Peixes
Demanda global da piscicultura impulsiona investimentos de cooperativas e frigoríficos
Potencial de crescimento do consumo e da exportação de peixes de cultivo faz com que frigoríficos e cooperativas olhem com otimismo para o futuro e tirem planos das gavetas.

O potencial de crescimento do consumo e da exportação de peixes de cultivo faz com que frigoríficos e cooperativas olhem com otimismo para o futuro e tirem planos das gavetas. As prioridades são aumento da capacidade de produção e processamento e o mercado internacional – especialmente os Estados Unidos, o maior importador mundial de tilápia. “A piscicultura é a atividade que mais cresce entre todas as proteínas animais. E isso já ocorre há pelo menos uma década”, destaca Francisco Medeiros, presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), enfatizando: “Além disso, é imenso o espaço para crescimento da produção de tilápia, peixes nativos e outras espécies, como o pangasius, pois o consumo interno ainda é inferior à média global”.
As empresas e as cooperativas concordam. Nos últimos meses, vários projetos foram iniciados ou expandidos.

Foto: Gilson Abreu
A Naturale Fish, de Cuiabá (MT), é uma das empresas otimistas. A diretora Juliana Medeiros destaca o projeto de expansão e adequação da planta para exportação. “Um dos nossos principais objetivos é o mercado externo devido à quantidade de pedidos que recebemos no ano passado. Estamos finalizando investimentos em várias frentes para acelerar neste ano. A capacidade atual de processamento da em presa é de 40 toneladas por mês de peixes nativos (pirarucu, pintado e tambatinga) e tilápia.
O mercado internacional – particularmente os Estados Unidos também é o objetivo da Fider Pescados, de Rifaina (SP). A empresa, que já foca sua presença no exterior na venda de filé fresco de tilápia para os EUA, comemora o fim da necessidade do Certificado Sanitário Internacional (CSI), o que simplifica o processo para os exportadores brasileiros. Juliano Kubitza, diretor da Fider Pescados, diz que a empresa atende às exigências internacionais, garantindo a qualidade do produto. Com a revogação do CSI, a empresa pretende otimizar ainda mais seu processo logístico, visando reduzir o tempo de entregados produtos. A Fider planeja diminuir o ciclo completo de 48 para 36 horas, abrangendo desde a retirada do peixe da água até a comercialização nas prateleiras de varejistas norte-americanos.
Outro movimento da Fider é a expansão de sua capacidade de produção de tilápia, com investimentos em uma nova fazenda de engorda. O projeto tem capacidade para produção de 8 mil toneladas de tilápia por ano, aumentando em 83% a oferta atual, que é de 9,6 mil toneladas por ano.

Foto: Jonathan Campos
Em meados do ano passado, o Grupo Natter inaugurou um frigorífico de peixes em Campo Verde (MT), gerando em torno de 600 empregos diretos e indiretos e impulsionando a economia local. Com 2.000 m², o frigorífico tem capacidade para abater 30 toneladas de peixes por dia, entre tilápia, pintado e tambatinga. O presidente do Conselho da Natter, Zeca Bortoli, reforça a importância da conquista. “Campo Verde é um município rico em produção de frangos e ovos e agora ingressa na tilápia. O Frigorífico Saciatta utiliza tecnologia de ponta para garantir o processamento eficiente e seguro de peixes, desde a recepção até a embalagem e o envio”. A expectativa é abater, numa primeira fase, até 40 toneladas por dia. A exportação está nos planos da empresa.
Coopavel entra em peixes. C.Vale adquire Paturi
Em dezembro de 2024, a Coopavel (Cascavel, PR) adquiriu a Pescados Cascavel e passou a atuar no abate de peixes, agregando essa proteína ao seu portfólio de carnes. “A procura e a demanda por peixe está em expansão e há anos estudamos a entrada nesse mercado”, diz o presidente Dilvo Grolli. A Coopavel assumiu a estrutura em janeiro deste ano. Um dos primeiros passos é a integração de produtores rurais ao projeto. Inicialmente, o abate é de 25 mil peixes por dia e há capacidade para alcançar os 60 mil peixes/dia.
O projeto de expansão será gradual. Uma indústria de rações, exclusiva para peixes, será construída pela Coopavel a partir do segundo semestre deste ano. A meta da Coopavel é alcançar todo o mercado brasileiro e também o exterior, que adquire volume considerável dessa proteína.

Presidente da C.Vale, Alfredo Lang – Foto: Divulgação/Arquivo OPR
A C.Vale também aumentou sua presença na piscicultura no final do ano passado ao assumir o controle da Paturi Piscicultura Agroindustrial, de Toledo (PR). A cooperativa incorporou um frigorífico de peixes e fortaleceu o sistema de integração, com capacidade para produção de 55 mil tilápias/dia. A aquisição da Paturi é um negócio estratégico para a C.Vale. A cooperativa está instalando uma quarta linha de produção em seu abatedouro de peixes de Palotina, tambémno oeste do Paraná. O processamento diário deve atingir 240 mil peixes/dia. Um terço da tilápia processada pela C.Vale é destinada ao mercado externo.
Duas cooperativas de peixes nativos da região norte também se movimentam para expandir negócios e ganhar mercado. A Cooperativa Agropecuária e Agroindustrial dos Piscicultores de Roraima (COPARR) tem duas unidades e 52 cooperados. A produção atinge 6 mil toneladas de peixes por ano. A liderança é do tambaqui. Em seu plano estratégico, ela quer acelerar a presença do peixe no extremo norte do Brasil e nos países vizinhos.
Planejamento semelhante tem a Cooperpam (Cooperativa dos Aquicultores do Portal da Amazônia), que atua na região chamada Portal da Amazônia, incluindo o extremo norte do Mato Grosso. A produção regional é de 3,5 mil toneladas e a liderança é do tambatinga. Um dos objetivos é fortalecer a exportação, especialmente para São Paulo e Pará, além de outras regiões do MT. Entre os projetos em andamento, destacam-se a fábrica de gelo e a câmara fria, além de uma fábrica de ração e o fortalecimento do sistema de integração, especialmente com pequenos produtores.

