valor do mercado das empresas. “Investidores e stakeholders estão cada vez mais atentos aos compromissos das empresas em relação à sustentabilidade. A transparência é um fator de diferenciação no mercado, refletindo no sucesso e protagonismo das organizações”, ressalta Sens Júnior.
Empresas que incorporam a sustentabilidade de forma estratégica não apenas cumprem critérios regulatórios, mas também se destacam como líderes de mercado. “Essa abordagem vai além do compromisso ambiental. É uma oportunidade de agregar valor ao negócio e fortalecer a marca”, acrescenta o especialista.
Descarbonização
O aquecimento global é uma preocupação central na agenda de sustentabilidade. Sens Júnior revela que, entre 1850 e 2021, os Estados Unidos (EUA), China, Rússia, Brasil e Alemanha lideraram as emissões acumuladas de CO₂. Enquanto as emissões dos EUA (509,1 Gt) e da Alemanha (88,4 Gt) foram impulsionadas pela industrialização, no Brasil, o desmatamento foi o principal responsável pelas emissões, com 96,9 gigatoneladas relacionadas às mudanças no uso da terra. “Essa realidade evidencia a urgência da descarbonização, que requer ações coordenadas entre produtores e empresas, desde a gestão eficiente de recursos hídricos e energéticos até o uso de tecnologias avançadas para otimização de processos produtivos”, aponta.
O especialista diz que a descarbonização da produção avícola envolve uma série de ações interligadas que abrangem diferentes níveis da cadeia produtiva. No âmbito dos produtores, abrange investimentos em instalações modernas, implementação de sistemas de captação e tratamento de água, uso de energias alternativas, como a fotovoltaica e os biodigestores, além do manejo sustentável. Já no contexto das empresas, práticas como a gestão sustentável de insumos, ração e animais, aliada à assistência técnica e a remuneração justa estão entre as principais estratégias. “Além disso, práticas de economia circular, que reaproveitam resíduos e promovem o uso racional dos recursos naturais, estão sendo amplamente incentivadas. A meta é monitorar a eficiência produtiva com a conservação ambiental e a segurança alimentar global”, salienta.
5 domínios do bem-estar animal

Gerente executivo de Sustentabilidade Agropecuária da Seara, Vamiré Luiz Sens Júnior: “Investidores e stakeholders estão cada vez mais atentos aos compromissos das empresas em relação à sustentabilidade” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
A modernização tecnológica também desempenha um papel importante para otimizar os custos operacionais. Entre as inovações, Sens Júnior cita novos layouts construtivos, atualização da matriz de mão de obra frente às novas tecnologias e adoção de novas tecnologias de equipamentos e manejo nas granjas. “Essas inovações estão diretamente conectadas ao bem-estar animal, uma preocupação crescente diante dos consumidores cada vez mais conscientes”, expõe, ressaltando que os cinco domínios do bem-estar animal – nutrição, ambiente, saúde, comportamento e estados mentais – orientam políticas de manejo que visam proporcionar condições adequadas às aves dentro das unidades produtoras.
Saúde única
Outro conceito destacado pelo especialista é a saúde única, que conecta a saúde humana, animal e ambiental. Sens Júnior menciona que cinco novas doenças humanas surgem a cada ano e alerta que 60% das doenças humanas têm origem animal, enquanto 20% das perdas na produção animal são causadas por enfermidades globais. “O Ministério da Agricultura e Pecuária prevê que a resistência aos antibióticos após 2050 será responsável por 10 milhões de mortes anuais. Esse cenário exige políticas públicas eficazes para prevenção e controle de doenças em níveis locais, regionais, nacionais e globais”, enfatiza.
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Avicultura
Produtora conquista pela quinta vez principal premiação avícola da C.Vale
Histórico de inovação, manejo rigoroso e climatização explica desempenho recorrente na integração.

