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Depois de um ano entre altos e baixos, tendência é de um primeiro semestre com maior oferta de leite no Brasil
As margens tendem a seguir apertadas e o setor deverá seguir o movimento de consolidação em curso.

A cadeia produtiva do leite apresentou dois semestres distintos no ano de 2022. No primeiro semestre verificou-se menor oferta de leite, com recuo recorde na produção nacional e pouca importação. Como consequência, houve elevação dos preços em toda a cadeia produtiva e inflação histórica para o setor. Já no segundo semestre, a situação se inverteu. O aumento do custo de vida das famílias, especialmente por conta dos alimentos, manteve o consumo em baixa.
Por outro lado, o início do período de safra a partir de agosto/setembro, o estímulo de preços e a maior rentabilidade proporcionados aos produtores, permitiram a recuperação da produção doméstica. Somado a isso, houve um incremento significativo das importações, que se aproximou de 10% da produção nacional em setembro passado. O resultado foi uma forte desaceleração dos preços do leite e derivados. A cotação ao produtor recuou R$ 1/litro entre agosto e dezembro, fechando o ano em R$2,52/litro, segundo o Cepea.
A economia brasileira finalizou 2022 com estimativa de crescimento de 3%. Foi um ano em que a taxa de desemprego recuou, a inflação desacelerou e o setor de serviços voltou a crescer, após as restrições com a pandemia. Houve também um bom desempenho dos investimentos privados, na esteira de concessões na área de infraestrutura. O grande motor da economia foi o agronegócio. Com boa safra de grãos e exportações, o agronegócio seguiu avançando, apesar da alta nos custos com insumos.
Perspectivas macroeconômicas para 2023
Mas, e para 2023, o que podemos esperar? Por enquanto, ainda incertezas. Do ponto de vista global, o cenário de crescimento segue fraco com desaceleração da Europa e dos Estados Unidos, impactados negativamente por inflação elevada e necessidade de elevação nas taxas de juros. Existe, inclusive, risco de recessão em alguns países. Estima-se que a China deve ter encerrado 2022 com um crescimento em torno de 3% e segue com dificuldades para estancar o avanço da Covid-19.
Este cenário deve seguir ainda complicado em 2023, com expansão econômica chinesa entre 3% e 4%, um patamar baixo, considerando o histórico deste país asiático. Assim, as commodities metálicas e energéticas devem perder valor, o que atrapalha o crescimento brasileiro. As commodities agrícolas devem registrar certa estabilidade nos preços, e a contribuição para o crescimento brasileiro será menor que a observada nos últimos dois anos.
O aumento das taxas de juros do crédito ao consumidor pode inibir o consumo das famílias. A alta da inflação nos últimos dois anos, com forte elevação em alimentos, pressionou negativamente a disponibilidade de renda e aumentou o endividamento. A população de menor renda inicia 2023 endividada e com custo de crédito mais alto. Com um crescimento econômico mais fraco projetado para 2023 (o relatório Focus indica 0,8%), a expansão no emprego tende a perder ritmo, o que de fato já está acontecendo (Figura 1).
Assim, o país enfrentará desafios para o crescimento econômico em 2023 : juros mais altos, commodities perdendo valor e menor crescimento internacional. Neste cenário, a criação de um ambiente de expectativas positivas que mantenha a economia na trajetória de crescimento pode garantir o aumento do consumo das famílias.
No mercado de leite, a tendência é de um primeiro semestre com maior oferta em relação a 2022. Isso tanto pelo fraco volume de leite registrado no ano passado como pelo efeito inercial da produção mais elevada nos últimos meses.
Os custos de produção, apesar do clima pior na Argentina e Sul do Brasil, com impactos negativos na produção de milho e soja, devem estar mais acomodados em relação ao que se viu nos últimos dois anos. Além disso, os mercados de energia e fertilizantes também devem contribuir para menor pressão nos custos.
Do ponto de vista da demanda, não se espera grandes avanços, mas a menor inflação dos laticínios tende a contribuir para a recuperação do consumo. As margens tendem a seguir apertadas e o setor deverá seguir o movimento de consolidação em curso. Dessa forma, sugere-se cautela em 2023.

