Avicultura
Dados zootécnicos dão previsibilidade à avicultura, mas é preciso saber usá-los
É possível através do levantamento dos índices zootécnicos, em que são dimensionados os dados produtivos, quantitativos e qualitativos e a situação sanitária dos animais, informações essas que refletem em números o resultado da produção da granja.

Com o mercado cada vez mais competitivo e exigente, compreender os fatores que influenciam no desenvolvimento e na alta performance das aves de postura pode ser um grande diferencial para os avicultores. Quando as particularidades de cada rebanho são bem gerenciadas e analisadas de maneira correta o produtor consegue oferecer condições mais adequadas para que os animais possam expressar suas melhores características produtivas.
E isso é possível através do levantamento dos índices zootécnicos, em que são dimensionados os dados produtivos, quantitativos e qualitativos e a situação sanitária dos animais, informações essas que refletem em números o resultado da produção da granja.
De acordo com o mestre em Zootecnia e Engenharia de Alimentos, Diogo Tsuyoshi Ito, os índices zootécnicos fornecem uma variedade de conhecimento aos profissionais que atuam em granjas a respeito do desenvolvimento dos animais, possibilitando por meio deste acompanhamento constante identificar com maior agilidade ou até mesmo se antecipar a possíveis problemas no plantel. Sobre a importância dos dados zootécnicos na rentabilidade da produção de ovos, Ito palestrou no 15º Simpósio Goiano de Avicultura, realizado em junho na cidade de Goiânia, GO.
Entre os principais índices zootécnicos que devem ter maior atenção na produção de aves de postura, o zootecnista cita o percentual de ovos por ave alojada, item que representa a quantidade de ovos que o lote retorna para o produtor sobre a quantidade de frangas que foram transferidas para o galpão de produção. Ao longo da vida produtiva do lote, essa quantidade de ovos produzidos vai se somando para, ao final, o produtor dividir toda essa quantidade de ovos pela quantidade de frangas que foram transferidas para produção, obtendo assim o índice de ovos por ave alojada.
O segundo índice é de conversão alimentar, que retrata a quantidade de ração necessária para produzir um ovo, uma dúzia de ovos, uma bandeja com 30 ovos ou uma caixa de 360 ovos. Quando o lote apresenta uma redução de algumas poucas gramas no consumo médio diário das aves, essa variação representa quilos a menos de ração para produzir a mesma quantidade de ovos.
Requisitos para controle
Todos os índices zootécnicos trabalhados na granja dependem da quantidade de aves que existe dentro do galpão ou do lote, se esse valor não estiver correto todos os outros índices, como aves alojadas, mortalidade, produção e consumo de ração por dia vão fornecer ao produtor uma informação incorreta. “Quando o produtor estiver recebendo o lote é preciso que tenha uma maior acurácia possível em relação a quantidade de aves que está sendo recebida”, pontua.
De acordo com ele, ao longo da vida do lote existem alguns momentos em que é possível fazer uma recontagem dessas aves, por exemplo, durante o processo de vacinação ou de transferência. “É muito importante aproveitar esses momentos para fazer a rechecagem. Associado a isso, ter um controle preciso de mortalidade, porque conforme as etapas de produção avançam, parte das aves morre. Ter esse controle sobre a quantidade de aves que se perde ao longo da vida do lote é importante para manter esse plantel atualizado”, menciona Ito.
Avaliações
Os índices zootécnicos que devem ser levados em consideração variam de acordo com as características de cada rebanho, porém o objetivo é igual, auxiliar o produtor a fazer uso dessas informações para potencializar os resultados do seu plantel. Alguns índices mais utilizados para manejo na avicultura incluem controle de mortalidade diária e semanal, acompanhamento do peso corporal e ganho de peso semanal, uniformidade dos lotes (real e padrão), consumo de ração (diário/acumulado), peso médio dos ovos, percentual de produção pelo lote (%), conversão alimentar e ovos/ave alojada.
