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Déficit de 130 milhões de toneladas expõe gargalo da armazenagem de grãos no Brasil

Tema dominou a abertura do 11º Simpósio Sul de Pós-colheita, em Chapecó, que reúne mais de 500 profissionais para discutir tecnologia, conservação e qualidade dos grãos.

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Fotos: Keli Magri/MB Comunicação

A busca por maior eficiência na armazenagem de grãos, a adoção de novas tecnologias e a preservação da qualidade das matérias-primas que abastecem a cadeia de proteínas animais estão no centro dos debates do 11º Simpósio Sul de Pós-colheita de Grãos 2026, aberto na segunda-feira (1º), no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo De Nes, em Chapecó (SC).

Presidente da ABRAPOS, José Ronaldo Quirino, destacou que o Simpósio integra pesquisa, indústria e operadores de armazenagem

Promovido pela Associação Brasileira de Pós-colheita (ABRAPOS), em parceria com a Aurora Coop e a Cooperalfa, o encontro reúne mais de 500 participantes e registra número recorde de expositores, com 60 estandes de empresas ligadas ao segmento.

O Simpósio acontece a cada dois anos e é um dos principais fóruns técnicos do Sul do País para discutir armazenagem, conservação, classificação e gestão da qualidade dos grãos. A programação segue até quarta-feira (03), com palestras, painéis e exposição de tecnologias voltadas à redução de perdas e à preservação da qualidade dos produtos armazenados.

Na cerimônia de abertura, lideranças do cooperativismo e da cadeia agroindustrial destacaram a relevância estratégica da pós-colheita para a segurança alimentar e para a competitividade do agronegócio brasileiro.

O presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, ressaltou que a qualidade dos grãos influencia diretamente a produção de proteínas animais, atividade que sustenta parte significativa da economia regional. “Estamos tratando das principais matérias-primas destinadas à produção de proteína animal. Os grãos produzidos em uma safra precisam manter suas características durante todo o período de armazenamento para garantir alimento de qualidade aos plantéis e, consequentemente, aos consumidores”, observou.

Diretores da ABRAPOS com os presidentes da Aurora Coop, Neivor Canton e da Cooperalfa, Romeu Bet, coordenadores do evento Luís dos Santos e Arielson de Lima e prefeito de Chapecó Valmor Scolari

Canton apontou a insuficiência da infraestrutura de armazenagem como um dos principais gargalos do setor. Segundo ele, o crescimento da produção agrícola ocorre em ritmo superior ao da expansão da capacidade de estocagem, cenário agravado pela limitação de linhas de financiamento adequadas para investimentos em novas estruturas. “O campo evolui continuamente em produtividade, mas a armazenagem não acompanha essa velocidade. É um desafio que exige planejamento, investimentos e políticas capazes de estimular a ampliação da capacidade instalada”, afirmou.

Para o presidente da Cooperalfa, Romeu Bet, o pós-colheita representa uma etapa decisiva para preservar o valor agregado obtido ao longo de todo o ciclo produtivo. “Existe um grande esforço para produzir cada vez melhor. Após a colheita, a responsabilidade passa a ser conservar essa qualidade. O armazenamento adequado e o manejo correto garantem matéria-prima de excelência para a indústria e refletem diretamente na qualidade dos alimentos destinados à população”, enfatizou.

Bet destacou que a tecnologia tornou-se indispensável para o setor. Equipamentos de monitoramento, sistemas de controle e ferramentas de gestão contribuem para manter padrões elevados de conservação e segurança dos grãos.

Mercado

A integração entre pesquisa, indústria e operadores de armazenagem foi apontada como um dos diferenciais do evento pelo presidente da ABRAPOS, José Ronaldo Quirino.

Presidente da Cooperalfa, Romeu Bet, representou as cooperativas na abertura do evento

Segundo ele, o simpósio funciona como um espaço de conexão entre universidades, centros de pesquisa, fabricantes de equipamentos e profissionais que atuam diariamente nas unidades armazenadoras. “O Sul já possui um elevado nível de tecnificação, mas as inovações surgem em ritmo acelerado. O objetivo do evento é aproximar os profissionais dessas soluções e estimular a adoção de tecnologias que elevem a qualidade da armazenagem”, destacou.

