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Peixes

Desafios provocam perdas de até 70% e expõem fragilidade sanitária na tilapicultura brasileira

Disseminação de patógenos entre regiões, ausência de controle de trânsito e falhas de manejo ampliam prejuízos e pressionam competitividade do setor.

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Imagem: Jaqueline Galvão/O Presente Rural/ChatGPT

A tilapicultura brasileira enfrenta um cenário sanitário que combina alta mortalidade, dispersão acelerada de patógenos e fragilidade no controle de trânsito de animais. Dados de estudos recentes indicam perdas acumuladas que podem chegar a 70,9% em sistemas de tanque-rede e 61,2% em viveiros escavados ao longo de todo o ciclo produtivo, da larva ao abate.

A maior parte dessas perdas ocorre nas fases iniciais, mas o impacto econômico mais severo se concentra na fase final, quando os peixes já consumiram grande volume de ração e atingiram maior peso comercial. “As estreptococoses são, de longe, as principais doenças que impactam a fase de crescimento e engorda na tilapicultura. E ela dói muito no bolso do produtor porque mata animal pesado, que já consumiu muita ração”, afirma o médico-veterinário e mestre em Aquicultura, Santiago Benites de Pádua.

Médico-veterinário e mestre em Aquicultura, Santiago Benites de Pádua: “As estreptococoses são, de longe, as principais doenças que impactam a fase de crescimento e engorda na tilapicultura. E ela dói muito no bolso do produtor porque mata animal pesado, que já consumiu muita ração” – Foto: Divulgação

Segundo ele, o conjunto de doenças causadas por diferentes espécies e sorotipos de bactérias, como Streptococcus agalactiae, Streptococcus iniae, Streptococcus dysgalactiae e Lactococcus petauri, representa hoje o principal fator de prejuízo direto na produção.

A movimentação de peixes vivos entre regiões é apontada como o principal vetor de disseminação de patógenos no país. A ausência de restrições sanitárias nacionais permite o trânsito irrestrito de animais entre estados produtores, o que acelera a propagação de doenças. “O que se observa hoje no Brasil é que não temos nenhuma restrição de movimentação de animais entre diferentes regiões. Isso permite que produtores movimentem animais para qualquer estado produtor de tilápia”, diz Santiago.

Esse cenário favoreceu a expansão recente do Streptococcus agalactiae sorotipo 3, considerado a cepa mais virulenta em circulação no país. Identificado inicialmente no Nordeste em 2016, o patógeno se disseminou por toda a região em seis meses e permaneceu restrito por quase uma década. Nos últimos 18 meses, porém, avançou para o Sudeste. “Hoje o sorotipo 3 está no Nordeste inteiro, no Triângulo Mineiro e no Espírito Santo. E a tendência é avançar para São Paulo até o final do ano”, prevê.

A disseminação está diretamente associada à compra de juvenis entre regiões. Diferentemente de outras bactérias, cuja dispersão ocorre via produtos abatidos, o sorotipo 3 está ligado principalmente ao transporte de animais vivos.

Risco sanitário crescente

O principal polo produtivo do país, o Paraná, ainda apresenta predominância do Streptococcus agalactiae sorotipo 1B. No entanto, já há registro de Lactococcus petauri no Norte do estado, ampliando o risco sanitário para outras regiões. “Da região Norte para o Oeste do Paraná é um pulo, desde que movimentem animais. Então existe esse risco”, alerta.

Além disso, há preocupação com o avanço do sorotipo 1A, considerado o mais patogênico globalmente e já presente em países da América Latina, como Colômbia, México e Honduras. “Embora muitos digam que essa doença está longe, ela pode chegar à aquicultura brasileira. Porque temos falhas no sistema sanitário que permitem essa movimentação”, ressalta Pádua.

Efeito indireto nas exportações

Foto: Santiago Pádua

A presença do sorotipo 1A em países latino-americanos teve impacto direto na oferta global de tilápia. Segundo o especialista, esses mercados registraram redução de produção entre 30% e 50% nos últimos cinco anos. “Foi quando o Brasil escalonou e conseguiu exportar mais, porque não tem registro do sorotipo 1A. Esse problema nos outros países acabou virando uma oportunidade para o Brasil”, salienta o médico-veterinário, alertando que a entrada dessa cepa no território brasileiro poderia reverter essa vantagem competitiva.

