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Desafios das mudanças climáticas
Desde 2011, a data de 16 de março é definida como o Dia Nacional da Conscientização sobre Mudanças Climáticas. O objetivo é conscientizar a população a respeito da importância de realizar ações que reduzam o impacto das mudanças climáticas e refletir sobre o aquecimento global e suas consequências.

Desde 2011, a data de 16 de março é definida como o Dia Nacional da Conscientização sobre Mudanças Climáticas. O objetivo é conscientizar a população a respeito da importância de realizar ações que reduzam o impacto das mudanças climáticas e refletir sobre o aquecimento global e suas consequências. É a oportunidade também de reforçar o compromisso da sociedade com o cuidado do planeta e a responsabilidade coletiva diante dos desafios ambientais.
Avner Paes Gomes, da área de Recursos Naturais e Sustentabilidade do IDR-Paraná, acredita que as mudanças climáticas já afetam profundamente nossas vidas. Para ele, os eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes e intensos (secas prolongadas, tempestades severas, enchentes e ondas de calor), são a prova de que o clima já não é mais o mesmo. “Esses fenômenos impactam não apenas o meio ambiente, mas também comprometem a economia, a saúde pública e a segurança alimentar, afetando especialmente as comunidades mais vulneráveis”, ressalta Gomes. Ele lembra que recentemente um vendaval causou sérios prejuízos para os produtores de banana do litoral paranaense. Além disso, as altas temperaturas registradas no estado podem ter contribuído para a multiplicação da mosca branca que transmite uma doença virótica que compromete a produção de tomate.
Este panorama de novas condições climáticas exige que governos, instituições, empresas e cidadãos atuem juntos na promoção de práticas sustentáveis, redução das emissões de gases de efeito estufa e na adaptação às novas condições climáticas. “Pequenas ações no cotidiano podem gerar grandes resultados, como economizar água e energia, reduzir desperdícios, praticar o consumo consciente, apoiar políticas públicas voltadas à sustentabilidade e valorizar iniciativas locais de preservação ambiental”, ressalta Gomes
Ações concretas: O IDR-Paraná desempenha um papel importante, por meio de suas ações de pesquisa, extensão rural e transferência de tecnologia, colaborando diretamente para mitigar prejuízos e adaptar a vida do agricultor paranaense às mudanças climáticas. Gomes aponta como exemplos desse trabalho, o incentivo à recuperação de áreas degradadas e a adoção de sistemas sustentáveis como o plantio direto e outras práticas de conservação de solos. “Essas práticas aumentam a resiliência dos sistemas produtivos. Além disso, o IDR-Paraná promove ações voltadas à redução de aplicação de agrotóxicos e saneamento rural. São ações concretas que reforçam o compromisso do Instituto em promover um futuro mais resiliente, equilibrado e sustentável para o estado e para as futuras gerações”, observa Gomes. Ele destaca que o cultivo de culturas perenes, a proteção do solo e a integração de espécies diferentes são benéficos não somente do ponto de vista ecológico, como também econômico já que refletem diretamente em maior produtividade da agropecuária.
Gomes afirma que é preciso investir na educação ambiental das pessoas para que elas mudem de atitude e evitem prejuízos. “É necessário alertar sobre os efeitos das mudanças climáticas e propor soluções”, observa. Gomes acrescenta que os o IDR-Paraná, juntamente com outras instituições públicas e privadas, vêm desenvolvendo um mecanismo de certificação das propriedades que usam práticas sustentáveis, o que valoriza a produção no mercado.
Moacir Roberto Darolt, pesquisador do IDR-Paraná, alerta que as mudanças climáticas preocupam sobretudo porque afeta diferentes segmentos de forma distinta. “No Paraná, que tem uma agricultura forte, os impactos dessas mudanças são realmente preocupantes. Estudos indicam que a irregularidade de chuvas e o aumento das temperaturas afetam as culturas principais como soja, milho, trigo, feijão, além de hortaliças e frutas. Essas mudanças favorecem a proliferação de pragas e doenças, elevam os custos de produção e também reduzem a produtividade”, alerta. Para Darolt, os agricultores familiares certamente vão enfrentar maiores dificuldades porque eles dependem muito dos recursos naturais e do próprio clima para produzir. “Eles também, muitas vezes, têm acesso limitado a tecnologias mais modernas. Essas alterações climáticas vão afetar a produção e também a segurança alimentar das pessoas que estão na cidade e que dependem do campo”, aponta Darolt.
