Suínos
Custo com doenças respiratórias aumenta à medida que suíno cresce
Perdas na granja com doenças respiratórias vão muito além de gastos com remédios; queda de desempenho zootécnico e mortalidade entram na lista
Com a chegada do inverno, uma das maiores preocupações que o produtor tem é quanto ao correto manejo na granja para evitar que qualquer animal tenha alguma doença respiratória. A preocupação é justificável, levando em consideração as perdas que toda a produção tem. Seja em desempenho ou mesmo com a morte de animais, os prejuízos causados por essas doenças provocam bastante dor de cabeça ao produtor, que precisa investir em tratamento ao invés da prevenção. As doenças ocorrem em todas as fases da produção e com diferentes impactos, fazendo com que o produtor deva ter atenção a doenças específicas em determinadas fases.
O médico veterinário Alex Diogo de Marco explica que as perdas financeiras no lote com as doenças respiratórias são bastante variáveis, sendo que em cada fase de produção o custo é diferente. “Quanto mais pesado o animal, mais caro vai ser para tratar”, informa. Ele alerta que o período de inverno é complicado, e é preciso que o produtor preste atenção no lote e faça o correto manejo para evitar qualquer desagrado no rebanho. “Quando o animal ou o lote tem alguma doença respiratória, os gastos do produtor vão muito além de somente comprar remédios para tratar”, afirma o médico veterinário. Entre outras perdas que o suinocultor tem estão o desempenho zootécnico, já que o animal deixa de comer corretamente e em quantidade necessária, além da doença poder causar a mortalidade. “Os custos são altos”, afirma.
De Marco comenta que os custos com perda zootécnica e tratamento variam para o produtor conforme a idade e peso do animal. “No início o animal é mais leve, por isso os custos para tratamento são menores. Mas, conforme ele vai aumentando de peso, mais caro fica para tratar”, diz. O médico veterinário alerta o produtor que é importante prestar atenção e fazer o correto manejo para evitar este tipo de situação na granja. “São detalhes que fazem a diferença para que o lote não adquira nenhuma doença respiratória”, conta. Apesar de serem feitas as vacinas recomendadas e preventivas, o manejo é ponto crucial para um lote saudável, complementa.
Ele afirma que o produtor prestar atenção em detalhes como ambiência, instalações boas, realizar o manejo das cortinas, são todas características que determinarão se o suinocultor terá um lote saudável ou não. “Se um suíno sente frio dentro da granja, ele já começa a ter problemas, seja com diarreia ou pneumonia. Então, é preciso que o produtor tenha bastante atenção nestes detalhes”, diz. Outro problema é o suíno usar a energia para se aquecer ao inveés de usá-la para produzir carne.
As perdas, mesmo mínimas, são inevitáveis, na opinião do profissional. “Em cada fase há um custo diferente. Muda da creche para a maternidade, engorda e então a terminação. Mas em todos os lotes o produtor terá perdas na sanidade do animal, no desempenho dele”, destaca De Marco. Ele comenta que uma perda de 2% no lote ainda é considerada aceitável, porém em casos de doenças o índice aumenta por conta dos custos que o suinocultor teve. “As perdas do produtor são muito maiores (em caso de doenças), porque ele gastou ração, energia com esse animal, para agora não receber por ele”, diz.
Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2017 ou online.
Fonte: O Presente Rural

Suínos
Suíno vivo registra variações nos preços em janeiro
Mercado apresenta comportamento distinto nas regiões acompanhadas pelo Cepea.
Suínos
ACCS empossa nova diretoria e reforça foco em mercado e sanidade na suinocultura catarinense
Entidade inicia novo mandato de quatro anos com Losivanio Lorenzi reeleito e destaca desafios ligados às exportações, biosseguridade e inovação no setor suinícola de Santa Catarina.

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) realizou, nesta sexta-feira (09), a posse oficial da diretoria eleita em assembleia geral no dia 10 de outubro do ano passado. O ato marcou o início formal do novo mandato da entidade e reafirmou a continuidade do trabalho desenvolvido nos últimos anos em defesa da suinocultura catarinense.

Presidente reeleito da ACCS, Losivanio Luiz de Lorenzi: “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade” – Foto: Divulgação/ACCS
Durante a cerimônia, o presidente reeleito, Losivanio Luiz de Lorenzi, destacou que a nova gestão mantém o compromisso com a representatividade do setor, aliando experiência e renovação. Segundo ele, alguns membros passaram por mudanças, a pedido, abrindo espaço para novas lideranças, sem perder o apoio e a contribuição daqueles que deixam os cargos diretivos. “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade”, afirmou.
Losivanio ressaltou que os principais desafios do novo mandato estão ligados ao acompanhamento constante do mercado, tanto no cenário estadual e nacional quanto no internacional.
Santa Catarina responde por mais de 50% das exportações brasileiras de carne suína e, em 2024, superou o Canadá, tornando-se o terceiro maior exportador mundial da proteína. Nesse contexto, o presidente reforçou a importância da atuação conjunta com indústrias e cooperativas, fundamentais para a comercialização da produção.
Outro ponto central abordado foi a manutenção do elevado status sanitário do rebanho

