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Desafios provocam perdas de até 70% e expõem fragilidade sanitária na tilapicultura brasileira

Disseminação de patógenos entre regiões, ausência de controle de trânsito e falhas de manejo ampliam prejuízos e pressionam competitividade do setor.

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Imagem: Jaqueline Galvão/O Presente Rural/ChatGPT

A tilapicultura brasileira enfrenta um cenário sanitário que combina alta mortalidade, dispersão acelerada de patógenos e fragilidade no controle de trânsito de animais. Dados de estudos recentes indicam perdas acumuladas que podem chegar a 70,9% em sistemas de tanque-rede e 61,2% em viveiros escavados ao longo de todo o ciclo produtivo, da larva ao abate.

A maior parte dessas perdas ocorre nas fases iniciais, mas o impacto econômico mais severo se concentra na fase final, quando os peixes já consumiram grande volume de ração e atingiram maior peso comercial. “As estreptococoses são, de longe, as principais doenças que impactam a fase de crescimento e engorda na tilapicultura. E ela dói muito no bolso do produtor porque mata animal pesado, que já consumiu muita ração”, afirma o médico-veterinário e mestre em Aquicultura, Santiago Benites de Pádua.

Médico-veterinário e mestre em Aquicultura, Santiago Benites de Pádua: “As estreptococoses são, de longe, as principais doenças que impactam a fase de crescimento e engorda na tilapicultura. E ela dói muito no bolso do produtor porque mata animal pesado, que já consumiu muita ração” – Foto: Divulgação

Segundo ele, o conjunto de doenças causadas por diferentes espécies e sorotipos de bactérias, como Streptococcus agalactiae, Streptococcus iniae, Streptococcus dysgalactiae e Lactococcus petauri, representa hoje o principal fator de prejuízo direto na produção.

A movimentação de peixes vivos entre regiões é apontada como o principal vetor de disseminação de patógenos no país. A ausência de restrições sanitárias nacionais permite o trânsito irrestrito de animais entre estados produtores, o que acelera a propagação de doenças. “O que se observa hoje no Brasil é que não temos nenhuma restrição de movimentação de animais entre diferentes regiões. Isso permite que produtores movimentem animais para qualquer estado produtor de tilápia”, diz Santiago.

Esse cenário favoreceu a expansão recente do Streptococcus agalactiae sorotipo 3, considerado a cepa mais virulenta em circulação no país. Identificado inicialmente no Nordeste em 2016, o patógeno se disseminou por toda a região em seis meses e permaneceu restrito por quase uma década. Nos últimos 18 meses, porém, avançou para o Sudeste. “Hoje o sorotipo 3 está no Nordeste inteiro, no Triângulo Mineiro e no Espírito Santo. E a tendência é avançar para São Paulo até o final do ano”, prevê.

A disseminação está diretamente associada à compra de juvenis entre regiões. Diferentemente de outras bactérias, cuja dispersão ocorre via produtos abatidos, o sorotipo 3 está ligado principalmente ao transporte de animais vivos.

Risco sanitário crescente

O principal polo produtivo do país, o Paraná, ainda apresenta predominância do Streptococcus agalactiae sorotipo 1B. No entanto, já há registro de Lactococcus petauri no Norte do estado, ampliando o risco sanitário para outras regiões. “Da região Norte para o Oeste do Paraná é um pulo, desde que movimentem animais. Então existe esse risco”, alerta.

Além disso, há preocupação com o avanço do sorotipo 1A, considerado o mais patogênico globalmente e já presente em países da América Latina, como Colômbia, México e Honduras. “Embora muitos digam que essa doença está longe, ela pode chegar à aquicultura brasileira. Porque temos falhas no sistema sanitário que permitem essa movimentação”, ressalta Pádua.

Efeito indireto nas exportações

Foto: Santiago Pádua

A presença do sorotipo 1A em países latino-americanos teve impacto direto na oferta global de tilápia. Segundo o especialista, esses mercados registraram redução de produção entre 30% e 50% nos últimos cinco anos. “Foi quando o Brasil escalonou e conseguiu exportar mais, porque não tem registro do sorotipo 1A. Esse problema nos outros países acabou virando uma oportunidade para o Brasil”, salienta o médico-veterinário, alertando que a entrada dessa cepa no território brasileiro poderia reverter essa vantagem competitiva.

