Suínos Mercado
“Dependência gera mais vantagens que desvantagens”, defende Piva
Para José Piva, da PIC, dos Estados Unidos, existem diversas vantagens em um mercado ser dependente de outro

Um assunto que sempre causa muita discussão nos agentes da cadeia produtiva é quanto a dependência que pode
existir sobre um único mercado. A suinocultura conhece bem isso, sendo que em 2017 o maior mercado brasileiro da proteína era a Rússia. Porém, em 2018 o país deixou de exportar do Brasil, o que, segundos muitas opiniões, foi um problema para o Brasil. Mesmo com este fato, para José Piva, da PIC, dos Estados Unidos, existem diversas vantagens em um mercado ser dependente de outro. E foi esta visão que ele mostrou para os participantes do 19º Congresso Nacional Abraves, que aconteceu em outubro, em Toledo, PR.
Segundo Piva, é normal que países sejam dependentes de outros mercados. “O que eu gostaria de frisar é que a dependência de mercado sozinha não pode causar uma interrupção de mercado. Existem outros aspectos que são importantes para nós nos preocuparmos”, afirma. Ele informa que outros países, como EUA, Canadá e Chile também tem dependência de outros mercados, seja japonês, coreano, chinês ou mexicano. “Cada mercado tem uma certa dependência de outros, mesmo que não seja total, mas tem. Quando isto acontece em longo prazo, tem mais efeitos positivos do que negativos na parte comercial”, avalia.
A dependência de mercado, como regra, deixa o comércio mais competitivo, comenta. “A dependência de longo prazo faz parte das relações globais. Na minha visão eu vejo como uma oportunidade de trazer mercados disponíveis, mesmo que haja uma certa dependência. Esta é uma estrada de duas vias, que tem seus aspectos positivos e negativos”, diz. “Mesmo com dependência, é melhor participar do mercado do que não estar presente”, afirma.
A primeira vantagem citada por Piva foi que as empresas que exportam sempre são mais valorizadas. “Sem dúvida participar do mercado internacional ajuda”, conta. Ele ainda acrescenta que estar participando do mercado, mesmo que seja com certa dependência, ajuda a agregar valor, elevar padrões de qualidade e ajuda na biosseguridade.
Para Piva, existem oportunidades diretas e indiretas para toda a cadeia. “Os desafios e as dificuldades fazem a cadeia se estruturar melhor. Ou seja, faz com que o sistema seja melhor, abre portas para novos mercados, como aconteceu com o chinês, nos dá suporte financeiro, ajuda a definir exigências de um mercado. E é também uma oportunidade para aprender e descobrir”, avalia. Segundo ele, certamente que o mercado externo, mesmo que tenha dependência, favorece na transparência, agrega valor aos produtos, dá visibilidade ao setor, estimula a criatividade e tira a cadeia do status quo. “Mesmo que estejamos em um mercado dependente ficamos pressionados a fazer com que as empresas, pessoas, universidades, todos saiam deste status quo. Todos são forçados a buscar melhorias, seja no transporte, indústria, frigoríficos”, diz.
Desvantagens
Mas, mesmo com todos os argumentos citados por Piva, ele admite que existem as desvantagens em ser dependente de um mercado. “Quando se está dependente, dificulta o planejamento. Em momento de suspensão de exportação por motivos sanitários, políticos ou econômicos culminam em uma oferta a mais, ou seja, não tem para onde enviar esta carne e isso faz com que haja queda de preço e perda de negócios”, comenta. Outro ponto negativo, é que gera expectativa. “Nem sempre elas são sustentáveis. São feitos investimento com base em uma situação de momento”, diz.
A dependência ainda faz com que o país perca o poder de barganha, tem que competir com outras empresas que também querem exportar para aquele mercado, se expõe a volatilidade do campo e não é um negócio fixo. Além disso, é ainda preciso seguir padrões de mercado, e, para Piva, nem sempre isso é 100% positivo. “Há uma exposição de regras do mercado, especialmente o regulatório, e a gente tem que abrir e ficamos expostos”, informa. Há ainda a limitação do uso de tecnologias, como por exemplo a ractopamina, produção confinada e, até mesmo, a edição de genes. “São coisas que alguns mercados e consumidores simplesmente não aceitam”, diz. Nisso, entra ainda a limitação do uso de certos produtos, e há os preços que nem sempre são competitivos quando se vive de dependência de mercado.
“Participar do mercado global, mesmo que seja com certa dependência, tem seu custo. Mas, sem dúvida, aprendemos muito mais quando estamos envolvidos. Não tenho dúvida que sobre o aspecto técnico e de negócio, estamos muito mais visíveis e temos mais oportunidades”, afirma. Segundo Piva, para mercado emergentes e competitivos, a dependência pode ser uma porta de entrada para novos mercados. “A não dependência de produto de um único cliente não significa ausência de desafio. Ou seja, mesmo que o mercado não seja dependente, existem os desafios”, comenta. Para ele, a dependência cria oportunidades e relações comerciais. “Todos os grandes exportadores têm uma certa dependência. Embora não favorável, a dependência gera mais vantagens que desvantagens”, reitera.
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Suínos
ACCS empossa nova diretoria e reforça foco em mercado e sanidade na suinocultura catarinense
Entidade inicia novo mandato de quatro anos com Losivanio Lorenzi reeleito e destaca desafios ligados às exportações, biosseguridade e inovação no setor suinícola de Santa Catarina.

