Peixes
Piscicultura em Alagoas enfrenta retração e desafios estruturais, aponta Peixe BR
Dependência de recursos públicos e a escassez de investimentos privados dificultam a expansão da produção, limitando o desenvolvimento do mercado local.

Apesar do grande potencial oferecido pelo Rio São Francisco, a piscicultura em Alagoas segue subaproveitada, com poucas iniciativas voltadas à profissionalização e ao crescimento sustentável do setor. A dependência de recursos públicos e a escassez de investimentos privados dificultam a expansão da produção, limitando o desenvolvimento do mercado local, aponta levantamento feito pela Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) e apresentado no Anuário 2025.

Foto: Jaelson Lucas
Atualmente, uma das principais políticas estaduais para o fortalecimento da piscicultura está concentrada na distribuição de alevinos aos produtores. No entanto, sem incentivos estruturais para a criação de peixes em larga escala, a produção alagoana permanece abaixo do seu potencial. Esse desequilíbrio tem levado à importação de tilápia e outras espécies de cultivo de regiões como o Sul e o Sudeste, evidenciando uma demanda não atendida pela oferta local.
Outro fator que impacta o setor é a oscilação de políticas públicas conforme os interesses dos gestores municipais, estaduais e federais. Essa instabilidade cria um círculo vicioso de dependência de recursos governamentais, dificultando a consolidação de uma cadeia produtiva autossuficiente e desestimulando investimentos privados.
Retração
A piscicultura em Alagoas registrou uma retração expressiva em 2024, interrompendo uma sequência de crescimento observada nos anos anteriores. Segundo dados do Anuário da Piscicultura 2025, a produção total atingiu 10.900 toneladas no último ano, representando uma queda de 15,50% em relação às 12.900 toneladas produzidas em 2023.
O histórico da produção piscícola no estado demonstrava uma trajetória ascendente, partindo de 10 mil toneladas em 2020 para 12.800 toneladas em 2021 e alcançando 13.100 toneladas em 2022. Apesar de uma leve baixa para 12.900 toneladas em 2023, a queda mais acentuada em 2024 levanta questionamentos sobre os fatores que influenciaram esse cenário.
De acordo com levantamento da Peixe BR, a tilápia segue como a espécie mais produzida no estado, totalizando 7.500 toneladas. Os peixes nativos também possuem uma participação relevante, com 3.200 toneladas. Outras espécies, como carpa, truta e panga, somam cerca de 200 toneladas na produção alagoana.
A infraestrutura dedicada à piscicultura no estado compreende uma área total de 558 hectares de viveiros, distribuídos em 3.308 unidades. Alagoas também conta com 1.092 tanques-rede, demonstrando a diversidade de métodos de cultivo utilizados na região.
Ranking dos maiores produtores
No que tange à distribuição da produção entre os municípios, o ranking dos dez maiores produtores é liderado por Piranhas. Em seguida,

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
figuram União dos Palmares, Coruripe, Limoeiro de Anadia, Teotônio Vilela, Boca da Mata, Junqueiro, Santana do Mundaú, Branquinha e Atalaia, evidenciando a concentração da atividade em diversas regiões do estado.
Análise do setor
Apesar da retração observada em 2024, a piscicultura continua sendo uma atividade econômica relevante para Alagoas. O recuo na produção levanta a necessidade de análises mais aprofundadas para identificar as causas e buscar estratégias para a retomada do crescimento nos próximos anos. Fatores como condições climáticas, custos de produção, acesso a crédito e políticas de incentivo podem ter impactado o desempenho do setor, exigindo ações mais assertivas para reverter esse quadro.

Peixes
Brasil e Chile investigam nanoplásticos, bactérias e risco ao pescado na Antártica
Instituto de Pesca (IP-Apta) participa do consórcio binacional que avaliará como nanoplásticos e bactérias resistentes podem afetar a saúde do pescado e do consumidor.