Clima e emergência de novos patógenos

Fatores ambientais também contribuem para o agravamento sanitário. Ondas de calor, especialmente associadas ao fenômeno El Niño, aumentam a incidência e a severidade das doenças. “Essas cepas aumentam muito o impacto no período do verão. Não sabemos se já estavam presentes e o aquecimento favoreceu a proliferação, mas o impacto em altas temperaturas é muito maior”, destaca o mestre em Aquicultura.

O surgimento do Lactococcus petauri, inicialmente registrado em tilápias no Mato Grosso em 2020, também levanta hipóteses sobre adaptação de patógenos entre espécies, embora ainda sem confirmação científica.

Mortalidade elevada e custo crescente

Foto: Santiago Pádua

Apesar das perdas expressivas nas fases iniciais, que concentram mais de 90% da mortalidade ao longo do ciclo, o produtor percebe com maior intensidade os prejuízos na etapa final, quando a biomassa está mais elevada e concentrada em um intervalo curto, geralmente entre três e quatro meses, no verão. “É nesse período que o produtor vê a perda e sente no bolso de forma muito aguda”, menciona Pádua, ressaltando: “O foco costuma recair sobre cerca de 10% de mortalidade na fase final, justamente porque é quando os peixes já atingiram maior peso e consumiram mais ração”.

Nas fases jovens, embora as taxas de mortalidade sejam significativamente mais altas, as perdas ocorrem de forma diluída ao longo do ano e envolvem animais de menor peso, o que reduz a percepção imediata do prejuízo.

Para o especialista, o cenário exige mudança de abordagem na gestão sanitária. “Hoje observamos que, considerando todo o ciclo de produção, as perdas são muito altas. É necessário um gerenciamento sanitário efetivo para melhorar a sobrevivência dos animais em todas as fases. Isso vai implicar em maior competitividade e redução do custo de produção”, reforça.

O aumento no custo dos alevinos também amplia o impacto financeiro. Novas linhagens genéticas podem custar até R$ 0,35 por unidade, praticamente o dobro das genéticas disponíveis há mais tempo no mercado. “Antes perder um animal de R$ 0,18 era uma coisa. Agora perder um de R$ 0,30 muda completamente o impacto”, ressalta.

Defasagem técnica e resposta reativa

A estrutura sanitária da aquicultura ainda é considerada insuficiente frente à complexidade dos desafios. O modelo predominante é reativo, com ações tomadas após a ocorrência de surtos. “Primeiro a doença chega, depois se vê o que fazer. Isso não é só no Brasil, é no mundo”, enfatiza o especialista.

O contraste com outras cadeias, como a avicultura, é evidente. Enquanto o setor de frango possui forte regulação sanitária e controle de trânsito, a tilapicultura ainda carece de instrumentos equivalentes. “Se tivéssemos restrição de movimentação como na suinocultura, o sorotipo 3 teria permanecido no Nordeste”, afirma.

Vacinação e limitações operacionais

Foto: UEL

A estruturação de programas vacinais na tilapicultura brasileira esbarra em limitações técnicas, operacionais e sanitárias que comprometem a eficácia das estratégias de controle de doenças. A combinação entre mudanças no sistema produtivo, uso inadequado de vacinas e ausência de base diagnóstica consistente tem ampliado o risco de falhas imunológicas, especialmente nos períodos de maior desafio sanitário.

Segundo Pádua, a transição do modelo de produção de juvenis, antes concentrado em tanques-rede e agora cada vez mais migrando para viveiros escavados, introduziu novas variáveis que afetam diretamente a resposta imune dos peixes. “Vacinar o peixe no viveiro escavado é muito mais desafiador. O produtor que migra para esse sistema passa a lidar com problemas de qualidade de água que impactam diretamente a imunidade do animal”, afirma.

A qualidade ambiental surge como fator crítico para o sucesso da vacinação. Em muitos casos, o peixe é imunizado em condições inadequadas, com o sistema imune já comprometido, o que reduz a capacidade de resposta ao estímulo vacinal. “Frequentemente tenho lidado com problemas de qualidade ambiental impactando a capacidade imune do animal. O produtor vacina, mas o animal já está imunossuprimido. Ele não responde bem e, no verão, ocorre escape vacinal ou falha vacinal”, relata o médico-veterinário, destacando que nesse cenário perdas sanitárias continuam ocorrendo mesmo em lotes vacinados, sobretudo nos períodos de temperaturas elevadas, quando a pressão de patógenos aumenta.