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) realizou, nesta sexta-feira (09), a posse oficial da diretoria eleita em assembleia geral no dia 10 de outubro do ano passado. O ato marcou o início formal do novo mandato da entidade e reafirmou a continuidade do trabalho desenvolvido nos últimos anos em defesa da suinocultura catarinense.

Presidente reeleito da ACCS, Losivanio Luiz de Lorenzi: “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade” – Foto: Divulgação/ACCS
Durante a cerimônia, o presidente reeleito, Losivanio Luiz de Lorenzi, destacou que a nova gestão mantém o compromisso com a representatividade do setor, aliando experiência e renovação. Segundo ele, alguns membros passaram por mudanças, a pedido, abrindo espaço para novas lideranças, sem perder o apoio e a contribuição daqueles que deixam os cargos diretivos. “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade”, afirmou.
Losivanio ressaltou que os principais desafios do novo mandato estão ligados ao acompanhamento constante do mercado, tanto no cenário estadual e nacional quanto no internacional.
Santa Catarina responde por mais de 50% das exportações brasileiras de carne suína e, em 2024, superou o Canadá, tornando-se o terceiro maior exportador mundial da proteína. Nesse contexto, o presidente reforçou a importância da atuação conjunta com indústrias e cooperativas, fundamentais para a comercialização da produção.
Outro ponto central abordado foi a manutenção do elevado status sanitário do rebanho

Foto: Divulgação/ACCS
catarinense. Para a ACCS, a biosseguridade e a sanidade animal são pilares estratégicos para a permanência e ampliação do acesso aos mercados internacionais, além de garantirem qualidade e segurança ao consumidor brasileiro. “É a sanidade que nos mantém competitivos e confiáveis no mundo”, destacou.
A nova diretoria assume com a missão de seguir inovando, acompanhando as transformações do setor, inclusive com o avanço de novas tecnologias e da inteligência artificial, sempre com foco na sustentabilidade da atividade, na qualidade de vida do suinocultor e na entrega de uma proteína segura e de alta qualidade à mesa do consumidor. O mandato tem duração de quatro anos.
Suínos
Biosseguridade como estratégia para proteger a suinocultura catarinense
Nova portaria estadual reforça a prevenção sanitária nas granjas, combina exigências técnicas com prazos equilibrados e conta com apoio financeiro para manter Santa Catarina na liderança da produção de proteína animal.

Santa Catarina é reconhecida nacional e internacionalmente pela excelência sanitária de sua produção animal. Esse reconhecimento não é fruto do acaso: é resultado de um trabalho contínuo, técnico e coletivo, que envolve produtores, agroindústrias, cooperativas, entidades de representação, pesquisa e o poder público. Nesse contexto, a Portaria SAPE nº 50/2025, em vigor desde 8 de novembro de 2025, representa um marco decisivo para a suinocultura tecnificada catarinense, ao estabelecer medidas claras e objetivas de biosseguridade para granjas comerciais.
Ao ser elaborada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) em conjunto com a Cidasc e outras instituições ligadas ao setor produtivo e à pesquisa agropecuária, a normativa consolida um entendimento que sempre defendemos: a prevenção é a melhor estratégia. Em um cenário global marcado por riscos sanitários crescentes, pressão por padrões mais rigorosos e mercados cada vez mais exigentes, proteger o plantel catarinense significa proteger empregos, renda no campo, investimentos industriais e a confiança dos compradores internacionais.

