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Suínos / Peixes Mercado

Custos de produção devem continuar sendo gargalo na suinocultura em 2021

De acordo como Cepea, os valores dos dois principais componentes da ração, o milho e o farelo de soja, devem se manter altos neste ano

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Jean Paterno/Coopavel

Os custos de produção são um importante item na suinocultura. É por conta deles que muitos suinocultores tem grandes dores de cabeça. No ano passado, o milho e o farelo de soja foram responsáveis pelo grande aumento nos custos. E, segundo os indícios do mercado, serão novamente este ano.

Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, os custos de produção devem continuar sendo um grande gargalo ao setor em 2021. Isso porque os valores dos dois principais componentes da ração, o milho e o farelo de soja, devem se manter altos neste ano, tendo em vista as aquecidas demandas interna e externa por esses grãos. Esse cenário tende a pressionar, por mais um ano, o poder de compra dos suinocultores.

De acordo com a equipe de Grãos do Cepea, em 2021, a relação estoque/consumo final de soja pode ser a menor das últimas nove temporadas, o que poderá dar sustentação aos preços domésticos tanto da soja quanto de seus derivados no decorrer de 2021. No caso do milho, os estoques também estão baixos. Além disso, a demanda firme e as incertezas quanto ao tamanho da oferta da temporada 2020/2021 devem manter os preços internos do milho neste ano em patamares acima da média de anos anteriores.

Ainda segundo o Cepea, apesar dos reveses provocados pela pandemia de Covid-19, a suinocultura brasileira encerrou o ano de 2020 com preços, abate e embarques recordes. Para 2021, a expectativa é de que, mesmo com o custo de produção elevado, o balanço positivo se repita. A demanda externa por carne suína deve continuar firme, sustentada pelas compras chinesas, ao passo que a procura interna deve ser favorecida pela possível retomada econômica.

Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam que a produção brasileira de carne suína pode aumentar 3,5% em 2021 frente ao projetado para 2020, passando para quase 4,4 milhões de toneladas. Esse crescimento é similar ao apontado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que estima alta de 3,6% na produção brasileira, totalizando 4,1 milhões de toneladas.

Do lado da demanda, a ABPA estima elevação das exportações em torno de 10% de 2020 para 2021, ao passo que os números apontados pelo USDA indicam aumento um pouco mais conservador, de 4,2%. Além da continuidade do bom ritmo de embarques para a China, há, ainda, a expectativa de incremento nas vendas a outros destinos, especialmente na Ásia.

O Cepea aponta ainda que apesar de a comercialização com os chineses continuar aquecida, o país asiático já sinaliza a retomada gradual da recomposição do rebanho de suínos, que foi dizimado pela peste Suína Africana (PSA). Segundo os especialistas, esse movimento tem deixando produtores brasileiros em alerta, diante das possíveis implicações nos médio e longo prazos.

No caso da demanda interna, segundo o Boletim Focus, do Banco Central, de 31 de dezembro de 2020, o PIB deve ter crescimento de 3,4% em 2021. Ainda que essa taxa seja menor do que a projetada anteriormente, esse avanço já é um estímulo para as vendas de carne suína no mercado doméstico, que podem crescer até 2%, de acordo com a ABPA, e cerca de 3,5%, segundo o USDA. A recuperação do mercado de “food service” tende a ser um dos pilares dessa melhora.

O mercado em 2020

Segundo levantamento do Cepea, a pandemia de covid-19 trouxe para a suinocultura brasileira um cenário de incertezas e de muitos desafios em 2020. Depois de caírem com força entre março e abril, os valores tanto do suíno vivo quanto da carne iniciaram um movimento de recuperação em todas as praças acompanhadas pelo Cepea, atingindo recordes reais em setembro. As exportações e os abates também foram recordes.

Os preços do suíno vivo e da carne registraram quedas acentuadas entre meados de março e abril, período em que as recomendações de distanciamento social e decretos municipais e estaduais impactaram significativamente a demanda por produtos suinícolas. Enquanto o mercado de carne apresentou baixa liquidez, diante de restaurantes e de outros serviços de alimentação fechados e/ou trabalhando de forma parcial, a indústria acumulou estoques, e a demanda por novos lotes de animais para abate ficou menor.

Já em maio, mostra o Cepea, o mercado nacional de suínos voltou a se aquecer, impulsionado pelas exportações brasileiras da proteína, que bateram recorde (101,1 mil toneladas, segundo a Secex) e pelo aumento da procura interna. Nos meses seguintes, os embarques seguiram registrando bom desempenho. A China seguiu sendo o maior destino da carne, o que vem sendo observado desde março/2019. De janeiro a novembro de 2020, o país foi destino de 50,4% dos embarques nacionais da proteína suína, o equivalente a 468,6 mil toneladas, aumento de expressivos 115% frente ao mesmo período de 2019, segundo dados da Secex.

Considerando-se o total dos embarques, foram exportadas 901,1 mil toneladas de carne suína in natura na soma de 2020, um recorde. E o setor exportador também foi favorecido pelo câmbio. A receita com as vendas somou R$ 11,02 bilhões de janeiro a dezembro, 90,5% acima da obtida em 2019 e também recorde.

No mercado interno, o auxílio emergencial do governo federal e a gradativa retomada das atividades econômicas, assim como a alta nos preços da carne bovina, impulsionaram as vendas da proteína suína e, consequentemente, as do animal vivo.

Nesse contexto, os preços internos do vivo e da carne disparam, atingindo, em setembro, recordes reais em todas as praças acompanhadas pelo Cepea e renovando as máximas nos meses seguintes. No Oeste Catarinense, o animal chegou a ser negociado a R$ 9,70/kg em novembro, o valor mais alto dentre as regiões.

Apesar da menor oferta de animais para abate em determinados momentos, especialmente em setembro, dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia) indicam produção recorde de suínos de janeiro a setembro de 2020, totalizando 36,8 milhões de animais abatidos.

Mesmo com o bom desempenho das exportações e com os preços recordes registrados em parte do ano, o poder de compra do suinocultor frente aos insumos da alimentação recuou frente a 2019. Isso porque os valores do milho e do farelo subiram ainda com mais força em 2020, prejudicando as margens do produtor, especialmente no encerramento do ano.

Considerando-se o milho comercializado no mercado de lotes da região do Indicador de Campinas (SP) e o suíno negociado na praça de SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), foi possível ao suinocultor adquirir 6,62 quilos do cereal com a venda de um quilo de animal na média de 2020. A quantidade é 9,9% menor que a média de 2019.

Frente ao farelo de soja comercializado em Campinas, foi possível ao suinocultor a compra de 3,45 quilos do derivado com a venda de um quilo de animal vivo na média de 2020, queda de 10,7% na comparação com 2019.

Saiba o que pensam lideranças dos principais estados produtores para a suinocultura em 2021

Para entender melhor como cada Estado avalia a atual situação quanto aos custos de produção e quais são as perspectivas para 2021, a reportagem de O Presente Rural conversou com os presidentes e representantes das associações de suinocultores dos principais Estados produtores. Acompanhe:

 Rio Grande do Sul

Presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdecir Luis Folador

Dois mil e vinte foi um ano diferente, quando começamos primeiro semestre viemos de patamares normais, tanto de preço de milho quanto de farelo de soja, preços até um pouco acima da média em função do Estado ter sofrido estiagem em 2019 e 2020, teve perdas de produção e isso encareceu um pouco o milho no nosso Estado. Mas foi a partir do segundo semestre que nós vimos uma explosão do preço do milho e do farelo. Vimos o milho saindo de um preço de R$ 46,50 a saca para R$ 90 a saca, e o farelo saindo de um preço de R$ 1,5 mil a tonelada 2,8 mil fechando o ano a R$ 2,4 mil. Então os desafios realmente do setor nesse ano de 2021 será com o custo de produção e como nós olhamos o custo de produção médio. O suíno, da Embrapa que publica todo mês, nós começamos o ano com um custo de produção a R$ 4 e terminamos o ano com um custo de produção médio chegando quase a R$ 7 o quilo, então realmente deixou todo mundo preocupado em função de que os preços dos suínos eles vem se mantendo, vem cobrindo esses custos, tendo volume de exportações no mercado interno até final do ano também, mesmo com a pandemia ajudou, com a questão do auxílio emergencial do Governo Federal, que foi um dinheiro que acabou indo bem, principalmente direcionado para compra de comida. Então, podemos dizer que o mercado andou bem, o volume de exportação foi excepcional.

