Conectado com

Suínos Meio Ambiente

Dejeto suíno como fonte de sustentabilidade e riqueza

Quando tratados da forma correta, os dejetos viram fonte de renda e contribuem para a qualidade de vida no campo com sustentabilidade

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Patricia Schumacher, bacharel em Química e responsável Técnica da Embio; e Tatiane Francini Knaul, acadêmica do curso de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia

A suinocultura brasileira, a exemplo de outras cadeias produtivas do agronegócio, cresceu significativamente nos últimos quatorze anos. Em 2019, o Brasil produziu 3,983 milhões de toneladas de carne suína, tornando-se o 4° maior produtor de carne mundialmente. O Brasil possui o terceiro maior rebanho mundial de suínos com mais de 32 milhões de cabeças, sendo superado apenas pelos Estados Unidos e China. O Estado do Paraná é responsável por 20,42% da produção de carne suína do país.

Este cenário de expansão e crescimento da atividade suinícola tem como consequência o aumento da quantidade de dejetos, os quais têm grande potencial poluidor e quando não tratados adequadamente passam a gerar sérios problemas ambientais. Os resíduos têm altas cargas de nutrientes, matéria orgânica, sedimentos, patógenos, metais pesados (cobre e zinco utilizados nas rações como promotores de crescimento, por exemplo), hormônios e antibióticos. O modelo de produção atual, caracterizado pela criação intensiva e em confinamento, concentra grande número de animais em áreas reduzidas, o que aumenta ainda mais os riscos de contaminação ambiental.

Quando utilizados de forma excessiva e sem tratamento prévio, alguns dos principais componentes poluentes dos dejetos suínos são o nitrogênio, o fósforo e alguns microminerais, como o zinco e o cobre. O problema do nitrogênio no solo é sua transformação em nitrato, que quando em excesso pode ser lixiviado para os corpos de água.  O excesso de fósforo, assim como de nitrogênio e outros nutrientes favorece o desenvolvimento desordenado de algas. Além disso, outro grande problema proveniente é a geração de substâncias gasosas que a partir de determinadas concentrações podem tornar-se tóxicas e afetar a saúde tanto animal quanto humana.

Diante disso, uma das práticas comuns no Estado do Paraná é a disposição final do resíduo como fertilizante no solo, via fertirrigação. Para isso, no Paraná, os produtores devem atender a resolução Sedest N°52 de 15/07/2019, a qual, determina que o pH dos dejetos deve estar entre 5 e 9, temperatura inferior a 40ºC, materiais sedimentáveis até 1mL/L, óleos minerais até 20 mg/L e óleos vegetais e gorduras animais até 50 mg/L; ausência de materiais flutuantes, dentre outros. Além destes parâmetros, a resolução explana que devem ser levados em conta não somente a qualidade do dejeto, mas também a do solo que irá recebê-lo, com o objetivo de preservar a saúde do solo e dos seres vivos.

Sistemas

Para atender as normas estabelecidas pelo Sedest o manejo dos dejetos animais pode ser feito por meio de armazenagem ou tratamento. A armazenagem consiste em técnicas de colocar os dejetos em depósitos durante um determinado tempo, com o objetivo de fermentar a biomassa e reduzir os patógenos. Já o tratamento é um conjunto de procedimentos que tem como finalidade aproveitar os dejetos de forma a minimizar os riscos de poluição ambiental e potencializar o aproveitamento dos nutrientes para fins de adubação agrícola.

O sistema de armazenamento apesar de apresentar uma redução significativa do número de microrganismos patogênicos, tem como principal desvantagem o tempo necessário para essa redução, com isso, um alto investimento em espaço de armazenamento. No caso do tratamento um conjunto de técnicas empregando métodos físicos (peneiras, filtros, centrífugas, aeradores etc) e biológicos (enzimas, microrganismos) são utilizados.  Dentro delas podem ser destacados:

  1. Lagoas de decantação: São três tipos de lagoas: lagoa anaeróbica – redução dos microrganismos, lagoa facultativa e aeróbia – redução de nitrogênio e de patógenos. Elas têm como principal vantagem a remoção da demanda bioquímica de oxigênio, remoção de patógenos, manutenção e operação de baixo custo. No entanto, a sua principal desvantagem é a produção de odores desagradáveis nas lagoas anaeróbias e o longo tempo necessário para a estabilização da carga orgânica.
  2. Esterqueiras: são construídas com a finalidade de armazenamento dos desejos cujo tratamento tem por objetivo captar o volume de dejetos líquidos para a ocorrência de fermentação biológica da matéria orgânica. É de fácil operação e de construção e possui um baixo custo de instalação. No entanto, necessita um alto custo de armazenagem, transporte e distribuição.
  3. Biodigestores: são câmaras que realizam a fermentação anaeróbia da matéria orgânica produzindo biogás e biofertilizante. Tem como principal vantagem o fornecimento de biogás que pode ser convertido em energia, biofertilizante para a agricultura, redução do poder poluente. No entanto necessita um alto custo de investimento, é um processo lento podendo demorar vários meses.
  4. Compostagem sólida: funciona como local de armazenamento dos dejetos nos quais ocorre fermentação por ação bacteriana e/ou enzimática resultando em material orgânico utilizado principalmente como adubo. Sua principal vantagem é a melhora da saúde do solo, aumento da capacidade de infiltração da água, reduzindo a erosão, mantém a temperatura e o nível de acidez do solo. No entanto, necessita de um sistema prévio de separação da parte sólida e líquida dos dejetos.
  5. Biológico (enzimas, microrganismos): é um tratamento no qual consiste em aplicar enzimas e/ou microrganismos benéficos em lagoas de tratamento aeróbias. As enzimas, produzidas pelos microrganismos, são proteínas que têm como função catalisar (acelerar) as reações químicas e quebrar/degradar a matéria orgânica. É recomendado neste tratamento o uso de aeradores para a entrada de oxigênio, facilitando a homogeneização e acelerando a decomposição da matéria orgânica, diminuindo o tempo de retenção dos dejetos nas lagoas/esterqueiras.  Tem como vantagem a transformação do dejeto em um biofertilizante que atua como condicionador de solo, disponibilizando nutrientes para a planta, melhorando a estrutura do solo, facilitando seu manejo. Promove a redução de cobre, zinco, alumínio e patógenos. Neste tratamento os odores das lagoas/esterqueiras são reduzidos significativamente, melhorando a qualidade de vida. Também alguns vetores, como larvas de moscas, são reduzidos. É de fácil instalação e auxilia na homogeneização e redução do tempo de estabilização da matéria orgânica das lagoas/esterqueiras. Esta tecnologia tem a necessidade de um técnico para acompanhar a instalação, aplicação e orientação. O custo de aquisição é moderado e requer manutenção, do tratamento e do equipamento.

Conclusão

Grande é a necessidade de seguir a legislação e diversas são as formas que existem para tratar os dejetos. Quando tratados da forma correta, viram fonte de renda e contribuem para a qualidade de vida no campo com sustentabilidade. Cabe a cada produtor, técnico e ambientalista buscar, informar e discutir qual tecnologia se encaixa melhor em cada propriedade e analisar os resultados gerados. Existe uma grande necessidade de disseminar este conhecimento para tratar com respeito às atividades agrícolas e também o solo que é tão importante para extrair o sustento do planeta.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de fevereiro/março de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Suinocultura encerra o ano com margens positivas

Conjunto de resultados fez de 2025 um dos anos mais positivos para a suinocultura brasileira, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

Publicado em

em

Foto: O Presente Rural

Os preços do suíno vivo fecharam o ano em patamar estável, enquanto abates, produção, exportações e consumo alcançaram níveis recordes. O conjunto de resultados fez de 2025 um dos anos mais positivos para a suinocultura brasileira, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

No mercado interno, o suíno vivo encerrou o ano cotado em torno de R$ 8,90 por quilo no estado de São Paulo, referência nacional. A estabilidade marcou praticamente todo o quarto trimestre. Mesmo com o aumento do volume abatido, o mercado seguiu equilibrado, sustentado pela demanda externa aquecida e por um período mais favorável ao consumo no mercado doméstico. A firmeza nos preços das demais proteínas também contribuiu para esse cenário.