Clima e emergência de novos patógenos

Fatores ambientais também contribuem para o agravamento sanitário. Ondas de calor, especialmente associadas ao fenômeno El Niño, aumentam a incidência e a severidade das doenças. “Essas cepas aumentam muito o impacto no período do verão. Não sabemos se já estavam presentes e o aquecimento favoreceu a proliferação, mas o impacto em altas temperaturas é muito maior”, destaca o mestre em Aquicultura.

O surgimento do Lactococcus petauri, inicialmente registrado em tilápias no Mato Grosso em 2020, também levanta hipóteses sobre adaptação de patógenos entre espécies, embora ainda sem confirmação científica.

Mortalidade elevada e custo crescente

Foto: Santiago Pádua

Apesar das perdas expressivas nas fases iniciais, que concentram mais de 90% da mortalidade ao longo do ciclo, o produtor percebe com maior intensidade os prejuízos na etapa final, quando a biomassa está mais elevada e concentrada em um intervalo curto, geralmente entre três e quatro meses, no verão. “É nesse período que o produtor vê a perda e sente no bolso de forma muito aguda”, menciona Pádua, ressaltando: “O foco costuma recair sobre cerca de 10% de mortalidade na fase final, justamente porque é quando os peixes já atingiram maior peso e consumiram mais ração”.

Nas fases jovens, embora as taxas de mortalidade sejam significativamente mais altas, as perdas ocorrem de forma diluída ao longo do ano e envolvem animais de menor peso, o que reduz a percepção imediata do prejuízo.

Para o especialista, o cenário exige mudança de abordagem na gestão sanitária. “Hoje observamos que, considerando todo o ciclo de produção, as perdas são muito altas. É necessário um gerenciamento sanitário efetivo para melhorar a sobrevivência dos animais em todas as fases. Isso vai implicar em maior competitividade e redução do custo de produção”, reforça.

O aumento no custo dos alevinos também amplia o impacto financeiro. Novas linhagens genéticas podem custar até R$ 0,35 por unidade, praticamente o dobro das genéticas disponíveis há mais tempo no mercado. “Antes perder um animal de R$ 0,18 era uma coisa. Agora perder um de R$ 0,30 muda completamente o impacto”, ressalta.

Defasagem técnica e resposta reativa

A estrutura sanitária da aquicultura ainda é considerada insuficiente frente à complexidade dos desafios. O modelo predominante é reativo, com ações tomadas após a ocorrência de surtos. “Primeiro a doença chega, depois se vê o que fazer. Isso não é só no Brasil, é no mundo”, enfatiza o especialista.

O contraste com outras cadeias, como a avicultura, é evidente. Enquanto o setor de frango possui forte regulação sanitária e controle de trânsito, a tilapicultura ainda carece de instrumentos equivalentes. “Se tivéssemos restrição de movimentação como na suinocultura, o sorotipo 3 teria permanecido no Nordeste”, afirma.

Vacinação e limitações operacionais

Foto: UEL

A estruturação de programas vacinais na tilapicultura brasileira esbarra em limitações técnicas, operacionais e sanitárias que comprometem a eficácia das estratégias de controle de doenças. A combinação entre mudanças no sistema produtivo, uso inadequado de vacinas e ausência de base diagnóstica consistente tem ampliado o risco de falhas imunológicas, especialmente nos períodos de maior desafio sanitário.

Segundo Pádua, a transição do modelo de produção de juvenis, antes concentrado em tanques-rede e agora cada vez mais migrando para viveiros escavados, introduziu novas variáveis que afetam diretamente a resposta imune dos peixes. “Vacinar o peixe no viveiro escavado é muito mais desafiador. O produtor que migra para esse sistema passa a lidar com problemas de qualidade de água que impactam diretamente a imunidade do animal”, afirma.

