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Demandas aquecidas no mercado interno e nas exportações fazem subir o preço pago ao suinocultor 

O tradicional aumento de demanda interna por proteína animal no mercado nacional nos últimos meses do ano pressionará ainda mais os preços para cima.

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A alta das exportações, o aumento na procura interna por carne suína e a recente alta da carne bovina têm sido os principais aspectos a impactarem o mercado de suínos no momento atual. Como consequência desse cenário, cresce o preço pago ao produtor e o espaço para a proteína no varejo.

Os embarques totais de carne suína acumulados no ano já superam o mesmo período de 2018 (Tabela 1), com mais de 14% de crescimento. As exportações da proteína para a China (tabela 2) continuam avançando e esta demanda internacional aquecida mantém os preços pagos ao produtor de suínos em elevação (gráfico 1).

Tabela 1. Exportações totais de carne suína brasileira in natura (toneladas e receita) de janeiro a outubro de 2019 e comparativo com o mesmo período de 2018. (MDIC)

Tabela 2. Comparativo mês a mês (até outubro) das exportações de carne suína in natura brasileira para a China em relação ao total exportado ao longo de 2019. (MDIC)

Gráfico 1. Evolução do preço do suíno vivo, em cinco estados (MG, SP, PR, RS e SC), nos últimos 2 anos (até 14/11/19), mostrando que o segundo semestre tem tendência de alta, atingindo os mesmos patamares de preço recorde de junho e julho/19, principalmente com a manutenção de altos volumes de exportação e a aproximação das datas festivas de final de ano. Fonte: CEPEA.

Há ainda mais um componente que pressiona os preços da carne suína para cima, a alta do preço da carne bovina (gráfico 2), depois de muito tempo de relativa estabilidade, neste caso influenciada, não somente pela alta das exportações, em especial para a China (Tabela 4), mas também pela baixa oferta de animais, em função do atraso das chuvas e prejuízo às pastagens.

Em outubro, o volume exportado de carne bovina in natura foi recorde. Segundo dados do MDIC, foram embarcadas 160,1 mil toneladas no mês (tabela 3), sendo quase 30% acima do volume de setembro/19 e 18% a mais que em outubro do ano passado. Já no mercado interno, segundo a MBAgro, até a primeira semana de novembro, o traseiro bovino apresentava elevação de 8,8% em relação ao mês anterior e o dianteiro, contou com aumento de 7,7% em relação a outubro/19. Sobre novembro do ano passado, as altas são de 25,5% para o dianteiro e 17,4% para o traseiro, no atacado em São Paulo. Esta alta já começa a chegar no varejo, afetando diretamente o mercado consumidor.

Gráfico 2. Evolução dos preços do boi gordo no estado de São Paulo, nos últimos dois anos (até 14/11/19), indicando alta acentuada em novembro/19. Fonte: CEPEA.

Tabela 3. Comparativo de exportação brasileira de carne bovina in natura (em mil toneladas). O mês de outubro apresentou recorde histórico, com mais de 160 mil toneladas embarcadas. Fonte: MDIC.

Tabela 4. Comparativo de exportação brasileira de carne bovina in natura (em 1.000 toneladas) para a China. O mês de outubro apresentou volume recorde para o país, com mais de 65 mil toneladas embarcadas. No acumulado do ano, a China já é o destino que representa mais de 26% da carne bovina in natura brasileira exportada. Fonte: MDIC.

Cabe destacar que o varejo vinha sendo um dos limitantes a uma maior subida de preços da carne suína, em função de que a carne bovina estava com os preços estagnados. Agora que a carne bovina subiu significativamente no atacado e no varejo, criou-se a oportunidade de aumentar ainda mais o preço pago ao produtor, pois a carne suína acaba ganhando mais espaços na gôndola, em função da perda de competitividade da carne bovina, agora bem mais cara.