Práticas sustentáveis: O pesquisador lembra que já é possível perceber uma mobilização para implementar práticas mais sustentáveis no campo. “Já se sabe que a agroecologia estimula práticas agrícolas que aumentam a resiliência dos sistemas produtivos. Na Estação de Pesquisa em Agroecologia do IDR-Paraná, em Pinhais, há mais de quinze anos temos experimentado o uso dessas práticas como o SPDH (Sistema de Plantio Direto de Hortaliças) onde você deixa uma palhada que ajuda a manter a umidade do solo, diminui a temperatura em dias muito quentes, além de aportar matéria orgânica”, informou Darolt. Ele acrescentou que a compostagem, a adubação verde, o reaproveitamento dos resíduos orgânicos da propriedade e o uso de bioinsumos podem ajudar a tornar os sistemas produtivos mais sustentáveis.
Uma outra prática já conhecida pelos produtores e difundida pelos extensionistas do IDR-Paraná é a implantação dos sistemas agroflorestal e silvipastoril. “Eles incluem árvores, culturas frutíferas e animais num mesmo local. Isso melhora bastante o equilíbrio ecológico da propriedade”, destaca o pesquisador. O uso de variedades adaptadas ao clima também pode contribuir para que o produtor tenha lavouras mais resistentes a pragas, doenças e também a períodos de estiagem, o que reduz as perdas de produção. Darolt também destaca que o uso de quebra ventos, com o plantio de bambu ou outras espécies, ajuda a proteger não só as culturas, mas também as construções.
O IDR-Paraná capacita produtores e presta assistência técnica e vem incentivando a adoção de práticas agroecológicas em todo o estado. O monitoramento climático feito pelo Instituto, com o registro do regime de chuvas, pode fornecer informações importantes que ajudam os agricultores a se prepararem melhor para evento climáticos rigorosos. Além disso, os extensionistas prestam orientação em políticas públicas que os agricultores podem utilizar na mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

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Armazenamento correto garante qualidade e previne perdas de produtos pecuários
Boas práticas são essenciais para a produtividade da fazenda e envolvem higiene, controle de temperatura e organização física do espaço.

Na pecuária, o bom desempenho do rebanho está ligado a fatores como alimentação, controle de doenças e parasitas, cuidado com o bem-estar animal e monitoramento constante do gado. Além desses critérios, as boas práticas no armazenamento de produtos destinados aos animais também devem ser consideradas essenciais, uma vez que previnem perdas e garantem a produtividade da fazenda.
As boas práticas visam garantir a qualidade, segurança e valor dos produtos, prevenindo contaminações e perdas. Os procedimentos envolvem higiene, controle de temperatura e organização física do espaço, e variam conforme o tipo de produto (ração, suplementos, medicamentos). “Esses princípios mantêm a boa qualidade desses itens, evitando, além das perdas ligadas ao seu valor financeiro, chance de contaminar outros artigos ou provocar doenças no rebanho”, explica o zootecnista Bruno Marson.
Antes de armazenar os produtos, é importante observar qual tipo de espaço ele deve ser guardado. Rações e suplementos precisam ser armazenados em locais secos e arejados, preferencialmente em suas embalagens originais ou em recipientes herméticos, sobre paletes e afastados das paredes para evitar umidade e acesso de pragas. “No caso de medicamentos e vacinas veterinárias é preciso seguir rigorosamente as instruções do fabricante quanto à temperatura, uma vez que muitos desses produtos requerem refrigeração e condições de armazenamento em local seguro e separado de outros produtos químicos”, destaca Marson.
No caso de defensivos agrícolas e químicos, o armazenamento deve ser feito em local isolado, com ventilação adequada, piso impermeável e sinalização de perigo. A legislação brasileira dispõe sobre o sistema de armazenagem dos produtos agropecuários, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fornece cartilhas de boas práticas para serviços de alimentação que são relevantes para produtos de origem animal.