Do ponto de vista comercial, um dos fatores mais importantes é o peso do ovo de consumo, ou seja, não basta apenas o produtor obter uma boa taxa de postura de suas aves, precisa também de ovos com bom tamanho, uma vez que o produto é classificado conforme seu peso e o seu tamanho. Os ovos são agrupados em classes A, B, ou C, de acordo com a qualidade, que é determinada pelo grau de limpeza, pela integridade e pela forma da casca, pela posição da câmara de ar e pelas características físicas da clara e da gema. “O peso médio dos ovos é importante porque o Brasil vende os ovos baseados em uma classificação definida por peso e tamanho, então o produtor ter um controle do peso do ovo é essencial para saber se está produzindo um produto adequado ao mercado que o Brasil quer atender”, pontua o especialista.
Rentabilidade
Quando é feito o acompanhamento constante, frequente e metódico, respeitando a idade das aves, a frequência correta de todos os índices zootécnicos, as informações geradas proporcionam ao produtor duas visões em relação ao presente e passado, podendo desta forma identificar pontos de melhorias em sua granja. “A cada novo lote que entra, a cada ano que passa, o produtor com base nestes dados zootécnicos consegue ter argumentos e informações para estabelecer sobre quais pontos ele precisa melhorar, além de que essa informação ajuda, principalmente, na questão da avaliação de custo-benefício que todo produtor sempre busca. Com base em uma necessidade, que pode apresentar um custo adicional, é preciso avaliar qual o retorno mínimo necessário para que este investimento se pague”, expõe Ito.
Desta forma, conforme o mestre em Engenharia de Alimentos, ter um banco de dados atualizado ajuda o produtor a ter uma previsibilidade, especialmente em momentos de instabilidade do setor. “Se o produtor tem um histórico da produção de lotes, o tipo de ovo produzido, a quantidade de ração demandada, isso vai ajudá-lo a ter uma visão de quanto insumo será necessário para a próxima semana ou mês, além de uma previsão da produção de ovos disponíveis para venda. Os dados zootécnicos permitem uma certa previsibilidade do que pode acontecer no futuro para que o produtor possa manter estimativa de gastos e de faturamento ao longo das próximas semanas”, elenca o especialista.
Gerenciamento dos dados nas granjas
Todo gerenciamento de informação começa pela coleta de dados, em seguida essas informações são consolidadas, filtradas e analisadas para se estabelecer e implantar ações corretivas na granja.
Ao consolidar as informações de cada lote, o especialista afirma que o produtor passa a ter uma visão macro do seu negócio, conseguindo identificar, através da análise dos dados colhidos, se o desempenho das aves, por exemplo, está dentro, abaixo ou acima do esperado em relação ao potencial genético do animal. “Ao identificar que o lote está com uma produtividade abaixo do que é possível de se obter, o produtor pode investigar por meio dos dados zootécnicos as possíveis causas dessas perdas de desempenho, tomar as medidas corretivas e acompanhar o resultado para ver se vai precisar continuar adotando essas medidas corretivas ou se elas podem ser fracionadas em ações preventivas, visando evitar que novos problemas possam acontecer”, avalia o profissional.
Do analógico ao digital, hoje com as tecnologias existentes o levantamento é informatizado, lançado em tempo real por meio de aplicativos no celular, por planilha de Excel ou sistemas de gerenciamento de granjas, o que proporciona maior segurança e confiabilidade nas informações geradas, com gráficos e tabelas para que o produtor possa mensurar com mais precisão o desempenho do plantel.
No entanto, um ponto crítico considerado pelo especialista diz respeito a checagem das informações com vistas a atestar a sua veracidade. “A rotatividade de funcionários dentro das granjas se tornou muito mais frequente do que era há um tempo atrás, isso acaba dificultando a checagem das informações de forma precisa”, observa.
Diante deste problema, o profissional sugere que as granjas ofereçam oportunidade a estudantes das áreas de Zootecnia e Medicina Veterinária para atuarem no levantamento e checagem de informações dos índices zootécnicos. “Muitas vezes o profissional deseja trabalhar no setor avícola, mas esbarra na falta de experiência prática, então se as granjas disponibilizarem um espaço para estas pessoas será muito útil para ambas as partes, para o aluno que vai aprender na prática e para os granjeiros que terão dados mais confiáveis e seguros sobre a realidade da sua granja”, analisa Ito.