Foto: Ari Dias/AEN

Nas exportações, após um desempenho mais moderado em novembro, quando os embarques somaram 92 mil toneladas, dezembro apresentou forte reação, com 118,6 mil toneladas exportadas, alta de 25,6% na comparação com dezembro de 2024. Com isso, o quarto trimestre fechou com crescimento de 5,8% frente ao mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2025, as exportações de carne suína avançaram 12% em relação a 2024, atingindo volume recorde de 1,5 milhão de toneladas.

Do lado da oferta, os abates no quarto trimestre cresceram cerca de 3%, com dezembro em nível semelhante ao do ano anterior. No total de 2025, a alta estimada é de 3,5%. O maior peso das carcaças impulsionou a produção de carne suína, que cresceu 4,7% e alcançou um novo recorde próximo de 5,6 milhões de toneladas.

Esse volume permitiu que o consumo doméstico também atingisse o maior nível da série histórica, com aproximadamente 4,1 milhões de toneladas absorvidas pelos consumidores brasileiros ao longo do ano.

Com margens médias de produção em torno de 25% em 2025, o maior nível registrado em cerca de 20 anos, o desempenho do setor confirma 2025 como um dos melhores anos da história da suinocultura no Brasil.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
Continue Lendo

Suínos

Consumo acima de 20 kg per capita e salto para 3º lugar nas exportações globais impulsionam otimismo da suinocultura para 2026

Números confirmam a leitura otimista. Entre julho e setembro de 2025, o Brasil abateu 15,8 milhões de suínos, gerando 1,488 milhão de toneladas de carcaças.

Publicado em

em

Fotos: Shutterstock

A suinocultura brasileira encerrou 2025 com desempenho acima das projeções iniciais e crescimento simultâneo em produção, exportação, consumo interno e rentabilidade. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes. “Antes do ano terminar já era possível afirmar que 2025, em relação a 2024, foi de crescimento em todas as áreas para o setor. Depois de uma crise prolongada, o setor consolida uma recuperação consistente”, disse em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural.

Os números confirmam a leitura otimista. Entre julho e setembro de 2025, o Brasil abateu 15,8 milhões de suínos, gerando 1,488 milhão de toneladas de carcaças. Os volumes representam, respectivamente, alta de 5,26% e 6,07% frente ao mesmo período de 2024, ritmo mais que duas vezes superior ao observado no terceiro trimestre de 2024 em comparação a 2023.

No acumulado de janeiro a setembro, o avanço também surpreendeu o setor. O país abateu pouco mais de 1,5 milhão de cabeças adicionais em relação ao ano anterior, o que representa um aumento de 3,43%, correspondendo a quase 200 mil toneladas extras de carcaças.

Consumo interno ultrapassa marca histórica

O avanço da produção ocorreu em paralelo ao aumento do consumo interno de carne suína. A ABCS estima que, em 2025, o país deve superar a barreira dos 20 kg per capita ao ano, patamar considerado estratégico para consolidar a proteína como escolha cotidiana do brasileiro. “É um nível de consumo que coloca a carne suína como opção real e rotineira na mesa do consumidor”, afirmou Lopes.

A combinação entre preços estáveis ao produtor, oferta ajustada e maior competitividade frente às demais proteínas impulsionou o mercado ao longo do ano. O presidente reforça que, em 2026, a tendência é de espaço ainda maior para crescimento, especialmente diante da expectativa de alta na carne bovina.

O aumento da produção, somado ao forte ritmo das exportações, não impediu a ampliação da oferta doméstica e 2025 deve finalizar com crescimento superior a 2% na disponibilidade interna de carne suína. “Essa pequena sobreoferta certamente contribuiu para a estabilidade nas cotações do suíno na maioria das praças”, avaliou Lopes.

Exportações crescem e se diversificam

As exportações foram um dos pilares da sustentação do mercado em 2025. Além de registrar novos recordes, o setor ampliou a pulverização dos destinos, reduzindo a dependência da China.

Após o recorde observado em setembro, outubro encerrou o ano como o segundo melhor mês da história, com 125,6 mil toneladas de carne suína in natura exportada, alta de 8% frente a outubro de 2024. De janeiro a outubro, os embarques totalizaram 1.110.636 milhão toneladas, aumento de 13,53% ante o mesmo intervalo do ano anterior.