Agora 2021 preocupa um pouco, olhando o cenário externo a princípio as exportações caminham tudo dentro da normalidade, os volumes que vem acontecendo nesse mês de janeiro são normais, as projeções são boas. O que preocupa é o mercado interno em função de não mais ter esse dinheiro do auxílio emergencial, ele deixa de circular e grande parte dele, ousaria dizer que 80% desse dinheiro, ia para compra de alimentação, de comida, entre elas a carne suína. Então é um ano de custos desafiadores.

A variação de preço paga aos produtores em 2020 do Rio Grande do Sul pode ser dividida em três momentos: tivemos em janeiro até meados de março preços com alguma estabilidade, preços em alta, pujando, subindo a cada semana um pouco, chegando na casa dos R$ 6 o quilo. Ai no dia 15 de março quando veio a notícia da pandemia, dessa questão toda de diminuição da circulação, os preços despencaram até meados de maio, mais ou menos, onde o preço caiu quase R$ 2 o quilo, chegando a uma média paga ao produtor de R$ 4 o quilo. Após a segunda quinzena de maio o mercado voltou a se recuperar, as exportações se mantiveram em alta durante todos os meses do ano e fez com que voltasse novamente os preços para cima, os preços foram subindo semana a semana e chegamos ao maior preço em torno de R$ 8,70 o quilo. Então foi uma escalada de preços a partir de maio bastante interessante que deixou com que o produtor fechasse a conta do ano todo, porque ele passou praticamente seis meses do ano no 0 a 0 em função da queda dos preços de março a maio e o custo de produção no segundo semestre que estourou. Então jogando tudo isso em um balanço que fecha de primeiro de janeiro a 31 de dezembro a gente vê que o produtor teve resultados, teve ganhos e teve margem, mas não foi nada extraordinário, foi uma margem de lucro dentro daquilo que é normal dentro de uma atividade produtiva comercial. Então tivemos essa possibilidade de que o mercado externo nos ajudou muito em 2020 porque exportamos mais de 1 milhão de toneladas de carne suína e isso fez toda a diferença na balança comercial do nosso custo de produção.

Para 2021 eu espero que os preços se mantenham nestes patamares, porque os custos não estão dando refresco e nós estamos com custos de produção nesse início de janeiro com o milho chegando na casa dos R$ 90 a saca, farelo de soja a R$ 2,8 mil a tonelada, e milho e farelo de soja representam 90% da composição de uma fórmula de ração, e lá fora que subiu os preços das vitaminas, minerais, vacinas e medicamentos, tudo subiu também com o preço do dólar. Então nós tivemos também uma escalada de custos bastante alta. Custos de produção hoje deve fechar próximo da casa do R$ 7 o quilo. Com o preço do suíno para o produtor tem que se manter, para o produtor independente, fora do sistema de integração, que faz a comercialização da produção, é acima de R$ 7 para fechar a conta, porque senão não fecha. E ninguém mais tem estoque de produto barato. Milho a menos desses preços que hoje são praticados, farelo de soja quem tinha estoque lá trás foi consumindo esse estoque e hoje está comprando com o preço real do mercado. E ainda nós temos aqui no Estado uma safra muito quebrada do milho, por conta da estiagem que nós tivemos nos meses de setembro, outubro e novembro. Então a safra do milho aqui comprometeu em torno de 60% da produção de oferta. Então os preços do milho vão ser extremamente altos o ano todo e a expectativa do mercado externo se em fevereiro continuar tendo o mesmo movimento, se a China continua sendo uma grande importadora de carne suína brasileira, em torno de 60%, a Ásia toda representa 80% da carne suína brasileira vendida. E é bom? É bom, vamos aproveitar e vender. Mas nós estamos na mão de um único mercado, 80% da nossa exportação, que tem que ser exportada porque aqui o mercado interno não comporta absorver esse produto, estamos na mão da Ásia. É bom, é positivo, mas ao mesmo tempo é preocupante, porque se a China resolve criar qualquer problema, alguma restrição, que pode afetar nós exportarmos normalmente para lá a pancada é muito grande. Então a princípio tudo sinaliza que será um ano estável, com a questão de manter os preços de suínos compatíveis para cobrir custos de produção. Mas há uma preocupação bastante grande de produtores, com a questão dos custos realmente de oferta de milho no primeiro semestre.

A única solução para ter mais lucratividade em margens ajustadas é ter um preço de venda acima do custo de produção para deixar margem para o produtor, porque hoje o produtor já é muito eficiente, produtivo e capacitado da porteira para dentro, há sempre ajustes para fazer, sempre é possível melhorar alguma coisa dentro da granja no aspecto de produção, produtividade e custo ainda que pode cortar. E a gente conseguir que o mercado rode e que tivesse uma melhor oferta de milho no mercado interno, mas isso depende da colheita e do clima, e o nosso Estado infelizmente, a colheita de milho que começa agora no Rio Grande do Sul a quebra é extraordinária. Então não tem muito milagre a fazer a não ser um mercado estável e remunerador para cobrir o custo de produção.

Algo importante que sempre tenho falado é de que tenhamos cautela, cuidado com crescimento e investimentos, crescer em produção além da oferta com a demanda de mercado. Hoje estamos exportando muito para a China, mas eles já estão comprando muito por um problema sanitário que eles tiveram no início de 2017 e eles vêm sanando esse problema, daqui a pouco eles vão continuar sendo nossos importadores, mas em um volume menor. E se a China deixar de importar 30% do volume que ela importa hoje do Brasil vamos colocar esse produto onde? No mercado interno pode ficar, mas a que preço? Então é importante que o setor esteja consciente nesse sentindo de crescer, evoluir, melhorar, fazer investimentos, mas não podemos sair de forma inconsequente ampliando produção porque daqui a pouco essa carne vem para o mercado e ela precisa ser vendida para alguém. Se tivermos comprador mais do que vendedor os preços vão lá para baixo. Então é importante ter essa cautela, esse cuidado e que se faça essa análise para médio e longo prazo.

 Santa Catarina

Presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi

O ano de 2020, apesar de ter sido bom na nossa atividade, tivemos um susto no início do ano, devido a questão da pandemia. Saímos em janeiro comercializando o suíno no mercado independente a R$ 5,58 em quilo, enquanto o custo estava a R$ 4,27. A partir de março, abril nós tivemos aquela parada toda por causa da pandemia, e realmente os custos caíram bastante, nós chegamos em alguns casos comercializar o suíno a R$ 3 o quilo posto no frigorifico, aumentando muito o prejuízo do produtor porque o custo subiu, indo para R$ 4,60. No final do ano, em dezembro tivemos uma média no independente de venda a R$ 7,80 com o custo de R$ 7, no mês de dezembro. Isso mostra o quanto o mercado oscilou e também a questão do custo que só foi aumentando. Avaliando uma média do ano passado entre custo e valor de venda, nós tivemos um custo médio de R$ 5,60 para produzir cada quilo de suíno e foi comercializado em uma média de R$ 6,31 o quilo. Trouxe sim uma margem de lucro para nós produtores, foi um ano histórico também na nossa atividade, tivemos bons motivos para comemorar, mas o grande volume de exportação que aconteceu, no ano passado nós passamos no Brasil de 1,20 milhão de toneladas exportadas, e Santa Catarina contribuiu com 479,88 mil toneladas exportadas. Desse volume nós temos uma preocupação muito grande para este ano porque foram exportadas no ano passada 302,3 mil toneladas para o mercado chinês. Então esse ano nós temos que dar uma avaliada boa de como vai ficar essa relação com os Estados Unidos e China para ver se eles vão importar mais carne de lá nós vamos perder aqui, se eles importarem mais grãos de lá quem sabe aqui cai o nosso custo de produção para a gente continuar tendo essa margem de lucro dentro da nossa atividade. É realmente preocupante essa situação.

Mas a produção foi boa dentro do nosso Estado, nós crescemos em torno de matrizes alojadas a campo nós tínhamos em 2019 446 mil matrizes e fechamos o ano com uma média de 452 mil matrizes, melhorando a produtividade também, que isso é um fator importante e também o peso de carcaça aumentou no ano passado, dos mercados exigindo mais gordura na carne e com a melhoria genética que aconteceu tiveram que colocar mais peso nos animais para poder atender esses mercados que fazem essa exigência com relação ao maior volume de gordura na carne.