Ferramentas de gestão
Para se obter uma produção robusta e com melhor performance, utilizar das mais diversas ferramentas como gestão de dados, monitoramento de desempenho genético é fundamental. De acordo com Ito, o mercado avícola oferece uma gama de ferramentas e softwares voltados para aprimorar processos, reduzindo perdas e aumentando ganhos.
Entre as mais utilizadas disponíveis para a cadeia produtiva de aves de postura, o especialista menciona a planilha eletrônica, sistema operacional onde são incluídas diariamente todas as informações zootécnicas do lote, desde a fase inicial até a galinha de descarte, mantendo um histórico completo de cada lote, incluindo também informações de custos com ração e tipo de ovo classificado. “A cada lote é importante fazer a comparação do potencial genético da linhagem, entre o desempenho real e o padrão da linhagem”, destaca o zootecnista.
Outra plataforma bastante utilizada é aplicativo de gestão da granja, que podem ser instalados em celulares para lançamento diário das informações. “Com base nos dados carregados no aplicativo, o sistema gera gráficos e tabelas para o produtor acompanhar o desempenho do lote”, aponta Ito.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Avicultura
Simpósio Brasil Sul de Avicultura debate papel estratégico do bem-estar animal
Especialista aponta relação com sustentabilidade, reputação das empresas e resultados econômicos.

A relação entre bem-estar animal, sustentabilidade e competitividade da cadeia produtiva estarão em debate durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA). Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), o tema Por que o bem-estar é crucial para a sustentabilidade? será apresentado pelo professor Celso Funcia Lemme, durante o Bloco Conexões que Sustentam o Futuro, na quarta-feira, 8 de abril, às 17h30, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).
Doutor em Administração, com concentração em Finanças, Celso é mestre em Engenharia de Produção, com foco em Avaliação de Investimentos, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É graduado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e em Estatística pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Atua como professor do Instituto COPPEAD de Administração da UFRJ desde 1999, nas áreas de finanças e sustentabilidade corporativa, desenvolvendo projetos de pesquisa relacionados a finanças sustentáveis, avaliação de empresas e sustentabilidade corporativa.

Professor Celso Funcia Lemme
Ao longo de sua trajetória, prestou serviços como professor, palestrante e consultor para empresas e instituições de diversos setores, entre eles alimentos, energia, construção civil, mineração, logística, saúde, telecomunicações e papel e celulose. Também atuou como gerente geral de Planejamento e Análise Financeira da Aracruz Celulose (atualmente Suzano) e trabalhou na Souza Cruz (British American Tobacco Brasil) na área de análise de investimentos e planejamento de suprimentos. Além disso, participa como presidente e membro de conselhos consultivos de organizações nacionais e internacionais, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias voltadas à sustentabilidade e governança corporativa.
O palestrante destaca que a proposta é promover uma reflexão ampla sobre a conexão entre bem-estar animal e sustentabilidade dentro da cadeia produtiva. Segundo Celso, o bem-estar animal está fundamentado em ciência aplicada e deve ser compreendido como um fator estratégico, capaz de impulsionar não apenas melhorias ambientais, mas também avanços sociais e resultados econômicos mais consistentes.
“Nesse contexto, ressalto que práticas voltadas ao bem-estar contribuem para a valorização dos profissionais do campo, fortalecendo o papel dos produtores e das equipes envolvidas na produção. Além disso, chamo a atenção para a importância de uma visão estratégica diante das transformações do setor. É fundamental considerar os riscos da estagnação e da ausência de inovação, que podem comprometer a competitividade frente a outras regiões e mercados mais dinâmicos”, comenta.
Celso também enfatiza que a integração entre bem-estar animal e sustentabilidade corporativa está diretamente relacionada à reputação das empresas e à valorização das marcas. Esse movimento acompanha, ainda, as mudanças geracionais, com consumidores cada vez mais atentos a valores como responsabilidade ambiental, ética e transparência. “Diante desse cenário, defendo a construção de sistemas produtivos mais eficientes e equilibrados, capazes de gerar melhores resultados para os produtores, oferecer produtos de maior qualidade aos consumidores, ampliar oportunidades no mercado de trabalho e contribuir, de forma mais ampla, para o desenvolvimento sustentável da sociedade”, salienta.
