Avicultura
Desafios microbiológicos na produção e utilização DDG nas dietas de aves
Utilização de ferramentas estratégicas para o controle do risco microbiológico dos ingredientes de origem vegetal, principalmente o DDG, por bactérias e fungos, são de extrema importância para a manutenção da biosseguridade na cadeia de produção de alimentos.

Os coprodutos de usinas de destilaria de milho, também conhecidos como DDG e WDG, são originados do processamento de grãos para obtenção de etanol, e estão cada vez mais populares nas dietas no Brasil. Em cada tonelada de milho processados são produzidos em média, 300 kg de DDG, 430 litros de etanol e 15 litros de óleo de milho, dependendo de cada indústria.
Na safra 2020/2021 estima-se que foi produzido 2,6 bilhões de litros, e cerca de 1,8 milhão de toneladas de DDG, uma quantidade relativamente pequena, frente a demanda do mercado. Com o aumento na disponibilidade desta matéria-prima de origem vegetal, a tendência é observar a redução de preço deste produto, da mesma maneira como ocorreu nos Estados Unidos.
Utilização na Alimentação Animal
Nos últimos anos, aumentou-se o número de amostras de DDG recebidas pela EsalqLab para análises bromatológicas, e foi observado que a variação nos resultados entre as amostras é muito grande. Na Tabela 1 apresentamos os resultados destas análises.
Notou-se que apesar de apresentar um baixo coeficiente de variação, algumas amostras demonstraram valores diferentes de proteína bruta. Um dos parâmetros que mais apresentou variação foi o extrato etéreo, isso devido a qualidade de extração do processamento do milho.
Outro componente que apresentou grande variação foi o carboidrato não fibroso, sendo essa variação muito relacionada à eficiência do processo de fermentação e incorporação de subprodutos nesta etapa de produção.
Este fato foi identificado nas variações de composição do produto, que resultaram em alterações importantes na formulação das dietas, para que não haja falta ou excesso de nutrientes e não prejudiquem a produção animal.
Desafios microbiológicos na produção e comercialização do DDG
Apesar das ótimas característica inseridas em sua composição, o DDG apresenta um risco em potencial para sua utilização na nutrição animal. Um deles é o risco microbiológico, representado principalmente pelas bactérias Gram-negativas, com ênfase à Salmonella, sendo o principal patógeno de contaminação na cadeia de produção de alimentos, mas também devemos nos atentar as bactérias Gram-positivas como Clostridium, que oferece risco à saúde pública.
Outro fator importante que deve ser considerado são os fungos, produtores de micotoxinas tóxicas, produzidas quando se encontram em estresse. As principais micotoxinas identificadas como perigo na produção de alimentos para animais são: Aflatoxina, Fumonisina, Zearalenona, Ocratoxina, Deoxynivalenol (DON).
As principais formas de contaminação e recontaminação microbiológicas no DDG estão ligadas ao final do processo produtivo, sendo evidenciadas após a etapa de secagem e armazenagem final do produto.
Em relação à proliferação e contaminação fúngica, o risco está associado à produção de micotoxinas, que estão vinculadas principalmente ao processo de armazenagem, uma vez que o produto pode ficar armazenado por um longo período de tempo, em locais que propiciam a proliferação dos fungos e das bactérias.
Outro importante desafio que devemos considerar na produção de DDG é a oxidação lipídica. O produto possui em sua composição uma parcela considerável de extrato etéreo que não foi extraída como óleo comercial de milho, e está sujeita a peroxidação dos ácidos graxos livres, e em estágios mais avançados, resultando na produção de compostos químicos secundários, como cetonas e aldeídos que são extremamente tóxicos.
Para manter aspectos de qualidade microbiológica e de oxidação do DDG se fazem essenciais o uso de produtos antisalmonelas, antifúngicos e antioxidantes.
Conclusão
A utilização de ferramentas estratégicas para o controle do risco microbiológico dos ingredientes de origem vegetal, principalmente o DDG, por bactérias e fungos, são de extrema importância para a manutenção da biosseguridade na cadeia de produção de alimentos.
Também deve-se considerar a possibilidade da oxidação dos lipídios presentes no DDG durante o processo de produção e armazenagem, uma vez que óleos e gorduras que apresentam valores de oxidação lipídica acima dos limites aceitáveis promovem desafios na cadeia de produção, causando perdas econômicas e riscos à saúde animal.
As referências bibliográficas estão com o autor. Contato: gisele.neri@kemin.com.
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Avicultura
Mercado do frango congelado apresenta pequenas variações em fevereiro
Levantamento do Cepea mostra estabilidade em alguns dias e recuos pontuais no período.