O tradicional aumento de demanda interna por proteína animal no mercado nacional nos últimos meses do ano pressionará ainda mais os preços para cima. Este quadro ainda ganha mais um componente de otimismo para manter os preços em alta que é o anúncio feito pela ministra da agricultura, Tereza Cristina, em 12 de novembro, sobre a autorização de mais 5 plantas de suínos, 3 de frango e 5 de bovinos para exportarem para a China, com isso, o Brasil já totaliza 16 frigoríficos de suínos credenciados a exportar para o gigante asiático.

Segundo a MBAgro, o fluxo de exportação de carne suína deve se manter elevado até o final do ano e o excelente desempenho das exportações, especialmente de carne bovina, deve manter os preços da carne suína em patamares muito bons, inclusive em 2020. Ainda, segundo a MBAgro, os preços das carnes na China permanecem em elevação. Até a 43ª semana do ano (23/out), a carne suína tinha alta de 144,8%, a carne bovina +16,2%, a carne de frango +30,7% e a carne de carneiro +19% e o suíno vivo +135,5%. O quarto trimestre é um período de elevado consumo de carne suína no país, portanto ainda há espaço para maiores preços. Por sua vez, a queda estimada para o rebanho suíno chinês em setembro foi de 41,1% e deve continuar caindo. Até o momento, a Peste Suína Africana (PSA) continua a avançar pela Ásia e não há sinal de controle da doença.

Já o frango, ao contrário do suíno e do boi gordo, ainda não apresentou a mesma tendência de alta nos preços. Segundo o CEPEA, o mercado de frango vivo permaneceu com poucas alterações e já acumula quatro meses de estabilidade nos preços. Na região da Grande São Paulo, o animal teve preço médio de R$3,26/kg em outubro, leve alta de 0,4% frente ao mês anterior. A consultoria MBAgro não acredita em grandes incrementos nos volumes de carne de frango embarcadas para a China, pois o país asiático segue ajustando a produção de outras proteínas na tentativa de compensar os efeitos da PSA em seus suprimentos de carne.

Segundo estimativa do USDA do mês de outubro, a China deve elevar em 17,9% sua produção de frango em 2019 e mais 14,5% em 2020. O frango possui a vantagem de ter ciclo mais curto, tornando mais fácil a expansão da produção. Além disso, nos últimos dias as informações dão conta de um avanço nas tratativas de uma primeira fase do acordo comercial entre China e EUA, que incluiria a retirada da proibição à importação de frango americano pelo país Asiático, podendo impactar negativamente os embarques brasileiros.

 

Insumos permanecem em alta e clima preocupa

Segundo a MBAgro, o USDA, no primeiro relatório de novembro, manteve as estimativas para a soja norte-americana praticamente inalteradas. A produção foi mantida em 96,6 milhões de toneladas. A exceção foram os estoques finais, em que o órgão elevou de 12,5 em outubro para 12,9 milhões de toneladas. Para o Brasil, a estimativa de produção de soja foi mantida em 123 milhões de toneladas, os estoques finais passaram de 29 para 30 milhões de toneladas e as exportações, de 76,5 para 76 milhões de toneladas. Para o milho, o USDA revisou todos os números da safra americana para baixo, que foi de 350 para 347 milhões de toneladas. A safra brasileira foi mantida em 101 milhões de toneladas.

O Brasil fechou o mês de outubro com clima mais seco que o normal e sem a estabilização do padrão de chuvas previsto pelos meteorologistas. Segundo a MBAgro, o plantio da safra 2019/20 está ocorrendo em uma condição de umidade que não é das mais favoráveis e há necessidade de que as chuvas se regularizem rapidamente e de forma generalizada para que a safra se desenvolva. O plantio vem recuperando o atraso apresentado, mas há regiões que plantaram cedo e que terão replantio. Quanto à área de safrinha é mantida a previsão de aumento em relação à safra passada, indicando que o clima melhora daqui em diante. Não será um ano de chuvas abundantes, mas sim um ano de normalidade climática. Isso quer dizer que mesmo depois de regularizadas as chuvas, veranicos podem ocorrer. Impactos em produtividade podem estar presentes.