A variação de preço pago ao produtor foi muito grande, como eu citei saindo de R$ 5,58 no início de janeiro para uma média de R$ 7,80 e dezembro. Foi realmente uma variação muito grande, embora quando a gente viu que as grandes indústrias compravam do mercado independente ultrapassou os R$ 10 alguns produtores comercializando. Então isso mostra essa instabilidade de preço que estamos vendo hoje no mercado que tem afetado muito os nossos produtores, porque não tem uma garantia, você não pode planejar muito sobre aquilo que está dando no momento porque um tempo depois pode ser que caia muito o preço, porque tudo depende de mercado exportador, depende de dólar, de consumo no mercado interno. Então tudo isso tem trazido uma insegurança para nossa atividade com relação a preços.

No ano passado tivemos uma margem de lucro muito boa quando comparado a anos anteriores, principalmente olhando nos últimos quatro anos, que eu vejo que a suinocultura deve ser avaliada a cada cinco anos e ver como ela está na lucratividade do produtor, se está sobrando ou não, a forma como a gente produz dentro da propriedade rural, e todos lembram da crise de 2016 que muitos produtores deixaram a atividade, não conseguiram mais tocar a atividade, e realmente essa é uma preocupação que a gente tem. A partir de 2017 começou uma pequena melhora e 2018 também, e realmente em 2020 consagrou-se como o melhor dos últimos 10 anos dentro da nossa atividade, por toda aquela exportação, que foi realmente muito positiva e o Estado ganhou muito com isso, passando de US$ 1 bilhão as exportações de carne suína, e é claro, todo mundo comemorando estas exportações porque trouxe uma lucratividade muito forte para o campo, que era o que a gente precisava. Muito tempo não tínhamos lucratividade no meio rural como foi no ano passado e isso precisa também para este ano, porque nós estamos mudando a nossa propriedade para trabalhar dentro do bem-estar animal, principalmente propriedades antigas e que tem muito a se fazer e precisa de investimentos. Então nós precisamos fazer com que a nossa suinocultura seja viável para manter o produtor no campo, investindo, fazendo a sucessão familiar, enfim, fazendo a produção de alimentos, que é algo muito sagrado. E produzir a proteína animal é trabalhar 365 dias por ano e estar sempre de plantão porque muitas coisas acontecem à noite e o produtor tem que estar lá para poder resolver.

O ano de 2021 realmente está muito preocupante porque nas duas primeiras semanas do ano tivemos ainda bons preços pagos ao produtor devido ao grande volume de vendas no natal e final de ano. Depois foi feita essa reposição dos estoques e o mercado travou completamente. Para se ter uma ideia, como falei anteriormente, antes vendíamos a R$ 7,80 em dezembro e hoje já estamos com uma comercialização de R$ 5,80 a $6 o kg, o que não cobre os custos de produção. Nós estamos passando de R$ 7 com o custo de produção e isso é uma preocupação grande porque nós não temos garantia de milho, de soja, porque tudo isso está sendo exportado em um grande volume por mercados como a China que também compra a carne, mas também está levando muita proteína animal, e essa é a grande preocupação, muito milho vinha do Paraguai, e agora com a alta do dólar também está difícil de trazer, não dá viabilidade econômica, trazer do Mato Grosso também tem a questão da distância. Então hoje nós temos milho em algumas regiões de Santa Catarina passando dos R$ 90 e o farelo de soja chegando na propriedade a R$ 3 mil a tonelada. Então isso tira toda a tranquilidade do produtor e começa a levar boa parte do lucro que sobrou ano passado. Então até quando vai durar isso? Essa é a preocupação que a gente vê. Eu acredito que nós teremos janeiro e fevereiro dois meses bem complicados, depois a partir de março com a vacina que está chegando, é claro que está imunizando poucas pessoas ainda, mas já temos a imunização de rebanho, como todo mundo fala, e volta as aulas, então as coisas começam a entrar em uma maior normalidade, e isso vai melhorar o consumo da carne suína e eu acredito que vai aumentar também os preços e o produtor vai ter a lucratividade mais garantida quando isso ocorrer.

É difícil falar dessa questão de milho e soja porque há uma demanda muito grande no mercado internacional pelos nossos produtos. Então eu vejo que não vai cair o preço da forma como está, é claro que tem muita coisa que é especulação e está jogando o preço para cima, mas não vejo possibilidade de baixa significativa no preço de milho e de farelo. O milho varia em torno de R$85 a R$90, depende a região do Estado, sobe ou cai um pouco, mas está bem complicada essa situação. E a Conab, que deveria ser um órgão regulador, nunca foi, para se falar bem a verdade, porque ela sempre jogava o milho no mercado a um preço menor, para tentar puxar o preço para baixo, mas o milho não tinha qualidade. Então quem tinha o milho bom mantinha o preço dele como estava e o produtor se iludia e buscava aquele milho, mas depois acabava gastando em medicamento para ajustar a granja, porque era milho com fungo, estragado e realmente com problema. Eu vejo que a Conab tinha que trabalhar um pouco diferente, mudar a forma como ela está fazendo, sendo uma garantidora entre o produtor de milho e o consumidor de milho dele, que a gente poderia estar trabalhando melhor nessa linha. O produtor planta o milho e depois ele vende para a Conab, mas ela não vai comprar, só vai fazer uma intermediação para quem consome esse milho, e ela vai dar essas garantias. Então ficaria melhor para o consumidor e para o produtor, que teria essa garantia que a safra dele não ia parar lá no estoque dele. Então tem que regular alguma coisa, mas é bem preocupante essa questão de grãos para esse ano.

É claro que com tudo isso há uma tendência muito forte o custo de produção se manter na casa dos R$ 7 realmente porque não se vê mudança daquilo que está o mercado hoje para o que vai ser o mercado no futuro em 2021. Então o que o produtor tem que trabalhar mais: a propriedade ela tem que ser uma empresa rural muito bem gerida financeiramente e na produtividade, se o produtor tiver esses controles na mão da produtividade, porque é ali que se ganha, porque no custo a gente não consegue mexer, tem que pagar aquilo que o mercado está pedindo, mas na produtividade nós podemos melhorar. Então essa é a questão que o produtor tem que estar muito focado, avaliar semanalmente a produtividade, como está, como ele pode melhorar, tecnificar a propriedade com ventilação, que isso traz um ganho de produção muito forte, independente de inverno ou verão, vai ter um controle de temperatura ali dentro que vai fazer com que as coisas fiquem bem tranquilas para as matrizes, os animais, que estão naquele sistema produtivo e vai trazer a melhor rentabilidade, como menor conversão alimentar, melhor ganho de peso, menos dias alojados. Tudo isso é o diferencial que o produtor pode fazer. E é aquela velha história: que é o olho do dono que engorda o suíno. Então a gente tem que cuidar muito nessa linha para que a gente fique sempre com uma margem de lucro garantida. Nós não podemos trabalhar com prejuízo como nós estamos trabalhando agora. Então o que precisa fazer: reduzir um pouco a carga tributária, nós temos um problema sério porque as propriedades estão hoje cada vez maiores e sempre com funcionários e esse é grande problema dessa questão trabalhista que tem ainda muita coisa que deveria ser mudada. Nós temos que fazer com que os nossos políticos olhem para o agronegócio e vejam que é o que está sustentando o nosso país na balança positiva, no PIB. Tudo isso são fatores que nós precisamos trabalhar. E cada vez mais as nossas entidades do agronegócio estarem juntas, não somente a atividade da suinocultura junto com a Associação Brasileira de Criadores de Suínos, as entidade filiadas, mas também todo o setor de proteína animal, seja de frango, de gado de corte ou leite, para que a gente possa fazer com que a política trabalhe políticas para isso. É inadmissível hoje nós termos que importar grãos, o pequeno produtor e as pequenas cooperativas, a gente ter que importar e pagar PIS/ COFINS 11,75% sobre aquilo que estamos importando. Então acaba tirando a nossa competitividade e o pequeno e o médio não conseguem crescer. Enquanto o grande que exportar consegue usar o sistema Drawback nós não conseguimos. A ministra da Agricultura tinha falado que ia zerar esse PIS/ COFINS na importação de grãos, mas até agora não aconteceu. Então a politicagem nesse país é que estraga o agronegócio, desestimula empreendedores rurais a crescer e essas questões todas tem que ser mais bem trabalhadas, porque se não a gente não vai conseguir fazer com que o país e o nosso produtor tenham ganho. Sempre se falava que quando nós chegássemos a 400 toneladas de carne exportadas o produtor ia ganhar dinheiro, depois foi para 600. Esse ano nós exportamos 1 milhão de toneladas de carne suína e agora o produtor já não está mais ganhando dinheiro dentro da atividade. Então é isso que não pode acontecer. Quem está ficando com todo esse lucro? Será que é o imposto do governo, será que são as indústrias ou os supermercadistas. Mas onde está ficando esse dinheiro? Então na principal área que deve ficar, que é lá no produtor para ele fazer os investimentos a gente não está conseguindo ter a margem de lucro garantida. Essa é a grande preocupação que nós temos, e o que eu vejo que é cada vez mais necessário é o nosso produtor olhar diferente para a sanidade. Se nós perdermos esta sanidade que Santa Catarina tem, o único Estado livre de febre aftosa sem vacinação, com certeza vai nos complicar muito porque praticamente metade da carne exportada saiu daqui pela condição sanitariamente diferenciada que nós temos. Eu sempre tenho falado que o produtor tem que ir dormir pensando como ele vai acordar no outro dia e melhorar a sanidade do seu rebanho, e fazer o trabalho na propriedade no dia a dia, não deixar ninguém entrar que não seja aquela pessoa que venha dar assistência técnica, mas mesmo assim todos os requisitos sanitários sendo respeitados, para que a gente possa continuar sendo este Estado promissor, o maior produtor de carne suína do Brasil, maior exportador e, consequentemente, com a melhor qualidade da carne suína, esta proteína animal de excelência.