Definição do protocolo vacinal

A definição do protocolo vacinal exige análise prévia do destino produtivo e do histórico sanitário da propriedade. A lógica de vacinação varia conforme o perfil do produtor. “O produtor precisa avaliar onde o animal vai ser engordado. Se ele fornece juvenil para o mercado, a escolha da vacina depende do desafio do cliente. Se produz para si mesmo, precisa considerar o histórico de doenças da própria propriedade e os riscos de introdução”, explica.

Essa abordagem demanda integração entre diagnóstico, epidemiologia regional e planejamento produtivo, um nível de gestão ainda pouco disseminado no setor.

Limite técnico impõe seleção de patógenos

Apesar da existência de múltiplos agentes, Pádua diz que não é tecnicamente viável imunizar contra todos simultaneamente. No Brasil, estima-se a presença de cerca de cinco patógenos de alta relevância por sistema produtivo, mas a recomendação é focar em três. Entre os principais alvos estão o vírus ISKRV, Streptococcus agalactiae (especialmente sorotipos 1B e 3) e Lactococcus petauri. “A tentativa de ampliar excessivamente a cobertura vacinal pode gerar efeito contrário. Se colocar muitos agentes na vacina, o animal diminui a capacidade de resposta. É inviável trabalhar com sete agentes simultaneamente”, frisa.

Estratégia escalonada ganha espaço

Foto: Shutterstock

Para contornar essa limitação, produtores têm adotado protocolos escalonados, com vacinação em etapas. O modelo prevê imunização inicial contra agentes virais, seguida posteriormente por vacinas bacterianas. “O produtor vacina primeiro contra o vírus na fase de 10 gramas. Depois, quando o animal chega a 30 ou 40 gramas, aplica vacina contra três patógenos bacterianos. Isso permite uma resposta imune mais eficiente”, pontua.

O intervalo entre aplicações é considerado essencial para garantir que o organismo do peixe consiga desenvolver resposta adequada a cada estímulo.

Defasagem técnica persiste no campo

Apesar da evolução das ferramentas disponíveis, o setor ainda opera majoritariamente de forma reativa. A chegada de doenças continua precedendo a adoção de medidas estruturais de controle. “Existe uma defasagem muito grande. Primeiro a doença chega, depois se vê o que fazer. Isso não é só no Brasil, é no mundo”, afirma.

O especialista cita o caso da salmonicultura chilena, que só estruturou um sistema robusto de biosseguridade após o colapso provocado pelo vírus da Anemia Infecciosa do Salmão.

Regulação sanitária ainda é incipiente

A diferença entre cadeias produtivas é apontada como um dos entraves estruturais. Enquanto a avicultura brasileira possui arcabouço sanitário consolidado, com forte atuação do Ministério da Agricultura, a aquicultura ainda está em fase de estruturação.

A ausência de regras para controle de trânsito de animais é um dos pontos mais críticos. Modelos já adotados em outras cadeias, como a suinocultura, são citados como referência. “O Brasil tem legislação que impede a movimentação de suínos entre regiões com status sanitário diferente. Deveria ter isso para tilápia. Se tivéssemos, o sorotipo 3 teria permanecido restrito ao Nordeste”, salienta.

Capacitação técnica

Diante desse cenário, a capacitação técnica e o uso de informação estruturada são apontados como caminhos para reduzir perdas e aumentar a eficiência produtiva.

Foto: Jonathan Campos/AEN

A definição de protocolos vacinais eficazes depende da combinação entre diagnóstico frequente, monitoramento ambiental e conhecimento epidemiológico regional. “Isso exige um nível de conhecimento que o setor não está acostumado. Por isso, iniciativas de capacitação são fundamentais para apoiar a tomada de decisão”, aponta Pádua.

A tendência, segundo o especialista, é que a cadeia avance gradualmente para um modelo mais estruturado, à medida que aumenta a pressão econômica e sanitária sobre a produção. Enquanto isso, a vacinação segue como ferramenta central, mas limitada pela execução no campo. “Sem integração com manejo, ambiência e diagnóstico, o uso isolado de vacinas tende a perder eficiência e, em alguns casos, apenas posterga perdas que continuam ocorrendo no ciclo produtivo”, enfatiza o especialista.