Para a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, discutir sustentabilidade é essencial para acompanhar as transformações do setor. “A avicultura vive um momento de evolução constante, em que eficiência produtiva, responsabilidade ambiental e bem-estar animal precisam caminhar juntos. O Simpósio busca promover esse debate e trazer especialistas que contribuam para ampliar a visão estratégica da cadeia produtiva”, destaca.
A presidente da comissão científica do SBSA, Daiane Albuquerque, ressalta que o bloco Conexões que Sustentam o Futuro foi estruturado justamente para ampliar a discussão sobre os desafios contemporâneos da produção animal. “O bem-estar animal está diretamente relacionado à sustentabilidade e à credibilidade do setor perante a sociedade e os mercados. Trazer especialistas que abordem esse tema sob uma perspectiva estratégica e de gestão é fundamental para fortalecer o futuro da avicultura”, afirma.
O 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura será realizado entre 7 a 9 de abril de 2026 e é considerado um dos principais eventos técnicos da avicultura latino-americana. Paralelamente ao Simpósio ocorre a 17ª Brasil Sul Poultry Fair, feira que reúne empresas nacionais e multinacionais ligadas à cadeia produtiva avícola.
Para acompanhar a palestra e os demais conteúdos da programação científica é necessária inscrição no evento. O segundo lote segue disponível até o dia 26 de março, com investimento de R$ 750,00 para profissionais e R$ 450,00 para estudantes. O acesso à 17ª Brasil Sul Poultry Fair custa R$ 100,00. As inscrições podem ser realizadas no site, acesse clicando aqui.
Programação geral
26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
17ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 07/04 – Terça-feira
13h30 – Abertura da Programação
13h40 – Painel Gestão de Pessoas
Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura.
Palestrantes:
Delair Bolis
Joanita Maestri Karoleski
Vilto Meurer
Luciana Dalmagro – Coordenadora da mesa redonda
15h40 – Intervalo
16h – Commodities em foco: superando barreiras logísticas e incertezas do futuro.
Palestrante: Arene Trevisan
(15 minutos de debate)
17h- Solenidade de Abertura Oficial
17h40 – Palestra de abertura: Cenários Globais 2026
Palestrante: Heni Ozi Cukier – HOC
19h15 – Coquetel de Abertura na 16ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 08/04 – Quarta-feira
Bloco Abatedouro
8h – Velocidade de processamento e qualidade do abate.
Palestrante: Darwen de Araujo Rosa
(15 minutos de debate)
9h – Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar.
Palestrante: Dianna V. Bourassa
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
Bloco Nutrição
10h30 – Granulometria e seu impacto no trato digestivo.
Palestrante: Wilmer Pacheco
(15 minutos de debate)
11h30 – Níveis de Ca e P nas dietas modernas do frango de corte.
Palestrantes: Roselina Angel
(15 minutos de debate)
12h30 – Intervalo almoço
Eventos Paralelos
Painel Manejo
14h00 – Manejo do Frango de Corte Moderno
Palestrantes:
Lucas Schneider
Rodrigo Tedesco Guimarães
16h – Intervalo
Bloco Conexões que Sustentam o Futuro
16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura.
Palestrante: Kali Simioni e João Nelson Tolfo
(15 minutos de debate)
17h30 – Porque bem-estar é crucial para a sustentabilidade?
Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme
(15 minutos de debate)
18h30 – Eventos Paralelos
19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 09/04 – Quinta-feira
Bloco Sanidade
8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosas – enfoque nos diferentes métodos de diagnóstico das doenças respiratórias
Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande
(15 minutos de debate)
9h – Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves.
Palestrante: Dr. Ricardo Rauber
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença.
Palestrante: Gonzalo Tomás
(15 minutos de debate)
11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real.
Palestrante: Taís Barnasque
(15 minutos de debate)
Sorteios de brindes.