 Paraná

Presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Jacir José Dariva

A variação dos custos de produção na suinocultura, independente da região produtora, está sempre relacionada à oscilação do mercado de grãos, pois os principais componentes da ração animal são o milho e o farelo de soja. Com a grande alta dos preços dos grãos em 2020, houve preocupações ao suinocultor, pois esse cenário de alta traz consequências à suinocultura. O milho pode estar plantado ao lado das granjas, mas se não for do próprio suinocultor, em consórcio de lavoura com a criação de suínos, isso influencia nos custos de produção, com alta no preço dos grãos. Mesmo que em 2019 e 2020 a suinocultura tenha vivido momentos mais tranquilos, isso serviu apenas para reposição de perdas com a crise verificada nos anos anteriores. Ou seja, o mercado bem ofertado não animou plenamente o produtor de carne suína.

Houve grandes oscilações no mercado de suínos em 2020. O ano começou com o preço na faixa dos R$ 6 o quilo, em janeiro do ano passado. Em abril, o mês começou com preço em R$ 5,01, e houve queda na metade do mês para R$ 4,44 e fechou em baixa, com o quilo cotado a R$ 3,18, o menor preço de 2020. Em maio, houve leve recuperação, subindo para R$ 3,46 no início do mês, chegou em R$ 4,12 na metade daquele mês, fechando em R$ 4,39. Dá para se afirmar que o primeiro semestre de 2020 fechou com uma média de preço em R$ 4,50 o quilo. Em julho, o preço voltou a subir e o mês fechou em R$ 6,35. A tendência de alta se manteve, sendo que no final de agosto de 2020 o suíno estava cotado a R$ 6,93. Porém, o melhor desempenho foi mesmo no último quadrimestre do ano passado, com pico em setembro, com preço de R$ 8,76 no dia 22. A alta persistiu em outubro, fechando aquele mês em R$ 9,16, ou seja, ultrapassando a barreira dos R$ 9, com mercado bem aquecido. Em novembro, a tendência de alta se manteve e o suíno foi cotado inicialmente em R$ 9,07 o quilo, subiu para R$ 10,60, mas caiu no final do mês, fechando em R$ 8,36, já em queda, novamente, quadro que se manteve até o dia 31 de dezembro de 2020, com preços variando entre R$ 6,40 e R$ 7,47, sendo que no último dia do ano o suíno foi vendido a R$ 6,40 o quilo. Esse mesmo estudo de acompanhamento do mercado do suíno vivo no Paraná mostrou que no início de janeiro de 2021 o quilo estava cotado a R$ 7, com média no mês de R$ 7,11.

De maneira geral as margens de lucro ficaram um pouco mais altas em relação a anos anteriores, mas é preciso observar que mesmo com todas as oscilações na média do preço pago aos produtores do Paraná em 2020, a atividade conseguiu apenas fazer frente aos custos de produção e recompor perdas acumuladas nos anos imediatamente anteriores. O produtor teve momentos mais favoráveis em 2020, especialmente na suinocultura independente, com um resultado um pouco mais satisfatório, mas não em um patamar que garanta total estabilidade e maior lucratividade, mesmo diante de maiores volumes de carne suína exportados pelo Brasil, em decorrência do cenário na China, com o surgimento da PSA.

O produtor neste início de ano se vê apreensivo ao observar tendências de baixa no preço do suíno. E mais ainda se levada em conta a persistente alta no preço do milho e da soja. Não se vê um cenário favorável ao suinocultor, pois essa tendência de alta no preço dos componentes da ração animal deve se manter, com exportações bem aquecidas do setor de grãos.

Além disso, não acredito que os preços dos grãos cairão para um patamar que traga vantagens ao produtor de proteína animal no Brasil. Muito pelo contrário, há bastante procura pelos grãos brasileiros e um mercado externo bem aquecido, sobrando pouco para o mercado interno, e com isso os custos de produção na suinocultura devem seguir elevados.

A solução para ter mais lucratividade em margens ajustadas não é fácil de ser encontrada, mas resumidamente passa pelo maior controle possível dos custos e da união dos produtores independentes na hora de acessar o mercado, que tem suas próprias regras e é difícil de ser controlado. A redução dos custos importa muito, porque é algo que está um pouco mais no controle do produtor, que deve estar atento a todas as questões que compõem os seus custos. Manter boas parcerias e estar sempre atualizado também é fundamental para uma boa gestão das granjas, pois de nada adianta termos tecnologias, sem que haja maior precisão também na área administrativa e de gestão sobre a nossa produção. Já houve avanços, mas quem persiste na atividade merece ser elogiado, porque a suinocultura, como se diz, não é para os fracos, e quem permanece nela sabe os desafios que isso significa.

Quero agradecer todo o apoio que o jornal O Presente Rural tem dado aos produtores, em especial às demandas da suinocultura do Paraná, divulgando as ações da Associação Paranaense de Suinocultores. Em 2021, a expectativa é de avançar em nossa atividade, com as exportações mantendo-se em alta e que isso possa refletir positivamente no mercado interno. Em termos institucionais, buscamos um novo tempo na área da Integração, com o fortalecimento do processo das CADECs, tentando atrair novos membros e que mais produtores estejam interessados em participar dos debates com as agroindústrias, além de manter as ações em torno da sanidade animal e da biosseguridade nas granjas do Paraná, apoiando as ações da Seab e da Adapar para elevar nosso status sanitário, o que deve ser reconhecido internacionalmente pela OIE em maio próximo.

 São Paulo

Presidente da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), Valdomiro Ferreira Júnior

O custo de produção em 2020 foi acelerado e praticamente terminamos o ano com um percentual de alta em média de 55% a mais, em relação ao início e término do ano.

Iniciamos 2020 praticando preços condições bolsa na região de Campinas em média de R$ 120/@ = R$ 6,40/Kg vivo. Fechamos o ano praticando preços em R$ 135/@ = R$ 7,20/Kg vivo. Ocorreu no meio do mês de novembro o ápice de preço chegando a R$ 185/@ = R$ 9,87/Kg vivo.

Sem sombra de dúvida os custos de produção no ano de 2020, foram extremamente mais altos do que a média histórica. Portanto, tivemos alguns meses apenas com margem de lucratividade positiva, criando dificuldades aos suinocultores em relação ao fluxo de caixa.

O ano de 2021 inicia-se com grandes perdas ao suinocultor. O milho responsável pelo maior percentual no custo de produção, atingiu valores no mês de janeiro jamais visto. Na região de Campinas o produtor pagou até R$ 89/saca de 60 quilos. Isso comprometeu a relação de troca, entre arroba suína e saca de milho. O ideal para o suinocultor a cada arroba vendida ele possa comprar 2,5 sacas de milho. Nesse momento, ele adquire apenas 1,12, uma das piores relações na história do setor.