Gestão baseada em dados como diferencial

O especialista evidencia que a ausência de indicadores básicos de desempenho e de monitoramento contínuo limita a capacidade de antecipação de problemas sanitários e compromete a tomada de decisão nas propriedades. “O produtor hoje muitas vezes não sabe qual é a conversão alimentar da produção. Ele não tem histórico. E sem isso não se consegue construir uma gestão sanitária eficiente”, salienta o mestre em Aquicultura.

Segundo ele, o primeiro passo é estabelecer indicadores produtivos, com foco na mensuração de mortalidade e biomassa perdida ao longo do ciclo. A análise desses dados permite identificar períodos críticos e agir preventivamente. “O produtor precisa contabilizar e pesar as perdas. Isso vira o principal indicador da equipe técnica. Se dezembro tem pico de mortalidade, não é em dezembro que resolve, é nos meses anteriores”, explica.

Pádua recomenda acompanhar, no mínimo, três variáveis centrais: taxa de mortalidade mensal, volume de animais alojados e biomassa perdida. Esses dados precisam ser analisados por fase produtiva, já que os desafios sanitários variam entre larvicultura, recria e engorda. “São desafios completamente diferentes. Uma coisa é ter um milhão de animais de um quilo, outra é ter mil toneladas de animais de uma grama. A pressão sanitária está ligada à população, não à biomassa”, menciona.

Mesmo perdas aparentemente pequenas podem comprometer o sistema produtivo. Um índice de 30% de mortalidade na fase juvenil, por exemplo, representa baixa biomassa perdida, mas afeta diretamente o escalonamento da produção e o abastecimento da indústria.

Ambiente e doenças estão diretamente conectados

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O monitoramento ambiental é outro eixo central da gestão sanitária. Temperatura e oxigênio dissolvido devem ser acompanhados diariamente, com atenção à variabilidade dentro dos próprios sistemas de cultivo. “O produtor mede oxigênio no meio do viveiro e diz que está bom. Mas mediu dentro da gaiola? Muitas vezes está diferente por acúmulo de lodo ou obstrução, e isso ocorre com frequência”, alerta.

A floração de algas também aparece como fator crítico, associada à intoxicação dos peixes e ao aumento da suscetibilidade a doenças infecciosas. “Hoje, algas nocivas são protagonistas. Elas induzem intoxicação e aumentam a suscetibilidade a agentes como ISKNV, estreptococos e francisella”, afirma.

Diagnóstico contínuo orienta decisões

A ausência de rotina diagnóstica impede o controle efetivo das doenças. Segundo Pádua, a identificação dos agentes precisa ser contínua e segmentada por fase e período do ano. “Sem diagnóstico frequente eu não consigo fazer gerenciamento sanitário. Preciso saber com o que estou lidando, por fase e por época”, enfatiza, destacando que esse diagnóstico deve integrar análises de campo e laboratoriais, formando uma base de dados longitudinal capaz de sustentar decisões técnicas.

Estratégia nutricional

A estratégia nutricional também deve ser ajustada conforme o desafio sanitário. O uso de um único programa ao longo do ano é apontado como prática comum, mas inadequada. “A maioria usa um padrão único e, quando começa a mortalidade, culpa a ração. Mas o desafio muda ao longo do ano”, enaltece Pádua.

Nesse contexto, ganha espaço o conceito de imunonutrição, com foco na saúde intestinal, especialmente no verão, quando há maior pressão bacteriana. “Saúde intestinal é ponto focal no verão, porque é a principal porta de entrada de bactérias”, salienta.

Modelo integrado define pontos de ação

A consolidação dos dados produtivos, ambientais e sanitários permite a construção de modelos de decisão baseados em limites operacionais. A definição de pontos de corte para mortalidade é um dos exemplos. “Taxa de mortalidade acima de 0,1% ao dia já é alerta. Passou de 0,2% ou 0,3%, precisa acionar estratégia terapêutica imediatamente”, pontua o especialista.