A qualidade ambiental surge como fator crítico para o sucesso da vacinação. Em muitos casos, o peixe é imunizado em condições inadequadas, com o sistema imune já comprometido, o que reduz a capacidade de resposta ao estímulo vacinal. “Frequentemente tenho lidado com problemas de qualidade ambiental impactando a capacidade imune do animal. O produtor vacina, mas o animal já está imunossuprimido. Ele não responde bem e, no verão, ocorre escape vacinal ou falha vacinal”, relata o médico-veterinário, destacando que nesse cenário perdas sanitárias continuam ocorrendo mesmo em lotes vacinados, sobretudo nos períodos de temperaturas elevadas, quando a pressão de patógenos aumenta.

Definição do protocolo vacinal

A definição do protocolo vacinal exige análise prévia do destino produtivo e do histórico sanitário da propriedade. A lógica de vacinação varia conforme o perfil do produtor. “O produtor precisa avaliar onde o animal vai ser engordado. Se ele fornece juvenil para o mercado, a escolha da vacina depende do desafio do cliente. Se produz para si mesmo, precisa considerar o histórico de doenças da própria propriedade e os riscos de introdução”, explica.

Essa abordagem demanda integração entre diagnóstico, epidemiologia regional e planejamento produtivo, um nível de gestão ainda pouco disseminado no setor.

Limite técnico impõe seleção de patógenos

Apesar da existência de múltiplos agentes, Pádua diz que não é tecnicamente viável imunizar contra todos simultaneamente. No Brasil, estima-se a presença de cerca de cinco patógenos de alta relevância por sistema produtivo, mas a recomendação é focar em três. Entre os principais alvos estão o vírus ISKRV, Streptococcus agalactiae (especialmente sorotipos 1B e 3) e Lactococcus petauri. “A tentativa de ampliar excessivamente a cobertura vacinal pode gerar efeito contrário. Se colocar muitos agentes na vacina, o animal diminui a capacidade de resposta. É inviável trabalhar com sete agentes simultaneamente”, frisa.

Estratégia escalonada ganha espaço

Foto: Shutterstock

Para contornar essa limitação, produtores têm adotado protocolos escalonados, com vacinação em etapas. O modelo prevê imunização inicial contra agentes virais, seguida posteriormente por vacinas bacterianas. “O produtor vacina primeiro contra o vírus na fase de 10 gramas. Depois, quando o animal chega a 30 ou 40 gramas, aplica vacina contra três patógenos bacterianos. Isso permite uma resposta imune mais eficiente”, pontua.

O intervalo entre aplicações é considerado essencial para garantir que o organismo do peixe consiga desenvolver resposta adequada a cada estímulo.

Defasagem técnica persiste no campo

Apesar da evolução das ferramentas disponíveis, o setor ainda opera majoritariamente de forma reativa. A chegada de doenças continua precedendo a adoção de medidas estruturais de controle. “Existe uma defasagem muito grande. Primeiro a doença chega, depois se vê o que fazer. Isso não é só no Brasil, é no mundo”, afirma.

O especialista cita o caso da salmonicultura chilena, que só estruturou um sistema robusto de biosseguridade após o colapso provocado pelo vírus da Anemia Infecciosa do Salmão.

Regulação sanitária ainda é incipiente

A diferença entre cadeias produtivas é apontada como um dos entraves estruturais. Enquanto a avicultura brasileira possui arcabouço sanitário consolidado, com forte atuação do Ministério da Agricultura, a aquicultura ainda está em fase de estruturação.

A ausência de regras para controle de trânsito de animais é um dos pontos mais críticos. Modelos já adotados em outras cadeias, como a suinocultura, são citados como referência. “O Brasil tem legislação que impede a movimentação de suínos entre regiões com status sanitário diferente. Deveria ter isso para tilápia. Se tivéssemos, o sorotipo 3 teria permanecido restrito ao Nordeste”, salienta.

Capacitação técnica

Diante desse cenário, a capacitação técnica e o uso de informação estruturada são apontados como caminhos para reduzir perdas e aumentar a eficiência produtiva.