Princípios fundamentais
Marson enfatiza que a higiene rigorosa é essencial, por isso é necessário manter as instalações, equipamentos e utensílios sempre limpos e sanitizados, e que a higiene pessoal dos colaboradores também é crucial. Os locais de armazenamento devem ser limpos, organizados, bem ventilados e protegidos da luz solar direta, umidade, insetos, roedores e outros animais.
No caso da temperatura, seu controle é vital, especialmente para insumos como vacinas e medicamentos. Câmaras frias e refrigeradores devem ser usados conforme as especificações do fabricante. “As embalagens devem proteger o produto da umidade e de contaminações externas. No caso de rações e grãos a granel, deve-se prevenir o ataque de pragas através de iscas, evitar acesso livre ao material e bloquear possíveis abrigos”, orienta.
Outra dica de Marson é organizar os produtos de forma a permitir a fácil inspeção e limpeza e implementar a rotação de estoque (primeiro a entrar, primeiro a sair – PEPS) para garantir que os produtos mais antigos sejam usados antes de vencerem. Além disso, implementar um plano eficaz para a gestão de resíduos e controle de pragas para evitar a infestação das instalações. “Seguindo essas orientações, os produtos ficarão bem armazenados, garantindo assim a produtividade do rebanho e a rentabilidade da fazenda”, menciona Marson.
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Sobretaxas dos Estados Unidos derrubam exportações brasileiras em vários setores
Estudo mostra que apenas seis dos 21 segmentos conseguiram compensar, em outros mercados, a queda nas vendas ao mercado americano.

As sobretaxas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros tiveram impacto amplo e negativo sobre as exportações do país. Um estudo da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) mostra que apenas seis dos 21 setores exportadores conseguiram compensar, em outros mercados, as perdas registradas nas vendas ao mercado americano.
Entre agosto e novembro de 2025, todos os setores analisados venderam menos para os Estados Unidos na comparação com o mesmo período de 2024. A queda somada alcançou US$ 1,5 bilhão. Em praticamente todos os segmentos, a retração das exportações para os EUA foi mais intensa do que a variação das vendas globais, o que evidencia o peso do mercado americano para a pauta exportadora brasileira.

Foto: Vosmar Rosa/MPOR
A tentativa de redirecionar exportações para outros países não foi suficiente para a maioria dos setores. Em 15 dos 21 segmentos avaliados, o crescimento das vendas ao restante do mundo não conseguiu compensar as perdas nos Estados Unidos. Juntas, essas áreas acumularam redução de US$ 1,2 bilhão.
Os impactos mais expressivos foram registrados nos setores de alimentos, como mel e pescados, além de plástico e borracha, madeira, metais e material de transporte. Apenas seis setores conseguiram equilibrar as perdas com vendas em outros mercados: produtos vegetais; gorduras e óleos; químicos; pedras preciosas; máquinas e aparelhos elétricos; e máquinas e instrumentos mecânicos.
Mesmo nesses casos, a compensação foi limitada. O estudo aponta que, muitas vezes, os produtos exportados para outros destinos não são os mesmos que tradicionalmente têm os Estados Unidos como principal mercado. Isso indica que a substituição do mercado americano ocorre de forma incompleta, tanto em valor quanto em perfil de produtos.
No setor de máquinas e aparelhos elétricos, por exemplo, as exportações para os Estados Unidos recuaram US$ 104,5 milhões no período analisado. Já as vendas para outros mercados cresceram US$ 650 milhões. Apesar do saldo positivo, itens específicos de maior valor agregado, como transformadores e geradores, também tiveram desempenho fraco fora dos EUA. As exportações de transformadores caíram tanto para o mercado americano quanto para o restante do mundo, enquanto os geradores registraram queda acentuada nos EUA e avanço modesto nos demais destinos.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
O levantamento reforça que o mercado dos Estados Unidos segue difícil de substituir. Além do volume, o país importa produtos mais diversificados e com maior valor agregado, o que limita a capacidade de redirecionamento das exportações brasileiras no curto prazo.