As Filipinas lideraram as compras ao longo de 2025, seguidas por China, Chile, Japão, Hong Kong, México, Singapura, Vietnã, Uruguai e Argentina. “Filipinas consolidou a liderança, mas mercados importantes como Japão, México e Chile tiveram crescimento significativo. Para 2026 esperamos um crescimento ainda concentrado no continente asiático, com participação proporcional da China cada vez menor”, relatou Lopes.

Oferta ajustada e margens positivas

Com crescimento de produção acima de 4% e exportações superiores 14%, o setor conseguiu manter um equilíbrio favorável entre oferta e demanda ao longo de 2025. Para Lopes, esse alinhamento foi essencial para sustentar a rentabilidade dos produtores. “O ano foi relativamente bem ajustado no quesito oferta e procura, com margem financeira positiva também em função da boa oferta de insumos”, expôs o presidente da ABCS.

Segundo ele, a combinação entre mais carne disponível, mercado interno aquecido e exportações firmes favoreceu a fluidez da cadeia e a formação de preços compatíveis com os custos. “O desempenho de 2025 consolida um ciclo de recuperação após anos de forte pressão econômica, abrindo espaço para perspectivas mais favoráveis em 2026, especialmente no consumo interno e na expansão da presença brasileira no mercado asiático”, avaliou.

Mão de obra pressiona margens ao produtor

Apesar do avanço da produção e da melhora no fluxo de mercado, 2025 não foi um ano livre de desafios, especialmente no que diz respeito aos custos operacionais. Lopes explica que os principais insumos da alimentação (milho e farelo de soja) tiveram comportamento favorável ao produtor ao longo do ano. “Os principais custos relacionados à alimentação dos suínos se mantiveram bastante estáveis ao longo do ano, com destaque para o farelo de soja, que apresentou cotações bastante baixas em relação aos anos anteriores, e o milho que voltou a um patamar mais acessível graças à safra recorde”, analisou.

O item que mais pressionou as contas das granjas brasileiras, segundo ele, foi a mão de obra. “A dificuldade de encontrar pessoas interessadas em trabalhar no setor ampliou os custos e reforçou um problema estrutural conhecido da cadeia. Energia, sanidade e manejo também continuaram compondo uma parcela significativa das despesas, mas sem grandes oscilações ao longo do ano”, evidenciou.

Sul registra recuperação consistente de margens

Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes: “Temos um setor tecnificado, competitivo e com enorme potencial de expansão, mas precisamos agir com responsabilidade para que o ciclo positivo se mantenha. Crescimento sustentável é aquele que respeita a lógica de mercado e garante longevidade para toda a cadeia” – Foto: Divulgação/ABCS

Com base nos custos calculados pela Embrapa e nas cotações do suíno vivo levantadas pelo Cepea, a suinocultura de ciclo completo nos três estados do Sul registrou uma recuperação expressiva de rentabilidade entre janeiro e outubro de 2025. “Embora os custos tenham avançado em relação a 2024, o movimento de alta nos preços pagos ao produtor foi ainda mais intenso, o que resultou em margens ampliadas e melhora consistente em todas as regiões”, apontou Lopes.

No Paraná, o custo médio subiu de R$ 5,74/kg em 2024 para R$ 6,02/kg em 2025. No mesmo intervalo, o preço de venda passou de R$ 7,39/kg para R$ 8,20/kg. O movimento elevou a margem de R$ 1,64/kg para R$ 2,19/kg, configurando o maior ganho absoluto entre os estados do Sul. “O resultado é reflexo da valorização do suíno vivo no mercado regional e interestadual”, ponderou o presidente da ABCS.

O Rio Grande do Sul também registrou avanço significativo. Os custos aumentaram de R$ 5,75/kg para R$ 6,29/kg, enquanto o preço subiu de R$ 7,17/kg para R$ 8,17/kg. A margem média passou de R$ 1,41/kg para R$ 1,89/kg. “Mesmo com pressão dos insumos, o produtor gaúcho operou com resultados positivos ao longo do ano, mantendo estabilidade financeira”, salientou Lopes.

Em Santa Catarina, principal polo nacional de produção e exportação, os custos foram de R$ 5,90/kg para R$ 6,31/kg. O preço médio avançou de R$ 7,22/kg para R$ 8,18/kg, elevando a margem de R$ 1,33/kg para R$ 1,87/kg. “A demanda externa, que sustentou boa parte da fluidez do mercado, teve papel decisivo nesse desempenho”, expôs o dirigente.

