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Degradação do solo compromete produtividade e amplia custo no campo
Áreas com perda de matéria orgânica e avanço da erosão desafiam modelo baseado em insumos químicos, enquanto bioinsumos ganham espaço como estratégia de reconstrução biológica e redução da dependência externa.

O solo agrícola brasileiro dá sinais claros de esgotamento. A perda de matéria orgânica, o desequilíbrio biológico e a redução da fertilidade natural já impactam a produtividade das lavouras e elevam o custo de produção em diferentes regiões do país, colocando em xeque a eficiência do atual modelo produtivo. Esse processo, que muitas vezes avança silenciosamente, já é sentido diretamente no campo e no bolso do produtor.
Na prática, a degradação se traduz em menor disponibilidade de nutrientes, queda da atividade microbiana e aumento da suscetibilidade à erosão. “Estamos vendo solos que produzem menos, exigem mais investimento e entregam menor retorno ao produtor. Esse desequilíbrio pressiona a rentabilidade e compromete a sustentabilidade do sistema produtivo”, afirma administradora, que atua no mercado de bioinsumos e fertilizantes especiais, Sheilla Albuquerque.

Administradora, que atua no mercado de bioinsumos e fertilizantes especiais, Sheilla Albuquerque: “Estamos vendo solos que produzem menos, exigem mais investimento e entregam menor retorno ao produtor”
Estudos conduzidos pela Embrapa apontam que os solos brasileiros apresentam, em média, erodibilidade moderada, com áreas de maior risco concentradas principalmente no Nordeste, onde já se observam processos de desertificação. O levantamento reforça a necessidade de ações prioritárias de conservação e manejo para evitar a perda de terras produtivas.
O desafio é ainda mais evidente nas pastagens. Levantamentos recentes indicam que cerca de 109 milhões de hectares apresentam algum nível de degradação, demandando investimentos elevados em recuperação e manejo adequado para manter a atividade pecuária viável no longo prazo.
Para Sheilla, esse cenário expõe os limites do modelo baseado na intensificação química, com uso crescente de fertilizantes e corretivos para compensar a perda da qualidade do solo. “A dependência de insumos importados torna o produtor mais vulnerável à volatilidade cambial e a choques geopolíticos. Ao mesmo tempo, a degradação física e biológica reduz a eficiência desses insumos, criando um ciclo de mais gasto e menor resposta agronômica”, avalia.
Diante desse contexto, ganha espaço a discussão sobre a reconstrução biológica do solo. O Programa Nacional de Bioinsumos, coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, busca ampliar o uso de insumos de base biológica como estratégia para reduzir a dependência externa, fortalecer a sustentabilidade e elevar a eficiência produtiva da agropecuária brasileira. O programa prevê estímulos à pesquisa, apoio a biofábricas e disseminação dessas tecnologias em diferentes regiões do país.
Os bioinsumos incluem microrganismos benéficos, biofertilizantes e soluções voltadas à nutrição do solo e ao controle biológico, com foco na recuperação da microbiota, na melhoria da estrutura física do solo e no fortalecimento dos ciclos naturais de nutrientes. “Essas tecnologias contribuem para maior resiliência das lavouras, especialmente em cenários de estresse hídrico e climático”, explica Sheilla.
Nesse movimento, o solo deixa de ser visto apenas como suporte físico da planta e passa a ser tratado como um organismo vivo: condição considerada essencial para a competitividade do agronegócio brasileiro no longo prazo.

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Preços agropecuários caem 9,52% no primeiro semestre de 2026
Índice do Cepea recua com queda em todos os grupos de produtos; café, cana, arroz e suínos registram as maiores desvalorizações.
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SIAVS reunirá 33 agroindústrias em ação para ampliar exportações
Iniciativa da ABPA e ApexBrasil promoverá rodadas de negócios, degustações e encontros com compradores de mercados estratégicos.

O Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS 2026) será palco da maior ação de promoção internacional realizada pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em 2026. A iniciativa reunirá 33 agroindústrias exportadoras brasileiras em um espaço de 738 metros quadrados, especialmente estruturado para fortalecer negócios, ampliar relacionamentos comerciais e promover a proteína animal brasileira junto a compradores internacionais.
A ação reunirá empresas dos segmentos de carne de frango, carne suína, ovos, genética avícola e carne de pato oferecendo uma plataforma integrada para geração de negócios, prospecção comercial e fortalecimento da imagem internacional dos produtos brasileiros.

