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De olho no material escolar

Associação tem como missão defender temas relativos ao agronegócio, contidos nos livros escolares, sejam verdades lastreadas no conhecimento científico e em fatos verídicos e comprováveis.

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Engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja e membro do Conselho Científico Agro Sustentável, Décio Luiz Gazzoni - Foto: Divulgação/CCAS

Uma ação meritória e vencedora foi iniciada por um grupo de mães e se transformou em um processo que está mudando a forma como os livros didáticos abordam o agronegócio. Foi criada uma associação De Olho no Material Escolar que se auto impôs a missão de pugnar para que os temas relativos ao agronegócio, contidos nos livros escolares, sejam verdades lastreadas no conhecimento científico e em fatos verídicos e comprováveis.

Vamos conceder o benefício de que o exposto a seguir é fruto de ausência de consulta às fontes contemporâneas, com credibilidade e fundamentação. Aceita a premissa, podemos dizer que muitos temas do agro, contidos nos livros didáticos, são baseados em fatos que aconteceram há 50, 100 ou 150 anos. Que não devem ser esquecidos – para que nunca mais se repitam – mas é fundamental o contraponto, ou seja, o quanto o setor evoluiu nas últimas décadas.

Destacarei alguns exemplos ilustrativos de abordagens distorcidas, quais sejam: 1) A agropecuária sobrevive à custa de desmatamento desregrado e incontrolável; 2) Os agropecuaristas brasileiros são latifundiários, improdutivos, exploradores de mão-de-obra escrava ou semiescrava; 3) Há necessidade de reforma agrária para integrar hordas de pequenos produtores marginalizados; 4) Agricultores usam pesticidas de forma desregrada, em demasia, sem cuidado com o ambiente e com a contaminação dos alimentos; 5) Apenas produtos da agricultura orgânica são saudáveis, livres de qualquer contaminação, mais saborosos e nutritivos.

Os fatos

Analisemos cada um dos pontos acima:

1) Até os anos 1970 o desmatamento era o vetor da expansão da fronteira agrícola, impulsionado por políticas públicas. Nas últimas décadas, a intensa geração e adoção de tecnologias sustentáveis minimizam o desmatamento. Com o avanço tecnológico, o agricultor cultiva áreas já antropizadas e degradadas; converte pastagens para a agricultura, liberadas pelo vertiginoso crescimento da produtividade da pecuária; usa sistemas de ILPF ou agricultura intensificada (duas ou três safras no mesmo ciclo). Mas, e os recentes desmatamentos e incêndios na Amazônia? Pouco ou quase nada tem a ver com o agronegócio moderno, os fatos apontam para crimes ambientais de grileiros, madeireiros ou garimpeiros interessados no imediatismo extrativista.

2) Não existem mais latifúndios improdutivos no Brasil, acabaram na primeira metade do século XX. Hoje as propriedades são tecnificadas e produtivas, permitindo ao Brasil ser protagonista na produção de alimentos usando 7% de seu território. Escravidão existiu, sim, até 1888. E ainda existem (raros) casos de exploração de mão-de-obra por alguns péssimos agricultores, que não representam o agro moderno, constituindo-se em exceções que também existem em outros setores da economia.

3) O Brasil conduziu um dos programas mais ambiciosos de reforma agrária, em escala mundial. Da década de 1970 para cá, foram atendidas mais de 1 milhão de famílias, que receberam 88 milhões de hectares (Mha). Um valor superior à área de grãos cultivada em 2023, que ocupa cerca de 65 Mha. Os números mostram que não faltou distribuição de terra no Brasil.

4) O Brasil tem uma legislação de pesticidas rígida, que nada fica a dever a qualquer país da OCDE ou do resto do mundo. A legislação ambiental é severa, contaminações de cursos de água ou danos à biodiversidade constituem crimes ambientais. Existem programas de manejo de pragas desenvolvidos para todas as culturas importantes do Brasil. Tanto o Ministério da Saúde, quanto o da Agricultura, investigam a presença de resíduos em alimentos, corrigindo as não conformidades detectadas. E, sempre bom lembrar: pesticida custa dinheiro, agricultor não é bobo, não joga dinheiro no lixo.