O Instituto de Pesca (IP-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, integra um ambicioso projeto de pesquisa binacional entre Brasil e Chile que investigará a presença de bactérias resistentes a antibióticos e contaminantes emergentes, como nanoplásticos, em ecossistemas antárticos.
A iniciativa, denominada Latin American Antarctic Research Consortium on Antimicrobial Resistance and Emerging Contaminants (LARCARE), é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela Agencia Nacional de Investigación y Desarrollo (ANID), do Chile. O estudo é estratégico para avaliar riscos potenciais à segurança de produtos pesqueiros e à saúde pública, em alinhamento com a abordagem “Saúde Única”, que integra saúde humana, animal e ambiental na análise de riscos globais.
Foco no pescado e na segurança alimentar
Com expertise consolidada em saúde animal, ecotoxicologia aquática e segurança de alimentos, o IP contribuirá especialmente nas frentes relacionadas aos organismos marinhos, como moluscos bivalves e peixes, considerados sentinelas ideais para monitorar a contaminação ambiental e seus possíveis impactos na cadeia pesqueira.
A participação da instituição no consórcio internacional posiciona o estado de São Paulo e o Brasil na vanguarda de pesquisas que conectam a saúde de ecossistemas polares remotos à segurança dos alimentos que chegam à mesa do consumidor.
Esse conjunto de competências técnicas será fundamental para transformar os achados científicos em subsídios concretos para políticas públicas de vigilância sanitária, normas de biosseguridade e boas práticas voltadas aos setores aquícola e pesqueiro, fortalecendo a proteção do consumidor e a sustentabilidade da produção. De acordo com o pesquisador do IP, Edison Barbieri, “estamos indo ao lugar mais remoto da Terra para encontrar problemas criados por nós mesmos. Os nanoplásticos são como ‘cavalos de Troia’ minúsculos: eles podem carregar poluentes e bactérias para dentro do organismo de peixes e moluscos que, mais tarde, podem chegar ao nosso prato. Com as bactérias resistentes, o risco é igualmente sério: se elas chegarem aos nossos recursos pesqueiros, podemos estar diante de um problema de saúde pública de difícil solução. O que acontece na Antártica não fica na Antártica”, alerta.
O que o projeto vai investigar
Entre os principais objetivos do projeto está a investigação da presença e dos efeitos ecotoxicológicos de partículas plásticas, especialmente nanoplásticos, em organismos filtradores da fauna bentônica antártica. Esses organismos, ao acumularem contaminantes, podem indicar riscos de transferência ao longo da cadeia alimentar marinha, com implicações diretas para a segurança do pescado destinado ao consumo humano.
A pesquisa também identificará e caracterizará bactérias resistentes a antibióticos em espécies da fauna antártica, incluindo aves marinhas, pinípedes e invertebrados bentônicos. O IP terá papel relevante na análise dos riscos associados à possível disseminação dessas bactérias ou de seus genes de resistência para ambientes costeiros, com potencial impacto sobre recursos pesqueiros e sistemas de aquicultura.
Paralelamente, o consórcio buscará, na biodiversidade microbiana antártica, novas soluções biotecnológicas, como probióticos e bactericinas, que possam futuramente ser aplicadas no controle de patógenos na aquicultura, promovendo uma produção mais sustentável e segura.
O projeto empregará técnicas avançadas capazes de identificar microrganismos, seus genes e partículas microscópicas, como os nanoplásticos. Parte das análises será realizada no Sirius, em Campinas (SP), no campus do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), o único acelerador de partículas da América Latina, além da aplicação de modelagem ecológica. As amostras coletadas na Antártica serão comparadas a amostras provenientes de áreas costeiras do Brasil e do Chile, permitindo um panorama inédito sobre como a poluição e a resistência antimicrobiana se dispersam ao longo das diferentes regiões marinhas.
Peixes
Quaresma de 2026 terá tilápia mais barata para os paranaenses, aponta Deral
Principal produto da piscicultura paranaense, a tilápia, apresentou uma redução de 5% no preço do filé no varejo em relação a janeiro de 2025.

