Bovinos / Grãos / Máquinas
Da areia, soja!
Destaque por sua produção de carne bovina e de cana-de-açúcar, o Noroeste do Paraná era desacreditado para o cultivo de grãos, mas o que parecia inviável hoje se mostra uma fonte crescente de produção da soja
Perda de tempo e dinheiro. Era isso que o produtor paranaense pensava há 15 anos, quando foi estimulado a plantar soja no solo arenoso do Noroeste do Paraná. Para muitos, era loucura. Destaque por sua produção de carne bovina e de cana-de-açúcar, a região era desacreditada para o cultivo de grãos, mas o que parecia inviável hoje se mostra uma fonte crescente de produção da oleaginosa. Mais que isso, a soja promoveu a integração lavoura-pecuária no Noroeste, melhorou a qualidade do solo e garantiu uma segunda renda aos pecuaristas da região.
Na Fazenda Flamboyant, no município de Perobal, vizinho a Umuarama, os 315 hectares são tomados pelo gado entre maio e agosto. De setembro a abril, a paisagem muda drasticamente, com grandes talhões cultivados com soja. O produtor Gerson Bortoli abriu as porteiras da fazenda para a Reportagem de O Presente Rural em dezembro. Ele garante que a ideia de que soja não dá no arenito é falsa. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) do Paraná, a média na região de Umuarama para a safra 16/17 deve chegar a 3.320 quilos por hectare, maior que a média total do Estado na safra anterior (3.129 quilos/ha).
“Eu mexia sempre com pecuária. Só pecuária. Quando teve um programa que estimulou a soja na região, eu decidi apostar. Muitas pessoas apostaram, mas foi um ano seco, que acabou frustrando as safras. Tiveram muitos casos de fracasso e por isso muita gente parou, mas eu decidi tentar um pouco mais, integrando lavoura e pecuária. Comecei com 20 alqueires, mas vi que estava dando certo e fui aumentando a área. Hoje a fazenda tem gado no inverno e soja no verão. Minha produtividade gira em torno de 70 a 80 sacas por hectare, mas já cheguei a colher 91 sacas”, conta Bortoli.
A Fazenda Flamboyant produz entre 500 e 600 cabeças de gado de corte, que são transferidos no início do clima quente para uma outra propriedade. “De maio a meados de agosto o boi pasta. A fazenda vira pecuária. Quando chega o tempo do plantio da safra de verão, os animais são transferidos para uma segunda propriedade de Brotoli, a 35 quilômetros de distância em linha reta.
Na Flamboyant, onde é introduzida a soja fica o restante do pasto, que serve de palhada para manter a umidade do solo e proteger da erosão. De acordo com o proprietário, as erosões ocorrem mais facilmente no arenito que em outros solos, como o argiloso do Norte e Oeste do Paraná. “Quando eu transfiro o gado, sobra pasto. Esse pasto vai servir de palhada, que vai evitar a erosão com a chuva e fazer a soja crescer parelha. Quem não tem essa palhada tem uma lavoura rala, com falhas”, conta. Na região, a Reportagem observou várias lavouras com problemas causados pela falta de proteção do solo (veja na foto 3). “O grande segredo do arenito é o manejo do solo”, revela o produtor rural.
Soja para Reformar o Solo
Para Bortoli, além de garantir uma renda a mais na fazenda, a soja tem papel fundamental na reforma de pastagens degradadas. Ele usa a soja ao invés de precisar reformar os solos com insumos. “Para reverter um solo degradado precisaria investir em calcário, gesso, adubo, sementes de capim. Isso ficaria muito Caro. A soja é uma boa alternativa para isso, além de ser uma renda a mais com a safra de verão”, explica.
Investimento X Retorno
“Tenho duas fazendas bem próximas. Em uma, tenho a integração lavoura-pecuária. Em outra, só pecuária, além de arrendar para o plantio de mandioca. Percebo claramente que entre as duas, a que também produz soja é mais rentável”, conta Bortoli, de 58 anos.
Para começar a produzir a oleaginosa, o produtor do Noroeste investiu em uma pequena plantadeira, mas o negócio deu tão certo que os investimentos não pararam. Vieram novos tratores, um pulverizador, uma colheitadeira e novas plantadeiras. Hoje, com a expectativa de uma boa safra de verão, entende que o investimento foi acertado. “Fazer a integração lavoura-pecuária foi decisivo para a fazenda”, frisa.
Mais informações você encontra na edição do Anuário Paranaense do Agronegócio de 2016.
Fonte: O Presente Rural

Bovinos / Grãos / Máquinas
Pecuária brasileira investe em rastreabilidade e práticas sustentáveis para modernizar o setor
Programa da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável orienta produtores sobre recuperação de pastagens, formalização e monitoramento da cadeia para aumentar eficiência e atender exigências ambientais e comerciais.