Foto: Jonathan Campos/AEN

A definição de protocolos vacinais eficazes depende da combinação entre diagnóstico frequente, monitoramento ambiental e conhecimento epidemiológico regional. “Isso exige um nível de conhecimento que o setor não está acostumado. Por isso, iniciativas de capacitação são fundamentais para apoiar a tomada de decisão”, aponta Pádua.

A tendência, segundo o especialista, é que a cadeia avance gradualmente para um modelo mais estruturado, à medida que aumenta a pressão econômica e sanitária sobre a produção. Enquanto isso, a vacinação segue como ferramenta central, mas limitada pela execução no campo. “Sem integração com manejo, ambiência e diagnóstico, o uso isolado de vacinas tende a perder eficiência e, em alguns casos, apenas posterga perdas que continuam ocorrendo no ciclo produtivo”, enfatiza o especialista.

Gestão baseada em dados como diferencial

O especialista evidencia que a ausência de indicadores básicos de desempenho e de monitoramento contínuo limita a capacidade de antecipação de problemas sanitários e compromete a tomada de decisão nas propriedades. “O produtor hoje muitas vezes não sabe qual é a conversão alimentar da produção. Ele não tem histórico. E sem isso não se consegue construir uma gestão sanitária eficiente”, salienta o mestre em Aquicultura.

Segundo ele, o primeiro passo é estabelecer indicadores produtivos, com foco na mensuração de mortalidade e biomassa perdida ao longo do ciclo. A análise desses dados permite identificar períodos críticos e agir preventivamente. “O produtor precisa contabilizar e pesar as perdas. Isso vira o principal indicador da equipe técnica. Se dezembro tem pico de mortalidade, não é em dezembro que resolve, é nos meses anteriores”, explica.

Pádua recomenda acompanhar, no mínimo, três variáveis centrais: taxa de mortalidade mensal, volume de animais alojados e biomassa perdida. Esses dados precisam ser analisados por fase produtiva, já que os desafios sanitários variam entre larvicultura, recria e engorda. “São desafios completamente diferentes. Uma coisa é ter um milhão de animais de um quilo, outra é ter mil toneladas de animais de uma grama. A pressão sanitária está ligada à população, não à biomassa”, menciona.

Mesmo perdas aparentemente pequenas podem comprometer o sistema produtivo. Um índice de 30% de mortalidade na fase juvenil, por exemplo, representa baixa biomassa perdida, mas afeta diretamente o escalonamento da produção e o abastecimento da indústria.

Ambiente e doenças estão diretamente conectados

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O monitoramento ambiental é outro eixo central da gestão sanitária. Temperatura e oxigênio dissolvido devem ser acompanhados diariamente, com atenção à variabilidade dentro dos próprios sistemas de cultivo. “O produtor mede oxigênio no meio do viveiro e diz que está bom. Mas mediu dentro da gaiola? Muitas vezes está diferente por acúmulo de lodo ou obstrução, e isso ocorre com frequência”, alerta.

A floração de algas também aparece como fator crítico, associada à intoxicação dos peixes e ao aumento da suscetibilidade a doenças infecciosas. “Hoje, algas nocivas são protagonistas. Elas induzem intoxicação e aumentam a suscetibilidade a agentes como ISKNV, estreptococos e francisella”, afirma.

Diagnóstico contínuo orienta decisões

A ausência de rotina diagnóstica impede o controle efetivo das doenças. Segundo Pádua, a identificação dos agentes precisa ser contínua e segmentada por fase e período do ano. “Sem diagnóstico frequente eu não consigo fazer gerenciamento sanitário. Preciso saber com o que estou lidando, por fase e por época”, enfatiza, destacando que esse diagnóstico deve integrar análises de campo e laboratoriais, formando uma base de dados longitudinal capaz de sustentar decisões técnicas.

Estratégia nutricional

A estratégia nutricional também deve ser ajustada conforme o desafio sanitário. O uso de um único programa ao longo do ano é apontado como prática comum, mas inadequada. “A maioria usa um padrão único e, quando começa a mortalidade, culpa a ração. Mas o desafio muda ao longo do ano”, enaltece Pádua.