Quirino chamou atenção para o déficit estrutural de armazenagem no Brasil. Segundo levantamento da Conab, a produção nacional de grãos está projetada em 358 milhões de toneladas na atual safra, enquanto a capacidade estática de armazenamento gira em torno de 225 milhões de toneladas, o que representa um déficit superior a 130 milhões de toneladas.

Além da limitação física, o dirigente citou a qualificação profissional como outro desafio relevante. Em algumas regiões produtoras, há dificuldade para contratar trabalhadores especializados para atividades ligadas à recepção, secagem e conservação de grãos. A automação surge como uma alternativa para aumentar a eficiência operacional do setor.

Programação

Participam do evento mais de 500 profissionais de 60 empresas do sul do País

Um dos coordenadores do simpósio e supervisor de controle de qualidade das fábricas de ração da Aurora Coop, Arielson de Lima, ressaltou que a programação foi estruturada para apresentar soluções práticas aos profissionais do setor. “Reunimos especialistas e empresas que desenvolvem tecnologias para armazenagem, conservação e controle de qualidade. O objetivo é proporcionar atualização técnica e troca de experiências sobre temas que impactam diretamente o desempenho das unidades armazenadoras”, explicou.

Segundo Arielson, o pós-colheita exige atenção constante porque os desafios variam a cada safra, influenciados por fatores climáticos, condições de armazenamento e exigências de mercado. Ele destacou ainda o avanço dos métodos de análise rápida, que permitem decisões mais assertivas na recepção e armazenamento dos grãos.

Ao longo dos três dias, o simpósio abordará temas como infraestrutura de armazenagem, qualidade dos grãos, micotoxinas, segurança e legislação trabalhista, classificação comercial, automação, eficiência energética e novas tecnologias para conservação dos produtos agrícolas. O evento também conta com exposição de equipamentos, sistemas e soluções voltadas ao setor.

Fonte: Assessoria ABRAPOS

Notícias

Livro detalha tecnologias usadas para detectar fraudes em alimentos

Obra apresenta 11 métodos analíticos aplicados pela indústria e fiscalização para identificar adulterações em produtos como café, leite, mel, carnes e azeite.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

A adulteração de alimentos deixou de ser um problema pontual para se tornar uma preocupação global envolvendo saúde pública, perdas econômicas e riscos à credibilidade de empresas e cadeias produtivas inteiras. Produtos como café, azeite, leite, carnes, mel e sucos estão entre os mais suscetíveis a fraudes, em um cenário em que as técnicas de adulteração se tornaram mais complexas e difíceis de identificar.

É nesse contexto que a Editora Fealq lançou o livro “Detecção de Fraudes em Alimentos: Técnicas Analíticas e Aplicações”, obra voltada à apresentação de tecnologias e métodos laboratoriais utilizados para identificar irregularidades e contaminações em alimentos.

O conteúdo reúne aplicações práticas voltadas à indústria de alimentos, órgãos de fiscalização e laboratórios de análise, além de servir como material de apoio acadêmico para cursos ligados à Ciência e Tecnologia de Alimentos.

Tecnologias para identificar adulterações

O livro detalha 11 metodologias analíticas utilizadas no monitoramento e detecção de fraudes alimentares. Entre elas estão técnicas de biologia molecular, cromatografia, espectrometria de massa, ressonância magnética nuclear, análise isotópica e espectroscopia no infravermelho.

A publicação apresenta os fundamentos de cada método, suas vantagens, limitações e exemplos de aplicação em estudos de caso relacionados a diferentes tipos de alimentos e adulterações.

Segundo os organizadores, o objetivo é ampliar o acesso a ferramentas técnicas capazes de aumentar a segurança alimentar e fortalecer os sistemas de controle e rastreabilidade da indústria.

Especialistas da USP assinam obra

O livro foi organizado por pesquisadores ligados à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz e ao Centro de Energia Nuclear na Agricultura.

Entre os editores estão Aline Silva Mello Cesar, Fabio Rodrigo Piovezani Rocha, Severino Matias de Alencar, Tiago Bueno de Moraes e Wanessa Melchert Mattos.

Os pesquisadores atuam em áreas como química analítica, biologia molecular, espectroscopia, genômica funcional e análise da composição química de alimentos.