Foto: Divulgação/ACCS
catarinense. Para a ACCS, a biosseguridade e a sanidade animal são pilares estratégicos para a permanência e ampliação do acesso aos mercados internacionais, além de garantirem qualidade e segurança ao consumidor brasileiro. “É a sanidade que nos mantém competitivos e confiáveis no mundo”, destacou.
A nova diretoria assume com a missão de seguir inovando, acompanhando as transformações do setor, inclusive com o avanço de novas tecnologias e da inteligência artificial, sempre com foco na sustentabilidade da atividade, na qualidade de vida do suinocultor e na entrega de uma proteína segura e de alta qualidade à mesa do consumidor. O mandato tem duração de quatro anos.
Suínos
Biosseguridade como estratégia para proteger a suinocultura catarinense
Nova portaria estadual reforça a prevenção sanitária nas granjas, combina exigências técnicas com prazos equilibrados e conta com apoio financeiro para manter Santa Catarina na liderança da produção de proteína animal.

Santa Catarina é reconhecida nacional e internacionalmente pela excelência sanitária de sua produção animal. Esse reconhecimento não é fruto do acaso: é resultado de um trabalho contínuo, técnico e coletivo, que envolve produtores, agroindústrias, cooperativas, entidades de representação, pesquisa e o poder público. Nesse contexto, a Portaria SAPE nº 50/2025, em vigor desde 8 de novembro de 2025, representa um marco decisivo para a suinocultura tecnificada catarinense, ao estabelecer medidas claras e objetivas de biosseguridade para granjas comerciais.
Ao ser elaborada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) em conjunto com a Cidasc e outras instituições ligadas ao setor produtivo e à pesquisa agropecuária, a normativa consolida um entendimento que sempre defendemos: a prevenção é a melhor estratégia. Em um cenário global marcado por riscos sanitários crescentes, pressão por padrões mais rigorosos e mercados cada vez mais exigentes, proteger o plantel catarinense significa proteger empregos, renda no campo, investimentos industriais e a confiança dos compradores internacionais.

Diretor executivo do SINDICARNE, Jorge Luiz De Lima – Foto: ARQUIVO/MB Comunicação
A Portaria traz prazos que demonstram equilíbrio e respeito à realidade das propriedades. As granjas preexistentes têm período de adaptação, com adequações estruturais previstas para ocorrer entre 12 e 24 meses, conforme o tipo de ajuste necessário. Contudo, também há medidas de implementação imediata, principalmente de caráter organizacional, baseadas em rotinas padronizadas de higienização, controle e prevenção. É o tipo de avanço que qualifica a gestão e eleva a eficiência sem impor barreiras desproporcionais.
Vale destacar que muitas granjas catarinenses já operam nesse padrão, em razão das exigências sanitárias de mercados internacionais e do comprometimento histórico do setor com boas práticas. Por isso, a adaptação tende a ser tranquila, além de trazer ganhos diretos de controle, rastreabilidade e segurança. Entre as principais ações previstas, estão: uso obrigatório de roupas e calçados exclusivos da unidade de produção; desinfecção de equipamentos e veículos; controle rigoroso de pragas e restrição de visitas; tratamento da água utilizada; e manutenção de registros e documentação atualizados. São medidas que, embora pareçam simples, fazem enorme diferença quando aplicadas com disciplina.
Outro ponto que merece reconhecimento é a criação do Programa de Apoio às Medidas de Biosseguridade na Produção Animal Catarinense, instituído pela Resolução nº 07/2025. O Governo do Estado não apenas regulamentou: também viabilizou um caminho real para que o produtor possa investir. O programa permite financiamento de até R$ 70 mil por granja, com pagamento em cinco parcelas, sem correção monetária ou juros, e com possibilidade de subvenção de 20% a 40% sobre o valor contratado. Trata-se de um estímulo concreto, que fortalece a base produtiva e mantém Santa Catarina na liderança brasileira em produção e exportação de carne suína.
O processo é tecnicamente estruturado e acessível. O suinocultor deve elaborar um Plano de Ação (Plano de Adequação), com apoio de médico-veterinário da integradora, cooperativa ou assessoria técnica — incluindo alternativas como o Sistema Faesc/Senar-SC para produtores independentes. O documento é preenchido na plataforma Conecta Cidasc. A partir dele, a Cidasc emite o laudo técnico, e o produtor pode buscar o financiamento do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR), com solicitação feita junto à Epagri, que atua como ponte para viabilizar o acesso à política pública.
Biosseguridade não é custo; é investimento. É ela que sustenta a sustentabilidade do setor, reduz perdas, previne crises e mantém nossa competitividade. A Portaria nº 50/2025 e o Programa Biosseguridade Animal SC mostram que Santa Catarina segue fazendo o que sempre fez de melhor: antecipar desafios, agir com responsabilidade e proteger seu patrimônio sanitário, garantindo segurança, qualidade e confiança do campo ao mercado.

