Suínos
Desafios na fase de maternidade e seus impactos no ciclo produtivo
Durante esse período, a saúde e o manejo adequado das matrizes e dos leitões são indispensáveis para garantir o desenvolvimento da granja.

Artigo escrito por Equipe técnica da Ceva Saúde Animal
A suinocultura moderna tem buscado maximizar a eficiência produtiva por meio de melhorias genéticas, nutricionais e sanitárias. Entretanto, é importante ressaltar que a fase de maternidade, compreendendo o período desde o nascimento até o desmame dos leitões, segue sendo o alicerce para uma produção eficiente. Durante esse período, a saúde e o manejo adequado das matrizes e dos leitões são indispensáveis para garantir o desenvolvimento da granja.
Essa é reconhecidamente uma das etapas mais sensíveis do ciclo produtivo, pois os animais nascem com sistemas imunológico e digestivo ainda imaturos, o que os torna altamente vulneráveis à ação de diversos agentes patogênicos. A transferência de imunidade passiva, que ocorre pelo colostro, é temporária e os animais precisam desenvolver suas próprias defesas para enfrentar a pressão de infecção na granja. Adicionalmente, a alta densidade populacional e o ambiente confinado, característicos de sistemas intensivos de produção, são fatores predisponentes para a disseminação de agentes infecciosos.
Entre as principais preocupações no campo estão as diarreias neonatais, causadas por patógenos, como Cystoisospora suis, (agente etiológico da coccidiose), Escherichia coli e Clostridium perfringens, além da anemia ferropriva, que afeta diretamente a capacidade dos leitões de se desenvolverem adequadamente.
As diarreias neonatais são um dos principais problemas sanitários, elas possuem diferentes etiologias, incluindo infecções bacterianas, como Escherichia coli e Clostridium perfringens, virais, como o rotavírus, e parasitárias, como a coccidiose. As infecções bacterianas, em especial as causadas por E. coli enterotoxigênica, são responsáveis por quadros graves de diarreia, que podem levar à desidratação rápida e, em casos severos, à morte dos leitões.
Além disso, a alta incidência de diarreias neonatais está associada a falhas no manejo, incluindo a limpeza inadequada das instalações e a falta de imunização das matrizes. Em granjas com alta densidade populacional, esses fatores podem contribuir para surtos epidêmicos, com impactos devastadores no desempenho zootécnico dos animais.

Já a Coccidiose, causada pelo protozoário C.suis, é altamente prevalente nas granjas de suínos de todo o mundo. A infecção ocorre geralmente nos primeiros dias de vida, porém devido ao ciclo de vida do parasita, acaba se manifestando clinicamente entre os 5 e 15 dias de idade. Os principais sinais clínicos são compostos por diarreia aquosa, amarelada, desidratação e perda de peso, com baixa mortalidade. Os leitões acometidos apresentam dificuldade de crescimento, o que impacta diretamente o desempenho produtivo pós-desmame.
O ciclo de vida do C.suis inclui a multiplicação intracelular no epitélio intestinal, o que resulta em destruição de células intestinais e redução da capacidade absortiva, agravando o quadro de diarreia. Além disso, os oocistos, que são eliminados nas fezes dos animais infectados, são altamente resistentes no ambiente, e podem permanecer por vários meses, remanescentes de leitegadas anteriores ou sendo carreados de outros locais por meio de insetos, roedores ou pessoas facilitando a reinfecção e a disseminação da doença.
Já a anemia ferropriva é outra preocupação crítica na fase de maternidade. Esta condição, que afeta a totalidade dos neonatos, é desencadeada por fatores já conhecidos: a baixa transferência de ferro por via transplacentária, a quantidade limitada de ferro presente no colostro e no leite materno, a diminuta reserva de ferro do animal no momento do nascimento e a rápida velocidade de crescimento e ganho de peso dos leitões, que demandam mais ferro para o desenvolvimento muscular e dos órgãos. Uma leitegada anêmica apresenta redução no ganho de peso, crescimento muscular lento e uma maior suscetibilidade a infecções e outras doenças ao longo da vida.
Impactos em toda a cadeia

Os impactos dos desafios na fase de maternidade não se restringem apenas à mortalidade dos animais, estando também associados a quedas no desempenho produtivo durante toda a vida do suíno, refletindo em perdas econômicas significativas. Desta forma, o uso adequado de medidas preventivas são fundamentais para reduzir a ocorrência dessas enfermidades e otimizar o desempenho produtivo.
O controle das diarréias neonatais, por exemplo, depende de uma abordagem integrada, que envolve o manejo sanitário, a vacinação adequada e a rápida identificação e tratamento dos surtos. Estratégias preventivas, como a melhoria das condições ambientais e o fortalecimento da imunidade passiva por meio da boa ingestão de colostro, são fundamentais para reduzir a incidência e o impacto dessas infecções no rebanho.
Já para lidar com os desafios impostos pela anemia e a coccidiose, a suplementação de ferro injetável e a administração de coccidicida via oral para a leitegada nas primeiras horas de vida é uma medida rotineira nas granjas. Entretanto, o processo aumenta o grau de manipulação dos leitões e promove um elevado índice de estresse para os animais.
Controle
Desta forma, a introdução de uma combinação injetável em dose única com a associação de gleptoferron e toltrazuril simplifica o controle desses desafios, proporcionando benefícios tanto para os animais quanto para os produtores.