Dados do CEPEA, indicam que as cotações de milho registraram forte alta na maior parte de outubro (gráfico 4). O aumento veio da demanda aquecida tanto no mercado interno como para exportação, além da forte restrição vendedora. Além disso, as condições climáticas desfavoráveis deram sustentação ao mercado. No acumulado do mês de outubro, as altas são consideráveis. Nas médias das regiões acompanhadas pelo Cepea, em outubro, os preços de balcão (pago ao produtor) subiram 9,5% e, no de lotes (negociações entre empresas),8,9%. Em Campinas, o Indicador ESALQ/BM&F Bovespa registrou avanço de 8,4% entre 30 de setembro e 31 outubro, fechando a R$41,97/saca de 60 quilos no último dia útil do mês. Quanto à exportação brasileira de milho, foi registrada nova alta expressiva em outubro na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com dados da Secex. O Brasil embarcou 6,1 milhões de toneladas em outubro, 97,6% acima dos 3,1 milhões de toneladas em 2018. Em relação a setembro de 2019, porém, o volume foi 5,6% menor. (CEPEA)

Gráfico 4. Preço do milho, saca de 60 kg (Campinas-SP), nos últimos 12 meses (até 14/11/19). Fonte: CEPEA

Os preços da soja subiram de forma intensa no Brasil em outubro, registrando os maiores valores em um ano, em termos reais (gráfico 5). A alta esteve atrelada à falta de chuva em importantes áreas produtoras na maior parte do mês, ao baixo volume remanescente da safra 2018/19, às firmes demandas domésticas e externas e às elevações dos contratos futuros na Bolsa de Chicago. (CEPEA). Ainda segundo o CEPEA, a demanda por farelo de soja também voltou a se aquecer no final do mês, tanto por parte de avicultores e suinocultores domésticos quanto pelo setor de exportação. Assim, os preços do farelo de soja avançaram 1,4% na média das regiões acompanhadas pelo Cepea.

Gráfico 5. Preço da soja, saca de 60kg (Paraná), nos últimos 12 meses (até 14/11/19). Fonte: CEPEA.

 

Para o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, o período do final de ano traz otimismo para o setor. “Torna-se evidente o verdadeiro `salto` da demanda da China por proteína animal, impactado pela trágica ocorrência de PSA, ainda não controlada, que dizimou mais de 40% do rebanho suíno chinês. A alta considerável do preço da carne bovina no mercado brasileiro é o fato novo que permite ao suinocultor almejar preços ainda maiores no suíno vivo, pois o varejo certamente absorverá esta alta em função dos festejos de final de ano e da inflação da carne bovina que acaba ficando menos competitiva nas gôndolas. Mais uma vez é hora do suinocultor valorizar o seu produto. O mercado de insumos, por outro lado, merece especial atenção a fatores como clima no Brasil, movimento do mercado e produção mundial”.

 

Fonte: ABCS e MBAgro

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Acordo UE–Mercosul reforça protagonismo do Brasil no comércio internacional

Após 25 anos de negociações, tratado reforça liderança brasileira no bloco sul-americano e amplia acesso a um dos maiores mercados do mundo.

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A aprovação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul representa um marco estratégico para o Brasil e reposiciona o país no centro das articulações do comércio internacional. A decisão, confirmada nesta sexta-feira (09) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, encerra um processo de negociação iniciado há 25 anos e cria uma das maiores áreas de livre-comércio do mundo.

O acordo prevê redução imediata de tarifas para máquinas e equipamentos de transporte como motores e geradores para energia elétrica, motores de pistão (autopeças) e aviões. Todos representam áreas estratégicas para inserção competitiva do Brasil. Também haverá oportunidade positiva para couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas e produtos químicos. Haverá redução gradativa das tarifas, até zerá-las, sobre diversas commodities (sujeitos a cotas).