Avicultura
Conflito no Oriente Médio acende alerta para exportações de frango do Brasil
Possíveis entraves logísticos e maior oferta interna podem conter preços no mercado doméstico.

O cenário para a avicultura brasileira indica aumento das incertezas nos próximos meses, com impactos que envolvem exportações, custos de produção e formação de preços no mercado interno.
Um dos principais pontos de atenção é o Oriente Médio, responsável por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango. O conflito geopolítico na região pode afetar diretamente o setor, especialmente em caso de bloqueios no Estreito de Ormuz. Nessa situação, cargas podem precisar ser redirecionadas, o que tende a elevar custos logísticos e aumentar o tempo de entrega. Alternativas por vias terrestres também são mais caras e complexas, podendo limitar o fluxo de exportações para alguns mercados.

Foto: Jonathan Campos/AEN
No mercado interno, existe espaço teórico para valorização da carne de frango frente a outras proteínas. No entanto, a incerteza sobre o ritmo das exportações atua como um freio. Caso haja dificuldade no escoamento externo, a maior oferta no mercado doméstico pode conter altas de preços.
Os custos de produção também estão no radar. O agravamento do conflito tem pressionado os preços da energia, com reflexos mais amplos na economia. Nesse contexto, milho e soja registram elevação de preços, mesmo com fundamentos de oferta e demanda relativamente estáveis, refletindo mais expectativas do mercado do que mudanças estruturais.
Com isso, o espaço para redução nos custos de ração se torna mais limitado. Soma-se a esse cenário a indefinição sobre a safrinha, que mantém o mercado atento nos próximos meses, apesar da expectativa inicial de boa produção.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a combinação de incertezas externas, pressão de custos e limitações no ajuste de preços tende a deixar as margens da avicultura mais sensíveis ao longo do ano.
Avicultura
SBSA debate como transformar conhecimento técnico em resultados na avicultura
Especialistas discutem gestão, eficiência e aplicação prática durante evento em Chapecó.

A conexão entre conhecimento técnico, gestão e resultados práticos na produção avícola será discutida durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA). O tema Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura será apresentado pelos especialistas Kali Simioni e João Nelson Tolfo, na quarta-feira, 08 de abril, às 16h30, durante o Bloco Conexões que Sustentam o Futuro, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).
João Nelson Tolfo é médico-veterinário, mestre em Produção Animal e possui MBA Executivo em Liderança e Gestão do Agronegócio. Com mais de 18 anos de atuação na avicultura industrial brasileira, construiu sua trajetória profissional em empresas como BRF e Seara Alimentos, onde atuou como extensionista, supervisor, especialista agropecuário e gerente agropecuário.

Kali Simioni é engenheira agrônoma e mestre pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)
Ao longo de sua carreira, prestou consultoria técnica a mais de 30 plantas industriais, desenvolvendo atividades relacionadas à gestão agropecuária, ambiência, manejo de frangos de corte, elaboração de padrões técnicos, condução de testes zootécnicos e formação de equipes técnicas em extensão rural. Atualmente é empreendedor e sócio-proprietário da Granjas Pampeano, no Rio Grande do Sul, onde atua no desenvolvimento de projetos avícolas voltados à eficiência produtiva, sustentabilidade e excelência operacional.
Kali Simioni é engenheira agrônoma e mestre pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Atua há 22 anos no setor agroindustrial, com experiência nas áreas de extensão rural, gestão e performance agroindustrial na produção de frangos, suínos, perus, postura comercial, matrizes e avós.
Atualmente dedica-se ao aperfeiçoamento dos sistemas de produção, com foco no desenvolvimento das pessoas que atuam na cadeia produtiva, buscando alavancar ganhos em eficiência, produtividade, qualidade, bem-estar animal, competitividade e sustentabilidade agropecuária, além de contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos profissionais do agronegócio.
A palestra abordará os desafios de transformar informações técnicas e orientações produtivas em resultados concretos no campo, considerando fatores como gestão de equipes, eficiência operacional, aplicação de tecnologias e aprimoramento contínuo dos sistemas de produção. O tema destaca a importância de alinhar conhecimento científico, experiência prática e capacitação de profissionais para garantir competitividade e sustentabilidade na avicultura moderna.