A grande preocupação do setor produtivo, é preço dos grãos, leia-se milho, soja e sorgo. Além dos preços muito alto, corre-se ainda a possibilidade de falta do produto, em decorrência da questão climática e a grande exportação ocorrida no ano de 2020.

Além disso, o nosso setor depende em números arredondados de 20% do mercado externo e 80% do mercado interno. Em relação ao externo, não podemos fazer nada, pois, o mesmo é composto seus fundamentos no câmbio, no prêmio e na bolsa de Chicago, praticamente, o suinocultor é um mero expectador e consumidor. No mercado interno, dependemos das questões macroeconômicas do país. Todos sabem da situação volátil que temos na política e na economia. O consumidor brasileiro está perdendo sua renda, e não podemos esquecer que aumento de consumo da proteína animal só é possível com renda. Diante do quadro as expectativas para o ano são incertas.

A consideração final que faço aos nossos suinocultores paulistas e brasileiros é cautela, foco no custo de produção e acompanhar muito de perto as questões externas, em especial, o comportamento da China e dos Estados Unidos. O momento exige mais do que nunca, atenção especial as questões sanitárias de nosso rebanho. Protegê-lo significa manter ativo o maior patrimônio e uma granja, ou seja, seu plantel genético.

 Minas Gerais

Presidente da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg), João Carlos Bretas Leite

O ano de 2020 iniciou com valor de farelo de soja a R$ 1.700 (posto na granja) a tonelada e finalizamos o ano com valor de R$ 2.800 (posto granja). O valor da saca de milho em janeiro era de R$ 51,07 e em dezembro chegou ao preço de R$ 75,33. Devido às exportações, tivemos um ano atípico como um todo, nos valores referentes a custo de produção, contamos com uma situação preocupante ao suinocultor já que os custos chegaram a patamares nunca vistos.

No início do ano o valor do suíno vivo estava em alta no mês de janeiro, a média de preço do Estado foi de R$ 5,65. No início da pandemia tivemos uma queda brusca nos preços, chegando ao valor de aproximadamente R$ 4,20. Em meados de junho o preço iniciou uma trajetória ascendente, chegando ao valor máximo de R$ 9,50 no mês de novembro.

Válido ressaltar que a precificação do quilo do suíno vivo em Minas ocorre através da BSEMG (Bolsa de Suínos do Estado de Minas Gerais), que avalia e entende o mercado na qual está inserida, negocia valores de comercialização com os representantes do setor de frigoríficos e precifica o valor do suíno vivo no Estado. Também há momentos em que as partes envolvidas não entram em acordo e a Bolsa fica com o status de em aberto, nestes momentos a BSEMG sugere um valor de venda e frigoríficos e produtores negociam suas vendas no mercado de spot.

Realmente as margens de lucro em 2020 foram positivas. Foi um ano inigualável para o setor, com alta procura da nossa proteína o que gerou um momento bastante satisfatório para o negócio suinocultura.

Já 2021 iniciou com um cenário de custos ao produtor nunca vistos, os insumos estão chegando às granjas com preços muitos superiores às faixas costumeiras para este período do ano. Em relação aos preços pagos ao produtor, na primeira semana deste ano, estão em um momento de estabilidade, em Minas contamos com o valor de R$ 7,50 para o quilo do suíno vivo o que nos confere ainda lucratividade ao produtor. No entanto é impossível prever o comportamento do mercado para as próximas semanas, o fato é que com custos em alta o produtor terá um ano de desafios pela frente.

Quanto aos custos dos insumos para este ano a previsão dos especialistas é que não haja redução nos valores, o que certamente acarretará um custo de produção superior ao visto em 2020.

A solução para ter mais lucratividade em margens ajustadas é a pergunta que vale um milhão de dólares e que todos nós suinocultores estamos em busca de respostas. Entendo que a produtividade será o grande desafio do suinocultor para 2021, só assim será possível manter as margens ajustadas. Buscar por novas tecnologias e recursos também podem ser fatores importantes neste ano.

 Mato Grosso

Diretor executivo da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Custódio Rodrigues de Castro

A variação dos custos de produção, acredito eu, como no Brasil todo, foi assustadora para nós aqui também. Tínhamos um custo no começo da pandemia em torno de R$ 3,50, vendendo o suíno a R$ 3,80 mais ou menos, e esse custo subiu naquele auge do preço para R$ 5, R$ 5 e pouco, que ainda vendendo o suíno a R$ 8, R$ 8,50 era considerável o lucro. Mas depois, com aquela questão do milho aqui no Mato Grosso, onde normalmente seria em torno de R$30, 32, 35 para R$62 isso assustou muito. Então os custos de produção hoje oscilam entre R$ 6,50 depende o produtor, se for terminador até R$7, incluindo o leitão nessa coisa toda.

Assustamos muito no começo da pandemia, os preços oscilavam entre R$ 3,80 e R$ 3,70, caiu para R$ 2,60, abaixo do custo de produção e isso foi assustador. Mas depois cresceu consideravelmente como em todo o Brasil. Subiu para R$ 4 e pouco, R$ 5 e pouco e chegando no auge, enquanto em São Paulo estava em torno de R$ 10, a carcaça R$ 15, nós chegamos com o preço aqui a R$ 8,50, R$ 8,90 que para nós era extremamente interessante. Então as margens de lucro ficaram um pouco mais alta em relação aos anos anteriores com certeza, mas agora está bastante preocupante, principalmente no que tange a questão do milho para esse ano. Nós sabemos que o milho aqui já está praticamente 80% comercializado, e o preço aqui não vai abaixar de R$ 45, R$ 50, coisa que é assustadora para nós porque o milho normalmente era em torno de R$ 25 a R$ 30, isso não vai ter mais. Então os produtores tem feito suas contas de uma maneira que possam ver como vai ser esse ano. A grande preocupação é na nossa entressafrinha que vai de fevereiro até maio, até o começo da colheita do milho.

Para o ano de 2021 nós estamos muito preocupados com os preços, tanto de custo de produção quanto de preços pagos. A lucratividade caiu consideravelmente e acredito que isso foi no Brasil todo.

Para o milho e a soja eu acredito que não deve ter redução considerável de preços, hoje a soja aqui se fala em R$ 2.600 a tonelada, é extremamente alto, e o milho em torno de R$ 45 e R$ 47 que é extremamente alto para nós também aqui.

Já para melhorar a lucratividade temos que intermediar junto aos governos, tentar minimizar os impactos com o custo de produção, brecar um pouco esse milho que está saindo para as traders principalmente comprando esse milho assustadoramente num preço, inclusive tendo aumentando esses preços. Então o governo tem que olhar isso com cuidado principalmente porque a Conab hoje não tem estoque e nem fazer. Assim, temos que criar um mecanismo para o produtor comprar antecipadamente e criar alguma coisa para que o produtor possa ter recurso para comprar esse milho antecipado e minimizar os impactos da cadeia produtiva não somente da suinocultura, como também de aves.

As expectativas de 2021 são boas, principalmente com a China, que continua comprando um pouco nosso produto e acredito que nós vamos ter uma dificuldade maior em 2022, com eles repovoando as granjas e em um mercado bastante competitivo. Então o que temos que fazer é criar oportunidades de exportação e buscar novos mercados, especificadamente o México, que seria um mercado bastante interessante. Acredito que nós temos que fazer um lobby nesse sentindo, junto com todas as associações, incluindo a Associação Brasileira, para que possamos acessar novos mercados para que a suinocultura não tenha problema no outro ano, sabendo que alguns produtores e cooperativas aumentaram consideravelmente o número de matrizes. Então a preocupação para o produtor de pequeno porte deve ser bastante considerável em função da competitividade que vai ter com as grandes corporações.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de fevereiro/março de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

Otimização no manejo de fêmeas merece mais atenção do suinocultor

Os custos na suinocultura foram aumentando ao longo dos anos. Porém, graças a tecnologia foi possível também otimizar alguns processos desenvolvidos na granja, permitindo que o suinocultor tivesse economia.

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Arquivo / OP Rural

Os custos na suinocultura foram aumentando ao longo dos anos. Porém, graças a tecnologia foi possível também otimizar alguns processos desenvolvidos na granja, permitindo que o suinocultor tivesse economia. Durante o 13° Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui), que aconteceu pela primeira vez de forma totalmente on-line, o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Fernando Bortolozzo, falou para onde vai a otimização na suinocultura, focando no manejo reprodutivo dos suínos.