Fotos: Divulgação

Com peso determinante dentro do Mercosul, o Brasil teve atuação central na costura política do acordo, especialmente no período em que presidiu o bloco sul-americano. O entendimento é visto como um avanço relevante para a inserção internacional da economia brasileira, ao ampliar o acesso a um mercado que reúne 718 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto estimado em US$ 22,4 trilhões.

O acordo sinaliza fortalecimento do multilateralismo e da cooperação entre blocos econômicos em um cenário global marcado por tensões comerciais e medidas protecionistas. Para o Brasil, o tratado tende a abrir novas oportunidades para exportações, atração de investimentos e maior previsibilidade nas relações comerciais com a União Europeia, um dos principais parceiros econômicos do país.

Além dos ganhos econômicos, o entendimento tem significado político. A conclusão das negociações reforça o papel do Brasil como articulador regional e interlocutor relevante em fóruns internacionais, ao liderar consensos dentro do Mercosul e dialogar com grandes economias globais.

Brasília - 14/10/2025 -O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Em debate, o projeto de lei (PL 1.087/2025) do governo que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil.

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad: “Acordo histórico, não apenas pelo seu significado econômico, mas sobretudo pelo significado geopolítico” – Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Com a aprovação pelo lado europeu, a próxima etapa prevê a ratificação formal junto aos países do Mercosul. A presidente da Comissão Europeia poderá viajar ao Paraguai, atual detentor da presidência rotativa do bloco, para a assinatura do acordo com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Nos países sul-americanos, o texto ainda será submetido aos respectivos parlamentos. A entrada em vigor, no entanto, será individual, permitindo que cada país avance conforme a conclusão de seus trâmites internos.

Em nota conjunta, o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços destacaram que se trata do maior acordo comercial já negociado pelo Mercosul e um dos mais relevantes firmados pela União Europeia, ressaltando o potencial de ampliar fluxos comerciais, investimentos e a integração do Brasil às cadeias globais de valor.

Ministros destacam benefícios para o Brasil 

Os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento) se manifestaram nesta sexta-feira (09) para celebrar o anúncio da União Europeia pela aprovação do acordo comercial com o Mercosul. Nas redes sociais, Haddad classificou o acordo como histórico e uma sinalização para um futuro de pluralidade e oportunidade. “Acordo histórico, não apenas pelo seu significado econômico, mas sobretudo pelo significado geopolítico. Uma nova avenida de cooperação se abre nesse momento conturbado, mostrando um novo caminho de pluralidade e oportunidade”, disse Haddad.

Brasília (DF), 19/08/2025 - Comissão de Assuntos EconômicosComissão de Assuntos Econômicos (CAE) promove audiência pública interativa, com a ministra do Planejamento e Orçamento, para que sejam prestadas informações sobre a avaliação da Pasta quanto à eficiência dos subsídios tributários, financeiros e creditícios concedidos pela União; e o cumprimento do disposto no Art. 4º da Emenda Constitucional nº 109, de 2021, que determina ao Governo a apresentação de plano de redução gradual de incentivos e benefícios federais de natureza tributária, até o nível de 2% do PIB. Mesa: ministra de Estado do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet: ” O Acordo Mercosul-União Europeia é um dos movimentos econômicos mais relevantes das últimas décadas para o Brasil e para o Mercosul. Vai combinar crescimento econômico, emprego e renda com sustentabilidade, tecnologia e inovação”  – Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Por sua vez, Simone destacou que o acordo irá proporcionar a chegada de produtos brasileiros a mais consumidores, ampliação de investimentos, o que poderá ajudar a reduzir a inflação no país. “Um marco histórico para o multilateralismo! O Acordo Mercosul-União Europeia é um dos movimentos econômicos mais relevantes das últimas décadas para o Brasil e para o Mercosul. Mais acesso a mercados consumidores, mais investimentos, mais integração entre os países e, principalmente, mais produtos disponíveis, maior competição, ajudando a baixar ainda mais a inflação. Vai combinar crescimento econômico, emprego e renda com sustentabilidade, tecnologia e inovação”, afirmou a ministra, em nota oficial.
Repercussões 

Pelas redes sociais, o presidente Lula afirmou ser uma vitória do diálogo. “Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos”, afirmou.