As ações podem incluir uso de medicamentos, ajustes de manejo, despesca antecipada ou até jejum, dependendo das condições ambientais. “O produtor não pode esperar chegar a 5% de mortalidade para agir. A decisão precisa ser baseada em dados e tomada no início do problema”, diz Pádua.

Pressão de mercado acelera mudança

Foto: Jaelson Lucas

A baixa integração de dados ainda é uma característica da piscicultura, mas a pressão econômica tem forçado mudanças no perfil de gestão. “Hoje a interconexão de dados é muito baixa. Mas quando dói no bolso, o produtor muda”, expõe Pádua.

Mesmo com crescimento recente nas exportações, o Brasil enfrenta pressão competitiva, inclusive com aumento das importações de tilápia. “Hoje o Brasil importa mais tilápia do que exporta. E estamos perdendo competitividade dentro da porteira”, ressalta Pádua.

Para o especialista, a sanidade é o principal fator sob controle direto do produtor. “Se reduzo 20% a 30% das perdas, aumento muito minha competitividade. E isso está na mão do produtor”, enfatiza.

Mudança de postura

A tendência é que a adoção de modelos estruturados de gestão sanitária ocorra cada vez mais entre grandes grupos, com maior capacidade de investimento e acesso à tecnologia. “Quem já está fazendo ou vai fazer são as agroindústrias. Os demais acabam seguindo ou ficam fora do mercado”, alerta.

Entretando, a adoção de gestão sanitária estruturada depende de capacitação técnica e mudança de mentalidade no campo. “O produtor precisa deixar de culpar fatores externos e olhar para dentro da porteira. A sanidade é responsabilidade dele”, afirma Pádua.

A expectativa é que, com a disseminação de conhecimento e uso de indicadores, o setor passe por uma transição nos próximos anos. “Quando o produtor implementar e ver o resultado, as coisas começam a mudar. Em até cinco anos devemos ver essa transformação”, estima.

Capacitação

Fotos: Divulgação/Aquishow Brasil

Durante a Aquishow Brasil 2026 será realizado o curso de Sanidade na Tilapicultura, com foco em patógenos emergentes, imunidade e estratégias de controle. A programação acontece nos dias 09 e 10 de junho e inclui painéis sobre expansão do Streptococcus agalactiae sorotipo 3, manejo sanitário baseado em dados e impactos de doenças na América Latina, reunindo pesquisadores e especialistas do Brasil e do exterior.

Promovido em parceria com a Aquivet Saúde Aquática, o curso tem como objetivo discutir a gestão sanitária como ferramenta para aumento da competitividade na piscicultura. A capacitação é voltada a produtores, gestores de piscicultura, equipes de controle de qualidade, técnicos das áreas de nutrição, aditivos e produtos veterinários, além de profissionais da indústria de vacinas e de pesquisa e desenvolvimento.

Entre os palestrantes estão Santiago Benites de Pádua; o professor da UFMG e especialista em Microbiologia, Henrique Figueiredo; o pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, Francisco Yan Tavares Reis; e Paola Barato, consultora internacional em sanidade aquícola.

A versão digital do jornal de Aquicultura é gratuita e pode ser acessada na íntegra clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

Peixes

Tilápia registra queda nas cotações em todas as principais regiões produtoras

Levantamento do Cepea mostra retração semanal entre 0,10% e 0,61% nos preços pagos ao produtor.

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Os preços da tilápia apresentaram recuo em todas as principais regiões produtoras monitoradas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) na semana de 13 a 17 de julho.

O maior valor foi registrado no Norte do Paraná, onde o quilo da tilápia foi negociado a R$ 10,31, apesar da retração semanal de 0,61%. Em seguida aparecem o Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, com cotação de R$ 10,04 por quilo e queda de 0,50%, e a região dos Grandes Lagos, onde o preço fechou em R$ 9,80, recuo de 0,52%.

Em Morada Nova de Minas, o quilo da tilápia foi comercializado a R$ 9,48, com desvalorização de 0,26% na comparação com a semana anterior.

No Oeste do Paraná, a cotação ficou em R$ 8,70 por quilo, a menor entre as regiões pesquisadas. Apesar disso, o mercado registrou a menor variação negativa da semana, com queda de 0,10%.

Os dados são do levantamento semanal do Cepea, que acompanha a evolução dos preços da tilápia nas principais regiões produtoras do país.