O preço do frango congelado no Estado de São Paulo foi cotado a R$ 7,29 o quilo na última sexta-feira (20), segundo dados do Cepea. No dia, houve recuo de 0,14%, enquanto a variação acumulada no mês está em 4,29%.
Na quinta-feira (19), o produto foi negociado a R$ 7,30/kg, também com queda diária de 0,14% e avanço mensal de 4,43%.
Na quarta-feira (18), a cotação ficou em R$ 7,31/kg, sem variação no dia e com alta de 4,58% no acumulado do mês.
Já no dia 13 de fevereiro, o preço foi de R$ 7,31/kg, com elevação diária de 0,69% e variação mensal de 4,58%. No dia 12, o valor registrado foi de R$ 7,26/kg, estável no dia e com avanço de 3,86% no mês.
Os dados são divulgados pelo Cepea, referência no acompanhamento de preços agropecuários.
Avicultura
Preços do frango podem reagir após período de demanda enfraquecida no início do ano
Custos equilibrados de milho e competitividade frente à carne bovina reforçam cenário mais positivo.

Com o fim do período tradicionalmente mais fraco para o consumo, o mercado de frango pode entrar em uma fase de estabilização e recuperação de preços nas próximas semanas. A expectativa é de que a queda observada nos valores da ave seja interrompida após o feriado de Carnaval, acompanhando a melhora da demanda doméstica.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o ambiente segue favorável para o setor, sustentado por exportações aquecidas, elevada competitividade da carne de frango em relação à bovina e custos equilibrados de ração.
No campo da oferta, o ritmo de crescimento pode perder força a partir deste período, dependendo do volume de alojamentos realizados em janeiro. Caso tenham sido menores do que a forte colocação registrada em dezembro, a disponibilidade de aves tende a se ajustar gradualmente. As aves alojadas no fim de dezembro influenciam diretamente a oferta até meados de fevereiro.
As exportações continuam com perspectiva positiva e devem seguir contribuindo para o equilíbrio entre oferta e demanda, reforçando o suporte aos preços no mercado interno.
Em relação aos custos, o cenário também é considerado favorável. A primeira safra de milho apresentou resultado acima das expectativas e, até o momento, a safrinha mantém boas perspectivas. No entanto, o plantio da segunda safra ainda está em fase inicial no Cerrado, e não há definição sobre o percentual que poderá ficar fora da janela ideal, que se encerra no fim do mês.
Mesmo com expectativa de boa oferta de milho e demanda doméstica firme, a tendência é de um mercado equilibrado para o cereal, sem espaço para oscilações expressivas. Ainda assim, as condições climáticas nos meses de março e abril continuarão sendo determinantes para o comportamento dos preços.
Avicultura
Ovos retomam alta e frango mantém preços estáveis no pós-Carnaval
Equilíbrio entre oferta e demanda sustenta cotações dos ovos, enquanto setor avícola monitora consumo para possível reação em março.

O mercado de ovos voltou a registrar alta após cinco meses consecutivos de queda nos preços. Levantamentos do Cepea indicam que, em algumas regiões acompanhadas, a média parcial até 18 de fevereiro apresenta avanço superior a 40% em relação a janeiro.
Segundo o Centro de Estudos, o equilíbrio entre oferta e demanda tem sustentado a recuperação das cotações, mesmo na segunda quinzena do mês, período em que as vendas costumam perder ritmo. Apesar da recente reação, os preços ainda seguem abaixo dos verificados no mesmo período do ano passado, acumulando retração real superior a 30% nas regiões monitoradas.
A expectativa do setor agora está voltada para a Quaresma, iniciada no último dia 18. Pesquisadores do Cepea destacam que, durante os 40 dias do período religioso, o consumo de ovos tende a aumentar gradualmente, já que a proteína ganha espaço como alternativa às carnes. A perspectiva é de que a demanda mais aquecida continue dando sustentação aos preços.
No mercado de frango, a semana de recesso de Carnaval registra estabilidade nas cotações, reflexo da demanda firme. Ainda assim, na média mensal, o valor da proteína congelada negociada no atacado da Grande São Paulo está em R$ 7,00/kg até o dia 18 de fevereiro — o menor patamar real desde agosto de 2023, quando foi de R$ 6,91/kg, considerando valores deflacionados pelo IPCA de dezembro.
Os preços mais baixos refletem as quedas intensas observadas nas primeiras semanas do ano, movimento que já se estende por pouco mais de três meses. O cenário mantém os agentes cautelosos.
De acordo com participantes consultados pelo Cepea, uma possível recuperação dos preços do frango pode ocorrer apenas a partir do início de março, diante da expectativa de maior consumo no começo do mês. Para esta segunda metade de fevereiro, a liquidez deve permanecer no ritmo atual, limitando avanços mais expressivos nas cotações.