Lula destacou que o acordo, além de trazer benefícios para os dois blocos, é uma sinalização em favor do comércio internacional. O presidente brasileiro foi atuante na costura desse acordo e tentou finalizá-lo no final do ano passado, quando o Brasil presidia o bloco sul-americano. Para Lula, o acordo entre Mercosul e União Europeia era uma prioridade.

O Parlamento Europeu também precisará aprovar o acordo para que ele possa entrar em vigor.

Fonte: O Presente Rural com Agência Brasil
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Dia de Campo da Copacol conecta pesquisa, manejo e mercado ao produtor

Estudos do CPA mostraram, na prática, soluções para solo, soja e milho, além de análises de mercado para apoiar a tomada de decisão do produtor.

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Foto: Divulgação/Copacol

Com o objetivo de potencializar a produção e preparar cada vez mais os cooperados, o 35° Dia de Campo de Verão Copacol apresentou estudos exclusivos realizados pelo CPA (Centro de Pesquisa Agrícola), e contou com a participação de 1,5 mil visitantes. “É muito bom receber nossos cooperados para compartilhar novidades e apresentar tecnologias que, se aplicadas nas propriedades, trarão uma melhor produtividade. Além de preparar nossos cooperados para bons resultados no campo, aqui também queremos trazer uma visão comercial, afinal, essas duas coisas precisam estar alinhadas na busca de melhores resultados”, afirma o diretor-presidente, Valter Pitol.

Cooperados que já acompanham de perto o trabalho do CPA garantem que eventos como esse fazem a diferença, como comenta o produtor de Joetaesse, Cássio Henrique Moeller. “O CPA sempre nos ajuda a alcançar melhores resultados e potencializar nossa produtividade e eventos como o Dia de Campo agregam muito conhecimento e traz novidades que nos ajudam a crescer nas propriedades”.

Além da presença dos cooperados e cooperadas, colaboradores e pesquisadores do CPA, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Márcio Nunes, também prestigiou o evento. “A Copacol é uma das cooperativas mais importantes do mundo com produtos exportados para muitos países. E ela faz um trabalho sensacional com os produtores, um exemplo é esse Dia de Campo. A Copacol treina, adapta e coloca o produtor em situações de competitividade, tudo isso visando a melhoria da qualidade de vida através do aumento da renda do produtor, estimulando que as famílias fiquem no campo”, completa o secretário.

Na prática

Um dos assuntos abordados nas palestras em campo foi a compactação do solo e seus feitos sobre o sistema de produção. Essa compactação consiste na incapacidade de o solo absorver a água, o que muitas vezes pode gerar o aumento da umidade na superfície, tornando o ambiente propício para o desenvolvimento de doenças. “Nós utilizamos o método Dres [Diagnóstico rápido de estrutura de solo] onde podemos avaliar o nível de compactação do solo para saber qual técnica deve ser aplicada em cada propriedade, seja com plantas de cobertura, ou utilização de maquinários. É um processo muito importante, que impacta diretamente no desenvolvimento das culturas e na produtividade delas”, explica o engenheiro agrônomo e pesquisador do CPA, Andrei Regis Sulzbach.

Para cooperado de Jesuítas, Renato da Silva Tonelli, é importante acompanhar o trabalho do CPA, e saber que problemas que eles enfrentam no dia a dia, já estão sendo estudados e soluções já podem ser aplicadas na propriedade. “No último ano tivemos problema com relação a compactação de solo, e hoje vi que há um trabalho de pesquisa já sendo feito para desenvolver novas formas de manejo, melhorar nossas condições e minimizar esses problemas que nós que vivemos do campo temos”, comenta o cooperado.