O uso de alta tecnologia pela C.Vale tem uma marca histórica. Em 1997, a cooperativa deu início à criação comercial de frangos em ambiente climatizado, a primeira empresa brasileira a utilizar esse método. Até então, os sistemas de integração usavam apenas a ventilação convencional, sem resfriamento do ar no interior dos aviários. O controle da temperatura no interior dos aviários trouxe uma nova perspectiva, a melhoria da conversão alimentar.
Em Assis Chateaubriand, Anaí Bacci Naves e o marido Afonso passaram a fazer parte da integração C.Vale em 2012. Foram seguindo à risca as instruções da assistência técnica da cooperativa nos dois aviários climatizados onde alojam aproximadamente 60 mil frangos por lote na propriedade em São Francisco, interior do município. Depois que a C.Vale criou um programa que premia os melhores criadores de frango, Anaí e Afonso se saíram tão bem que ganharam cinco vezes seguidas o primeiro lugar na categoria Promob (Programa de Monitoramento e Organização de Biosseguridade).
O casal incorpora os avanços da avicultura para melhorar o desempenho dos lotes. “A C.Vale vem acompanhando todas as novas tecnologias disponíveis para o melhoramento de ambiência para as aves. Os resultados e a qualidade vêm melhorando nos últimos anos”, assegura Afonso. O casal está conseguindo rentabilidade de 52% sobre o faturamento do lote. A esposa Anaí diz, porém, que a tecnologia precisa estar acompanhada de um bom manejo. “Dedicação a cada lote, trabalhar com amor, estar presente. São os cuidados com os detalhes que fazem a diferença. Estamos orgulhosos e felizes”, assegura a pentacampeã da avicultura.
C.Vale premia profissionais da avicultura
Durante o encerramento do Dia de Campo, em 4 de dezembro, a C.Vale premiou os destaques do sistema de integração avícola. Na categoria Promob (Programa de Monitoramento e Organização de Biosseguridade), a vencedora foi Anaí Bacci Naves, de Assis Chateaubriand, que conquistou o título pela quinta vez consecutiva. Para ela, o segredo está na rotina bem-feita. “A dedicação a cada lote, estar presente e trabalhar com amor e carinho fazem a diferença. Fazer o simples bem-feito todos os dias e cuidar dos detalhes é o que garante resultado.”
Na categoria Conversão Alimentar, o vencedor foi Mário Toshio Yassue, de Terra Roxa. Ele destacou o esforço coletivo: “Fiquei muito feliz com o reconhecimento. É fruto de um trabalho sério, feito em família, com atenção aos mínimos detalhes e compromisso com a qualidade.”
A solenidade de premiação foi prestigiada pelos diretores Alexandre Tormen (Comercialização) e Luciano Trombetta (Produção), além de gerentes de departamentos e profissionais da avicultura.

Avicultura
Concurso de Qualidade de Ovos Capixaba evidencia profissionalização da avicultura de postura
Premiação destaca histórias de superação, inovação produtiva e padrões técnicos cada vez mais elevados no setor de ovos do Espírito Santo.

O Concurso de Qualidade de Ovos Capixaba 2025, promovido pela Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo (AVES), voltou a evidenciar o avanço técnico e a maturidade da avicultura de postura no Estado. Com ampla participação de produtores de diferentes regiões, a edição deste ano reuniu 27 amostras de ovos brancos e 12 de ovos vermelhos, avaliadas a partir de critérios técnicos rigorosos, consagrando os melhores produtos capixabas.
Mais do que uma competição, o concurso funciona como termômetro da evolução do setor, ao estimular boas práticas, gestão profissional e melhoria contínua da qualidade, em um mercado cada vez mais atento à segurança alimentar, rastreabilidade e diferenciação do produto.
Melhor Ovo Branco de 2025
Na categoria ovos brancos, o primeiro lugar ficou com a produtora Jerusa Stuhr, da Avícola Mãe e Filhos, localizada na comunidade de Córrego Rio Taquara, em Santa Maria de Jetibá, principal polo produtor de ovos do Espírito Santo. Com a vitória, a empresa passa a utilizar, de forma exclusiva, o selo “Melhor Ovo Branco do Espírito Santo – Concurso de Qualidade de Ovos Capixaba – 2025” em suas embalagens, um diferencial competitivo que reconhece a excelência do produto.