A média regional do Sul confirma o movimento de recuperação. O custo, que era de R$ 5,80/kg em 2024, chegou a R$ 6,21/kg em 2025, enquanto o preço ao produtor avançou de R$ 7,26/kg para R$ 8,19/kg. Com isso, a margem média subiu para R$ 1,98/kg, acima dos R$ 1,46/kg registrados no ano anterior. Na prática, os números mostram que a dinâmica de mercado em 2025, marcada por preços firmes, oferta ajustada e demanda aquecida, favoreceu de forma consistente o produtor.

Crédito caro e logística limitada

Apesar do bom desempenho do ano, a competitividade da cadeia enfrenta gargalos importantes. Para Lopes, o maior obstáculo atualmente é o acesso ao crédito. “Do ponto de vista do produtor, o grande gargalo hoje é acesso a crédito para investimento e custeio. Com juros muito elevados e valores limitados, o produtor encontra extrema dificuldade de expandir ou melhorar sua estrutura”, analisou.

A logística também aparece como um desafio permanente. A concentração da produção no Sul contrasta com a localização da maior parte da oferta de grãos no Centro-Oeste, ampliando custos de transporte. “Nossa malha ferroviária está muito mais voltada para atender as exportações do que a demanda interna, e ainda há o crescimento das usinas de etanol de milho, que acabam concorrendo com vantagens logísticas pelo cereal”, destacou Lopes.

Na área sanitária, a preocupação se intensificou em 2025. A biosseguridade tem ganhado peso nas estratégias de produção, especialmente diante do quadro descontrolado da Peste Suína Africana na Europa.

Brasil deve assumir terceira posição global nas exportações

A performance brasileira no mercado internacional segue em ascensão. Embora os números finais de 2025 ainda não tenham sido fechados, Lopes afirma que o país deve consolidar um avanço histórico. “É muito provável que o Brasil, em 2025, ultrapasse o Canadá e assuma a terceira posição nas exportações de carne suína, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da União Europeia”, adiantou.

O presidente ressalta que, entre os grandes exportadores, o Brasil deve ser o que mais cresceu proporcionalmente no mercado internacional ao longo de 2025. A competitividade de custos e a qualidade do produto sustentam a expansão, e o principal limitador agora é a demanda global. “O que limita nossa expansão é uma maior demanda externa, pois já conseguimos acessar os mercados mais exigentes em termos de qualidade e sanidade”, explicou.

Exigências internacionais pressionam investimentos

Com mercados cada vez mais atentos à rastreabilidade, sustentabilidade e bem-estar animal, o setor deve intensificar ajustes em 2026. A avaliação de Lopes é de que a suinocultura brasileira avance, mas de forma heterogênea. “Há sistemas de produção e empresas bastante avançadas na rastreabilidade e certificação, mas também existem outras com carências nestes quesitos”, afirmou.

Ainda assim, o dirigente reforça que o progresso é contínuo. “Toda suinocultura brasileira tem evoluído muito nos últimos anos, incorporando vários conceitos relativos a bem-estar animal, sustentabilidade e economia circular, numa maior ou menor velocidade conforme o mercado que acessam ou nível de tecnificação e capacidade de investimento de cada um”, menciona.

Projeções para 2026

Ao projetar o desempenho da suinocultura para 2026, Lopes reforça que o momento é positivo, mas exige prudência. Ele observa que o setor entrou em trajetória sustentável de recuperação ao longo de 2025, mas adverte para o risco de excessos. “Precisamos estar atentos para que o aumento demasiado da produção não provoque um descompasso entre oferta e procura, o que poderia gerar uma nova crise”, advertiu.

Apesar da melhora da rentabilidade em todas as regiões produtoras, Lopes destaca que o setor deve evitar movimentos de expansão acelerada e priorizar investimentos estruturais. “É fundamental que o produtor aproveite as sobras financeiras para aperfeiçoar processos, elevar produtividade e reforçar atributos de qualidade exigidos pelos mercados consumidores”, recomendou.

