Notícias
Desafio da soja é transformar conhecimento em prática no campo, apontam especialistas
Baixa adesão ao Manejo Integrado de Pragas preocupa pesquisadores, que defendem maior aproximação entre ciência e produtores para ampliar a sustentabilidade e a rentabilidade da cultura.

Apesar dos avanços obtidos pela pesquisa nas últimas décadas, a adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP) na soja ainda está abaixo do potencial esperado em diversas regiões produtoras do país. O tema esteve no centro das discussões do workshop “Diálogos para o Uso Prático do MIP em Soja”, realizado na última semana durante a 40ª Reunião de Pesquisa da Soja, em Londrina (PR).

Foto: Divulgação/Embrapa Soja
O encontro reuniu pesquisadores, representantes da indústria, consultores e produtores rurais para debater formas de aproximar o conhecimento científico da realidade das propriedades. Entre as iniciativas apresentadas está a assinatura de uma carta de intenções entre a Embrapa Soja e a Promip, voltada à ampliação de ações de capacitação e treinamento para agricultores.
A busca por maior difusão do MIP ocorre em um momento em que o setor procura sistemas produtivos mais eficientes, capazes de integrar diferentes ferramentas de controle e reduzir a dependência exclusiva dos defensivos químicos.
A estratégia combina métodos biológicos, monitoramento das lavouras e uso racional de produtos fitossanitários, contribuindo para a sustentabilidade e a rentabilidade da atividade. “Vamos ampliar as possibilidades de levar o conhecimento desenvolvido pela ciência, de forma on-line, para diferentes regiões do país. O MIP contribui para melhorar o processo de tomada de decisão do produtor e tem benefícios diretos para a sustentabilidade econômica e social. Cada vez mais, a sustentabilidade será um diferencial e o conhecimento sobre as boas práticas vai permitir tomar decisões com segurança para uma produção cada vez mais sustentável”, destaca Carina Rufino, chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Soja.

Foto: Divulgação/Embrapa Soja
Tecnologia consolidada, mas ainda pouco utilizada
Um dos destaques da programação foi a palestra do pesquisador Adeney de Freitas Bueno, uma das principais referências brasileiras em Manejo Integrado de Pragas, que abordou os motivos pelos quais uma tecnologia amplamente validada ainda encontra dificuldades para avançar no campo.
Segundo o pesquisador, o desafio atual não está na falta de conhecimento técnico, mas em compreender as barreiras práticas enfrentadas pelos produtores na adoção das ferramentas disponíveis. “O MIP-Soja é uma tecnologia consolidada, com resultados comprovados na redução de custos, preservação de inimigos naturais, aumento da rentabilidade associado à sustentabilidade dos sistemas produtivos. O grande desafio é compreender os fatores que ainda limitam sua adoção em larga escala e construir estratégias que aproximem ainda mais a pesquisa da realidade do produtor rural”, destaca Adeney.
A programação também trouxe a visão do produtor rural Luiz Carlos de Castro sobre como engajar os agricultores

Chefe de transferência de tecnologia da Embrapa Soja, Clarice Rufino, com o CEO da empresa parceira, Marcelo Poletti, por ocasião da assinatura da15 carta de intenção para estimular o manejo integrado de pragas na sojicultura brasileira – Foto: Divulgação/Embrapa Soja
em práticas mais sustentáveis, além da participação da gerente de Sustentabilidade da CropLife Brasil, Amália Borsari, que apresentou a perspectiva da indústria de insumos sobre a integração de diferentes táticas de manejo.
Para Marcelo Poletti, CEO da empresa parceira da iniciativa, ampliar o acesso à capacitação é um caminho para tornar os sistemas de produção mais eficientes e economicamente viáveis. “A proposta da parceria com a Embrapa Soja é justamente expandir a capacitação dos produtores, contribuindo para o desenvolvimento de sistemas de produção da soja eficientes e economicamente viáveis. O programa Soja Rota + Sustentável pode contribuir muito neste sentido porque nasceu com o objetivo de estabelecer uma jornada de evolução contínua no manejo integrado de pragas na cultura da soja”, afirma Poletti.
As discussões reforçaram a necessidade de maior integração entre pesquisa, setor produtivo e indústria para acelerar a adoção das boas práticas agrícolas e fortalecer uma sojicultura cada vez mais alinhada às demandas de sustentabilidade e competitividade.

Notícias
Faesc critica veto ao Projeto dos Safristas e alerta para impactos sobre produtores e trabalhadores
Entidade afirma que medida dificulta a contratação formal, aumenta a insegurança no campo e pode afetar cadeias como maçã e cebola em Santa Catarina.