Outro assunto que chamou atenção dos participantes foi o painel de cultivares de soja recomendadas pelo CPA, que são apresentadas com duas datas de semeadura, adubação em quantidades de acordo com a época e orientação de acordo com a região plantada, também foram apresentados manejos de doença e controle de pragas. “Apresentamos um demonstrativo com as épocas de semeadura diferentes com o mesmo manejo, onde fica visível a diferença de comportamento de cada planta, para mostrar a importância de se atentar as recomendações do CPA, de acordo com testes feitos na prática”, conta o engenheiro agrônomo André Luiz Borsoi.

Para o cooperado Lucas Antunes Jasper, de Cafelândia, essa é uma oportunidade imperdível para quem produz no campo. “Aqui no evento podemos ver o comparativo das cultivares que depois vamos levar para dentro das nossas lavouras. Conseguimos ver lado a lado todos os testes e tudo fica bem claro para nós. O CPA consegue nos orientar sobre os melhores manejos e isso faz com a que ganhemos tempo e estejamos sempre a frente com a nossa produtividade”, comenta o produtor.

Além disso, também foram apresentados resultados sobre plantas daninhas: o custo oculto no sistema de produção; milho safrinha: os desafios para altas produtividades e manejo de doenças da soja: estratégias de aplicação para preservar o potencial produtivo.

Comercialização

O mercado também faz parte do processo produtivo, e entender como e quando comercializar os grãos, é fundamental para o cooperado. Pensando nisso, a abertura do Dia de Campo contou com uma palestra sobre tendências no mercado de commodities, com o consultor da StoneX Brasil, Étore Baroni. “O objetivo é trazer mais informações para os cooperados. São muitos fatores que influenciam nos preços, então, é preciso preparar o produtor para aproveitar as melhores oportunidades ao longo do ano. Tivemos mudanças muito fortes nos preços nos últimos anos e o CPA consegue trazer esse ganho de produtividade contínua. Por isso, é preciso alinhar a produtividade boa, com níveis de preços bons, mantendo uma rentabilidade para o produtor”, completa o consultor.

Fonte: Assessoria Copacol
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Proteínas animais ganham novas oportunidades com acordo UE-Mercosul, celebra ABPA

Entidade vê avanço em previsibilidade comercial e reforço do Brasil como fornecedor global, com impactos graduais e cotas bem delimitadas para aves, suínos e ovos

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Após mais de duas décadas de negociações e sucessivos impasses políticos, a confirmação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia começa a ser destrinchada. Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o entendimento representa um avanço relevante em previsibilidade comercial e no fortalecimento das relações entre os dois blocos, com efeitos graduais e tecnicamente delimitados para a cadeia de proteínas animais.

Foto: Jonathan Campos

Em nota setorial, a entidade destaca que o acordo é resultado de um processo longo e de elevada complexidade técnica, e que seus impactos não devem ser interpretados como uma abertura irrestrita de mercado, mas como a construção de oportunidades progressivas, condicionadas a regras sanitárias, cotas e salvaguardas já previstas no texto negociado.

No caso da carne de frango, principal item da pauta exportadora brasileira de proteínas, a ABPA é enfática ao afirmar que o acordo não altera o sistema de cotas atualmente em vigor entre Brasil e União Europeia. “Essas regras permanecem intactas. A novidade está na criação de um contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa”, informa na nota.

Esse volume será compartilhado entre os países do bloco sul-americano e dividido igualmente entre produtos com osso e sem osso. A implantação será gradual, em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total no sexto ano de vigência. A partir daí, a cota passa a se repetir anualmente, dentro das regras estabelecidas.

Carne suína

Para a carne suína, o acordo inaugura uma nova possibilidade. Pela primeira vez, o Mercosul contará com um contingente tarifário

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

preferencial específico para o produto, inexistente até então para o Brasil. “A cota final prevista é de 25 mil toneladas por ano, com tarifa intr­a-cota de € 83 por tonelada, valor significativamente inferior ao praticado fora do contingente”, diz a nota.

Aves

Assim como no caso das aves, a implementação será escalonada ao longo de seis anos. No entanto, a ABPA ressalta que a efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional, condição essencial para a abertura do mercado.