Nesse contexto, ganha espaço o conceito de imunonutrição, com foco na saúde intestinal, especialmente no verão, quando há maior pressão bacteriana. “Saúde intestinal é ponto focal no verão, porque é a principal porta de entrada de bactérias”, salienta.

Modelo integrado define pontos de ação

A consolidação dos dados produtivos, ambientais e sanitários permite a construção de modelos de decisão baseados em limites operacionais. A definição de pontos de corte para mortalidade é um dos exemplos. “Taxa de mortalidade acima de 0,1% ao dia já é alerta. Passou de 0,2% ou 0,3%, precisa acionar estratégia terapêutica imediatamente”, pontua o especialista.

As ações podem incluir uso de medicamentos, ajustes de manejo, despesca antecipada ou até jejum, dependendo das condições ambientais. “O produtor não pode esperar chegar a 5% de mortalidade para agir. A decisão precisa ser baseada em dados e tomada no início do problema”, diz Pádua.

Pressão de mercado acelera mudança

Foto: Jaelson Lucas

A baixa integração de dados ainda é uma característica da piscicultura, mas a pressão econômica tem forçado mudanças no perfil de gestão. “Hoje a interconexão de dados é muito baixa. Mas quando dói no bolso, o produtor muda”, expõe Pádua.

Mesmo com crescimento recente nas exportações, o Brasil enfrenta pressão competitiva, inclusive com aumento das importações de tilápia. “Hoje o Brasil importa mais tilápia do que exporta. E estamos perdendo competitividade dentro da porteira”, ressalta Pádua.

Para o especialista, a sanidade é o principal fator sob controle direto do produtor. “Se reduzo 20% a 30% das perdas, aumento muito minha competitividade. E isso está na mão do produtor”, enfatiza.

Mudança de postura

A tendência é que a adoção de modelos estruturados de gestão sanitária ocorra cada vez mais entre grandes grupos, com maior capacidade de investimento e acesso à tecnologia. “Quem já está fazendo ou vai fazer são as agroindústrias. Os demais acabam seguindo ou ficam fora do mercado”, alerta.

Entretando, a adoção de gestão sanitária estruturada depende de capacitação técnica e mudança de mentalidade no campo. “O produtor precisa deixar de culpar fatores externos e olhar para dentro da porteira. A sanidade é responsabilidade dele”, afirma Pádua.

A expectativa é que, com a disseminação de conhecimento e uso de indicadores, o setor passe por uma transição nos próximos anos. “Quando o produtor implementar e ver o resultado, as coisas começam a mudar. Em até cinco anos devemos ver essa transformação”, estima.

Capacitação

Fotos: Divulgação/Aquishow Brasil

Durante a Aquishow Brasil 2026 será realizado o curso de Sanidade na Tilapicultura, com foco em patógenos emergentes, imunidade e estratégias de controle. A programação acontece nos dias 09 e 10 de junho e inclui painéis sobre expansão do Streptococcus agalactiae sorotipo 3, manejo sanitário baseado em dados e impactos de doenças na América Latina, reunindo pesquisadores e especialistas do Brasil e do exterior.

Promovido em parceria com a Aquivet Saúde Aquática, o curso tem como objetivo discutir a gestão sanitária como ferramenta para aumento da competitividade na piscicultura. A capacitação é voltada a produtores, gestores de piscicultura, equipes de controle de qualidade, técnicos das áreas de nutrição, aditivos e produtos veterinários, além de profissionais da indústria de vacinas e de pesquisa e desenvolvimento.

Entre os palestrantes estão Santiago Benites de Pádua; o professor da UFMG e especialista em Microbiologia, Henrique Figueiredo; o pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, Francisco Yan Tavares Reis; e Paola Barato, consultora internacional em sanidade aquícola.

A versão digital do jornal de Aquicultura é gratuita e pode ser acessada na íntegra clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

Peixes

EUA incluem peixes e crustáceos entre os setores mais expostos à tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

Proposta do governo norte-americano ameaça 21% das exportações brasileiras aos Estados Unidos e pode afetar a competitividade da piscicultura nacional em seu principal mercado externo.