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) manifesta profunda preocupação com o veto integral ao Projeto de Lei nº 715/2023, conhecido como Projeto dos Safristas. A medida, na avaliação da entidade, representa um grave retrocesso para o setor produtivo rural, especialmente para cadeias que dependem fortemente da contratação de mão de obra temporária, como a cebola e a maçã, culturas de grande importância econômica e social para Santa Catarina.

Vice-presidente da Faesc, Clemerson Argenton Pedrozo: “A medida criava condições para estimular a formalização, ampliar a geração de renda e oferecer mais segurança jurídica aos produtores e aos trabalhadores” – Foto: Divulgação/Faesc
O projeto aprovado pelo Congresso Nacional buscava corrigir uma distorção enfrentada no campo: o receio de trabalhadores temporários aceitarem contratos formais durante o período de safra por medo de perder o acesso a programas sociais. O vice-presidente da Faesc, Clemerson Argenton Pedrozo, ressaltou que a proposta não retirava direitos nem fragilizava a proteção social. “A medida criava condições para estimular a formalização, ampliar a geração de renda e oferecer mais segurança jurídica aos produtores e aos trabalhadores”, enfatizou.
Segundo o dirigente, a escassez de mão de obra temporária é uma realidade desafiadora no meio rural catarinense e em todo o País. “Em atividades como a colheita da maçã e da cebola, a contratação de trabalhadores safristas é indispensável para garantir o andamento da produção no período adequado. Sem mecanismos que facilitem essa contratação formal, muitos produtores ficam expostos a prejuízos, atrasos na colheita, aumento de custos e perda de competitividade”, ressaltou.
O dirigente reforça, ainda, que o campo precisa de trabalhadores com segurança, renda e oportunidades, assim como os produtores precisam de condições para contratar dentro da legalidade. “Impedir que os trabalhadores rurais possam complementar sua renda durante a safra, sem o risco de perder imediatamente benefícios sociais, estimula a informalidade e agrava um problema que o projeto buscava solucionar”, salientou.
A Faesc também acompanha com atenção o posicionamento da Frente Parlamentar da

Foto: Divulgação
Agropecuária (FPA), que recebeu o veto com consternação e perplexidade. A FPA avalia que a decisão desconsidera a realidade do campo brasileiro, penaliza trabalhadores que buscam ingressar no mercado formal e dificulta a contratação em um setor estratégico para a segurança alimentar e para a economia nacional.
Clemerson Pedrozo reforça que o Projeto dos Safristas representava uma iniciativa equilibrada e necessária para o meio rural. “A proposta contribuía para a inclusão produtiva, a formalização do trabalho, a geração de renda e a redução da insegurança nas relações de trabalho durante as safras”, destacou.
Diante disso, a Faesc defende a revisão da medida e apoia a FPA na atuação em favor da derrubada do veto no Congresso Nacional. Para a entidade, é fundamental que o país avance em políticas públicas que valorizem o trabalho, fortaleçam a produção agropecuária e reconheçam as particularidades das atividades sazonais no campo.
Colunistas
Safra 2026/27 amplia peso da gestão financeira dentro das propriedades
Com custos ainda elevados, crédito mais restrito e passivos acumulados, produtores terão de equilibrar produtividade, liquidez e gestão de risco para preservar a rentabilidade.

A safra 2026/27 tende a expor uma lógica econômica diferente no agronegócio. Mais do que medir desempenho pela produtividade isolada, o novo ciclo exigirá avaliar a capacidade de cada operação de sustentar margem, liquidez e disciplina financeira em um ambiente de custos ainda elevados, crédito mais seletivo, juros mais altos e passivos acumulados de safras anteriores. Em outras palavras, nesta safra, produzir bem continuará sendo necessário, mas não será, por si só, suficiente para garantir solidez econômica.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Essa mudança altera de forma relevante a leitura de risco e retorno no setor. Em ciclos mais favoráveis, parte das ineficiências operacionais e mesmo perdas localizadas de produtividade por intempéries climáticas podiam ser absorvidas por preços melhores, maior liquidez e expansão do crédito. Esse ambiente mudou. Na safra 2026/27, mesmo operações com bom desempenho produtivo podem enfrentar pressão de caixa se ingressarem no ciclo com estrutura de capital desequilibrada, alavancagem excessiva ou baixa capacidade de gerir riscos.
A diferença entre operações mais resilientes e mais vulneráveis tende a aparecer com mais nitidez. No Centro-Oeste, especialmente em regiões com maior escala e melhor diluição de custos, permanecem vantagens estruturais relevantes, mas elas já não asseguram conforto financeiro por si só. No Matopiba, o desafio tende a ser mais sensível em razão da pressão logística, da dependência de infraestrutura e da menor margem de tolerância a desvios. No Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, o clima e o peso de sucessivas frustrações produtivas e renegociações anteriores torna o novo ciclo ainda mais exigente.
Nesse contexto, o desafio já não está apenas em aumentar a produtividade. Está em preservar a capacidade econômica da