O segmento de ovos também aparece como um dos beneficiados pelo acordo. Estão previstos contingentes tarifários específicos, isentos de tarifa intr­a-cota, de 3 mil toneladas anuais para ovos processados e outras três mil toneladas para albuminas. Segundo a entidade, trata-se de uma oportunidade concreta para ampliar as exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado, especialmente em nichos industriais e alimentícios.

Cotas do acordo

Apesar das oportunidades, a ABPA chama atenção para um ponto central: todas as cotas criadas pelo acordo são do Mercosul, e não exclusivas do Brasil. Isso exigirá coordenação intrabloco para definir critérios de alocação entre os países-membros, além de atenção permanente às exigências regulatórias e sanitárias impostas pelo mercado europeu.

Foto: Jonathan Campos

A entidade reforça ainda que os impactos econômicos positivos tendem a ser graduais, acompanhando o cronograma de implantação do acordo e condicionados ao cumprimento rigoroso das normas técnicas. As salvaguardas previstas devem ser aplicadas de forma estritamente excepcional e baseada em critérios técnicos, evitando distorções comerciais.

Para a ABPA, a concretização do acordo UE-Mercosul fortalece o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais no mercado internacional, atuando de forma complementar à produção europeia. Sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva seguem como pilares centrais para o aproveitamento das oportunidades abertas pelo pacto. “O pleno potencial do acordo dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global”, afirma a entidade.

Confira a Nota Setorial na íntegra:

NOTA SETORIAL– ACORDO MERCOSUL–UNIÃO EUROPEIA

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) celebra o aceite do Bloco Europeu e a concretização do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, resultado de um processo de negociação de longo prazo e de elevada complexidade técnica.

O acordo representa um avanço relevante para a previsibilidade comercial e para o fortalecimento das relações entre os blocos, com impactos graduais e bem delimitados para o setor de proteínas animais.

No caso da carne de frango, é importante destacar que o acordo não interfere, não altera e não substitui o sistema de cotas já em vigor entre o Brasil e a União Europeia, que permanece plenamente válido. O que o acordo acrescenta é a criação de um novo contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa, a ser compartilhado entre os países do bloco. Esse volume será composto por 50% de produtos com osso e 50% de produtos sem osso e terá implantação gradual em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total anual no sexto ano de vigência. A partir desse momento, o contingente passa a se repetir anualmente.

Para a carne suína, o acordo cria, pela primeira vez, um contingente tarifário preferencial específico para o Mercosul, inexistente até então para o Brasil. A cota final prevista é de 25 mil toneladas anuais, com tarifa intracota de € 83 por tonelada, substancialmente inferior à tarifa aplicada fora da cota. Assim como na carne de frango, a implantação ocorrerá em seis etapas anuais iguais, com crescimento progressivo do volume até o atingimento do teto anual. A efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia para a abertura do mercado, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional.

No segmento de ovos, o acordo estabelece contingentes tarifários específicos, também no âmbito do Mercosul, isento de tarifa intr­a-cota. Estão previstos 3 mil toneladas anuais para ovos processados e 3 mil toneladas anuais para albuminas, criando uma oportunidade concreta para a ampliação das exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado.
Ao mesmo tempo, a ABPA ressalta que os contingentes criados pelo acordo são cotas do Mercosul, e não exclusivas do Brasil, o que demandará coordenação intrabloco para definição dos critérios de alocação entre os países membros. Os impactos econômicos positivos serão graduais, acompanhando o cronograma de implantação e condicionados ao cumprimento rigoroso dos requisitos sanitários, regulatórios e às regras de aplicação de salvaguardas, que devem permanecer estritamente técnicas e excepcionais.

Por fim, a ABPA ressalta que a concretização do acordo Mercosul–União Europeia reforça o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais, em complementariedade à produção local, com base em sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva. O pleno aproveitamento das oportunidades abertas dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global.

Fonte: O Presente Rural
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