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Arroba do boi gordo sobe para R$ 337,10 e reverte perdas de julho
Indicador Cepea/Esalq avançou 1,08% na segunda-feira (20) e voltou a registrar saldo positivo no acumulado do mês.

O preço do boi gordo voltou a registrar alta no mercado brasileiro. Nesta segunda-feira (20), o Indicador Cepea/Esalq fechou cotado a R$ 337,10 por arroba, avanço de 1,08% em relação ao pregão anterior.
O resultado mantém o movimento de recuperação observado nos últimos dias. Na sexta-feira (17), o indicador havia encerrado o dia em R$ 333,50 por arroba. Antes disso, as cotações também apresentaram valorização, passando de R$ 328,10 na terça-feira (14) para R$ 329,20 na quarta-feira (15) e R$ 331,15 na quinta-feira (16).
Com a sequência de altas, o mercado praticamente eliminou as perdas registradas ao longo de julho. No acumulado do mês, a variação do indicador passou a ser positiva em 0,21%.
Em dólar, a arroba do boi gordo foi cotada a US$ 66,23, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).
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Banco de antígenos amplia proteção do rebanho brasileiro contra a febre aftosa
Estoque de 10 milhões de doses permitirá resposta imediata em caso de novos focos da doença e ajudará a preservar o status sanitário do país.

O Brasil deu mais um passo para fortalecer sua defesa sanitária animal com a inauguração, nesta sexta-feira (17), do 1º Banco Brasileiro de Antígenos para resposta emergencial à febre aftosa. Instalada em Buenos Aires, na Argentina, a estrutura manterá um estoque estratégico de antígenos para a fabricação de vacinas em caso de eventual reintrodução da doença no Brasil.
Resultado de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a empresa argentina Biogénesis Bagó, a iniciativa representa uma conquista inédita para o país.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes” – Foto: Divulgação/Sistema Faep
“O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Manter esse status exige vigilância permanente, planejamento e investimentos em prevenção. A criação desse banco representa uma camada adicional de proteção para o nosso rebanho e demonstra o compromisso com a sanidade”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
O Banco Nacional conta, inicialmente, com um estoque de 10 milhões de doses de antígenos correspondentes aos dois sorotipos do vírus da febre aftosa com maior circulação histórica no Brasil. O contrato prevê ainda a possibilidade de fornecimento de mais 10 milhões de doses ao longo dos próximos dez anos, em casos de eventuais surtos. O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas, caso seja identificado algum foco da enfermidade.
“A manutenção desse estoque é um requisito para que o Brasil preserve o reconhecimento internacional concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal. Os produtores rurais podem ficar mais confiantes de que, em surtos localizados da doença, haverá uma resposta rápida”, afirma o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon.

O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas
Por questões de biossegurança, esse material permanece armazenado fora do território brasileiro. Países como Estados Unidos e Reino Unido também adotam esse modelo, mantendo estoques estratégicos na unidade da Biogénesis Bagó, na Argentina.
Segundo o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava e da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Corte do Sistema Faep, Rodolpho Botelho, que acompanhou a cerimônia de inauguração, o Paraná tem histórico de protagonismo nas ações de defesa agropecuária e colhe os resultados desse trabalho por meio da abertura de mercados e da valorização da produção estadual.
“Sempre fomos referência em sanidade animal. Essa credibilidade abre mercados para a nossa produção e fortalece a competitividade da agropecuária no comércio internacional. Esse banco de antígenos é mais uma etapa no protocolo para o fortalecimento da sanidade”, reforça.
Para o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, o banco representa uma ferramenta estratégica para proteger o rebanho e também preservar o comércio internacional de proteína animal.
“Hoje, a Organização Mundial de Saúde Animal prevê protocolos que permitem isolar a área afetada, fazer a vacinação e controlar o foco sem comprometer o status sanitário do país. O banco de antígenos é uma ferramenta extremamente importante para garantir essa resposta”, esclarece.
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Mercado futuro do leite ganha espaço entre produtores paranaenses
Sistema Faep destaca potencial da ferramenta para garantir maior segurança, transparência e previsibilidade na comercialização.