De acordo com ele, é sabido que há inúmeras maneiras de mensurar o manejo reprodutivo do plantel. “Se pegarmos a linha do tempo desde o nascimento da futura leitoa reprodutiva até a estabilidade dela no plante, há uma série de etapas que envolvem toda a parte do desenvolvimento pré-puberdade, gestação, lactação, cuidados nos primeiros dias, longevidade e retenção delas no plantel”, comenta. As formas de manejo de todas estas etapas melhoraram bastante nos últimos anos. “Detalhes como as instalações, genética, nutrição, manejos e equipe”, diz.

Mas, mesmo frente a todos estes índices alcançados, é possível melhorar? Para Bortolozzo, sim. “A primeira resposta, o grande desafio é manter resultados racionalizando processos. Nem sempre a redução do desempenho zootécnico deve ser desprezada, principalmente quando vem associada ao maior ganho econômico”, menciona. Dessa forma, ele cita alguns pontos que devem ser ponderados e considerados pelo suinocultor.

O primeiro delas é o nascimento dessa futura reprodutora. “Sabemos que inúmeros fatores são importantes, como peso ao nascer quando inferior a um quilo compromete o desempenho subsequente. Temos dados de estudos canadenses que mostram que fenótipos de baixo peso ao nascer, independente do tamanho da leitegada o peso médio ao nascer é baixo. Eles encontraram 20% de fêmeas nesse grupo”, comenta.

O desenvolvimento do desmame até a seleção é outro ponto crucial. “Temos alvos de saída da creche, peso para evitar animais muito pesados na recria. Falhas podem ocorrer no desenvolvimento das leitoas se tivermos animais muito pesados que dificilmente conseguimos concertar depois”, alerta.

A puberdade é outro detalhe. “Claro que temos a definição rápida em 30 dias, que chega é bem importante. O foco é definir isso em 30 dias, para a gente não ficar com retenção de leitoas. Há fêmeas que não dão fluxo na produção e, às vezes, acabamos retendo-as além do necessário”, comenta.

Para Bortolozzo, outro ponto bem importante é o produtor fazer Flushing e checklist de avaliação. “Porque o que não é medido não é gerenciado”, afirma. Ele explica que é preciso ter um checklist para auxiliar nos procedimentos, “Independente de genética, vamos acabar tendo metas para inseminar leitoas. Todos os procedimentos que conhecemos, sabemos o que deve ser feito e muitas vezes o que nos falta é objetividade em ter um plano operacional para implementar corretamente estas ações”, diz.

O professor comenta que o desenvolvimento corporal até o desmame também merece atenção. “Somente alvo de peso na inseminação da leitoa não é suficiente. Temos que falar de desempenho e desenvolvimento corporal da matriz, principalmente até o primeiro desmame dela”, informa. Ele explica que falhas no ganho de peso gestacional também pode ser um problema. “Às vezes a matriz com problemas sanitários individuais e em outras vezes temos que pensar que nem sempre elas estão recebendo a quantidade de alimentos que deveriam receber”, menciona.

O excesso de catabolismo na primeira lactação também pode ser uma dor de cabeça, afirma o professor. “Quando falamos em desenvolvimento corporal dessa leitoa, não falamos somente de um alvo de peso na primeira inseminação. Vai desde o desmame, peso de parto e ao primeiro desmame. Ou seja, temos que ter um bom desenvolvimento dessas matrizes”, afirma.

Botolozzo informa que o intervalo desmame-estro é outro ponto de atenção. “É um período curto, mas extremamente importante. Na nossa meta de cobertura devemos observar que em IDE muito curtos, inferiores a dois dias, realmente comprometem o desempenho reprodutivo dessa fêmea”, adverte.

A inseminação artificial também merece uma atenção especial, destaca o professor. “Temos algumas oportunidades que vem desde o controle de qualidade de produção saindo da UDG até o processo que nós otimizamos na granja, desde o transporte, armazenamento de doses, conservadores ideias, cuidados com homogeneizar ou não. São tecnologias estabelecidas, mas que temos que implementar”, comenta.

Além disso, as tecnologias estão ajudando muito o suinocultor nos últimos anos. “A redução de espermatozoides por fêmea/ano. O número de inseminações por fêmea vão ser mais específicos, por IATF. Estamos mais para o lado não ter próximos anos a implementação pesada dessa tecnologia”, especula.

Já quando o assunto é gestação, Bortolozzo dá destaque para os ajustes nutricionais. “É preciso levar em conta aspectos genéticos e as recomendações da genética que é utilizada na granja. Quando reduzimos a quantidade de alimento, temos que pensar nas questões dos micronutrientes, se com as quantidades reduzidas vamos atender as exigências dessas fêmeas”, comenta. Ele diz que a recuperação de escore corporal nos primeiros 30 dias após a inseminação também merece atenção. “Este é um assunto que ainda tem algumas coisas para discutir na área, ainda temos espaço para essa falar sobre a recuperação da fêmea após a inseminação, principalmente das fêmeas jovens”, afirma.

O professor ainda destaca que um ponto bem importante e que é preciso dar atenção é quando se fala nos cuidados que essa fêmea merece no dia 1, logo após o parto. “São ações importantes. A grande maioria está consolidada, mas temos que colocar em prática nas granjas e não temos como economizar na mão de obra. Ações como secar o leitão, aquecer, ingerir colostro, são ações extremamente importantes nesse dia 1”, diz.

Na lactação, Bortolozzo comenta que o grande foco é evitar o catabolismo. “Precisamos evitar manejos dentro da maternidade que vão afetar o IDE. E um ingrediente, de certa forma esquecido, é a água em quantidade e qualidade. Muitas vezes isso é deixado em um segundo plano e acaba comprometendo o desempenho da matriz em termos de produção de leite”, comenta.

Já para manter a longevidade dessa fêmea, o professor destaca dois pontos. “O desenvolvimento corporal desde o nascimento até o primeiro desmame e a mortalidade. Precisamos enfrentar esse problema e não aceitar dois dígitos de mortalidade dentro das granjas”, afirma.

Para Bortolozzo, é preciso ter coragem para mudar e quebrar paradigmas que ainda existem de pontos importantes. “Precisamos ter controle de qualidade nos procedimentos para trabalhar no limite definido. É importante empregar dados e experimentos confiáveis na tomada de decisões, e não simplesmente ter desafios sem fundamento”, diz.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

Profissionais são orientados sobre como mitigar riscos da entrada de PSA no Brasil

Médico veterinário e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Diogo Magnabosco, explica que a doença é viral com um alto poder de disseminação e que é importante diminuir ao máximo a potencialidade de risco da entrada da doença no Brasil, investindo pesado na biosseguridade.

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Com alto poder destrutivo e índice de mortalidade a PSA se tornou uma dor de cabeça para muitos países e um grande medo para outros. Diversos protocolos e planos já foram desenvolvidos por países para evitar que a doença entre e dissemine seus rebanhos de suínos, assim como aconteceu na China. Durante o 13° Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui), que pela primeira vez aconteceu de forma totalmente on-line, o médico veterinário e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Diogo Magnabosco, falou sobre como mitigar o risco da entrada da doença na América Latina.

Ele explica que a doença é viral com um alto poder de disseminação que assolou em 2018 e 2019 boa parte do rebanho de suínos da China, eliminando praticamente metade dos animais daquele país e de outros países da Ásia. “Isso gerou uma crise intensa e foi possível ver o impacto econômico causado por ela e gerou preocupações desse vírus, que já é pandêmico, poder se espalhar para outros continentes, como a América Latina”, comenta.

Para ele, quando se fala nesta doença é importante falar sobre a transmissão dela, que acontece principalmente em forma de contato com secreções de animais contaminados. “As vias comuns de contato são direto entre os animais, mas também através de materiais que podem carregar o vírus através do sêmen de animais e a alimentação, ou mesmo da carcaça desse animal, quando falamos dos asselvajados”, informa. Dessa maneira, diz, há o suíno selvagem e também o doméstico como sendo possíveis representantes da disseminação da doença. “Como potencial risco a gente tem algumas formas que possam vir a acontecer em animais vivos, insumos, alimentos e pessoas”, explica.

Magnabosco conta que se tratando de animais vivos é importante falar sobre os animais de vida livre e selvagem, especialmente quando se vê as ocorrências que vem acontecendo na Europa. “Esse perfil de transmissão de animais vivos, que são os causadores dos surtos na Europa, e vemos ao longo dos anos aumentando as ocorrências principalmente na Alemanha, mas também está presente em outros países do leste europeu. Dessa forma, a doença se mostra com um grande potencial de risco e um problema grave”, avalia.

