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Suínos / Peixes Tecnologia

Da nutrição ao comportamento, novas tecnologias auxiliam suinocultor na gestão da fazenda

Objetivo da zootecnia de precisão é gerenciar os animais individualmente, monitorando a saúde, o bem-estar e o impacto ambiental deles

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Atualmente as tecnologias utilizadas no campo não são mais nenhuma novidade para o produtor rural. São diversas aquelas em que ele pode utilizar para facilitar o trabalho e aumentar a assertividade do poder de decisão no campo. Algumas tecnologias focadas especificadamente para a produção animal, que estão enquadradas na Zootecnia de precisão, chegam cada vez mais rápido. Para entender melhor esse conceito e quais são as novidades do mercado, a engenheira agrônoma, doutora em Engenharia Agrícola e professora da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp, Daniella Jorge de Moura, falou sobre o assunto durante o Pig Meeting, evento realizado pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet).

Segundo a profissional, em uma pesquisa realizada por ela, a maior dificuldade encontrada, quando se fala em zootecnia e ambiência de precisão, é a implantação destas novidades na suinocultura. “A engenharia agrícola pode contribuir muito no setor de produção animal. Houve uma grande evolução nas granjas e nas tecnologias”, comenta.

Ela explica que o objetivo da zootecnia de precisão é gerenciar os animais individualmente, monitorando a saúde, o bem-estar e o impacto ambiental deles. “As tecnologias oferecem diversos dados e, a partir deles, tomamos decisões mais assertivas para controlar a produção de uma maneira geral. Da mesma forma é com a ambiência. Com todas as tecnologias é possível controlar os dados do ambiente e eles são importantes para que consigamos controlar o local de uma melhor forma”, afirma.

Entre os dados que podem ser monitorados a partir da zootecnia de precisão estão o estresse dos animais e disfunções no ambiente. “Podemos ver o comportamento do animal se está normal ou não, porque o estresse atrapalha a produção”, diz. Daniella explica que quando se fala em estresse térmico, isso é bastante evidente. “As mudanças climáticas estão grandes. Nós vivemos por um mês ondas de calor sem fim. Isso obviamente também traz perdas na produção animal, especialmente quando não temos um sistema de climatização adequado ou problemas de instalação”, observa.

A profissional comenta que anos atrás, quando a produção era de poucos animais, era mais fácil o produtor fazer o controle. “Porém, hoje trabalhamos em escala. Então, a ventilação mecânica, cruzada e outras, todas as tecnologias podem ser utilizadas”, diz. De acordo com Daniella, a diferença entre a ambiência tradicional e a de precisão é que a tradicional controla o ambiente baseada na temperatura. Já a de precisão não controla somente por este fator, mas também a partir de sondas ou sensores que podem ser instalados dentro da granja. “Assim, todo o ambiente está trazendo diversas informações”, conta.

Com a ambiência de precisão é possível controlar a temperatura, gases, ventilação, o consumo de alimento e água, pesagem dos animais e até mesmo o comportamento, afirma. “É importante termos dados do ambiente e assim ter uma resposta mais dinâmica dos animais, com dados de produtividade e comportamento. Assim, pegamos esses dados de forma contínua e com estas respostas conseguimos controlar o ambiente de uma forma muito mais controlada”, comenta.

A profissional explica que existem vários sensores que ajudam o produtor a ter um controle mais tecnificado da granja. “São sensores de medida de água, peso, detecção de agressividade, de problemas respiratórios. É possível ainda usar câmeras, microfones, sensores normais de temperatura. E por que isso é importante? Porque existe um padrão para cada faixa etária do animal. Então, se sai do padrão, pode ser que tenha um problema no ambiente. Você pode detectar com dias de antecedência problemas no bebedouro e até quatro dias antes problemas no comedouro. É ainda possível fazer um monitoramento por imagem, que pode indicar problemas que podem estar acontecendo na granja”, informa. Daniella explica que são dados do ambiente que o produtor extrai um conhecimento e consegue fazer as coisas de uma maneira mais assertiva e adequada.