As oportunidades para o próximo ano seguem concentradas em três eixos: abertura ou ampliação de mercados, diversificação de produtos e agregação de valor. Lopes avalia que o Brasil entra em 2026 com posição fortalecida no comércio internacional e com potencial para novas demandas específicas, especialmente cortes premium, produtos processados e itens com atributos de sustentabilidade e rastreabilidade. “O consumo doméstico também pode agregar ganhos, ainda que o crescimento seja gradual. A continuidade da recomposição da renda das famílias e a competitividade relativa da carne suína frente à bovina tendem a favorecer esse movimento”, estimou Lopes.

Crescimento moderado

As estimativas da ABCS indicam que 2026 tende a ser um ano de crescimento moderado, influenciado pelas condições de mercado e pela evolução dos custos. A entidade projeta uma expansão de até 5% na produção em relação a 2025, ritmo considerado saudável e capaz de evitar desequilíbrios mais significativos entre oferta e demanda. Também prevê avanço próximo de 3% nas exportações, sustentado por uma demanda internacional mais firme e pela perda de competitividade da União Europeia, que enfrenta custos crescentes, redução de capacidade produtiva e entraves regulatórios. E no mercado interno, a disponibilidade deve aumentar pouco acima de 4%. “Isoladamente, esse movimento poderia pressionar os preços, mas a dinâmica da pecuária de corte tende a mitigar esse impacto”, prevê Lopes.

O presidente da ABCS explica que o cenário de carnes precisa ser observado de forma integrada. “Enquanto a oferta de carne suína tende a crescer, a bovinocultura deve passar por uma virada de ciclo, com redução no abate e possível aumento das cotações do boi gordo. Esse movimento pode sustentar o preço do suíno em 2026”, analisa.

Custos de produção

A evolução dos custos de produção, especialmente milho e farelo de soja, ainda é incerta. As primeiras indicações apontam para uma colheita de milho menor na safra 2025/26, influenciada pelo La Niña e pela descapitalização de agricultores após um ciclo de margens comprimidas. Além disso, o avanço acelerado das usinas de etanol de milho amplia a competição pelo cereal no mercado interno.

Segundo Lopes, esse conjunto de fatores pode pressionar os preços dos insumos ao longo de 2026. “O suinocultor deve acompanhar de perto a evolução da safra brasileira e buscar o melhor momento para antecipar a compra dos insumos”, orienta.

A suinocultura brasileira encerra 2025 renovada, mais resiliente e com perspectivas favoráveis. Contudo, o avanço em 2026 vai depender da capacidade do setor de equilibrar crescimento, investimento e prudência. A competitividade internacional ampliada, os ganhos de eficiência e a crescente profissionalização são fatores que fortalecem o país, mas não eliminam riscos. “Temos um setor tecnificado, competitivo e com enorme potencial de expansão, mas precisamos agir com responsabilidade para que o ciclo positivo se mantenha. Crescimento sustentável é aquele que respeita a lógica de mercado e garante longevidade para toda a cadeia”, exaltou Lopes.

Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Suínos

Suíno vivo registra variações nos preços em janeiro

Mercado apresenta comportamento distinto nas regiões acompanhadas pelo Cepea.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

As cotações do suíno vivo apresentaram comportamento misto na última sexta-feira (09), conforme dados do Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq. Entre as principais praças acompanhadas, os preços oscilaram levemente, refletindo ajustes pontuais do mercado no curto prazo.

Em Minas Gerais, na modalidade posto, o quilo do suíno vivo foi cotado a R$ 8,35, registrando queda diária de 1,18% e recuo de 0,95% no acumulado do mês. No Paraná, o animal negociado “a retirar” foi cotado a R$ 8,25/kg, com leve alta de 0,36% no dia, embora ainda apresente variação mensal negativa de 0,24%.

No Rio Grande do Sul, o preço ficou em R$ 8,26/kg, com retração diária de 0,36% e queda de 0,48% no comparativo mensal. Santa Catarina também apresentou leve recuo, com o suíno cotado a R$ 8,31/kg, baixa de 0,12% no dia e variação negativa de 0,48% no mês.

São Paulo foi a única praça a registrar estabilidade no acumulado mensal. O preço do suíno vivo posto na indústria alcançou R$ 8,91/kg, com alta diária de 0,22% e variação mensal de 0,00%.

Os números indicam um mercado ainda ajustando preços no início de janeiro, com oscilações moderadas entre as regiões e sem movimentos expressivos de alta ou baixa.

Fonte: O Presente Rural com informações Cepea
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.