Pressionada por novas exigências ambientais, regras comerciais mais rigorosas e pela necessidade de ampliar a produção sem expandir área, e ao mesmo tempo impulsionada pelos avanços produtivos que vêm transformando o setor, a pecuária brasileira atravessa um momento decisivo. Ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre emissões e desmatamento, o setor reúne condições técnicas e práticas sustentáveis para liderar uma transição baseada em tecnologia, eficiência, recuperação de áreas já abertas e maior integração dos produtores à cadeia formal.
Nesse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável tem reforçado sua atuação como articuladora de propostas estruturantes e como referência técnica para o debate público. A entidade sustenta que a competitividade da carne brasileira dependerá da capacidade de transformar o momento atual em ativos estratégicos.

Presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes: “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe” – Foto: Clever Freitas
Um dos pilares dessa agenda é a recuperação de pastagens degradadas, apontada como eixo central do Caminho Verde, política pública defendida pela instituição para impulsionar a intensificação sustentável da atividade. A estratégia parte de um diagnóstico claro: “o Brasil possui um volume importante de áreas consideradas de baixa produtividade. Requalificá-las, por meio de manejo adequado, melhoria do solo, tecnologias e integração de sistemas, permite elevar a produção por hectare, reduzir emissões relativas e otimizar a produção”, explica a presidente, Ana Doralina Menezes.
De acordo com a profissional, o programa representa uma solução pragmática e alinhada às demandas globais. “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe. Recuperar pastagens é aumentar eficiência, melhorar renda no campo e responder de forma concreta aos compromissos climáticos”, afirma.
A transformação, porém, não se limita à dimensão produtiva. Parte relevante do desafio está na reinserção de pecuaristas na cadeia formal. A informalidade restringe acesso a crédito, assistência técnica, mercados que exigem comprovação socioambiental, além de fragilizar a imagem do setor como um todo, por isso é imprescindível que o pecuarista esteja alinhado e de acordo com o Código Florestal vigente.

Foto: Breno Lobato
Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a inclusão é condição para que a transição seja efetiva. “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado. A formalização precisa ser vista como instrumento de fortalecimento econômico e não apenas como obrigação”, destaca.
A ampliação da rastreabilidade também integra esse movimento, uma vez que ela se apresenta como infraestrutura que conecta sanidade, ambiente e gestão. Em relação ao mercado, com compradores cada vez mais atentos à origem e à conformidade ambiental, sistemas consistentes de monitoramento tornam-se fator determinante para manutenção e novas aberturas. Por isso, como reforça a Mesa, transparência é elemento estruturante da competitividade. “Rastreabilidade é credibilidade. Ela protege quem produz corretamente e permite que o Brasil apresente dados sólidos sobre sua cadeia”, frisa Lisandro.
Ao articular recuperação de pastagens no âmbito do Caminho Verde, inclusão produtiva e avanço da rastreabilidade, a instituição busca incentivar o setor de forma propositiva diante das transformações regulatórias e comerciais em curso. “Mais do que reagir a pressões externas, a estratégia é demonstrar que produtividade, responsabilidade socioambiental e inserção competitiva podem avançar de forma integrada, incentivando o produtor a atuar como centro da solução”, complementa Ana Doralina.
Uma agenda conectada ao campo

Lisandro Inakake de Souza, vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável: “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado” – Foto: Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável
Para apoiar o pecuarista nos temas estratégicos que vêm moldando o futuro da atividade, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável iniciou 2026 com uma programação propositiva de webinars voltados à qualificação e à disseminação de informação técnica.
No dia 29, foi realizado o segundo encontro dedicado à reinserção de produtores na cadeia formal. Em 26 de fevereiro, o foco esteve na rastreabilidade, aprofundando desafios e caminhos para ampliar transparência e conformidade. Um terceiro webinar sobre reinserção está previsto para maio, dando continuidade às discussões.
Todos os conteúdos já disponibilizados podem ser acessados no canal oficial da instituição no YouTube, ampliando o alcance das orientações e fortalecendo o diálogo com produtores, técnicos e demais elos da cadeia.
“Nosso compromisso é transformar temas complexos em orientação prática para quem está no campo. Quando promovemos debates sobre recuperação de pastagens, reinserção na cadeia formal e rastreabilidade, estamos oferecendo instrumentos concretos para que o produtor tome decisões mais seguras, amplie sua competitividade e participe de forma ativa dessa nova etapa da pecuária brasileira”, finaliza a presidente.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Sistema Faep assume coordenação da Aliança Láctea Sul Brasileira no biênio 2026/27
Fórum reúne entidades e produtores para discutir estratégias de competitividade e desenvolvimento da cadeia do leite.