Peixes
Tilápia mantém estabilidade de preços nas principais regiões produtoras
Cotações ao produtor variaram até 0,23% na última semana. Oeste do Paraná registra maior alta e segue com menor valor por quilo.

Os preços da tilápia permaneceram praticamente estáveis nas principais regiões produtoras do país na semana de 6 a 10 de abril, com variações discretas tanto de alta quanto de baixa, conforme levantamento do Cepea.

Foto: Shutterstock
No Oeste do Paraná, principal polo produtivo nacional, o valor pago ao produtor independente atingiu R$ 8,94 por quilo, com leve alta de 0,23% na comparação semanal, a maior variação positiva entre as regiões monitoradas. Apesar do avanço, a região segue registrando o menor preço médio entre os mercados acompanhados.
No Norte do Paraná, a cotação ficou em R$ 10,45/kg, sem variação na semana, indicando estabilidade nas negociações. Já na região dos Grandes Lagos, que abrange o noroeste de São Paulo e áreas próximas à divisa com Mato Grosso do Sul, o preço médio foi de R$ 10,04/kg, com leve alta de 0,16%.
Em Minas Gerais, os movimentos foram de ajuste negativo. Em Morada Nova de Minas, referência na produção aquícola do estado, o valor recuou 0,05%, para R$ 9,82/kg. No Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, a queda foi de 0,06%, com o preço médio em R$ 10,22/kg.
Os dados consideram o preço à vista pago ao produtor independente e indicam um mercado de baixa volatilidade no curto prazo, com oscilações pontuais entre as regiões.
Peixes
Câmara derruba mudanças do Senado e mantém novas regras do seguro-defeso
Texto que segue para sanção prevê cadastro mais rígido, pagamento em até 60 dias após regularização e R$ 7,9 bilhões reservados para o benefício em 2026.

A Câmara dos Deputados rejeitou na última quinta-feira (09) as alterações feitas pelo Senado Federal na Medida Provisória 1323/25, que define novas regras para o pagamento do seguro-defeso. Com a decisão, permanece o texto aprovado pelos deputados na última terça-feira (07). A proposta segue agora para sanção presidencial.

Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil
O seguro-defeso é pago a pescadores artesanais durante o período de proibição da pesca para reprodução dos peixes. As mudanças têm como foco o endurecimento dos critérios de controle e identificação dos beneficiários.
A medida estabelece que:
- parcelas pendentes poderão ser quitadas em 2026, desde que o pescador cumpra os requisitos;
- haverá direito ao recebimento de anos anteriores, caso o pedido tenha sido feito dentro do prazo legal;
- o pagamento ocorrerá em até 60 dias após a regularização cadastral;
- passam a valer novas exigências de cadastro e identificação.
Para 2026, a previsão orçamentária do benefício, desconsiderando valores atrasados, é de R$ 7,9 bilhões.
Na véspera, os senadores haviam aprovado mudanças que incluíam a exigência de comprovação de contribuição ao INSS por ao menos seis meses no período de um ano, a criação de limite de renda para acesso ao benefício e a retirada do pagamento retroativo referente a 2025.
Todas essas alterações foram rejeitadas pelos deputados.
Peixes
Peixe BR contesta portaria que exige Licença de Aquicultor no transporte de peixes no país
Nova regra do governo federal adiciona documento às exigências já cumpridas por produtores e, segundo a entidade, amplia burocracia sem ganho sanitário.

A Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) manifestou preocupação com a publicação da Portaria Interministerial Mapa/MPA nº 5, que passa a exigir a apresentação da cópia da Licença de Aquicultor no transporte de peixes oriundos da piscicultura em todo o território nacional.
A norma, assinada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), determina que, além da nota fiscal e da Guia de Trânsito Animal (GTA), já obrigatórias, os produtores deverão portar também a cópia da Licença de Aquicultor emitida pelo MPA durante o transporte dos animais.
Na avaliação da entidade que representa a piscicultura brasileira, a medida acrescenta uma nova etapa burocrática a um procedimento que já era regulamentado e amplamente cumprido pelos produtores, sem que haja, na prática, ganho adicional em termos de controle sanitário ou rastreabilidade.
Desde sua criação, a Peixe BR afirma ter se posicionado contra a exigência desse documento específico no transporte de peixes, por considerar que a obrigação não contribui para avanços sanitários, eleva custos operacionais e reduz a competitividade da atividade, especialmente em um setor marcado por margens apertadas e alta dependência logística.
Para a associação, a exigência da Licença de Aquicultor durante o transporte representa sobreposição de controles, uma vez que a GTA já cumpre função sanitária e a nota fiscal assegura a formalidade comercial da carga.
A entidade informou que seguirá atuando junto aos órgãos federais na tentativa de revisar a medida. O objetivo, segundo a Peixe BR, é defender um ambiente regulatório que assegure controle sanitário eficiente sem impor entraves adicionais à produção aquícola.