5) Foram criadas falsas dicotomias nos livros didáticos, tipo agricultura familiar x agronegócio, ou agricultura orgânica x convencional. Em ambos os casos, as bases conceituais são falácias. Agricultor familiar está inserido no agronegócio, a menos que produza apenas para sua subsistência, sem negociar a produção. Todos os estudos científicos disponíveis mostram que não há diferenças entre alimentos orgânicos ou convencionais quanto ao teor de nutrientes ou propriedades organolépticas. O consumidor decide o que comprar, com base em suas próprias crenças e em seu poder aquisitivo.

O que não é abordado

Retratar o agro com as lentes do passado obnubila o enorme avanço tecnológico que permitiu ganhos de produtividade excepcionais, em curto espaço de tempo. Além da produtividade, inúmeras outras tecnologias tornam o agronegócio brasileiro um paradigma de sustentabilidade.

Ao restringir-se a temas que ficaram no passado, os livros didáticos deixam de abordar o cooperativismo ou o fato de o agro empregar dezenas de milhões de brasileiros (sustentabilidade social), respeitar a legislação florestal (sustentabilidade ambiental) ou angariar mais de uma centena de bilhão de dólares anualmente com exportações (sustentabilidade financeira). Não mostra que ano após ano menos área é necessária para alimentar um cidadão, brasileiro ou estrangeiro. E que o custo da cesta básica reduziu-se admiravelmente nas últimas décadas, pela queda dos preços dos alimentos.

Ações

Entidades públicas e privadas colaboram com a associação De Olho no Material Escolar. O MEC mostrou-se sensível à necessidade de revisão profunda dos textos, no que tem sido acompanhado por editores e autores. Entidades como a Embrapa, o Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), a Confederação dos Engenheiros Agrônomos do Brasil (Confaeab) colocaram especialistas à disposição para alinhar os textos com fatos reais e a melhor fundamentação científica. Juntos solucionaremos esta distorção que prejudica a formação da próxima geração.

Fonte: Por Décio Luiz Gazzoni, engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja e membro do Conselho Científico Agro Sustentável

Bovinos / Grãos / Máquinas

Reinserção de pecuaristas irregulares vira ponto crítico para ampliar oferta de carne rastreada no Brasil

Com 264 mil toneladas exportadas em janeiro, setor discute como requalificar produtores fora da cadeia formal e atender exigências socioambientais dos mercados compradores.

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Foto: Divulgação/ACBB

A crise climática e a insegurança alimentar são desafios globais que nos remetem à mobilização para ações coordenadas de políticas públicas e avanço nos programas privados. A pecuária brasileira entra como um componente fundamental e estratégico para a segurança alimentar mundial, além de trazer oportunidades concretas de desenvolvimento sustentável aliado a mitigação de gases de efeito estufa (GEE).

Foto: Divulgação

O Brasil é, hoje, o país com o maior rebanho comercial bovino do mundo, além de ser o maior exportador de carne bovina in natura. As exportações de carne bovina somaram em janeiro de 2026, embarques de 264 mil toneladas, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Sabe-se que a pecuária brasileira enfrenta desafios relacionados à regularização ambiental, rastreabilidade e competitividade internacional. Muitos produtores foram excluídos da cadeia formal por não atenderem critérios socioambientais. Este artigo, inspirado nas diretrizes da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, discute estratégias para reinserção e requalificação desses produtores, propondo caminhos para dar escala ao processo e fortalecer a credibilidade da carne bovina nacional.