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Foto: Divulgação

A proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros poderá atingir diretamente as exportações de peixes e crustáceos, segmento que tem nos norte-americanos seu principal mercado comprador.

Foto: Jonathan Campos

A informação foi apresentada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, ao detalhar os setores que enfrentariam maior exposição caso a medida sugerida pelo governo dos Estados Unidos seja efetivamente implementada.

Segundo o ministro, cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos estariam diretamente ameaçadas pela nova política tarifária. Entre os setores mais afetados estão máquinas e equipamentos industriais, produtos plásticos, calçados, produtos de madeira, papel-cartão, ferro fundido, além de peixes e crustáceos. “Os setores mais atingidos seriam os de máquinas e equipamentos, que têm valor agregado. E traz muito prejuízo para emprego, para renda e para as indústrias”, afirmou.

Piscicultura entre os segmentos afetados

A inclusão de peixes e crustáceos na lista coloca em alerta o setor aquícola brasileiro, especialmente porque os Estados Unidos concentram uma parcela relevante das compras de pescado nacional.

Nos últimos anos, a tilápia brasileira conquistou espaço no mercado norte-americano, impulsionando investimentos

Foto: Jaelson Lucas

em processamento, certificação e ampliação da capacidade exportadora. Uma tarifa adicional de 25% logo após a retirada da tarifa de 50% poderia voltar a elevar os custos para importadores e reduzir a competitividade do produto brasileiro frente a concorrentes internacionais.

Além do impacto sobre as empresas exportadoras, a medida pode repercutir ao longo da cadeia produtiva, envolvendo frigoríficos, cooperativas, integradoras e produtores que fornecem matéria-prima para o mercado externo.

Foto: Divulgação

Negociações seguem em andamento

A proposta integra relatório divulgado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e ainda está em fase de discussão.

De acordo com o MDIC, o governo brasileiro mantém diálogo permanente com as autoridades norte-americanas. Desde o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, foram realizadas pelo menos quatro reuniões formais com representantes do USTR, além de rodadas técnicas de negociação.

Enquanto as tratativas prosseguem, os setores exportadores acompanham o tema com preocupação. Caso a tarifa seja confirmada, produtos brasileiros podem perder competitividade em um dos mercados mais importantes para as exportações nacionais de manufaturados e de segmentos específicos do agronegócio, como a piscicultura.

Fonte: O Presente Rural
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Peixes

São Paulo passa a tributar filé de tilápia importado do Vietnã

Medida anunciada pelo governo paulista é vista pela cadeia produtiva como uma resposta ao aumento das importações e à concorrência com o pescado nacional.

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Foto: Jonathan Campos/AEN

O governo de São Paulo assinou um decreto que passa a tributar a entrada de filé de tilápia importado do Vietnã no Estado. A medida foi anunciada pelo deputado estadual Itamar Borges ao lado do governador Tarcísio de Freitas e dos secretários estaduais da Agricultura, Guilherme Piai, e da Fazenda e Planejamento, Samuel Kinoshita.

Foto: Divulgação/C.Vale

A decisão foi recebida com entusiasmo por representantes da piscicultura paulista, que há meses vinham manifestando preocupação com o crescimento das importações de pescado asiático e seus reflexos sobre os preços pagos aos produtores brasileiros.

Para a Associação dos Produtores de Peixes em Águas da União (Peixe SP), a tributação representa uma tentativa de reduzir as diferenças competitivas entre o produto nacional e o importado. “Essa medida é um passo fundamental para corrigir uma grave distorção de mercado que vinha asfixiando a piscicultura nacional e, especialmente, a paulista”, afirma a secretária executiva da entidade, Marilsa Patrício.

Concorrência no centro do debate

O avanço das importações de filé de tilápia do Vietnã tem sido alvo de questionamentos por parte do setor produtivo brasileiro. Produtores argumentam que enfrentam custos relacionados à legislação ambiental, exigências sanitárias, normas trabalhistas e carga tributária que não estariam presentes nas mesmas condições para o pescado importado.