Ela explica que há várias tecnologias que auxiliam nas atividades e que podem ser controladas quando se usa câmeras, microfones, sensores normais e simples de medidor de água. “Para cada tamanho de suínos há um padrão de consumo de água. Se sai desse padrão é porque tem algo errado que pode estar relacionado a questão de sanidade ou problemas no bebedouro e comedouro”, argumenta. Ela conta que o produtor consegue ainda ter uma estimativa de peso dos animais, que é feito pelas câmeras. “Você consegue mostrar de maneira precisa o peso dos animais, fazendo esse monitoramento das atividades. Com estas tecnologias o produtor tem informações que o permitem saber o que está acontecendo no ambiente”, diz.

Entre outros problemas que tecnologias como câmeras e microfones podem demonstrar ao suinocultor são a detecção de agressividade e problemas respiratórios. “Com o microfone o produtor pode fazer uma análise do som e assim consegue detectar uma tosse ou um espirro do animal fora do padrão. São tecnologias que juntas conseguem dar informações além daquilo que é habitual. Isso é um bom aliado tanto do produtor quanto do médico veterinário”, afirma.

Tecnologia ainda é desafio

De acordo com Daniella, a tecnologia ajuda muito o produtor a saber o que está acontecendo na granja. “Porém, o grande desafio que ainda existe, além do custo, é o problema de como o produtor vai ler os gráficos e dados que são oferecidos por estas tecnologias. Então, é preciso ter treinamento, para o produtor ter confiança em adotar estas tecnologias. É preciso ter o entendimento de como ele vai compreender os dados para ter essa tomada de decisão feita a partir deles”, afirma. Para ela, estes sistemas são de grande ajuda ao suinocultor.

Daniella argumenta que a digitalização dos dados é importante, e se mostrou ainda mais necessária com a pandemia. “Vimos o quanto podemos fazer sem precisar ir até a granja. Eu consigo fazer absolutamente tudo através do computador. Consigo digitalizar tudo e levar para fora. Eu vejo isso na produção animal também, esse trabalho remoto está de acordo com a biosseguridade”, diz.

A profissional defende ainda que as tecnologias existem, porém falta a estrutura necessária no campo para a implementação delas. “É necessário melhor sinal de celular e de qualidade de internet, por exemplo. Pesquisas mostram que são poucos os produtores que fazem suas anotações no computador, muitos ainda usam o velho papel e caneta”, comenta.

Para ela, a ambiência de precisão é uma solução importante para os produtores, que permite o monitoramento remoto dos animais, além de uma maior precisão na tomada de decisão.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Segundo ABPA

Mercados Asiáticos e EUA fortalecem embarques de carne suína em 2020

Vendas para o mercado asiático foram principal destaque, representando 80% do total das exportações da suinocultura brasileira

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Arquivo/OP Rural

No ano em que as exportações brasileiras de carne suína registraram recorde histórico – com 1,02 milhão de toneladas (+36%), número já divulgado pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) – as vendas para o mercado asiático foram o principal destaque, representando 80% do total das exportações da suinocultura brasileira.

Ao todo, a Ásia importou 800,2 mil toneladas em 2020, volume que superou em 66,9% o desempenho registrado ao longo de 2019. A China, líder entre os países importadores (com 50,7% de participação das exportações totais do Brasil) foi destino de 513,5 mil toneladas, volume 106% superior ao exportado em 2019. Vietnã, com 40,3 mil toneladas (+198%), Cingapura, com 52,1 mil toneladas (+50%) e Japão, com 11,5 mil toneladas (+91%) também apresentaram alta nas vendas no ano passado.

Os países da África também se destacaram entre os destinos, com 60,9 mil toneladas (+5,3%). O mercado angolano é o maior destino da região, com 28,4 mil toneladas (+5,6%).