Fonte: Assessoria Cepea
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Seguro-defeso pode passar a ser pago durante todo o período de proibição da pesca

Mudança também prevê cadastro nacional de pescadores artesanais e regras mais rígidas para combater fraudes na concessão do benefício.

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Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados prevê que o Seguro-Desemprego do Pescador Artesanal seja pago durante todo o período em que a pesca estiver proibida por medidas de preservação ambiental.

O Projeto de Lei 806/2026 altera a Lei nº 10.779/2003, que regulamenta o seguro-defeso, benefício concedido aos pescadores artesanais durante a paralisação temporária da atividade para garantir a reprodução das espécies.

Foto: Claudio Neves

Segundo o texto, o objetivo é evitar situações em que o pescador permanece impedido de exercer a atividade por determinação legal, mas deixa de receber o benefício durante parte do período de restrição.

Além da ampliação da cobertura, a proposta cria o Cadastro Nacional de Pescadores Artesanais e Marisqueiras. A ferramenta deverá reunir informações para registro, controle e cruzamento de dados, permitindo maior fiscalização na concessão e no acompanhamento do seguro-defeso.

O projeto também endurece as regras contra fraudes. Pela proposta, quem obtiver ou tentar obter o benefício mediante fraude ou má-fé ficará impedido de participar ou receber benefícios de programas sociais.

Autores da proposta, os deputados Carla Dickson (PL-RN) e Sargento Gonçalves (PL-RN) afirmam que a medida busca garantir que os recursos do seguro-defeso sejam destinados exclusivamente aos profissionais que dependem da pesca artesanal como fonte de renda.

Tramitação

O projeto será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para entrar em vigor, a proposta ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

Fonte: O Presente Rural
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Ruído de embarcações compromete comunicação dos peixes, aponta estudo

Pesquisa da UFPE indica que a poluição sonora pode afetar alimentação, reprodução e defesa de território, com reflexos para a saúde dos recifes e da pesca.

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O ruído de motores de embarcações, como lanchas e motos aquáticas, e de banhistas afeta a comunicação sonora entre os peixes, o que pode causar impactos negativos na alimentação, reprodução e defesa de território de várias espécies. A poluição sonora encobre os sons emitidos pelos peixes e representa risco para a saúde de recifes de corais.

A constatação faz parte de um artigo de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), publicado nesta segunda-feira (20), na revista científica Neotropical Ichthyology e divulgado pela Agência Bori, voltada a estudos científicos.

Foto: MPA

Apesar de a publicação ser em inglês, o periódico é editado pela revista oficial da Sociedade Brasileira de Ictiologia (SBI). A ictiologia é o ramo da zoologia dedicado ao estudo científico dos peixes.

De acordo com um dos autores do estudo, Túlio Freire Xavier, do Laboratório de Pesquisa em Ictiologia e Ecologia de Recifes da UFPE, a análise mostrou que “houve uma redução clara na ocorrência dos sons produzidos pelos peixes”.

Segundo ele, a diminuição foi identificada “justamente” onde havia maior presença de ruído causado pela ação humana. “Isso pode acontecer porque os sons ficam mascarados pelo barulho das embarcações, tornando-se mais difíceis de detectar, ou porque alguns peixes realmente reduzem ou alteram sua produção sonora em resposta ao ruído”, diz.

Ele detalha que muitos peixes utilizam sons durante comportamentos como reprodução, defesa de território e alimentação. “Se essa comunicação for prejudicada, esses comportamentos também podem ser afetados”, assinala.

Praias turísticas

O estudo monitorou ruídos produzidos pela atividade humana, como de motores de embarcações, de parapentes e da própria movimentação de banhistas no mar. Ao mesmo tempo, os pesquisadores acompanharam os sons emitidos por peixes nessas áreas.

Foto: Denis Ferreira Netto/SEDEST

O trabalho de campo foi conduzido em duas regiões turísticas no litoral de Pernambuco: as praias de Carneiros, na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guadalupe; e Tamandaré, na APA Costa dos Corais.

Essas duas praias foram selecionadas por serem destinos turísticos populares com dinâmicas diferentes, o que permitiu comparar os impactos sonoros.

Carneiros é um destino popular durante o ano todo, enquanto Tamandaré apresenta variações sazonais, com pico no verão.