A cadeia da carne bovina no Brasil é uma das mais relevantes do agronegócio mundial, mas enfrenta pressões crescentes de mercados consumidores e da sociedade civil em relação à

Foto: Divulgação

. A exclusão de produtores que não atendem às exigências socioambientais gera impactos econômicos e sociais significativos ficando os mesmos marginalizados na cadeia da pecuária, principalmente os pequenos e os agricultores familiares. Nesse contexto, são necessárias iniciativas voltadas à reinserção desses agentes, com foco em requalificação técnica e comercial prezando pelo acesso a ampla informação, fortalecimento de assistência técnica constante, e alinhamento de inciativas públicas e privadas.

Temos diferentes protocolos de monitoramento de fornecedores de gado que já trabalham em proposições de mecanismos de reintegração de propriedades, por meio de demonstração de regularização ambiental, correções técnicas do uso de base de dados e adoção de sistemas de regularização comercial da propriedade. Essas propriedades são certificadas pelos protocolos de requalificação comercial e voltam a cadeia por meio da aprovação das Secretarias de Meio Ambiente Estaduais junto à Procuradoria da República. Mesmo com esses mecanismos, os números alcançados ainda são baixos o que torna necessário a busca por alternativas à garantia do cumprimento da legislação ambiental e da segurança jurídica.

Os objetivos da reinserção passam basicamente pela capacitação dos produtores para atender padrões de mercado; pelo aumento da base

Foto: Juliana Sessai

de fornecedores regulares reduzindo a informalidade e os riscos para o setor; por uma base de fornecedores mais consistente e alinhada aos compromissos socioambientais, além do fortalecimento da imagem da carne bovina brasileira nos mercados premium e competitividade internacional.

Sabendo-se disso, antes da adoção de quaisquer estratégias é necessário superar gargalos operacionais dos diferentes biomas no território brasileiro, garantindo a inclusão econômica e social. Como estratégias propostas podemos citar a capacitação técnica, a adoção de ferramentas de monitoramento com o olhar para a rastreabilidade individual do animal, acesso a créditos diferenciados e bonificações àqueles reinseridos, bem como a articulação da cadeia como um todo a fim de dar escalabilidade aos projetos e visibilidade a casos práticos de produtores bem-sucedidos nessa agenda.

Os desafios são enormes, mas a vantagem e os benefícios atrelados a reinserção e requalificação são imensos. Nesse sentido, entidades como a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável (MBPS) são imprescindíveis por promoverem diálogos entre multistakeholders, e ações a fim de combinar o engajamento dos diferentes atores da cadeia da pecuária aliados as políticas públicas e incentivos privados prezando por uma carne bovina nacional competitiva, sustentável e socialmente inclusiva.

Fonte: Artigo escrito por Michelle Borges, gerente executiva da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável.
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Produtividade recorde do agro brasileiro ameaça ser sufocada por gastos públicos improdutivos

Enquanto soja, milho e pecuária impulsionam até 27% do PIB e elevam o IDH em municípios produtores, ineficiência fiscal e juros altos pressionam crédito e aumentam pedidos de recuperação judicial no setor.

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Foto: Shutterstock

Enquanto a produtividade floresce nos campos do agronegócio, a gestão pública brasileira parece estagnada em modelos que privilegiam o gasto improdutivo em detrimento do investimento estruturante. Não há inclusão social sem uma economia saudável! Hoje, a “galinha dos ovos de ouro” brasileira – o agronegócio – enfrenta uma ameaça que não vem do clima ou do solo, mas da ideologia e da insensatez de Brasília.

Há anos, o agronegócio é o principal responsável pela expansão econômica brasileira. Segundo dados do Cepea (USP) em parceria com a CNA, o setor responde por aproximadamente 24% a 27% do PIB nacional. Em 2023, enquanto outros setores patinavam, o PIB da agropecuária saltou 15,1%, sendo o fiel da balança para evitar uma recessão técnica e garantir o superávit comercial.

Esse sucesso é fruto de um crescimento de produtividade sem precedentes. A Produtividade Total dos Fatores (PTF) no agro cresce, em média, 3,2% ao ano — um ritmo que humilha a média da indústria nacional e de muitos países desenvolvidos.

É sempre importantíssimo frisar que o Brasil não só planta, mas desenvolve tecnologia biológica de ponta!