Desde o dia 13 de maio, a cadeia brasileira do leite conta com o chamado “mercado futuro”, pelo qual os contratos são negociados diretamente entre as partes, no mercado de balcão, sem listagem em bolsa, para uma data futura com preços já definidos. O instrumento financeiro (ferramenta hedge) garante mais proteção, previsibilidade, transparência e rentabilidade ao setor, que sofre com os riscos das oscilações do preço do leite. O avanço desta ferramenta entre os produtores foi tema da reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, nesta quinta-feira (16).
“Essa ferramenta traz mais segurança para os nossos produtores de leite. O mercado futuro já é uma realidade para outras commodities agrícolas como soja, milho e boi gordo. É questão de tempo para os pecuaristas se familiarizarem e usufruírem dos benefícios”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Produtores presentes na reunião da CT de Bovinocultura de Leite representaram as principais bacias leiteiras do Paraná
Para auxiliar neste processo, a reunião contou com a participação de Marianne Tufani, gerente de riscos da StoneX Leite Brasil, que detalhou o funcionamento da ferramenta e tirou dúvidas sobre o mercado futuro de leite.
“Todas as demais cadeias, como a da soja, milho e boi gordo, aprenderam a usar. Nós também vamos nos beneficiar com isso”, comenta o presidente da CT de Bovinocultura de Leite e produtor de leite, Eduardo Lucacin. “É preciso conhecer bem o nosso negócio, os nossos custos, para saber o melhor momento de travar o preço”, complementa.
O desenvolvimento da ferramenta teve participação do Sistema Faep, StoneX Leite Brasil, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea – Esalq/USP) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Marianne lembrou que, no mercado mundial de leite, 70% dos players já utilizam o mercado futuro.
“O primeiro passo para quem quer saber como funciona é abrir uma conta na corretora. O quanto antes, melhor, pois é um processo burocrático que exige documentação e análises extensas e minuciosas. Não tem custo essa abertura”, explica Marianne.
Temas prioritários
Ainda na reunião do CT de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, outros temas como a questão sanitária, preços e custo de produção, problemas no fornecimento de energia elétrica e oportunidades de capitalização estiveram em discursão. Os produtores relataram, mais uma vez, a preocupação com o custo da energia e a falta de qualidade do serviço da concessionária, que coloca em risco a produção.

O presidente da Comissão, Eduardo Lucacin, conduziu a reunião e mediou os debates sobre os temas prioritários para o setor
“Leite perdido, equipamento queimado. O que mais tem é produtor com situações como essas. O Sistema Faep tem atuado em Brasília e via Ministério Público Estadual, para cobrar da concessionária a qualidade do serviço. Porém, talvez tenhamos que, como comissão, pensar em soluções e outras alternativas para minimizar os danos”, afirma Lucacin.
Quanto à sanidade, o tema do combate à Brucelose apareceu no debate. “O controle da doença é pré-requisito básico para nos tornarmos competitivos em nível mundial”, diz o vice-presidente da CT, Roger van der Vinne, que também é médico veterinário e produtor em Carambeí, na região dos Campos Gerais. “Cada um em sua propriedade precisa dar o exemplo, gerindo a saúde do rebanho, realizando os testes e vacinação e buscando a certificação de livre da doença”, destaca.
Outro assunto que também foi discutido na reunião da comissão foi a possibilidade de aumento da rentabilidade com os derivados, em especial os sólidos, a proteína do soro (whey) e o concentrado proteico do leite. “A gente tem que preparar para todas essas tendências. Buscamos isso pela comissão e pelo Conseleite”, conclui o presidente da CT.