Em cada praia, os pesquisadores mediram os sons tanto em pontos perto da costa, mais influenciados pela atividade humana; e pontos abrigados, onde a estrutura de recifes serve como barreira para o som.

Forma de medição

Para chegar aos resultados, os pesquisadores instalaram nos pontos de monitoramento um sistema de gravação subaquática. Cada sessão de monitoramento teve dez horas contínuas de gravação diária, somando 80 horas de dados acústicos.

Além de captura dos sons, mergulhadores fizeram uma espécie de censo visual, contando a quantidade e espécie de peixes. Foram encontradas de 18 a 23 espécies. Em Carneiros, eles localizaram quase 1,4 mil peixes.

Os registros foram realizados em janeiro e fevereiro de 2022, período de alta temporada, e em abril de 2023.

Sons dos peixes

A pesquisa identificou nove diferentes tipos de sons de peixes. Três deles deixaram de ser emitidos em locais expostos à presença de pessoas.

A ictiologia explica que os peixes produzem grande diversidade de sons, que são fundamentais para sua comunicação e sobrevivência nos recifes, que se manifestam por meio de pulsos, às vezes únicos, às vezes repetidos e formando sequências. Alguns peixes não produzem sons.

Foto: Divulgação

Os sons emitidos pelos peixes são relacionados a comportamentos específicos e famílias de peixes. Biologicamente, são essenciais para localização de parceiros e reprodução, defesa de território contra invasores, interações em grupo, e alimentação e detecção de predadores.

A poluição sonora humana foi relacionada também à redução na complexidade acústica – índice que mede a variação de padrões sonoros dos peixes ao longo do tempo.

Os ruídos causam um fenômeno chamado “mascaramento acústico”, quando o som contínuo dos barcos esconde sinais acústicos dos peixes. Outro impacto é a supressão de comportamento, quando o ruído pode levar os peixes a reduzir ou cessar vocalizações.

Consequências

O pesquisador Túlio Freire Xavier destaca que os peixes da região são fundamentais para a saúde dos recifes de corais, contribuindo para o equilíbrio de cadeias alimentares. “Os peixes recifais desempenham papéis importantes no controle de algas, na manutenção dos corais e na produtividade desses ambientes.”

Ele ressalta que os recifes sustentam atividades importantes para a economia da região, como o turismo e a pesca artesanal. “Quando a poluição sonora interfere no comportamento desses peixes, existe o potencial de afetar, ainda que de forma indireta, os serviços ecossistêmicos que esses ambientes oferecem”, diz.

Outras regiões

O especialista da UFPE aponta que, apesar de o experimento ter sido realizado no litoral pernambucano, o impacto de sons da atividade humana na vida dos peixes não é “exclusivo desses locais”. “Sempre que houver intenso tráfego de embarcações, turismo náutico ou outras fontes de ruído subaquático que coincidam com as frequências utilizadas pelos peixes, existe potencial para impactos semelhantes”, afirma.

“A intensidade desses efeitos provavelmente varia de acordo com a quantidade de embarcações, as características do recife e as espécies presentes, mas o problema pode ocorrer em outros importantes recifes brasileiros, como Abrolhos e Fernando de Noronha”, complementa.

Limites sustentáveis

Túlio Xavier explica que ainda não existem limites universalmente aceitos para níveis seguros de ruído em ambientes recifais voltados à proteção dos peixes. “Esse é um campo que ainda precisa avançar bastante. Estudos como o nosso ajudam justamente a construir esse conhecimento”, diz.

Ele destaca que o conhecimento científico gerado é compartilhado com gestores e comunidades locais, para contribuir com políticas públicas de manejo das regiões.

O especialista em biologia marinha da UFPE sustenta que turismo e conservação não precisam ser incompatíveis, mas que o componente acústico deve passar a ser considerado no planejamento das atividades. “O ruído subaquático é uma forma de poluição que normalmente passa despercebida”, avalia.

Ele aponta que medidas “relativamente simples”, como organizar rotas de embarcações, reduzir a velocidade em áreas sensíveis e evitar concentração excessiva de atividades sobre determinados recifes, podem contribuir para diminuir esse impacto. “Proteger a paisagem sonora significa também ajudar a preservar o funcionamento ecológico desses ecossistemas e os benefícios que eles oferecem à sociedade.”

Fonte: Agência Brasil
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