Ricardo Santin presidente Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA): “O SIAVS já se consolidou como um dos mais importantes encontros mundiais da proteína animal” – Foto: Mario castello
Participam da iniciativa as empresas AB Mauri, Netto, Agrosul, Grupo Alvorada, Mauricéa, Coasul, Cogran, Adoro, Frango Rico, Rivelli, Flamboiã, Baita, Vossko, Friatto, Villa Germania, Naturovos, Mantiqueira, Granja Faria, Avivar, Pif Paf, Dália, Master, Palmali, Frigoestrela, Dom Porquito, Rudolph, Rainha da Paz, Saudali, Gran Corte, Suinco, Ecofrigo, Frivatti e Nutribrás.
Como novidade desta edição, a ação contará, pela primeira vez, com uma área de degustação gastronômica, coordenada pelo chef Marcelo Bortolon, que preparará petiscos à base de carne de frango, carne suína, carne de pato e ovos, proporcionando aos visitantes uma experiência que evidencia a qualidade, a versatilidade e os atributos das proteínas animais produzidas no Brasil.
Outro destaque será a realização de uma rodada internacional de negócios, que promoverá encontros entre representantes das agroindústrias brasileiras e compradores convidados de diversos mercados, ampliando oportunidades comerciais e fortalecendo o relacionamento com importadores estratégicos.
Ação é parte de um conjunto de iniciativas estruturadas pela parceria entre a ABPA e a ApexBrasil para a promoção dos setores em meio ao SIAVS. Uma destas iniciativas é o Projeto Imagem, que trará para o evento 30 jornalistas de 24 países – incluindo Américas, Europa, Ásia e África. Na iniciativa voltada para o fortalecimento da imagem da proteína animal do Brasil junto a mercados estratégicos, uma agenda especialmente estruturada destacará pontos que fundamentam o setor, como a qualidade produtiva, a sanidade animal e a sustentabilidade.
Outra iniciativa é o Projeto Formadores de Opinião, que viabilizará a participação de 19 stakeholders de 12 países relevantes para a proteína animal do Brasil, em encontros específicos em meio à programação do SIAVS. Em objetivo semelhante, porém, com foco em negócios, acontecerá o Projeto Comprador, com a viabilização da vinda de importadores de países que figuram entre os grandes destinos de exportação da proteína animal brasileira.
Segundo o presidente da ABPA, Ricardo Santin, a ação reforça o papel do SIAVS como uma das principais plataformas internacionais de negócios para a proteína animal.
“O SIAVS já se consolidou como um dos mais importantes encontros mundiais da proteína animal. Reunir, em um mesmo ambiente, dezenas de agroindústrias brasileiras e compradores de diversos continentes cria uma oportunidade única para ampliar negócios, fortalecer relacionamentos comerciais e apresentar ao mundo os diferenciais da nossa produção. Esta ação traduz exatamente o compromisso da ABPA e da ApexBrasil em apoiar a internacionalização das empresas brasileiras e ampliar a presença da proteína animal do Brasil nos mercados globais”, destaca.
Realizado entre os dias 4 e 6 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo, o SIAVS deverá reunir milhares de visitantes, empresários, autoridades, especialistas e compradores internacionais, consolidando-se como o principal ponto de encontro da cadeia de proteína animal da América Latina.
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Exportação de produtos de origem animal para União Europeia terá novas exigências a partir de setembro
Ministério da Agricultura vai condicionar a emissão de certificados sanitários ao cumprimento das regras europeias sobre uso de antimicrobianos. Rastreabilidade e controles auditáveis passam a ser obrigatórios.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) estabeleceu novas exigências para a certificação de produtos de origem animal destinados à União Europeia. A partir de 03 de setembro, somente poderão ser exportados ao bloco os produtos que comprovarem conformidade com a legislação europeia sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.
As determinações constam do Ofício-Circular nº 24/2026 e condicionam a emissão do Certificado Sanitário Internacional (CSI) à comprovação de que toda a cadeia produtiva atende aos requisitos exigidos pela União Europeia.

Fotos: Claudio Neves
Na prática, frigoríficos e demais estabelecimentos exportadores deverão implantar sistemas de controle capazes de demonstrar, por meio de registros auditáveis, a elegibilidade dos animais, das matérias-primas e dos insumos utilizados na produção.
Entre as exigências estão mecanismos de rastreabilidade, documentação que comprove a conformidade dos produtos, segregação entre lotes aptos e não aptos à exportação e procedimentos para impedir o embarque de cargas que percam essa condição. A verificação desses controles ficará a cargo do Serviço Oficial durante as auditorias.
Regras variam conforme a cadeia produtiva
As novas exigências abrangem carnes, ovos, mel, pescado, produtos da aquicultura e demais produtos de origem animal, mas os critérios de comprovação variam conforme a atividade.

Para os setores de aves, ovos e aquicultura, os estabelecimentos deverão manter programas documentados de qualificação e monitoramento dos fabricantes de ração utilizados na produção destinada ao mercado europeu.
Na bovinocultura, a certificação exigirá documentação que comprove que o animal permaneceu em conformidade com as normas da União Europeia durante todo o ciclo de produção, o que amplia a necessidade de sistemas robustos de rastreabilidade.
Segundo o Mapa, o objetivo é assegurar que os produtos exportados atendam integralmente aos requisitos sanitários estabelecidos pelo bloco europeu, condição que passará a ser obrigatória para a emissão dos certificados sanitários internacionais.
Mel de abelhas sem ferrão terá padrão nacional
Além das novas regras para exportação, o Ministério também apresentou a Nota Técnica nº 24/2026, que propõe a criação do primeiro Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade (RTIQ) para o mel e o melato produzidos por abelhas sem ferrão.
A proposta atende a uma demanda do setor apícola e busca estabelecer padrões microbiológicos e físico-químicos para esses produtos, conferindo maior padronização, segurança jurídica e agilidade no registro junto ao Serviço de Inspeção.
De acordo com o Mapa, a regulamentação permitirá adequar as diferentes formas de produção existentes no país e fortalecer a comercialização dos produtos das abelhas sem ferrão, segmento que vem ganhando espaço na apicultura brasileira.