A publicação também discute os impactos econômicos e sanitários das fraudes alimentares e o papel da inovação tecnológica na prevenção e no combate às adulterações ao longo da cadeia produtiva.

Fonte: O Presente Rural
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Sindiveg completa 85 anos acompanhando transformação da agricultura brasileira

Entidade surgiu quando o Brasil ainda importava alimentos e hoje atua em um setor ligado à produção de mais de 300 milhões de toneladas de grãos.

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Foto: Sindiveg

Fundado em 1941, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) acompanha a evolução da agricultura brasileira desde o período em que o país ainda dependia da importação de alimentos até sua consolidação, atualmente, como uma das principais potências globais do agronegócio. Ao longo de oito décadas e meia, a entidade esteve presente nos principais ciclos de modernização do campo, acompanhando as transformações tecnológicas, regulatórias e produtivas que marcaram a história do setor agrícola nacional.

Criado originalmente como Sindicato da Indústria de Formicidas e Inseticidas no estado de São Paulo (Sindag), a instituição surgiu em um cenário em que a agricultura brasileira ainda possuía baixa mecanização, produção concentrada nas regiões Sul e Sudeste e limitada capacidade produtiva. Na década de 1940, o Brasil produzia cerca de 15 milhões de toneladas de grãos por ano, em uma realidade marcada pela forte dependência de importações de alimentos, fertilizantes e máquinas agrícolas.

Desde então, a trajetória do Sindicato acompanha a própria expansão da agricultura brasileira. Nas décadas de 1950 e 1960, o avanço da modernização agrícola e das políticas voltadas ao aumento da produtividade impulsionou a ampliação do uso de tecnologias no campo. Nos anos 1970, a expansão da fronteira agrícola, o fortalecimento da pesquisa agropecuária e a criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) contribuíram para consolidar as bases do crescimento da produção nacional, cenário acompanhado de perto pelo setor de defensivos agrícolas.

Já nas décadas de 1980 e 1990, o país passou a estruturar seus primeiros marcos regulatórios para o segmento, com a criação de legislações específicas, órgãos de fiscalização e sistemas de avaliação técnica e ambiental. Nesse período, a entidade acompanhou a consolidação de um ambiente regulatório mais robusto, paralelo ao crescimento da agricultura brasileira e à expansão da produção de grãos.

Nos anos 2000, com o fortalecimento do agronegócio brasileiro no mercado internacional, o Sindicato ampliou sua atuação institucional, com o apoio à criação do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InpEV), iniciativa voltada à logística reversa de embalagens de defensivos agrícolas e considerada uma das principais referências do setor em sustentabilidade e destinação correta de resíduos.

A partir da década de 2010, o debate sobre agricultura passou a incorporar temas ligados à inovação, sustentabilidade, rastreabilidade e segurança alimentar. Em 2013, a instituição adotou o nome Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), reforçando uma atuação alinhada à evolução tecnológica e regulatória do setor.

Nesse contexto, projetos como o Programa Colmeia Viva passaram a integrar a agenda da entidade, promovendo iniciativas de educação, conscientização e boas práticas voltadas à convivência sustentável entre agricultura e polinizadores. Mais recentemente, o Sindiveg também ampliou investimentos em capacitação e disseminação de conhecimento técnico, com o lançamento de sua plataforma de treinamentos on-line e de materiais educativos voltados ao uso correto e seguro de defensivos agrícolas.

Para além dos 85 anos

Neste aniversário, o Sindiveg chega a um momento em que a agricultura brasileira ultrapassa a marca de 300 milhões de toneladas de grãos produzidas por ano, em um cenário caracterizado pela agricultura de precisão, digitalização do campo, expansão dos bioinsumos e novas demandas relacionadas à sustentabilidade e à segurança alimentar global.

Atualmente, a entidade reúne 22 empresas associadas responsáveis por um segmento estratégico para o desenvolvimento agrícola nacional.

Mais do que acompanhar as transformações da agricultura brasileira ao longo das últimas décadas, o Sindiveg consolida sua atuação como uma das principais referências técnicas e institucionais ligadas ao debate sobre inovação, produtividade, sustentabilidade e segurança alimentar no país.