O Sistema Faep está à frente da coordenação geral da Aliança Láctea Sul Brasileira para o biênio 2026/27. O comando é rotativo entre os Estados participantes e, neste novo ciclo, ficará sob responsabilidade do Paraná, representado pelo Sistema Faep. Mais recentemente, o Mato Grosso do Sul passou a integrar a iniciativa, ampliando a articulação regional em torno do fortalecimento da produção e da competitividade do leite brasileiro.

Ronei Volpi, coordenador geral da Aliança Láctea, em sua propriedade – Foto: Divulgação/Sistema Faep
“A Aliança contribui para a integração entre os Estados e a construção de estratégias conjuntas voltadas à cadeia do leite. O Sistema Faep seguirá trabalhando ao lado das entidades do setor para avançar em pautas que ampliem a competitividade e as oportunidades para a produção”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Criada em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira é um fórum público-privado que reúne representantes do setor produtivo e de instituições dos estados da região Sul. O grupo discute ações voltadas à cadeia leiteira e busca alinhar iniciativas nas áreas de produção, indústria e comercialização de leite e derivados, com foco nos mercados interno e externo. No ciclo 2026/27, a coordenação será exercida pelo consultor do Sistema Faep, Ronei Volpi, produtor rural com atuação há décadas na cadeia leiteira e participação em discussões voltadas ao desenvolvimento do setor.
A agenda de trabalho da Aliança para 2026 começou recentemente. No início de março, o Sistema Faep foi anfitrião da primeira reunião do ano, quando foram apresentados o Plano de Incentivo à Exportação de Lácteos e o plano de trabalho voltado à sanidade na cadeia leiteira, iniciativas que buscam fortalecer a competitividade do setor e ampliar oportunidades de mercado para os produtores da região.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Demanda externa impulsiona exportações brasileiras de carne bovina
Volume embarcado supera 267 mil toneladas em fevereiro, com crescimento expressivo em mercados como Rússia, México e Chile.

As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 267.319 mil toneladas em fevereiro de 2026, com receita de US$ 1,44 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).
Na comparação com fevereiro de 2025, o resultado representa crescimento de 21,6% no volume embarcado e de 38,2% na receita, refletindo a ampliação da demanda internacional pela proteína brasileira. O desempenho também supera levemente o registrado em janeiro de 2026, quando as exportações somaram US$ 1,404 bilhão e 264 mil toneladas, consolidando o melhor resultado já registrado para um mês de fevereiro na série histórica.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 531.298 toneladas, com receita de US$ 2,84 bilhões, avanço de 23,8% em volume e 39,2% em valor em relação ao mesmo período do ano passado.
A carne bovina in natura segue como principal produto exportado, com 235.890 toneladas embarcadas em fevereiro, o equivalente a 88,2% do volume total exportado e 92,2% da receita obtida no mês.
Entre os destinos, a China permanece como principal mercado, com 106.702 toneladas importadas em fevereiro, seguida pelos Estados Unidos, com 39.440 toneladas, além de Rússia (15.762 t), Chile (13.857 t) e União Europeia (9.084 t) entre os principais compradores da carne bovina brasileira.

Foto: Divulgação/Porto de Santos
Entre os mercados relevantes, Rússia, México e Chile apresentaram crescimento expressivo nas compras em relação ao mês anterior, com altas de 111,6%, 132% e 37,6%, respectivamente, enquanto as exportações para a União Europeia avançaram 21,2% no período.
Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, os números reforçam a presença da carne bovina brasileira no comércio internacional. “O Brasil segue ampliando sua presença nos mercados internacionais com regularidade de oferta, qualidade do produto e diversificação de destinos, fatores que sustentam o crescimento das exportações de carne bovina”, conclui.