À frente da granja desde 2021, Jerusa construiu sua trajetória em meio a desafios pessoais e profissionais. Professora e diretora escolar por toda a vida, ela assumiu a atividade avícola após a perda do marido, então responsável pelo negócio. “Sem saber nada sobre a atividade, entrei com a cara e a coragem para não deixar acabar esse sonho”, relembra.
Ao lado dos filhos, Júnia e João, a produtora decidiu recomeçar, inclusive mudando o nome da empresa para Avícola Mãe e Filhos, símbolo da nova fase. “Seguimos firmes e fortes para alavancar o crescimento da empresa com fé, força e determinação, e com a ajuda dos nossos colaboradores, que estão sempre conosco”, afirma.
A decisão de participar do concurso surgiu a partir de um estímulo técnico interno. “O incentivo partiu da minha secretária, Lorrane, que acompanha as análises que fazemos e acreditou que tínhamos chance de ficar entre os três primeiros”, conta Jerusa.
O resultado, no entanto, superou as expectativas. “Foi muito importante e emocionante, principalmente pelo desafio que passamos ao longo do tempo em que estou à frente da granja. Essa conquista é extremamente importante para mim e para os meus filhos”, menciona.
Segundo a produtora, o desempenho no concurso reflete um trabalho coletivo e padronizado. “Desde a fabricação da ração até a coleta dos ovos, tudo envolve o empenho de toda a equipe em manter o padrão estabelecido para garantir um produto de qualidade”, ressalta.
Selo reforça credibilidade e gestão técnica
Além do certificado de campeã, a Avícola Mãe e Filhos passa a utilizar o selo oficial do concurso, ferramenta que agrega valor ao produto e fortalece a relação com o consumidor. Para Jerusa, o reconhecimento vai além do marketing. “É o orgulho de estar no caminho certo e ser reconhecido por isso”, enaltece Jerusa.
Todos os participantes do concurso também recebem relatórios técnicos detalhados, instrumento considerado estratégico para o aprimoramento da produção. “Com certeza ajuda. A partir dos detalhamentos, conseguimos identificar pontos de melhoria e seguir aprimorando a qualidade do nosso produto”, destaca.
Na avaliação da produtora, o concurso cumpre um papel estruturante para o setor. “É um incentivo para todos os avicultores. Ter o melhor ovo do Estado é um privilégio”, expõe Jerusa, fazendo um apelo aos colegas de atividade: “É muito importante a participação de todos, tanto para melhorar o produto quanto para divulgar o nosso município, maior produtor de ovos.”
Liderança no ovo vermelho
Na categoria ovos vermelhos, a excelência voltou a ter nome conhecido. A Ovos da Nonna, empresa do Grupo Venturini, conquistou, pela quarta vez consecutiva, o título de Melhor Ovo Vermelho do Espírito Santo, repetindo o desempenho das edições de 2020, 2021, 2022 e agora 2025.
Com 45 anos de tradição familiar no agronegócio, o Grupo Venturini criou a marca Ovos da Nonna há sete anos, com foco em qualidade superior e adoção do sistema livre de gaiolas. O nome homenageia a matriarca da família, Dona Helena Majone, a “Nonna”, símbolo dos valores que orientam o negócio.
Segundo Fellipe Venturini, representante do grupo, o concurso funciona como validação técnica do trabalho realizado na granja. “O concurso vem para garantir que realmente temos um ovo de alta qualidade. O método de criação contribui diretamente para isso, pois reduz o estresse das aves e impacta positivamente no sabor do ovo”, afirma.
No sistema adotado pela empresa, as galinhas têm liberdade de locomoção e podem expressar comportamentos naturais, o que, segundo o produtor, se reflete diretamente na qualidade do alimento. “Tudo isso resulta em um produto extremamente saboroso”, evidencia.