O início da Quaresma em 2026 tem uma boa notícia para os consumidores paranaenses. Segundo a pesquisa de preços do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, divulgada no boletim semanal, o principal produto da piscicultura paranaense, a tilápia, apresentou uma redução de 5% no preço do filé no varejo em relação a janeiro de 2025. Dados do IPCA, índice oficial de inflação calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reforçam essa tendência apontando uma queda de cerca de 12%. O movimento de preços favorece o aumento das vendas em supermercados e peixarias no momento de pico de procura por peixes.

Fotos: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional
O Paraná é um dos principais polos pesqueiros do País justamente pela liderança na produção e exportação de tilápia, uma das espécies mais procuradas pelos consumidores. Em 2024, o Estado alcançou produção de 250 mil toneladas, alta de 17% em comparação com 213 mil toneladas no ano anterior.
No setor de ovos, que acompanha a tradicional migração do consumo de carnes vermelhas para proteínas alternativas, houve aumento no valor de comercialização em Curitiba, impulsionados pela volta às aulas e pela queda sazonal na produção nacional. Esse movimento é explicado pela combinação da demanda aquecida pelas compras institucionais para merenda escolar e pelo período religioso, que se estende até o início de abril.
“Mas apesar da elevação recente, o preço dos ovos não deve alcançar os mesmos patamares observados em 2025. Para as próximas semanas, a expectativa é de estabilidade, movimento que deve permanecer até o encerramento da Quaresma”, diz a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Cavalheiro Marcenovicz. O boletim do Deral aponta que o valor atual ainda é 22,4% inferior ao registrado em 2025.
Peixes
Setor de piscicultura se prepara para Aquishow Brasil 2026
Evento apresenta tecnologias, debates técnicos e premiações para impulsionar a produção de tilápia no Triângulo Mineiro.

A Aquishow Brasil, o maior evento da aquicultura nacional, será realizada mais uma vez em Uberlândia (MG), entre 9 e 11 de junho de 2026, no Castelli Master. O objetivo é avançar nas conquistas já realizadas e contribuir ainda mais para o crescimento da piscicultura em Minas Gerais, que já é uma das mais fortes do Brasil.
Para isso, o evento está maior, com discussões técnicas e completas e conta com a presença de mais de 100 empresas dos vários segmentos da cadeia da produção de peixes de cultivo – especialmente de tilápia.
“A Aquishow Brasil é o maior evento do setor e tem uma missão estratégica: contribuir para o fortalecimento da atividade no país, especialmente em regiões de alto potencial. O Triângulo Mineiro pode se tornar ainda mais relevante na produção de tilápia e estar em Uberlândia pelo segundo ano nos possibilita ajudar nesse processo”, diz Marilsa Patrício, diretora da Aquishow Brasil e secretária executiva da Peixe SP – Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União.
A expectativa da Aquishow Brasil 2026 é receber 7 mil visitantes de todas as partes do país e do exterior. A edição de 2025 atraiu participantes mais de 20 países – especialmente da América Latina. No ano passado, o evento movimentou R$ 115 milhões e o objetivo para 2026 é crescer pelo menos 10%.
A Aquishow reúne todos os elos da cadeia produtiva da aquicultura brasileira e apresenta as mais modernas tecnologias em genética, insumos, equipamentos, serviços e produtos. Uma completa agenda de apresentações técnicas contribui para atualizar os produtores e apresentar novas tecnologias.
Destaque também às premiações especiais para reconhecer quem contribui para o contínuo crescimento da aquicultura, como o Prêmio Inovação Aquícola e o Prêmio Personalidades Brasileiras da Aquicultura – Aline Brun e Geraldo Bernardino.
Mais informações clique aqui e e-mail peixesp@peixesp.com.br. Organização (17 99616-6638 e 17 98137-8657), Departamento Comercial (Eder Benício, 11 97146-9797)