É fundamental compreender que o agronegócio não se resume ao “dentro da porteira”. O termo “Agribusiness” foi cunhado em 1957 pelos professores de Harvard, John Davis e Ray Goldberg, justamente para descrever a soma total de todas as operações envolvidas na fabricação e distribuição de suprimentos agrícolas.

O agronegócio é, portanto, uma cadeia complexa que integra:

  1. O Agro “dentro da porteira”: a agricultura e pecuária propriamente ditas, onde o manejo do solo e a gestão biológica ocorrem.
  2. Indústria: fabricação de insumos, defensivos, fertilizantes e máquinas pesadas, além do processamento agroindustrial de alimentos e biocombustíveis.
  3. Serviços: logística de transporte, armazenamento, crédito agrícola sofisticado e tecnologia da informação (Agtechs).

Essa visão sistêmica revela, por exemplo, que o sucesso da colheita movimenta desde uma fábrica de tratores no interior de São Paulo, até o porto em Santos, sustentando milhões de empregos indiretos.

Nada disso seria possível sem o papel histórico da EMBRAPA. Criada na década de 70, a Embrapa foi a arquiteta da “revolução tropical”, transformando o Cerrado — antes considerado terra ácida e improdutiva — no celeiro do mundo através da ciência brasileira.

O ganho de eficiência do campo transborda diretamente para o capital humano. Municípios com forte presença do agro apresentam indicadores de qualidade de vida muito superiores à média nacional. Cidades como Sorriso (MT), Lucas do Rio Verde (MT), Rio Verde (GO) e Toledo (PR) são exemplos disso.

Essas localidades figuram constantemente no topo do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) regional porque a riqueza gerada pela produtividade se converte em:

  • Infraestrutura urbana de qualidade;
  • Melhores escolas e centros de capacitação técnica;
  • Sistemas de saúde mais robustos e acessíveis.

A prosperidade agrícola é o maior vetor de descentralização do desenvolvimento que o Brasil já conheceu, criando polos de dignidade longe das metrópoles litorâneas.

Entretanto, esse vigor produtivo encontra um obstáculo na insustentabilidade fiscal. O Brasil gasta muito e gasta mal. Consumimos cerca de 33% do PIB em impostos, mas o retorno em investimento público em capital humano, ciência e inovação, além de infraestrutura, é irrisório, mal chegando a 2%.

O desperdício e a má gestão são flagrantes:

  • Privilégios Estruturais: Gastos exorbitantes com pensões e aposentadorias de elite (como as de juízes e alta cúpula do funcionalismo), mantendo castas que consomem recursos que deveriam financiar laboratórios de biotecnologia ou ferrovias.
  • Corrupção e Ineficiência: O dinheiro é drenado por desvios e por uma burocracia que “cria dificuldades para vender facilidades”, além do custo de manter estatais ineficientes e obras inacabadas que nunca se tornam ativos para o país.

Essa “gastança desordenada” eleva a dívida pública, forçando o Banco Central a manter a Taxa Selic elevada para conter a inflação. Juros altos significam financiamento inviável.

O produtor, que depende de crédito para comprar sementes e maquinário, está sendo asfixiado. Dados da Serasa Experian mostram um aumento alarmante de mais de 500% nos pedidos de Recuperação Judicial no setor agropecuário entre 2023 e 2024.

Não podemos permitir que a ineficiência do Estado destrua a engrenagem que sustenta o país. A justiça e a inclusão social exigem um governo que respeite quem produz. É urgente:

  1. Melhorar a qualidade do gasto: cortar privilégios e priorizar investimentos em ciência, tecnologia e educação.
  2. Responsabilidade fiscal: tornar a dívida sustentável para baixar os juros de forma estrutural, fomentando o agro.
  3. Incentivo à inovação: reduzir a burocracia para que o empreendedorismo inclusivo no campo possa prosperar.