Por ser de dose única, fixa e injetável, a utilização desta solução permite garantir uma entrega mais segura para o leitão, com menos estresse e uma redução considerável nas subdosagens ou falhas de administração quando comparada a via oral.
A aplicação do fármaco nas primeiras 48 horas de vida dos suínos, reduz o tempo de manipulação dos leitões e, por consequência, seu nível de estresse, o que contribui diretamente para manutenção do bem-estar animal e para a otimização dos recursos de mão-de-obra.
O toltrazuril já tem eficácia comprovada no combate à coccidiose suína, mas a sua farmacocinética pela via injetável faz com que ele seja ainda mais eficiente no controle da coccidiose e na redução da excreção de oocistos do que a via oral. Já o gleptoferron é uma molécula de ferro de qualidade superior, sendo ideal para os leitões neonatos e com melhor biodisponibilidade. Estudos realizados no campo mostram que leitões tratados com essa combinação injetável não apresentaram quadros de anemia ferropriva, e a excreção de oocistos de C. suis ocorreu em menor quantidade e por um período bem menor de tempo.
A associação destas moléculas tem como objetivo simplificar a rotina dos suinocultores, permitindo a implementação de uma nova estratégia para prevenir a anemia ferropriva, controlar a excreção de oocistos, facilitar e melhorar o manejo e o bem-estar dos animais. Desta forma é possível melhorar o ambiente epidemiológico e aumentar o status sanitário do plantel na primeira semana de vida até as seguintes fases dos leitões.
Estudo
Um estudo realizado na Espanha relata que os leitões submetidos à dose única de gleptoferron e toltrazuril apresentaram mais tempo em amamentação após o tratamento, quando comparado ao grupo de animais com tratamento parenteral + oral contra as mesmas doenças, em que observou-se aumento da necessidade de tempo de repouso. Isso demonstra maior facilidade à retomada do comportamento natural quando o tempo de manipulação é menor, com uma tendência estatística de menor concentração de cortisol sistêmico. Observou-se também, no grupo tratado com a solução, um maior ganho de peso médio diário dos leitões durante a lactação e, posteriormente, maior peso ao desmame.
Inovações como essa abrem caminho para uma nova visão para a fase de maternidade, com os produtores investindo na otimização dos processos da granja e eficiência do manejo, sem perder o foco na saúde e bem-estar do animal. O foco em programas de controle de doenças e monitoramento constante da saúde dos leitões é vital para assegurar que a suinocultura possa atingir ótimos níveis de eficiência e lucratividade.
As referências bibliográficas estão com os autores. Contato: [email protected].
Para ficar atualizado e por dentro de tudo, acesse a versão digital de Nutrição e Saúde Animal clicando aqui. Boa leitura!

Suínos
Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso
Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.
Suínos
Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores
Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.
A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”
Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.
A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.
Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.
Recomeço em outro país
Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.
O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”
A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.
A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.
Escola, trabalho e novas oportunidades
Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.
A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida
Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.
Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.
A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.
Reconhecimento e qualidade de vida
Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.
A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.
O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.
Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.
Integração além da porteira
Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.
Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.
O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.
Planos para ficar
Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.
Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.
Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.
A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.
Suínos
Da creche à sustentabilidade, 6º Encontro Técnico Abraves-SP apresenta estratégias para aumentar eficiência das granjas
Evento em Pirassununga (SP) vai discutir manejo de leitões leves, sanidade, nutrição e sistemas de produção para apoiar decisões técnicas na suinocultura.

Melhorar a produtividade sem comprometer a sanidade do rebanho exige decisões técnicas em todas as etapas da produção. Manejo de leitões, nutrição, biosseguridade e gestão dos sistemas de criação estão entre os fatores que determinam o desempenho das granjas e influenciam diretamente os custos e os resultados da atividade.
Diante desse cenário, a atualização técnica tornou-se uma ferramenta cada vez mais importante para médicos-veterinários, zootecnistas, consultores e produtores, que precisam incorporar novos conhecimentos à rotina das granjas.
Esses temas estarão em debate no 6º Encontro Técnico Abraves-SP, que será realizado em 09 de setembro, no campus da Universidade de São Paulo (USP), reunindo profissionais da cadeia suinícola para discutir soluções aplicáveis aos sistemas de produção.
Entre os destaques da programação está a palestra do médico-veterinário Vinícius Cantarelli, que abordará estratégias de manejo de leitões leves na fase de creche, uma etapa decisiva para o desempenho dos animais ao longo do ciclo produtivo.
O médico-veterinário Caio Abércio da Silva discutirá a sustentabilidade dos sistemas de produção, apresentando abordagens voltadas à eficiência técnica, econômica e ambiental da suinocultura.
Promovido pela regional paulista da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (ABRAVES), o encontro busca aproximar pesquisa científica e prática de campo, oferecendo aos participantes ferramentas para aprimorar a tomada de decisão nas granjas.
A programação completa e as inscrições estão disponíveis aqui.