Segundo Marilsa, a tributação busca equilibrar essa relação. “Não estamos falando de protecionismo, mas de justiça concorrencial. O produtor brasileiro cumpre regras rigorosas de sustentabilidade e leis trabalhistas e enfrenta uma carga tributária robusta, enquanto o produto importado tem custos artificialmente baixos, sendo uma concorrência desleal”, destaca.

Expectativa de impacto na produção

Foto: Shutterstock

A avaliação da Peixe SP é que a medida poderá trazer efeitos diretos sobre os investimentos e a atividade econômica ligada à piscicultura.

Entre os principais impactos apontados pela entidade estão a recuperação da previsibilidade para novos investimentos, a manutenção dos empregos gerados pela cadeia produtiva e o fortalecimento da economia regional.

A piscicultura tem presença significativa no interior paulista, envolvendo produtores, frigoríficos, fábricas de ração, transportadores e distribuidores.

Para a associação, a tributação do produto importado pode contribuir para que uma parcela maior do valor agregado permaneça circulando na economia brasileira. “São Paulo dá um exemplo de sensibilidade econômica e apoio a quem trabalha e produz”, afirma Marilsa.

Setor acompanha próximos desdobramento

A decisão paulista ocorre em um momento de crescente mobilização da cadeia aquícola nacional em torno do aumento das importações de pescado. Entidades representativas defendem medidas que garantam condições de competição consideradas mais equilibradas entre a produção nacional e os produtos importados.

O impacto da nova tributação sobre os volumes importados e sobre o mercado brasileiro de tilápia deverá ser acompanhado nos próximos meses por produtores, indústrias e distribuidores do setor.

Fonte: O Presente Rural
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Peixes

Embrapa leva genética, inteligência artificial e inovação industrial à Aquishow 2026

Empresa apresenta tecnologias para piscicultura, produtos de valor agregado, capacitações e ferramentas de apoio à gestão e às políticas públicas do setor.

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Foto: Divulgação/Aquishow

A Embrapa participa da Aquishow 2026, entre os dias 09 e 11 de junho, com um portfólio robusto de tecnologias voltadas a impulsionar a cadeia produtiva do pescado no Brasil. A empresa também concorre em três categorias do Prêmio de Inovação Aquícola, além de disputar o Prêmio Aline Brun e Geraldo Bernardino Personalidades Brasileiras da Aquicultura 2026. O evento acontecerá em Uberlândia (MG).

Foto: Divulgação/Aquishow

No estande da instituição, os visitantes poderão conhecer de perto alguns dos resultados do BRS Aqua, projeto coordenado pela Embrapa, que conta com o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Secretaria Nacional de Aquicultura e Pesca do Ministério da Pesca e Aquicultura (SNA / MPA) e apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O projeto reúne 22 centros de pesquisa e dezenas de parceiros públicos e privados.

Tecnologias para o campo e gestão inteligente

Entre os destaques, a Embrapa apresenta o TambaPLUS 1.0, um painel de marcadores genéticos (SNPs) para identificação de relações de parentesco entre animais, testes de paternidade e identificação individual de reprodutores.

Voltado para os pequenos aquicultores, o Sistema de criação de tambaquis em tanques-rede em pequena escala consiste em um conjunto de práticas de manejo para o cultivo de tambaqui em tanques-rede, tais como determinação da densidade de estocagem e o volume do tanque, visando à obtenção de melhores indicadores

Fotos: Divulgação/Aquishow 

zootécnicos e econômicos.

Para facilitar o gerenciamento de pisciculturas, será apresentado o aplicativo Aquicultura Certa, que utiliza inteligência artificial para a gestão inteligente de pisciculturas, permitindo monitoramento contínuo e ajustes precisos no manejo de tilápias e tambaquis. O objetivo é tornar a operação mais eficiente, sustentável e lucrativa.

Outro sistema que será levado à Aquishow é o Ater+ Digital: Peixes, voltado para produtores e extensionistas. Nele são disponibilizadas informações, recomendações e dicas sobre piscicultura em diversos formatos de mídia, como imagens, vídeos, textos e infográficos.

Foto: Divulgação/Aquishow

Capacitações

No evento também será lançada a terceira e última parte do Aquacompete, uma trilha de aprendizagem composta por três níveis de cursos EAD.