Foto: Shutterstock
operação diante de uma combinação mais dura de margens estreitas, caixa pressionado, maior seletividade do crédito e exposição climática permanente. Quando o espaço entre receita esperada e obrigação financeira se estreita, qualquer frustração relevante de safra pode migrar rapidamente do campo agronômico para o financeiro.
É exatamente por isso que o seguro agrícola ganha centralidade. Em um cenário de margem comprimida, ele deixa de ser apenas um instrumento de compensação patrimonial e passa a atuar como mecanismo de preservação de liquidez, continuidade operacional e capacidade de pagamento. Proteger a safra, nesse ambiente, é também proteger a estrutura financeira da operação rural.
Esse movimento faz parte de uma transformação mais ampla do agro. Decisões de crédito, seguro e gestão de risco precisarão ser cada vez mais apoiadas por dados e inteligência, seja pela leitura do risco em nível de talhão, pelo monitoramento contínuo ou pela maior integração do seguro às operações financeiras.
O que está em jogo, portanto, não é apenas o desempenho de uma safra, mas a capacidade de manter a operação economicamente íntegra em um ambiente mais complexo e adverso. Isso exige uma agenda mais profissional de proteção, governança e gestão de risco.
Notícias
Frimesa antecipa meta de energia renovável e alcança 96,4% de matriz limpa nas operações
Índice previsto para 2030 foi superado cinco anos antes, reforçando estratégia da cooperativa para atingir a neutralidade de carbono até 2040.

A Frimesa alcançou em 2025 um marco em sua estratégia de sustentabilidade ao registrar 96,4% de energia proveniente de fontes renováveis em suas operações industriais. O percentual supera a meta estabelecida no Roadmap ESG 2040, que previa atingir 95,7% de energia limpa apenas em 2030.

Foto: Divulgação/Frimesa
O resultado fortalece o compromisso da cooperativa com a redução das emissões de gases de efeito estufa e com a meta de neutralidade de carbono até 2040.
Ao longo do ano, o consumo total de energia da companhia chegou a 1,98 milhão de gigajoules (GJ). Desse total, biomassa e biogás responderam por 61,5% da matriz energética, consolidando-se como as principais fontes utilizadas pela agroindústria. A geração solar também teve participação relevante no desempenho alcançado.
Na unidade frigorífica de Assis Chateaubriand, por exemplo, a expansão da produção não comprometeu a predominância de fontes renováveis. A empresa já mantém no planejamento novos investimentos, como a ampliação da usina fotovoltaica, estudos para utilização de biometano e a eletrificação gradual da frota. “Esse resultado demonstra nossa capacidade de integrar inovação e sustentabilidade na operação industrial. A sustentabilidade não é apenas uma meta a ser alcançada, mas a nossa própria razão de ser. Como uma cooperativa, o impacto social, a governança ética e o respeito ao campo e ao meio ambiente estão no nosso DNA desde a fundação”, afirma Elias José Zydek, presidente executivo da Frimesa.
Segundo o executivo, alcançar a meta cinco anos antes do previsto representa um avanço importante na trajetória rumo à neutralidade de carbono. “Seguiremos

Presidente executivo da Frimesa, Elias José Zidek: “A sustentabilidade não é apenas uma meta a ser alcançada, mas a nossa própria razão de ser” – Foto: Divulgação/Frimesa
investindo na diversificação da matriz e na eficiência energética de nossas unidades”, destaca.
Troca da gasolina por etanol reduz emissões da frota
Além dos avanços na matriz energética, a cooperativa também registrou redução nas emissões ligadas ao transporte. Desde 2024, a Frimesa vem substituindo gradualmente a gasolina pelo etanol em sua frota leve.
A estratégia resultou em uma queda de 44,6% nas emissões de CO₂ provenientes da combustão móvel, o equivalente a aproximadamente 200 toneladas de carbono que deixaram de ser lançadas na atmosfera.
Em 2025, o movimento ganhou força com a redução de 238 GJ no consumo de gasolina. “A substituição do combustível fóssil por um de origem renovável demonstra como atitudes simples e de baixo custo geram grande impacto”, enaltece Zydek.
Os resultados fazem parte do Roadmap ESG 2040, que reúne as metas ambientais, sociais e de governança da cooperativa e orienta as ações voltadas ao uso mais eficiente dos recursos e à transição para uma economia de baixo carbono.