Dessa forma, explica o médico veterinário, é preciso que aqui no Brasil o produtor também fique atento, visto que estes animais de vida livre também estão espalhados por todo o território nacional. “Dessa maneira, devemos ficar alertas com a possibilidade destes animais serem aqueles que possam vir a disseminar a doença. Não temos casos no Brasil, há alguns anos já não temos a PSA aqui, mas o grande problema está relacionado a entrada e permanência em animais selvagens”, diz.

Quando se fala de animais voltados a suinocultura industrial, há a importação de animais, que podem ser um potencial transmissor ou gerador de ocorrência no Brasil, explica Magnabosco. “Animais que venham vivos, temos um controle intenso, mas são potenciais riscos que devem ser levados em consideração”, afirma.

Além disso, insumos ligados a alimentação animal também merecem atenção. “Pode acontecer a sobrevivência de alguns patógenos em aditivos alimentares. O vírus da PSA tem uma potencial chance de sobreviver em alguns dos principais insumos utilizados na suinocultura”, diz. Da mesma maneira, menciona, é importante entender que parte dos insumos utilizados em nutrição animal são oriundos da China e da Europa, países que estão acometidos pelo surto. “É muito difícil controlar, porque as grandes fábricas estão nestes locais”, comenta. O médico veterinário diz que os insumos usados na indústria pode ser um risco, uma vez que o Brasil é um grande importador de produtos para a indústria de alimentos. “É importante se atentar que este também é um fator considerado para mitigação da doença”, comenta.

E ainda, alimentos trazidos por pessoas transportados via aeroporto, navio ou via terrestre também representam riscos. “Alimentos trazidos por viajantes tem um potencial grande de risco da entrada da doença. Há um grande potencial de risco de entrada via aeroporto. Outra fonte é o descarte de alimentos e transporte que vem de forma marítima. São todos riscos de alimentos que podem entrar no país, ser usados para alimentação de animais de subsistência e gerar um potencial causador da doença”, afirma. Segundo o profissional, as fronteiras terrestres secas são o grande desafio. “Precisamos ter cuidado e entender que há a possibilidade de isso se arrastrar por fronteira seca”, diz.

De acordo com Magnabosco, quando se fala em pessoas, são viajantes regulares que trazem consigo alimentos ou profissionais que fazem visitas a suinoculturas fora do Brasil e possam trazer consigo a doença e depois podem causar um grande problema. “Todos os cuidados devem ser tomados”, reitera.

Como mitigar o risco? 

Para o médico veterinário, é importante diminuir ao máximo a potencialidade de risco da entrada da doença e para isso é preciso investir pesado na biosseguridade. “É o principal elemento. Pode ser voltada aos elementos internos e externos. É o principal agente para limitar ou tentar reduzir o risco de entrada do problema”, menciona.

Segundo ele, é importante ressaltar que hoje existe uma comissão técnica consultiva no Brasil para este assunto. “São várias entidades interessadas, como Mapa e produtores, de todas as áreas buscando trabalhar de maneira conjunta a fim de achar soluções para ajudar na mitigação da doença”, conta. Ele explica que é importante levar em consideração os elementos de risco que podem ser melhorados. “São ações que são feitas. Animais vivos para importação da suinocultura industrial vão para quarentena de forma adequada; animais vivos de vida libre selvagem são monitorados com frequência, limitar estes animais é difícil, mas de qualquer forma o monitoramento é importante. Hoje temos a regulamentação para que sejam comprados animais livres de países de PSA”, informa.

Já quando o assunto é a biosseguridade externa, Magnabosco reitera que é preciso ter cuidado com alimentos de descarte e transporte. “Alimentos que vem em voos comerciais e navios que podem ser utilizados de maneira inadequada e causar problemas. É preciso dar um descarte adequado e não usar e na alimentação animal”, afirma. Para ele, é preciso intensificar a vigilância em aeroportos e fazer ações de informação ao viajante, que pode trazer consigo um problema grave para o sistema de produção como um todo. “Já temos a vigilância agropecuária nacional com cães para identificar em malas a presença de alimentos de origem animal, o que é um grande benefício que evita a entrada desses alimentos no Brasil”, diz.

Sobre os insumos citados anteriormente pelo médico veterinário, ele reitera ser importante conhecer o fornecedor. “É importante ter bons fornecedores quando se trata de alimentação animal. Não é preciso banir, mas controlar”, comenta.

O médico veterinário comenta que é importante estar preparado para o pior. “Ter um plano de contingência. Temos uma equipe que trabalha nisso, com técnicos, laboratório oficial para diagnóstico. Temos que estar prontos e preparados para sermos rápidos”, afirma.

Magnabosco comenta que as medidas tomadas para o enfrentamento da Covid são um bom exemplo de como mitigar uma doença. “Se reduziram os voos comerciais e assim facilitou a possiblidade de mitigar o problema quando estava mais intenso. Além da conscientização da população por problemas sanitários. É preciso implementar medidas preventivas em todos os níveis de biosseguridade, trabalhando em união com todos os elos da cadeia produtiva”, comenta.

Fonte: OP Rural
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Notícias Suinocultura

Leitão com baixo peso não pode ser sinônimo de perda para o suinocultor

Se bem manejado, animal pode trazer ganhos para a granja.

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Um dos grandes desafios que suinocultores ainda enfrentam na maternidade são os leitões com baixo peso ao nascimento. É preciso adotar estratégias inteligentes para fazer com que estes leitões não sejam uma perca para o produtor, mas se tornem uma oportunidade para gerar lucros.

São considerados leitões de baixo peso ao nascimento aqueles com o peso inferior a um quilo. “Eles também podem ser considerados leitões de risco, junto com aqueles com nascimento tardio”, explica o médico veterinário, Iuri Pinheiro Machado, no entanto, estes animais podem ser chamados de leitões de oportunidade. “Justamente porque esse percentual de leitões nascidos pequenos muitas vezes são bastante expressivos em granjas de alta produtividade. Por isso, também pode ser uma oportunidade para ganhos se a gente conseguir salvar esse leitão e levar ele até o abate”, comenta.

O médico veterinário diz que diversos trabalhos demonstram que quanto mais baixa a faixa de peso, menor é o índice de sobrevivência ao longo dos dias e no desmame. “Demostrando assim que realmente abaixo de um quilo é o momento crítico e quanto mais baixo o peso menor é o índice de sobrevivência destes animais”, afirma.

De acordo com Machado, é importante entender que é fundamental a gestão dos índices de controle na propriedade, especialmente quanto a confiabilidade do registro. “É preciso que a gente treine as equipes, que tenhamos auditorias internas. Tudo que possibilita que tenhamos confiabilidade nos dados”, comenta. Entre os dados citados pelo profissional estão, por exemplo, o apontamento do horário do nascimento de cada leitão e a causa mortis primária correta. “A correta é aquela que realmente foi a causa da morte do leitão. Muitas vezes o leitão é esmagado, mas ele estava com o estomago vazio. Ele já estava moribundo, acabou morrendo de inanição e aí foi esmagado pela fêmea. É importante a gente identificar essas questões, saber a causa real primária, o dia e o horário que essas mortes aconteceram para a gente poder gerir esses números e atuar nas causas reais e que possam trazer benefícios”, diz.

Outro ponto destacado pelo profissional foi que é importante que não se confunda refugos com leitão pequeno. “O leitão pode nascer pequeno, mas o refugo não nasce refugo. Este é a gente quem fabrica, seja por manejo inadequado ou por falta de manejo. É importante a gente diferenciar esse animal também”, pontua.

Machado ainda ressalta que a pesagem individual dos animais é fundamental. “Na ficha de apontamento de parte vai ter o horário do nascimento, o apontamento do peso individual daquele leitão para que a gente possa definir dentro da nossa granja quais são as faixas críticas e como isso vai evoluindo ao longo do tempo com as medidas que a gente toma para reduzir o percentual de leitões nascidos de baixo peso. É importante que a gente defina as faixas dentro da granja e que atualize essas definições ao longo do tempo”, afirma.