Para os destinos das Américas foram exportadas 128,1 mil toneladas (-5,9%). Os Estados Unidos importaram, no período, 7,9 mil toneladas (+30,4%).

“Os impactos da Peste Suína Africana na Ásia, que determinaram o ritmo das vendas de 2020, devem continuar a influenciar as vendas dos exportadores brasileiros no mercado internacional em 2021”, avalia o diretor de mercados da ABPA, Luís Rua.

Conforme os levantamentos da ABPA, foram habilitadas 15 novas plantas exportadoras de carne suína, para destinos como Chile, Filipinas, Singapura, Vietnã e África do Sul.

Fonte: Assessoria ABPA
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Suínos / Peixes Segundo Cepea

Setor suinícola pode registrar mais um ano favorável

Para 2021, a expectativa é de que, mesmo com o custo de produção elevado, o balanço positivo se repita

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Arquivo/OP Rural

Apesar das dificuldades provocadas pela pandemia de covid-19, a suinocultura brasileira encerrou o ano de 2020 com preços, abate e embarques recordes. Para 2021, a expectativa é de que, mesmo com o custo de produção elevado, o balanço positivo se repita.

De acordo com pesquisadores do Cepea, a demanda externa por carne suína deve continuar firme, sustentada pelas compras chinesas, ao passo que a procura interna deve ser favorecida pela possível retomada econômica.

Os custos de produção, contudo, devem continuar sendo um grande gargalo ao setor em 2021. Isso porque os valores dos dois principais componentes da ração, o milho e o farelo de soja, devem se manter altos neste ano, tendo em vista as aquecidas demandas interna e externa por esses grãos.

Esse cenário tende a pressionar, por mais um ano, o poder de compra dos suinocultores.

Fonte: Cepea
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Suínos / Peixes Segundo ABPA

Exportações de carne suína confirmam recorde em 2020

Vendas internacionais de carne suína totalizaram 1,021 milhão de toneladas

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Arquivo/OP Rural

O resultado consolidado das exportações brasileiras de carne suína e de carne de frango confirmam as previsões feitas pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) para 2020.

As vendas internacionais de carne suína (incluindo todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 1,021 milhão de toneladas nos 12 meses, número 36,1% superior ao registrado em 2019, quando foram exportadas 750,3 mil toneladas.

A receita cambial das vendas chegou a US$ 2,270 bilhões, resultado 42,2% maior que o alcançado em 2019, com US$ 1,597 bilhão.

Em carne de frango, as vendas de 2020 alcançaram 4,230 milhões de toneladas, superando em 0,4% o total embarcado em 2019, com 4,214 milhões de toneladas.

A receita das exportações do ano chegou a US$ 6,123 bilhões, desempenho 12,5% menor em relação aos 12 meses de 2019, com 6,994 bilhões.

“Seja pelo recorde de exportações de suínos, superando 1 milhão de toneladas pela primeira vez na história, como pela alta nos embarques de aves, as projeções setoriais estabelecidas pela ABPA e confirmadas nas vendas finais reforçam o bom momento para o Brasil no mercado internacional, a despeito de um ano desafiador em todos os sentidos. A perspectiva é que o ritmo positivo se mantenha em 2021, com a esperada retomada econômica internacional”, avalia Ricardo Santin, presidente da ABPA.

Embarques de dezembro

As exportações de carne suína totalizaram 80,3 mil toneladas em dezembro, volume 5,6% maior em relação às 76 mil toneladas embarcadas no mesmo período de 2019.

Em receita, a alta é de 4,1%, com US$ 191,2 milhões no último mês de 2020, contra US$ 183,6 milhões em dezembro de 2019.

No mesmo período comparativo, as vendas de carne de frango chegaram a 380,8 mil toneladas, volume 2,8% menor em relação ao mesmo período de 2019, com 391,9 mil toneladas. A receita das exportações de dezembro chegou a US$ 579,6 milhões, número 8,9% menor em relação ao saldo do último mês de 2019, com US$ 636,1 milhões.

Fonte: Assessoria
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