Para a Amcham, os dados mostram que a diversificação de mercados ajuda, mas não resolve. A entidade avalia que, para grande parte da indústria brasileira, as perdas provocadas pelas sobretaxas não podem ser plenamente revertidas sem avanços nas negociações comerciais com os Estados Unidos.
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Preços dos grãos terminam 2025 sob pressão e incerteza no mercado
Soja, milho e trigo enfrentaram um ano de ajustes ao longo da cadeia global.

O mercado global de commodities encerrou 2025 marcado por preços pressionados, oferta elevada em várias cadeias e forte influência de fatores externos. Para 2026, o cenário segue condicionado a decisões políticas, tensões comerciais, clima e ajustes entre oferta e demanda, aponta a análise da Hedgepoint Global Markets.
No plano internacional, as políticas tarifárias dos Estados Unidos continuam no radar, com potencial para alterar fluxos comerciais, especialmente na relação com a China. A disputa entre as duas potências segue como um dos principais focos de atenção dos mercados. Em países emergentes, eleições também devem influenciar o ambiente econômico. No Brasil, o processo eleitoral previsto para outubro tende a aumentar a volatilidade ao longo do ano.
Na política monetária, a expectativa é de um período de maior equilíbrio. Após cortes de juros em 2025, bancos centrais como o Federal Reserve e o Banco Central Europeu se aproximam de uma fase de estabilização. No Brasil, há espaço para redução da taxa Selic ao longo de 2026, desde que as expectativas de inflação permaneçam controladas, com projeção de encerrar o ano em torno de 12%.
Esse pano de fundo macroeconômico e geopolítico se soma aos desafios específicos de cada mercado agrícola, especialmente ligados ao clima, à produção e ao consumo.
Complexo soja
O mercado de soja viveu em 2025 um cenário de forças opostas. A safra recorde da América do Sul contrastou com a redução de área nos Estados Unidos. A guerra comercial reduziu a demanda pela soja americana, ao mesmo tempo em que o crescimento do esmagamento e a perspectiva de maior uso de biocombustíveis ajudaram a sustentar o mercado. Uma trégua nas tensões entre EUA e China deu algum fôlego aos preços no fim do ano.
Em 2026, quatro pontos concentram as atenções. O primeiro é o volume de compras da China de soja norte-americana, após o compromisso de aquisição de pelo menos 25 milhões de toneladas. O segundo envolve o biodiesel nos Estados Unidos, cujas definições adiadas em 2025 devem impactar óleos vegetais e farelo no próximo ano. O terceiro fator é o clima na América do Sul, com incertezas sobre o potencial produtivo de Brasil e Argentina. Por fim, a decisão sobre a área de plantio nos EUA para a safra 26/27 dependerá do comportamento dos preços, com possibilidade de migração de área do milho para a soja.
Milho e trigo
No milho, 2025 foi marcado por produção recorde nos Estados Unidos, resultado da combinação entre aumento de área e condições climáticas favoráveis. As exportações surpreenderam positivamente, sustentadas pela competitividade dos preços. No trigo, grandes produtores também ampliaram a oferta, levando a produção global a níveis elevados.
Para 2026, o clima na América do Sul será determinante. Brasil e Argentina podem elevar a produção se as condições forem favoráveis, embora o fenômeno La Niña traga riscos, especialmente para a safra argentina. No Brasil, atrasos no plantio da soja podem comprometer o calendário do milho safrinha, elevando a exposição a riscos climáticos. Ainda assim, há tendência de aumento de área, impulsionada pela demanda crescente por etanol de milho, com novas plantas previstas para entrar em operação.
Nos Estados Unidos, a definição da área entre milho e soja dependerá da relação de preços no primeiro trimestre de 2026. Apesar da possibilidade de redução de área do milho, a demanda aquecida pode limitar cortes mais significativos. No trigo, as atenções se voltam ao clima no desenvolvimento da safra de inverno do Hemisfério Norte, em um contexto de transição do La Niña para condições neutras ao longo do primeiro semestre.