O desempenho consistente ao longo dos anos reforça a estratégia adotada pela empresa. “Receber esse resultado mais uma vez nos dá a certeza de que estamos no caminho certo, produzindo um produto de excelência”, diz Fellipe.
Os cuidados envolvem rígidos protocolos sanitários, manejo preciso e alimentação de alta qualidade. “Sanidade, nutrição adequada, método de criação e bons tratos são fundamentais. Acreditamos muito no sistema livre de gaiolas e o bem-estar animal tem se mostrado decisivo para os resultados que alcançamos”, pontua.
Concurso fortalece setor e aproxima consumidor
Para Venturini, o selo de qualidade do Concurso Capixaba também cumpre papel relevante junto ao consumidor final. “A AVES faz um trabalho muito importante de marketing e informação, mostrando os critérios e métodos de avaliação utilizados. Isso ajuda o público a entender, de forma clara, o que realmente significa qualidade”, enfatiza.
Ele também incentiva a adesão de novos produtores. “Quem entra é quem acredita no seu produto. As análises são extremamente criteriosas, conduzidas por um corpo técnico altamente capacitado. O concurso mostra, de forma transparente, o posicionamento real do produto no mercado e atesta, ao final, sua qualidade”, frisa.
Ao reconhecer excelência técnica, incentivar boas práticas e valorizar histórias humanas por trás da produção, o Concurso de Qualidade de Ovos Capixaba 2025 reforça o compromisso da AVES com o fortalecimento da avicultura de postura e com a entrega de alimentos cada vez mais qualificados ao consumidor capixaba.
Avicultura Retrospectiva 2025
Impulsionado por exportações e consumo interno mercado de ovos cresce em 2025
Produção avança, preços atingem picos no primeiro trimestre e embarques ao exterior batem recorde, mesmo com ajustes ao longo do ano e desafios pontuais no mercado internacional.

Em 2025, o mercado de ovos manteve trajetória positiva, com produção e embarques recordes, apesar do caso de gripe aviária em granja comercial, em maio.
Pesquisas do Cepea mostram que as cotações atingiram recordes reais no início do ano; mas, com o aumento da oferta interna ao longo de 2025, passaram a recuar. Ainda assim, o bom ritmo dos embarques ajudou a limitar a baixa interna.
Os preços da proteína iniciaram 2025 abaixo dos praticados em dezembro/24, refletindo a demanda ainda retraída, típica do começo do ano. Em fevereiro, porém, o aumento gradual da procura com o retorno das aulas escolares e a oferta mais limitada elevaram os valores, que atingiram os maiores patamares da série histórica do Cepea. As altas persistiram até março, período em que tradicionalmente a demanda pela proteína é impulsionada pela Quaresma. No entanto, passaram a cair a partir de abril em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea, com exceção de agosto.

Foto: Freepik
A produção nacional de ovos para consumo somou 3,04 bilhões de dúzias (de janeiro a setembro/25), volume 6,9% superior ao do mesmo período de 2024 e um recorde, de acordo com o IBGE. No mercado externo, a evolução dos casos de gripe aviária reduziu a oferta de ovos em diversos países.
Nos EUA, um surto significativo levou o país a intensificar as compras da proteína brasileira, cujo volume, entre janeiro e novembro, superou em 825% o total importado no ano anterior.
Segundo a Secex, nos 11 primeiros meses de 2025, os embarques de ovos in natura e processados somaram 38,64 mil toneladas, 109% acima do volume de todo o ano de 2024 e um recorde.
O setor também enfrentou alguns desafios externos. O tarifaço imposto pelo governo norte-americano em agosto reduziu os envios dos ovos aos EUA. Por outro lado, novos mercados foram abertos, como o México. Além disso, a rápida resolução do caso isolado de IAAP permitiu ao Brasil a retomada do seu status sanitário internacional e evidenciou o potencial do País para seguir atendendo as crescentes demandas interna e externa.