Confira a linha do tempo do Sindiveg, acesse clicando aqui.

Fonte: Assessoria Sindiveg
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Peixes

Embrapa reage a proposta da Conabio e alerta para risco regulatório sobre tilápia, tambaqui e camarão

Nota técnica afirma que classificação ampla de espécies aquícolas como invasoras pode afetar produção, exportações, crédito, licenciamento e pesquisas no setor.

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Fotos: Shutterstock

A proposta de inclusão de espécies aquícolas comerciais na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras provocou reação de pesquisadores da Embrapa. Em nota técnica enviada à Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), os especialistas alertam que uma classificação ampla e sem critérios regionais pode gerar insegurança jurídica, afetar exportações, dificultar licenciamentos ambientais e atingir cadeias produtivas já consolidadas na aquicultura brasileira.

O documento foi elaborado por pesquisadores da Embrapa Pesca e Aquicultura e trata diretamente da possível inclusão de espécies como tilápia, tambaqui, camarão marinho e híbridos de peixes em listas oficiais de espécies invasoras.

Foto: Aliny Melo

Na avaliação dos pesquisadores, a simples condição de espécie exótica ou alóctone não pode ser interpretada automaticamente como prova de invasão biológica. “A condição de espécie alóctone ou exótica não corresponde automaticamente à caracterização de espécie invasora em todos os contextos ambientais e regionais”, afirma a nota técnica.

Os autores sustentam que a caracterização de uma invasão biológica exige comprovação científica robusta, incluindo evidências de estabelecimento em vida livre, reprodução, persistência populacional, dispersão e impactos ambientais efetivamente demonstrados. Segundo o documento, a simples presença de indivíduos fora da área natural de ocorrência, inclusive em casos de escape de cultivo, não seria suficiente para enquadramento automático como espécie invasora.

Tilápia domina produção e exportações

A nota destaca o peso econômico da tilápia na piscicultura brasileira. Segundo dados citados no documento, a produção nacional atingiu 707,5 mil toneladas em 2025, crescimento de 6,83% sobre o ano anterior, representando cerca de 70% de todo o peixe cultivado no país.

Os pesquisadores também ressaltam que a tilápia responde por 94% das exportações da piscicultura brasileira, principalmente para os Estados Unidos. O alerta é que mudanças regulatórias podem comprometer certificações internacionais exigidas pelo mercado externo, como BAP e HACCP. “Enquadramentos regulatórios amplos ou não suficientemente fundamentados podem inviabilizar a obtenção destas certificações”, aponta a nota.

Tambaqui movimenta R$ 1,5 bilhão

Outro ponto central do documento é o tambaqui, tratado pelos pesquisadores como espécie estratégica para a aquicultura nacional. Em 2024, o peixe respondeu por mais de 120 mil toneladas produzidas e movimentou mais de R$ 1,5 bilhão em vendas.

A Embrapa destaca que o tambaqui sustenta cadeias ligadas à bioeconomia amazônica, abastecimento regional, geração de renda e segurança alimentar, além de integrar projetos de pesquisa e melhoramento genético. “O tambaqui deve ser tratado como uma espécie estratégica para a aquicultura brasileira”, diz o texto.

Os pesquisadores lembram ainda que o cultivo da espécie já possui histórico regulatório consolidado. A nota cita a Instrução Normativa IBAMA nº 09/2012, que autorizou o uso do tambaqui em tanques-rede nos reservatórios da bacia Tocantins-Araguaia, mesmo reconhecendo a espécie como alóctone na região.

Carcinicultura brasileira

No caso do camarão marinho Penaeus vannamei, os pesquisadores afirmam que a carcinicultura brasileira movimentou cerca de R$ 3 bilhões em 2024, com produção recorde de 146,8 mil toneladas.

Foto: Pexels

A atividade está concentrada no Nordeste e envolve milhares de pequenos produtores. O documento destaca a expansão da produção para áreas interiores da região, inclusive em águas de baixa salinidade. “Mais de dois mil produtores atuam apenas na região de Morada Nova, no Ceará”, apontam os pesquisadores.