Estratégias para reduzir a mortalidade do leitão
De acordo com Machado, é preciso que o produtor entende que, muitas vezes, o “cobertor é curto”. “Existem fatores que são antagônicos, como é o fato de às vezes a gente fazer uma indução de parto e essa indução trazer prematuridade em função de que eu apliquei o produtor em um momento inadequado, muito cedo”, diz. Do mesmo modo, em leitegadas numerosas é sabido que haverá um percentual maior de leitões de baixo peso. “A duração do parto vai ser maior, o número de tetos muitas vezes vai ser insuficiente para absorver o número de leitões e daí entra a questão das mães deleite, transferência e a questão da produção de colostro, que é fundamental”, comenta.

Além disso, Machado ainda diz que existem intervenções que podem ser feitas para acelerar o parto e ter assim um atendimento melhor. “Mas que muitas vezes, quando feito de forma exagerada elas podem comprometer a saúde da matriz para aquela lactação e, até mesmo, para a vida reprodutiva subsequente dessa fêmea”, afirma.

O médico veterinário ressalta ser importante o suinocultor entender que muitas vezes é preciso fazer escolhas em relação a estas questões levantadas por ele. “Induzir ou não o parto? Preciso induzir porque não tenho um funcionário noturno e muitos partos acontecem a noite e isso prejudica o meu acompanhamento do parto. Mas eu induzindo eu tenho um risco maior de prematuridade. Então, tudo isso deve ser avaliado”, destaca.

Machado diz que o manejo indicado para uma granja nem sempre é o mais adequado para outra. “Cada caso é um caso. Então isso vai do consultor, do assistente de analisar qual prática adotar. Dai entra a questão da mensuração dos índices para fechar toda uma estratégia de como trabalhar melhor a redução da mortalidade desses leitões de baixo peso”, diz.

Além destes pontos, o produtor também deve trabalhar no sentindo de diminuir o percentual de leitões nascidos em baixo peso. “Nesse sentido a gente pode adotar estratégias nutricionais na gestão, que vem desde o bump feeding, que é a quantidade de ração no final da gestação com ajustes individuais, conforme o histórico de produtividade por porca. Ou seja, aquelas mais produtivas podem receber uma quantidade maior de ração, enquanto aquelas menos produtivas em menor quantidade. São ajustes que podem ser feitos também controlando o peso dos nascidos vivos e obtendo resultados quase que imediatos”, explica.

Algumas estratégias podem ainda ser adotadas antes mesmo do parto. “É importante que a gente entenda que a duração do parto é um fator importante na questão da viabilidade e vigor dos leitões. Nesse sentido é importante que a gente entenda que existe uma correlação entre os níveis de glicose sanguínea da fêmea no momento do parto e a duração dele. Assim, quanto maior o período de jejum, maior vai ser a duração do parto. Alguns trabalhos desenvolvidos na Dinamarca demonstram isso. E, claro, quanto menor a duração do parto, maior vai ser a vitalidade do leitão e mais rapidamente eu consigo dar encaminhamento dos manejos que preciso fazer com todos eles”, comenta Machado.

Em termos práticos, explica o médico veterinário, o que se recomenda hoje é que a fêmea não tenha um jejum muito prolongado. “A quantidade que ela precisa no pré-parto é importante que ela seja dividida em várias refeições, pelo menos três, e que a última refeição ocorra preferencialmente três horas antes do início do parto, para que ela possa ter uma glicemia adequada para que tenha energia suficiente para ter um parto menos prolongado e, consequentemente, menos perdas em termos de nascidos mortos e leitões com menos vigor que, eventualmente, podem contribuir com a mortalidade e perdas tanto de leitões normais quanto de baixo peso”, esclarece.

Toda a importância para a parto
Já com relação ao atendimento ao parto, Machado diz que entra então a questão da indução, data adequada e o acompanhamento. “É importante que a gente tenha uma estratégia para aqueles partos que ocorrem fora do horário de expediente da granja. As manobras obstétricas, quais vamos fazer? Existem manobras menos invasivas, como é o caso da mudança de decúbito e massagem. Existem manobras mais invasivas, como é o caso do toque. Então tudo isso tem que ser analisado para que a gente tenha um maior salvamento de leitões e um encaminhamento logo para os manejos pós-parto”, expõe.

O profissional alerta que falta de atendimento ao parto tem consequências que muitas vezes são irreversíveis, relacionadas ao leitão que não foi secado e aquecido rapidamente, que não teve acesso ao colostro, entre outros. “É muito importante que os partos sejam atendidos. É um ponto fundamental. Então, a duração do parto é importante, mas mais importante ainda é a questão do acompanhamento do atendimento imediato dos leitões no parto”, reitera Machado.

O médico veterinário frisa que um dos primeiros pontos de atendimento ao parto é o conforto térmico dos leitões, especialmente os menores. “Todos os leitões ao nascer tem uma reserva menor de glicose e de gordura corporal. Isso faz com que eles percam calor muito rápido. Mas leitões menores tem uma relação entre a superfície e a massa desfavorável: quanto menor o leitão maior proporcionalmente a superfície em relação e esse volume. Nesse sentido o leitão menor perde calor mais rápido do que aqueles maiores. Por isso a importância da secagem e o uso de aquecimento durante os primeiros minutos, para que o leitão perca o mínimo de calor e já comece a mamar o mais rápido possível”, comenta.

Outro fator importante neste sentido é o colostro, que é uma fonte de energia, imunidade e fatores de crescimento para o leitão. “O colostro é uma luta contra o tempo, porque a medida que o tempo vai passando esse colostro vai perdendo em termos de concentração de anticorpos e da capacidade de absorção do leitão. É muito importante que o colostro seja ingerido o mais rápido possível”, diz.

Além disso, a quantidade ingerida deve ser uniformizada e, segundo Machado, isso depende do manejo, porque o leitão com baixo peso vai consumir menos colostros. “Temos essa situação: os leitões de baixo peso consomem menos colostro, em condições naturais, e os últimos leitões ao nascer, independente do tamanho, também consomem menos colostro. Isso nos leva muitas vezes a manejar os leitões de baixo peso da mesma forma que esses últimos leitões ao nascer, especialmente a suplementação de colostro”, observa.

O médico veterinário explica que a produção de colostro gira em uma média de 3.8 quilos por matrizes. “Um volume suficiente quando pensamos que o consumo ideal do leitão é de 200 a 250 gramas nas primeiras 24 horas de vida”, diz. Nesse sentido, continua, já existem hoje algumas granjas com 17 nascidos vivos de média, tendo assim colostro suficiente para todos os leitões. “A questão é como se distribui esse colostro. Esse é o nosso desafio. A produção é suficiente, mas o desafio é distribuir e aí entra o manejo”, afirma.

De acordo com Machado, as estratégias começam justamente no início da vida do leitão. “Após a secagem a gente tem que conduzir o leitão para mamar. Se a gente deixar ele procurar por si mesmo ele vai demandar muito tempo e muita energia até encontrar o teto e fazer a mamada correta. Então é possível a gente conduzir a mamada, mantendo os animais aquecidos e acompanhando as mamadas. Esse é um ponto fundamental”, destaca.

Outro ponto importante mencionado pelo profissional foi quanto a uniformização do consumo desse colostro. “A gente faz a escala de mamada, ou o que a gente chama de revezamento. Então, a gente vai marcando os leitões a medida que eles forem nascendo e daí prendendo e soltando do escamoteador para que todos tenham o consumo mais ou menos uniforme”, diz.

É importante ainda, principalmente para os leitões pequenos, a suplementação manual através do uso de sonda. “Principalmente com os pequenos e os últimos que nasceram, porque eles tem uma desvantagem aos que nasceram primeiro”, comenta Machado. Segundo ele, o uso da sonda é mais eficiente que o uso da mamadeira. “Não recomendamos a mamadeira para o leitão não ficar viciado, mas é uma forma também de utilização quando não dispõe de sonda. Outra vantagem da sonda é justamente que o leitão não fica viciado ao ver o funcionário ou procurando a mamadeira e não indo até o teto da fêmea”, comenta. O profissional explica que o ideal da aplicação é que seja feita de 15 a 20 ml por leitão com um intervalo de uma hora. “Além disso, é importante que os leitões mamem na mãe biológica, porque parte da imunidade celular é transmitida somente da mãe biológica para o seu filho”, menciona.

Machado reitera que leitões de baixo peso mais do que um problema são uma oportunidade. “A abordagem não se restringe ao manejo na maternidade, também envolve nutrição na gestação e critérios de seleção e descarte de matrizes. Dois fatores são imprescindíveis e insubstituíveis neste processo: colostro e mão de obra de qualidade”, conclui.

Fonte: OP Rural
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