O primeiro dos três cursos, “Aquicultura Competitiva e Mercado Externo” foi lançado em julho do ano passado.  “Na primeira etapa, discutimos aspectos mais amplos da competitividade, seus fatores, a importância de compor arranjos produtivos e falamos sobre os conceitos atuais que pautam o mercado mundial. No segundo curso, a troca de ideias visa compartilhar conhecimentos sobre a conformidade da cadeia e a importância da implementação dos protocolos de autocontrole e formas de integração entre os seus elos”, explica Renata Melon, veterinária da Embrapa Pesca e Aquicultura, responsável pelos cursos.

Já no Aquacompete 3, são apresentadas ferramentas de inteligência comercial aplicadas à aquicultura, com foco na

Foto: Divulgação/Aquishow

análise de tendências de consumo, mapeamento de concorrentes e identificação de nichos de maior valor agregado e interpretação de fluxos internacionais de comércio.

Além do lançamento do Aquacompete 3, também haverá a apresentação do Curso EAD: Compostos nitrogenados em cultivo de camarão marinho. O treinamento traz uma introdução à carcinicultura marinha com foco em sistemas de produção e gestão de compostos nitrogenados. O objetivo é assegurar a produtividade por meio de um manejo que minimize perdas e riscos sanitários.

Foto: Divulgação/Aquishow

Inovações para a indústria 

Para a indústria, a Embrapa leva produtos de alto valor agregado, como o patê e a salsicha de tilápia enriquecidos com fibra de abacaxi, desenvolvidos com baixo teor de sódio.

Outra novidade é a embalagem bioativa, composta por polímeros (goma e quitosana) e outras substâncias naturais, que promove menor taxa de oxidação e menor crescimento microbiano durante a armazenagem refrigerada do pescado. É indicada para tilápia e camarão.

A parte de análises laboratoriais também serão contempladas no estande da Embrapa. Será apresentado o NIR para análise bromatológica de ração para peixesque consiste em modelos matemáticos de calibração incluindo banco de dados de espectros de infravermelho próximo e amostras de ração para tilápia das três fases produtivas (alevinos, crescimento e engorda).

Se aplicam na previsão de propriedades bromatológicas para a avaliação da qualidade nutricional de rações para

Foto: Divulgação/Aquishow

peixe voltadas para a adequação de dietas na cadeia produtivo de tilápia. A análise bromatológica determina o valor nutricional (proteínas, carboidratos, gorduras, minerais e vitaminas), o valor calórico, a digestibilidade e a presença de possíveis contaminantes ou toxinas.

Políticas públicas

No âmbito das políticas públicas, serão apresentados o Centro de Inteligência e Mercado em Aquicultura (CIAqui) e a Rede de Extensão e Inovação Aquícola (REAQUA), ferramentas estratégicas para apoiar a tomada de decisão governamental e a transferência de tecnologia no setor.

Foto: Divulgação/Aquishow

Ainda no espectro de políticas públicas, também será apresentado o Drawback Exportações de Tilápia, incentivo fiscal à exportação que permite a importação ou a aquisição no mercado interno, desonerada de tributos (II, IPI, PIS, Cofins e ICMS), de insumos a serem empregados na produção de bens destinados à exportação.

Programação técnica e premiações

A Embrapa também participará da programação técnica do Aquishow 2026. No dia 11, a pesquisadora Flavia Tavares participará da mesa-redonda “Regulação em Transformação, Modernização e Avanços – Uso compartilhado das águas, licenciamento e segurança jurídica na produção de pescados”. O debate reunirá também especialistas do Ministério da Pesca e Aquicultura, (MPA) e do Ministério de Minas e Energia (MME).

Por fim, a Embrapa terá seu reconhecimento científico celebrado ao estar na lista de finalistas do Prêmio Inovação Aquícola, nas categorias academia e sustentabilidade. Além disso, o pesquisador Manoel Xavier Pedroza Filho é também um dos finalistas ao prêmio Personalidades Brasileiras da Aquicultura 2026.

Fonte: Assessoria Embrapa
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