O agronegócio é a prova de que o Brasil pode ser uma potência. Mas, para que a colheita continue farta, é preciso parar de consumir as sementes do amanhã com os gastos perdulários de hoje.

Gestão ética e compromisso com a realidade são os únicos caminhos para o Brasil que queremos.

Fonte: Artigo escrito por André Naves, defensor público federal, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social, mestre em Economia Política e doutor em Economia.
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Brasileiros veem transição energética como questão de segurança e soberania

Pesquisa indica que 76% da população considera urgente reduzir a dependência de combustíveis fósseis, ligando energia limpa à estabilidade econômica, geopolítica e fortalecimento da segurança nacional.

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Foto: Divulgação/Copel

Os brasileiros deram um recado claro e talvez mais lúcido do que muitas lideranças globais. Um estudo recente realizado pela Opium, agência de pesquisa de mercado, mostrou que 76% da população considera a transição energética mais urgente do que nunca, associando diretamente a dependência de combustíveis fósseis à instabilidade internacional e à vulnerabilidade econômica.

Esse dado revela uma mudança importante: a transição energética deixou de ser apenas uma pauta ambiental. Ela passou a ser, definitivamente, uma questão de segurança, competitividade e soberania. Mas continua sendo uma pauta financeira que impacta o meio ambiente, ao invés de ser uma pauta ambiental que impacta o bolso.

Durante décadas, tratamos energia como uma equação técnica ou econômica. Hoje, ela se mostra como um dos principais fatores geopolíticos do nosso tempo. Conflitos recentes e choques de preço reforçam uma realidade incômoda: depender de fontes fósseis, muitas vezes concentradas em regiões instáveis, é também importar risco.

Nesse contexto, o Brasil ocupa uma posição singular. Temos uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e um potencial extraordinário em fontes renováveis. Mas o potencial, por si só, não gera valor. O que transforma essa vantagem em liderança é a forma como decidimos agir.

A transição energética não pode ser conduzida apenas pela lógica de substituição de fontes, trocar fóssil por renovável. Isso é necessário, mas insuficiente. O verdadeiro desafio está em como essa transição é feita: com inclusão, com visão de longo prazo e com geração de valor para todos os stakeholders.

Projetos energéticos precisam ir além da eficiência operacional, eles devem considerar o impacto nas comunidades, o desenvolvimento de cadeias locais, a geração de emprego qualificado e o acesso equitativo à energia. Caso contrário, corremos o risco de repetir, com novas tecnologias, os mesmos erros do passado.

Os dados levantados pela Opium mostram que 68% dos brasileiros acreditam que investir em energias renováveis fortalece a segurança nacional . Essa percepção está correta, mas ela só se concretiza quando há estratégia e ser acessível para todos.

Segurança energética não é apenas produzir energia limpa. É garantir resiliência, previsibilidade e autonomia. É investir em infraestrutura, em armazenamento, em inovação e, principalmente, em governança.

Outro ponto crítico é a mentalidade de curto prazo. Ainda há uma tendência, especialmente em conselhos e investidores, de priorizar retornos imediatos em detrimento de decisões estruturantes. No setor de energia, isso não é apenas um erro, é um risco sistêmico.

A transição energética exige capital paciente, planejamento consistente e métricas que vão além do retorno financeiro tradicional. Precisamos medir não apenas o que os projetos geram de lucro, mas também o que evitam custos, especialmente os impactos negativos que, historicamente, foram externalizados para a sociedade.

O Brasil tem a oportunidade de liderar um novo ciclo de desenvolvimento baseado em energia limpa, inovação e inclusão. Mas essa liderança não será automática. Ela dependerá da capacidade de integrar propósito e estratégia.

No fim das contas, a pergunta não é mais se devemos fazer a transição energética. Isso já está decidido, pela sociedade, pelo mercado e pela realidade geopolítica.

A pergunta que permanece é: vamos liderar essa transformação ou apenas reagir a ela?

Fonte: Artigo escrito por Hugo Bethlem, presidente do Capitalismo Consciente Brasil.
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