João Nelson Tolfo é médico-veterinário, mestre em Produção Animal e possui MBA Executivo em Liderança e Gestão do Agronegócio
De acordo com a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o Simpósio busca promover discussões que conectem ciência e prática. “O SBSA tem como proposta reunir especialistas que compartilhem experiências aplicáveis à realidade da produção. Discutir como transformar conhecimento em resultados é fundamental para fortalecer a cadeia produtiva e apoiar profissionais que atuam diretamente no campo”, destaca.
A presidente da comissão científica do SBSA, Daiane Albuquerque, ressalta que o bloco Conexões que Sustentam o Futuro foi estruturado para ampliar a visão estratégica do setor. “A produção avícola evolui rapidamente e exige cada vez mais integração entre conhecimento técnico, gestão e desenvolvimento de pessoas. Trazer especialistas com experiência prática na indústria contribui para que os participantes compreendam como aplicar as orientações técnicas de forma eficiente e sustentável”, afirma.
O 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura será realizado entre 7 a 9 de abril de 2026 e é considerado um dos principais eventos técnicos da avicultura latino-americana. Paralelamente ao Simpósio ocorre a 17ª Brasil Sul Poultry Fair, feira que reúne empresas nacionais e multinacionais ligadas à cadeia produtiva avícola.
Para acompanhar a palestra e os demais conteúdos da programação científica é necessária inscrição no evento. O segundo lote segue disponível até o dia 26 de março, com investimento de R$ 750,00 para profissionais e R$ 450,00 para estudantes. O acesso à 17ª Brasil Sul Poultry Fair custa R$ 100,00. As inscrições podem ser realizadas no site, acesse clicando aqui.
Programação geral
26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
17ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 07/04 – Terça-feira
13h30 – Abertura da Programação
13h40 – Painel Gestão de Pessoas
Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura.
Palestrantes:
Delair Bolis
Joanita Maestri Karoleski
Vilto Meurer
Luciana Dalmagro – Coordenadora da mesa redonda
15h40 – Intervalo
16h – Commodities em foco: superando barreiras logísticas e incertezas do futuro.
Palestrante: Arene Trevisan
(15 minutos de debate)
17h- Solenidade de Abertura Oficial
17h40 – Palestra de abertura: Cenários Globais 2026
Palestrante: Heni Ozi Cukier – HOC
19h15 – Coquetel de Abertura na 16ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 08/04 – Quarta-feira
Bloco Abatedouro
8h – Velocidade de processamento e qualidade do abate.
Palestrante: Darwen de Araujo Rosa
(15 minutos de debate)
9h – Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar.
Palestrante: Dianna V. Bourassa
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
Bloco Nutrição
10h30 – Granulometria e seu impacto no trato digestivo.
Palestrante: Wilmer Pacheco
(15 minutos de debate)
11h30 – Níveis de Ca e P nas dietas modernas do frango de corte.
Palestrantes: Roselina Angel
(15 minutos de debate)
12h30 – Intervalo almoço
Eventos Paralelos
Painel Manejo
14h00 – Manejo do Frango de Corte Moderno
Palestrantes:
Lucas Schneider
Rodrigo Tedesco Guimarães
16h – Intervalo
Bloco Conexões que Sustentam o Futuro
16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura.
Palestrante: Kali Simioni e João Nelson Tolfo
(15 minutos de debate)
17h30 – Porque bem-estar é crucial para a sustentabilidade?
Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme
(15 minutos de debate)
18h30 – Eventos Paralelos
19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 09/04 – Quinta-feira
Bloco Sanidade
8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosas – enfoque nos diferentes métodos de diagnóstico das doenças respiratórias
Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande
(15 minutos de debate)
9h – Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves.
Palestrante: Dr. Ricardo Rauber
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença.
Palestrante: Gonzalo Tomás
(15 minutos de debate)
11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real.
Palestrante: Taís Barnasque
(15 minutos de debate)
Sorteios de brindes.