A Embrapa pontua que embora se trate de uma espécie exótica, sua produção está incorporada há décadas na carcinicultura nacional, com relevância econômica, social e regional expressiva, envolvendo laboratórios de pós-larvas, fazendas de engorda, fábricas de ração, unidades de beneficiamento, transporte, comercialização e serviços técnicos associados.

Espécies híbridas

As espécies híbridas que constam na lista da Conabio foram incorporadas à aquicultura nacional a partir da década de 1980 em razão de características zootécnicas favoráveis, como maior desempenho produtivo, rusticidade, adaptação ao cultivo, aceitação comercial e melhor aproveitamento em sistemas aquícolas controlados.

O fato de serem híbridas, portanto resultantes do cruzamento de outras espécies, não faz com que tais espécies sejam automaticamente invasoras. “É necessário uma avaliação específica sobre viabilidade reprodutiva, capacidade de estabelecimento em vida livre, dispersão, persistência populacional e impactos ecológicos efetivamente demonstrados”, defende em nota.

Risco de insegurança jurídica

A nota técnica dedica parte significativa à análise dos possíveis efeitos regulatórios da medida. Segundo os pesquisadores, a inclusão ampla dessas espécies em listas de invasoras pode provocar interpretações divergentes entre órgãos ambientais estaduais e federais, ampliando insegurança administrativa, econômica e jurídica.

O documento também alerta para impactos sobre licenciamentos ambientais, crédito, transporte, produção de alevinos, frigoríficos, fábricas de ração e pesquisas científicas. “Essa substituição da análise caso a caso por uma presunção ampla de risco pode resultar em exigências desproporcionais, aumento de custos administrativos, maior tempo de tramitação, indeferimentos preventivos e judicialização de processos”, ressaltam os pesquisadores na nota.

Pesquisadores pedem suspensão da deliberação

Foto: Divulgação/APS

Ao final do documento, a Embrapa recomenda que qualquer decisão regulatória seja precedida de Análise de Impacto Regulatório (AIR), prevista na Lei da Liberdade Econômica e no Decreto nº 10.411/2020.

Os pesquisadores defendem ainda que a deliberação da lista seja suspensa até que estudos técnicos mais amplos sejam realizados. “Recomenda-se submeter decisões regulatórias dessa natureza à Análise de Impacto Regulatório”, diz a recomendação institucional da nota.

O documento também pede que a Conabio adote critérios proporcionais, regionalizados e baseados em risco, evitando enquadramentos nacionais uniformes para diferentes espécies e bacias hidrográficas.

Participação

O chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura Roberto Flores considera que é muito importante a Embrapa, como instituição pública de Ciência e Tecnologia, dar seu posicionamento em relação a questões técnicas, científicas e de conhecimento que se relacionam com o tema da listagem das espécies invasoras. Ele lembra a importância de, nas discussões e decisões, também serem considerados outros aspectos, como econômicos, sociais e legais, além dos ambientais. “A Embrapa tem que colocar todos esses parâmetros em discussão para mostrar que temos que considerar tudo isso em qualquer tomada de decisão para que a população não seja prejudicada e que a gente tenha segurança para continuar avançando nas pesquisas e nos investimentos que fazemos”, enfatiza.

A pesquisadora Flávia Tavares, também da Embrapa Pesca e Aquicultura, participa na 77ª Reunião Extraordinária da Conabio, que acontece nesta quarta-feira (27) e prossegue até quinta-feira (28) em Brasília.

A proposta de criação da Lista Nacional Oficial de Espécies Exóticas Invasoras será um dos principais temas do encontro, que prevê a apreciação de uma resolução sobre a lista nacional e também a definição de categorias para enquadramento das espécies. A discussão ocorre em meio à reação de pesquisadores e representantes da aquicultura, que questionam possíveis impactos regulatórios sobre espécies amplamente utilizadas pela produção aquícola brasileira.

A reunião será realizada no Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, em formato híbrido, e também deve discutir temas ligados à Convenção sobre Diversidade Biológica, além da participação de organizações da sociedade civil na composição da comissão.

Outro ponto previsto na pauta é a recepção de uma delegação da Indonésia, que acompanhará o encontro como observadora. A Conabio reúne representantes do governo, academia, setor produtivo e entidades ambientais e atua na formulação de diretrizes relacionadas à biodiversidade no país.

Fonte: O Presente Rural
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