Diretor executivo do SINDICARNE, Jorge Luiz De Lima – Foto: ARQUIVO/MB Comunicação
A Portaria traz prazos que demonstram equilíbrio e respeito à realidade das propriedades. As granjas preexistentes têm período de adaptação, com adequações estruturais previstas para ocorrer entre 12 e 24 meses, conforme o tipo de ajuste necessário. Contudo, também há medidas de implementação imediata, principalmente de caráter organizacional, baseadas em rotinas padronizadas de higienização, controle e prevenção. É o tipo de avanço que qualifica a gestão e eleva a eficiência sem impor barreiras desproporcionais.
Vale destacar que muitas granjas catarinenses já operam nesse padrão, em razão das exigências sanitárias de mercados internacionais e do comprometimento histórico do setor com boas práticas. Por isso, a adaptação tende a ser tranquila, além de trazer ganhos diretos de controle, rastreabilidade e segurança. Entre as principais ações previstas, estão: uso obrigatório de roupas e calçados exclusivos da unidade de produção; desinfecção de equipamentos e veículos; controle rigoroso de pragas e restrição de visitas; tratamento da água utilizada; e manutenção de registros e documentação atualizados. São medidas que, embora pareçam simples, fazem enorme diferença quando aplicadas com disciplina.
Outro ponto que merece reconhecimento é a criação do Programa de Apoio às Medidas de Biosseguridade na Produção Animal Catarinense, instituído pela Resolução nº 07/2025. O Governo do Estado não apenas regulamentou: também viabilizou um caminho real para que o produtor possa investir. O programa permite financiamento de até R$ 70 mil por granja, com pagamento em cinco parcelas, sem correção monetária ou juros, e com possibilidade de subvenção de 20% a 40% sobre o valor contratado. Trata-se de um estímulo concreto, que fortalece a base produtiva e mantém Santa Catarina na liderança brasileira em produção e exportação de carne suína.
O processo é tecnicamente estruturado e acessível. O suinocultor deve elaborar um Plano de Ação (Plano de Adequação), com apoio de médico-veterinário da integradora, cooperativa ou assessoria técnica — incluindo alternativas como o Sistema Faesc/Senar-SC para produtores independentes. O documento é preenchido na plataforma Conecta Cidasc. A partir dele, a Cidasc emite o laudo técnico, e o produtor pode buscar o financiamento do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR), com solicitação feita junto à Epagri, que atua como ponte para viabilizar o acesso à política pública.
Biosseguridade não é custo; é investimento. É ela que sustenta a sustentabilidade do setor, reduz perdas, previne crises e mantém nossa competitividade. A Portaria nº 50/2025 e o Programa Biosseguridade Animal SC mostram que Santa Catarina segue fazendo o que sempre fez de melhor: antecipar desafios, agir com responsabilidade e proteger seu patrimônio sanitário, garantindo segurança, qualidade e confiança do campo ao mercado.
Suínos
Faturamento da suinocultura alcança R$ 61,7 bilhões em 2025
Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional.

A suinocultura brasileira deve encerrar 2025 com faturamento de R$ 61,7 bilhões no Valor Bruto da Produção (VBP), segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados em 21 de novembro. O resultado representa um crescimento expressivo frente aos R$ 55,7 bilhões estimados para 2024, ampliando em quase R$ 6 bilhões a renda gerada pela atividade no país.
Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional. A tendência confirma a força exportadora do setor e a capacidade das agroindústrias de ampliar oferta, produtividade e eficiência em um ambiente competitivo.
O ranking dos estados revela a concentração típica da atividade. Santa Catarina se mantém como líder absoluto da suinocultura brasileira, com VBP estimado de R$ 16,36 bilhões em 2025, bem acima dos R$ 12,87 bilhões registrados no ano anterior. Na segunda posição aparece o Paraná, que cresce de R$ 11,73 bilhões para R$ 13,29 bilhões, impulsionado pela expansão das integrações, investimento em genética e aumento da capacidade industrial.

O Rio Grande do Sul segue como terceira principal região produtora, alcançando R$ 11,01 bilhões em 2025, contra R$ 9,78 bilhões em 2024, resultado que reflete a recuperação gradual após desafios sanitários e climáticos enfrentados nos últimos anos. Minas Gerais e São Paulo completam o grupo de maiores faturamentos, mantendo estabilidade e contribuição relevante ao VBP nacional.
Resiliência
Além do crescimento nominal, os números da suinocultura acompanham uma trajetória de evolução contínua registrada desde 2018, conforme mostra o histórico do VBP. O setor apresenta tendência de ampliação sustentada pelo avanço tecnológico, por sistemas de produção mais eficientes e pela sustentabilidade nutricional e sanitária exigida pelas indústrias exportadoras.
A variação positiva de 2025 reforça o bom momento da cadeia, que responde não apenas ao mercado interno, mas sobretudo ao ritmo das exportações, fator decisivo para sustentar preços, garantir e ampliar margens e diversificar destinos internacionais. A estrutura industrial integrada, característica das regiões Sul e Sudeste, segue como base do desempenho crescente.
Com crescimento sólido e presença estratégica no VBP nacional, a suinocultura consolida sua importância como uma das cadeias mais dinâmicas do agronegócio brasileiro.
A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.



